Manutenção dos pneus agrícolas: como realizar, quais são os tipos de pneus e como saber se o momento da troca chegou!
Uma lavoura bem sucedida não depende só de insumos, sementes, fertilizantes e defensivos. Mão de obra qualificada, máquinas agrícolas,tratores, as colhedoras e os diversos implementos que as complementam também fazem parte desse sistema.
O maquinário deve estar sempre bem regulado e pronto para as atividades, e um dos pontos cruciais é a manutenção dos pneus agrícolas.
Você realiza a manutenção de forma correta? Quer algumas dicas sobre como cuidar bem dos seus pneus? Confira!
Como fazer a manutenção dos pneus agrícolas
Nas fazendas e lavouras brasileiras, as despesas com os pneus podem chegar até o segundo lugar nalista de maiores despesasdafrota agrícola.
Evitar desgastes desnecessários é essencial. Veja como a manutenção dos pneus agrícolas pode te ajudar.
Calibração e pressão interna
Qual a calibração correta do pneu agrícola? A resposta é “depende”. Cada pneu tem uma calibração adequada e a pressão varia de acordo com a capacidade de carga. Para você ter certeza, o melhor é sempre consultar as recomendações dos fabricantes.
Se seu maquinário trabalhar abaixo da calibração ótima, as bandas se desgastamcom rapidez e de forma irregular. Além disso, os pneus agrícolas perdem tração e pode ser que ocorra o “rim slip”, termo usado para descrever quando o pneu corre no aro.
O inverso também é indesejável. Uma calibração excessiva deixa o pneu com formato mais ovalado. Isso gera perda de tração e maior desgastena linha central do pneu.
Além de garantir a durabilidade dos pneus agrícolas, trabalhar na correta calibração reduz a compactação do solo e garante economia de combustível!
Uma vez feita a calibragem, você deve realizar periodicamente a verificação da pressão interna dos pneus. É importante realizar as medições antes de realizar os serviços no campo, para evitar potenciais danos.
A patinagem é o deslizamento decorrente da transmissão da força das rodas traseiras para o solo. A patinagem zero ou maior que 20% são problemas comuns do campo, e você pode a determinar com alguns cálculos. Para começar, você precisa de um local plano para seguir as etapas:
posicione o trator sem implemento e marque o local onde está a roda traseira e a parte do pneu que toca o solo naquele ponto;
dirija o trator até que a roda traseira tenha completado 10 voltas;
meça a distância percorrida (distância 1);
engate o implemento e realize o mesmo procedimento, percorrendo a mesma distância (distância 1) obtida e verifique o número de voltas completas;
faça a seguinte conta:
Suponha que você tenha verificado 11 voltas com o implemento. Esse valor de 10% de patinagem está adequado, mas você deve tomar cuidado para que não ultrapasse 20%.
Chegou a hora da troca?
A troca pode ser um momento complicado pois, como você viu, os custos dos pneus agrícolas não são pequenos. Entretanto, caso a vida útil do pneu tenha esgotado, não hesite em trocá-los.
O comportamento das máquinas e implementos com pneus desgastados não é o mesmo, e pode colocar a vida dos operadores em risco.
Uma das principais formas de verificar a hora da troca é através da profundidade dos desenhos do pneu (sulcos, frisos e barras).
Quando o desgaste é superior a ¾ (ou 75%) do tamanho inicial, a troca é necessária.
Desgaste máximo de 25% da profundidade total dos sulcos dos pneus agrícolas (Fonte: Dia De Campo)
Essa atividade pode ficar mais fácil com apoio de um software de gestão agrícolacomo o Aegro. Com o aplicativo, você pode programar alertas de manutenção periódicos, facilitando a análise e possível troca dos pneus das suas máquinas.
Você também consegue acompanhar a data da última troca e o impacto dessas operações nos custos totais da safra.
Tipos de pneus agrícolas
Os pneus agrícolas não são todos iguais. Basicamente, você encontra 5 tipos diferentes no mercado:
Diagonais: compostos por sobreposição de lonas. O topo e os flancos não são independentes.
(Fonte: Michelin)
Radiais: compostos pela união de uma carcaça flexível e uma armadura metálica de estabilização.
(Fonte: Michelin)
Alta flutuação: muito estudados para redução da compactação de solo.
Implementos: pneus de implementos agrícolas com raias longitudinais.
Florestais: específicos para máquinas florestais. São reforçados para suportar áreas com objetos cortantes.
Avalie com cuidado e escolha o mais apropriado para as suas condições.
Água nos pneus?
É isso mesmo! É possível encher os pneus agrícolas com água para adequar a massa dos tratores.
Esse procedimento é chamado lastragem líquida e garante aumento da capacidade de tração e estabilidade.
Opções e porcentagens de lastro (Fonte: adaptado da aula do Prof. Dr. Carlos Furlani)
Porém isso tem um limite e deve ser feito de acordo com as orientações dos fabricantes.
Conclusão
Os pneus agrícolas são componentes essenciais dos tratores, máquinas e implementos agrícolas, pois fazem o contato e garantem a tração.
Escolher o pneu correto é primordial para maximizar as atividades e garantir maior lucratividade. Além da escolha correta, você precisa realizar manutenções preventivas (calibração, verificação de pressão, etc) constantemente.
Dessa forma você obterá melhor desempenho, além de garantir a durabilidade dos pneus.
Com que frequência você faz a manutenção dos pneus agrícolas da sua propriedade? Conta pra gente aqui nos comentários!
Umidade do grão de café: saiba como e quando determiná-la e quais cuidados devem ser tomados durante a secagem para obter um café de qualidade
A qualidade do café é determinante para a comercialização e, consequentemente, para a sua rentabilidade.
A umidade dos grãos é considerada para o processamento e armazenamento do café, e impacta diretamente a qualidade do produto.
Você sabe como obter grãos de qualidade? Sabe quais cuidados devem ser tomados durante a secagem? A seguir eu te mostro tudo isso e muito mais!
Por que determinar a umidade dos grãos de café?
A umidade representa a quantidade de água presente nos grãos de café. Assim como para os demais tipos de grãos, a água é responsável pelos processos metabólicos. Então, grãos com maior umidade podem sofrer degradação mais rapidamente, perdendo qualidade.
Além disso, a umidade serve de parâmetro principalmente para as operações de processamento e armazenamento de grãos.
Portanto, saber a umidade em que os grãos de café se encontram é importante. Grãos com umidade fora da faixa adequada ou lotes com umidade desuniforme resultarão em um produto de baixa qualidade.
Qual a umidade ideal para o café?
Após a secagem, os grãos de café devem apresentar umidade entre 10 a 12%. Esse detalhe é importante, pois o teor de umidade correto proporciona acidez equilibrada e aroma agradável ao produto.
Grãos armazenados com elevada umidade branqueiam mais rapidamente, perdendo o aroma e o sabor.
A presença de maior umidade nos grãos facilita o ataque de fungos, que causam perdas em quantidade e qualidade do produto, além de poderem contaminar os grãos com micotoxinas.
Por outro lado, grãos muitos secos geram perdas, pois diminuem de tamanho e pesam menos, sendo necessária uma maior quantidade para completar a saca. Além disso, grãos muito secos quebram com maior facilidade no beneficiamento.
