Como produtora economizou em manutenção de máquinas a partir de ação estratégica

Economia com manutenção de máquinas: produtora identificou momento certo para efetuar reparos e cortou gastos desnecessários a partir do registro de trabalho dos equipamentos.

O maquinário é uma fatia importante dos custos de uma propriedade agrícola produtiva. Afinal de contas, além do capital investido para compra ou locação, há os gastos com combustível, manutenção e conservação dos equipamentos.

Dependendo da sua cultura, o sistema mecanizado agrícola pode representar até 40% dos custos de produção.

Não é pouca coisa! Por isso, qualquer redução desses gastos pode significar uma economia muito expressiva ao final da safra, não é verdade? 

Mas para saber onde economizar é necessário ter dados precisos da operação desses equipamentos. Foi assim que a produtora Malena May tomou conhecimento de um grande problema da fazenda: manutenções que eram feitas fora da hora ideal. 

Quer entender como ela corrigiu essa situação e conseguiu economizar mais de 10% com o maquinário? Confira a seguir!

Entendendo as necessidades da fazenda

A engenheira-agrônoma e produtora Malena May é uma das responsáveis pela condução da Fazenda Graça de Deus, em Ponta Porã (MS). A propriedade produz soja e milho safrinha, além de plantas de cobertura, numa área de 630 hectares.

Ter o controle do estoque e das operações do maquinário era uma dificuldade na gestão da fazenda

As compras de insumo acabavam sendo feitas muitas vezes em dobro pela falta de um registro eficaz do que havia sido adquirido ou estava armazenado para uso. 

Já no caso das máquinas, a manutenção acontecia em momentos que não necessariamente eram o ideal para performance do equipamento, mas quando havia tempo entre as operações agrícolas.

Todo o controle da fazenda, até então, era feito com base em planilhas de Excel, mas não havia ligação entre operacional, estoque, planejamento, etc. Tudo estava dividido em diversas planilhas que não se “comunicavam”.

“Fazia a administração da fazenda por Excel e nunca conseguia unir o operacional com o estoque, com as atividades, com planejamento. Não havia ligação. Eu tinha números palpáveis, mas não eram reais, não era o que realmente acontecia na propriedade. O operacional ficava perdido no meio de tudo isso”, conta Malena.

Para controlar melhor e trazer mais ordem à fazenda, a produtora decidiu implantar um software de gestão agrícola

A escolha pelo Aegro, intermediada pelo consultor Douglas Rouchez, foi essencial para reorganizar a fazenda. 

A utilização do sistema permitiu, entre muitos pontos, que Malena conseguisse visualizar onde e como agir para reduzir custos e maximizar lucros, como você verá a seguir:

Élcio e Malena na Fazenda Graça de Deus, em Mato Grosso do Sul

Élcio e Malena gerenciam a Fazenda Graça de Deus, em Mato Grosso do Sul

Organização dos dados e visualização dos problemas

O uso do Aegro começou no primeiro semestre de 2020 e, desde então, a produtora passou a acompanhar com mais precisão as atividades da fazenda.

Inicialmente, conta Malena, o controle de estoque era a maior necessidade, já que havia problemas como a compra de produtos em dobro, além de não se saber com precisão quanto de produto havia sido gasto e/ou sobrado na fazenda.

“Muitas vezes, acontecia do meu pai ir à cooperativa e comprar um produto sem me informar. Sem saber, eu comprava de novo, era um problema. Com o Aegro, ele e eu sabemos exatamente o que está no nosso estoque a qualquer hora. Ficou muito mais fácil trabalhar”, cita.

Já com o maquinário, as coisas até pareciam andar bem. Mas, com os primeiros registros de atividades, foi possível identificar um gargalo que precisava ser corrigido: a hora da manutenção.

histórico de atividades do maquinário, custo operacional, gastos com manutenção e consumo de combustível no aplicativo Aegro

Com Aegro, você acompanha facilmente o histórico de atividades do maquinário, custo operacional, gastos com manutenção e consumo de combustível, por exemplo

Correção das perdas com maquinário

Se uma máquina precisava de manutenção a cada mil horas, ela acabava acontecendo com 500 horas, sem que houvesse conhecimento disso, conta a produtora.

“Essa manutenção acontecia porque definíamos que seria feita naquela data, mas havia gastos desnecessários com essa manutenção fora de hora. A gente notou que gastava além do que esperava com o maquinário”, conta Malena.

A visualização desse problema permitiu que a produtora contornasse a situação, otimizando tempo e reduzindo os gastos. 

Hoje, as atividades com maquinário são registradas no aplicativo de gestão agrícola e, desta forma, o próprio sistema emite alertas quando é hora da manutenção com base no horímetro do equipamento.

Economizei mais de 10% deixando de fazer manutenções à toa. Deixamos de gastar e não tinha consciência desse problema antes de visualizá-lo pelo Aegro.”

alerta de manutenção no Aegro

Exemplo de alerta de manutenção exibido pelo Aegro

Além disso, com o Aegro, Malena passou a saber exatamente o impacto do custo dos maquinários no total da safra, por exemplo.

A versão completa do software também permite controlar o abastecimento, além de manter um histórico das atividades dos equipamentos da propriedade. Assim, fica mais fácil avaliar e otimizar o desempenho operacional do maquinário.

Você também pode avaliar a eficiência econômica das máquinas de sua fazenda com esta ferramenta gratuita da Aegro. Clique na imagem abaixo para acessar a calculadora de custo operacional!

Estoque organizado e em tempo real

Já com relação ao estoque, Malena explica que o uso do Aegro permitiu que ela controlasse o que está na fazenda, o que será usado totalmente ou sobrará para uma próxima safra.

“O estoque sempre me tirou o sono, porque ele não termina em uma safra, eu ainda vou ter produtos lá. Agora eu tenho isso palpável, também tenho precisão nestes custos e já sei o que precisarei ou não investir para a próxima safra”, conta a produtora.

A união das informações operacionais e administrativas da fazenda foi um ponto de mudança na gestão da propriedade.

demonstrativo de estoque no Aegro

Com o Aegro, quando uma atividade é programada e realizada, a baixa no estoque acontece automaticamente. Assim, além de poder acompanhar em tempo real o estoque na propriedade, há a distribuição dos custos com o insumo por área e até mesmo por talhão.

“Sou apaixonada pelo controle de estoque do Aegro, mas o que mais mudou para a gestão da fazenda foi a união de todas as informações em um só lugar, sem que eu precise fazer esforço para isso”, conta a produtora. 

“Eu não preciso mais parar para fazer todo o lançamento operacional, depois fazer o administrativo. O Aegro une isso e hoje eu tenho todas as informações da fazenda pelo celular, o tempo todo comigo”, diz.

Ela reforça que a facilidade trazida pelo Aegro permitiu economia de tempo e visualização de outros tipos de indicadores importantes da fazenda.

Rentabilidade facilmente acompanhada

Com o uso do Aegro, a Fazenda Graça de Deus evoluiu sua gestão e passou a ter mais controle sobre os resultados da rentabilidade da safra, conta Malena.

“Antes, eu tinha números da safra, mas eles não eram o que realmente acontecia na propriedade porque eu não tinha a ligação entre o operacional, estoque, funcionários. Eu tinha uma média de gastos, indicadores aproximados. Agora, com Aegro, eu passei a ter números reais e consigo saber exatamente se tive ou não lucro”, diz a produtora.

Ela cita que na última safra de milho, concluída em outubro de 2020, conseguiu saber com precisão todos os seus gastos de produção. 

“Como trabalhávamos com uma média geral da safra, eu não imaginava que gastássemos tanto com as máquinas. Já em insumos, eu gasto menos do que esperava, apesar de todo o custo”, comenta.

Todo o resultado da safra pode ser visualizado em poucos cliques no Aegro. O sistema gera relatórios automatizados cruzando as informações que são alimentadas pelo produtor e seus funcionários autorizados.

Assim, fica muito mais fácil verificar onde estão os maiores custos da safra, visualizar a rentabilidade por talhões e tomar decisões que podem otimizar os resultados da fazenda.

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Conclusão

O maquinário impacta significativamente os custos de produção da safra. Portanto, identificar pontos de melhoria pode render economias importantes e melhorar os resultados da fazenda.

Como você viu neste artigo, a partir do registro mais preciso dos maquinários no software agrícola Aegro, a produtora Malena May conseguiu visualizar desperdícios na manutenção dos equipamentos. 

Isso porque as manutenções eram definidas mais pela disponibilidade operacional do que pelo momento adequado ao desempenho dos equipamentos.

