Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós-graduada em Biotecnologia e Bioprocessos pelas Universidade Estadual de Maringá (UEM) e apaixonada pelos desafios de uma agricultura sustentável.
Defensivos biológicos: Quando usá-los e o que fazer para adaptar à realidade da sua lavoura.
Os defensivos biológicos vêm ganhando mais espaço na agricultura brasileira. Prova disso é o crescimento do mercado, que avançou mais de 70% em 2018, segundo dados da Abcbio.
Mas sua utilização ainda é pequena: alcança apenas 5% da produção em algumas regiões do país, de acordo com a associação.
Neste artigo, vou te mostrar por que e quando usar os defensivos biológicos e as alternativas para adaptá-los à sua realidade. Confira a seguir!
O que são defensivos biológicos?
Os defensivos biológicos são aqueles que têm como base produtos naturais utilizados no controle de insetos e doençasagrícolas.
Sua classificação pode se dar de acordo o princípio ativo utilizado:
Produtos de controle biológico – têm como princípio ativo os microbiológicos (como bactérias, fungos e vírus) e macrobiológicos (como parasitoides e predadores).
Produtos de substâncias sintetizadas em organismos – têm como princípio ativo os bioquímicos e semioquímicos.
Para controle de insetos, a entomologia foca na utilização de insetos predadores vivos, nematoides entomopatogênicos ou patógenos microbianos para suprimir populações de diferentes insetos-praga.
No controle de doenças, a função fica com os antagonistas microbianos para suprimir doenças, bem como o uso de patógenos específicos do hospedeiro para controlar populações de ervas daninhas.
O que é o controle biológico e Manejo Integrado de Pragas?
A premissa do controle biológico é o uso de inimigos naturais, no qual pragas e doenças podem ser suprimidas pelas atividades de um ou mais micróbios associados às plantas ou outros insetos. O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é o método racional e preventivo para a sua lavoura. Você se baseia na identificação correta das espécies, monitoramento constante e avaliação dos níveis de necessidade de controle e condições ambientais.
Mercado de defensivos biológicos
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é responsável por 1/5 do consumo mundial dos produtos químicos para a agricultura. Utilizamos 19% da quantidade produzida no mundo.
E a questão mais alarmante é que cerca de 30% dos agroquímicos foram classificados como muito perigosos.
Mas o que mais tem impactado e sido sentido no campo é o desenvolvimento de resistência das pragas, doenças e plantas daninhas. Essa resistência se deve ao uso contínuo e não racional dos agroquímicos.
Neste sentido, os defensivos biológicos têm tido maior desenvolvimento, de forma recente, como estratégia de insumo para a produção em escala.
Em 2012, através do Ministério da Agricultura, foi lançada a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que apoia os pesticidas naturais.
Isso impulsionou empresas do setor vinculadas à Associação Brasileiras das Empresas do Controle Biológico (ABCBio). Além disso, empresas tradicionais do ramo dos defensivos químicos também vêm incluindo produtos biológicos no portfólio.
Os dados são muito positivos. Só em 2018, com novos registros de defensivos biológicos, o crescimento do mercado foi de 77% – o que representa em torno de R$ 464,5 milhões.
(Fonte: SBA)
É uma tecnologia que dá resultado. E, com as empresas mais estruturadas e os resultados de protocolos agronômicos mais acertados, o desafio é levar informação para mais produtores, segundo Arnelo Nedel, presidente da ABCBio.
A fatia do bolo do mercado de defensivos agrícolas que são comercializados em nosso país ainda é pequena.
Porém, os movimentos de produção de microrganismos On farm tem crescido em muito e não são contabilizados.
E essa tem sido a realidade para pequenos produtores com produção de biofertilizantes até mesmo para grande grupos como o Amaggi.
Biofábrica on farm em fazenda de Goiás
Produção de biofertilizante em agricultura orgânica no RS (Fotos: Arquivo pessoal da autora)
Exemplos de defensivos biológicos
Antes de citar uma lista de produtos que você pode usar em sua lavoura para controlar pragas e doenças, acho importante falar da base de conhecimento que leva o controle biológico e os biodefensivos.
Os micro e macro organismos usados no controle biológico têm como base as relações de antagonismos interespécies:
Antagonismo de caminho misto: mecanismo de produção de antibióticos, enzimas líticas, resíduos não regulamentados e interferências física e química. Exemplo: Pseudomonas spp.na produção de antibióticos.
Antagonismo indireto: mecanismos como concorrência e a partir de exsudação, consumo de lixiviados, sideróforos e indução de resistência das plantas.
E outro termo que é mais amplo é o estabelecimento de uma boa microbiota nos solos. Isso promove a chamada supressividade dos solos, nos quais temos, como resultados:
Patógeno não se estabelece;
Patógeno se estabelece, mas falha ao causar a doença; ou
Patógeno se estabelece, mas a severidade é reduzida.
Vespa da espécie Trichogramma galloi parasita ovos da broca-da-cana (Fonte: Terra)
Empresas de produtos biológicos para agricultura
Agora, deixo uma lista de empresas que produzem algum tipo de defensivo natural, seja controlador biológico, produto bioquímico ou semioquímico:
Simbiose;
Promip;
Koppert;
Laboratório Farroupilha;
Gênica;
BioControle;
STK Bio Ag Technologies;
RSA Biotecnologia Agrícola;
Ballagro;
FMC – Nemix;
Korin – Embiotic;
Bayer – Sonata.
E também empresas que promovem soluções On Farm (serviços envolvendo defensivos naturais):
Defensivos agrícolas x defensivos biológicos
Solubio;
Agrobiológica – Soluções Naturais.
Não é uma disputa: é uma forma um pouco diferente de controlar pragas e doenças nas lavouras.
Os desafios da agricultura atual são muitos:
Doenças iatrogênicas;
Desequilíbrio biológico, com alterações no ciclo de nutrientes e matéria orgânica;
Eliminação de organismos benéficos;
Resistência desenvolvida por pragas e doenças aos produtos químicos convencionais;
Falta de desenvolvimento de novas moléculas química.
E o MIP é parte fundamental nessa mudança. Além de que, a pesquisa tem possibilitado caracterizar estruturas e funções de agentes de biocontrole, patógenos e plantas hospedeiras nos níveis molecular, celular, orgânico e ecológico.
Conclusão
Vimos que o desenvolvimento do setor de defensivos biológicos é cada vez maior. E a perspectiva é de melhora significativa também nos protocolos de aplicação de campo e qualidade de produtos empregados.
Isso se deve principalmente aos avanços em tecnologias computacionais, biologia molecular básica, química analítica e estatística.
A expansão dos defensivos biológicos é motivada pelo foco em uma agricultura mais sustentável do ponto de vista econômico e do meio ambiente.
E isso repercute em melhoria na qualidade de vida do produtor rural e também do produto que você entrega.
Os defensivos convencionais são agentes de processos químicos ou sintéticos. Já os defensivos naturais são agentes de processos biológicos.
E, nesse sentido, os produtos biológicos têm recebido maior atenção, com experimentos em grandes culturas complementando a eficiência dos produtos químicos.
O diferencial dosdefensivos biológicos é a segurança para o aplicador e a eficiência do controle dos alvos. Isso porque, em geral, são seguidas corretamente as recomendações dos fabricantes. Eles ainda possuem um nível residual que se mantém no sistema e é muito positivo para o equilíbrio biológico.
Embora o uso de agroquímicos seja indispensável para atender às crescentes demandas de
alimentos, existem oportunidades em diversas outras culturas, sempre como um componente do MIP.
O Manejo Integrado de Pragasfaz toda a diferença em qualquer sistema produtivo e um defensivo natural se encaixa – e é mais eficiente – quando está neste contexto.
Mas 43% dos produtores brasileiros ainda não têm conhecimento sobre os defensivos biológicos, segundo a Abcbio.
É uma quantidade bem significativa que desconhece outras opções de controle disponíveis, não é mesmo?
Classificação toxicológicas dos defensivos agrícolas
A classificação toxicológica é umas das formas de mensurar o impacto dos defensivos agrícolas no ambiente.
Ela é feita a partir de resultados de estudos toxicológicos agudos, realizados com a formulação pretendida, tanto no ingrediente ativo como componentes.
Atualmente, a Anvisa padronizoua classificação com respectivos nomes das categorias e cores nas faixas do rótulo dos produtos em quatro classes:
Classe I, produto extremamente tóxico, faixa vermelha
Classe II, produto altamente tóxico, faixa amarela
Classe III, produto moderadamente tóxico, faixa azul
Classe IV, produto pouco tóxico, faixa verde
Classe toxicológica e suas respectivas cores de faixa
(Fonte: Anvisa)
E uma das grandes diferenças entre defensivos químicos e os biológicos é a classificação. Os biológicos são faixa verde, indicando que são pouco tóxicos em geral.
