As principais doenças de culturas de inverno e como combatê-las

Doenças de culturas de inverno podem colocar sua produção a perder. Saiba como identificar as mais recorrentes e todas as recomendações de controle.

As doenças são um grande problema na lavoura, podendo colocar toda a produção a perder.

Por isso, saber identificá-las e fazer o manejo correto é essencial para garantir uma boa colheita.

Neste artigo vamos mostrar as principais doenças de culturas de inverno, como oídio, ferrugem e mancha foliar, quais suas características e as formas de controle mais recomendadas. Confira a seguir!

Importância e opções das culturas de inverno para sua propriedade

As culturas de inverno são uma ótima opção para aumentar a renda após o cultivo de verão ou mesmo diversificar as culturas agrícolas na propriedade.

Segundo a Conab, há estimativa de crescimento de 11,8% na área a ser plantada com culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale) na safra 2020. 

Para escolher o melhor plantio no inverno, considere a oportunidade da cultura agrícola na sua região, ponderando a parte econômica (venda e renda) e também as condições climáticas. 

Algumas opções de culturas de inverno são:

Nos próximos tópicos vamos mostras as principais doenças de algumas dessas culturas e as medidas de controle mais recomendadas.

Milho, sorgo e feijão também são considerados culturas de inverno, mas sobre as doenças desses cultivos preparamos um texto específico que você pode conferir aqui!

Doenças de culturas de inverno: trigo

Ferrugem comum das folhas do trigo

Causada pelo fungo Puccinia triticina, é considerada a doença mais comum na cultura, ocorrendo em grande parte das regiões produtoras de trigo no Brasil. Relatos já mostraram perdas de até 50% na produtividade em estados da região Sul do país.

A doença pode se manifestar em todas as fases do ciclo da cultura. Seus sintomas são pequenos pontos arredondados de coloração alaranjada (pústulas), principalmente na parte superior das folhas.

Ferrugem da folha (Puccinia recondita f.sp. tritici)

(Fonte: Agrolink)

Controle da ferrugem da folha do trigo:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • eliminação de plantas voluntárias;
  • controle químico (fungicidas).

Helmintosporiose

A helmintosporiose ou mancha marrom causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana é comum nas regiões mais quentes de cultivo do trigo.

Nas folhas, os sintomas são lesões elípticas de coloração cinza (regiões mais quentes). Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.

Mas esse fungo pode infectar qualquer órgão das plantas de trigo e como fonte de inóculo do fungo são considerados restos culturais e sementes.

Medidas de manejo para helmintosporiose são:

  • uso de sementes sadias e com tratamento de sementes;
  • rotação de culturas;
  • controle químico (mistura de triazóis e estrobilurinas).

Giberela 

A giberela é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo mais frequente em regiões quentes. Este fungo pode sobreviver em restos culturais e em sementes.  

A doença é considerada o principal problema que afeta as espigas de lavouras de trigo, cevada e triticale no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região centro-sul do Paraná.

Além das perdas em rendimento, pode ocorrer a presença de micotoxinas, substância tóxica produzida pelo fungo.

O fungo infecta a flor, causando sua morte. Caso consigam se desenvolver, os grãos ficam enrugados, chochos e de coloração rosa. 

Como sintomas da doença, você pode notar que as aristas de espiguetas infectadas se desviam do sentido não infectadas. Posteriormente, aristas e espiguetas adquirem coloração esbranquiçada ou cor de palha.

Maria Imaculada Lima - Giberela em trigo

(Fonte: Maria Imaculada Lima em Embrapa)

A doença é de difícil controle, por isso, algumas medidas de manejo para giberela são:

  • aplicação de fungicidas após início da floração;
  • semeaduras antecipadas.

Mancha amarela

Esta doença é mais facilmente encontrada em locais de plantio direto com monocultura. É uma das manchas mais importantes para a cultura e pode causar perdas de 50% no trigo e também na cevada.

A mancha amarela é causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis que, nas plantas de trigo, pode causar sintomas de pequenas manchas cloróticas, que evoluem e se expandem para manchas de cor palha, circundadas com halo amarelo.

doenças de culturas de inverno

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para esta doença são:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas; 
  • fungicidas;
  • eliminação de plantas voluntárias.

Septoriose

Também chamada de mancha da gluma, é causada pelo fungo Stagonospora nodorum, que pode sobreviver em restos culturais e sementes.

Como sintomas, nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de aspecto aquoso, que após algum tempo se tornam secas e de coloração parda.

São medidas de manejo para septoriose:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas;
  • controle químico.

Brusone

A brusone ou branqueamento da espiga é causada pelo fungo Pyricularia grisea, sendo também uma das doenças mais importantes na cultura do arroz

Alguns sintomas da doença são espigas de coloração branca e, no local de penetração do fungo, causa a morte acima desse ponto de penetração.

Como a giberela, a brusone é de difícil controle. Assim, uma medida recomendada é o plantio precoce da cultura de trigo.

Oídio

O oídio tem como agente causal o Blumeria graminis f. sp. tritici, que pode gerar até 60% de perdas na cultura.

Você pode observar nas folhas uma coloração branca com aspecto de pó. Os tecidos atacados apresentam coloração amarela e acabam morrendo. As plantas atacadas apresentam menor vigor, redução do número de espigas e peso dos grãos.

Leila Costamilan - Sintomas de oídio em plantas de trigo

(Fonte: Leila Costamilan em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para oídio são:

  • cultivares resistentes;
  • pulverização com fungicidas.

Doenças de culturas de inverno: aveia

Ferrugem da folha

É considerada a doença mais comum na cultura, causada pelo fungo Puccinia coronata f. sp. avenae.

Os sintomas incluem pontos pequenos e ovais de coloração alaranjada (pústulas). Com o progresso da doença, as pústulas podem se tornar mais escuras.

Ferrugem da folha (Puccinia coronata var. avenae)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • uso de fungicida;
  • eliminação de plantas voluntárias com sintomas;
  • resistência genética.

Mancha do halo amarelo

Esta doença ocorre em todos os locais de cultivo da cultura da aveia, sendo causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. coronafaciens. É considerada a segunda doença mais importante da cultura.

Aparece em folhas novas, com manchas cloróticas, com halo verde-claro a amarelado. Essas manchas podem tomar toda folha e matar o tecido. Também ocorrem sintomas no colmo e bainha.

Medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • sementes sadias.

Helmintosporiose

Essa doença, causada pelo fungo Drechslera avenae, traz dano principalmente quando há chuvas frequentes antes da colheita. Isso prejudica os grãos, que ficam escuros e perdem a qualidade.

Como sintomas ocorrem manchas largas de coloração marrom ou roxa, podendo necrosar o limbo foliar. Pode atacar também os grãos ou sementes.

Algumas medidas de manejo são:

  • eliminação de plantas voluntárias;
  • rotação de culturas;
  • sementes sadias;
  • fungicidas nos órgãos aéreos da planta. 

Doenças de culturas de inverno: girassol

Mofo-branco

O mofo-branco ou podridão branca é causado por Sclerotinia sclerotiorum, sendo considerado o fungo mais importante na cultura do girassol.

Se o fungo atacar na fase de plântula, pode ocasionar a morte e provocar falhas no estande. Mas pode haver outros tipos de sintomas conforme a parte atacada: basal, mediana e capítulo.

Na basal (do estádio de plântula até a maturação), o mofo-branco pode ocasionar a murcha da planta e lesão marrom, mole e com aspecto de encharcada. Se houver alta umidade, a lesão pode ficar coberta por um micélio branco. Além disso, podem ser encontrados escleródios nas áreas afetadas.

Já na porção mediana da planta, que ocorre a partir do estádio vegetativo, os sintomas são parecidos com os da infecção basal. Escleródios podem ocorrer dentro e fora da haste.

E no capítulo, que ocorre a partir da floração, inicialmente observam-se lesões pardas e encharcadas no capítulo, tendo a presença do micélio cobrindo algumas de suas partes. 

Com o progresso da doença, pode-se encontrar muitos escleródios no interior do capítulo. O fungo pode destruir essa estrutura floral.

doenças de culturas de inverno

Sintomas do mofo-branco no capítulo do girassol
(Fonte: Aguiar, R; Sampaio, J; Boniatti, P.  em IFMT)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • época de semeadura.

Mancha de alternaria

Doença causada por Alternaria helianthi, sendo considerada a mais comum em regiões subtropicais úmidas.

A doença pode causar necrose nas folhas, podendo ocasionar morte das células e desfolha precoce.

Inicialmente você pode observar pequenos pontos necróticos castanhos nas folhas, com halo clorótico. Com o progresso da doença, pode haver círculos concêntricos, semelhante a um alvo, que pode progredir para necrose e desfolha.

Algumas medidas de manejo são:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • escolha da época de semeadura;
  • densidade de semeadura correta para não apresentar microclima favorável.