Também, grãos com baixa umidade aceleram o processo de torra. Isso não é desejável porque pode haver desuniformidade de torra entre o interior e o exterior do grão, promovendo aroma e gosto desagradável ao produto.
Quando e como determinar a umidade do café?
A umidade dos grãos de café deve ser determinada principalmente durante a secagem, visando a uniformidade. Ao final do processo, todos os grãos devem apresentar umidade similar.
Além do processo de secagem, a umidade deve ser monitorada durante o armazenamento. Mesmo sendo armazenados com baixa umidade (10% a 12%), os grãos podem reabsorver água e ficar suscetíveis à perda de qualidade.
A determinação da umidade pode ser realizada com medidores eletrônicos de forma indireta, baseados na constante dielétrica dos grãos, que varia com a umidade.
Mas atenção, pois o equipamento deve ser calibrado constantemente de acordo com as normas do fabricante. Este detalhe é importante para evitar medições erradas e o comprometimento do produto.
Medidor de umidade portátil para grãos de café (Fonte: Gehaka)
Outro ponto importante para a medição da umidade, tanto na secagem quanto no armazenamento, é a amostragem. Amostrar corretamente o lote é vital para saber a umidade mais próxima da realidade.
A amostragem deve ser representativa do lote, ou seja, deve ser coletada aleatoriamente, em diferentes pontos e alturas.
Secagem do café
Após a colheita, os grãos de café apresentam elevada umidade (45% e 55%). Portanto, devem ser secos até a umidade ideal para conservação da qualidade.
A secagem do café, de maneira geral, pode ser realizada de duas formas: natural em terreiros ou mecânica. A adoção de cada forma varia conforme a capacidade de investimento de cada propriedade e o tipo de café produzido.
Secagem natural em terreiros
A secagem natural em terreiros é uma das mais adotadas no Brasil, porque apresenta menor custo e maior facilidade de operação. No entanto, depende das condições ambientais para promover a secagem dos grãos e de maior mão-de-obra.
Neste sistema, os grãos são esparramados em terreiros suspensos ou no solo, e revolvidos pelo menos a cada 1 h durante o dia até atingirem a umidade adequada.
Esse processo é dividido em três etapas:
Etapa 1: redução da umidade inicial até os grãos atingirem 30% de umidade (meia-seca);
Etapa 2: redução da umidade de meia-seca até os grãos atingirem entre 18 e 20% de umidade;
Etapa 3: até os grãos atingirem entre 10% e 12% de umidade (secagem final).
Os principais cuidados a serem tomados são:
não misturar diferentes lotes de café;
promover o esparrame e o revolvimento dos grãos de forma adequada;
realizar o enleiramento, visando facilitar a secagem;
fazer as leiras no sentido da declividade do terreno, visando facilitar o escoamento da água em caso de chuvas;
antes de atingir o ponto de meia-seca (30% de umidade) nunca amontoar os grãos;
após atingir o ponto de meia-seca, amontoar os grãos e cobrir com lona ao final do dia.
Secagem mecânica
A secagem mecânica é realizada em secadores mecânicos, com ar aquecido. Esse método é utilizado para realizar a secagem final do produto. Os grãos devem ser pré-secados em terreiros.
Como fonte de energia para o aquecimento podem ser utilizadas lenha e a casca do café. Porém, os grãos não devem ter contato direto com a fumaça, então utilize trocadores de calor.
Secador mecânico rotativo de café e secagem de café em terreiros (Fonte: Palini Alves e G37)
Os principais cuidados neste método estão relacionados à temperatura e a umidade inicial dos grãos.
A temperatura da massa de grãos nunca deve ser superior a 45 °C, e a temperatura do ar de secagem não deve ultrapassar os 80 °C na entrada do secador.
Se houver uma porcentagem elevada de frutos verdes no lote, a temperatura da massa de grãos não deverá ser superior a 30 °C, visando a evitar defeitos como o café verde-escuro e preto-verde.
O processo deve ser realizado de forma lenta para haver uniformidade da secagem e a redução dos danos aos grãos. Por este motivo, grãos com umidade muito elevada não devem ser submetidos a este método de secagem.
Conclusão
Como vimos, a umidade dos grãos de café impacta diretamente na qualidade final do produto.
A umidade ideal para grãos de café é entre 10% e 12%. Grãos com umidade fora desta faixa, para mais ou para menos, não são interessantes para a obtenção de um café de qualidade.
A determinação da umidade dos grãos pode ser realizada em equipamentos eletrônicos. O monitoramento durante a secagem e armazenamento é muito importante para evitar a perda de qualidade.
A secagem dos grãos de café deve ser lenta e gradual até atingir a umidade ideal. Assim, você obterá lotes de grãos com umidade uniforme e de elevada qualidade.
Espero que essas dicas possam te ajudar a entender melhor a importância da umidade dos grãos de café para a qualidade da sua produção!
Tratamento de sementes de trigo: saiba quando fazer, quais produtos podem ser utilizados e como garantir a qualidade da operação
A compra de sementes certificadas é fundamental para garantir plântulas sadias, homogeneidade da lavoura e uma safra de sucesso.
Você pode fazer o tratamento de sementes de trigo na própria fazenda ou adquirir sementes pré-tratadas.
As doenças e pragas que atingem o trigo no início do desenvolvimento reduzem o estande de plantas e o rendimento da cultura, mas são controladas com o tratamento de sementes.
Neste artigo, você terá tudo o que precisa saber sobre o tratamento de sementes de trigo. Acompanhe!
Características do trigo
A planta de trigo (Triticum aestivum L.) é uma gramínea que pertence à família Poaceae.
A planta pode atingir até 1,5 m de comprimento, possui colmo oco e folhas planas, levemente ásperas. Em cada planta há entre 6 e 9. A última folha, chamada “folha bandeira”, é a mais importante. Os grãos são ovalados, tenros e farináceos.
O número de afilhos/perfilhos emitidos é variável conforme a cultivar e densidade de plantio.
É explorada em larga escala como cultura anual de inverno. No Brasil, é cultivada principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O desenvolvimento de novas variedades permite que a planta seja cultivada em outras regiões, como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.
Pesquisadores têm lançado cultivares com alta estabilidade produtiva e fitossanitária, e com boa resistência às principais doenças como manchas foliares, giberela e brusone.
Apesar dos avanços notórios nas cultivares modernas, uma série de cuidados e práticas são requeridas para o máximo potencial genético ser extraído.
Vantagens do tratamento de sementes de trigo
Tratar as sementes de trigo comfungicidas e inseticidas têm diversas vantagens:
reduz o inóculo inicial de doenças e controla pragas iniciais da cultura;
aumenta a porcentagem de germinação de sementes;
forma plântulas mais vigorosas;
garante o estande de plantas homogêneo;
maior rendimento de grãos.
Lembrando que o tratamento de sementes de trigo sozinho não garante todas estas vantagens. É necessário que haja qualidade sanitária, poder germinativo e vigor de sementes.
Diversas doenças que ocorrem na lavoura podem ser disseminadas por sementes. Exemplo destas são as manchas foliares (amarela, marrom e septoriose), podridão comum das raízes, carvão e fusariose/giberela.
