Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda

Tratamento de sementes de trigo: saiba quando fazer, quais produtos podem ser utilizados e como garantir a qualidade da operação

A compra de sementes certificadas é fundamental para garantir plântulas sadias, homogeneidade da lavoura e uma safra de sucesso.

Você pode fazer o tratamento de sementes de trigo na própria fazenda ou adquirir sementes pré-tratadas.

As doenças e pragas que atingem o trigo no início do desenvolvimento reduzem o estande de plantas e o rendimento da cultura, mas são controladas com o tratamento de sementes.

Neste artigo, você terá tudo o que precisa saber sobre o tratamento de sementes de trigo. Acompanhe!

Características do trigo

A planta de trigo (Triticum aestivum L.) é uma gramínea que pertence à família Poaceae.

A planta pode atingir até 1,5 m de comprimento, possui colmo oco e folhas planas, levemente ásperas. Em cada planta há entre 6 e 9. A última folha, chamada “folha bandeira”, é a mais importante. Os grãos são ovalados, tenros e farináceos.

O número de afilhos/perfilhos emitidos é variável conforme a cultivar e densidade de plantio.

ilustração com partes da planta de trigo antes do florescimento

Partes da planta de trigo
(Fonte: DocPlayer)

É explorada em larga escala como cultura anual de inverno. No Brasil, é cultivada principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O desenvolvimento de novas variedades permite que a planta seja cultivada em outras regiões, como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.

Pesquisadores têm lançado cultivares com alta estabilidade produtiva e fitossanitária, e com boa resistência às principais doenças como manchas foliares, giberela e brusone.

Apesar dos avanços notórios nas cultivares modernas, uma série de cuidados e práticas são requeridas para o máximo potencial genético ser extraído.

Vantagens do tratamento de sementes de trigo

Tratar as sementes de trigo com fungicidas e inseticidas têm diversas vantagens:

  • reduz o inóculo inicial de doenças e controla pragas iniciais da cultura;
  • aumenta a porcentagem de germinação de sementes;
  • forma plântulas mais vigorosas;
  • garante o estande de plantas homogêneo;
  • maior rendimento de grãos.

Lembrando que o tratamento de sementes de trigo sozinho não garante todas estas vantagens. É necessário que haja qualidade sanitária, poder germinativo e vigor de sementes.

Diversas doenças que ocorrem na lavoura podem ser disseminadas por sementes. Exemplo destas são as manchas foliares (amarela, marrom e septoriose), podridão comum das raízes, carvão e fusariose/giberela.

O controle do oídio e ferrugem é outra vantagem do TS, apesar de não serem transmitidas pela semente e sim por fontes de inóculo na palha. O agroquímico na semente é absorvido e translocado para as plântulas.

Pesquisas demonstram que o controle inicial de pragas beneficia indiretamente as plantas com o controle de viroses, transmitidas por insetos vetores.

infográfico com doenças que acometem o trigo nas diferentes fases

Doenças que acometem o trigo nas diferentes fases
(Fonte: Agropós)

Para entender melhor a importância do tratamento de sementes de trigo, a Revista Agrocampo disponibiliza esse vídeo, bastante esclarecedor:

Tratamento de Sementes na Cultura do Trigo

Tratamento industrial das sementes

Sementes são adquiridas já prontas para semeadura, pois foram tratadas industrialmente nas sementeiras.

Por ser um processo industrial, a eficiência é superior ao tratamento realizado na fazenda, em rapidez e qualidade de cobertura da semente.

Alguns produtos utilizados nem sempre são necessários, pois vêm num pacote sem escolha do agricultor. 

Essa é uma desvantagem: esses produtos não consideram o laudo da análise e o monitoramento da lavoura.

Equipamento de TS industrial

Equipamento de TS industrial
(Fonte: Mecmaq)

Como realizar o tratamento de sementes na fazenda

Faça o tratamento de sementes de trigo antes da semeadura a campo, seguindo todos os cuidados necessários com o manejo de agroquímicos.

Também conhecido como “treatment on farm”, é realizado na propriedade pouco antes da semeadura. É pouco prático para grandes volumes de sementes, pois os equipamentos são caros.

Associações e/ou cooperativas auxiliam realizando o tratamento com equipamentos menores que os industriais, inclusive alguns acoplados à tomada de força do trator.

Esse procedimento pode render até 70 sc por hora.

Utilizando este método, você pode escolher o produto a utilizar, de acordo com o laudo da análise sanitária das sementes. Isso torna a operação mais eficiente.

Equipamento de TS “On Farm”

Equipamento de TS “On Farm”
(Fonte: Mecmaq)

Escolha do produto

Primeiramente, para maior eficiência do tratamento, é necessário fazer análise de sementes.

A análise de sementes é um procedimento laboratorial que identifica, entre outras coisas, a porcentagem de germinação e o vigor de sementes. A análise sanitária identifica a incidência e as espécies de fungos na semente.

Conhecendo quais são as pragas do trigo e as doenças iniciais da lavoura, também é possível planejar no TS “On Farm” qual fungicida usar, de acordo com o espectro de ação.

Você pode usar diversos produtos e misturas com diferentes princípios ativos. Confira alguns exemplos na lista a seguir.

Baytan FS

Fungicida sistêmico (Triadimenol 150g/l) com amplo espectro de ação e exclusivamente indicado para o tratamento de sementes.

Controla manchas, oídio, ferrugem e carvão.

Captive

Fungicida (Captana 800g/kg) não sistêmico de ação preventiva, indicado para TS no trigo no controle de cárie, mancha marrom e fusariose.

Amulet Top

Mistura pronta contendo inseticida (Fipronil 250g/l) e fungicidas (Piraclostrobina 25g/l e Tiofanato Metílico 225g/l).

Protege sementes e plântulas contra doenças e ataque de pragas no início do desenvolvimento.

Attic

Fungicida de contato (Iprodiona 500g/l) indicado para controle de mancha marrom e brusone.

Certeza N

Fungicida sistêmico (Tiofanato-metílico 350 g/l) e de contato (Fluazinam 52,5g/l) com amplo espectro de ação, indicado no tratamento de sementes para o controle de fungos do solo.

Belure Top

Mistura pronta. Contém inseticida (Fipronil 250g/l) e fungicidas (Piraclostrobina 25g/l e Tiofanato Metílico 225g/l).

Dividend Supreme

Mistura pronta de amplo espectro contendo inseticida (Tiametoxan 92g/l) e fungicidas (Difenoconazol 37g/l e Metalaxil 3g/l). Específico para TS no controle de pulgões, pé-de-galinha, manchas, brusone e oídio.

Qualidade do tratamento

Fungicidas de formulação líquida possuem eficácia maior que em pó seco.

A quantidade de calda indicada para boa cobertura das sementes é variável. A má cobertura das sementes pode causar três tipos de plântula: originada de semente bem tratada, parcialmente e não tratada.

Assim, você pode esperar que um tratamento desuniforme resulte numa lavoura desuniforme, condição que você deve evitar!

Cuide com avarias nas sementes durante o tratamento. Sempre siga as instruções da bula e normas de segurança para o manejo.

Em lavouras de plantio direto, é comum ocorrer ataque de lagartas na cultura recém-instalada. Nestes casos, recomenda-se aplicar inseticida na dessecação para o controle dessas lagartas.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

O tratamento de sementes de trigo é importante para garantir o controle de pragas e doenças no início do desenvolvimento.

Sementes bem tratadas são a primeira garantia de um estande uniforme de plantas, que é componente de rendimento do trigo!