Consciente da situação, ela pôde tomar as medidas necessárias para mudar, o que lhe rendeu economia neste tipo de gasto.

Além disso, vimos como o controle de estoque e a visualização mais precisa dos resultados permitiu uma evolução importante na gestão da Fazenda Graça de Deus.

>> Leia mais:

“Como grupo cafeeiro realiza o monitoramento de pragas em 5 fazendas com apoio da tecnologia”

“Como sistema de gestão rural trouxe agilidade e economia para fazenda no MS”

Qual é a sua dificuldade na gestão do maquinário? O que tem feito para alcançar mais economia com manutenção de máquinas da fazenda? Vamos conversar nos comentários!

O que você precisa saber para fazer aplicação de fungicidas na soja no momento ideal

Aplicação de fungicidas na soja: aplicação zero, posicionamento adequado dos produtos preventivos, curativos e muito mais!

As mesmas condições climáticas que favorecem o crescimento e desenvolvimento da cultura da soja acabam favorecendo também o desenvolvimento de algumas doenças.

A ferrugem-asiática, por exemplo, pode ser responsável por quedas de até 90% na produtividade e possui um custo médio de manejo de US$ 2,8 bilhões por ano no Brasil. 

Por isso, é preciso ter sempre atenção a novas tendências de manejo que facilitem o controle de doenças, evitem novos casos de resistência e preservem o potencial produtivo das cultivares.  

Pensando nisso, separamos as principais informações sobre aplicação de fungicidas na soja, com as novas tendências de manejo para te ajudar a alcançar altas produtividades. Confira!

Principais doenças da soja

Antes de pensar em como controlar doenças em soja, é importante saber quais as principais doenças que prejudicam essa cultura em nosso país:

infográfico de períodos de ocorrência das doenças da soja - aplicação de fungicidas na soja

(Fonte: Paulo Saran)

Conhecendo as principais doenças da soja, é muito importante que você saiba quais sintomas elas provocam e quais condições climáticas são mais favoráveis ao seu desenvolvimento. 

Aqui no blog da Aegro, já falamos sobre isso em um artigo completo. Confira: Lavoura saudável: como combater as doenças da soja (+ nematoides)

Além disso, é muito importante que você conheça o histórico de doenças da sua área e região onde ela está presente para que possa realizar um bom planejamento do manejo. 

Como prevenir a incidência de doenças em sua lavoura 

Apesar de o uso de fungicidas ser a técnica mais utilizada em nosso país, o manejo de doenças deve acontecer muito antes de se pensar em usar fungicidas. 

Por isso, fazer o básico bem feito pode ser a chave para alcançar maior eficiência no manejo de doenças. 

Para diminuir a severidade de doenças em plantas é importante garantir uma menor incidência de inóculo inicial e menor suscetibilidade da planta ao patógeno. 

O que só é possível através de um bom manejo integrado de doenças. Dentre as principais estratégias de manejo integrado na soja temos:

  • uso de rotação de culturas
  • utilização de sementes certificadas;
  • uso de cultivares de ciclo precoce; 
  • semeadura precoce; 
  • realização de um bom manejo nutricional
  • respeitar o vazio sanitário
  • controle de plantas hospedeiras, principalmente no período de vazio sanitário.
  • monitoramento constante de doenças; 
  • rotação de mecanismo de ação de fungicidas; 
  • aplicação no momento e dose estabelecidos pela bula; 
  • uso de boa tecnologia de aplicação

Qual o momento ideal para aplicação de fungicidas na soja?

O planejamento do manejo de doenças na soja não é muito simples, pois envolve vários fatores específicos relacionados à lavoura. Dentre os principais fatores podemos citar: 

  • condições climáticas; 
  • época de plantio;
  • suscetibilidade e ciclo da cultivar escolhida; 
  • histórico de doenças da sua área e região. 

Após o levantamento desses fatores, fica mais fácil determinar o momento ideal de aplicação, os produtos e doses a serem utilizados. 

Na prática, podemos entender que, em situações de ciclo mais longo ou com maior atraso na semeadura, a pressão de doenças na área será maior. Isso exigirá um manejo antecipado de doenças.

Nos últimos anos, há uma tendência muito forte de se antecipar o início das aplicações de fungicidas na soja, que geralmente ocorria próximo à fase de V7/8 (sempre antes do fechamento da linha).  

Entretanto, adiantar a primeira aplicação aumentando o intervalo de aplicações para mais de 15 dias, não se mostrou uma técnica muito efetiva. 

Por isso, muitos produtores têm optado pela realização da chamada aplicação zero. Ou seja, é uma aplicação adicional no estádio de V3-V4 (próximo a 30 dias após a emergência – DAE) para diminuir a incidência de inóculo inicial e prevenir que o fungo infecte a soja.

Aplicação Zero

Essa aplicação tem foco nas seguintes doenças: manchas foliares, antracnose e oídio. 

Como é uma aplicação complementar, não se tem utilizado produtos líderes de mercado nesta operação, pois ela visa auxiliar as demais aplicações sem aumentar custos. Por isso, geralmente é realizada com o glifosato (em soja RR).

Nessa aplicação, é muito comum o uso de produtos que associam os princípios ativos triazóis, benzimidazóis, estrobilurinas e multissítios.

Caso opte por associar fungicidas ao glifosato, sempre tome cuidado com a compatibilidade dos produtos, principalmente quanto ao pH da calda. 

Após a aplicação zero, o período entre esta aplicação e a primeira do manejo convencional de sua lavoura costuma ser mais curto, próximo a 9 dias, garantindo que a primeira aplicação seja antes do fechamento de linha e no momento ideal (estádio V7 – próximo a 40 dias após a emergência – DAE). 

Programa e aplicação convencional de fungicidas em soja

O manejo convencional que vem sendo utilizado na soja em geral se resume a 4 aplicações espaçadas de fungicidas com um intervalo de 15 dias. 

  • 1ª – antes do fechamento de linhas (V7; + ou – 40 DAE);
  • 2ª – no florescimento (V7 + 15 dias; + ou – 55 DAE);
  • 3ª – formação da vagem (V7 + 30 dias; + ou – 70 DAE); e 
  • 4ª – enchimento de grãos (V7 + 45 dias; + ou – 85 DAE).  

 As duas primeiras aplicações são consideradas as mais importantes do programa convencional de manejo (antes do fechamento e florescimento). 

Assim, os produtores costumam lançar mão dos melhores produtos disponíveis no mercado para assegurar melhor eficiência. 

Posicionamento de produtos nas aplicações

Quanto à escolha dos produtos, doses utilizadas e números de aplicação, dependerá muito da realidade da sua lavoura. É preciso considerar alguns fatores já mencionados, que ajudarão a prever a pressão de doenças na cultura. 

Entretanto, um posicionamento que tem trazido bons resultados é uso intercalado de produtos curativos e preventivos de acordo nas primeiras aplicações. 

Assim, temos a seguinte alternativa como uma ótima opção:

Aplicação zero: produto curativo;

1ª aplicação: uso de produtos curativo e preventivo (preventivo+curativo);

2ª aplicação: uso de produtos preventivos (preventivo+preventivo). 

Já para as últimas aplicações, os produtos escolhidos vão depender das condições  climáticas serem mais favoráveis para algumas doenças. 

Veja os seguinte exemplos:

Predominância de ferrugem: Mancozeb e/ou Morfolina

Manchas ou manchas + ferrugem: Clorotalonil e/ou Triazol

Devido ao surgimento de casos de resistência a fungicidas para ferrugem asiática, antes de selecionar um produto para seu controle, é importante conferir sua eficiência na atualidade. 

Uma maneira mais fácil de realizar esse processo é conferir o relatório sobre eficiência dos produtos no controle da ferrugem asiática emitido pela Embrapa

Outro cuidado que deve ser tomado na escolha do produto para a última aplicação é o período residual do fungicida para não ocorrer maior incidência de folhas e hastes verdes por ocasião da colheita.  

É importante que você esteja sempre atento às tendências de manejo de doenças na soja, contudo, lembre-se sempre que a recomendação de fungicidas na soja deve ser realizada com auxílio de um engenheiro-agrônomo capacitado.  

Ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) na cultura da soja

Ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) na cultura da soja
(Fonte: Grupo Cultivar)

Conclusão

Neste artigo vimos a importância do manejo de doenças na soja e conhecemos as principais doenças que ocorrem no Brasil. 

Vimos as principais práticas para evitar a incidência de doenças na sua lavoura e novos casos de resistência. 

Além disso, vimos o momento ideal de aplicação de fungicidas na soja e o conceito de aplicação zero. 