Doenças de culturas de inverno: cevada

Mancha reticular 

A doença é causada pelo fungo Drechslera teres, considerada a principal doença da cultura de cevada.

Nas folhas com ataque deste fungo ocorrem manchas ou estrias marrons, formando rede de tecido necrosado, com halo amarelo.

Mancha angular (Drechslera teres)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de controle são:

Nanismo amarelo da cevada

Esta virose ocorre em aveia, cevada e trigo causada pelo vírus BYDV, tendo como vetor afídeos.

Como sintoma, você pode observar nas folhas mais novas manchas cloróticas, de amarelada até arroxeada.

Como medida de manejo da doença são recomendados: 

  • controle químico ou biológico do vetor; 
  • tratamento de sementes.

Para te auxiliar com a prescrição de medidas de manejo para as doenças de culturas de inverno procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão 

Culturas de inverno são uma opção para aumentar a rentabilidade e diversificar as culturas na fazenda após a safra de verão.

Neste artigo, apontamos as doenças mais recorrentes nos cultivos de trigo, aveia, girassol e cevada. 

Falamos sobre os sintomas de cada uma delas e também sobre as medidas mais efetivas de controle.

Agora que você já sabe como fazer o melhor manejo de doenças nas culturas de inverno, espero que você consiga alcançar uma boa produtividade e lucro na sua safra de inverno!

>>Leia mais:

Perspectivas para a safra de inverno!

“Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”

Você tem problemas com doenças de culturas de inverno na sua propriedade? Como realiza o manejo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Tudo que você precisa saber sobre as plantas daninhas do trigo

Plantas daninhas do trigo: como planejar o manejo, quais as principais infestantes e como controlá-las

O trigo é uma cultura muito importante e que pode ser peça-chave para rotação de cultivos e melhor aproveitamento de áreas em algumas regiões do país. 

Além disso, essa cultura é uma aliada do manejo de plantas daninhas, pois tem ótimo fechamento de linha e ótima produção de palhada. 

Porém, para que este uso seja efetivo, é importante conhecer as principais plantas daninhas do trigo e saber como manejá-las. Por isso, confira!

Estratégias de manejo de plantas daninhas do trigo

Em nosso país, o trigo geralmente é cultivado em rotação com a cultura da soja no lugar do milho safrinha.

A principal diferença no manejo de plantas daninhas nesta cultura é que o período de entressafra ocorrerá entre a colheita da soja e o plantio do trigo. 

Desta forma, o produtor deve utilizar este período para controlar as plantas daninhas da área e priorizar a semeadura do trigo no limpo

Apesar do ótimo fechamento de linha do trigo, a ocorrência de plantas daninhas nos estádios iniciais pode ser muito prejudicial à produtividade da cultura. 

Para cultivares de porte baixo, estudos demonstram que o período anterior à interferência é de 12 dias após a emergência.  Já o período crítico de prevenção da interferência vai dos 12 aos 24 dias após a emergência. 

Ou seja, o manejo de plantas daninhas deve ser planejado para a cultura do trigo ficar no limpo por, no mínimo, 12 dias!

Além disso, a semeadura da soja ocorrerá logo após a colheita do trigo. Se a área estiver com plantas daninhas, o produtor terá de semear a cultura principal no sujo (soja) ou terá que prorrogar a semeadura (o que não costuma ser viável).

Uma questão importante no manejo de plantas daninhas no trigo é o padrão de seletividade na cultura.  Como o trigo se trata de uma gramínea, o número de herbicidas que controlam outras gramíneas no meio desta cultura é reduzido.  

Por isso, priorize controlá-las na entressafra (entre a colheita e a semeadura da soja). 

Principais plantas daninhas do trigo

Azevém (Lolium multiflorum)

Essa planta daninha possui grande importância para a cultura do trigo na região Sul do Brasil.

Já foi muito utilizada como cultura de cobertura ou forrageira e, devido a isso, se disseminou em várias áreas. 

O azevém é uma das poucas gramíneas que tem a capacidade de vegetar durante o período de inverno. 

Ele tem seu ciclo anual ou bianual (com ampla variação dependendo do biotipo) ereta, herbácea, amplamente perfilhada e sem ocorrência de pilosidades (glabra). Tem reprodução exclusivamente por sementes!

Estudos demonstram que uma população de 24 plantas de azevém por m2, convivendo com o trigo por 35 dias, pode reduzir em 62% o rendimento de grãos da cultura. 

Recomendação de manejo do azevém

Recomenda-se que o manejo desta planta daninha seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas será necessária. 

Além disso, pode-se utilizar o herbicida pendimethalin no sistema plante-aplique para controlar as sementes presentes na área. 

Caso esta planta daninha do trigo esteja na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão iodosulfuron, clodinafop e diclofop.

Além de sua capacidade competitiva, existem biótipos resistentes a herbicidas no Brasil.

Até o momento foram relatados quatro casos de resistência de azevém no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2010 –  azevém resistente ao herbicida iodosulfuron;

2010 – azevém resistente aos herbicidas clethodim e glifosato;

2016 – azevém resistente aos herbicidas clethodim e Iodosulfuron;

2017 – azevém resistente aos herbicidas Iodosulfuron, pyroxsulam, glifosato.

Caso existam biótipos resistentes desta espécie daninha em sua lavoura de trigo, uma opção para manejá-la é optar por variedades Clearfield®, que serão tolerantes ao herbicida imazamox.

Capim-amargoso (Digitaria Insularis)

O capim-amargoso é uma planta daninha de ciclo perene, herbácea, entouceirada, ereta  e que produz rizomas (estruturas de reserva). 

É uma das principais plantas daninhas do Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. 

O ponto principal de seu controle é a aplicação nos estádios iniciais de desenvolvimento, pois após a produção de rizomas (aproximadamente 45 após a emergência) sua capacidade de rebrota depois de uma injúria de herbicidas é altíssima. 

Capim-amargoso é uma das principais plantas daninhas do trigo
(Foto: Germani Concenço/Embrapa)

Recomendação de manejo do capim-amargoso

Recomenda-se que o manejo do capim-amargoso seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas será necessária. 

Além disso, pode-se utilizar o herbicida pendimethalin no sistema plante-aplique para controlar as sementes presentes na área.

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, a opção disponível será clodinafop.

Além de sua capacidade competitiva, há ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas no Brasil.

Até o momento foram relatados dois casos de resistência de capim-amargoso no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2008 –  capim-amargoso resistente ao herbicida glifosato;

2016 – capim-amargoso resistente ao herbicida haloxyfop.

Aveia (Avena strigosa e A. sativa)

Esta planta daninha possui grande importância para a cultura do trigo na região Sul do Brasil.

Já foi muito utilizada como cultura de cobertura ou forrageira e, devido a isso, se disseminou em várias áreas. 

Esta planta daninha também é uma das poucas gramíneas que tem a capacidade de vegetar durante o inverno. 

Estas espécies têm ciclo anual, são eretas, bastante perfilhadas e com reprodução exclusivamente por sementes. 

Podem ser facilmente diferenciadas pela coloração dos envoltórios das sementes. A Avena strigosa possui coloração escura sendo assim chamada de aveia preta. 

Lavoura de aveia preta
(Foto: Agrolink)

Recomendação de manejo da aveia:

Recomenda-se que o manejo desta planta daninha seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, o controle químico envolve a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas. 

Se a aveia estiver presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão iodosulfuron, clodinafop e diclofop.

Nabo (Raphanus raphanistrum e R. sativus)

As espécies de nabo forrageiro têm ciclo anual, são eretas e com reprodução exclusivamente por sementes. 

Foto de lavoura de trigo infestada com nabo forrageiro
Lavoura de trigo infestada com nabo

Recomendação de manejo do nabo:

Antes do plantio do trigo podem ser utilizados os seguinte herbicidas: glifosato, 2,4 D, metribuzin e metsulfuron. 

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão metsulfuron, 2,4D, iodosulfuron e bentazon.

Até o momento foram relatados dois casos de resistência de nabo no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2001 – nabo resistente aos herbicidas metsulfuron, imazetapir, clorimuron, nicosulfuron, cloransulam;

2013 – nabo resistente aos herbicidas metsulfuron, imazetapir, clorimuron, sulfometuron, cloransulam, iodosulfuron e imazapic.

Buva (Conyza spp.)

A buva é uma das principais plantas daninhas do Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. 

Estas espécies têm ciclo anual, são eretas, com ramos e folhas pubescentes, propagando-se exclusivamente por sementes. Suas sementes são facilmente disseminadas pelo vento!

Lavoura de trigo infestada por buva
(Fonte: Mais Soja)

Recomendação de manejo da buva:

Como essa é uma espécie que suas sementes necessitam de luz para germinar, a cultura do trigo é muito utilizada para auxiliar em seu manejo! 