Compre sementes certificadas e faça a análise delas. Isso irá permitir escolher quais produtos utilizar no tratamento e reduzir os custos.

Não se esqueça de consultar um(a) agrônomo(a) para garantir a qualidade do manejo e a eficácia da operação.

>> Leia mais:

Veja as soluções para os principais problemas na colheita do trigo

Perspectivas para a safra de inverno

“Como o tratamento de plasma em sementes pode impulsionar a germinação”

“Mancha-amarela no trigo: veja como manejar a doença”

Qual prática você adota hoje: tratamento de sementes de trigo na fazenda ou industrial? Restou alguma dúvida? Vamos continuar essa conversa nos comentários!

Como garantir a qualidade durante os processos de secagem e armazenamento de trigo

Armazenamento de trigo: confira os principais manejos que você deve adotar na pós-colheita para evitar as perdas e a desvalorização dos grãos.

O cuidado na pós-colheita do trigo é fundamental para garantir a manutenção da qualidade dos grãos e evitar perdas no seu preço de venda.

Mas você sabe quais fatores devem ser observados durante a secagem do trigo e como manejá-los? 

Sabe quais manejos devem ser adotados na armazenagem do trigo para minimizar as perdas e evitar pragas? 

Sabe quais são os principais contaminantes do trigo na pós-colheita e como monitorá-los?

Confira essas e outras recomendações a seguir!

A pós-colheita do trigo

A pós-colheita do trigo compreende a limpeza, a secagem e o armazenamento dos grãos.

A limpeza geralmente não ocasiona danos à qualidade dos grãos de trigo, pelo contrário, pode melhorar a qualidade do lote pela retirada das sujidades e de grãos chochos e quebrados.

Já na secagem e no armazenamento, os grãos de trigo podem sofrer danos se não forem adotados os manejos corretos.

Portanto, como você verá a seguir, cuidados devem ser tomados para que a qualidade dos grãos seja mantida nas operações após a colheita do trigo.

Secagem de trigo

Antes da secagem, os grãos devem passar pela pré-limpeza realizada por uma máquina de ar e peneiras. O objetivo é retirar restos culturais e materiais estranhos como pedras, terra, etc., da massa de grãos.

Essa limpeza facilita a secagem e permite o armazenamento com melhor qualidade.

A secagem dos grãos de trigo serve para reduzir o teor de água, permitindo o armazenamento seguro por maior tempo. 

Esse processo pode ser realizado com ar aquecido ou com ar natural (sem aquecimento). Vou explicar cada um deles a seguir.

Secagem com ar aquecido

O principal aspecto relacionado à secagem de grãos de trigo com ar aquecido é a temperatura do ar de secagem, que vai depender do tipo de secador (estacionário ou intermitente) e do teor de água inicial dos grãos.

Para que a qualidade tecnológica dos grãos de trigo não seja prejudicada, a temperatura da massa de grãos não deve ultrapassar 60 ℃. 

Na secagem estacionária, pelo fato de ser realizada em camadas fixas, pode haver super secagem e aquecimento excessivo da camada inferior. Portanto, é recomendada a utilização de temperaturas mais baixas (45 ℃ a 50 ℃). 

Já em secadores intermitentes, em que os grãos não permanecem o tempo todo em contato com o ar aquecido, a temperaturas deve ficar em torno de 70 ℃.

Quanto ao teor de água inicial, é recomendado que grãos com teor mais elevado (em torno de 20%) sejam secos com temperaturas mais baixas. 

Por outro lado, grãos com teor de água mais baixo (em torno de 15%) podem ser submetidos a temperaturas mais próximas da máxima indicada.

Essa recomendação é importante, visto que a retirada de água dos grãos de forma muito abrupta pode ocasionar fissuras e quebras. Isso reduz a qualidade, o potencial de conservação e o valor comercial dos grãos.

Secagem com ar natural

A secagem com ar natural é realizada em secadores estacionários ou em silos-secadores, sem o aquecimento do ar.

Neste tipo de secagem, os principais parâmetros a serem observados são:

  • temperatura e umidade relativa do ar;
  • teor de água da massa de grãos.

A secagem com ar natural é mais barata e os danos pela temperatura do ar de secagem são inexistentes. 

Por outro lado, é mais demorada e, dependendo das condições do ar e do teor de água inicial dos grãos, o produto pode demorar demais para secar e, consequentemente, sofrer deterioração.

Sendo assim, para regiões com histórico de altas umidades relativas do ar, não é indicado realizar este tipo de secagem. 

Já em regiões de clima mais seco, a secagem com ar natural funciona muito bem.

Principais cuidados no armazenamento de trigo

Os principais fatores que precisam ser observados durante o armazenamento de trigo são o teor de água e a temperatura da massa de grãos.

Grãos armazenados com elevado teor de água e em alta temperatura aumentam suas taxas respiratórias e se deterioram com maior velocidade.

Desta forma, os grãos devem ser armazenados secos (teor de água inferior a 13%) e em temperaturas da massa de grãos baixas (em torno de 18 ℃). 

O monitoramento do teor de água dos grãos pode ser realizado por amostragens sistemáticas. 

Já a temperatura da massa de grãos pode ser monitorada com o auxílio de termopares, que são sensores instalados em meio aos grãos e fazem a medição da temperatura em tempo real.

Sistema de monitoramento da temperatura da massa de grãos por termopares

Sistema de monitoramento da temperatura da massa de grãos por termopares
(Fonte: Fockink)

É importante que os silos destinados à armazenagem de grãos de trigo a granel sejam equipados com ventiladores, visando a aeração.

A aeração proporciona a uniformização da temperatura e do teor de água dos grãos, além de promover a renovação do ar intergranular.

Para realizar a aeração dos grãos, são necessários cuidados quanto às condições de temperatura e umidade relativa do ar.

Pragas do armazenamento de trigo

Durante o armazenamento, os grãos de trigo podem ser atacados por pragas, principalmente fungos e insetos, denominadas pragas de armazenagem.

Estas pragas podem ocasionar perdas significativas. Por isso, é importante conhecê-las, monitorá-las e controlá-las.

Fungos

Os fungos encontrados em grãos de trigo no armazenamento são principalmente a giberela (Fusarium graminearum), os mofos e bolores (Aspergillus spp. e Penicillium spp).

fotos de quatro grãos de trigo contaminados pela giberela (Fusarium graminearum) em estágios diferentes

Grãos de trigo contaminados pela giberela (Fusarium graminearum)
(Fonte: O Presente Rural)

Os fungos de armazenamento são os principais produtores de micotoxinas, que são toxinas produzidas pelo seu metabolismo secundário e que podem causar doenças e a morte de humanos e animais.

O controle de fungos deve ser realizado de forma preventiva. Portanto, recomenda-se que os grãos de trigo sejam armazenados com baixos teores de água (<13%) e a baixas temperaturas (em torno de 18%). 

Além disso, o processo de limpeza e higienização das estruturas de armazenagem e dos grãos antes de serem estocados é indispensável, pois restos culturais e sujeiras podem ser fonte de inóculo para os fungos.

Insetos

As principais espécies de pragas de grãos de trigo no armazenamento são o besourinho dos cereais (Rhyzopertha dominica) e o gorgulho (Sitophilus sp.).

duas fotos de grãos de trigo atacados por insetos de R. dominica e Sitophilus sp.