>> Leia mais:

“Biofungicidas: quando vale a pena usá-los para o controle de doenças na lavoura?”

Você tem dificuldade no controle de doenças na soja? Quais critérios você utiliza para aplicar fungicidas na soja? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Quanto cobrar? Dicas de precificação da consultoria rural

Precificação da consultoria rural: saiba quais critérios considerar na hora de determinar o valor e vender seu serviço para o produtor

É uma dúvida que sempre surge em quem está começando a prestar um serviço: quanto cobrar

Quando o profissional ainda não tem experiência suficiente ou um lastro de resultados para embasar o preço que cobra, a precificação da consultoria rural é um desafio.

Afinal, há muita coisa em jogo: expectativa e disposição do cliente, esforço e custos do consultor, valor entregue… É ainda mais difícil porque o preço é colocado na mesa antes do trabalho ser feito.

Neste artigo, procuramos descomplicar esse processo. Mas já adiantamos que não há uma resposta pronta, pois cobrar depende de muitas variáveis, das particularidades de cada situação.

Em vez disso, vamos explicar quais fatores influenciam na precificação da consultoria rural e quais caminhos você pode seguir para chegar no seu número. 

Quer saber mais? Siga em frente e boa leitura!

Como precificar sua consultoria rural: base do cálculo

Na precificação da consultoria rural, o primeiro passo é escolher um método para calcular os valores cobrados. Nem todos os consultores calculam o preço de seu serviço da mesma maneira.

A seguir, explicamos as principais opções.

Cobrança por diária ou hora

Com esse método de precificação, o consultor cobra proporcionalmente à sua dedicação ao cliente, estabelecendo um preço para cada dia em que visita a fazenda e presta seu serviço — a chamada diária.

“Você pode fazer a consultoria em uma ou duas visitas semanais, dependendo em qual localidade está a propriedade”, conta o consultor agrícola Douglas Rouchez Rathke, que atua no Mato Grosso do Sul.

“Levo em consideração o que gasto de combustível no deslocamento e defino um valor de diária, que geralmente vai das 7h às 18h, ou até mais tarde, dependendo do funcionamento da fazenda”, acrescenta.

O consultor também pode trabalhar na propriedade em apenas um turno ou combinar com o proprietário a cobrança por hora, deixando a duração da visita dependente da necessidade que se apresenta no dia.

É importante destacar que, mesmo com esses métodos de precificação, o consultor precisa estar disponível para atender o produtor em qualquer horário e resolver eventuais dúvidas por telefone, WhatsApp, videochamada, etc.

O trabalho, portanto, vai além das horas e dias que serviram como base do cálculo. Tenha isso em mente na hora de definir o valor/hora ou o preço da diária.

Percentual da renda ou permuta

Na maioria dos casos, o objetivo máximo do consultor rural é elevar a produtividade e rentabilidade de uma lavoura. Por isso, uma possível forma de negociação é receber um percentual da renda obtida com a venda da colheita.

Outra opção, que costuma ser do agrado dos produtores, é a permuta, ou seja, o consultor recebe uma parte da produção da lavoura em troca dos serviços que prestou.

“A moeda do produtor é o grão. Então tem a alternativa de estabelecer o pagamento com esse produto, definindo um número de sacas por hectare“, explica Rathke.

Desse modo, quanto maior for a fazenda, mais o consultor ganha — o que é justo, pois uma propriedade grande demanda maior dedicação do profissional.

Por demanda

No agronegócio, é comum que o consultor seja contratado pelo período equivalente a uma safra, participando do processo desde o início. Se o trabalho agradar, a parceria pode ser mantida e o profissional ajuda o produtor a planejar o período seguinte.

Mas também é possível que o cliente tenha uma demanda específica, como organizar o estoque, planejar a compra de insumos, implementar um software, criar determinado processo, fazer o planejamento tributário ou auxiliar em determinada obrigação fiscal (como o livro caixa digital do produtor rural).

Nesses casos, o consultor pode estimar quantas horas o trabalho deve tomar aproximadamente e definir um preço de acordo com o tempo de dedicação, mas também com a complexidade da tarefa e o valor que trará ao produtor.

Critérios de precificação

OK, já abordamos alguns dos principais métodos de precificação de consultoria rural, para que você saiba qual lógica seguir na hora da cobrança. 

Ter isso bem definido também ajuda na relação com o cliente, pois é bom que ele entenda como você chegou naquele preço.

O passo seguinte é definir os valores finais. Se você vai cobrar por diárias, quanto vai custar uma diária? Se vai cobrar um determinado número de sacas por hectare, quantas sacas serão?

Para ter a resposta, antes de tudo, calcule seus custos. Inclua o gasto com combustível, como exemplificou Rathke, mas também os impostos que deve pagar e outras despesas referentes ao exercício da atividade.

O total de custos será a base do cálculo. A partir daí, existem alguns critérios que puxam o preço para cima ou para baixo, como os que apresentamos abaixo.

Qualificação do consultor

Um consultor qualificado é aquele que tem uma experiência sólida e, principalmente, acumulou muitos cases de sucesso entre as lavouras que atendeu. Ou seja, aquele que dá resultado.

Por isso, profissionais que estão começando tendem a cobrar menos, já que ainda estão construindo sua jornada na área.

A formação técnica ou superior pode ajudar, mas não é tudo. “A formação é interessante para abrir as portas, mas o mais importante é o conhecimento e experiência do consultor naquela atividade, independentemente se ele estudou formalmente”, opina o consultor Douglas Rouchez Rathke.

Complexidade do trabalho

Qual o escopo do serviço que o consultor deverá prestar? Se o trabalho é assessorar nos processos de gestão, a complexidade do que tem de ser feito depende, por exemplo, de quão profissionalizada é a fazenda atualmente.

Veja bem, não é apenas uma questão de horas trabalhadas, mas também do nível de transformação esperado, e de especialização que o profissional precisa ter para atender àquela demanda.

Rathke, por exemplo, presta quatro tipos de serviços. “Faço consultoria em gestão, na parte agronômica, veterinária e de segurança do trabalho”, enumera. “Então, antes de tudo, o produtor precisa me dizer o que ele quer.”

Quanto mais áreas o consultor trabalhar, maior será o preço de seu serviço.

Transferência

O preço da consultoria agrícola também sobe quando o trabalho tem continuidade mesmo depois que o consultor deixar de visitar e atender aquele cliente.

Isso acontece com a transferência do conhecimento — o profissional capacita o produtor em determinados processos, para que ele possa desempenhá-los por conta própria.

Por exemplo, ele pode ensinar o proprietário e colaboradores da fazenda a utilizarem um software de gestão rural e desenhar processos de monitoramento e análise de dados para aproveitar o máximo do que a tecnologia oferece.

Particularidades da fazenda

Uma propriedade grande, em que são produzidos vários tipos de cultura, impõe mais desafios que fazendas menores, que trabalham com monocultura.

Essas e outras particularidades da empresa rural que o consultor vai atender têm impacto na precificação da consultoria rural.

Preço x Valor

Existe um desafio que todo prestador de serviço enfrenta com frequência, seja qual for a atividade em que ele atua: mostrar para o cliente o valor de seu trabalho.

Para isso, é preciso entender que valor é diferente de preço. Preço é o que o consultor cobra e o cliente paga. Valor é o que o serviço efetivamente vale — algo que envolve uma subjetividade maior.

Um consultor jovem, cheio de conhecimento, mas com pouca experiência, por exemplo, tende a cobrar um preço bem menor que o valor do serviço que presta. Afinal, está começando e precisa montar uma base inicial de clientes, abrir seu mercado.

Com o passar dos anos, é natural que ele passe a cobrar mais, equilibrando melhor a relação entre preço e valor.

Para isso, é fundamental medir os resultados obtidos com os clientes para ter sempre bons argumentos na manga. É simples: você mostra com números que sua consultoria se paga rápido e, portanto, vale a pena pagar seu preço.

planilha para gestão de clientes

Conclusão

A precificação da consultoria rural é, geralmente, uma das primeiras dúvidas de quem está começando na atividade. Esperamos que este artigo ajude você nesse processo.

Lembre-se de começar com um método para definir a base do cálculo. É por diária ou hora? Por percentual da renda ou parte da produção? Depois, considere sua qualificação, experiência e complexidade do trabalho para definir os valores.

Antes de aumentar o preço, meça e acumule resultados. Para seguir essa dica e guardar os dados que comprovam a competência do seu trabalho de consultoria agrícola, é preciso se organizar.

Uma ótima maneira de fazer isso é com um software para agricultura como o Aegro, que conta com um painel em que são gerados diversos relatórios agrícolas em poucos cliques.