O controle do oídio e ferrugem é outra vantagem do TS, apesar de não serem transmitidas pela semente e sim por fontes de inóculo na palha. O agroquímico na semente é absorvido e translocado para as plântulas.
Faça o tratamento de sementes de trigo antes da semeadura a campo, seguindo todos os cuidados necessários com o manejo de agroquímicos.
Também conhecido como “treatment on farm”, é realizado na propriedade pouco antes da semeadura. É pouco prático para grandes volumes de sementes, pois os equipamentos são caros.
Associações e/ou cooperativas auxiliam realizando o tratamento com equipamentos menores que os industriais, inclusive alguns acoplados à tomada de força do trator.
Esse procedimento pode render até 70 sc por hora.
Utilizando este método, você pode escolher o produto a utilizar, de acordo com o laudo da análise sanitária das sementes. Isso torna a operação mais eficiente.
Primeiramente, para maior eficiência do tratamento, é necessário fazer análise de sementes.
A análise de sementes é um procedimento laboratorial que identifica, entre outras coisas, a porcentagem de germinação e o vigor de sementes. A análise sanitária identifica a incidência e as espécies de fungos na semente.
Conhecendo quais são aspragas do trigo e as doenças iniciais da lavoura, também é possível planejar no TS “On Farm” qual fungicida usar, de acordo com o espectro de ação.
Você pode usar diversos produtos e misturas com diferentes princípios ativos. Confira alguns exemplos na lista a seguir.
Baytan FS
Fungicida sistêmico (Triadimenol 150g/l) com amplo espectro de ação e exclusivamente indicado para o tratamento de sementes.
Fungicida (Captana 800g/kg) não sistêmico de ação preventiva, indicado para TS no trigo no controle de cárie, mancha marrom e fusariose.
Amulet Top
Mistura pronta contendo inseticida (Fipronil 250g/l) e fungicidas (Piraclostrobina 25g/l e Tiofanato Metílico 225g/l).
Protege sementes e plântulas contra doenças e ataque de pragas no início do desenvolvimento.
Attic
Fungicida de contato (Iprodiona 500g/l) indicado para controle de mancha marrom e brusone.
Certeza N
Fungicida sistêmico (Tiofanato-metílico 350 g/l) e de contato (Fluazinam 52,5g/l) com amplo espectro de ação, indicado no tratamento de sementes para o controle de fungos do solo.
Belure Top
Mistura pronta. Contém inseticida (Fipronil 250g/l) e fungicidas (Piraclostrobina 25g/l e Tiofanato Metílico 225g/l).
Dividend Supreme
Mistura pronta de amplo espectro contendo inseticida (Tiametoxan 92g/l) e fungicidas (Difenoconazol 37g/l e Metalaxil 3g/l). Específico para TS no controle de pulgões, pé-de-galinha, manchas, brusone e oídio.
Qualidade do tratamento
Fungicidas de formulação líquida possuem eficácia maior que em pó seco.
A quantidade de calda indicada para boa cobertura das sementes é variável. A má cobertura das sementes pode causar três tipos de plântula: originada de semente bem tratada, parcialmente e não tratada.
Assim, você pode esperar que um tratamento desuniforme resulte numa lavoura desuniforme, condição que você deve evitar!
Cuide com avarias nas sementes durante o tratamento. Sempre siga as instruções da bula e normas de segurança para o manejo.
Em lavouras de plantio direto, é comum ocorrer ataque de lagartas na cultura recém-instalada. Nestes casos, recomenda-se aplicar inseticida na dessecação para o controle dessas lagartas.
Conclusão
O tratamento de sementes de trigo é importante para garantir o controle de pragas e doenças no início do desenvolvimento.
Sementes bem tratadas são a primeira garantia de um estande uniforme de plantas, que é componente de rendimento do trigo!
Compre sementes certificadas e faça a análise delas. Isso irá permitir escolher quais produtos utilizar no tratamento e reduzir os custos.
Não se esqueça de consultar um(a) agrônomo(a) para garantir a qualidade do manejo e a eficácia da operação.
Qual prática você adota hoje: tratamento de sementes de trigo na fazenda ou industrial? Restou alguma dúvida? Vamos continuar essa conversa nos comentários!
Sorgo: entenda quais são as condições ideais de cultivo, principais pragas, doenças e manejo de plantas daninhas
O sorgo, também conhecido como milho-da-guiné, é um cereal de fácil adaptação e de altas produtividades. Ele pode ser aplicado na alimentação animal e humana, na produção de etanol, biomassa e vassouras.
Para produzir essa espécie, é preciso estar por dentro das especificidades de cada tipo de sorgo. Conhecer detalhes sobre plantio e colheita também.
Neste artigo, você lerá sobre os cinco tipos e suas diferentes aplicações, além de conhecer as principais pragas e doenças do sorgo. Confira!
O que é sorgo e para que serve?
O Sorghum bicolor é uma espécie de cereal que pertence à família Poaceae, a mesma do milho. Mais conhecido como sorgo ou milho-zaburro, ele é versátil e de grande importância econômica.
Trata-se de uma planta cultivada há milhares de anos e com diversas aplicações. No Brasil, a expansão do cultivo de sorgo começou na década de 70 e hoje o país está entre os principais produtores.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Brasil ocupa a 9ª posição no ranking dos maiores produtores de sorgo na safra 2020/21. O cereal é o quinto mais produzido no mundo.
O sorgo é bastante utilizado na alimentação animal, sobretudo em países da América do Sul, Estados Unidos e Austrália. Na América Central, Ásia e África, também tem os grãos utilizados na alimentação humana para produção de farinhas e amido industrial, na fabricação de pães e de biscoitos.
Diferentes tipos de sorgo
Existem 5 tipos de sorgo: sorgo granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura. Você conhecerá um pouco sobre cada um desses tipos a seguir:
1. Sorgo granífero
O sorgo granífero possui porte baixo. Os grãos são o principal produto desse tipo de sorgo, produzidos na extremidade superior da planta.
As plantas têm porte baixo (aproximadamente 170 cm de altura). A panícula é pequena e compacta. Além disso, é possível mecanizar todo o processo do sorgo granífero, do plantio à colheita.
Esses grãos são empregados principalmente na agroindústria de rações, embora também possam ser fornecidos na silagem. Dentre os tipos de sorgo, o granífero é o que tem maior expressão econômica.
2. Sorgo biomassa
O sorgo biomassa tem grande porte, podendo alcançar mais de 5 metros de altura. É muito utilizado na geração de energia, assim como o eucalipto e a cana-de-açúcar. As plantas apresentam rápido crescimento, além de grande potencial de produção.
A propagação é feita por sementes, o que facilita a implantação das lavouras. Além disso, o processo é 100% mecanizado. Dependendo das condições climáticas, ainda é possível manejar a rebrota do sorgo biomassa.
O sorgo forrageiro é consumido na silagem e também pode ser utilizado para pastejo e corte verde na alimentação animal. As plantas têm grande porte, elevado número de folhas e poucas sementes.
Algumas cultivares de sorgo forrageiro tem dupla aptidão. Isso significa que têm potencial para a produção de forragem e grãos.