Grãos de trigo atacados por insetos de R. dominica e Sitophilus sp.
(Fonte: Grupo Líder e Minden Pictures)

Para fazer o controle de insetos em grãos de trigo armazenados, utilize as práticas do MIP (Manejo Integrado de Pragas)

Algumas medidas de controle são:

  • limpeza, higienização e tratamento com inseticidas protetores nas estruturas do armazém (a mais importante);
  • limpeza e secagem adequada dos grãos;
  • armazenamento de grãos secos (<13%) e a baixas temperaturas (18 ℃);
  • monitoramento da presença das pragas ao longo do armazenamento;
  • tratamento dos grãos com inseticidas recomendados no enchimento do silo;
  • expurgo com fosfina (medida corretiva).

Em silos equipados com sistema de termometria, é possível realizar o monitoramento da presença de insetos pelo surgimento de pontos localizados de aquecimento na massa de grãos, típicos da presença destas pragas.

Monitoramento de contaminantes

Devido à importância da cultura do trigo e da forma de consumo, principalmente para os produtos integrais, é importante que se faça o monitoramento dos contaminantes durante o armazenamento, buscando a identificação e as soluções a serem tomadas.

Micotoxinas, fragmentos de insetos e resíduos de agrotóxicos são os principais contaminantes que devem ser monitorados.

O monitoramento da contaminação por micotoxinas pode ser realizado de forma rápida e ágil. Já existem no mercado várias opções de monitoramento com testes rápidos para a detecção de diferentes micotoxinas e concentrações.

Equipamentos utilizados para a detecção de micotoxinas em trigo - armazenamento do trigo

Equipamentos utilizados para a detecção de micotoxinas em trigo
(Fonte: Vicam)

O limite de fragmentos de insetos em farinha de trigo está disposto na RDC N° 14 da Anvisa. O limite máximo considerado é de 75 fragmentos para cada 50 g de farinha.

Já o monitoramento da presença de resíduos de agrotóxicos nos grãos é dificultado devido à necessidade de equipamentos específicos.

Assim, é necessário respeitar o período de carência do agrotóxico e utilizar apenas produtos indicados para a aplicação em grãos armazenados.

calculadora de custos por saca Aegro, utilize agora

Conclusão

As etapas de pós-colheita do trigo são fundamentais para que o grão não perca qualidade e sofra desvalorização, o que prejudica sua lucratividade.

Vimos que, na secagem, o principal fator a ser considerado é a temperatura, que depende do teor de água inicial dos grãos e do tipo de secador.

Também falamos sobre os cuidados na etapa de armazenamento de trigo e sobre a importância do monitoramento de contaminantes, que deve ser frequente, principalmente com relação às micotoxinas. Assim, é possível identificar rapidamente as alterações e minimizar perdas.

Espero que, com essas informações, você tenha uma excelente pós-colheita do trigo!

Restou alguma dúvida sobre os processos relacionados ao armazenamento de trigo? Deixe seu comentário abaixo!

3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos

Qualidade do trigo: o que afeta sua classificação comercial e as dicas para obter melhores resultados na produção do grão.

Mesmo com uma produção alta, nem sempre o valor pago pelos grãos aumenta, não é verdade?

A qualidade do trigo conta muito na hora da negociação da safra e é determinante para alcançar um melhor preço de venda do seu produto agrícola.

Você sabe quais são esses fatores e como determiná-los? 

Entenda neste artigo os três principais indicadores e o que pode ser feito para evitar perda da qualidade do trigo colhido!

3 fatores de qualidade que impactam a venda do trigo

A qualidade dos grãos não é definida somente no momento da colheita do trigo: é a junção de práticas realizadas ao longo de todo desenvolvimento da cultura.

Desde o uso de produtos fitossanitários e do monitoramento do clima até a velocidade e regulagem da máquina na hora da colheita, são vários os fatores que podem impactar na qualidade do trigo.

Para avaliar essa qualidade do produto final, a legislação brasileira instruiu a normativa 38, de 30 de novembro de 2010, para classificação dos grãos de trigo, dividindo-os em 2 grupos, 5 classes e 3 tipos.

  • Grupo I: trigo destinado diretamente à alimentação humana, classificado apenas pelo tipo;
  • Grupo II: trigo destinado à moagem e a outras finalidades, classificado em classes e tipos. 

Para classificação, há alguns fatores a serem considerados, como você verá nas tabelas abaixo:

fatores que interferem na classificação do trigo grupo um: trigo destinado diretamente à alimentação humana, classificado apenas pelo tipo
fatores que interferem na classificação do trigo grupo dois: trigo destinado à moagem e a outras finalidades, classificado em classes e tipos

Fatores que interferem na classificação do trigo
(Fonte: Adaptado de Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento)

Esses fatores estão ligados à qualidade do trigo e impactam diretamente na comercialização de grãos

Dentre eles, o teor de umidade, matérias estranhas e impurezas, além do peso hectolitro são os que mais influenciam no valor pago para o produtor.

A seguir, vou explicar o que são e como esses fatores podem interferir no preço que você recebe pela venda do seu trigo!

1. Matérias estranhas e impurezas 

Matérias estranhas são partículas presentes no lote e que não vêm da planta de trigo, como pedaços de plantas e sementes de outras espécies, pedras, terras, entre outros. 

Já impurezas são partículas que estão presentes no lote e que vêm da planta de trigo, como cascas, fragmentos do colmo e folhas.

Essas partículas são de grande importância no momento da comercialização, pois são valores descontados do peso do lote. E isso vale para outras culturas além do trigo.

A determinação da quantidade de impurezas e matérias estranhas presentes no lote é feita com base em uma amostra, que é passada por um jogo de peneiras para separação.

Ao menos uma das peneiras utilizadas deve ter os crivos oblongos, com medidas de 1,75 mm x 20 mm. 

O que passa pela peneira é considerado impureza presente no lote.

Exemplo de peneira utilizada para separar impurezas e matérias estranhas dos grãos de trigo

Exemplo de peneira utilizada para separar impurezas e matérias estranhas dos grãos de trigo
(Fonte: LabGrãos)

O peso das impurezas ou matérias estranhas encontradas na amostra é transformado em porcentagem e feito o desconto do peso do lote.

Cada empresa pode adotar um método de cálculo diferente, mas todas realizam o desconto. Veja um modo de cálculo realizado no exemplo a seguir:

qualidade do trigo, exemplo de método de cálculo

Desse modo, quanto maior a quantidade de impurezas, menor será a qualidade do lote de trigo e, consequentemente, haverá reflexo no preço a ser recebido.

2. Umidade ideal dos grãos 

A umidade é o percentual de água encontrado na amostra do produto já livre de matérias estranhas e impurezas.

Essa umidade é determinada por um método oficialmente reconhecido ou por um aparelho que dê resultado equivalente. 

Ter esse aparelho na propriedade é um bom investimento, pois auxilia na tomada de decisão de colheita de outras culturas além do trigo.

O ideal é sempre realizar a colheita quando a umidade for adequada para operação das máquinas e para comercialização.

Como vimos acima, na classificação do trigo, a umidade ideal é de 13%.

Mas nem sempre é possível realizar a colheita dos grãos nesse percentual devido a impedimentos como excesso de chuva, grandes áreas a serem colhidas, falta de maquinário, etc. 

Desse modo, na comercialização, é considerado o valor da umidade que o lote apresenta.

Assim como para o cálculo de impurezas, o desconto da umidade pode ser realizado de diversos modos, por fórmulas, ou tabelas pré-definidas, dependendo do local em que você comercializa.