Douglas Rouchez é consultor agrícola em MS e parceiro Aegro

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Como acertar o cálculo de semeadura do algodão

Cálculo de semeadura do algodão: população ideal, regulagem de plantadeira e outras dicas para melhorar sua produtividade!

O planejamento da semeadura é essencial para alcançar o estande ideal de plantas e obter uma boa produtividade na cultura do algodão.

Além disso, as sementes representam uma fatia significativa dos custos de produção da lavoura, hoje estimados entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por hectare, segundo o Imea. Portanto, minimizar os erros nesta etapa é fundamental para reduzir custos da fazenda.

Para que você acerte de uma vez por todas nos cálculos da semeadura do algodão, preparei este artigo com as principais recomendações. Você também verá algumas dicas de regulagem do maquinário e 12 pontos de atenção com a semeadora. Confira!

Cálculo de semeadura do algodão: comece pelo levantamento das áreas

O primeiro passo para acertar na semeadura do algodão é realizar o levantamento da área a ser semeada.

Um mapa com o desenho dos talhões e suas quantificações em hectares pode auxiliar na economia de milhares de reais.

Segundo os levantamentos do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), os custos de produção do algodão podem variar de R$ 6 mil a R$ 8 mil/hectare, dependendo das cotações do dólar e do estado brasileiro.

Tabela do Imea de custo de produção do algodão no Mato Grosso

(Fonte: Imea)

Sem o mapa das áreas, o erro de apenas 5 hectares pode acarretar um prejuízo de R$ 3.555,80 somente na compra de sementes, segundo os valores levantados pelo Imea para o estado do MT na safra 2020/21.

Com os mapas da área semeada e a correta regulagem das máquinas, a economia na semeadura pode ser superior a R$ 711 por hectare, ainda segundo o Imea.

Vale ressaltar a importância também de sempre usar sementes com boa procedência genética e qualidade fisiológica, uma vez que o sucesso no plantio é essencial para ganhos produtivos.

Vamos agora aos cálculos para atingir o estande ideal? Confira!

Quantidade de sementes de algodão por hectare

Para calcular a dose de sementes por hectares, você tem que considerar o poder germinativo das sementes e inserção de 5% ou 10% a mais do estande desejado.

Esse valor deve ser calculado sabendo que parte destas sementes inseridas no campo podem ser atacadas por pragas e doenças.

Dessa forma, iniciamos os cálculos com a seguinte fórmula:

fórmula cálculo de semeadura do algodão, Nº de plantas/ha =( estande desejado x 100 dividido pela porcentagem de germinação) x 1.1

Supondo um estande desejado de 120.000 plantas e uma % de germinação de 90:

fórmula Nº de plantas/ha =( 120.000 x 100 dividido por 90) x 1.1

O valor a ser semeado seria de 146.667 plantas por hectare para atingir o estande desejado de 120.000 plantas/ha, considerando 10% de inserção a mais devido a perdas por pragas e doenças.

O próximo passo é o cálculo de plantas por metro linear:

fórmula cálculo de semeadura do algodão, Nº de sementes/m = população de plantas/ ha  x espaçamento (m) dividido por 10.000

Para um espaçamento de 0,76 m entre linhas de plantio:

fórmula Nº de sementes/m = 146.667  x 0,76 dividido por 10.000

O número de sementes/m seria de 11,15.

Com o espaçamento de 0,76 m e uma população de plantas final de 120.000 plantas por hectare, a semeadora deverá ser regulada para distribuir 11 sementes por metro linear de sulco.

O próximo passo envolve o cálculo da necessidade em quilogramas para semear em 1 hectare e, posteriormente, a área total.

Cálculo de kg de sementes de algodão por hectare

Nessa etapa você tem que saber qual o peso de 1.000 sementes de algodão que irá utilizar.

Existem variações nos pesos de 1.000 sementes, de acordo com cada cultivar.

Esses números, geralmente, ficam por volta de 100 g a 200 g a cada 1.000 grãos de algodão.

Para calcular a quantia em kg que serão utilizados por hectare, podemos utilizar uma simples regra de 3. Supondo que o peso de 1.000 sementes seja igual a 125 g, temos:

cálculo de semeadura do algodão por hectare, sendo que mil sementes é igual a 125 gramas e 146 mil e 667 sementes é igual a x gramas.

Serão necessárias 18.333 g ou 18,34 kg de sementes de algodão por hectare

Vale ressaltar a importância de respeitar o arranjo espacial na semeadura do algodão, pois a cultura é suscetível à competição entre plantas, podendo apresentar menor produtividade.

Densidade por sistemas de cultivo

Atualmente, o algodão é semeado em dois sistemas de cultivo. O primeiro deles é o convencional, com espaçamento entre linhas igual ou superior a 0,76 m.

Nesse sistema, a semeadura é realizada como “safra principal”, ou primeira safra. São utilizadas de 6 a 12 sementes por metro linear, com população de plantas entre 70.000 e 120.000 plantas por hectare.

A colheita nesse sistema é feita por colhedora de fusos, propiciando um algodão de maior qualidade e menor contaminação das fibras.

foto de colhedora de algodão de fusos operando durante a noite  - cálculo de semeadura do algodão

(Fonte: John Deere)

O segundo sistema é o de semeadura adensada, trabalhando com espaçamentos menores que 0,76 m, geralmente, de 0,50 m e 0,45 m na entrelinha das plantas.

Esse sistema costuma ser adotado em sistemas produtivos de algodão de segunda safra, ou “safrinha”, semeados mais tardiamente (a partir de fevereiro).

Após a colheita da soja ou da cultura principal, o algodão selecionado para semeadura deve ser de ciclo curto ou médio, com o porte e os internódios reduzidos.

Devido ao pequeno porte das plantas, a população usada pode chegar a 200.000 plantas por hectare.

Nesse tipo de disposição de plantas, a colheita pode ser realizada com colhedora de fusos adaptadas ou colhedoras de pente, que são mais baratas. Porém, vale lembrar que a contaminação com colhedoras de pente é maior.

Com maior contaminação e perdas na qualidade da fibra, a lavoura conduzida em espaçamentos adensados deve estar sem a presença de plantas daninhas, com poucas maçãs imaturas e sem problemas de desfolha.

Devido a essa dificuldade na colheita, muitos produtores semeiam o algodão safrinha com espaçamento de 0,76 m entre fileiras, com populações entre 120.000 e 160.000 plantas por hectare.

Profundidade de semeadura e regulagem da plantadeira

A profundidade de semeadura das plantas do algodoeiro podem variar de 3 cm a 5 cm.

Para o caso dos solos mais argilosos e que armazenam mais água, o algodão pode ser semeado a uma profundidade de 3 cm.

Em solos arenosos e com baixa capacidade de armazenamento de água, a semeadura deve ocorrer a uma profundidade de 5 cm.

A semeadora deve estar regulada para depositar a taxa calculada de sementes por metro. Os discos devem ser selecionados de acordo com o tamanho das sementes dos híbridos utilizados.

Aqui no blog da Aegro nós já falamos sobre a regulagem correta das relações das engrenagens da semeadora. Saiba mais neste artigo: “Cálculo de semeadura da soja: 5 passos para a população de plantas ideal no seu sistema”.

Muitos fabricantes fornecem manuais de regulagem de acordo com o tipo de semeadora e equipamento utilizado no plantio.

12 pontos que você deve ter atenção na regulagem da semeadora de algodão

  1. Escolha correta dos discos e anéis de vedação;
  2. Escolha das engrenagens (em máquinas que apresentam esse sistema);
  3. Regulagem do fluxo de ar (semeadoras pneumáticas);
  4. Checagem de mangueiras de ar e óleo;
  5. Regulagem dos discos de profundidade de semeadura (carrinhos e pressão da mola);
  6. Regulagem do sistema de deposição de adubo (deve estar abaixo e ao lado da semente);
  7. Checagem dos discos de corte ou botinhas;
  8. Checar oxidações em partes de depósitos de adubo.
  9. Verificar o estado dos rotores denteados e roscas sem fim para deposição de adubo;
  10. Checar velocidade da semeadora (entre 4 km/h a 6 km/h, algumas até 10 km/h, dependendo do depositor de sementes);
  11. Calibragem dos pneus;
  12. Lubrificação da máquina e graxeiras.
planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

A semeadura correta do algodão permite que a lavoura tenha uma população ideal de plantas e melhor manejo da cultura. Isso possibilita maior produtividade e ganho com a safra.