O sorgo-sacarino é semelhante à cana-de-açúcar devido aos colmos doces, ricos em açúcar fermentescível.
Ele é utilizado como alternativa para a produção de etanol no período de entressafra da cana-de-açúcar. Além disso, esse tipo de sorgo também pode ser utilizado como forrageiro.
As características dessas plantas possibilitam a produção de silagem de alta qualidade. Isso gera respostas positivas na produtividade animal.
A China produz uma bebida alcoólica conhecida por “baijiu”. Essa bebida representa 1/3 dos destilados consumidos em todo mundo e é elaborada a partir da fermentação e destilação do sorgo.
5. Sorgo-vassoura
O sorgo-vassoura possui como principal característica a inflorescência com fibras longas. O uso dessas fibras é voltado para a fabricação de vassouras, conhecidas como vassouras melga ou caipira.
Além de ser uma alternativa ecológica, esse tipo de sorgo geralmente é plantado por produtores que complementam a renda familiar com a produção artesanal das vassouras.
O preparo do solo, plantio e tratos culturais podem ser feitos mecanicamente. No entanto, a colheita e limpeza das panículas do sorgo são realizadas manualmente, o que requer muita mão de obra.
Características da cultura do sorgo
O sorgo é uma planta muito resistente à seca e à salinidade do solo, além de ser uma cultura mecanizável. Seu porte é baixo, com até 170 cm. Seu metabolismo C4 lhe garante elevada eficiência no uso da água.
O sistema radicular pode atingir 150 cm de profundidade, sendo que 80% das raízes são encontradas nos primeiros 30 cm do perfil do solo.
A inflorescência é do tipo panícula, e pode variar quanto ao tamanho e formato.
O ciclo da cultura varia de 90 a 120 dias.
Veja quais são as fases de desenvolvimento do sorgo.
As sementes do sorgo são muito pequenas, o que exige plantio superficial. A profundidade ideal é de 3 cm a 5 cm. Para facilitar o desenvolvimento das plântulas, o preparo do solo é fundamental.
O sorgo deve ser semeado entre setembro e novembro, e essa data depende de quando as chuvas começam.
Além disso, é importante lembrar que ao ser plantado tardiamente, a planta do sorgo pode sofrer redução de porte. Outra consequência do plantio tardio é a menor produção de matéria seca.
Isso tem maior probabilidade de acontecer em plantios em dezembro. Portanto, planeje bem e com antecedência a semeadura e fique sempre de olho nas previsões climáticas.
Como aumentar a produtividade das lavouras de sorgo?
Além de evitar cultivar o sorgo em áreas com histórico de pragas e doenças e utilizar sementes de qualidade, existem outros aspectos que interferem na produtividade. Veja quais são.
Clima ideal e exigência hídrica
O sorgo é uma espécie de climas quentes e que tolera elevados níveis de radiação. O intervalo ótimo de temperatura para o desenvolvimento do sorgo é de 26 a 30ºC.
Sabe-se que temperaturas inferiores a 16ºC e superiores a 38ºC são limitantes para a produção desse cereal.
A tolerância do sorgo ao estresse hídrico faz com que ele seja uma boa opção para o plantio na safrinha. Apesar disso, é importante lembrar que os efeitos do déficit de água podem comprometer a produtividade.
O consumo de água pela lavoura de sorgo varia em função das condições edafoclimáticas, do ciclo da cultivar e do manejo do solo.
De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, no decorrer do desenvolvimento da cultura são consumidos de 380 mm a 600 mm de água.
Preparo do solo
De modo geral, no sistema de produção convencional, o preparo do solo é um processo que compreende aração seguida de gradagem.
Esse processo tem o objetivo de melhorar as condições físicas do solo que irá receber a semente. Isso garante uma germinação uniforme, o bom desenvolvimento do sistema radicular e aumenta a infiltração de água.
O sorgo tem melhor desenvolvimento em solos bem drenados e profundos. A acidez e fertilidade devem estar corrigidas, e o pH ideal é entre 5,5 e 6,5.
Plantio
O sorgo é uma planta cultivada em sistema convencional e em sistema de plantio direto (SPD).
Independente do sistema adotado, é importante que o plantio do sorgo seja realizado segundo as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Outro ponto importante é que os equipamentos de plantio que você vai utilizar devem estar bem regulados. Isso varia de acordo com o tipo de sorgo. Abaixo, veja algumas sugestões:
Sugestões para regulagem de equipamentos de plantio de acordo com diferentes tipos comerciais de sorgo, seus usos e seus espaçamentos recomendados
Em relação à demanda nutricional, o sorgo tem maior exigência por nitrogênio epotássio, seguidos de cálcio, magnésio efósforo.
A recomendação de adubação para o sorgo deve ser sempre orientada pela análise de solo. É preciso considerar também a quantidade de nutrientes que são extraídos e exportados pela cultura.
Somente a partir dessas informações é possível determinar a quantidade, a forma e em qual momento os fertilizantes serão fornecidos às plantas.
A exigência nutricional varia diretamente com o potencial de produção. Isso quer dizer que a demanda nutricional do sorgo aumenta com o aumento da produtividade. Confira na tabela abaixo!
Extração média de nutrientes pela cultura do sorgo em diferentes níveis de produtividades
A finalidade de exploração do sorgo (grãos, silagem, fenação, corte verde ou pastejo) também influencia na recomendação de adubação.
Manejo de plantas daninhas
O controle químico é o mais utilizado no manejo das plantas daninhas no sorgo. Apesar disso, um dos problemas da produção é o reduzido número de herbicidas registrados para a cultura.
Somente um ingrediente ativo é registrado no Mapa para o manejo das plantas invasoras no sorgo: a atrazina. Ela é eficiente no controle das plantas daninhas de folha larga, e tem pouco ou nenhum efeito sobre as de folha estreita.
Dessa forma, é importante fazer a dessecação da área no pré-plantio. O objetivo é fazer a lavoura se estabelecer “no limpo”, sem interferência das plantas daninhas.
Principais pragas do sorgo
Os danos causados por pragas reduzem a produtividade e a qualidade do produto final. Alguns insetos-praga têm alta capacidade de destruição e podem comprometer lavouras inteiras.
Veja as principais pragas que causam prejuízos ao plantio do sorgo:
doença açucarada do sorgo ou Ergot (Claviceps africana).
Colheita e pós-colheita do sorgo
A colheita do sorgo pode ser realizada de forma manual ou mecânica.
A colheita manual é indicada para pequenas áreas. Porém, ela apresenta alto custo operacional e demanda muita mão de obra.
A colheita mecânica é a mais usada em grandes lavouras. Ela tem alto rendimento operacional e baixo custo quando comparada ao processo manual.
Quando colher o sorgo?
O momento ideal para a colheita do sorgo deve considerar as condições ambientais, características da cultivar,teor de umidade dos grãos e a finalidade do uso.
Os grãos de sorgo devem apresentar de 17% a 14% de umidade no momento da colheita (com secagem artificial).
Se você não dispõe de meios para realizar a secagem artificial, o interessante é que no momento da colheita os grãos tenham em torno de 12% a 13% de umidade.
No caso do sorgo granífero, a colheita pode ser realizada após os grãos atingirem a maturidade fisiológica. A maturidade fisiológica é observada pela formação de uma camada preta na região de inserção do grão na gluma.