Se bem controlada, o bom fechamento de linha e a palhada depois da colheita vão segurar a emergência destas sementes no período mais propício (período frio). 

Antes do plantio do trigo podem ser utilizados os seguinte herbicidas: glifosato, 2,4 D, metribuzin e metsulfuron. 

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão metsulfuron, 2,4D, iodosulfuron e bentazon.

Até o momento foram relatados oito casos de resistência de buva no Brasil. De maneira cronológica os casos foram:

2005 – Conyza bonariensis resistente ao herbicidas glifosato;

2005 – Conyza canadensis  resistente ao herbicidas glifosato;

2010 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas glifosato;

2011 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas clorimuron;

2011 – Conyza sumatrensis resistente aos herbicidas glifosato e clorimuron;

2016 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas paraquat;

2017 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas saflufenacil;

2018 – Conyza sumatrensis resistente aos herbicidas diuron, paraquat, glifosato, 2,4 D e saflufenacil.

Para te ajudar no controle da buva e de outras espécies invasoras em sua lavoura, preparamos um Guia para Manejo de Plantas Daninhas de difícil controle. Baixe gratuitamente aqui!

Banner de chamada para o download da planilha de controle de custos de safra

Conclusão

Neste texto vimos as particularidades do manejo de plantas daninhas do trigo.

Mostramos a importância de semear no limpo e o que devemos priorizar no manejo de plantas daninhas para as diferentes fases do cultivo. 

Vimos também os casos de ervas daninhas resistentes e as indicações de manejo para o controle adequado na cultura do trigo!

>> Leia mais: 

Quais são as principais pragas do trigo e como combatê-las

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

Quais plantas daninhas mais afetam sua lavoura hoje? Qual tem sido seu maior problema no manejo de plantas daninhas no trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Benefícios do trigo mourisco para o solo da lavoura

Trigo mourisco: veja quais características tornam esta cultura uma excelente opção para inserir no seu sistema de rotação de culturas. 

A maior parte dos produtores brasileiros concordam que realizar uma boa rotação de culturas e construir um bom perfil de solo pode solucionar muitos problemas da agricultura atual.

Porém, muitos agricultores relatam que ainda existem barreiras regionais ou operacionais que os impedem de implementar um sistema de rotação em sua propriedade. 

Entretanto, algumas culturas têm se mostrado promissoras para rotação em diferentes contextos, como o trigo mourisco. 

Esta planta possibilita realizar três safras em uma mesma área, em que sua produção pode ser utilizada na alimentação humana e animal. 

Também pode ser utilizada como cobertura verde solteira ou consorciada com outras coberturas ou milho. 

Ficou interessado em saber mais sobre as características e benefícios do trigo mourisco? Confira!

Histórico do trigo mourisco

O trigo mourisco, tartara ou trigo sarraceno é uma cultura da família das Poligonáceas com nome científico de Fagopyrum esculentum Moench.

Apesar do nome comum, não tem nenhuma semelhança botânica com o trigo convencional e recebe este nome devido ao uso para produção de farinha. 

Proveniente das regiões centrais da Ásia, o trigo mourisco é uma planta muito cultivada na Polônia e Ucrânia compondo vários pratos da culinária típica desses países.  

Sendo introduzida no Brasil no século 20, por imigrantes na região sul. 

Desta forma, inicialmente o trigo mourisco foi produzido por estes imigrantes para consumo próprio por ser uma opção mais barata de alimento em relação a outros cultivos, como arroz e trigo que demandam mais insumos.

Atualmente, o maior produtor nacional desta cultura é o estado do Paraná com cerca de 2.640 ton ao ano de trigo mourisco.

Sendo a maioria desta produção de grãos destinada ao mercado internacional (Japão e França) e o restante ao mercado nacional de produtos saudáveis, como a fabricação de soba (macarrão japonês).

trigo mourisco

Sementes de trigo mourisco
(Fonte: Beleza da terra)

Por que usar trigo mourisco na rotação de culturas?

Um dos diferenciais do trigo mourisco é o bom desenvolvimento em solos pobres com presença de metais pesados, sem necessidade de adubação e com rusticidade a pragas e doenças. 

Além disso, possui um bom fechamento de rua, o que contribui com o manejo de plantas daninhas e suprime nematoides

Esta cultura é de uma família diferente da maioria das culturas utilizadas no Brasil, possuindo características com efeitos benéficos que se encaixam em vários contextos produtivos do país, como veremos a seguir.  

Lavoura de Trigo Mourisco

Lavoura de trigo mourisco
(Fonte: Sementes com vigor)

Ciclo curto do trigo mourisco

O trigo mourisco é uma cultura de ciclo curto, de aproximadamente 75 dias, o que possibilita a realização de três safras na mesma área, implantação como cultura de cobertura ou consórcio com outras culturas. 

Além disso, pode ser utilizado na alimentação animal, seja pelo fornecimento dos grãos ou como feno ou silagem. 

Porém existem restrições quanto ao fornecimento diário (dependendo do animal), que se não forem levadas em consideração podem ocasionar algumas doenças. 

Com isso, em regiões mais frias o produtor deve realizar o planejamento de seu ciclo para não cair em épocas de geadas – em que esta cultura é muito suscetível.

Bom aproveitamento da fertilidade natural do solo

Este cultivo tem ótimo desenvolvimento em solos pobres, pois seu sistema radicular tem maior facilidade de absorver fósforo e potássio de maiores profundidades, o que é muito benéfico para ciclagem de nutrientes no solo.  

Mas quando utilizada como cultura, o uso de formulados (NPK) pode melhorar muito sua performance.  

Além disso, esta cultura tem alta tolerância a metais pesados, podendo ser cultivada, por exemplo, em áreas com alto teor de alumínio ou cobre. 

Na região Sul vem sendo muito estudada como opção para ser cultivada na entrelinha da cultura da uva, devido ao alto teor de cobre presente nestas áreas.

Facilidade no manejo de plantas daninhas

Esta cultura possui um bom fechamento de linha que inibe a germinação de plantas que dependem de luz para germinar (por exemplo buva), além delas terem alta competitividade por seu bom aproveitamento de nutrientes. 

Como essas são plantas daninhas de folha larga, permite o uso de graminicidas para controle de gramíneas em pós-emergência.

Portanto, essa pode ser uma ótima estratégia para áreas com alta infestação de capim-amargoso, alternativamente ao uso de aveia ou brachiaria que também são gramíneas.

Rusticidade a pragas e doenças

Como o trigo mourisco é de uma família diferente da maioria das culturas do país, pode ser utilizado para interromper o ciclo das principais pragas e doenças que atacam as culturas brasileiras. 

Estudos também comprovam que o trigo mourisco pode ser uma excelente ferramenta no combate aos nematoides, inibindo a reprodução de Pratylenchus e suprimindo o desenvolvimento em 90% de formas juvenis de Meloidogyne e Incógnita. 

Além disso, a cultura atrai abelhas que são muito importantes para a polinização de várias culturas.

Principais desafios do trigo mourisco no Brasil

Atualmente esta cultura não tem produção de sementes em todo o Brasil, tendo maiores iniciativas na região Sul, principalmente com parcerias entre instituições de pesquisa e extensão (IAPAR, EPAGRI e EMATER) e produtores. 

Outra característica é que quando este trigo é destinado para a produção de farinha, deve ter uma estrutura própria de beneficiamento (moinho) para não ser contaminado com glúten, sendo um dos seus maiores diferenciais de mercado. 

Seus subprodutos também podem ser utilizados para confecção de travesseiros e tatames. 

Farinha de Trigo Mourisco

Farinha de Trigo Mourisco
(Fonte: Sabor em grãos)

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

Vimos neste artigo a importância da rotação de culturas e as principais barreiras que dificultam sua implantação em algumas propriedades. 

Falamos sobre o potencial de utilização do trigo mourisco na rotação de culturas, adubação verde e consórcio com outras culturas. 

Além disso, citamos algumas características como bom aproveitamento da fertilidade do solo, bom desenvolvimento em áreas com metais pesados, rusticidade a pragas e doenças e bom fechamento de entrelinha. 

Você conhecia esta cultura? Já cultivou trigo mourisco? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo! 

Quais são as principais pragas do trigo e como combatê-las

Pragas do trigo: Conheça melhor as principais pragas da cultura desde o campo até o armazenamento 

A cultura do trigo tem importância global devido à forte demanda na produção de alimentos, sendo uma matéria-prima base. 

É um dos cereais mais abundantes mundialmente, podendo ser produzido em regiões bastante distintas.

E, como toda cultura agrícola, existem doenças e pragas que podem prejudicar a produção.

Mas você sabe quais são as principais pragas do trigo e como combatê-las? Vou te explicar a seguir.

Principais pragas do trigo 

As pragas do trigo podem variar dependendo do local em que a cultura está sendo produzida, mas, de forma geral, as principais são:

  • pulgões;
  • lagarta-do-trigo;
  • lagarta-militar;
  • percevejos;
  • corós;
  • gorgulhos.