Neste artigo, você conferiu como fazer o cálculo de semeadura do algodão para atingir o estande desejado. Também obteve recomendações de profundidade adequadas para solo arenoso ou argiloso.

Por fim, conferiu algumas dicas para a regulagem da semeadora, um passo fundamental para que o plantio seja o melhor possível!

>> Leia mais:

“Quais fatores impactam o preço do algodão para 2021?

Evite a rebrota da planta de algodão com esses 2 tipos de manejo

Você possui os mapas das suas áreas para semear o algodão? Gostou das dicas? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Entenda como os aminoácidos nas plantas podem melhorar sua produção agrícola

Aminoácidos nas plantas: o que são, quais suas funções e como eles podem auxiliar na eficiência agronômica das culturas.

O grande desafio da agricultura atual é aumentar a eficiência das culturas e, consequentemente, os ganhos em produtividade

Substâncias como os aminoácidos podem ser utilizadas para aumento da eficiência do uso de fertilizantes, indução da resistência de plantas ao estresse hídrico e resistência ao ataque de pragas e doenças. 

Entenda neste artigo o que são os aminoácidos, como eles são sintetizados pelas plantas e como podem ser utilizados na agricultura. Confira!

O que são os aminoácidos?

Aminoácidos são substâncias orgânicas que formam proteínas. São moléculas formadas por um Carbono (C) central ligado a um grupamento Carboxila (COOH), um grupamento Amino (NH2), um átomo de Hidrogênio e um grupamento R. 

estrutura de um aminoácido

Estrutura de um aminoácido
(Fonte: adaptado pelo autor)

Os grupamentos orgânicos R encontrados nos aminoácidos diferenciam as moléculas existentes. 

As plantas geralmente sintetizam cerca de 20 aminoácidos que podem ser encontrados nas proteínas. Entre os principais aminoácidos sintetizados por plantas destacam-se o glutamato, a glutamina e aspartato, como veremos a seguir. 

O grupo Amino (NH2) encontrado na estrutura dos aminoácidos é originado das reações da glutamina e glutamato. 

O esqueleto de carbono dos aminoácidos pode ser resultante do 3-fosfoglicerato, do fosfoenolpiruvato ou do piruvato, ambos produzidos durante o processo de glicólise. Outra fonte seria o 2-oxoglutarato ou oxalacetato formados no ciclo do ácido cítrico

gráfico com rotas biossintéticas dos esqueletos de carbono dos 20 aminoácidos padrão

Rotas biossintéticas dos esqueletos de carbono dos 20 aminoácidos padrão
(Fonte: Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal – Taiz e Zeiger, 2017)

Alguns aminoácidos são considerados importantes em diversas funções nas plantas. Vou explicar melhor os principais deles:

Glicina

Participa na formação de glutationa, fitoquelatinas e glicina betaína (composto que é acumulado em plantas em condições de estresse hídrico e ajuda a manter a eficiência fotossintética).

Cisteína

É fonte de enxofre (S) e atua na síntese da glutationa (molécula que auxilia na defesa de plantas).

Fenilalanina

Atua na síntese de lignina, taninos, flavonoides e na formação do ácido salicílico. A lignina, por exemplo, auxilia na resistência das plantas. Já o ácido salicílico é conhecido por atuar na resistência das plantas aos patógenos.

Glutamato 

Participa da formação dos aminoácidos (arginina, glutamina e prolina) e também é precursor da molécula de clorofila.

Triptofano

Precursor da auxina, hormônio de crescimento radicular e também da parte aérea das plantas. 

Metionina 

Precursora do etileno, hormônio que atua na maturação dos frutos. 

6 benefícios do uso de aminoácidos nas plantas

O uso de aminoácidos pode beneficiar as plantas em diversos aspectos como:

  1. auxílio no metabolismo da planta, pois são substâncias ligadas à síntese de proteínas;
  2. atuação na germinação, no estádio vegetativo, na floração e maturação dos frutos;
  3. atuação na fotossíntese, na síntese e ativação da clorofila, aumentando a eficiência do processo e na reserva de carboidratos;
  4. proteção de plantas e maior tolerância ao ataque de pragas e doenças;
  5. eficiência na absorção e translocação de nutrientes aplicados via foliar;
  6. tolerância das plantas ao estresse hídrico devido ao maior potencial de desenvolvimento do sistema radicular e outros mecanismos.

Os aminoácidos e as condições de estresse na planta

Alguns compostos são osmoticamente ativos nas células (osmose = processo de difusão da água através de uma membrana semipermeável) e mesmo em altas concentrações mantém a integridade da membrana, não interferem no funcionamento enzimático, denominados de solutos compatíveis

Moléculas que frequentemente servem como solutos compatíveis

Moléculas que frequentemente servem como solutos compatíveis
(Fonte: Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal – Taiz e Zeiger 2017)

Alguns destes compostos incluem a prolina (um aminoácido importante para plantas em condições de estresse salino e/ou hídrico) e a glicina betaína

A prolina pode apresentar uma função de ajuste osmótico, que protege as plantas de compostos tóxicos produzidos durante períodos de escassez de água. 

Quando aplicada de forma exógena nas plantas, estudos comprovam que a prolina pode melhorar a tolerância à salinidade ao regular os processos fisiológicos, bioquímicos e enzimáticos. 

Principais efeitos da prolina exógena na tolerância aos sais vegetais (abreviaturas: CRA = conteúdo relativo de água; ERO = espécies reativas de oxigênio; MDA = malondialdeído; PE = perda de eletrólitos)

Principais efeitos da prolina exógena na tolerância aos sais vegetais (abreviaturas: CRA = conteúdo relativo de água; ERO = espécies reativas de oxigênio; MDA = malondialdeído; PE = perda de eletrólitos)
(Fonte: adaptado de How Does Proline Treatment Promote Salt Stress Tolerance During Crop Plant Development?)

Além de proporcionar um efeito positivo no crescimento, desenvolvimento e produtividade da planta em condições de estresse salino

Impactos do uso de aminoácidos nas plantas

Uma pesquisa realizada na USP/Esalq mostrou eficiência no uso de aminoácidos no desenvolvimento de raízes via tratamento de sementes de soja 25 dias após a semeadura. 

Plantas de soja aos 25 dias após a semeadura submetidas ao tratamento de sementes com aminoácidos - A = Controle; B = Glutamato ; C = Cisteína ; D = Fenilalanina; E = Glicina; F = Completo

Plantas de soja aos 25 dias após a semeadura submetidas ao tratamento de sementes com aminoácidos – A = Controle; B = Glutamato ; C = Cisteína ; D = Fenilalanina; E = Glicina; F = Completo
(Fonte: Teixeira, W.S – ESALQ/USP)

A aplicação de cisteína promoveu um aumento no volume de raízes (59%), número de raízes laterais (48%) e comprimento de raízes laterais (86%) em relação ao tratamento controle. 

A glicina auxiliou no aumento de 25% do comprimento da raiz principal e o glutamato incrementou o comprimento total da raiz em 22%. 

Foi constatado também que glutamato, cisteína, fenilalanina e glicina podem atuar como aminoácidos sinalizadores em plantas de soja. Isso porque pequenas doses foram suficientes para aumentar a atividade de algumas enzimas antioxidantes.

Alguns bioestimulantes utilizados na soja também apresentam aminoácidos em sua composição e podem trazer uma série de benefícios durante o desenvolvimento vegetal. 

Outro estudo comprovou que o uso de aminoácidos e hormônios reduz o nível de estresse das plantas de soja durante o período inicial de crescimento e aumenta a massa de produção de matéria seca. 

No tratamento das sementes com micronutrientes, hormônios e aminoácidos, observou-se incremento na produtividade

O uso de produtos com aminoácidos 

Quando complexados com os aminoácidos, os nutrientes podem ser absorvidos com uma maior facilidade, como é o caso dos quelatos (aminoácidos + micronutrientes).  

A suplementação com aminoácidos é uma forma de estimular o crescimento das plantas e aumentar a produtividade, uma vez que funciona como uma forma delas economizarem energia na realização de diversos processos metabólicos ao longo do seu ciclo. 

A empresa Kimberlit desenvolveu uma linha de produtos que combinam fertilizante e aminoácidos e apresentam produtos que podem ser utilizados via foliar ou para tratamento de sementes. 

A Exion max, por exemplo, é uma linha que fornece manganês, zinco, cobre, à base de cloreto, com boro e molibdênio, aditivado com aminoácidos selecionados para leguminosas e oleaginosas. 

Outros produtos também são comercializados pela Biosul fertilizantes que possui grande variedade de produtos contendo aminoácidos solúveis e prontamente assimiláveis pelas plantas, aumentando o potencial de crescimento e resistência.