Exemplo de tabela utilizada para desconto de impurezas e umidade de um lote de grãos

Exemplo de tabela utilizada para desconto de impurezas e umidade de um lote de grãos
(Fonte: Agais)

Informe-se da metodologia utilizada pelo local onde você entrega para saber realizar o cálculo do mesmo modo.

Veja um exemplo, com uso de fórmula, para calcular o desconto pelo grau de umidade do lote:

qualidade do trigo, exemplo de cálculo do desconto pelo grau de umidade do lote

3. Peso do hectolitro (PH)

Peso do hectolitro ou peso hectolítrico, também conhecido como PH, é a massa de 100 litros de trigo, expressa em quilos, determinado em equipamento específico.

Essa medida é um atributo indireto da qualidade dos grãos de trigo e está relacionada à moagem do cereal.

Assim, o preço pago pelo trigo leva esse fator em consideração, pois é associado também ao rendimento na extração da farinha.

Características dos grãos de trigo, como forma, textura do tegumento, peso e tamanho, além da presença de matérias estranhas e impurezas, estão associadas à determinação do PH.

O peso do hectolitro pode variar em relação à cultivar, porém, valores muito baixos podem indicar problemas, principalmente na época de enchimento dos grãos.

O ataque de pragas e doenças, especialmente na parte aérea e após a formação dos grãos de trigo, diminui o PH, pois afetar diretamente os grãos, o que reduz seu peso.

Há indícios de que, em algumas áreas, o parcelamento da adubação nitrogenada pode favorecer o aumento do peso hectolítrico. Mas isso é dependente também das condições de cultivo, como a disponibilidade de nitrogênio, especificamente, mas também de outros macro e micronutrientes importantes para a cultura, a escolha da cultivar, etc.

Efeito da aplicação de nitrogênio por ocasião do florescimento no peso do hectolitro em duas cultivares de trigo e duas fontes de nitrogênio diferentes

Efeito da aplicação de nitrogênio por ocasião do florescimento no peso do hectolitro em duas cultivares de trigo e duas fontes de nitrogênio diferentes 
(Fonte: Almeida e colaboradores por Embrapa)

Dicas para melhorar a qualidade do trigo 

  • Faça sempre a limpeza da área com herbicidas para que, no momento da colheita, a lavoura tenha poucas plantas daninhas que possam se misturar aos grãos.
  • Regule a colhedora em relação à altura de corte do material, alimentação, trilha e limpeza, para obter o melhor desempenho e para que pouca impureza vá com os grãos. 
  • Atenção ao clima! Verifique o histórico da área para plantar e colher em épocas com ocorrência adequada de chuvas. 
  • Realize um bom planejamento da área, escalonando as semeaduras, para que não necessite realizar a colheita rapidamente em todas as áreas.
  • Fique atento quanto à adubação nitrogenada, principalmente na época de florescimento e perfilhamento. 
  • Controle adequadamente as doenças e pragas, especialmente as que afetam a parte aérea da planta, para evitar perda de peso dos grãos, o que influencia diretamente no PH do trigo.
calculadora de custos por saca Aegro, baixe grátis

Conclusão

Há diversos fatores que influenciam a qualidade do trigo no momento da comercialização.

Realizar um bom manejo da cultura reduz as chances de perdas pós-colheita por descontos, principalmente os relacionados a matérias estranhas e impurezas.

Nem sempre é possível colher com a umidade adequada e, caso isso aconteça, você já saberá fazer o cálculo e saber quanto será descontado.

Além dos 3 fatores citados no texto, outros podem ser considerados no momento da negociação de preços. Então, fique atento para fazer a melhor venda dos seus grãos!

>> Leia mais:

“Como garantir a qualidade durante os processos de secagem e armazenamento de trigo”

“Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Restou alguma dúvida quanto aos fatores de qualidade do trigo? Adoraria ler seu comentário!

8 doenças do trigo e como fazer o manejo ideal

Doenças do trigo: conheça os principais sintomas para identificá-las na lavoura e as medidas de manejo mais eficientes

O trigo é uma importante cultura de inverno no Brasil. Mas, para garantir uma boa produtividade, suprindo as necessidades do grão, é preciso ficar atento às doenças que podem ocorrer, colocando toda produção em risco.

Identificar os sintomas inicialmente e saber quais manejos são mais eficientes para controlá-las é fundamental.

Por isso, preparamos este artigo com as principais doenças do trigo e como manejá-las corretamente. Confira a seguir!

1- Giberela

A giberela no trigo é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo importante no período de floração da cultura. Ocorre em regiões quentes de cultivo da cultura.

A doença infecta a flor da planta de trigo, que pode ficar totalmente destruída e nem chegar a formar o grão.  

Se a infecção do fungo for lenta, pode ocorrer o desenvolvimento do grão com coloração rósea (por conta do desenvolvimento do fungo – formação de macroconídeos), enrugados e chochos.

trigo infectado por giberela

(Fonte: Paulo Kurtz em Embrapa)

Um sintoma de fácil reconhecimento da doença são as aristas arrepiadas em espiguetas esbranquiçadas ou mortas, sinal bastante característico da giberela.

Sementes e restos culturais (que podem ser de plantas de trigo ou outras hospedeiras como milho, centeio, triticale e cevada) são fontes de inóculo da doença.

Além de atacar as espigas, o fungo pode contaminar os grãos com a presença de micotoxinas.

A doença tem como condições favoráveis a seu desenvolvimento temperaturas em torno de 30°C e molhamento foliar.

Medidas de manejo da giberela

  • Semeadura antecipada, para que o florescimento das plantas não seja no período de condições favoráveis do trigo;
  • Controle químico já no início da floração.

Aqui no blog da Aegro nós já falamos tudo sobre o manejo desta doença. Confira Como identificar e controlar a giberela no trigo”.

2- Estria bacteriana

Doença causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. ondulosa, pode reduzir o rendimento em até 40% na cultura do trigo.

A bactéria da estria bacteriana sobrevive em restos culturais e sementes, sendo as sementes a principal forma de disseminação da doença.

Como sintomas são observadas lesões aquosas e longas nas folhas que, com o progresso da doença, podem se tornar pardas.   

Quando em longos períodos de chuva, as lesões podem coalescer e se distribuir por grande parte das folhas.

Medidas de manejo para a estria bacteriana

3- Podridão comum das raízes

A podridão comum das raízes pode ser causada por Bipolaris sorokiniana e Fusarium graminearum. Pode ser encontrada em todas as regiões de produção de trigo no país.

Como o nome já indica, essa doença afeta as raízes, que ficam com os tecidos de coloração parda, podendo causar a morte precoce das plantas. A semente é considerada a principal fonte de inóculo.

Medidas de manejo da podridão comum das raízes

4- Ferrugem da folha do trigo

Causada pelo fungo Puccinia triticina, a ferrugem da folha do trigo é considerada a doença mais comum da cultura.

A ferrugem na folha pode se desenvolver desde a formação das primeiras folhas até a maturação da planta.

No campo, você pode observar como sintomas pústulas de coloração alaranjada nas folhas, principalmente na parte superior, que reduz a área de fotossíntese e pode causar a queda precoce das folhas.

ferrugem da folha do trigo

(Fonte: Embrapa trigo)

Medidas de manejo da ferrugem da folha do trigo

  • Uso de cultivares resistentes;
  • Uso de fungicidas quando utilizar cultivares com suscetibilidade ao fungo.