Esses são insetos-pragas que acometem a cultura de forma geral, desde a implantação no campo até o armazenamento. Para facilitar nossa conversa, vamos dividi-las em pragas de campo e pragas de armazenamento.

Pulgões

Os pulgões do trigo são afídeos que causam danos diretos pela sucção da seiva, reduzindo o poder germinativo das sementes, o número de grãos por espiga, o tamanho e peso dos grãos. 

Mas, mesmo quando não há população significativa para causar danos diretos, os pulgões causam danos indiretos sendo vetores de doenças, principalmente de espécies de Barley yellow dwarf virus (BYDV)

As espécies pertencem à família Aphididae dentro da ordem Hemiptera, sendo que os pulgões mais frequentes na cultura são:

1. Pulgão-do-colmo-do-trigo – Rhopalosiphum padi

pragas do trigo

(Fonte: Defesa Vegetal)

2. Pulgão-da-folha-do-trigo – Metopolophium dirhodum 

Pulgão-da-folha-do-trigo

(Fonte: Defesa Vegetal)

3. Pulgão-da-espiga-do-trigo – Sitobion avenae 

 Pulgão-da-espiga-do-trigo

(Fonte: Defesa Vegetal)

4. Pulgão-verde-dos-cereais – Schizaphis graminum 

Pulgão-verde-dos-cereais

(Fonte: Defesa Vegetal)

Como controlar os pulgões?

Antes de decidir qual controle você deve fazer é recomendado realizar um monitoramento da área para a tomada de decisão.

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de pulgões em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

O controle biológico pode ser realizado para reduzir a população de pulgões que podem causar danos diretos com o uso de insetos parasitoides e predadores, como microhimenópteros e joaninhas.

Porém, devido aos danos indiretos causados pela transmissão de doenças, também existe a necessidade do uso do controle químico. 

Para isso, existem muitos produtos registrados no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), dentre eles piretroides e neonicotinoides.

Lagartas desfolhadoras

As lagartas desfolhadoras atacam desde plântulas até espigas na cultura tritícola e podem causar perdas significativas se não controladas. 

As três principais espécies que pertencem à família Noctuidae, ordem Lepidoptera, são: 

1. Lagarta-do-trigo – Pseudaletia adultera

pragas do trigo

Adulto (a) e lagarta de Pseudaletia adultera (b)
(Fonte: Agrolink)

2. Lagarta-do-trigo – Pseudaletia sequax

Lagarta-do-trigo

Adulto (a) e lagarta de Pseudaletia sequax (b)
(Fonte: Defesa Vegetal e Agrolink)

3. Lagarta-militar – Spodoptera frugiperda 

 Lagarta-militar

(Fonte: Agro Bayer Brasil)

Como controlar as lagartas desfolhadoras?

Para o controle das lagartas também é ideal que se faça monitoramento. 

Sendo assim, as amostragens devem ser semanais e é importante avaliar não somente as plantas, mas também o solo ao redor. 

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de lagartas em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

Para a lagarta-militar, o monitoramento deve ter início logo após a emergência das plantas e a tomada de decisão deve ser realizada com lagartas pequenas. 

Com o espigamento, deve-se intensificar o monitoramento para lagartas-do-trigo e ainda fazer observações da redução da folha bandeira. 

O controle biológico, tanto o natural como o aplicado, reduzirão efetivamente as lagartas desfolhadoras da lavoura. 

Caso seja necessário o uso de inseticidas, prefira aqueles específicos para as lagartas e que sejam registrados no Mapa. Além disso, devem ser seletivos aos inimigos naturais.

Percevejos

Os percevejos mais frequentes na cultura do trigo são do gênero Dichelops. Pertencem à família Pentatomidae, da ordem Hemiptera. 

Podem causar problemas no período do emborrachamento do trigo como desenvolvimento atrofiado, redução da altura da planta e má formação das espigas, deixando-as sem grãos ou com formação parcial. 

As espécies que ocorrem são Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus, sendo conhecidos como percevejos-barriga-verde.

pragas do trigo

Dichelops furcatus (a) e Dichelops melacanthus (b)
(Fonte: Embrapa)

Como os insetos são bastante semelhantes, é recomendado que você saiba identificar cada espécie. Veja na tabela abaixo: 

Características fenológicas de adultos dos percevejos barriga-verde que permitem separar as duas espécies mais comuns
(Fonte: Embrapa Trigo)

Como controlar o percevejo-barriga-verde?

Para controlar os percevejos, você deve monitorá-los nos períodos vegetativos e reprodutivos. 

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de percevejos barriga-verde em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

Atualmente, o controle dos percevejos é basicamente realizado com uso de inseticidas. Mas reforço que existem insetos que atuam naturalmente parasitando ou predando estes percevejos.

Sempre opte por inseticidas que sejam específicos para o controle de percevejos, como os inseticidas sistêmicos. Evite inseticidas de amplo espectro.

Corós

Os corós são as pragas de solo que mais causam problemas ao triticultor. São insetos grandes que se alojam no solo a uma profundidade de cerca de 10 cm.

As infestações ocorrem em reboleiras e variam muito de um ano para o outro, devido ao ciclo reprodutivo das pragas, à mortalidade natural provocada por predadores e parasitoides e devido às condições climáticas. 

Atacam sementes, raízes e plântulas, podendo puxar as plantas para dentro do solo. 

As espécies mais comuns são:

1. Coró-das-pastagens – Diloboderus abderus

pragas do trigo

Adultos (A) e Larva (B)
(Fonte: Embrapa Trigo)

2. Coró-do-trigo – Phyllophaga triticophaga

Coró-do-trigo

Adulto (A) e Larva (B)
(Fonte: Embrapa Trigo)

Como controlar os corós?

Uma maneira de evitar surtos é saber o histórico da sua área. Esses insetos podem permanecer na área por um período maior do que o do próprio cultivo do trigo

O monitoramento deve ser realizado antes da semeadura.

Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de corós em trigo
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

O controle cultural para os corós com aração e gradagem pode reduzir bastante a população. Porém, quando a realidade é plantio direto, esse método é incompatível.

O tratamento de sementes é o método mais indicado para controle destas pragas.

Pragas do trigo: armazenamento

Seria bem mais fácil se, após a colheita, o trigo estivesse totalmente seguro em um local de armazenamento. Mas não é bem isso que acontece!

Existem diversas pragas, primárias e secundárias, que atacam o trigo no armazenamento. 

Os insetos primários atacam diretamente os grãos sadios e os secundários atacam os grãos já danificados. 

Além dos danos diretos, causam danos indiretos por facilitarem a contaminação fúngica e presença de micotoxinas.

Podemos destacar insetos-praga da ordem Lepidoptera, das famílias Curculionidae e Bostrichidae. Os principais são:

1. Gorgulho-do-milho – Sitophilus zeamais

pragas do trigo

(Fonte: Termitek)

2. Gorgulho-do-arroz – Sitophilus oryzae

Gorgulho-do-arroz

(Fonte: Defesa Vegetal)

3. Besourinho-dos-cereais – Rhyzopertha dominica

Besourinho-dos-cereais

(Fonte: Defesa Vegetal)

Como controlar as pragas de armazenamento?

Neste caso, deve-se avaliar o histórico do ambiente em que se armazena o seu trigo. 

Você pode realizar medidas como:

  • Preventivas – armazenamento com teor de umidade abaixo de 13%, higienização e limpeza dos silos, eliminação de focos de infestação e pulverizações das instalações com inseticidas.
  • Monitoramento – o trigo deve ser monitorado durante todo o período em que permanecer armazenado. Deve-se amostrar as pragas e medir temperatura e umidade com frequência. 
  • Curativas – fazer expurgo dos grãos com produtos à base de fosfina, registrados pelo Mapa, e fazer vedação total.

Conclusão

A cultura do trigo tem importância mundial e pode ser cultivada em diversas regiões.

Porém, é uma cultura atacada por pragas desde o campo até o armazenamento.

Aqui você conheceu as principais pragas e como combatê-las de acordo com o MIP.

>> Leia Mais:

Tudo que você precisa saber sobre as plantas daninhas do trigo

“3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos”

Quais as pragas do trigo que mais acontecem em sua lavoura? Restou dúvidas? Deixe seu comentário abaixo! 


5 dicas para uma lavoura de trigo mais produtiva

Lavoura de trigo: confira algumas recomendações para garantir mais produtividade nesta cultura.

A lavoura de trigo, quando próxima à colheita, é algo bonito de se ver! Nos remete aos campos da Toscana e às belas paisagens europeias que vemos nos filmes.

Bem, no Brasil também plantamos muito trigo! Principalmente na região Sul onde a cultura se desenvolve melhor.

Mas você sabe quais os principais cuidados para garantir a produção da lavoura de trigo?