Esse fenômeno ocorre da ponta da panícula em direção à base. A partir desse momento, não há mais transferência de fotoassimilados para os grãos.
Quando atingem a maturidade fisiológica, os grãos de sorgo apresentam alta umidade. Isso torna necessária a secagem artificial após a colheita.
Para sorgo com finalidade da produção de silagem, o recomendado é que a colheita seja realizada quando as plantas tiverem, no mínimo, 30% de matéria seca.
O sorgo forrageiro pode ser disponibilizado aos animais 30 a 40 dias após a semeadura. As plantas jovens de sorgo não devem ser consumidas pelos animais por apresentarem níveis tóxicos de ácido cianídrico.
Velocidade de colheita
Em geral, a velocidade de colheita pode variar de 3 Km/h a 5 km/h, no máximo. Velocidades superiores causam perdas no processo e podem levar ao embuchamento da colhedora.
A determinação da velocidade deve considerar a topografia do terreno, a incidência de espécies invasoras e as características da lavoura de sorgo.
Vale ressaltar a importância de realizar periodicamente a manutenção das máquinas e implementos da sua propriedade. Isso garante maior precisão no processo, além de evitar perdas e atrasos na colheita.
Armazenamento
Os grãos de sorgo têm a característica podem ser armazenados por longos períodos sem perder a qualidade. Para isso, o armazenamento dos grãos deve ser feito em local limpo, seco e ventilado.
Os grãos colhidos devem ser mantidos com 13% de umidade. É preciso estar atento, também, ao ataque de microrganismos, insetos, aves e pequenos roedores.
A presença de pragas no armazenamento influencia na velocidade de deterioração dos grãos. Além disso, contamina e interfere na qualidade do produto. As perdas são irrecuperáveis e geram grandes prejuízos econômicos.
Conclusão
O sorgo possui diversas classificações e finalidades. Sorgo granífero, biomassa, forrageiro, sacarino e vassoura possuem particularidades e aplicações distintas.
Dentre eles, o sorgo granífero é o que apresenta maior importância econômica.
Caso você tenha problemas com plantas daninhas em seu plantio de sorgo, lembre-se que o principal manejo é realizado com herbicidas.
Mais especificamente, use a atrazina, o único herbicida registrado no Mapa. Em casos de dúvidas, consulte um especialista.
Você já realizou ou está pensando em realizar o plantio de sorgo? Já conhecia todas as variações da espécie? Adoraria ler seu comentário!
Essa leguminosa é uma excelente alternativa como cobertura do solo e adubação verde, além de servir como forrageira de alta qualidade nutricional para alimentação animal.
Você sabia que a inserção dessa cultura no sistema produtivo também é interessante para as culturas sucessoras?
Neste artigo, você verá alguns motivos pelos quais você deve investir na cobertura do solo com ervilhaca, além de como e quando utilizá-la. Confira!
Quando e como a ervilhaca pode ser cultivada?
A ervilhaca é uma leguminosa anual de inverno, com hábito de crescimento trepador e boa resistência a períodos de geada. Ela não resiste à seca ou ao calor excessivo.
Sua semeadura ocorre entre os meses de março e junho. Quanto mais tardia for, menor será a produção de biomassa vegetal.
A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas com espaçamento de 20 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 3 a 5 cm, distribuindo 40 a 60 kg de sementes por hectare.
A cultura não tolera solos ácidos e encharcados. Ela se desenvolve bem em solos argilosos e férteis, e se adapta também a solos arenosos, desde que bem fertilizados.
Ela é utilizada principalmente no Sul do Brasil, antes da semeadura do milho primeira safra, e é uma ótima opção para anteceder o cultivo de grandes culturas como soja e feijão.
O cultivo da ervilhaca pode ser solteiro ou em consórcio com outras espécies como aveia, centeio e azevém.
A importância da consorciação está na decomposição mais lenta e na cobertura residual prolongada dessas gramíneas, ao passo que a ervilhaca contribui com o maior aporte de nitrogênio e rápida decomposição dos seus resíduos.
Também é interessante o consórcio da ervilhaca com plantas como o nabo forrageira, que atua na descompactação do solo e ciclagem de nutrientes.
Essa associação aumenta a proteção do solo, devido ao maior aporte de resíduos vegetais e à supressão de plantas daninhas.
Por que utilizar a ervilhaca para cobertura do solo?
Com a inserção da ervilhaca no sistema produtivo, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso.
Alguns benefícios do cultivo da ervilhaca são:
proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
minimiza os danos causados pelo uso intensivo do solo;
eleva as taxas de infiltração e retenção de água no solo;
adubação verde (leguminosa que fixa nitrogênio e incorpora ao solo);
Por ser uma leguminosa de inverno, ela mantém o solo coberto na entressafra, o protegendo de diversos problemas relacionados à erosão e lixiviação de nutrientes.
A ervilhaca, solteira ou em consórcio, produz volume considerável de resíduos vegetais para cobertura do solo.
Produção de massa seca da parte aérea de ervilhaca solteira e consorciada com aveia-preta ou nabo forrageiro (Fonte: Adaptado de Forte et al. 2018)
Essa cobertura proporciona melhorias nafertilidade do solo, além de auxiliar na supressão de plantas daninhas.
A importância da consorciação com essas espécies gramíneas está na baixa relação C/N da ervilhaca, com rápida decomposição dos seus resíduos vegetais, deixando o solo descoberto e sujeito a erosão.
Por outro lado, essa rápida decomposição dos resíduos vegetais é benéfica para as culturas sucessoras, devido à rápida liberação dos nutrientes no solo.
Como a ervilhaca impacta a produção de grãos em sucessão
Manter o solo coberto durante a entressafra é a melhor forma de garantir a produtividade da lavoura em sucessão.
A ervilhaca é uma excelente planta de cobertura do solo e beneficia as culturas em sucessão, já que reduz a utilização de adubos nitrogenados devido a sua capacidade de fixar nitrogênio da atmosfera e incorporá-lo ao solo.
A utilização dessa espécie como cobertura do solo produz em torno de 20 a 30 toneladas de massa verde por hectare e 4 a 6 toneladas de massa seca por hectare. Por isso, é uma alternativa rentável e sustentável para a sua propriedade.
Produção de massa verde e seca da parte aérea de ervilhaca (Fonte: Ademir Calegari, 2016)
Além disso, é uma ótima opção para o Sistema Plantio Direto e rotação de culturas, pois os nutrientes da planta permanecem na palhada e favorecem a fertilidade da cultura em sucessão.
Veja o aumento da produtividade de grãos de milho e feijão após o cultivo de ervilhaca.
A cobertura do solo com ervilhaca contribui consideravelmente no aumento da produtividade de grãos de milho e feijão em sucessão (Fonte: adaptado de Forte et al. 2018)
Essa é uma espécie de ampla versatilidade, podendo ser utilizada como cobertura do solo, adubação verde e como forragem para alimentação animal.
Aqui no blog da Aegro também já falamos sobre outras culturas que podem ser interessantes para cobertura de solo no inverno. Faça download gratuitamente clicando na imagem abaixo!