5- Mancha amarela

A doença é causada por Drechslera tritici-repentis e considerada a mancha foliar mais importante do trigo, podendo causar 50% de perdas.

Essa é uma das principais doenças do trigo na região sul do Brasil, favorecida pelo plantio direto, que garante alimento para o fungo entre os cultivos.

Inicialmente, os sintomas são pequenas manchas cloróticas nas folhas que, com o progresso da doença, se expandem e ficam com a região central necrosada, circundadas por um halo amarelo.

mancha amarela em uma folha - doenças do trigo

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)

Temperaturas amenas e molhamento foliar são condições favoráveis para o desenvolvimento da doença.

Medidas de manejo da mancha amarela

6 – Hemiltosporiose

A hemiltosporiose ou também chamada de mancha marrom é causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana. A doença pode provocar danos de até 80%.

Nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de coloração cinza em regiões quentes. Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.

Mas, a doença pode infectar além das folhas outros órgãos da planta, como as glumas, que ficam com lesões elípticas de centro claro e bordô escuro.

Medidas de manejo da Hemiltosporiose

  • Rotação de cultura;
  • Uso de sementes sadias;
  • Uso de fungicidas para aplicação na parte aérea da planta como triazóis e estrubilurinas.

Além das doenças do trigo causadas por fungos e bactérias, há algumas causadas por vírus (viroses no trigo), que vamos discutir nos próximos tópicos.

7- Mosaico comum do trigo

O mosaico do trigo é causado pelo vírus Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV), que tem maior problema em regiões mais frias do país, que é uma condição ótima para o desenvolvimento da doença.

Esse vírus é transmitido protozoário Polymyza graminis, que é habitante do solo.

O vírus que causa o mosaico comum do trigo também infecta culturas como centeio, cevada e triticale.

Como sintoma, é possível observar estrias amarelas que são paralelas às nervuras no limbo foliar, sendo mais problemática nos estádios iniciais da cultura.

foto de mosaico comum do trigo com estrias amarelas nas folhas

(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)

Medidas de manejo para o mosaico comum do trigo

A medida mais efetiva para esta doença é o uso de cultivares resistentes.

8- Nanismo amarelo da cevada

Essa doença é causada pelo vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV), que é transmitido por afídeos (pulgões) de forma persistente circulativo.

Como o próprio nome diz, o vírus infecta cevada, mas também outras culturas como arroz, trigo, aveia, centeio, milho e sorgo.

A planta de trigo com a doença fica com tamanho reduzido (nanismo) e com amarelecimento. Folhas bandeiras ficam eretas e de coloração amarela brilhante.

Além disso, os grãos provenientes de plantas infectadas ficam enrugados e chochos.

Medidas de manejo para o nanismo amarelo da cevada

Para todas as doenças do trigo, quando for utilizar controle químico, verifique quais estão registrados no Agrofit e para te ajudar com a recomendação nas medidas de manejo procure um(a) agrônomo (a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

O trigo é uma importante cultura de inverno no Brasil e é preciso cuidado com as doenças na lavoura para evitar as perdas.

Nesse artigo, discutimos 8 das principais doenças da cultura do trigo causadas por fungos, bactérias e vírus.

Você conferiu os principais sintomas, como identificá-las na lavoura e as principais medidas de manejo para não colocar a produção em risco!

>> Leia mais:

Veja as soluções para os principais problemas na colheita do trigo

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

“3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos”

Quais doenças do trigo já afetaram a sua lavoura? Como realizou o manejo? Compartilhe suas experiências nos comentários!

Como escolher as melhores cultivares de trigo para sua lavoura em 3 passos

Cultivares de trigo: entenda quais cuidados tomar e veja algumas características das variedades mais utilizadas no mercado!

No mercado brasileiro existem diversas variedades de trigo, com inúmeras características fenotípicas e adaptativas. 

Porém nem sempre uma variedade com alta produtividade irá se adaptar às suas condições, o que pode limitar o seu potencial produtivo. 

Por isso, é preciso tomar alguns cuidados para garantir que a cultivar escolhida tenha um ótimo desempenho em sua lavoura. 

Pensando nisso, separei as características de algumas cultivares e 3 passos fundamentais para acertar na escolha. Confira!

Cuidados que você precisa ter ao escolher as cultivares de trigo

O primeiro passo para obter sucesso com a lavoura é fazer um planejamento. Pesquisar e analisar qual é a melhor cultivar de trigo para sua propriedade é fundamental!

Planeje sua semeadura pensando nas culturas sucessoras, então, observe sempre o ciclo das cultivares.

É essencial que você verifique o zoneamento agrícola, ou seja, se a cultivar escolhida é recomendada para sua região.

Fique de olho também nas épocas indicadas para a semeadura.

Liste os principais problemas de sua região como principais doenças e pragas (insetos e nematoides). Se possível, opte por cultivares resistentes.

A escolha da cultivar correta é peça-chave para alcançar altas produtividades. Por isso, aposte em sementes certificadas, que têm qualidade garantida.

Contudo, para garantir o estabelecimento do estande adequado e que a cultivar escolhida expresse seu potencial, além de todas as práticas culturais, é muito importante ficar atento às condições climáticas! 

Não arrisque semeando no pó! Aguarde condições favoráveis para que sua semente possa emergir.

E não esqueça de realizar o manejo de plantas daninhas. Faça a semeadura no limpo, isso é bastante importante para evitar perdas na produtividade.

3 dicas de como escolher a melhor cultivar para sua lavoura

Atualmente, há no mercado um grande número de cultivares de trigo. Com isso, às vezes é difícil encontrar a mais adequada para a lavoura, não é verdade?

Por isso, separei algumas informações para ajudar nessa escolha!

1º passo: tipo de produção e objetivo

Primeiramente, é necessário definir o tipo de trigo que deseja produzir e qual o objetivo. Você pode optar por semear o trigo de “duplo propósito”, trigo irrigado e trigo de sequeiro. 

Caso opte por utilizar um trigo de “duplo propósito”, que é utilizado como forragem de animais e fabricação de farinhas, o ideal é optar por cultivares com ciclo mais longo.

Se você for realizar um plantio de trigo de sequeiro, opte por cultivares com alta sanidade e com melhor tolerância à seca.

2º passo: localização da propriedade

A escolha da cultivar deve ser realizada em função da localização de sua propriedade. Assim, você irá minimizar possíveis perdas e alcançar a produtividade esperada.

A escolha da cultivar dentro do zoneamento é muito importante para conseguir um seguro agrícola (plantio fora das regras de zoneamento não podem ser assegurados).

Confira o zoneamento indicado para o seu estado, de acordo com o Mapa (Ministério da agricultura e pecuária).

3º Passo: observe as características das cultivares

Escolha cultivares com as características que lhe interessam, por exemplo:

  • capacidade produtiva;
  • qualidade dos grãos;
  • resistência a doenças;
  • tolerância a herbicidas;
  • resistência a pragas.

Lembre-se, é sempre importante observar as características agronômicas e exigência da cultivar quanto ao manejo, pois isso irá influenciar nos custos de produção.

Diferentes cultivares de trigo

Sempre que possível, utilize mais de uma cultivar em sua lavoura de trigo. Assim, você poderá evitar riscos. 

Lembre-se de instalar um teste de emergência em um canteiro antes de realizar a semeadura.

Para te ajudar, abaixo separei algumas cultivares de trigo disponíveis no mercado.

Tbio Toruk

É uma cultivar de trigo classificada como Trigo Pão/melhorador de ciclo médio. Tem excelente potencial produtivo e é moderadamente suscetível à brusone.