Agrotóxicos naturais pesquisados pela Embrapa
A Embrapa é protagonista em volume de pesquisas e resultados na área de controle biológico.
Uma prioridade da instituição é agilizar a transferência dos conhecimentos e tecnologias gerados nesta área para o setor produtivo. Isso permite ampliar a utilização de agentes de controle biológico, colaborando para a redução do uso de agrotóxicos sintéticos.
Além disso, pesquisas de microrganismos endofíticos também são um caso antigo. A Embrapa foi protagonista na descoberta do Azospirillum spp.
Lembrando que o Brasil é líder no uso de bactérias fixadoras de nitrogênio. Tal condição representa uma economia de US$ 13 milhões que seriam gastos em fertilizantes químicos.
Outros estudos são com os bioherbicidas e com rizobactérias como Burkholderia pyrrocinia e Pseudomonas fluorescens.
Agrotóxicos naturais para citros
O Brasil é responsável por cerca de 85 % da produção mundial de citros. E, até mesmo por isso, vemos investimentos para o manejo da cultura, inclusive em termos de agrotóxicos naturais.
Um dos principais problemas dos pomares, a larva minadora, pode ser combatida com a vespa Ageniaspis citricola.
Os pulgões e vaquinhas também são grandes problemas da cultura, sendo que o controle é efetivo com o uso de parasitóides (como Aphidius sp) ou com óleo de Nim e caldo de fumo.
Pesquisas também apontam o uso de Metarhizium anisopliae no controle de Ceratitis capitata, até mesmo em associação muito positiva com defensivos naturais como o nim. Você pode ver sobre o estudo aqui.
Agrotóxicos naturais para soja e milho
Segundo a Anvisa, existem 2.053 defensivos registrados para o controle de problemas fitossanitários em soja. Há ainda 155 defensivos biológicos, classificados como pouco tóxicos.
O clássico baculovírus tem sua eficiência comprovada a campo e novas opções no mercado.
O Trichogramma pretiosum também tem sua eficiência comprovada, parasitando ovos de diversas mariposas.
E outros estudos têm avançado em avaliar a aplicação dos mesmos em conjunto com a aplicação de herbicidas no controle de Spodoptera frugiperda, o que facilita a sua utilização. Veja aqui sobre o estudo.
Apresentação Curso do Controle Biológico Embrapa Clima Temperado
(Fonte: Promip)
Uso e perspectivas dos agrotóxicos naturais
Atualmente, os agrotóxicos naturais cobrem apenas 2% dos fitossanitários usados
globalmente. No entanto, sua taxa de crescimento mostra uma tendência crescente nas duas últimas décadas.
No Brasil, o mercado dos agrotóxicos naturais ainda é de 1% dos defensivos agrícolas. E a perspectiva de crescimento aumentou em torno de 20% ao ano a partir da safra de 2012/2013, quando houve introdução de Helicoverpa armigera. Em 2014, houve a detecção de populações de Spodoptera frugiperda resistentes a toxinas de Bacillus thuringiensis em cultivos transgênicos.
Nessa tendência mundial, não estamos ficando para trás. O foco tem sido em pesquisa e inovação na melhoria de formulações de biopesticidas bacterianos, virais e fúngicos.
Há ainda tecnologias eficientes de aplicação, como os drones, que já falamos algumas vezes aqui no blog, e que estão potencializando muito a eficiência do uso de parasitoides a campo.
Entre produtos com princípio ativos como feromônios, agentes macrobiológicos (parasitas, parasitoides e predadores) e agentes microbiológicos (bactérias, fungos e vírus), já existem 128 produtos registrados.
A produção global de biopesticidas ou agrotóxicos naturais foi estimada em mais de 3 mil toneladas por ano, o que está aumentando rapidamente. Globalmente, o uso desses produtos está aumentando 10% a cada ano.
O aumento da demanda de produtos agrícolas livres de resíduos, o cultivo de alimentos orgânicos e o registro mais fácil em relação aos agrotóxicos convencionais são alguns dos impulsionadores desse mercado.
A ciência dos agrotóxicos naturais ainda é considerada nova e está apenas evoluindo. É necessária uma pesquisa aprofundada em muitas áreas, especialmente na produção, formulação, entrega e comercialização dos produtos.
Conclusão
Os agrotóxicos naturais vêm despertando interesse por suas vantagens associadas à segurança ambiental, especificidade para o alvo, eficácia, biodegradabilidade e adequação no Manejo Integrado de Pragas.
Neste artigo, falamos sobre as principais diferenças entre os agrotóxicos naturais e convencionais. Também mostramos os biopesticidas mais recomendados para culturas como citros, soja e milho.
Você viu ainda os defensivos naturais utilizados para controle de pragas como as lagartas.
Embora a aplicação potencial de biopesticidas em segurança ambiental seja bem conhecida, a procura tem aumentado com a crescente demanda por alimentos orgânicos.
Novos caminhos são possíveis para desenvolvermos uma agricultura mais precisa e sustentável do ponto de vista do meio ambiente e também dos negócios.
Crotalária: conheça os diferentes tipos, melhores épocas de plantio, tudo sobre seu manejo, benefícios, e mais!
A crotalária é uma leguminosa que pode reduzir até 80% dosnematoides da lavoura. Ela também é muito utilizada em adubação verde, e apresenta vários benefícios para a lavoura.
Muitos produtores já têm aderido à planta, e conhecer todos os detalhes é essencial para você decidir se ela é válida no seu campo.
Nesse artigo, você verá tudo sobre essa leguminosa, desde os manejos recomendados até os benefícios que ela proporciona. Acompanhe a leitura!
O que é e para que serve a crotalária?
A crotalária é uma leguminosa da família Fabaceae que possui diversas espécies. Muito usada para adubação verde, ela tem rápido crescimento e sistema radicular pivotante. Isso significa que sua raíz penetra verticalmente o solo, favorecendo a absorção de nutrientes.
A crotalária controla nematoides de solo, e também é excelente na fixação biológica de nitrogênio. A consequência disso é você precisar usar menos adubos nitrogenados na cultura. Seu ciclo dura de 170 a 180 dias.
Essa leguminosa é uma espécie de clima tropical, e tem baixa resistência ao frio. Porém, resiste bem à seca e a altas temperaturas. Ela produz compostos tóxicos que impedem a movimentação dos nematoides na lavoura.
Quando plantar crotalária?
O plantio da crotalária ocorre entre os meses de outubro e novembro, durante a primavera. Para a crotalária spectabilis, porém, a época de plantio é diferente: caso opte por essa espécie, plante entre outubro e março.
Você pode fazer a lanço ou em linhas, e preparar o solo como se fosse cultivar cana-de-açúcar. O comportamento dessas espécies é parecido. Além disso, o cultivo pode ser solteiro ou em consórcio com gramíneas forrageiras.
Espaçamento e profundidade
O espaçamento ideal para a crotalária é entre 25 cm a 50 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 2 cm a 3 cm.
É extremamente importante distribuir entre 25 e 30 sementes por metro linear. Além disso, lembre-se de não irrigar em excesso, porque a cultura se adapta bem a solos arenosos e mais secos.
Controle de doenças
As principais doenças que ocorrem na crotalária são a antracnose, murcha vascular, podridão da haste e oídio.
Essas doenças podem comprometer muito o desenvolvimento da cultura. O mais recomendado para reduzir as doenças é o controle químico, sobretudo com fungicidas.
É importante ressaltar que cada uma dessas doenças é causada por um fungo diferente. Escolha o fungicida com base na doença presente na sua cultura para garantir um controle efetivo.
Controle de pragas
A lagarta-das-crotalárias (Utetheisa ornatrix) é a principal praga que ataca essa leguminosa. Ela costuma ser presente principalmente na fase de inflorescência e nas vagens da planta.
Se você pretende utilizar as sementes da crotalária, faça uso de inseticidas com ação de contato. Os fisiológicos também funcionam nesses casos.
Ela pode reduzir a área foliar e prejudicar a produção de sementes. Para o controle dessa praga, o manejo mais adequado é o uso de inseticidas a partir do momento em que você notar a presença na cultura.
Quais são os tipos de crotalária
Existem três tipos principais de crotalárias: Spectabilis, Juncea e ochroleuca . Veja como inseri-las no seu sistema de lavoura.
Crotalaria spectabilis
As sementes do tipo spectabilis contêm quantidades abundantes de proteínas. As principais são peroxidases, proteases cisteínicas e inibidores de proteases cisteínicas.
Essas substâncias são significativas na redução de populações de nematoide das lesões (P. brachyurus). Pesquisas comprovaram seu potencial no controle do nematoide de cistos.
Essa espécie tem algumas especificidades:
época de plantio vai de outubro a novembro em grande parte do Brasil;
para a semeadura a lanço, são recomendáveis cerca de 15 kg/ha;
fixação biológica de nitrogênio entre 100 kg/ha e 150 kg/ha.