A Dominisolo comercializa o produto AMINO-EXP MP que é um produto indicado para formulações de adubos líquidos para aplicação via solo ou foliar. 

planilha de controle dos custos com insumos Aegro, baixe grátis

Conclusão

Neste artigo, você viu o que são os aminoácidos e algumas funções que eles realizam nas plantas. 

Os aminoácidos são substâncias importantes e essenciais no desenvolvimento de plantas. A aplicação destes compostos durante o ciclo das culturas pode beneficiar no aumento da produtividade. 

Algumas pesquisas já foram realizadas, mas ainda são necessários mais testes em relação a doses e recomendações adequadas para a maioria das culturas. 

Espero que este texto tenha ajudado você a entender sobre como o uso dos aminoácidos podem aumentar a produtividade da sua lavoura!

Você já utilizou compostos com aminoácidos nas plantas? Compartilhe sua experiência nos comentários!

5 vantagens de sair do papel e utilizar um caderno de campo digital

Caderno de campo digital: entenda como um aplicativo torna as rotinas de manejo mais eficientes

Você sabe quais insumos e técnicas de manejo foram empregadas no talhão mais produtivo da sua lavoura? Agricultores que mantêm um diário de atividades sabem.

Sem dúvida, as anotações realizadas ao longo da safra ajudam a encontrar melhores estratégias e aprender mais rapidamente com as falhas do cultivo.

Quando você compreende o real valor do seu histórico de operações, passa a prestar mais atenção na forma como registra e guarda esses dados na sua propriedade.

É por isso que muitas fazendas estão trocando as agendas de papel pelo caderno de campo digital, sistema que organiza a rotina agrícola a fim de facilitar as tomadas de decisão do produtor.

Continue lendo se quiser conhecer as principais vantagens de migrar para um controle inteligente de atividades ou começar hoje mesmo a registrar seu manejo por aplicativo.

O que vai no caderno de campo agrícola?

Antes de mais nada, você pode estar se perguntando quais informações precisam constar no caderno de campo agrícola. 

Seriam os dados preenchidos na ordem de serviço? Será que os operadores estão esquecendo algum fator importante?

A resposta, como você deve imaginar, é que quanto mais completo for o registro das entradas na lavoura, mais assertivas serão as suas análises posteriores.

Melhor que anotar apenas qual produto foi aplicado na área é detalhar, com ajuda de um caderno de campo digital:

  • em que condições climáticas a aplicação foi feita;
  • qual maquinário foi usado, quantas horas durou a operação e se o equipamento foi corretamente regulado antes da atividade;
  • o funcionário responsável pela atividade;
  • o cálculo de calda;
  • se a atividade foi realizada no período previsto;
  • quanto você pagou pelo insumo aplicado;
  • adversidades encontradas no momento da aplicação.

Este relato aprofundado permitirá que você cruze diferentes informações para descobrir o custo exato de cada talhão, o desempenho de um equipamento ou a efetividade do defensivo contra sua praga-alvo. 

Assim, procure esmiuçar desde o preparo do solo até a colheita, passando pelo monitoramento periódico da plantação.

Vantagens de usar um caderno de campo digital

Você sabia que, de acordo com uma pesquisa recente, as fazendas do Brasil estão mais digitalizadas que as dos Estados Unidos?

Os agricultores brasileiros já compram insumos pela internet e trocam recomendações técnicas pelo WhastApp, visando poupar tempo e aumentar seus ganhos.

Neste sentido, o caderno de campo digital é mais uma tecnologia que ganhou força diante dos métodos tradicionais por otimizar um processo tão importante da cadeia produtiva.

Soluções inteligentes e completamente pensadas para o dia a dia do produtor rural, como o aplicativo Aegro, possibilitam que você faça os registros pelo celular, mesmo sem internet. Conheça, agora, 5 vantagens desta ferramenta!

1 – Manter o histórico de manejo em segurança

Todos os documentos que você armazena localmente, seja na gaveta do escritório ou na pasta do computador, ficam suscetíveis a perdas e incidentes.

Com o caderno de campo digital, por outro lado, os registros são salvos em um servidor ultra seguro que garante a disponibilidade integral das informações.

E ter o histórico de manejo em mãos, de forma prática, pode determinar o futuro do seu negócio. 

Ao solicitar a cobertura do seguro agrícola, por exemplo, será necessário apresentar evidências de que você trabalhou da maneira mais adequada dentro das suas possibilidades.

A busca por certificações, como a de produção orgânica, também depende de um rastreamento preciso da atividade agrícola.

Então, em vez de buscar essas informações em papéis espalhados no seu arquivo físico, que tal navegar pelo seu histórico completo de safras com alguns cliques no Aegro?

demonstrativo de histórico completo de safras atuais no software Aegro

2 – Fazer apontamentos georreferenciados

Outra vantagem do caderno de campo digital é a possibilidade de realizar observações referenciadas por GPS.

O seu agrônomo pode marcar, via aplicativo de celular, o local exato da lavoura em que identificou um problema e inclusive anexar uma foto da situação encontrada.

demonstrativo de observações referenciadas por GPS no software Aegro pelo celular

Desta forma, você poderá verificar o ponto no mapa da propriedade para se direcionar com rapidez e precisão à área afetada. 

Além do mais, a tecnologia de georreferenciamento simplifica bastante a atuação dos operadores de campo.

No Aegro, você pode sinalizar os pontos da lavoura que devem ser monitorados. Em seguida, basta que o operador abra o app no celular para ser guiado até os locais de monitoramento.

Esta é uma forma de ganhar agilidade no dia a dia e, consequentemente, economizar com a mão de obra.

3 – Racionalizar o uso dos insumos na lavoura

Se você registra a rotina de campo de forma irregular e descentralizada em cadernos, é provável que esteja gastando mais do que o necessário.

Em contrapartida, um controle sistematizado permite que você identifique a origem de cada despesa e perceba quando os custos estão extrapolando o planejado.

Com o Aegro, o lançamento das atividades dá baixa automática nos produtos que você tem cadastrados em estoque e contabiliza horas de trabalho para o maquinário.

demonstrativo da realização de aplicação e baixa do produto do estoque no software de gestão Aegro

É possível constatar, por exemplo, que um equipamento está consumindo combustível demais porque não está bem calibrado e consertá-lo sem dificuldades.

Também fica mais prático visualizar o desperdício de insumos no decorrer da safra. 

Afinal, se você comprou a quantidade correta e no final do mês faltou produto, pode ser que a preparação da calda não tenha sido feita com cuidado. Use esta informação para orientar os funcionários da fazenda.

Confira a história de sucesso do produtor Lídio Chiapinotto, que economizou mais de R$ 20 mil em operações de máquinas com uso do Aegro!

4 – Monitorar o progresso das atividades

Você saberia dizer em que etapa da safra está neste momento e como as atividades estão evoluindo?

Controlar o progresso do trabalho quando cada registro é feito em uma folha diferente, sem dúvida, torna-se um desafio.

Já no caderno digital, o seu cronograma de manejo fica claramente ordenado. É possível programar a data em que as atividades precisam ser realizadas e definir as pessoas responsáveis.

Confira, em um quadro, quais tarefas estão a fazer, em progresso, a revisar ou concluídas. 

quadro de atividade do software Aegro

Também é possível configurar para receber notificações no seu celular, sempre que houver atividades atrasadas na fazenda.

O Aegro ainda possui gráficos que mostram o avanço das atividades ao longo do tempo. Você vai ficar por dentro de tudo o que acontece para garantir a pontualidade das operações.

5 – Fechar os resultados da safra com rapidez

Além de oferecer eficiência operacional na lida diária, o caderno de campo digital será estratégico durante o fechamento da safra.

Cadastre a produção dos talhões direto da lavoura e direcione as cargas de colheita aos seus silos ou para locais de armazenamento externos. 

O Aegro vai contabilizando para você o percentual de área que já foi colhida, a quantidade de sacas produzidas e a sua produtividade por hectare em tempo real. 

demonstrativo das cargas de colheita e do resultado da safra no software Aegro

Sem falar que, ao registrar as suas vendas, o aplicativo calcula automaticamente a rentabilidade da safra e dos talhões.

Como você computou o investimento que foi feito na lavoura através das atividades de safra, é possível ver imediatamente quais áreas deram lucro ou prejuízo.

Tudo isso sem pegar a calculadora ou cruzar centenas de informações espalhadas em caderninhos. 

Conclusão

Trocar o caderno de campo em papel por uma ferramenta digital não é apenas modernizar seu controle, mas sim evoluir a gestão agrícola da fazenda.