Conclusão
A ervilhaca para cobertura do solo é uma alternativa com inúmeras vantagens.
Ela pode ser utilizada na rotação e/ou sucessão de culturas como cobertura do solo e adubação verde, além de ser uma excelente forrageira para alimentação animal.
Ela aumenta o aporte de nitrogênio pela fixação biológica e reciclagem de nutrientes. Suas raízes profundas e ramificadas auxiliam na descompactação de solos adensados.
Além disso, é ótima na supressão de plantas daninhas por formar um “colchão” sobre o solo. A produtividade das culturas geralmente é mais elevada em sucessão à ervilhaca.
Agora que você tem essas informações, utilize a ervilhaca como cobertura do solo no outono-inverno em sua propriedade e garanta a produtividade da sua lavoura!
Geada no café: como ocorre, como identificar os tipos, como pode afetar suas plantas e quais as melhores medidas preventivas
O café é uma cultura importante no Brasil, o maior produtor e exportador do grão.
Vários dos estados destaques em grandes áreas cafeeiras são localizados em regiões propensas à geada.
E a ocorrência desse fenômeno climático pode provocar até 100% de perdas no cafezal.
Neste artigo, tire suas maiores dúvidas sobre a geada no café e entenda como proteger sua lavoura para evitar prejuízos. Confira!
Impactos da geada no café
A geada causa sérios prejuízos à agricultura por poder gerar morte da planta ou de parte dela (folhas, ramos e frutos).
Ela possui dois tipos: a branca e a negra, classificadas pelo aspecto visual.
A geada branca ocorre devido à baixa temperatura e alta umidade do ar. O vapor da água presente na atmosfera condensa e forma o orvalho. O orvalho (gotículas de água na superfície das folhas) congela e há formação de gelo.
A geada negra não forma cristais de gelo na superfície das folhas, pois as condições de ocorrência são de baixa temperatura e baixa umidade do ar. A água presente no interior das células congela, causando a morte da célula, do tecido vegetal e de toda a planta.
É o tipo mais severo.
Geada branca (A) e geada negra (B) em plantas de café (Fonte: CaféPoint e Londrinando)
As geadas podem ser classificadas como de canela ou de capote, de acordo com a parte da planta que afetam.
A geada de canela ocorre com temperaturas do ar abaixo de -2 °C. O ar frio desce para a superfície terrestre, para perto do tronco das plantas. Por isso, esse tipo de geada é presente em áreas de plantio em morros.
Essas condições na base das plantas, principalmente de cafezais de até 1,5 anos, causam o congelamento da seiva nos vasos condutores. Assim, não há fornecimento de nutrientes para a parte aérea da planta, ocasionando sua morte.
Na geada de capote, somente a parte externa das plantas é atingida, queimando as folhas e os ramos superiores.
Rebrota da planta atingida pela geada de canela (A) e capote (B) em plantas de café (Fonte: Unesp e Jornal Dia de Campo)
Riscos nos cafezais do Brasil
A geada é um fenômeno atmosférico natural que ocorre devido à queda da temperatura do ar. Existem plantas mais suscetíveis a ela, como o café.
Atualmente, alguns dos principais estados produtores de café ainda sofrem com as geadas, como Minas Gerais (principalmente o Sul de Minas), São Paulo e Paraná.
Veja as principais regiões brasileiras afetadas:
Frequência das geadas nas regiões do Brasil (Fonte: Esalq)
Temperaturas abaixo de 18 °C prejudicam a floração por causa da prolongação da fase vegetativa, o que reduz a produção.
Além disso, as geadas causam amarelecimento das folhas, e dependendo da intensidade, pode ocasionar a morte, assim como dos galhos. Se a geada for leve, somente as folhas e ramos secundários são afetados.
Se for intensa, pode causar queda da parte aérea da planta (folhas e ramos secundários), rebrota (como no caso da geada de canela) ou morte de toda a planta, como na ocorrência de geada negra.
Desse modo, se você não realizar medidas para evitar ou prevenir a ocorrência nos seus cafezais, certamente perderá produtividade.
Onde há maior e menor ocorrência de geadas?
A geada no café ocorre com maior frequência em algumas regiões e em determinadas épocas do ano. Para evitar que elas afetem sua lavoura, é necessário realizar o planejamento antes mesmo do plantio das mudas.
Áreas de baixadas e espigões muito planos e extensos devem ser evitados, porque o frio fica estagnado nesses locais e propicia a ocorrência das geadas.
Locais com acúmulo de ar frio com alta probabilidade da ocorrência de geada (Fonte: Unesp)
Em regiões de morros, se houver vegetação alta e densa abaixo da lavoura de café, você deve fazer corredores nessas vegetações para que o frio não seja mantido.
Por outro lado, se a vegetação for alta e densa acima da lavoura, você deve mantê-las para que o frio não desça para as plantas.
Disposição correta da lavoura de café, com vegetação densa acima e vegetação rala abaixo das plantas (Fonte: Esalq)
Locais em que a face do terreno está voltada para sul ou sudeste, no inverno, ficam menos expostos à radiação solar. Dê preferência a terrenos voltados para norte ou nordeste.
Recomendação da área com face do terreno voltada para norte ou nordeste (Fonte: Gonçalves)
Como evitar os riscos da geada na lavoura de café
Em áreas onde a lavoura está com plantas de até 6 meses, em caso de alerta de geada, você deve fazer o enterro das mudas em campo.
Veja como fazer o procedimento:
Enterro de mudas de café na véspera da geada e desenterro no dia posterior (Fonte: adaptado de Fundação Procafé)
Quando as plantas já estão maiores, para evitar a ocorrência de geada de canela, você deve colocar terra na base do caule do café. Essa prática é conhecida como chegamento de terra.
Em áreas de cafezal já formado, mantenha as entrelinhas limpas, sem palhada e plantas daninhas, deixando o solo exposto para retenção de calor do sol. Essas práticas reduzem seus efeitos.
Faça adubação foliar com potássio antes da ocorrência de geada, porque este nutriente aumenta o ponto de congelamento da seiva. Assim, a planta fica mais tolerante à massa de ar frio.
Se houver sistema de irrigação em sua área, o funcionamento em noite de geada é uma prática que evita e reduz seus efeitos, pois a água da irrigação umidifica o ar e eleva o ponto de congelamento da seiva.
Outro aspecto importante são os ventos que carregam as massas de ar frio. Utilizar barreiras de vento, como árvores, pode ser viável.
Em áreas de maior acúmulo de frio, a utilização de árvores ou plantas de porte alto como o guandu, quando o café ainda é pequeno, também é uma alternativa.
Caso a geada tenha afetado sua lavoura de modo leve, realizar desbrotas pode ser o suficiente.
Se ocorreu uma geada severa e grande parte da planta foi comprometida, talvez seja necessária a recepa.
Mas antes de tomar qualquer decisão, veja o nível de dano causado na sua lavoura.
Conclusão
A geada no café pode causar sérios prejuízos nas lavouras, porque gera perda ou redução drástica de produtividade.
É importante que você saiba quais são os diferentes tipos de geada e as áreas de maior probabilidade de ocorrência, para poder evitar seus efeitos na planta.