Crotalaria juncea
A crotalária juncea é uma espécie de clima tropical. Essa é a espécie que mais produz biomassa. Ela também tem contribuições para o sistema de produção, melhorando a matéria orgânica e a microbiota do solo.
Essa espécie ficou bem famosa pelo combate à dengue. Ela atrai libélulas que são predadoras do mosquito transmissor da doença.
As especificidades dessa espécie são:
época de plantio ideal de setembro a março em grande parte do Brasil.
para semeadura a lanço, são recomendados cerca de 30 kg/ha.
a floração plena dessa espécie ocorre entre 107 e 157 dias;
a altura da planta pode passar de 2 metros;
suas raízes têm grande comprimento (cerca de 50 cm);
a espécie faz fixação biológica de nitrogênio entre 300 kg/ha e 450 kg/ha.
Crotalaria juncea: plantio da crotalária é feito entre setembro e março na maior parte do país
Esta é considerada a leguminosa mais eficiente na redução da população de nematoides. Além disso, o sistema radicular dessa espécie é agressivo. Isso melhora muito a qualidade física do solo.
As especificidades mais importantes dessa espécie são:
época de plantio ideal de setembro a dezembro em grande parte do Brasil.
para semeadura a lanço, são recomendados 8kg/ha.
a fixação biológica de nitrogênio varia de 200 kg/ha a 300 kg/ha.
Quais os benefícios da crotalária?
A crotalária pode ser uma ótima opção para a lavoura, promovendo a adubação verde, o controle de nematoides e a recuperação do solo. A leguminosa também é forte aliada no controle de plantas daninhas.
Como a crotalária controla nematoides
As crotalárias não são apenas uma hospedeira pobre ou não hospedeira de muitos nematoides parasitas de plantas. Elas têm a capacidade de produzir compostos alelopáticos (tóxicos) que impedem, por exemplo, a movimentação dos nematoides.
Elas atuam como plantas armadilhas, fazendo com que os nematoides não consigam completar seu ciclo até a vida adulta.
O ideal é entrar na entressafracom a cultura. Somente a sua palhada, em um sistema de plantio direto, já possui contribuição enorme no controle de nematoides do solo.
Uma pesquisa realizada pela Unesp mostrou a possibilidade de fazer consórcio entre milho safra e safrinhacom Crotalaria spectabilis. Houveram bons resultados de produtividade do milho e acúmulo de palhada sem a necessidade de uso de herbicidas.
Experimento conduzido em Taquaruçu do Sul, RS
(Fonte: Arquivo pessoal)
É fundamental que você saiba qual nematoide está presente em sua área. Só então é possível determinar qual tipo de crotalária será mais eficaz no controle.
Controle do nematoide das lesões radiculares: é indicado o uso de qualquer crotalária;
Controle de nematoide do cisto: é indicado o uso de qualquer crotalária;
Controle do nematoides de galhas: é indicada a rotação das crotalárias C. spectabilis e C. breviflora.
Controle do nematoide das galhas do algodão: a indicação é utilizar qualquer uma das crotalárias, mas evitar o plantio de milho.
Outro ponto importante é o monitoramento. Sem ele, você até pode reduzir a população de nematoides, mas garante as pragas (como lagartas) para a próxima safra.
Recuperação do solo
A crotalária também apresenta grandes impactos no solo da sua lavoura. Dentre eles, estão:
proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
minimiza os danos causados pelo uso intensivo do solo;
A utilização da crotalária como cobertura do solo e adubação verde proporciona a redução da incidência de plantas daninhas. Isso acontece pela cultura manter o solo coberto durante a entressafra.
Aumento da produtividade da lavoura
As crotalárias são grandes aliadas para o aumento da produtividade das lavouras. O uso da crotalária durante a entressafra favorece a manutenção da matéria orgânica e a atividade dos microrganismos do solo.
Se você precisa produzir muita matéria orgânica em pouco tempo, pode apostar na crotalária. Além disso, essa leguminosa reduz a aplicação de fertilizantes nitrogenados no solo.
Consórcio de gramíneas forrageiras com crotalária
A crotalária consorciada com gramíneas forrageiras é uma alternativa de baixo custo para produção de palha. Isso tanto em quantidade quanto em qualidade.
Além disso, as crotalárias podem fornecer nitrogênio ao solo, via fixação biológica de nitrogênio. Dependendo da crotalária cultivada, há possibilidade de pastejo nos sistemas integrados.
O consórcio de crotalária com gramíneas forrageiras aumenta a produtividade de grãos da soja cultivada em sucessão. Isso acontece porque a rápida decomposição dos resíduos vegetais das crotalárias oferece nutrientes ao solo em curto prazo.
Produtividade média de grãos de soja de duas safras, em função do cultivo de Brachiaria solteira e consorciada com crotalárias na entressafra
O consórcio de gramíneas forrageiras com crotalárias é uma alternativa para produção de biomassa em quantidade e qualidade.
Adubação verde
Os adubos verdes são bem conhecidos pela capacidade de fixar nitrogênio.
Eles fornecem grande volume de matéria orgânica. Esse volume aumenta a atividade biológica do solo e contribui com o sistema de plantio direto.
Outra vantagem é o aumento dosinimigos naturais de nematoides parasitas de plantas. Um grande exemplo são os fungos que capturam nematoides ou se alimentam de seus ovos.
A adubação verde também contribui para a liberação de ácidos graxos voláteis pelas plantas. Essa substância pode ser muito tóxica aos nematoides.
Conclusão
A crotalária é uma leguminosa que reduz a incidência de nematoides nas áreas.
Antes de utilizá-la em seu manejo, é preciso conhecer muito bem a sua área. Assim, saberá qual tipo de crotalária trará melhores resultados.
A melhor solução é a prevenção. Por isso, é recomendado manter o solo sempre coberto, diversificar e manter raízes vivas pelo maior tempo possível. Espero que com as dicas passadas aqui você consiga obter ótimos resultados.
Restou alguma dúvida sobre o manejo da crotalária? Já utilizou essa leguminosa na sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!
Atualizado em 16 de maio de 2022 por Denise Prevedel.
Denise é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Doutoranda em agronomia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Rochagem: Veja como ela ajuda na fertilidade do solo e pode reduzir os custos da safra, além do passo a passo de como realizá-la.
Você já escutou falar de rochagem ou remineralização de solos?
Essa é uma das alternativas complementares às adubações químicas e sintéticas para a sua lavoura.
A rochagem melhora a qualidade física e química do solo, podendo substituir parte dos fertilizantes.
Lembrando que cerca de 80% dos adubossão importados e cotados em dólar, encarecendo o custo da produção. Por isso, a rochagem pode ser uma boa saída de redução de custos.
Neste artigo, irei compartilhar com você a lógica do uso de rochas complementando a adubação e os benefícios para sua lavoura. Saiba tudo a seguir!
O que é rochagem?
Também conhecida como remineralização, a rochagem utiliza as rochas em suas formas naturais, em granulometrias únicas ou mescladas.
Elas podem ser combinadas com outras práticas, como o uso de microrganismos.
Grande parte dos fertilizantes utilizados hoje nas lavouras tem como base rochas processadas com ataques químicos, que servem para promover a concentração e a solubilidade dos elementos em questão, tornando os fertilizantes solúveis.
Por isso, embora o uso de rochas já seja bastante comum, seu uso em formas naturais (que é a rochagem) não é tão utilizado.
O primeiro livro sobre rochagem foi “Pães de pedra”, escrito por Julio Hansel, em 1870. No Brasil, a prática é utilizada há muitos anos, com os trabalhos de Solón Barreto e Sebastião Pinheiro.
E ela tem se consolidado nos últimos anos, com experiências em grandes lavouras em conjunto com a agricultura convencional.
A fazenda onde trabalhei, em São José do Xingu, Mato Grosso, é um exemplo. Faz parte do Grupo de Agricultura Sustentável (GAS), que organiza agricultores que buscam alternativas de produção para redução de custos e melhoria de suas produções.
Esse grupo estima que aproximadamente 1 milhão de hectares, em diversos Estados, utilizam a rochagem como técnica para a melhoria do solo, seja de forma experimental ou permanente.
Separei aqui um vídeo da pesquisadora da Universidade Federal de Brasília, Claudia Gorgen. Assim, você pode entender melhor a prática e os experimentos realizados em lavouras de soja.
A forma de atuação da rochagem ou remineralização no solo
O remineralizador (ou pó de rocha, como é conhecido) é um insumo estratégico para repor e reciclar elementos extraídos do solo pela erosão e colheitas.
Desde então, as rochas utilizadas nesta prática passam por um processo de avaliação, baseada na composição geoquímicas, mineralógica e no desempenho agronômico.