Você passa a tratar a informação como um ativo poderoso que te ajuda a prever situações de risco, reduzir o custo de produção e ter uma visão muito mais transparente sobre os seus lucros.

Acima de tudo, aplicativos como o Aegro desafogam o cotidiano do produtor rural porque são fáceis de usar e seguros. O terminal de trabalho é um dispositivo que está sempre no bolso: o celular. 

>>Leia mais:

“4 dicas para melhorar a gestão de tempo na fazenda”

“Avalie o sucesso da safra com ajuda dos indicadores de produção no Aegro”

“Crédito rural e tecnologia para o agro: fique por dentro de tudo o que aconteceu no 2º Aegro Conecta”

Pronto para testar um caderno de campo digital? Baixe e teste o Aegro de graça no seu celular para aproveitar essas vantagens!

5 passos para acertar a aplicação do regulador de crescimento no algodão

Regulador de crescimento no algodão: vantagens do uso, época mais adequada de aplicação, dosagem e parcelamento ideal para a lavoura

O algodoeiro é uma planta perene e de ciclo indeterminado, por isso, podemos notar a importância do manejo do equilíbrio entre o crescimento vegetativo e reprodutivo.

No momento da colheita, é fundamental que a planta tenha no máximo 1,30 m de altura, condição que facilita e traz praticidade nas operações de manejo. 

Por isso, o uso de reguladores de crescimento pode trazer ganhos produtivos e também no que se refere à qualidade da fibra.

Para entender como tirar o melhor proveito deles, confira a seguir! 

O que é regulador de crescimento?

Regulador de crescimento é uma substância produzida que interfere no balanço hormonal da planta. Assim, afetam diretamente a forma como elas crescem e se desenvolvem. 

Na planta de algodão, o regulador é utilizado com enfoque nas máximas produções, estabelecendo um equilíbrio entre a fase vegetativa e reprodutiva. 

O crescimento e o desenvolvimento do algodoeiro pode ser controlado por fatores exógenos (luz, temperatura, água, dentre outros) e endógenos(hormônios). 

Solos com excesso de nitrogênio (N), solos úmidos e com temperaturas superiores a 32 ºC, por exemplo, favorecem o crescimento vegetativo da planta, o que diminui o índice de colheita. 

Desta forma, a utilização do regulador de crescimento no algodão é de grande valia, tendo em vista que permite ter controle sobre a fase vegetativa, possibilitando incrementos quanto à produtividade.

Reguladores de crescimento como o cloreto de mepiquat e o cloreto de clormequat atuam sob a síntese de ácido giberélico. Isso permite um certo controle sob o elongamento celular (diminuindo os entrenós), diminuindo, consequentemente, o porte das plantas. 

Esses reguladores conseguem reduzir a altura das plantas e o tamanho do dossel. Assim, há melhor interceptação de luz e de produtos nas partes baixeiras da planta, propiciando sanidade e qualidade das fibras.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Vantagens do uso dos reguladores de crescimento no algodão 

Quanto às principais vantagens do uso desse produto, podemos destacar as seguintes:

  • controle do crescimento excessivo do algodoeiro, possibilitando um controle entre o desenvolvimento de parte vegetativas e reprodutivas;
  • redução da altura e o comprimento dos ramos, facilitando as operações de manejo e colheita;
  • proporciona um microclima impróprio para os patógenos (dossel mais arejado), além de facilitar a deposição de caldas de aplicação no terço inferior da planta;
  • redução da abscisão e do apodrecimento das estruturas reprodutivas, possibilitando ganhos produtivos;
  • redução o ciclo por diminuir o excesso de número de nós; 
  • melhora na qualidade da fibra (pureza), pois reduz a formação excessiva de galhos, folhas e casca de ramos. 
fotos de controle eficiente (A) e controle ineficiente (B) de altura por meio do uso de regulador de crescimento

Controle eficiente (A) e controle ineficiente (B) de altura por meio do uso de regulador de crescimento
(Fonte: Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira em Embrapa)

5 dicas para fazer uma aplicação adequada 

1ª – Análise da taxa de crescimento

Para saber se há condição de aplicação dos reguladores, é importante se atentar a dois critérios: 

  • a correspondência do número de nós da haste principal com a altura da planta (como você pode ver na imagem abaixo); 
  • comprimento médio dos últimos 5 nós do ponteiro. 
gráfico de crescimento ideal de plantas de algodão em relação à altura da planta e ao número de nós na haste principal

Crescimento ideal de plantas de algodão em relação à altura da planta e ao número de nós na haste principal
(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

Quanto ao comprimento médio dos ponteiros, você avalia os 5 nós do ponteiro e, em seguida, divide a medida total por 5. 

Lembre-se que o primeiro nó só é considerado passível de contagem quando alocado a 1,2 cm do segundo, no mínimo.  

Depois dessa medição e já obtida a média da taxa de crescimento, faça a comparação com os dados padrões já estabelecidos. 

tabela com valor médio e tipo de crescimento - regulador de crescimento no algodão

(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

2ª – Dosagem

A dose recomendada do regulador de crescimento no algodão é baseada no porte da cultivar e na condição de desenvolvimento da cultura.

A seguir apresento duas sugestões de cálculo de dosagem:

tabela de sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento

(Fonte: Manual de boas práticas do algodoeiro em MT)

tabela com sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento

Sugestão de doses de reguladores de crescimento em diferentes condições de crescimento
(Fonte: Embrapa)

3ª – Primeira aplicação

Relata-se que a primeira aplicação deve ser feita entre o aparecimento dos primeiros botões florais até o pleno florescimento

Isso é justificado pelo fato da taxa de crescimento ser bem reduzida a partir da formação das maçãs, momento em que ocorre muita redistribuição para o desenvolvimento dessas estruturas reprodutivas. 

Em média, a primeira aplicação será quando as plantas atingirem:

  • de 30 cm a 35 cm de altura em cultivares de porte alto;
  • entre 35 cm e 40 cm nas cultivares de porte médio; 
  • de 40 cm a 45 cm de altura nas cultivares mais baixas. 
tabela com porte, ciclo e necessidade de regulador de crescimento, de cultivares de algodoeiro da Embrapa, recomendadas para o cerrado brasileiro

Porte, ciclo e necessidade de regulador de crescimento, de cultivares de algodoeiro da Embrapa, recomendadas para o cerrado brasileiro
(Fonte: Embrapa)

4ª – Parcelamento da aplicação

Sabe-se que doses muito baixas de reguladores de crescimento podem não apresentar efeito sobre o crescimento do algodoeiro. As doses muito elevadas, por sua vez, também podem provocar o travamento da planta, tendo como consequência a perda de produção. 

Desta maneira, recomenda-se o parcelamento da aplicação deste produto. 

Em geral, é recomendado que a aplicação seja parcelada em 4 vezes, sendo:

  • 10% da dosagem recomendada na primeira aplicação;
  • 20% na segunda;
  • 30% na terceira;
  • restante na quarta aplicação. 

Mas, e quando fazer a próxima aplicação? Deve-se sempre fazer um monitoramento da taxa de crescimento da planta. 

Esse monitoramento é feito 5 a 8 dias após a última aplicação e, se a altura atual menos a altura anterior dividida pelo número de dias transcorridos for maior que 1,5 cm/dia, deve-se proceder a próxima aplicação. 

Equação: (altura atual-altura anterior)/dias após a aplicação 

Para facilitar nesse controle das aplicações, existe atualmente um aplicativo chamado “Regula”, que permite esse controle de uma maneira dinâmica. 

5ª – Cautelas na aplicação

Para não afetar a eficácia dos reguladores de crescimento é recomendada a pulverização do produto no período da manhã, desde que não esteja com muito orvalho. 

Além disso, para assegurar a eficiência, é aconselhável que fique sem chover por pelo menos 4 horas após a aplicação. Caso chova, é provável que seja necessária a reaplicação. 

Também não é aconselhável fazer a aplicação de reguladores quando a planta passa por um momento de estresse hídrico. 

E, por fim, não é recomendada a aplicação junto com outros produtos como, por exemplo, herbicidas

Conclusão 

A utilização dos reguladores de crescimento é uma realidade nas propriedades algodoeiras.

Isso se deve, principalmente, às suas vantagens, destacando aqui a facilidade de colheita e melhora na qualidade da fibra. 

Neste artigo, mostramos como chegar à dosagem e parcelamento ideais. Assim, com a aplicação no momento correto, os resultados produtivos deverão ser mais satisfatórios.