Além disso, lembre-se das medidas necessárias para prevenir os danos e o que fazer caso as plantas já tenham sido afetadas.
Ficar por dentro das previsões climáticas da sua região também te ajuda a estar preparado(a) para tomar as medidas preventivas!
Glicina betaína na agricultura: sua importância em resposta a estresses em plantas, sua formação e o potencial uso na lavoura
A produtividade agrícola depende de diversos fatores importantes, como os estresses abióticos. Esses estresses são grandes causadores da diminuição da produtividade.
Existem duas maneiras de lidar com essa situação: prevenindo que aconteça e amenizando seus efeitos nas plantas.
Prevenir estresses não é uma prática agrícola simples, apesar de você poder usar técnicas como a irrigação em casos de seca ou altas temperaturas.
Neste sentido, a glicina betaína pode ajudar muito!
Quer entender melhor como ela age nos cultivos agrícolas e como você pode fazer o máximo aproveitamento em sua lavoura? Confira a seguir!
O que é a glicina betaína?
A glicina betaína é uma molécula classificada como uma amina quaternária. Ela contém em sua fórmula elementos químicos como oxigênio, hidrogênio, carbono e nitrogênio.
Fórmula química de uma glicina betaína (Fonte: FCiências)
A glicina betaína é sintetizada nos cloroplastos das plantas a partir da colina, um nutriente com metabolismo similar ao de aminoácidos.
Ela é uma molécula presente inicialmente em folhas, mas que pode ser transportada pela planta.
Ela não é o final da cadeia de reações e pode ser precursora de outras moléculas como o piruvato, o hormônio etileno e o aminoácido metionina, através de outras vias metabólicas.
Qual a função da glicina betaína?
A glicina betaína, como molécula isolada, tem função de osmoproteção nas células vegetais.
Osmoprotetores são moléculas capazes de se acumular em células, evitando a perda excessiva de água para as células vizinhas, atuando no ajuste osmótico.
O princípio de ação dos osmoprotetores é aumentar a quantidade de solutos dentro de uma célula para evitar que a água saia dessa célula para outra, por meio da osmose.
Existem alguns tipos de moléculas com função de osmoproteção, como: as betaínas (de onde deriva a glicina betaína), os aminoácidos (como a prolina) e açúcares (como a trealose).
Quando a osmoproteção é necessária em plantas?
A osmoproteção é normalmente necessária em plantas quando, por algum motivo, o teor de água nas células vegetais vivas começa a diminuir.
Esse processo evita a perda excessiva de água e a dessecação da célula vegetal.
Os estresses abióticos, como seca, temperatura alta e salinidade causam diversas reações nas plantas, desde processos bioquímicos, fisiológicos ou físicos, alterando seu metabolismo e diminuindo sua eficiência.
Esses estresses acabam sendo indutores dessas alterações, como:
seca: a diminuição da água no solo pode acontecer por um balanço negativo entre evapotranspiração do sistema solo-planta e a pluviosidade. Isso diminui o potencial hídrico do solo e gera diminuição da entrada de água nas células das raízes;
alta temperatura do ar: aumento da temperatura do ar causa maior pressão para a transpiração pelos estômatos para diminuir a temperatura foliar, além de aumentar também a evaporação de água do solo. Isso agrava ainda mais os efeitos da seca;
salinidade: solos com elevados níveis de sal tem um potencial hídrico reduzido, causando maior retenção de água em suas partículas e aumentando a dificuldade das raízes em retirar água do solo, causando um efeito similar ao da seca.
A combinação dos três fatores normalmente causa um estresse de maior impacto, elevando os riscos de desidratação das células das plantas e aumentando a necessidade de mecanismos de osmoproteção.
Como a água é transportada nas plantas?
O fluxo de água pela planta se dá pela diferença de potencial hídrico na trajetória solo-planta-atmosfera. Os valores, normalmente, são muito maiores no solo, depois na planta são muito menores no ar atmosférico.
O potencial hídrico é sempre um valor negativo. Abaixo você verá valores comuns para o potencial no solo, no interior da planta e na atmosfera.
Perceba que os valores são muito maiores (próximos a zero) no solo e muito mais negativos no ar, definindo o fluxo de água.
Esquema do potencial hídrico no sistema solo-planta-atmosfera (Fonte: USP)
Qualquer diminuição no teor de água no solo poderá causar uma diminuição no conteúdo de água interno da planta.
A diminuição nos teores internos de água inicia um processo de sinalização ao longo da planta, desencadeando a síntese de diversas moléculas e a alteração de vários processos, bioquímicos, fisiológicos e físicos.
Qual o modo de ação da glicina betaína?
A busca por soluções para uma resposta mais eficiente de plantas a estresses abióticos tem passado pelo uso de substâncias com efeito protetor aos danos causados nos processos bioquímicos, fisiológicos e físicos do metabolismo vegetal.
A síntese de glicina betaína é aumentada após a sinalização de diminuição do teor de água na planta. O aumento desses compostos causam uma série de efeitos na planta em diversos níveis e locais.
Inicialmente, esses efeitos são relacionados à manutenção da turgescência, ou seja, evitando a murcha celular, mas também apresentam funções específicas.
Veja quais são as mais importantes:
diminuição de radicais livres sintetizados em resposta ao estresse;
proteção dos sistemas de recepção de luz das plantas;
manutenção da fotossíntese e da atividade de enzimas relacionadas a ela;
manutenção da integridade de membranas;
homeostase iônica;
proteção de órgãos de reprodução;
osmorregulação e osmoproteção;
acúmulo de outras moléculas de resposta a estresses, como a prolina.
Qual é a utilidade da glicina betaína na agricultura?
A síntese de glicina betaína é inerente às plantas em condições de estresses abióticos, mas sua aplicação no sistema pode trazer benefícios.
Ela pode ser utilizada como um bioestimulador, causando um efeito inicial na planta.
Ao se aplicar a molécula de maneira externa, é causada uma indução de estado de alerta da planta, prévio ao evento de estresse.
Isso pode gerar uma resposta mais rápida e eficiente dos mecanismos de proteção à diminuição do teor de água nas células, seja qual for o estresse responsável por isso.
Já foram reportados efeitos positivos da aplicação de glicina betaína na agricultura, via solo, foliar ou por fertirrigação.
Dentre elas há grãos, hortaliças, oleaginosas e forrageiras, como arroz, feijão, soja, cevada, trigo, milho, aveia e azevém.
Além disso, existem produtos registrados para aplicação de glicina betaína, como Vegetal B60, Amino Proline, e outros com presença de precursores da molécula, como o Biopower Gold.
Recomendações de uso da glicina betaína
Aqui apresentamos a recomendação de uso dos produtos Amino Proline e Bipower Gold para algumas culturas agrícolas de interesse:
Recomendações de uso de produtos (Fontes: Bulas de Amino Proline e Biopower Gold)
Conclusão
O uso de bioestimulantes é uma opção viável para diminuir os impactos causados por fatores não-ideais.
A previsão futura é de que a atividade agrícola estará cada vez mais à mercê de eventos climáticos pouco previsíveis e que podem causar severas perdas à agricultura mundial.
O uso da glicina betaína na agricultura tem sido visto como uma opção viável para reduzir os impactos da diminuição do teor de água em células vegetais.