São considerados parâmetros como:
Percentuais mínimos da soma de bases (óxidos de cálcio, de magnésio e de potássio)
Percentuais máximos de elementos potencialmente tóxicos e de sílica livre
Pó de rocha é mais barato e pode ser usado em diversas culturas (Fonte: Embrapa)
Impactos para o solo
Os remineralizadores, ou a prática da rochagem, atuam como condicionadores do solo. Ou seja, promovem melhorias físico-químicas e da atividade biológica do solo.
A solubilidade é um fator relevante dos fertilizantes químicos. Mas, na rochagem, a lógica é um pouco diferente.
A contribuição na disponibilidade terá relação com interações de natureza química, como acidez de chuva, com a biomassa vegetal e os exsudatos de raiz, e com a vida microbiana existente no solo, além da granulometria do produto utilizado.
Ou seja, a presença de matéria orgânica faz diferença na reação do remineralizador no solo. Assim, ocorre a criação de um efeito sinérgico entre o fator biológico e a mineralogia para as plantas cultivadas.
Alguns estudos têm até considerado o acúmulo de carbono no solo pelo uso de rochagem.
Além disso, o uso das rochas como adubo contribui como estímulo para as plantas, que investem em raiz.
Isso promove aumento da produção de exsudatos e, consequentemente, incentiva a parte biológica do solo, aumentando o intemperismo na rocha.
O pesquisador da Embrapa Eder Martins afirma que várias rochas silicáticas cumprem requisitos de soma de bases, mas têm baixa eficiência agronômica.
“Por isso, testes em solos agrícolas e culturas da região de origem do produto são necessários, bem como a publicação científica com os resultados”, explica Martins.
Desta forma, nem todas as rochas são agrominerais. Há necessidade de adequação às normativas da lei e avaliações de desempenho agronômico.
Já se sabe que o pH do solo influencia na solubilidade dos fertilizantes. De acordo com seu estado, disponibiliza certos elementos, conforme imagem abaixo. Esse fator também contribui na fertilização com as rochas.
Relação entre pH e disponibilidade dos elementos no solo (Fonte: Malavolta, 2016)
Benefícios para o solo
Os tipos de solos brasileiros são altamente intemperizados, com mineralogia da fração argila composta de caulinita e óxidos de ferro e de alumínio.
Apresentam baixa capacidade de troca de cátions (CTC) e pouca reserva de bases, na medida em que a maioria dos minerais primários facilmente intemperizáveis já foi destruída.
E como dizia meu diretor técnico da fazenda, se não investirmos em matéria orgânica, não teremos aumento de CTC do nosso solo.
Por isso, a prática tem que ser acompanhada de investimento nas condições orgânicas e, consequentemente, na fertilidade do solo.
O uso de rochas no solo contribui nos seguintes parâmetros:
Disponibiliza nutrientes de forma contínua e gradativa;
Racionaliza o uso do potássio;
Neutraliza o alumínio (Al) e libera o fósforo (P);
Você pode obter mais informações na página do 3º Congresso Brasileiro de Rochagem realizado pela Embrapa.
Agora que já falei sobre os benefícios da prática, vou explicar como colocá-la em prática na sua propriedade!
E como testar a rochagem em minha lavoura?
Recomendaria realizar testes de rochagem primeiro como uma fertilização complementar.
O processo de disponibilidade é diferente, como comentamos, um pouco mais complexo e lento, ou seja, de longo prazo.
Você deve encontrar um produto que seja acessível economicamente.
A recomendação geral varia de acordo com o produto utilizado, tempo de reposição e granulometria da rocha. É possível começar com 2 ou mais toneladas por hectare.
É importante ter análise de solo, mesmo as químicas. Você não verá muita diferença de um momento para o outro, ou seja, logo após a aplicação do produto. Mas isso te servirá de parâmetro para ir acompanhando o solo a longo prazo.
Para ser viável economicamente, é necessário a fonte do produto estar num raio de no máximo 300 km de sua propriedade.
O ideal é sempre combinar uma atuação de supressão biológica. Ou seja, utilize uma boa quantidade de biomassa vegetal, microrganismos no solo e inoculação nas sementes.
Assim, teremos uma ativação microbiológica, ou seja, promovemos um metabolismo de ativação da disponibilidade desses minerais.
Uma ótima opção é buscar conhecer outros produtores que estão realizando experiências em suas propriedades.
Opinião e experiência de quem experimentou de fato faz muita diferença.
Experimento conduzido em Não-Me-Toque (RS) lavoura de soja safra 2016/2017 (Fonte: Arquivo pessoal)
Conclusão
A geologia de nossos solos é importante e o estudo da Agrogeologia tem avançado.
A rocha em si é o produto final de vários minerais, que se transformaram em solos e alimentam as nossas colheitas.
Neste artigo, você viu como a rochagem é uma alternativa para complementar a adubação química e sintética na sua lavoura.
Também falamos sobre como ela funciona, todos seus benefícios e como você pode testá-la para reduzir os custos de adubação na sua propriedade. Aproveite o conhecimento e boa rochagem!
Importância das abelhas na agricultura: Saiba quais culturas são mais dependentes da polinização e como ela pode impactar a produtividade.
Você sabe que as plantas precisam ser fecundadas para se reproduzirem, o que ocorre através da polinização.
E as abelhas fazem o serviço de polinização de 85% das plantas de importância para a alimentação humana.
Um terço da produção agrícola mundial está sob sua responsabilidade.
Neste artigo, quero compartilhar com você a importância das abelhas na agricultura, sua contribuição em diversas culturas e os desafios da criação.
A polinização e a importância das abelhas para as plantas
Plantas dependem de polinização para se reproduzirem.
A polinização é a transferência dos grãos de pólen de uma flor – do estame, que é a estrutura masculina, para o estigma, que é a estrutura feminina, da mesma flor ou de uma flor para outra.
Abelha forrageira coberta de grão de pólen (Fonte: Decio Luiz Gazzoni em Soja e Abelhas)
E esse processo possui contribuição de muitos insetos, no entanto, mais de 90% dos responsáveis por ele são as abelhas.
As abelhas são especialmente importantes, pois se alimentam exclusivamente de néctar ou pólen. E visitam muitas flores por dia para suprir suas necessidades.
Uma revisão publicada pelo Journal of Economic Entomology mostrou a dependência das culturas agrícolas por polinização animal. Essa relação de dependência pode ser essencial, pequena ou modesta.
Além disso, as culturas podem ser polinizadas por mais de uma maneira (por animais, vento ou água).
Para você ter uma ideia, veja a porcentagem de plantas que dependem de polinização animal para sua reprodução sexual:
Globalmente: 87,5%;
Ecossistemas tropicais: 94%;
Ecossistemas temperados: 78%;
Sendo que é a abelha é o principal animal que poliniza nesses casos. Assim, novamente, notamos a importância desse inseto na produção vegetal.
A importância das abelhas na agricultura
A visão sobre a importância das abelhas na agricultura tem mudado nos últimos anos devido a diversos estudos científicos.
As abelhas são responsáveis pela polinização de 42% das 57 espécies vegetais mais plantadas no mundo.
E essa polinização impacta na quantidade e também na qualidade dos produtos agrícolas.
Para se ter uma ideia, no Brasil das plantas cultivadas, mais de 60% dependem da polinização animal. Considerando plantas cultivadas para alimentação humana, produção animal, biodiesel e fibras.
Estima-se a existência de 3.000 diferentes espécies de abelhas no país. No entanto, somente cerca de 400 estão catalogadas.
A espécie mais conhecida é a dos meliponíneos, ou seja, aquelas com produção de mel.
Porém, existe uma infinidade de abelhas que podem ou não produzir mel, além de espécies nativas e abelhas sem ferrão.
A atividade de polinização é uma ação involuntária dos polinizadores, mas essencial à vida das plantas, que se utilizam de cheiros, cores e sabores para atraí-los.
Vou falar agora sobre as culturas nas quais as abelhas têm papel mais importante.
Polinização: abelhas são as principais responsáveis pelos serviços ecossistêmicos (Fonte: Embrapa)
Importância das abelhas na agricultura: produção agrícola
Os serviços ecossistêmicos (polinização) prestados à agricultura pelas abelhas e outros animais foi estimado em R$ 43 milhões em 2018.
Produtos agrícolas de peso na balança comercial brasileira, como soja, café, feijão e laranja, são dependentes de polinização.
Outras culturas com menor representatividade financeira, como maçã, melão e cacau, também necessitam essencialmente de polinização.
Além disso, culturas como trigo, milho e arroz, mesmo não dependentes da polinização animal, também se beneficiam desse tipo de serviço realizado pelos insetos.
Na produção de algodão, por exemplo, a polinização feita por abelhas aumenta em 16% o peso da fibra. Além disso, proporciona 17% mais sementes por fruto, contribuindo também para sementes mais vigorosas.