Contudo, possui maior disponibilidade de nitrogênio e é altamente responsivo à aplicação deste nutriente.

É uma das cultivares mais utilizadas na região Sul.

BRS Belajoia

É uma cultivar de trigo do tipo precoce a médio, que apresenta alta produtividade.

A qualidade tecnológica da BRS Belajoia depende da região de semeadura. Entrega um ótimo pacote fitossanitário, o que diminui custos com produtos.

Apresenta porte baixo, tolerância ao acamamento e excelente perfilhamento.

Trigo – BRS Tarumã

A BRS Tarumã é uma opção para utilização em duplo-propósito. 

Apresenta ciclo vegetativo mais longo e pode ser semeada mais cedo, garantindo a cobertura do solo durante todo o inverno.

É classificado como Classe Pão. Apresenta elevado rendimento e concentração de matéria seca, além de excelente afilhamento e grãos de alto PH.

Tbio Pioneiro 2010

É uma cultivar de trigo classificada como Trigo Pão de ciclo médio. Tem excelente potencial produtivo e é suscetível à brusone.

Pode ser posicionado desde baixo a alto investimento na lavoura, dependendo da realidade de sua propriedade.

Seu forte vigor proporciona bons resultados mesmo em áreas de menor fertilidade, assim como uma excelente produtividade.

Para mais opções, confira o portfólio das empresas!

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

A escolha da cultivar é extremamente importante para garantir altas produtividades no plantio da cultura do trigo.

Neste artigo, você conferiu os principais cuidados na escolha da cultivar e um passo a passo de como escolher suas sementes.

Conferiu também as principais cultivares disponíveis no mercado e seus pontos fortes.

Espero que essas informações te ajudem a melhorar a escolha de suas sementes de trigo e, consequentemente, aumentem o potencial produtivo da lavoura!

>> Leia mais:

Veja as soluções para os principais problemas na colheita do trigo

“3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos”

“Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Como você realiza a escolha de cultivares de trigo para sua lavoura? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Como identificar e controlar a giberela no trigo

Giberela no trigo: sintomas, ciclo da doença, micotoxinas e como fazer o manejo adequado em sua lavoura.

A giberela é uma das principais doenças da cultura do trigo e pode causar danos significativos na lavoura.

Além da redução produtiva, ela pode causar micotoxinas, um grande contaminante dos cereais. 

Mas como identificar os sintomas da doença? Quais as formas de manejo mais indicadas? Confira essa e outras respostas a seguir!

Ocorrência e importância da giberela no trigo

A giberela ou fusariose da espiga é causada pelo fungo Fusarium graminearum. É mais frequente em regiões quentes e que coincidam períodos prolongados de chuva com a fase de floração da cultura do trigo.

A doença pode causar redução de até 30% no rendimento dos grãos e está associada à presença de micotoxinas, substância contaminante e tóxica ao homem, como veremos em detalhes mais adiante. 

Além da presença dessas micotoxinas, o fungo pode colonizar uma ampla gama de hospedeiros como aveia, cevada, centeio, milho, triticale e sorgo

Agora veja como identificar a giberela do trigo na lavoura.

Identificação da giberela na lavoura 

Na cultura do trigo, o F. graminearum infecta a flor da planta, que pode ser totalmente destruída e nem chegar a formar grão. Além disso, pode colonizar todos os componentes da espiga.

Caso a infecção do fungo seja lenta, pode ocorrer o desenvolvimento do grão com os seguintes sintomas: coloração rósea (por conta do desenvolvimento do fungo – formação de macroconídeos), que ficam enrugados e chochos.

foto de quatro grãos infectados. Genética amplia resistência à Giberela e Brusone no trigo – O Presente Rural

(Fonte: O Presente Rural)

Já as espiguetas infectadas pelo fungo exibem coloração palha, despigmentada ou esbranquiçadas, apresentando um branqueamento prematuro.

Um sintoma de fácil reconhecimento da doença são as aristas arrepiadas em espiguetas esbranquiçadas ou mortas, sinal bastante característico da giberela.

Assim, como principais danos da doença em trigo, temos o abortamento das flores e a má formação dos grãos, o que interfere na produção da lavoura.

Além disso, o fungo ainda pode produzir micotoxinas. Ou seja, a giberela no trigo provoca danos qualitativos e quantitativos.

Mas, afinal, o que são micotoxinas?

Giberela e a formação de micotoxinas

Micotoxinas são substâncias químicas produzidas por alguns fungos que são nocivas aos homens e animais.

A principal micotoxina formada por este patógeno é desoxinivalenol (DON), que atua na inibição da síntese de proteínas.

Para proteger a saúde, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) exige analises laboratoriais de grãos e produtos à base de trigo, como farinha, farelo, alimentos infantis, pães, massas e biscoitos.

Assim, os limites de DON são 3.000 ppb para grãos de trigo para processamento, 1.000 ppb para farinha integral e 750 ppb para farinha branca.

Tabela de micotoxinas no trigo - legislação brasileira.

Limites de micotoxinas no trigo determinados pela Anvisa
(Fonte: Embrapa)

Agora que você conhece os sintomas e danos da giberela no trigo, veja como é o ciclo da doença na cultura, de forma resumida.

checklist planejamento agrícola Aegro

Ciclo da doença no trigo

O fungo que causa a giberela sobrevive em restos culturais (estrutura de sobrevivência do fungo), quando as condições não são favoráveis para seu desenvolvimento, fato muito importante para determinar as medidas de controle da doença.

Em condições de alta umidade e temperatura (condições ideais para o desenvolvimento do patógeno) ocorre o seu desenvolvimento e os esporos são dispersos no ambiente.

Os conídeos do fungo (ascósporos) são levados a longas distâncias pelo vento, sendo o principal inóculo. Estes atingem as anteras do trigo, germinam e penetram na flor, que inicia o processo de infecção da planta.

Na figura abaixo você pode observar como ocorre o ciclo desse fungo na cultura do trigo.

infográfico com ilustrações do ciclo do fungo da giberela no trigo

(Fonte: APS)

Como comentamos, o fungo que causa a giberela no trigo sobrevive em restos culturais e também tem como fonte de inóculo as sementes.

A suscetibilidade da cultura do trigo é entre o período da floração até a maturação.

As condições para a ocorrência da infecção do fungo na planta são 30 horas de molhamento foliar contínuo e temperaturas em torno de 20℃. Por isso, é preciso ter atenção em épocas de ocorrência de chuva.

Controle da giberela no trigo

A giberela é considerada uma das doenças de mais difícil controle entre as que ocorrem nas culturas de inverno.

No Brasil, ainda não estão disponíveis cultivares tolerantes ou resistentes a ela. Existem algumas pesquisas para a obtenção de cultivares resistentes, mas enquanto isso não está disponível, é importante observar outras estratégias de manejo da doença.

Algumas medidas de manejo para a giberela no trigo são:

  • semeadura antecipada – possibilita que a planta atinja o florescimento (período de ocorrência da doença) em condições menos favoráveis à doença.
  • uso de fungicidas no início da floração – deve-se realizar a pulverização antes da ocorrência de chuva (de maneira preventiva), tendo duração de cerca de 15 dias.

No Agrofit estão registrados 63 fungicidas para o controle da giberela no trigo. A maioria desses fungicidas é dos grupos dos triazóis, benzimidazol e estrubilurina.