Confira comigo como podemos atuar no manejo da lavoura de trigo para garantir uma boa produção e obter sucesso na atividade.

Como obter sucesso na lavoura de trigo

O sucesso da lavoura de trigo – tanto em volume, como em sustentabilidade da produção – depende de diversos fatores. 

Podemos citar os relacionados ao:

  • Clima e solo da região de cultivo;
  • Cultivar e fenologia da planta; 
  • Manejo da lavoura de acordo com o sistema de produção.

Os cuidados para o sucesso da produção vão desde o plantio até a colheita e pós-colheita. 

Existem fatores que podem maximizar sua produção e outros que jogam contra o produtor. Confira a seguir 5 dicas de como obter sucesso com sua lavoura de trigo.

1. Não esqueça do clima

Antes mesmo do plantio devemos considerar o clima e o solo da região

Isso porque chuvas fora de hora e temperaturas inadequadas podem pôr em risco a lavoura de trigo e, dependendo do tipo de solo, a retenção e disponibilidade de água será distinta.

Por exemplo, o excesso de chuvas na maturidade fisiológica do trigo, característico do clima subtropical, é prejudicial. Nessas regiões também podemos ter problemas com geadas. 

Por outro lado, em regiões tropicais, o problema passa ser as altas temperaturas e a umidade relativa no florescimento.

Assim, começar com o pé direito é avaliar o clima e acertar na janela de plantio. Mas como fazer isso?

Para isso existe o zoneamento agroclimático para cultura do trigo, que leva em conta o clima e classifica a janela de plantio de acordo com o tipo de solo (arenoso, textura média ou argiloso).

Abaixo você pode conferir o Rio Grande do Sul como exemplo, mas isso varia de acordo com o estado. Com base no zoneamento, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) define as janelas de plantio adequadas.

lavoura de trigo

Períodos de semeadura para a cultura de trigo de sequeiro no RS
(Fonte: Embrapa Trigo)

2. Acerte no plantio

Bom, já sabemos que a semeadura da lavoura de trigo deve ocorrer de acordo com as definições do zoneamento para cada localidade. Agora, vamos definir qual cultivar semear.

A lista de cultivares de trigo é extensa e para cada região a melhor cultivar pode ser diferente. Aqui você pode encontrar informações detalhadas sobre as cultivares e escolher a que melhor lhe sirva.

cultivares de triticale Mapa

Cultivares de Triticale registradas no Mapa com indicação de cultivo em 2019
(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

De qualquer maneira, algumas coisas não mudam. O espaçamento indicado para o trigo, por exemplo, é de 17 cm, no máximo 20 cm entre linhas. 

Já a densidade de semeadura (sementes viáveis/m2) varia de acordo com a localidade e a cultivar escolhida.

É importante lembrar que o plantio do trigo deve ser feito com o mínimo de mobilização do solo e sempre no contexto do sistema de plantio direto: com rotação de culturas e manutenção de cobertura sobre o solo, garantindo conservação do solo e maior sustentabilidade de produção.

3. Adubação e correção da lavoura de trigo

Antes de semear a lavoura de trigo, como está o seu solo?

A partir de uma análise de solo da área, devemos realizar as correções e adubações corretivas, caso necessário.

No cálculo da calagem, o ideal é que se eleve a saturação de bases até 70% e conforme os teores de nutrientes do solo, deve-se fazer a adubação corretiva. 

Existem várias recomendações, veja como exemplo abaixo a do estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As demais você pode encontrar nesta publicação.

lavoura de trigo
lavoura de trigo

(Fonte: Informações Técnicas para Trigo e Triticale)

4. Cuidados com a lavoura de trigo

Com a lavoura de trigo no campo surgem então novos desafios. Além das condições climáticas, as quais não controlamos, surgem as daninhas, pragas e doenças. 

Por isso, aqui vamos dar algumas diretrizes para que fique claro a importância do manejo.

Daninhas

As daninhas são mais problemáticas no ínicio da fase de desenvolvimento da cultura. 

O período crítico de competição é de 45 a 50 dias após emergência. Dessa forma, a lavoura de trigo precisa ficar livre de competição nesse período.  

Ao fim do ciclo do trigo, as daninhas podem contaminar o cereal colhido e aumentar sua umidade, por isso, tenha cuidado.

Doenças

Duas doenças que merecem atenção especial são: giberela e brusone.

Elas atacam diretamente a espiga do trigo e causam danos significativos ao rendimento da lavoura.  

Ambas são favorecidas em situações onde o período de molhamento é elevado e as temperaturas superiores a 20 ºC. São doenças de difícil controle e de alto potencial de dano, principalmente pela baixa resistência/tolerância da maioria das cultivares a elas. 

Para ajudar os produtores, foi criado um simulador de risco de ocorrência dessas doenças, o Sisalert. Afinal, toda ajuda é bem-vinda!

Pragas

Na lavoura de trigo, as pragas mais comuns são as lagartas (desfolha), pulgões (transmitem viroses), corós (causadores de danos no sistema radicular, sementes e plântulas do trigo) e percevejos (que atacam durante todo o ciclo, causando danos variados).

Cabe ressaltar que esses insetos só devem ser controlados quando atingirem a população que causem dano econômico. Antes disso não é economicamente viável.

Escala fenológica do trigo

Escala fenológica do trigo segundo Feekes-Large
(Fonte: Embrapa)

5. Lavoura de Trigo: colheita 

Na colheita, colhemos os “frutos” do nosso trabalho e alguns fatores são determinantes para o sucesso dessa prática na lavoura de trigo.

Deve-se evitar chuvas no período de maturidade fisiológica do trigo, pois isso reduz a qualidade final do cereal. 

Por isso, se possível antecipe a colheita, mas tenha em mente que a umidade de grão ideal é próxima a 13%.

Colher na umidade correta e com o maquinário regulado adequadamente reduz perdas quantitativas e qualitativas, obtendo assim, o máximo da sua lavoura de trigo. Ou seja, seu objetivo desde o início.

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Conclusão

Ao longo do texto, observamos que existem diversos detalhes para serem levados em conta para o sucesso de uma lavoura de trigo.

Devemos estar atentos ao clima da região e se ele é favorável ao cultivo do trigo e qual a cultivar mais adequada para um bom desenvolvimento. 

A partir disso, olhamos para o solo e as necessidades de correção.

O plantio deve sempre respeitar a época recomendada e o espaçamento. Além disso, o controle de pragas, doenças e daninhas deve ser realizado de forma sustentável, minimizando perdas e maximizando os rendimentos.

Também vimos as melhores condições para colheita a fim de evitar perdas, conseguindo as melhores produções e um produto de qualidade.

>> Leia mais:

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

“Como garantir a qualidade durante os processos de secagem e armazenamento de trigo”

“Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Restou alguma dúvida sobre a lavoura de trigo? Deixe sua dúvida ou comentário abaixo. Grande abraço e até a próxima!

Como regular plantadeira de trigo e ser mais eficiente

Como regular plantadeira de trigo: Veja um passo a passo detalhado para a regulagem correta da semeadora-adubadora. 

Durante todo o cultivo do trigo existem vários entraves que vão surgindo, como ataques de pragas e doenças.

Mas no momento do plantio, você pode evitar alguns erros para garantir uma melhor produtividade. 

Um fator importante a ser considerado é a regulagem correta da semeadora-adubadora, que evita problemas como espaçamento incorreto e falta de germinação.

Vamos entender melhor cada processo de como regular plantadeira de trigo? Confira a seguir!

Semeadora-adubadora de trigo

como regular plantadeira de trigo

Semeadora-adubadora utilizada no plantio de trigo
(Fonte: Grupo Cultivar)

Você deve ter notado que o título desse artigo fala em plantadeira e, logo em seguida, em semeadora-adubadora. 

Isso porque as semeadoras são bastante conhecidas como plantadeiras pelos produtores, mas no caso do plantio do trigo, o mais correto é semeadora, pois o plantio será realizado com sementes e não com partes da planta. 

De forma geral, as semeadoras de trigo são usadas tanto para semeadura quanto para a adubação.  

Em sistemas de plantio direto, possibilitam qualidade na semeadura com sementes colocadas corretamente no solo, assim como o estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas. 

As semeadoras devem ter uma atenção especial antes de iniciar todo o processo do plantio, pois a sua regulagem correta vai evitar a perda de produtividade. 

Aqui, mais especificamente, falaremos de como regular plantadeira de trigo – ou seja – as semeadoras-adubadoras de trigo. Vamos lá?

Passos importantes na semeadura

Alguns pontos no momento do plantio são deixados de lado por serem considerados muito simples. Mas você já parou para pensar que esses passos podem fazer toda a diferença na produtividade final da lavoura?

Conhecer bem a semeadora, velocidade em que precisa ser usada, quantidade de sementes e de adubo vai garantir uniformidade populacional e melhor rendimento dos grãos. 