A polinização também tem elevado a produtividade de culturas como a canola em até 70%.
A dobradinha trevo e alfafa também só produz sementes quando são polinizadas, assim como grande parte das hortaliças como alface, cebola, coentro e cenoura.
No quadro abaixo você pode conferir a produção anual de culturas e o serviço de polinização de acordo com a escala de taxa de dependência. A saber: 0,95 = essencial; 0,65 = grande; 0,25 = modesta; e 0,05 = pequena.
Para saber mais sobre este assunto, recomendo a leitura do livro “Agricultura e Polinização”, organizado pela Doutora Rosemarie Rodrigues. É uma contribuição valiosa para o tema das abelhas e o agronegócio brasileiro.
Abelha carregando bola de pólen na corbícula, localizada em sua tíbia (Foto: Decio Luiz Gazzoni em Soja e Abelhas)
Criação de abelhas no Brasil
A mais comumente conhecida é a Apis mellifera, que é a mais produzida e utilizada para a produção de mel e na polinização no mundo.
Ela tem contribuição fundamental na produção do café, da maçã e da laranja. No Brasil, o destaque fica para sua contribuição nas culturas de maçã e melão.
O que poucos sabem é que essa espécie acaba por competir com outras espécies nativas como as mamangavas (Bombus spp., Centris spp., Epicharis spp., Eulaema spp.e Xylocopa spp.) e diversas outras espécies solitárias, ainda pouco estudadas.
Por isso, cada vez mais devemos considerar a produção de abelhas e toda interferência no ambiente de forma integrada e global.
Além disso, é cada vez mais comum a criação migratória de abelhas, baseada no calendário de floradas. Isso aumenta a quantidade e qualidade da produção de mel.
Essa prática também abre a visão da possibilidade de, nos cultivos anuais, colmeias serem utilizadas como fonte de contribuição para a produção.
Mas há também muitos desafios. Vou explicar melhor a seguir.
Abelhas sem ferrão (Foto: Jardim Botânico do Rio em Globo Rural)
Desafios da criação de abelhas
Muitos estudos têm mostrado um declínio das populações de abelhas no mundo. Este fenômeno, conhecido nos Estados Unidos, é chamado de “distúrbio do colapso das colônias”.
E o Brasil não fica para trás. Ainda não há comprovação científica, mas existem levantamentos de diminuições drásticas de colônias em São Paulo e Santa Catarina.
A principal vítima é a espécie mais abundante desse inseto, a Apis mellifera, também conhecida como abelha europeia. Porém, espécies nativas do Brasil também estão em risco.
Essas diminuições foram percebidas nas abelhas domésticas e na maioria das espécies que são responsáveis por polinização – que tem hábitos solitários e nem produzem mel.
Vários fatores contribuem para essa redução, mas o uso de agrotóxico é apontado como uma das principais causas.
Estudo publicado em outubro de 2017 na revista americana Science mostrou que 75% de todo o mel produzido no mundo está contaminado com essas substâncias.
Os cenários de acidentes com inseticidas são, em maioria, causados por negligência ou imperícia.
É importante também impedir o uso de produtos piratas ou não autorizados no território brasileiro.
O ideal é evitar a aplicação de agrotóxicos durante os horários preferenciais de forrageamento das abelhas, que é das 8h às 15h, considerando o clima tropical.
No mundo, já há diversas iniciativas em prol da adoção de boas práticas na agricultura, como a IPBES (The Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services).
A IPBES é uma iniciativa internacional que reúne 124 representantes de países membros da ONU.
São pontos fortes dessa iniciativa:
Aproveitamento, ao máximo, dos processos ecológicos;
Promoção de práticas agrícolas sustentáveis, como a agricultura biológica;
Melhoria no controle e manejo de polinizadores, bem como da higiene, para reduzir riscos de pragas, patógenos e espécies exóticas invasoras.
Inseticida natural: conheça as opções que têm trazido melhores resultados e como fazer as aplicações na sua propriedade.
Cerca de 40% da produção agrícola no mundo é perdida devido ao ataque de pragas, segundo a FAO.
E as notícias sobre as falhas de controle com alguns inseticidas tradicionais já são conhecidas. Isso tem relação com pouco monitoramento, o que intensifica a pressão de seleção dos insetos.
Assim vemos que para otimizar o controle é válido incluir novas estratégias de manejo de insetos.
Neste artigo, compartilho informações sobre o uso de inseticidas naturais que, se bem posicionados, podem dar ótimos resultados. Confira a seguir!
Inseticida natural: como defender minhas plantas
Os mecanismos naturais de defesas das plantas são eficientes: é como nosso sistema imunológico.
A fitopatologia confirma que a resistência é uma regra.A suscetibilidade é exceção.
Esses mecanismos de defesa contra qualquer patógeno e inseto são:
Defesa induzida direta: a defesa da planta acontece a partir de algum ataque de inseto.
Ocorre pela produção de compostos repelentes de herbívoros e substâncias químicas que inibem degradação das proteínas ingeridas pelos insetos (inibidores de proteases).
Defesa induzida indireta: a planta produz compostos voláteis que atraem inimigos naturais dos insetos.
E esses compostos voláteis são base de algumas formas de controles naturais contra insetos.
No entanto, a entomologia considera que as populações de insetos se multiplicam acima do normal e se transformam em pragas em condições excepcionais.
Além disso, segundo a lei da trofobiose, há forte relação de plantas mais suscetíveis ao ataque de pragas com quantidades maiores de aminoácidos.
Estes seriam os alimentos preferenciais dos insetos, e é o que ocorre nas lavouras atuais devido às práticas que temos hoje.
Mas, então, por onde começamos quando os ataques à lavoura ocorrem? Vou explicar melhor.
(Fonte: Mais Soja)
Manejo Integrado de Pragas
Não existe um inseticida milagroso para controlar os ataques de pragas. É a integração de diferentes táticas de controle que fará a diferença.
A base do MIP é o monitoramento constante para identificação da espécie que está atacando a lavoura.
Isso se realiza a partir de amostragem, registro e acompanhamento das populações de insetos-pragas e inimigos naturais presentes na cultura.
As orientações corretas de amostragem, além dos níveis de ação necessários, devem ser considerados na tomada de decisão para o MIP.
Lembre-se que um bom monitoramento deve apresentar a realidade de campo!
E faz diferença ter o histórico dessas informações no bolso. Além de facilitar o registro, isso permite ter informações acessíveis para agir na hora certa.
O Aegro permite que o monitoramento e o armadilhamento de pragas sejam feitos de forma fácil e com todos os dados seguros e fáceis de serem interpretados.
Aegro permite que você coloque o nível de controle por pragas, indicando o momento em que há risco de perdas econômicas na lavoura
A tecnologia é uma ferramenta importantíssima, mas precisa ser integrada a outras práticas.
Agora que você já sabe mais sobre o MIP, vamos falar sobre inseticida natural para proteger suas plantas.
Inseticida natural: o que você precisa saber
Hoje existem diversas opções de produtos alternativos aos inseticidas químicos no mercado.
Há diferentes tipos: desde produtos à base de micro e macrorganismos até os que têm base de extratos vegetais, como os bioquímicos e semioquímicos (feromônios e aleloquímicos).
Quanto aos feromônios é importante ressaltar que mesmo sendo considerados por muitos um inseticida natural, já que de alguma maneira pode controlar a população de insetos por armadilhas, conceitualmente ele não se trata de um inseticida já que não mata as pragas.
Além disso, o mais comum é utilizar os feromônios sintéticos.
Inseticida natural não é somente para a agricultura orgânica. O importante é superar preconceitos e conhecer mais opções, sejam químicas ou naturais. Afinal de contas, o objetivo final é o mesmo!
Os principais inseticidas naturais que eu recomendaria para que você teste em sua lavoura são:
Beauveria bassiana
É um fungo que parasita mais de 200 espécies de artrópodes como mosca branca, ácaros, incluindo carrapatos.
Através, do contato direto com o alvo, o fungo germina na superfície do inseto, penetrando no tegumento e colonizando-o internamente, liberando toxinas. Isso leva os insetos à morte.
Insetos atacados pelo fungo ficam com aspecto chamado de “mumificação”, acima o exemplo de uma lagarta que sofreu o ataque (Fonte: Kansas Bugs)
Metarhizium anisopliae
Também é um fungo. Neste caso, os esporos entram em contato com o inseto, penetram sua cutícula, colonizando os órgãos internos do hospedeiro, que para de se alimentar e morre.
Este processo ocorre entre 2 e 7 dias após a aplicação, dependendo das condições climáticas.
Pode ser usado no controle de cigarrinha das pastagens, mas também em larva alfinete ou coró na cultura do milho e outras.