Sua ação pode manter o potencial produtivo de culturas agrícolas, mesmo em condições não-ideais de cultivo.
Encarquilhamento da soja: o que é, como identificar e quais as possíveis causas já estudadas para a ocorrência do problema.
O encarquilhamento é um problema observado há alguns anos nas plantações de soja, principalmente da região Sul. Ele tem causado preocupação entre os sojicultores em função de sua constante ocorrência.
Os sintomas são mais frequentes no período de pré-florescimento. Ao longo do desenvolvimento da cultura da soja, os sintomas podem desaparecer e as plantas afetadas podem se recuperar.
Informações acerca do potencial de interferência no desenvolvimento da cultura e dos prejuízos causados pelo encarquilhamento ainda são raras.
Neste artigo, você lerá sobre as principais características desta deformação foliar, suas possíveis causas e medidas de manejo que podem ser adotadas. Confira!
O que é o encarquilhamento da soja?
O encarquilhamento, também conhecido por encrespamento, é um distúrbio fisiológico que consiste no enrugamento foliar.
Essa alteração na estrutura das folhas é resultado do crescimento exagerado das células (hiperplasia).
Plantas de soja com sintomas de encarquilhamento: folhas rugosas e retorcidas (Fonte: Pest & Crop Newsletter – Purdue University)
Nesse caso, as plantas afetadas exibem folhas com aspecto bolhoso e ondulado. Somado a isso, há a redução do crescimento vegetativo. As plantas sintomáticas apresentam porte menor quando comparadas às plantas sadias.
Geralmente, esse fenômeno aparece em reboleiras. Isso significa que o encarquilhamento não é distribuído de forma uniforme na área, mas sim em pontos específicos da lavoura.
Além disso, o encarquilhamento tem a característica de se manifestar sempre nas mesmas áreas. No entanto, a severidade dos sintomas pode variar de uma safra para outra e, também, em função da cultivar de soja plantada.
Algumas cultivares são mais suscetíveis que outras.
Reboleira de soja com sintomas de encarquilhamento (Fonte: Fundação MS, Foto: José Fernando Jurca Grigolli)
7 possíveis causas do encarquilhamento já pesquisadas
São vários os fatores que podem causar o encarquilhamento da soja. Doenças viróticas e a fitotoxidez por herbicidas são alguns exemplos.
No entanto, o encarquilhamento foi detectado mesmo em lavouras que não apresentavam problemas como os citados acima.
Você verá agora as possíveis causas já pesquisadas na tentativa de justificar essa deformação foliar.
1. Doenças viróticas
A princípio, acreditava-se que esse enrugamento foliar estivesse relacionado às doenças causadas por vírus, uma vez que os sintomas são parecidos. Porém, essa teoria foi descartada.
Alguns pesquisadores, inclusive, se referem ao encarquilhamento da soja como “falsa virose”, pela semelhança com os sintomas de doenças viróticas.
Encarquilhamento causado pelo vírus do mosaico da soja (Fonte: Craig Grau, Bugwood.org)
2. Toxidez
Mais uma possível causa já atribuída a esse fenômeno foi a toxidez pela adubação.
O desequilíbrio nutricional, seja pelo excesso ou pela carência de determinados elementos, pode retardar o desenvolvimento das plantas e também causar deformações foliares, como o encarquilhamento.
Nesse caso, estudos realizados em plantas sintomáticas não conseguiram encontrar relação entre desordem nutricional e o encarquilhamento das folhas da soja.
Encarquilhamento da soja devido à deficiência de boro (Fonte: Laborsolo Academy)
3. Deriva
Outro aspecto importante também já considerado foi a possibilidade de deriva.
Melhor dizendo, a aplicação de produtos fitossanitários, quando não realizada em condições ideais, pode provocar a deriva das gotas de pulverização para áreas próximas que não são alvo.
A deriva de herbicidas, por exemplo, pode ocasionar danos diversos nas plantas. Dentre eles podemos citar o enrugamento foliar, que pode ser confundido com esse distúrbio fisiológico.
Nesse caso, a avaliação da distribuição das reboleiras com sintomas na lavoura e o histórico dos defensivos utilizados nas áreas vizinhas são fundamentais para averiguar essa teoria.
Encarquilhamento da soja causado pela deriva do herbicida Dicamba (Fonte: AgFax; Foto: Ohio State University)
4. Soja Louca 2
Essa deformação foliar também já esteve associada à Soja Louca 2, uma doença que até 2015 tinha causas desconhecidas. No entanto, o nematoide da haste verde da soja (Aphelenchoides besseyi) foi identificado como o causador da enfermidade.
5. Pragas
Do mesmo modo, já foi descartada a ideia de que o encarquilhamento da soja estivesse relacionado à presença de ácaros, tripes e nematoides. Não foi detectada a presença dessas pragas nas lavouras com sintomas.
6. Baixas temperaturas
Outra tese sugerida foi a de que baixas temperaturas seriam a causa da deformação das folhas, porém, até o momento, não há um consenso quanto a isso.
É bom ressaltar que essa alternativa não foi totalmente descartada, uma vez que o frio combinado a outros fatores ambientais podem levar ao encarquilhamento das folhas.
7. Tipo de solo
Até o momento, tem sido observada maior incidência dessa anomalia em lavouras estabelecidas em solos basálticos. No entanto, são necessários maiores estudos que confirmem a relação entre a deformação das folhas com a natureza geológica do solo.
Existem medidas de controle para o encarquilhamento da soja?
Em resumo, várias hipóteses já foram levantadas e muitas pesquisas têm sido realizadas. No entanto, a causa dessa anomalia ainda não foi esclarecida. Acredita-se que mais de um fator contribua para o desenvolvimento do encarquilhamento nos plantios de soja.
Sendo assim, a ausência de informações científicas sobre o que causa o encarquilhamento impede que um plano de manejo seja definido. Dessa forma, ainda não há recomendações técnicas quanto à prevenção e o controle do problema em questão.
Medidas de manejo
Como não há medidas de prevenção e controle, é importante que você adote práticas de manejo de modo a fornecer condições ótimas para o crescimento e desenvolvimento da lavoura.
A adoção de boas práticas contribui para que a cultivar expresse todo o seu potencial produtivo, além de aumentar a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças da soja.
É importante fornecer condições para que as plantas tenham boa resposta de defesaem caso de adversidades.
O que você pode fazer diante desse cenário é registrar informações como:
época de surgimento dos sintomas;
tamanho da área afetada;
tipo de solo;
data de semeadura;
condições climáticas;
adubação; e
defensivos agrícolas aplicados.
Isso permite que você acompanhe a dinâmica do encarquilhamento na área.
É interessante ainda que você registre em fotos os sintomas das plantas e a área da lavoura afetada, para efeito de comparação com safras futuras.
Conclusão
O encarquilhamento da soja se dá pelo enrugamento das folhas e pela redução no crescimento das plantas.
Até o momento, não existem recomendações técnicas para o manejo do encarquilhamento da soja, em decorrência de ainda não ter sido esclarecida a causa desse distúrbio fisiológico.
Diante das poucas informações, caso você detecte o encarquilhamento da lavoura, procure monitorar a área afetada.