Na cultura do trigo,  a semeadora-adubadora utilizada é de fluxo contínuo, o que quer dizer que a distribuição das sementes no solo e do adubo ocorre de forma contínua. 

E uma dúvida muito recorrente é sobre a regulagem da máquina para a adubação. 

É muito importante você seguir as recomendações técnicas sobre espaçamento, cálculo da quantidade de sementes e adubo.

custo operacional de máquinas

Como regular plantadeira de trigo: adubo

É necessário que você siga algumas instruções para que a regulagem seja apropriada para a cultura do trigo. Então, antes de trabalhar com a máquina é importante que você siga esses 6 passos:

1. Calcular o comprimento de sulco por hectare 

Metros/ha =   10 000 m²/ha           
                         espaçamento (m)

Para trigo, o espaçamento das linhas de plantio é de 17 cm. Sendo assim, o cálculo será:

Metros/ha =   10 000 m²/ha           
0,17 m
= 58.823,5 m sulco/ha

2. Calcular o peso de adubo desejado por metro de sulco

Se for recomendado 250 kg/ ha, dividi-se pelo comprimento de sulco por hectare:

250 000 g/58.823,5 m = 4,25 g/m

3. Coletar o adubo

Nesse passo, você precisa conhecer a quantidade de adubo que a máquina está calibrada ao dosar em um determinado espaço percorrido. 

Por isso, deve-se colocar a alavanca de regulagem em uma posição pré-determinada e um recipiente coletor sob as linhas a serem testadas. 

4. Deslocar uma distância conhecida 

Por exemplo, digamos que você decida percorrer uma distância de 20 m.

5. Pesar o adubo que cair no coletor

Após percorrer os 20 m, você deve coletar a quantidade de adubo que cair no coletor e pesar. 

Digamos que você pesou e viu que tem 60 g de adubo. Logo:

60 g/ 20 m = 3 g/ m

6. Verificar se os valores dos itens 3 e 5 estão batendo 

Como vimos no nosso exemplo hipotético, a quantidade que a máquina está aplicando é menor que a desejada para o plantio de trigo

Sendo assim, deve-se aumentar a abertura do mecanismo dosador e repetir o processo até que os valores se igualem. 

Mesmo que você tenha experiência na área, é válido fazer esse processo. 

Lembre-se que a adubação correta no momento do plantio de trigo vai garantir uma boa produtividade ao final da safra. 

Como regular sementes da semeadora?

Assim como para o adubo, a regulagem da semeadora é de acordo com o número de sementes.

É recomendado que você faça o cálculo da quantidade de sementes de trigo para que sejam distribuídas cerca de 300 a 330 sementes aptas por m². 

E quais os passos necessários para calibrar a máquina? Veja a seguir!

1. Calcular o comprimento de sulco por hectare

Essa etapa é a mesma para o cálculo de adubo, recapitulando:

Metros/ha =  10 000 m²/ha           
                  espaçamento (m)

Para trigo, o espaçamento da linha de plantio é de 17 cm. Sendo assim, o cálculo será:

                                          Metros/ha =  10 000m²/ha = 58 823,5 m sulco/ha
                        0,17 m

2. Calcular a quantidade de sementes a ser distribuída por hectare

Vamos considerar que serão 300 plantas/m², com poder germinativo de 90%. Sendo assim, deve-se calcular:

sementes/m² = 300 x 0,9 = 330 sementes/m² ou 3 330 000 sementes/ ha

Supondo que o peso de 1000 sementes seja de 40 g, deve-se calcular a quantidade de sementes em kg/ha:

kg/ha = 3 330 000 x 40 = 133,2 kg/ha

3. Calcular o peso de semente por metro de sulco

Se teremos 133,2 kg/ha, devemos calcular quanto será necessário para  58 823,5 metros de sulco. 

133 200 g / 58 823,5 m =  2,26 g/metro linear 

4. Coletar as sementes 

Assim como na regulagem para adubo, nesse passo você precisa conhecer a quantidade de sementes que a máquina está calibrada a dosar em um determinado espaço percorrido. 

Por isso, coloque a alavanca de regulagem em uma posição pré-determinada e um recipiente coletor sob as linhas a serem testadas. 

5. Deslocar uma distância conhecida 

Digamos que você decida percorrer novamente uma distância de 20 m. 

6. Pesar as sementes que caírem no coletor

Após percorrer os 20 m, colete a quantidade de sementes que caírem no coletor e pese. 

Digamos que você pesou e viu que tem 50 g de sementes. Logo:

50 g/ 20 m = 2,5 g/ metro linear

7. Verificar se os valores dos itens 3 e 6 estão batendo 

O valor determinado de peso de sementes está abaixo daquele que a máquina está dosando. 

Por isso, nesta situação recomendo que diminua a abertura do mecanismo dosador e repita o processo até que os valores se igualem. 

Todo o processo de regulagem tanto para adubo como para sementes é bastante simples, mas se você deixar esta etapa de lado, corre o risco de ter prejuízo. 

Conclusão

Como vimos até aqui, são passos simples, seis paro o adubo e sete para as sementes, que você precisa seguir para realizar a regulagem correta da semeadora-adubadora. 

E sabemos que isso está diretamente relacionado com a produção final da lavoura.

Então, vale a pena segui-los para evitar erros e ter uma melhor produtividade na sua lavoura de trigo.

>> Leia Mais:
Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura
Plantadeira de milho: Quais são as melhores e outras dicas de uso
Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

E você, tem alguma dica sobre como regular plantadeira de trigo? Restou alguma dúvida? Deixe o seu comentário abaixo!

Trigo: o que você precisa saber sobre a produção da cultura

Atualizado em 06 de junho de 2022.

Trigo: entenda os pontos principais da produção, sua origem, características, ciclo, classificações, diferentes tipos e mais!

O trigo (Triticum aestivum L, Triticale sp, Triticum durum) é uma gramínea pertencente à família Poaceae, sendo cultivado em todo o mundo. É a segunda maior cultura de cereais, ficando atrás do milho e à frente do arroz.

Seu grão é utilizado amplamente na alimentação humana, desde a farinha de trigo para o pão até como ingrediente na fabricação de cervejas. Além disso, também compõe a alimentação animal.

Hoje, a cultura do trigo ocupa 20% da área cultivada mundial e a produção gira em torno de 500 milhões de toneladas por ano. 

Neste artigo, entenda as classificações e tipos, além de aspectos importantes da produção desse cereal. Acompanhe!

Origem do trigo

O trigo é uma cultura de grande importância econômica e alimentícia, fazendo parte da dieta de grande parte da população mundial. Além de ser uma fonte de energia (carboidrato), é rica em vitaminas e minerais essenciais como do complexo B, potássio, magnésio e fósforo.

É uma gramínea originada e domesticada no Médio Oriente, mais especificamente no “Crescente Fértil”, zona geográfica que abarca o trecho africano e asiático do local (antiga Mesopotâmia).

Essa cultura é

Inicialmente, era consumido em grãos, em uma espécie de papa, junto a peixe e frutas. Por volta de 4.000 a.C., o processo de fermentação do trigo foi descoberto, dando origem aos primeiros pães.

Da Mesopotâmia, espalhou-se pelo mundo, com relatos de que, por volta de 2.000 a.C, os chineses já utilizam o trigo para produção de farinha, pães, macarrão. De lá chegou à Europa e depois à América.

O trigo no Brasil chegou provavelmente em 1534, com Martim Afonso de Souza, que o introduziu em uma região que hoje é parte de São Paulo.

Produção de trigo no Brasil

Para a safra 2021/2022, a produção de trigo no Brasil está estimada em 8,1 milhões de toneladas, um aumento de 5,9% em relação à safra passada, segundo dados da Conab. Já a importação de trigo deve chegar a 6,5 milhões de toneladas.

No Brasil, as principais áreas de cultivo de trigo são o Rio Grande do Sul e o Paraná, tanto em área quanto em volume de produção. O tamanho da área plantada no país todo deve crescer em torno de 3%, com 2,8 milhões de hectares produtivos, ainda conforme a Conab. 

A produção do trigo brasileiro começou em São Paulo, mas aos poucos foi migrando para a região Sul. Atualmente, São Paulo é o terceiro maior produtor do Brasil.

Regiões produtoras de trigo no Brasil

(Fonte: Conab)

Nos últimos anos, o Cerrado vem crescendo na produção do trigo. Isso tem acontecido devido a pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, tanto para cultivo irrigado quanto em sequeiro.

A cotação de preço do trigo, com base no Paraná e Rio Grande do Sul, pode ser acompanhada diretamente pelo site do Cepea e pela tabela abaixo:

Importação: de onde vem o trigo consumido no Brasil

A maior parte do trigo importado para o Brasil vem da Argentina, principalmente devido à melhor qualidade dos grãos produzidos. Eles são mais adequados para a fabricação de pães.