Cigarrinha das pastagens pode ser controlada com Metarhizium anisopliae (Foto: Robson Paiva em Emater-RO)
Bacillus thuringiensis
Bactéria que auxilia principalmente no controle de lagartas ao ser ingerida pelo inseto.
É muito conhecida pelas culturas Bt, onde os genes que produzem as proteínas tóxicas às lagartas são incorporados às plantas de soja, algodão ou milho.
Também existe o bioinseticida à base de Bacillus thuringiensis. Mas não devemos utilizar culturas Bt e inseticidas também Bt, já que são dois métodos de controle com a mesma tecnologia.
Isso porque a pressão de seleção de indivíduos resistentes à tecnologia Bt aumentaria muito.
É um produto comercial registrado e de alta qualidade no mercado. A Embrapa inclusive tem promovido formações de capacitações para a produção “on farm” de qualidade.
Chromobacterium subtsugae
É uma bactéria que tem sido relatada para combater pragas como percevejo, mosca branca, pulgões e ácaros.
Através da produção de substâncias como a violaceína, polihidroxialcanoatos, cianeto de hidrogênio, antibióticos e quitinase.
Sua ação ocorre através da ingestão da mesma presente sobre as plantas.
Os resultados foram tão bons que as armadilhas à base de feromônios estão patenteadas e à disposição no mercado pela empresa Isca.
Existem muitos outros tipos de feromônios, como para controle de traça na folha de tomate.
E outros como: Isaria fumosorosea (para mosca branca); Baculovirus spp. (para lagartas); e calda bordalesa (que pode ser pulverizada sobre as plantas, funcionando como repelente contra cigarrinha verde, cochonilhas, trips e pulgões).
Armadilhas para teste de feromônio do percevejo da soja (Fonte: Embrapa)
Conclusão
Quando o ataque de pragas se inicia, todo mundo quer conhecer todas as alternativas existentes para controle.
E os biopesticidas são uma opção. É uma tecnologia que atua mais a favor do meio ambiente e do bem-estar dos inimigos naturais.
Eles não servem só para sua horta orgânica, pelo contrário!
Vimos aqui que o inseticida natural tem tido cada vez mais resultados comprovados nas lavouras.
Por isso, inclua em seu planejamento agrícola novas estratégias de controle de pragas!
Agricultura 4.0: entenda as vantagens, os pilares, as ferramentas e como você pode implementá-la na sua fazenda
A agricultura 4.0 (ou agricultura digital) é um conjunto de tecnologias digitais de ponta desenvolvidas para integração da produção agrícola.
A nova revolução do agro passa pela tecnologia da informação. E isso contribui com a inovação na produção de alimentos e segurança alimentar – antes e depois da “porteira”.
Neste artigo, conheça as soluções da agricultura digital que facilitam as rotinas da atividade agrícola e como utilizá-las. Veja a seguir!
O que é agricultura 4.0?
Agricultura 4.0, também conhecida como agricultura digital, é um conjunto de tendências tecnológicas no agronegócio. Nela, a Agricultura de Precisão, a Big Data e a Internet das Coisas juntas otimizam as demandas do campo, tornando as tarefas mais eficientes.
A Agricultura 4.0 é um conjunto de tecnologias digitais integradas e conectadas através de softwares, sistemas e equipamentos. É ela quem permite que produtores coloquem a agricultura de precisão em prática.
Essa integração é capaz de otimizar a produção agrícola em todas as suas etapas, desde o plantio até a colheita. As ferramentas certas geram e analisam grande quantidade de dados para você, facilitando seu dia a dia na fazenda.
Importância da tecnologia na agricultura 4.0
A agricultura 4.0 nada mais é do que o uso de tecnologias que facilitam a junção de todos os processos e fases de produção. Portanto, a tecnologia na agricultura é uma forma de garantir melhor aproveitamento de insumos, recursos e de controle de todas as etapas do processo produtivo, seja ele no campo e fora dele.
As tecnologias na agricultura digital funcionam por meio do uso conjunto de sistemas, máquinas e aplicativos. Todas juntas, essas ferramentas contribuem para que a sua gestão e produção sejam o mais otimizadas possível.
Elas funcionam desde a análise do solo, no plantio, no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, colheita até venda do produto. Porém, essas tecnologias também estão presentes no seu escritório.
Afinal, o papel da tecnologia na agricultura é ajudar na gestão, nos processos administrativos, na comercialização, na definição dos preços das suas sacas, e muito mais. Maior lucratividade, integração de processos de gestão e de produção, facilidade nas tomadas de decisões são o que fazem a agricultura digital ser tão importante.
Ela é indispensável porque te ajuda a reduzir custos, aproveitar melhor os insumos e, como consequência, aumentar a produtividade.
Por tomar decisões de forma mais rápida e objetiva, você ganha mais tempo na lavoura. E além disso, seu trabalho é constantemente facilitado e simplificado.
Características da agricultura 4.0
A Agricultura 4.0 é baseada na gestão de dados no campo, na produção acelerada de ferramentas e técnicas, na profissionalização e na sustentabilidade da produção.
Esses elementos juntos formam os quatro preceitos da agricultura 4.0, e baseiam todas as atividades e manejos do campo. Eles garantem:
gestão a partir da obtenção e coleta de dados primários e secundários;
produção em massa de novas ferramentas e técnicas;
sustentabilidade nos processos produtivos;
profissionalização das atividades do campo.
Essas inovações são possíveis devido às tecnologias voltadas para a agricultura, as quais são possíveis conectar dispositivos e integrá-los, permitindo a automação dos processos.
Todos esses processos começam antes da semeadura, em plataformas que auxiliam no planejamento e execução de uma boa safra. Eles ajudam durante o desenvolvimento da cultura, no monitoramento de clima, pragas e doenças.
Os 4 pilares da agricultura 4.0 (Fonte: Adaptado de Gptad)
Um exemplo de integração e automação que ocorrem na agricultura, que só é possível pela evolução da tecnologia no campo, é o sistema de zero amassamento desenvolvido pela Stara.
No zero amassamento ocorre uma integração do sistema da semeadora, com o pulverizador e distribuidor, no qual ocorre o desligamento automático das linhas de plantio no local exato onde acontece o tráfego de pulverizadores e distribuidores, gerando economia de até 4% de sementes.
Sistema de zero amassamento (Fonte: Stara)
Isto é possível por meio da evolução da tecnologia de GPS, telemetria e sensores equipados nas máquinas que permitem uma “conversar” com a outra. Mais à frente no artigo serão abordadas as principais tecnologias utilizadas no campo atualmente.
6 vantagens da agricultura digital
A agricultura 4.0 ou agricultura digital aumenta a produtividade da lavoura, ajuda no monitoramento climático e de pragas, otimiza processos, aumenta a produtividade, reduz desperdícios e custos, além de ajudar no acompanhamento de compras e vendas.
Ela também reduz custos e o impacto das práticas agrícolas. Veja mais detalhes a seguir:
1. Aumento da produtividade
A agricultura 4.0 inseriu mais tecnologia no campo. Aplicativos foram desenvolvidos para te dar suporte em todas as fases do planejamento, desde a escolha da cultivar até o preço do produto final. A consequência disso é produzir mais com menos!
O suporte da agricultura digital para o planejamento agrícola começa antes da semeadura e passa por todas as fases de produção.
2. Monitoramento climático
A agricultura é uma empresa a céu aberto. A maioria das culturas é produzida fora de ambientes protegidos, à mercê do clima. Esse é um dos fatores decisivos na produção.
Na agricultura 4.0, existem sensores que monitoram em tempo real a:
velocidade do vento;
temperatura;
umidade relativa do ar;
temperatura e umidade do solo.
Esses sensores fornecem gráficos e planilhas que auxiliam na irrigação, na época ideal de semear, de aplicação de defensivos, dentre outras atividades. Estar por dentro das adversidades climáticas traz mais segurança ao produzir.
3. Monitoramento de pragas e doenças
As pragas e doenças afetam principalmente a área foliar das plantas. Isso causa redução da fotossíntese, e consequentemente, reduz a produtividade.
O uso de drones auxilia no momento do monitoramento das culturas. Eles verificam a presença de manchas na área, o que te ajuda a ir diretamente no problema.
Com a evolução da tecnologia, é possível obter informações das pragas ou doenças que estão presentes na sua área com apenas uma foto.
Você também pode ver informações de produtos registrados no controle de problemas na cultura que você está produzindo. Esses dados ficam disponíveis no seu celular, através da internet!
4. Redução de desperdícios
O controle de gastos com combustível não é mais um problema! Mesmo que você esteja viajando, é possível ter acesso a muitas informações. Por exemplo, a quantidade de diesel gasto nas operações ou a quantidade de produto que está sendo aplicada.
Com o uso de sensores inseridos nas máquinas e equipamentos, as informações são ligadas aos dispositivos presentes nas cabines, nos celulares e computadores.