>> Leia mais:

Como fazer um manejo efetivo de pragas do algodão

“O que é a mancha alvo do algodoeiro e como ela pode afetar a sua lavoura

Você utiliza regulador de crescimento no algodão? Consegue fazer o planejamento certinhos das aplicações? Comenta aqui!

Como fazer com que o produtor participe da gestão da fazenda junto ao consultor?

Integração entre consultor e produtor: qual papel do fazendeiro na gestão, dicas para melhorar essa ação conjunta e seus benefícios!

Gerenciar uma empresa rural exige conhecimento do processo de trabalho e também de administração da fazenda.

Para auxiliar na adequação do melhor sistema de gestão, a participação do produtor é fundamental para gerar bons resultados da consultoria.

Nesse texto, você verá como esse trabalho conjunto pode ser alinhado e as dicas do consultor Marco Antônio em como melhorar a participação do produtor no processo de gestão.

Produtor e sua participação na gestão da fazenda 

O trabalho de consultoria é agregar seu conhecimento e experiência profissional às práticas e conhecimento do produtor.

“O papel do consultor é somar experiências com o produtor, levando a ele a vivência do mundo empresarial e outra visão para dentro da fazenda, juntando o conhecimento do cotidiano da propriedade e, assim, construir uma única visão, mais focada para as necessidades daquele negócio”, comenta Marco Antônio Santana, consultor agrícola.

Cada produtor rural tem uma vivência de negócio diferente e, para que seu trabalho seja efetivado mesmo após o término do seu projeto, é necessário trabalhar em conjunto com o produtor.

Ao atrair o produtor para o projeto de gestão, além de desenvolver uma metodologia mais eficiente e prática para aquela propriedade, você tem mais facilidade em captar informações necessárias para seu trabalho.

Ganhar a confiança do proprietário e gestor da fazenda faz com que você consiga realocar pessoas, lugares e ferramentas da melhor forma para a gestão do negócio.

Para tanto, é necessário que você mostre como irá auxiliá-lo, demonstrando e explicando qual a importância das informações que precisa.

Além disso, é preciso que o produtor compreenda que a gestão da fazenda só será eficiente se os recursos, tanto de pessoas quanto de materiais, estiverem alocados corretamente para trazer a melhor eficiência para o sistema.

Desse modo, há ganhos de ambas as partes: do consultor, por agregar mais experiência e mais um trabalho realizado com sucesso; e, para o produtor, mais organização na gestão financeira, operacional e de pessoas, gerando maior lucratividade do seu negócio.

5 dicas para melhorar a integração entre consultor e produtor rural

Ao ser contratado, você precisa passar confiança ao produtor em relação ao seu trabalho, para que sua relação com ele traga benefícios mútuos.

Para isso, veja algumas dicas para fazer com que o produtor participe da gestão junto a você.

1º Receptividade ao novo

Muitos produtores, mesmo contratando uma consultoria rural, ainda têm receio da mudança. 

No primeiro contato com o produtor, você deve passar confiança, responsabilidade e objetivos possíveis de alcançar.

Seja sutil ao sugerir as mudanças. Escute, analise e exponha suas ideias e a maneira que pretende alcançá-las.

Deixe claro para ele seu papel na fazenda, quais são as mudanças que querem fazer e como obtê-las.

Para Santana, “o consultor é uma ferramenta que acelera a mudanças culturais dentro da fazenda a fim de obter os melhores resultados”

Assim, o produtor será mais receptivo a suas ideias e ações, conferindo a você acesso às pessoas e dados que ele utiliza em sua fazenda.

2º Comprometimento 

Ao fechar um trabalho é necessário explicar as etapas e a importância de cada passo que irá ser abordado no projeto de gestão rural.

Deixe claro ao produtor que você está comprometido com ele, assim como ele deve estar com você.

E, para que as mudanças ocorram, é necessário apoio, tanto seu para o produtor quanto do produtor para com você.

Insira o produtor no projeto. Assim, as mudanças vão ocorrendo de modo gradual e se tornando uma prática rotineira na fazenda.

“Comprometa a equipe, principalmente os líderes, nas mudanças que irão ocorrer de comum acordo definida por vocês”, sugere o consultor.

3º Dados e informações

Sem acesso a dados e às informações do cotidiano da fazenda, seu trabalho fica parado.

Os funcionários são a parte responsável por alimentar as ferramentas de análises de dados todos os dias.

Assim, para que você tenha acesso com maior frequência e rapidez, a proximidade com os funcionários se torna essencial.

É importante, portanto, antes de iniciar seus trabalhos, conhecer todo o quadro de funcionários e suas funções na fazenda.

Mostre a eles que seu trabalho é melhorar e facilitar o dia a dia no campo, explicando a importância de sempre passar os dados e informações para alimentar os sistemas de gerenciamento.

“A inserção de dados por todos que compõem o sistema deve ser feita de modo rotineira e disciplinada, precisando de auditoria para que essa rotina seja efetivada”, diz Marco Antônio Santana.

Caso seja necessário, realize inicialmente reuniões semanais com os chefes de setores até que o lançamento de dados se torne uma prática diária dos responsáveis. 

4º Novas tecnologias

Para implementar uma nova forma de gestão, especialmente financeira e operacional, o uso de um software de gestão é um facilitador.

Organizar e avaliar os dados e informações da fazenda precisa ser rápido e simples, pois alguns produtores e funcionários não são familiarizados com novas tecnologias.

Assim, utilizar ferramentas de gestão intuitivas e de fácil compreensão torna a proximidade sua com o produtor e funcionários mais fácil.

O produtor conseguindo diariamente, por meio do aplicativo, avaliar o que está acontecendo, torna-se parte do projeto.

O Aegro é um aplicativo simples de utilizar e que auxilia consultor e proprietário na gestão da fazenda.

Com o Aegro você faz o registro de todas as atividades diretamente do campo, mesmo sem internet. O sistema gera relatórios automatizados de gestão e operacional da fazenda.

Marco Antônio diz que a implementação de um software como o Aegro permite juntar a realidade da fazenda com a tecnologia, proporcionando mais transparência à gestão.

Os dados ficam sempre disponíveis ao produtor, que pode acompanhar de perto as atividades de todas as áreas da fazenda. Desse modo, a participação dele na gestão da fazenda também será maior e mais produtiva.

Tela do aegro na aba de relatório de custos

Exemplo de relatório visualizado com o Aegro

5º Treinamento

Toda mudança requer tempo, paciência e treinamento.

Ao implementar em uma propriedade uma nova ferramenta de gestão, realizar treinamentos junto ao produtor e os funcionários que terão acesso às informações disponíveis é fundamental.

Chegar em uma fazenda com projeto pronto e já iniciar a utilização do aplicativo de dados, sem conhecer o modo que a propriedade funciona e sem dar o treinamento adequado, a participação conjunta não irá ocorrer.

Além disso, após o término do seu projeto, a implementação de qualquer sistema pode falhar, pois não houve capacitação das pessoas para desempenhar as funções necessárias.

Para Santana, uma parte essencial do treinamento é gerar uma rotina empresarial dentro da fazenda e, assim, transformar a fazenda em uma empresa rural.

Portanto, antes de iniciar a reestruturação do sistema de gestão, faça treinamentos com o produtor e funcionários, para que fiquem familiarizados com o novo sistema.

Benefícios de uma boa gestão 

Ter um bom relacionamento profissional com o produtor é o primeiro passo para fidelizar o produtor e fazer com que ele participe da gestão.

Assim, os benefícios dessa parceria irão surgir como, por exemplo, economia com insumos, minimização de perdas e melhoria das operações realizadas.

O produtor, no decorrer da consultoria, tem que ser capaz de aprender com você a verificar os problemas que irão surgindo no dia a dia e, assim, solucioná-los com maior eficiência.

“Uma boa consultoria organiza os sistemas de gestão da fazenda e ensina o produtor a manter esse sistema em funcionamento”, diz Marco Antônio Santana.

Conclusão

A participação do produtor na gestão da fazenda facilita o desenvolvimento do projeto de consultoria.

A inserção do produtor nas etapas de mudança e nas decisões, aumenta a chance de sucesso da consultoria.

Estar presente e disponível para treinamentos e reuniões no decorrer do projeto, gera mais confiança e participação do produtor no seu trabalho.

Conheça os problemas e as preocupações do produtor, saiba do que ele precisa e mostre a ele como a parceria de vocês irá gerar lucratividade!

Marco Antônio Santana é consultor agrícola em Mato Grosso e parceiro Aegro.

Restou alguma dúvida sobre como fazer com que o produtor participe da gestão da fazenda junto ao consultor?