Algumas pesquisas indicam que o controle químico da doença pode ser realizado quando as plantas estiverem com 25% a 50% de florescimento para primeira aplicação

Uma segunda aplicação pode ser feita quando as plantas apresentarem 75% de florescimento, tendo um intervalo de 5 a 7 dias entre as aplicações.

Em anos de condições favoráveis para o fungo (chuvoso), pode-se realizar uma terceira aplicação ou diminuir o intervalo entre as duas aplicações. Já em anos secos, uma única aplicação é eficiente.

ilustração mostra o controle químico em três aplicações no espigamento-florescimento da planta.

(Fonte: Embrapa)

Lembre-se de utilizar mais de um tipo de fungicida, com modo de ação diferente, para reduzir a probabilidade de resistência.

Faça também a rotação de culturas com plantas que não são hospedeiras do fungo.

Deve ser feito o manejo integrado, ou seja, utilizar um conjunto de medidas para minimizar os efeitos da doença na lavoura de trigo.

Para te auxiliar com o manejo da giberela no trigo consulte um(a) agrônomo(a) para as recomendações.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão 

A giberela é de grande importância para a cultura do trigo, podendo causar perdas na produtividade da lavoura e ainda apresentar micotoxinas nos grãos.

Neste texto, falamos da importância da doença, seu ciclo no trigo, os principais sintomas e a presença dessas micotoxinas.

Discutimos ainda as principais medidas de manejo para a giberela no trigo, que devem ser preventivas para que o fungo não se instale na lavoura e cause prejuízos.

Espero que com essas informações você tenha um ótimo manejo da doença em sua propriedade!

>> Leia mais:

O que você precisa saber sobre manejo das viroses no trigo

5 dicas para uma lavoura de trigo mais produtiva

Você já teve problemas com giberela no trigo? Como realiza o manejo dessa doença? Adoraria ver seu comentário abaixo!

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

2,4 D em trigo: por que utilizar, momento ideal de aplicação e principais cuidados para um manejo eficiente. 

Com o surgimento de plantas daninhas resistentes, é importante que você realize o planejamento para a utilização de herbicidas alternativos em sua área. 

Na cultura do trigo, uma importante alternativa para o manejo em pós-emergência de plantas daninhas de folhas largas é o herbicida 2,4 D

Porém, ainda há um grande receio quanto a seu uso, principalmente por parte de quem já teve problemas ao utilizá-lo na lavoura.

Por isso, separei aqui o que você deve considerar para fazer um manejo eficiente de plantas daninhas com 2,4 D, mantendo alta produtividade. Confira!

Por que utilizar 2,4 D em trigo?

Antigamente, o controle de plantas daninhas em pós-emergência na cultura do trigo era realizado prioritariamente com herbicidas do grupo ALS. 

E apesar desses herbicidas serem extremamente eficientes, seu uso indiscriminado selecionou populações resistentes de várias espécies de plantas daninhas. Por isso, foi necessária a utilização de outras opções para controle de folhas largas na pós-emergência do trigo.  

Assim, os herbicidas hormonais ou auxinas sintéticas começaram a ser utilizados com maior frequência no trigo (ex: 2,4 D e MCPA).  

Embora muito eficientes no controle de plantas daninhas, eles demandam uma série de cuidados quanto ao momento de aplicação, dosagem e tecnologia de aplicação, para que não ocorram prejuízos em sua lavoura de trigo ou em áreas vizinhas. 

Vou explicar melhor como o trigo suporta a aplicação de 2,4 D e quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente. 

Mecanismo de seletividade do 2,4 D no trigo

Mecanismo de ação em plantas sensíveis 

Os herbicidas mimetizadores de auxinas têm uma atuação muito semelhante aos hormônios nas plantas.

Entretanto, por serem moléculas exógenas, não possuem um sistema que regula sua atuação como os hormônios endógenos. Assim, provocam mudanças metabólicas e bioquímicas que levam plantas sensíveis à morte. 

Dentre essas mudanças, as principais estão relacionadas ao metabolismo de ácidos nucleicos e a plasticidade da parede celular. 

Essas auxinas sintéticas (ex: 2,4 D) induzem uma intensa proliferação celular em tecidos, ocasionando epinastia de folhas e caule (crescimento anormal), além de interrupção do floema, impedindo o movimento de fotoassimilados das folhas para as raízes.  

Além disso, há um grande aumento na produção de enzimas celulase, principalmente nas raízes. Por isso, o sistema radicular é muito afetado em plantas sensíveis. 

De modo geral, o mecanismo de ação dos herbicidas auxínicos, por atuar em diversos locais da planta, ainda não foi completamente explicado. 

Mecanismo de seletividade em gramíneas

Uma das principais características que possibilita a utilização de 2,4 D em cultura de folha estreita (gramíneas) é que essas espécies possuem seu tecido vascular arranjados em feixes dispersos, que são protegidos pelo esclerênquima. Tal condição previne a destruição do floema pelo crescimento desorganizado das células. 

Além dessa proteção dos feixes vasculares, as gramíneas podem possuir outro mecanismo de seletividade como menor absorção e translocação ou metabolização do herbicida. 

Contudo, no trigo, esses mecanismo de tolerância somente serão efetivados se o estádio e dose recomendados forem respeitados.

Momento ideal para aplicação e principais cuidados

Na cultura do trigo, existe uma janela de aplicação do 2,4 D para que não ocorram injúrias significativas na cultura. 

O melhor momento é durante a fase de perfilhamento até o início da fase elongação, com doses que variam de 806 g e.a. ha-1 a 1200 g e.a. ha-1

Também é importante se informar sobre a resposta da variedade de trigo escolhida ao uso do herbicida. 

infográfico de estádio ideal de aplicação de 2,4 D em trigo

Estádio ideal de aplicação de 2,4 D na cultura do trigo
(Fonte: adaptado de Mais soja)

Caso você realize aplicações antes do período ideal, podem ocorrer danos ao meristema apical da planta (principal zona de crescimento), deformações morfológicas (folhas e espigas) e nanismo (redução do porte do cultivo).

três fotos que mostram sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo

Sintomas de fitointoxicação de 2,4 D no trigo 
(Fonte: ORSementes)

Já se a aplicação ocorrer após o período recomendado, podem prejudicar a diferenciação floral do trigo. Isso pode ocasionar perdas de até 60% no rendimento da cultura.   

Além de se preocupar com o momento ideal de aplicação, é importante utilizar um boa tecnologia visando evitar deriva em culturas suscetíveis.

Esses herbicidas apresentam efeitos muito prejudiciais em algumas culturas (como uva, tomate e girassol), mesmo em doses muito reduzidas. 

Ainda que o 2,4 D seja muito efetivo no controle de muitas plantas daninhas de folha larga, não se esqueça que é importante sempre realizar um bom manejo integrado de plantas daninhas!

Utilize rotação dos mecanismo de ação herbicidas e herbicidas aplicados em pré-emergência, pois, infelizmente, já se relatou um caso de buva resistente ao 2,4 D no Brasil. 

Caso você aplique-o em sua propriedade e observe, logo após aplicação, as plantas de buva com uma rápida necrose em suas folhas (sintoma anormal para este herbicida), fique atento, pois sua buva pode ser resistente ao 2,4 D!

Conclusão

Neste artigo, você conferiu a importância da utilização de 2,4 D no trigo para manejo de plantas daninhas resistentes. Também entendeu como esse herbicida atua em plantas sensíveis e por que o trigo o tolera. 

Você agora sabe o momento ideal para aplicação sem prejudicar a produtividade do cultivo. Entendeu ainda quais os principais cuidados para evitar danos em área vizinhas e a seleção de novos casos de resistência. 

Espero que, com essas dicas, você consiga realizar o manejo efetivo de plantas daninhas em sua lavoura.

Você utiliza o herbicida 2,4 D em trigo? Já observou alguma injúria devido a essa aplicação? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia do Manejo de Plantas Daninhas!

O que você precisa saber sobre manejo das viroses no trigo

Viroses no trigo: conheça as principais, os sintomas, vetores e as medidas de controle mais eficazes.

As viroses são importantes doenças na cultura do trigo e podem causar redução de até 60% na produção dos grãos.

Mas como evitar que esses vírus atinjam a lavoura? 

Como identificar os principais sintomas das doenças e quais as melhores formas de manejo? Confira a seguir!

Importância do trigo e as doenças que ocorrem na cultura

O trigo é a principal cultura de inverno no país. Segundo estimativa da Conab, houve incremento de 14% na área plantada nesta safra em relação à passada devido aos preços atrativos do grão.

Com isso, a produção estimada é de 6,832 milhões de toneladas, com 2,329 milhões de hectares cultivados (Conab).

A triticultura está distribuída em vários estado do Brasil, podendo ser cultivada como sequeiro ou irrigada. Rio Grande do Sul, Paraná (maior área plantada), Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul são os principais produtores.

Como acontece com outras culturas agrícolas, o trigo pode ser afetado por doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. Algumas das principais doenças do trigo são:

  • mancha amarela;
  • ferrugem da folha do trigo;
  • oídio;
  • podridão comum de raízes;
  • mancha marrom;
  • giberela;
  • brusone;
  • estria-bacteriana;
  • mosaico comum do trigo;
  • nanismo amarelo da cevada.

Nesta lista, falamos de duas doenças de origem viral. Você já ouviu falar ou teve problemas com elas na sua lavoura?

Mas, antes, vou explicar melhor como acontecem as viroses.

O que são as viroses nas culturas agrícolas?

As viroses são doenças causadas por vírus – pequenos agentes infecciosos que não possuem metabolismo próprio. Ou seja, os vírus precisam do metabolismo do organismo parasitado, no caso as plantas, para a replicação. Por isso, é chamado de parasita obrigatório.

A partícula viral é bastante simples, constituída de moléculas de DNA ou RNA de fita simples ou dupla, sendo, ainda nesta partícula, moléculas proteicas e podem apresentar um envelope lipoproteico. 

Algo muito importante para as viroses é entender sobre seu controle. O manejo deve ser preventivo, como vou explicar melhor adiante.

Na cultura do trigo, as principais viroses são o mosaico comum do trigo e o nanismo amarelo da cevada.

Aqui no Blog do Aegro nós já falamos sobre doenças fúngicas e bacterianas do trigo. Confira no artigo “As principais doenças de culturas de inverno e como combatê-las”.

Viroses no trigo: mosaico comum do trigo

O mosaico comum do trigo é causado pelo vírus Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV). É transmitido pelo protozoário Polymyza graminis (habitante do solo – parasita de raízes de algumas plantas), que, quando presente no solo, se espalha através de esporos que são liberados com a água da chuva.

Além do SBWMV, o vírus Wheat spindle streak virus (WSSMV) também está associado à doença, que tem o mesmo vetor.

A lavoura afetada por esta virose pode chegar a registrar até 60% de redução no peso dos grãos.

O mosaico comum pode também ser identificado como mosaico verde, mosaico amarelo, mosaico estriado do trigo, virose da estria amarela do trigo e mosaico roseta

Esta doença é detectada em regiões frias como nos estados do Rio Grande do sul, Paraná e Santa Catarina. 

A temperatura ótima para seu desenvolvimento é de 16℃. Temperaturas acima de 20℃ cessam seu desenvolvimento.

O mosaico comum do trigo começou a ter importância pela adoção do sistema de plantio direto. Além de áreas com compactação do solo e encharcamento, cultivos que apresentaram alta precipitação favorecem o vetor do vírus.

Além do trigo, a virose afeta as culturas de centeio, triticale e cevada.

Sintomas e manejo do mosaico comum do trigo

Como sintoma do mosaico comum do trigo você pode observar, nos estádios iniciais da cultura, estrias amarelas, que são paralelas à nervura. 

Pode surgir ainda o sintoma roseta, que paralisa o crescimento da planta e afilhamento exagerado. A doença é o maior problema logo após o plantio da cultura.

Essa virose pode causar danos consideráveis, principalmente quando se utiliza cultivares suscetíveis.

foto de Douglas Lau - Listras amarelas são o principal sintoma do mosaico

(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)

No campo, normalmente, você observa a doença em reboleira, por causa da distribuição do vetor no solo.

infográfico com Ciclo do mosaico comum do trigo e da Polymyza graminis

Ciclo do mosaico comum do trigo e da Polymyza graminis}
(Fonte: Reis e Danelli)

A rotação de cultura não é eficiente para esta doença, por isso, as medidas de manejo devem ser preventivas utilizando cultivares resistentes.

Nanismo amarelo da cevada

Esse nanismo é causado pelo vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV), com maior ocorrência na região sul do Brasil. Dados indicam que podem ocorrer perdas de até 50% dos grãos devido à virose.

O vírus é transmitido por afídeos (pulgões), de forma persistente circulativa, com aquisição de 15–60 minutos e transmissão de 24h a 48 horas. Os afídeos são favorecidos por tempo seco e temperaturas amenas.

Há uma ampla gama de hospedeiros do vírus além do trigo como arroz, aveia, cevada, centeio, milho e outras.

E, como o próprio nome da doença sugere, a planta com a virose sofre nanismo, interferindo no seu desenvolvimento, e há amarelecimento das folhas.

Sintomas e manejo do nanismo

Como sintomas, é comum observar que as folhas bandeiras ficam eretas e de coloração amarelo brilhante. 

Essa folha pode morrer precocemente e causar escurecimento na espiga. Os grãos de plantas infectadas ficam chochos e enrugados.

foto com Sintomas do nanismo amarelo da cevada com pulgões Rhopalosiphum padi

Sintomas do nanismo amarelo da cevada com pulgões Rhopalosiphum padi
(Fonte: Douglas Lau em Embrapa)

Medidas de manejo para a virose do nanismo amarelo da cevada são:

Um recente vírus identificado no trigo no Brasil: WhSMV

O Wheat stripe mosaic virus (WhSMV) foi relatado no final de 2018 em um estudo realizado pela Embrapa Trigo, em parceria com a Biotrigo Genética, Universidade Federal de Santa Catarina e outros órgãos.

Este estudo foi sobre a população viral e manejo do mosaico comum do trigo, o que acabou descobrindo mais um vírus que está associado a esta doença. Isso foi possível através de técnicas de sequenciamento genético.

Então, além do SBWMV e, posteriormente, do WSSMV associado ao mosaico comum do trigo, também foi identificado o WhSMV.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

As viroses são importantes doenças para a cultura do trigo, podendo causar perdas de até 60% nos grãos.

Neste texto, falamos das duas principais viroses para a triticultura que são mosaico comum e nanismo amarelo.

Agora que você sabe sobre os sintomas e o manejo, que deve ser preventivo, reduza as perdas com viroses na sua lavoura de trigo.

Você teve problemas com viroses na cultura do trigo na sua lavoura? Como realizou o manejo da doença? Adoraria ver seu comentário abaixo.