Esse acompanhamento oferece mais segurança a quem está aplicando e fazendo a gestão do processo. Com esse grau de autonomia, é possível evitar desperdícios.
5. Diminuição dos custos
Evitar desperdícios também reduz seus custos. Mas além disso, ao ficar sempre conectado ao que está acontecendo na lavoura pode trazer outras vantagens.
Por exemplo, ao verificar que determinada máquina já passou por um talhão específico, você evita que ela passe por lá novamente. Isso não só evita gastos desnecessários como também reduz custos por atividades duplicadas.
O suporte da agricultura digital para o planejamento agrícola começa antes da semeadura e passa por todas as fases de produção.
6. Acompanhamento de compra e venda
Além de produzir, você também é responsável por estar sempre por dentro dos preços de compra de insumos e de vendas do produto. E você sabe que estes preços podem ter grandes volatilidades.
Por isso, utilizar aplicativos que te forneçam essas informações atualizadas apenas com um clique economiza seu tempo. Esses aplicativos podem te ajudar a saber qual preço mínimo você necessita comercializar em sua safra.
Também te ajudam em tarefas fundamentais, como fluxo de caixa, manejo, estoque e máquinas agrícolas. Todas estas vantagens em conjunto geram um resultado em comum: o aumento de produtividade e rentabilidade.
Desafios do uso da tecnologia na agricultura 4.0
O custo-benefício da tecnologia da informação é um dos principais desafios da agricultura digital. Além disso, a falta de conectividade também pode diminuir o ritmo desses avanços. Afinal, a conexão é fundamental para alavancar esses processos.
Para garantir conectividade para todas as fazendas, aproximadamente 16 mil antenas de transmissão deverão ser instaladas, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
Tecnologias muito inovadoras também tendem a ser de difícil aplicação no campo, o que afasta muitos produtores. Ainda, para garantir o pleno funcionamento da agricultura 4.0, as regulamentações devem proteger ainda melhor os dados das empresas rurais.
Tecnologias na agricultura 4.0 que te ajudam na fazenda
A agricultura digital conta com uma série de tecnologias que facilitam seu trabalho na fazenda. Além disso, essas ferramentas te ajudam no controle de custos e na produtividade. Você sabe quais são as tecnologias usadas na agricultura? Veja abaixo as principais.
Drones
Os drones podem ser empregados em diversos tipos de análises na área. Desde a verificação de reboleiras por ataque de pragas ou doenças até a verificação de falhas de plantio e problemas variados na área.
Os dados compilados com apoio dos drones te auxiliam em uma tomada de decisão mais assertiva!
Telemetria
A telemetria é uma tecnologia que permite a coleta e o compartilhamento de informações sobre equipamentos, veículos e máquinas de forma remota.
Por meio dela, é possível coletar dados utilizando sensores acoplados nas máquinas. Também é possível georreferenciar de acordo com o interesse de cada propriedade agrícola.
Você pode monitorar o consumo de combustível e trajeto realizado pelos equipamentos. Além disso, analisa o tempo de parada do equipamento por falta de insumos ou para reabastecimento, por exemplo.
Esses indicadores são muito úteis para reduções de custos e otimizações na fazenda!
Sensores
Os sensores permitem que você tenha informações de qualidade sobre o cultivo, clima local e o solo. Eles potencializam e agilizam a coleta de dados, realizam comandos de forma automática ou remota, e executam tarefas e ações a distância em tempo real.
Os sensores de altura, por exemplo, podem avaliar a topografia da propriedade e ir ajustando as barras de pulverização ao longo da aplicação. Dessa forma, a operação fica mais autônoma, com o mínimo de intervenção humana.
Há ganhos cada vez maiores também no monitoramento de infestações de insetos e plantas daninhas nas lavouras.
GPS
O uso do GPS agrícola ganha cada vez mais espaço na agricultura. Ele permite realizar navegação, medições de áreas, determinar pontos (coordenadas), armazenar dados e muito mais. Assim, é possível fazer as atividades com maior exatidão e eficiência.
Isso otimiza os processos e facilita a comunicação entre os envolvidos (produtor, operador, agrônomo, administrador). Além disso, reduz os riscos de algumas perdas agrícolas.
Internet das coisas
A Internet das Coisas é a tecnologia de conectar equipamentos a uma grande rede de computadores. Por sua causa, as máquinas têm se tornado cada vez mais eficientes e tecnológicas.
Máquinas e equipamentos conectados geram dados detalhados e frequentes. Você pode usar esses dados para tomar decisões com mais facilidade, e com menos necessidade de análises profundas.
Big data
A Big Data é a interpretação de muitos dados. A análise desses dados permite que você, por exemplo, cruze dados de produtividade com dados de manejo da sua fazenda.
Dessa forma, você entende quais manejos têm dado certo e quais não estão funcionando na sua cultura.
Blockchain
A blockchain na agricultura permite e facilita a rastreabilidade de produtos agrícolas. Muito além disso, essa tecnologia permite mais segurança nas negociações digitais. Essas negociações estão cada vez mais presentes na vida de quem produz.
Biotecnologia
A biotecnologia desenvolve culturas com maior resistência a ataques de pragas e doenças que necessitam de pulverizações constantes para controle.
Além disso, desenvolve plantas com genes que toleram alguns herbicidas, como a soja RR. Isso possibilitou um aumento expressivo de produtividade para esta cultura.
Análise do Clima
O clima interfere em todas as etapas de desenvolvimento de uma cultura. A coleta organizada e frequente de dados meteorológicos é muito valiosa para qualquer atividade no campo.
Como opções de ferramentas de agricultura digital temos:
Agritempo: sistema que fornece os dados para o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Pelo sistema, é possível identificar o melhor período para plantar as culturas, conforme os tipos de solo e o ciclo dos cultivares.
Climatempo: sistema que possui previsão horária, diária e futura (para os próximos 14 dias), com imagens de satélite para todo Brasil e análises de meteorologistas.
Enciclopédias de informações
A informação é extremamente importante. Por isso, existem alguns aplicativos que fazem muita diferença quando o negócio é obter informação de forma rápida:
Plantix: sistema que detecta doenças, pragas e deficiências nutricionais, com auxílio de uma simples foto de celular.
Agrobase: sistema que identifica plantas daninhas, doenças, insetos ou pragas agrícolas. Também facilita na hora de verificar qual produto de proteção de culturas irá ajudar a resolver seus problemas agrícolas.
Qual a importância das inovações tecnológicas no campo?
Qual a importância das inovações tecnológicas no campo?
Organizar a propriedade rural com tecnologia é tão importante quanto ter informações de qualidade. Assim você pode ter uma visão detalhada da produção e melhorar o controle do seu negócio, integrando gerenciamento técnico, operacional e financeiro.
O controle da safra na palma da mão facilita muito a vida! Isso melhora o controle de custos, investimentos, estoque e mão de obra. Todas essas facilidades fazem diferença na tomada de decisão estratégica.
Como implementar a agricultura digital na fazenda?
Além de usar ferramentas como drones, sistemas de telemetria, GPS e todas as outras tecnologias citadas no artigo, você pode apostar em um software de gestão rural.
Softwares como o Aegro te ajudam a planejar e controlar sua safra, inclusive com a produtividade/rentabilidade por talhão. O Aegro está presente desde o planejamento até a colheita, no campo e no escritório.
Assim, você economiza tempo no planejamento da sua safra e armazena com segurança todo seu histórico financeiro e de produção. Os dados podem ser acessados de qualquer lugar, a partir de um smartphone, computador ou tablet.
Com Aegro você consegue visualizar os custos por categoria de modo fácil e automatizado
Você pode começar a usar o software pelo aplicativo grátis disponível em:
Utilize seus Pontos Bayer para contratar a versão completa do Aegro (clique aqui)
Conclusão
A agricultura digital é uma realidade! Muito mais do que “moda”, as novas ferramentas digitais modificam e otimizam todas as etapas do ciclo produtivo.
As tecnologias na agricultura irão incorporar cada vez mais às práticas e processos de produção com precisão, através da transformação digital.
Há muitas ferramentas e informações disponíveis. E a gestão faz toda a diferença nesse momento, pois ela será o diferencial na análise de sua propriedade, da sua lavoura ao mercado.
Por fim, as tecnologias avançam a cada dia, com novas ferramentas que auxiliam o produtor a ter mais automação, assertividade e economia no processo produtivo.
Quer saber mais sobre agricultura 4.0? Inscreva-se em nossa newsletter e receba os melhores conteúdos diretamente em seu e-mail!
Atualizado em 07 de novembro de 2023 por Carina Oliveira. Engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestra em Sistemas de Produção (Unesp) e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.
Mudança visual da casca do grão: quando dois terços da panícula estiverem maduros, já é o ideal;
Amostragem de tato: se o grão quebrar, está no ponto de colheita; se amassar, ainda precisa amadurecer mais um pouco;
O teor de umidade adequado para a colheita de arroz está entre 18% e 23%.