Isso acontece porque o Brasil, com toda sua extensão agrícola, não consegue produzir trigo para suprir a demanda interna. Essa incapacidade é devida a dois principais fatores: produção nacional e qualidade industrial para panificação.

A produção nacional atende apenas parte da demanda interna, cerca de 8 milhões de toneladas. Porém, o consumo nacional está acima de 12 milhões de toneladas. Por isso, o Brasil ainda importa cerca de 6,5 milhões de toneladas.

Porcentagem de trigo nacional e importado

(Fonte: Abitrigo)

A produção nacional caminha para produzir a quantidade consumida internamente. Aliada a isso, está a melhora na qualidade do trigo produzido.

Através de estudos e investimentos, a Embrapa vem desenvolvendo novas cultivares de trigo para a região do Cerrado brasileiro. Estas cultivares apresentam bom desempenho em campo.

Associadas a um ambiente de cultivo favorável, as cultivares produzem grãos com ótima qualidade industrial. Além disso, possuem grão melhorador, elevada força de glúten e estabilidade na produção. Esses são fatores importantes para a  indústria de panificação.

Acredita-se que a produtividade média de alguns materiais possa ser em média 70 sacas por hectare.

Características do trigo

As plantas de trigo têm folhas finas, planas e compridas. Elas são ligeiramente ásperas, com bainha invaginante, e sua quantidade pode variar entre 6 e 9. O fruto (ou grão) é oval, entumecido e tenro.

As raízes da planta são fasciculadas, e podem atingir até 1,5 m. Os colmos são eretos e cilíndricos, com 5 a 7 nós. Além disso, há a presença de perfilhos que nascem paralelos à base principal da planta.

A inflorescência é uma espiga composta, formada por 15 a 20 espiguetas alternadas, cada uma com 2 ou 3 grãos. Essas espiguetas são formadas por um conjunto de 3 a 5 flores. Vale lembrar que não são todas as flores que se tornam frutos.

Estrutura da planta  em ilustração.

Exemplo de uma planta de trigo

(Fonte: Adaptado de UFSM)

Benefícios do trigo

O trigo é um carboidrato altamente energético para o corpo. Proteínas, gordura, fibra e minerais também estão presentes na composição do trigo. Há minerais presentes nos grãos, como o fósforo, cálcio, ferro e vitaminas como B1 e B2.

Beneficios nutricionais do trigo (grão, germe e farinha)

(Fonte: adaptação da autora)

Existe uma série de benefícios nutricionais do trigo, e esses benefícios variam conforme a forma do cereal. Veja mais detalhes:

  • Grãos: são ricos em uma substância denominada lignana, que auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico;
  • Gérmen: apresenta minerais como zinco, cálcio e vitaminas como ácido fólico e vitamina E, que ajudam a combater os radicais livres e na metabolizar glicose, além de auxiliar no sistema circulatório;
  • Farelo: rico em fibras que ajudam no funcionamento do intestino;
  • Farinha integral: com a presença de fibra e proteína, seu consumo auxilia na digestão e no ganho de massa muscular;
  • Farinha branca: por retirar a casca e o gérmen, é um alimento pobre em vitaminas e fibras, mas fornece energia para o corpo de forma rápida.

Tipos de trigo

O trigo pode ser classificado de acordo com 4 aspectos: espécie, época de plantio, dureza dos grãos e tipo de farinha.

Quanto à época de plantio, podemos classificar em cultivares de inverno (que necessitam de mais horas de frio) e cultivares de primavera.

Quanto à dureza, classifica-se em trigo duro (com grãos de amido que não quebram na moagem) e mole (com grãos de amido que quebram durante a moagem).

Também temos classes de trigo e farinha, que variam em sua utilização e valor nutricional. 

No Brasil, a farinha industrial é a mais vendida, principalmente para padarias e supermercados.

A qualidade do trigo e das farinhas é regulamentada pela instrução normativa nº 38 de 2010. Dentre os parâmetros avaliados estão: glúten, cor, dureza, número de queda, absorção, peso hectolítrico e tipo.

Dessa forma, o trigo é dividido em tipos para comercialização, como mostra a figura abaixo. 

Ilustração que mostra os diferentes tipos de trigo, divididos em tipos de comercialização.

Tipos de trigos – Anexo IV – IN 38

(Fonte: Adaptado da cartilha “O triticultor e o mercado”)

Existem três tipos principais de trigo: Triticum aestivum L, Triticum turgidum L e Triticum monococcum L. O nome da planta de trigo é Triticum spp. Por meio da evolução e domesticação foram surgindo outras espécies.

A hibridização e a seleção pelas pessoas originou a espécie de trigo mais utilizada hoje: Triticum aestivum L. ou trigo comum. Veja um pouco mais sobre essas espécies:

Trigo comum – Triticum aestivum L 

É a espécie mais cultivada no mundo, representando 80% da produção mundial. No Brasil não é diferente.  É utilizada, principalmente, para a fabricação de pães. 

Outra espécie bem semelhante à espécie comum é o T. compactum – ou trigo clube – bastante usado na fabricação de bolos e bolachas não crocante, pois possui menos glúten.

Para produzir o trigo mais consumido, é feito um processo de moagem. Na moagem, o endorsperma do grão é retirado, e dele é originada a farinha branca. Esse endosperma representa 75% do trigo.

Trigo Durum – Triticum turgidum L

A espécie tem alto conteúdo de glúten e por isso confere maior firmeza após o cozimento.  

É ele que dá origem à semolina (resultado da moagem incompleta de cereais).  Esse tipo é indicado para massas, triguilho e cuscuz, além de alguns pães.

Trigo Einkorn – Triticum monococcum L 

Considerado como uma espécie ancestral, pode ter dado origem às espécies cultivadas. 

Embora ainda seja cultivado em regiões específicas do mundo, essa espécie tem despertado interesse por produzir um glúten menos alergênico e seria uma alternativa para os celíacos. 

Plantio de trigo

Para a região Sul, principal produtora, o plantio deve ocorrer entre abril e agosto, dependendo do estado. Na região Sudeste, a janela é mais restrita: entre março e maio.

O plantio deve seguir as recomendações do zoneamento agroclimático para a cultura. Este zoneamento considera alguns aspectos importantes para o melhor desempenho da cultura, entre eles as condições climáticas.

As plantas de trigo, por via de regra, se desenvolvem melhor entre 15 ℃ a 20 ℃ . A umidade também é um fator importante, com disponibilidade hídrica que pode variar de 120 mm no início do desenvolvimento até 40 mm nos meses de perfilhamento e espigamento.

Vale ressaltar que as condições climáticas e tipo de solo são fatores que interferem diretamente no desenvolvimento das plantas. Por isso ocorre variação de época de plantio e de colheita.

Calendário de plantio de trigo por região do Brasil

Calendário de plantio e colheita do trigo

(Fonte: Adaptado de Conab)

Quando tempo dura o ciclo do trigo 

O ciclo de produção do trigo pode durar, em média, de 100 a 170 dias. Essa variação é devida a cultivar empregada e as condições edafoclimáticas (clima e solo).

Cada fase do desenvolvimento tem uma faixa ideal de temperatura. A variação pode definir a rapidez do ciclo, por exemplo, bem como a passagem de um estádio para outro

Além disso, durante o ciclo, a adubação é essencial. A ureia agrícola é um dos principais fertilizantes utilizados no trigo. Afinal, a ureia é um dos adubos nitrogenados disponível com menor custo.

Ilustração das fases do desenvolvimento do cereal

Estádios de desenvolvimento de cereais conforme a escala de Feekes (1940)

(Fonte: Livro “Trigo: do plantio à colheita”)

De modo geral, o ciclo de produção do trigo acontece em cinco fases:

  • Germinação e crescimento da plântula: nesta fase, a quantidade de água no solo tem que ser adequada para que a semente consiga iniciar os processos metabólicos. Esses processos darão origem à radícula, parte aérea das plantas, e primeiras folhas;
  • Afilhamento: após a abertura das folhas, começa o processo de perfilhamento. Os perfilhos/afilhos nascem em quantidade variável dentre as cultivares;
  • Alongamento: os nós dos colmos se tornam visíveis nesta fase, as plantas crescem e adquirem mais folhas (formação da folha bandeira, a última da planta). Com o final desta fase, termina o período vegetativo com o “emborrachamento”;
  • Espigamento: esta fase inicia no surgimento total da espiga até o enchimento dos grãos, passando pela floração e frutificação;
  • Maturação: a fase final se dá pela maturação dos grãos, que inicialmente estão no estado de grão leitoso, depois de grão em massa e por último grão maduro, pronto para colheita.

Colheita 

A colheita do trigo ocorre entre agosto e dezembro e pode ser feita com colheitadeiras que colhem e já descascam o grão em simultâneo, deixando-os prontos para o transporte e armazenamento. Ela acontece cerca de 110 a 120 dias após o plantio.