Qual é o período de colheita do arroz?
A época de colheita do arroz varia de acordo alguns fatores:
data de plantio;
ciclo do material genético (dias entre plantio e colheita);
condições climáticas;
Além disso, a colheita varia nas diferentes regiões do país, e mesmo especificamente em cada estado.
No Sul, a maior região produtora do país, a colheita acontece normalmente entre Fevereiro e Maio. O mesmo acontece nas regiões Sudeste e Norte.
Calendário agrícola de plantio (cor verde) e colheita do arroz (em laranja) (Fonte: Conab)
Como é o ciclo da cultura do arroz?
O ciclo de desenvolvimento da cultura do arroz é bastante parecido com outras gramíneas. Ele é divido em fases, como semeadura, fase vegetativa e fase reprodutiva.
Dentro dessas fases os estágios são definidos de acordo com características específicas de partes da planta. Esses estágios são os mesmos em arroz de sequeiro ou irrigado, mas a duração de cada fase pode variar.
O ciclo total do arroz irrigado varia entre 100 a 140 dias e o de sequeiro entre 110 e 155 dias.
São fases características do ciclo do arroz: emergência, perfilhamento, crescimento vegetativo (medido em número de folhas), diferenciação floral, florescimento, enchimento de grãos e maturação.
Como deve ser a regulagem do maquinário para colheita de arroz?
Definido o perfeito momento de colheita, entramos na parte operacional.
Ter um dimensionamento da necessidade de mão de obra e tempo de passagem de colheita entre os talhões é fundamental.
Assim, evita-se que alguma área se perca devido a uma colheita prematura ou tardia. E isso será reflexo do planejamento da lavoura desde o plantio.
Na colheitadeira, precisamos da regulagem correta para obter máxima eficiência na trilha, com mínimo dano e perda de grão.
Por isso é necessário adequar a abertura entre o côncavo e o cilindro batedor de plantas.
Além disto, a velocidade do molinete precisa ser ligeiramente superior à velocidade de avanço da máquina, de forma a puxar as plantas ceifadas para dentro da máquina.
Para o arroz irrigado as seguintes recomendações são importantes:
Equipar a colhedora com rodado de esteira para operar terrenos de baixa sustentação
Controlar a velocidade do molinete para não ultrapassar de avanço da máquina
Usar cilindro batedor de dentescom rotação entre 500 rpm e 700 rpm
Regular adequadamente a abertura entre o côncavo e o cilindro batedor para obter máxima eficiência na trilha e mínimo dano e perda de grãos
Evitar velocidades de operação excessivas, já que isso aumenta substancialmente as perdas
Evite perdas na colheita de arroz
Quando se fala em perdas, podemos classificar de duas formas: pela condição do grão em si e pela qualidade do processo de colheita.
No processo de colheita, o impacto das plantas com a plataforma provoca perdas, dependendo da facilidade de degrana da cultivar, da umidade do grãos e da presença de plantas daninhas.
Regulagem inadequada causa trilha deficiente, fazendo com que boa parte dos grãos fique presa às panículas.
Isso dificulta a operação de separação nas peneiras ou provoca trinca dos grãos, reduzindo a porcentagem de grãos inteiros no beneficiamento.
Determinação das perdas de grãos
A prática já é padrão, mas é bom reforçar a importância de realizar a amostragem da perdade grãos após a colheita de arroz.
Seja fazendo a coleta naquele 1 m², contando grãos ou através do peso, que é a forma mais prática.
Além disso, é válido considerar em que local a máquina pode estar registrando o maior desperdício.
Essa perda pode ser proveniente de três locais diferentes da colheitadeira: plataforma de corte, saca palha ou peneiras da colhedora.
Pontos de coletas de grãos perdidos por uma colhedora (Fonte: Embrapa)
4 dicas para otimizar a colheita de arroz
Como engenheira agrônoma, entendo que, para além da prática, agestão das informações faz muita diferença na execução de uma produção.
As informações te ajudam a ter um melhor planejamento da safra!
A tecnologia dos maquinários trazem muitos dados que, várias vezes, são subutilizados.
Para te auxiliar na colheita e na utilização desses recursos tecnológicos disponíveis, vou te dar 4 dicas:
1 – Criar roteiros para otimizar os dados da colheita
Aqui entra o planejamento de cada área das lavouras. Esse roteiro é muito importante para comparações.
Comece padronizando a nomenclatura das áreas, para todos os manejos, para que não ocorra sobreposição ou troca de informações entre elas.
Depois, faça o cronograma com a ordem de semeadura das áreas, informações do solo e outras questões fitossanitárias que vão ser levadas em consideração.
Mantenha esse planejamento em local seguro e de fácil visualização para sua equipe de campo.
2 – Precisão de dados na hora da colheita
É fundamental conferir a calibragem de suas máquinas agrícolas, inclusive durante a operação de colheita.
Realizar a contagem das perdas e a distribuição da palhada também fazem a diferença.
Caso seja cultivo de arroz irrigado, é importante verificar a drenagem correta para que as máquinas não atolem.
Isso tudo garante que os dados entre os talhões sejam precisos, ou seja, sem influência de diferenças do processo de colheita.
Quando você baixa os dados das máquinas para seu computador, como costuma salvá-los?
É importante que você padronize os nomes dos arquivos e confira se as nomenclaturas estão corretas.
Essa padronização é importante para todos os manejos da sua propriedade, para que eles sejam identificados por numeração de talhão ou outro nome.
Tudo isso facilita o acesso posterior a informações que são muito úteis. Parece simples, mas é algo que falha muito nas propriedades.
4 – Analise os dados pós-colheita e entenda melhor seus resultados
Após a limpeza dos dados, é momento de analisar, tirar conclusões e tomar decisões.
E, como sugestão, foque em:
produtividade
considere fatores como condições climáticas, solo da área, manejo nutricional e fitossanitário utilizados
considere outras práticas que você experimentou, como um manejo diferenciado que você utilizou
A produtividade é um grande indicador, é claro! Mas compreender como você atingiu esse resultado é o diferencial para manter e melhorar essa produtividade.
Quais foram as práticas que te ajudaram a chegar no resultado esperado?
Cheque com sua equipe, abra manejos realizados, resgate informações e mapeie os erros e acertos no programa planejado.
Ajuste para melhorias e planeje com informações vinculadas ao que quer para o futuro.
Assim também fica muito mais fácil colocar em números o programa de controle utilizado. Planilhas e software de gestão agrícola vão te ajudar!
Quais as principais etapas de pós-colheita para o arroz?
Após a colheita do arroz, é necessário o processo de pós-colheita para comercialização do produto que chega às nossas mesas. As principais são:
Transporte: retirada do produto trilhado até a unidade armazenadora. Esse passo deve ser feito o mais rápido possível, de acordo com a infraestrutura do produtor, pois o produto pode estar em umidade não ideal para armazenamento, o que pode aumentar a chance de deteriorar os grãos;
Recebimento: o arroz é recebido e pesado na unidade de recebimento e amostras são recolhidas para verificação de impurezas e da umidade da amostra;
Pré-limpezas: por meio de jogos de peneiras e fluxo de ar são retiradas impurezas e objetos estranhos presentes na massa de grãos após a colheita;
Secagem: a secagem pode ser natural ou forçada, sendo que existem várias técnicas de secagem forçada. A temperatura não deve atingir mais de 40 graus e não se deve baixar mais de 2% de umidade por hora na massa de grãos. A umidade ideal para armazenamento é de cerca de 13%;
Armazenamento: o arroz deve ser preferencialmente armazenado antes de ser beneficiado e comercializado, pois isso auxilia em suas características culinárias. O armazenamento pode ser feito à granel ou em sacaria e deve-se atentar para temperatura, umidade e presença de pragas;
Beneficiamento: essa etapa transforma o arroz bruto (com casca) em um produto comercializável. Inicialmente faz-se a limpeza e retirada da casca, resultando no arroz integral. Posteriormente, para o arroz comum, faz-se a brunição e homogeneização para retirada do farelo de arroz. Finalmente o arroz é classificado de acordo com a porcentagem de grãos inteiros e quebrados.
Conclusão
O momento mais esperado da produção é a colheita. E planejar bem essa operação é essencial.
Neste texto, falamos sobre o momento ideal para colheita, regulagem de máquina e como analisar melhor alguns dados da lavoura.
Espero que essas informações e dicas estratégicas te ajudem no próximo planejamento de safra e nagestão de sua propriedade. Tenha uma boa colheita de arroz!
João Paulo é engenheiro eletricista formado pela Unifei e engenheiro-agrônomo formado pela UFLA. Ele é mestre e doutor em agronomia/fisiologia vegetal pela UFLA e PhD em ciências do ambiente pela Lancaster University.