Para que a colheita possa acontecer, o teor de umidade dos grãos deve estar entre 15% e 13%. Além disso, a espiga deve estar dobrando, os grãos devem estar duros e as plantas, amareladas.

Conclusão

Embora não seja produzido em todo país, o trigo é consumido por quase todo território nacional, portanto, a demanda interna não é suprida pela produção. Assim, importamos boa parte do que é consumido por aqui.

Neste artigo, você entendeu melhor as especificidades da cultura e alguns cuidados relacionados à plantação de trigo.

Quanto à questão agrícola, a escolha das cultivares adequadas e um bom manejo contribuem para uma boa produção e um produto de qualidade. 

Escolha bem e faça um bom planejamento agrícola antes de iniciar esse cultivo!

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Foto da redatora Carina, no meio de uma plantação

Atualizado em 06 de junho de 2022, por Carina Oliveira.

Carina é engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Como fazer o preparo do solo para plantio de trigo

Preparo do solo para plantio de trigo: escolha da cultivar, melhor época de semeadura, preparo do solo e rotação de culturas.

O trigo é um importante cereal cultivado em todo o mundo, com produção de 735 milhões de toneladas em 2018 (segundo a FAO). 

Já no Brasil, em 2019 a produção alcançou 5,2 milhões de toneladas (dados do IBGE).

Assim, para ter uma alta produção nessa cultura tudo começa com um bom preparo do solo para o plantio.

Por isso, preparamos este texto para te auxiliar com esta prática agrícola e com o seu planejamento na cultura do trigo. Confira!

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Qual cultivar de trigo plantar e a melhor época de plantio?

No Brasil, a produção de trigo está concentrada na região Sul, mas o Cerrado também está produzindo trigo na Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás.

Assim, a produção de trigo nos estados brasileiros na safra de 2019, segundo o IBGE, foi de 4,5 milhões de toneladas no Sul do país, 505 mil toneladas no Sudeste, 30 mil no Nordeste e 138 mil no Centro-Oeste. 

Falando em cultivares de trigo, estão sendo desenvolvidas novas adaptadas ao clima de cada região. E para realizar a melhor escolha se atente em:

  • Indicação de produção;
  • Alto desempenho no campo e produtividade;
  • Resistência à doença
  • Indicação da cultivar de acordo com o sistema de produção; 
  • Fertilidade do solo
  • Época de semeadura;
  • Entre outros fatores.
preparo do solo para plantio de trigo

(Fonte: Agro Advisor)

Além da escolha da cultivar, um ponto importante é saber a melhor época para o plantio de trigo – que deve ser realizado de acordo com o período indicado para cada município. 

Para te auxiliar nessa escolha, você pode seguir as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que apresenta uma lista de cultivares indicadas para cada região e a relação de municípios com os respectivos calendários de plantio.

Para conseguir as informações, acesse, escolha o estado e selecione a cultura do trigo.

Dessa forma, aparecerá os dados para o estado escolhido, a relação das cidades indicadas, além dos períodos de plantio (início e fim) para cada município, por tipo de solo e por grupo de cultivar. 

Esses dados podem te ajudar a reduzir riscos na cultura do trigo como geada no espigamento, doenças na fase inicial de enchimento de grãos, perda da qualidade dos grãos e baixo desenvolvimento da cultura.

Após determinar a melhor época de semeadura e cultivar, se atente no preparo do solo para plantio de trigo.

Fazendo o preparo do solo para plantio de trigo

Em qualquer cultura, é necessário planejamento e histórico da área para o preparo do solo. Por isso, deve-se determinar qual o tipo de sistema de cultivo será ou é utilizado na área, sendo convencional ou plantio Direto, e realizar as práticas de acordo com ele.

Para alguns agricultores do Rio Grande do Sul, o plantio direto garantiu o dobro de produtividade de trigo. Esse sistema também pode ter outros benefícios como diminuição da erosão do solo, redução de operações no preparo do solo, aumento da matéria orgânica, entre outros.

Mas lembre-se que cada propriedade tem suas particularidades, por isso, realize o melhor sistema de plantio para a sua fazenda.

Outros fatores importantes para o estabelecimento da lavoura de trigo são: 

  • Semear no limpo; 
  • Fazer um bom manejo de cobertura do solo até a semeadura;
  • Análise de solo (adubação equilibrada);
  • Semeadura de qualidade; 
  • Cuidados com velocidade de semeadura e profundidade (2 a 5 cm); 
  • Escolha da semente de qualidade;
  • População de planta adequada.

Para o preparo do solo, deve-se também saber qual a quantidade de fertilizantes e corretivos a serem aplicados no solo, sendo um fator importante quando se pensa no custo com a cultura.

Isso porque os fertilizantes têm maior participação nos custos de produção do trigo, representando aproximadamente 25% do investimento na lavoura. Por isso, é importante realizar a análise de solo

Análise do solo

Para determinar se o solo precisa de correção ou de fertilizantes é necessário realizar a análise do solo, mas lembre-se que as amostras devem ser representativas da área. 

Para plantio direto, é recomendado a amostragem de 0-10 cm e ocasionalmente de 0-20 cm de profundidade, já para o convencional normalmente é de 0-20 cm.

A interpretação da análise de solo é realizada de acordo com o nível de cada elemento e, para determinar a necessidade de calagem e adubação para a área amostrada, devem ser utilizados manuais ou indicações técnicas para cada região do país. 

Ou seja, isso depende da região produtora de trigo, como vamos ver em exemplos mais adiante.

Correção com calcário

Para determinar se a área precisa de calagem e qual quantidade utilizar, deve-ser ter a interpretação da análise de solo com as recomendações para cada região de cultivo do trigo.

Preparo do solo para plantio de trigo: Adubação

Geralmente, a adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) e com micronutrientes para a cultura do trigo, é realizada no sulco de semeadura e o suprimento de N é complementado em duas aplicações de cobertura.

Para te auxiliar no manejo de fertilizantes, veja a figura abaixo:

preparo do solo para plantio de trigo

Manejo nutricional e fenologia da cultura do trigo
(Fonte: Modificada de Pires et al. (2011) em IPNI)

O nitrogênio é o elemento mais demandado pela planta de trigo. Sua dose recomendada varia em função do teor de matéria orgânica do solo, cultura precedente, região climática e da expectativa de rendimento de grãos.

Para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a quantidade de fertilizante nitrogenado varia em função do nível de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento de grãos da cultura.

Assim, a dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 kg/ha a 20 kg/ha, sendo que o restante deve ser aplicado em cobertura entre as fases de perfilhamento e alongamento do colmo da cultura.

Indicação de adubação nitrogenada

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale nos estados do RS e SC
(Fonte: Embrapa)

Já para o estado do Paraná, essa adubação nitrogenada é realizada com base na cultura anterior.

Indicação de adubação nitrogenada PR

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale no estado do PR
(Fonte: Embrapa)

Com os exemplos acima, verificamos que para cada estado existe uma indicação de nitrogênio, que é baseada em variáveis do solo, do clima ou da cultura anterior. 

Para os outros estados, você pode consultar nos estudos da Embrapa e verificar ali as recomendações para os demais macros e micronutrientes.

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.

Benefícios da rotação de culturas com o trigo

A rotação de culturas é a alternância de diferentes culturas na mesma área de cultivo e na mesma época ao longo dos anos.

preparo do solo para plantio de trigo

Com inúmeros benefícios, o trigo é a melhor opção de cultura para o inverno
(Fonte: Correio do Povo do Paraná)

O trigo é uma cultura de inverno e pode ser utilizado no sistema de rotação de culturas trazendo diversas vantagens como:

  • Retorno econômico;
  • Redução de plantas daninhas, pragas e doenças;
  • Controle da erosão;
  • Melhora das características físicas, químicas e biológicas do solo;
  • Aumento dos teores de matéria orgânica no solo;
  • Importante para o plantio direto;
  • Entre outros.

Para realizar a rotação de culturas é importante ter um bom planejamento, para determinar quais as culturas serão utilizadas na área e se no inverno será utilizado trigo ou outra cultura.

Para auxiliar na composição dos programas de recomendações de culturas no sistema de plantio direto, veja a figura abaixo.

culturas plantio direto

(Fonte: Fancelli, 2008)

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

A cultura do trigo é um importante cereal que pode ser utilizado na rotação de culturas como cultura de inverno.

Também abordamos neste texto sobre como realizar um bom preparo do solo, com a escolha da cultivar e da melhor época do ano, além de como fazer a adubação e a calagem para a cultura do trigo.

Agora que você tem todas essas informações, realize um bom preparo do solo para a cultura de trigo na sua fazenda e alcance altas produtividades.

>>Leia mais:

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

Como você realiza o preparo do solo para a cultura de trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo!