About Jadiel Andognini

Sou engenheiro-agrônomo, formado no Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina, CAV-UDESC. Tenho mestrado em ciência do solo e atualmente sou doutorando no programa de pós-graduação em ciência do solo da mesma instituição.

Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina

Terbutilazina: saiba quando, onde e como usar esse novo herbicida que promete revolucionar o manejo de plantas daninhas no milho

O controle de plantas daninhas é um desafio nas lavouras de milho.

A terbutilazina é uma molécula nova, como ótima opção de manejo de daninhas de difícil controle.

Ela possui seletividade ao milho e bom controle de diversas espécies invasoras tolerantes ou resistentes a outros mecanismos de ação.

Neste artigo, você irá conhecer essa nova molécula, como age, recomendações de uso e muito mais. Boa leitura!

Terbutilazina: conheça o histórico do herbicida 

O princípio ativo terbutilazina foi desenvolvido na Europa, no final dos anos 1990, com uma molécula do grupo químico das triazinas.

Mas foi só em 2004, com o banimento da atrazina (devido a seu potencial de contaminação) em toda a União Europeia, que maior importância foi dada à terbutilazina.

Entre  2013 e 2016, a companhia detentora da tecnologia fez estudos no Brasil para o registro da terbutilazina para o milho. O registro foi concedido em outubro de 2020.

Os estudos dos efeitos desse herbicida no controle de plantas daninhas do milho duraram 8 anos no Brasil. Houve participação de muitos pesquisadores.

Segundo a indústria fabricante e as pesquisas, esse herbicida substitui a atrazina com alta eficiência na cultura do milho.

Já estão sendo realizados estudos para o registro da terbutilazina em outras culturas. Até o momento, ela mostrou-se eficaz no controle pré e pós emergente inicial de plantas daninhas, com alta seletividade.

Características da terbutilazina

A molécula integra um dos grupos químicos com características herbicidas mais importantes para a agricultura, as triazinas.

Imagem mostra a fórmula química molecular da terbutilazina

Fórmula molecular da terbutilazina

(Fonte: Fitogest)

Terbutilazina é um herbicida seletivo de ação sistêmica. É recomendado para o controle pré-emergente e pós-emergência inicial de plantas daninhas no milho.

É classificado em classe toxicológica 4 (produto pouco tóxico) e classe ambiental 2 (muito perigoso).

Mecanismo de ação

A terbutilazina inibe a fotossíntese no fotossistema 2.

O herbicida mantém-se ativo nos primeiros 5 cm do solo. Por isso, atua no banco de sementes das invasoras, com prolongado residual.

O produto é absorvido pelas folhas e principalmente pelas raízes. Nas folhas, ele interage com a proteína D1, inibe a transferência de elétrons.

Como resultado da ação na planta-alvo, você verá as folhas com clorose (folhas amareladas). Após isso, verá a necrose e a morte da planta daninha.

Foto de uma folha de soja, com sintoma de clorose por inibição do FS II

Sintoma de clorose por inibição do FS II em soja

(Fonte: BoosterAgro)

Eficiência na cultura do milho

O manejo de plantas daninhas do milho, especialmente das fases iniciais, é primordial para que o rendimento seja o melhor possível ao término da safra.

Mas tome cuidado, porque o erro na aplicação de alguns herbicidas faz crescer o número de daninhas resistentes.

A terbutilazina amplia o número de produtos disponíveis para o manejo integrado, com rotação de mecanismos de ação.

O uso desse produto reduz consideravelmente a população de plantas na fase inicial do desenvolvimento do milho. Isso acontece mesmo sob alta pressão de infestação.

Foto de uma lavoura de milho sob alta pressão de infestação de plantas daninhas. Na imagem, diversas daninhas estão no solo, aos pés das plantas de milho.

Lavoura de milho sob alta pressão de infestação de daninhas

(Fonte: Quimiweb)

Estudos demonstram a eficácia desse herbicida no controle de diversas espécies de difícil controle. A terbutilazina é eficiente até mesmo contra plantas daninhas resistentes a outros herbicidas comuns no manejo da cultura.

Espécies controladas pela terbutilazina

Você pode utilizar a terbutilazina para o controle de:

Faça a aplicação da terbutilazina em pré ou pós emergência inicial. Assim, você garante o controle e proporciona um campo limpo na fase crítica de desenvolvimento do milho (a fase inicial).

Como utilizar a terbutilazina?

Tenha conhecimento de quais plantas daninhas estão presentes em sua lavoura. Saiba também qual a pressão de infestação delas.

Para isto, é necessário um bom planejamento, gerenciamento de aplicações e controle da safra.

Para te ajudar a fazer um bom controle da aplicação da terbutilazina, preparamos uma planilha para você. Baixe gratuitamente clicando na imagem abaixo.

Procedimento de aplicação

Antes da aplicação, fique de olho nas condições ideais de solo e clima. Observe principalmente a umidade do solo, para que a eficácia do produto seja a maior possível.

Não aplique a terbutilazina em solo seco. Para maior eficiência do produto, o solo deve estar úmido durante a aplicação.

Aplique a terbutilazina logo após a semeadura, em pré-emergência. Faça isso em área total, via terrestre.

Podem aparecer plantas daninhas de folhas largas e estreitas após o milho germinar. Nesses casos, aplique em pós-emergência quando elas estiverem com até 6 folhas.

Não aplique terbutilazina com o solo seco. A umidade é necessária para que a molécula seja absorvida pelas plantas.

Dose

Utilize a dose de 1-3 L/ha para um volume de calda de 250 a 400 L/ha. Use esse volume para a aplicação tanto em pré quanto em pós emergência.

No preparo da calda, siga todos os procedimentos de segurança. Deixe todo o equipamento de pulverização em perfeita ordem. Aqui no blog,  nós já mostramos como fazer a limpeza do pulverizador agrícola de forma eficiente. Confira!

Durante a aplicação, use todos os equipamentos de proteção indicados e registrados para a tarefa.

Foto de um homem vestindo equipamento de proteção individual indicado para agroquímicos. Ele usa luvas, sapatos, roupa cinza e um capuz na cabeça. No fundo há um campo aberto, e ao lado, ícones em desenho que mostram cada parte da vestimenta adequada para aplicação de defensivos.

Equipamentos de proteção individual indicado para agroquímicos

(Fonte: CropLife)

Para a sua segurança, não entre nas áreas tratadas por pelo menos 24 horas após a aplicação do herbicida.

Esse intervalo de segurança serve para garantir a secagem da terbutilazina e minimizar possíveis intoxicações.

Produtos comerciais

Atualmente, estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento três produtos comerciais à base de terbutilazina. São eles:

  • Click;
  • Sonda;
  • Terbutilazina Oxon 500 SC I.

Todos os produtos citados são seletivos para a cultura do milho e apresentam formulação suspensão concentrada.

Na classificação toxicológica, esses herbicidas são considerados pouco tóxicos (Categoria 4).

Do ponto de vista ambiental, eles são classificados como muito perigosos ao meio ambiente (Classe II). Em caso de dúvidas sobre esses produtos, consulte a plataforma Agrofit do Mapa.

Conclusão

A variação de mecanismos de ação é muito importante para reduzir o banco de sementes de espécies daninhas resistentes.

A terbutilazina é uma molécula nova, presente em dois produtos comerciais que prometem revolucionar o manejo de plantas invasoras no milho.

Nesse artigo, você ficou sabendo que o herbicida causa clorose e morte nas folhas. Conferiu qual dose utilizar, o volume de calda ideal e os cuidados que devem ser tomados no momento da aplicação.

Inicie a safra livre da infestação de plantas daninhas, faça os manejos necessários e planeje-se!

E você? Já precisou utilizar a terbutilazina em sua lavoura de milho? Percebeu a eficiência desse herbicida? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como funciona o herbicida tembotrione para controle de plantas daninhas

Herbicida tembotrione: conheça como funciona, a quais plantas daninhas atinge, recomendações de uso, sua eficiência em conjunto com outros herbicidas e mais!

O controle de plantas daninhas é um grande desafio na cultura do milho no Brasil.

O tembotrione é um herbicida de bom desempenho no controle dessas plantas e da resistência a certos modos de ação.

Sua alta seletividade ao milho e amplo espectro de controle e eficiência fazem dele uma importante opção de manejo.

Neste artigo, você saberá mais como o herbicida tembotrione age e quais as recomendações de uso ideais. Boa leitura!

O que é o herbicida tembotrione

O herbicida tembotrione ou tembotriona pertence à família das tricetonas.

É um agroquímico seletivo. Ele possui um amplo espectro de controle, com ação sobre várias espécies de folhas largas ou estreitas.

Tembotrione é amplamente utilizado no controle de plantas daninhas do milho. Vêm sendo uma importante ferramenta no manejo de espécies resistentes.

Como o tembotrione age nas plantas

O herbicida tembotrione age interrompendo a biossíntese de carotenóides através da inibição da enzima hidroxifenil-piruvato-dioxigenase (HPPD).

Quando ocorre essa inibição, a planta daninha fica com coloração esbranquiçada. Essa coloração evolui para secamento das folhas e morte da planta.

Aspecto de planta com injúria de tembotrione

Aspecto de planta com injúria de tembotrione
(Fonte: USP)

A coloração esbranquiçada ocorre por causa da degradação da clorofila, o pigmento que dá coloração verde às plantas.

Você verá em poucos dias a coloração esbranquiçada nas plantas. Esse aspecto claramente define a atuação do produto.

A clorofila é responsável por absorver a energia que é usada na fotossíntese

Portanto, sem clorofila não há energia; sem energia não há fotossíntese; sem fotossíntese não há meios da planta sobreviver.

Esse mecanismo de ação é o mesmo do herbicida mesotrione, bastante difundido no mercado.

Importância do tembotrione no manejo de plantas daninhas

A eficácia dos herbicidas no controle de plantas daninhas em grandes culturas é variável. Depende das condições ambientais, da planta daninha e da época de aplicação.

Muitos casos de resistência aos principais herbicidas do mercado surgiram nos últimos anos, e um manejo integrado deve ser feito.

O uso incorreto de herbicidas não controla todas as daninhas. Elas se reproduzem e expressam seus genes de resistência no banco de sementes do solo.

Faça a rotação de herbicidas com o glifosato, atrazina, 2,4-D e tembotrione, por exemplo. Esse é um manejo sustentável ambiental e economicamente.

infográfico com mecanismos de ação que podem ser usados em rotação

Mecanismos de ação que podem ser usados em rotação
(Fonte: Mais Soja)

Tembotrione é um importante herbicida recomendado para uso em pós-emergência do milho. Vêm controlando satisfatoriamente as plantas daninhas da cultura.

Não utilize o tembotrione indiscriminadamente, pois isso pode inviabilizar o seu uso no futuro.

Eficiência na cultura do milho

O sistema do milho é acometido por uma diversidade de plantas daninhas. Fique de olho para que a colheita da cultura antecessora ocorra na ausência de plantas daninhas.

Faça o manejo correto na dessecação pré-plantio do milho. Utilize herbicidas com residual no solo, para a cultura se estabelecer rapidamente sem interferências.

As plantas daninhas podem persistir na lavoura mesmo com o efeito residual pré-emergente

Quando isso ocorrer, realize o manejo químico das plantas daninhas entre os estádios fenológicos  V3 e V5. Assim você evitará a competição e, consequentemente, a redução da produtividade.

Plantas daninhas folha estreita na fase inicial do milho

Plantas daninhas folha estreita na fase inicial do milho
(Fonte: Embrapa)

O tembotrione tem sido peça chave para um efetivo sistema de rotação de mecanismos de ação de herbicidas no milho.

Utilize esse mecanismo de ação também no controle da soja guaxa ou tiguera. Ela sobrevive após a dessecação da lavoura com glifosato.

Na utilização deste mecanismo de ação, respeite o estádio de desenvolvimento da planta daninha:

  • folhas largas: até 6 folhas desenvolvidas;
  • gramíneas: até 2 perfilhos.

Sintomas de fitotoxicidade por tembotrione no milho

Em aplicações com doses maiores ou com sobreposição de produto, as plantas de milho recebem uma quantidade maior de herbicida que podem suportar. Elas podem apresentar sintomas de fitointoxicação.

Os sintomas de intoxicação por tembotrione são branqueamento das plantas de milho com posterior necrose, além de morte dos tecidos vegetais em cerca de 1 a 2 semanas. 

Plantas daninhas controladas pelo tembotrione

O herbicida tembotrione é eficaz para diversas plantas daninhas que afetam a cultura do milho. Veja quais são:

Recomendação de uso do herbicida tembotrione

Utilize este produto como uma opção no manejo de plantas daninhas resistentes a outros mecanismos de ação.

Faça a rotação de princípios ativos de acordo com um planejamento de safra. Essa é uma forma de evitar o desenvolvimento de banco de sementes de plantas daninhas resistentes.

Continue utilizando o tratamento pré-semeadura do milho. Assim as plantas irão emergir e desenvolver inicialmente “no limpo”.

Algumas daninhas podem surgir mesmo com o manejo pré-semeadura

Nesse caso, em uma nova pulverização, use o tembotrione no início do desenvolvimento do milho. Dessa forma você evita a matocompetição e não sofre perdas econômicas.

Apesar de não causar danos, não aplique o herbicida tembotrione com a cultura bem desenvolvida. Ele tem o controle reduzido pelo “efeito guarda-chuva”.

Mistura de tanque

Você pode fazer mistura de tanque com glifosato e atrazina.

Estudos indicam que a mistura com glifosato aplicada em pós-emergência do milho pode gerar algum efeito de fitotoxicidade

No entanto, há um valor máximo de 8% nos 7 dias após emergência, e sem redução de produtividade.

Fique por dentro das doses corretas, para que esse efeito não seja maior e prejudique a sua lavoura.

A mistura de tanque com glifosato e mesotrione apresenta maior fitotoxicidade e menor controle de algumas plantas daninhas importantes.

tabela de eficiência de controle do tembotrione em mistura com atrazine

Eficiência de controle do tembotrione em mistura com atrazine
(Fonte: Mais Soja)

Dose de aplicação

Use um volume de calda de 150 a 200 litros por hectare em aplicação terrestre para todas as situações. Tenha o seu pulverizador em perfeitas condições para a aplicação.

Faça todas as aplicações com segurança e seguindo as recomendações da bula e do receituário agronômico!

Pontos de atenção na aplicação de tembotrione nas plantas

Não aplique o produto em plantas daninhas ou culturas que estejam sob estresse hídrico. Além disso, procure:

  • evitar aplicações quando as plantas daninhas estiverem molhadas ou com presença de orvalho. Isso pode causar escorrimento da calda de aplicação;
  • respeitar um período de 6 horas sem ocorrência de chuvas e orvalho para o adequado funcionamento do herbicida;
  • respeitar o prazo de 30 dias para semeadura de girassol, algodão e feijão, em áreas que receberam aplicações deste herbicida.

Controle da soja guaxa

Para controle da soja guaxa, uma dose de 180 mL de produto comercial por hectare é o recomendado para um controle eficiente.

Controle de plantas daninhas de folha larga

Para demais plantas de folha larga, com duas até 6 folhas desenvolvidas, no máximo, utilize dose de 240 ml/ha.

Controle de gramíneas

No controle de plantas daninhas monocotiledôneas ou gramíneas, use a dose de 240 ml/ha em plantas com até dois perfilhos.

Use uma dose de 180 ml/ha para plantas menores, com duas a seis folhas

Tembotrione no consórcio milho-braquiária

No cultivo do milho consorciado com braquiária é comum o uso de gramicidas. O tembotrione é uma das opções disponíveis no mercado.

Afinal, esse herbicida é seletivo à cultura do milho e é efetivo no controle das gramíneas.

Porém, a aplicação do tembotrione no consórcio milho-braquiária requer um certo cuidado. Isso é necessário para que a braquiária do consórcio não seja eliminada.

Mesmo a aplicação de subdoses de tembotrione pode atrasar o estabelecimento da braquiária e prejudicar a produção de palha do consórcio.

Produto comercial

Atualmente, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), em que os produtos são registrados, possui um herbicida comercial com esse princípio ativo.

O Soberan é um herbicida de detenção da empresa alemã Bayer.

Embalagem do Soberan, Tembotrione registrado no Mapa

Embalagem do Soberan, Tembotrione registrado no Mapa
(Fonte: Vila Verde Agro)

Veja as características do produto:

  • composição: Tembotriona – 420g/L; Outros – 783 g/L;
  • classe toxicológica: categoria 4 – produto pouco tóxico;
  • classificação do potencial de periculosidade ambiental: III – produto perigoso ao meio ambiente.
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Conclusão

O controle de plantas daninhas no milho é de grande importância. A utilização de variados herbicidas com diferentes mecanismos de ação é essencial.

O tembotrione age nas plantas causando o branqueamento das folhas antes das daninhas morrerem.

Você conferiu a melhor maneira de aplicar o produto: época, dose, mistura e volume de calda no tanque. Também conheceu o produto comercial que utiliza o ingrediente ativo tembotrione

Planeje-se para a aplicação do herbicida assim que notar a presença das plantas daninhas em sua lavoura.

>> Leia mais:

“Como fazer o manejo de herbicida para milho”

“Vassourinha de botão: como identificar e manejar”

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Tudo o que você precisa saber para controlar a larva arame

Larva arame: conheça as características, como identificar sintomas de ataque, como monitorar e fazer o controle efetivo dessa praga

A larva arame é uma praga inicial que danifica as sementes logo após a semeadura. O sistema radicular do milho e de outras gramíneas também é afetado.

Essa praga pode causar a morte de plantas. Como consequência, há grandes perdas econômicas.

As medidas do MIP (Manejo Integrado de Pragas) devem ser planejadas antes da semeadura. 

Por isso é importante conhecer bem as características e os danos causados pela larva.

Ao fim do artigo, você saberá como identificar e monitorar a larva arame e poderá tomar a decisão de quando e como controlá-la. Confira!

O que é a larva arame e quais suas características

A larva arame é uma praga perigosa para culturas de importância econômica.

Ela pertence à família Elateridae, principalmente aos gêneros Conoderus spp. e Melanotus spp.  Na fase adulta, são besouros.

Inseto adulto da larva arame

Inseto adulto da larva arame
(Fonte: Flickr)

Dependendo da espécie, o inseto adulto mede entre 6 mm e 19 mm. Possui corpo alongado e coloração marrom avermelhada, ou mais escura.

Durante o verão, as fêmeas depositam centenas de ovos brancos e esféricos no solo, agrupados de 20 a 40. Desses ovos eclodem as larvas praga.

Antes de se tornarem adultas, as larvas vivem no solo e se alimentam apenas de raízes e sementes de plantas.

No início da fase larval, possui coloração esbranquiçada. Quando completamente desenvolvida, sua cor muda para marrom-amarelada.

O corpo da larva mede até 2 cm de comprimento. É cilíndrico, fino e rígido. Por isso a denominação “larva arame”.

Larva arame em diferentes estágios

Larva arame em diferentes estágios
(Fonte: Insect Images)

Ataque da larva arame

As culturas em que esse inseto assume importância econômica são, principalmente:

  • milho;
  • trigo;
  • arroz;
  • batata.

As raízes destas culturas são afetadas pela alimentação do inseto.

Sintomas e danos 

Nas culturas do milho e do arroz, os danos são mais severos nas lavouras com sistema de integração com pastagem. Os danos acontecem majoritariamente no início da primavera.

As larvas se alimentam de sementes germinando, raízes e mudas jovens

O dano pode ser direto, com redução de crescimento e/ou morte da planta. Também pode ser indireto, deixando uma porta de entrada para patógenos no local do ferimento.

Plantas jovens são mais suscetíveis. Na lavoura, você poderá perceber plantas atrofiadas que costumam ser roxas ou escuras. 

Você também pode notar fileiras com plantas subdesenvolvidas ou mortas.

No milho, os danos ocorrem desde a semeadura até a fase V2/V3.

Uma inspeção mais detalhada revela buracos nas sementes, raízes e caules inferiores. Esses sinais confirmam o ataque da praga.

Dano da larva arame no milho

Dano da larva arame no milho
(Fonte: Universidade de Minnesota)

As plantas ficam atrofiadas, pouco desenvolvidas e o estande é reduzido. Como consequência, ocorre a perda de rendimento da cultura e perda econômica.

Monitoramento da larva arame

Utilize o MIP (manejo integrado de pragas) como rotina na sua fazenda. 

O monitoramento das pragas é a chave para controlá-las. Faça isso antes de causarem danos à plantação.

Para monitorar essa e outras pragas subterrâneas, colete uma amostra de solo de 30 cm x 30 cm a aproximadamente 10 centímetros de profundidade. 

Faça isso em alguns pontos da lavoura durante a pré-safra.

A média de uma larva por amostra é suficiente para reduzir o estande de plantas e causar danos econômicos.

Para te ajudar neste controle, preparamos uma planilha gratuita. Para baixar, clique na figura a seguir!

Você também pode automatizar esse controle com uso de um software de gestão agrícola como o Aegro

Com o sistema de monitoramento de pragas do Aegro você pode:

  • registrar o monitoramento e armadilhamento da lavoura pelo celular;
  • gerar relatórios sobre a incidência das pragas-alvo;
  • descobrir o momento certo para pulverizar, reduzindo seus custos com defensivos.

Além disso, você mantém um histórico de pragas e de aplicações feitas em cada talhão da lavoura. 

O MIP do Aegro pode ser testado gratuitamente por 7 dias. Peça agora uma demonstração e faça uma experiência gratuita!

Formas de controle

Caso identifique pelo menos uma larva arame por amostra, existem diferentes medidas de controle que podem ser tomadas:

  • manejo preventivo;
  • controle cultural;
  • controle biológico;
  • controle químico.

Proceda com o controle prontamente após detectar a presença da praga, e preferencialmente, antes da semeadura.

Entenda as medidas de controle com detalhes a seguir!

Manejo preventivo e controle cultural

Em áreas irrigadas ou com problema de excesso de umidade, controle a umidade da camada arável. 

Isso obriga o inseto a se aprofundar no solo, protegendo a raiz no início do desenvolvimento.

Elimine hospedeiros alternativos e plantas voluntárias que precedem a safra. Elimine também a destruição dos restos culturais logo após a colheita.

Prepare o solo (quando no planejamento de safra) com arado e/ou grade, expondo a praga a predadores e ao sol.

Caso utilize o plantio direto, integração pasto/lavoura ou mantiver plantas de cobertura, fique de olho. Nem sempre as duas últimas formas de manejo são possíveis. 

Planeje bem os manejos pré-plantio, para evitar danos o quanto antes.

Controle biológico

O controle biológico tem ganhado bastante força nos últimos tempos. Ele faz parte do conjunto de boas práticas no controle de pragas do MIP.

Coleópteros da família Staphylinidae, comumente chamados de “potós” ou “besouros-do-casaco”, são insetos carnívoros. Eles se alimentam de diversas pragas, incluindo a larva arame.

Besouro predador da família Staphylinidae

Besouro predador da família Staphylinidae
(Fonte: UFV)

Larvas da mosca-estilete (Therevidae) e algumas espécies de nematoides também são predadoras da praga.

Há grande expectativa no uso do fungo entomopatogênico Metharizium anisopliae para o controle da larva arame. 

Os bioprodutos hoje são formulações com estruturas de reprodução do fungo.

Use adequadamente esta tecnologia, de acordo com as recomendações do fabricante.

Bioproduto à base de Metarhizium anisopliae

Bioproduto à base de Metarhizium anisopliae
(Fonte: Koppert)

Controle químico

Antes de decidir pelo controle químico, considere uma abordagem integrada com os outros métodos citados anteriormente.

Faça o tratamento de sementes (TS) com inseticida sistêmico. Assim, você evita que a praga ataque a semente e as raízes da planta recém-emergida. 

Isso garantirá um bom controle da população da praga.

Semente de milho tratada

Semente de milho tratada
(Fonte: Pioneer)

O ingrediente ativo imidacloprido (neonicotinoide) + tiodicarbe (metilcarbamato de oxima), como o Cropstar da Bayer, é uma boa opção.

Somente o tiodicarbe (Futur 300, Luger 350, Pontiac 350) também é muito eficiente no controle de pragas iniciais na cultura do milho.

Realize tratamento químico para controle da larva arame sempre antes da semeadura ou durante no sulco, de forma preventiva. A aplicação curativa não é eficiente.

Essa prática tem a vantagem de aplicar mais ingredientes ativos próximo à semente e raízes

Ela tem maior persistência do que o tratamento de sementes, e protege as plantas por mais tempo.

Use inseticidas granulados indicados para a cultura. 

O ingrediente ativo Fipronil é uma opção com bom controle de pragas iniciais no milho. Produtos organofosforados (clorpirifós) também são eficientes no controle.

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Conclusão

A larva arame ataca sementes e raízes de milho, principalmente, batata e outras gramíneas.

O seu ataque afeta o vigor e reduz o estande de plantas, causando perdas econômicas consideráveis.

O planejamento, regularidade de monitoramento e integração de práticas de manejo é muito importante para o controle da praga.

Controle cultural, biológico e químico são recomendados para controlar a população da larva arame.

O controle químico deve ser feito de forma preventiva, aplicado no sulco de semeadura ou logo após a semeadura.

Sempre siga as recomendações da bula e instruções de um engenheiro-agrônomo para aplicação de produtos químicos.

>>Leia mais:

“5 pragas agrícolas resistentes a defensivos agrícolas e como combatê-las”

Já passou por problemas com a larva arame na sua lavoura? Espero que esse artigo ajude a planejar a próxima safra. Assine nossa newsletter para receber conteúdos semelhantes!

Saiba tudo sobre o ácaro azul das pastagens, uma praga emergente no Brasil

Ácaro azul das pastagens: conheça mais suas características, as culturas mais afetadas e a melhor forma de controle

O ácaro azul das pastagens é uma praga ainda pouco conhecida no Brasil, mas já presente em algumas lavouras. 

Seu ataque pode causar morte de folhas e de plantas inteiras.

A presença do ácaro azul gera perdas de produtividade e lucratividade. Além disso, afeta as culturas de inverno, principalmente cereais e pastagens.

Neste artigo, você irá conhecer o ácaro azul das pastagens, saber como identificar e também ver as melhores práticas de manejo e controle. Confira a seguir!

Características do ácaro azul das pastagens

O ácaro azul das pastagens (Penthaleus major) é uma espécie da classe Arachnida (mesma das aranhas e escorpiões) e da família Penthaleidae. 

Ele não é um inseto, e sim um aracnídeo.

Também conhecido como ácaro dos grãos de inverno ou ácaro azul da aveia, é uma praga presente no mundo todo.

Adulto do ácaro azul das pastagens

Adulto do ácaro azul das pastagens
(Fonte: ScienceImage)

Poucas são as informações disponíveis sobre o ácaro. Segundo estudos, duas gerações são formadas por ano e atacam principalmente no período do inverno. 

A temperatura ideal para o desenvolvimento da praga é de 8 °C a 15 °C. Confira suas principais características:

  • as larvas medem aproximadamente 0,3 mm;
  • as ninfas medem  0,5 mm;
  • o ácaro adulto mede 1 mm;
  • sua coloração é azul escura;
  • possui quatro pares de pernas, geralmente vermelhas.

Essa espécie prefere solos arenosos. Durante condições adversas, o ácaro azul das pastagens entra no solo a uma profundidade de até 40 cm para se proteger.

A praga foi detectada em 2009, no Rio Grande do Sul. Ela é recente e pouco conhecida. Houve poucos relatos até 2020, quando foi detectada no mesmo local.

Nos Estados Unidos e Europa, é uma importante praga do trigo e de pastagens no outono e inverno.

Como identificar o ataque no campo?

O ácaro azul das pastagens ataca gramíneas de inverno. Aveia, trigo, triticale, cevada e centeio são potenciais alvos.

Você pode identificar os campos infestados pela coloração cinza, prateada ou amarelada das plantas

Caso a infestação seja muito grande, as folhas ou até a planta inteira podem morrer.

Folha de trigo danificada pelo ácaro azul das pastagens

Folha de trigo danificada pelo ácaro azul das pastagens
(Fonte: Researchgate)

Você também poderá notar retardo no crescimento das gramíneas, e maior suscetibilidade às doenças foliares.

Não há muitos relatos dessa praga no Brasil. Apenas em áreas de pastagens no Rio Grande do Sul, mas sem causar danos graves.

Segundo pesquisa, o ataque severo da praga em gramíneas de inverno pode reduzir o rendimento pela metade.

Como identificar o ácaro azul das pastagens na sua lavoura

Em meados do outono e no final do inverno, avalie a lavoura para fazer o reconhecimento da praga. 

Observe cuidadosamente a folhagem das plantas e a superfície do solo. Também arranque algumas plantas em busca da praga dentro do solo.

O ácaro azul das pastagens evita a luz solar e muito vento. Por isso, faça o manejo no início da manhã ou ao final da tarde, em dias calmos, frescos e/ou nublados.

Após identificar o ácaro na sua lavoura, você pode contar com a ajuda do MIP (Manejo Integrado de Pragas). As medidas do Manejo Integrado poderão controlar melhor as pragas da sua lavoura. 

Para te ajudar nessa etapa, preparamos uma planilha de controle. Você pode baixar gratuitamente, clicando na imagem abaixo:

Manejo do ácaro azul das pastagens

Caso o ácaro azul esteja presente, intervenha quando a população atingir entre 2 e 30 indivíduos por planta, ou quando houver mudança de coloração para 10% das plantas.

Como é uma praga pouco conhecida, fique de olho caso haja registro nas proximidades de sua região.

Realize o MIP com constância, independente de observar danos. Entretanto, se observar sintomas do ataque da praga nas folhas das plantas, tenha atenção.

Se em algum monitoramento você detectar a presença do ácaro com população pequena, dispersa e houver poucos danos nas folhas, inspecione novamente após uma semana.

Utilize o controle cultural com rotação de culturas. As folhas largas, no período de inverno, são suas aliadas em caso da presença da praga.

Faça quando necessário o preparo do solo com aração e/ou gradagem como técnica de controle. Os ácaros vivem no solo e são muito expostos à luz e ao calor. Essas condições diminuem sua multiplicação.

Considere o controle químico quando a população ou os danos atingirem o limite de dano econômico.

O tratamento com controle biológico também pode ser uma boa opção. Há recomendação de ácaros predadores da família Phytoseiidae. 

Neoseiulus californicus e Phytoseiulus macropilis têm registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e são comercializadas por biofábricas.

Predador Neoseilus californicus utilizado no MIP

Predador Neoseilus californicus utilizado no MIP
(Fonte: Koppert)

Controle químico

Não há trabalhos no Brasil que avaliem a eficiência de acaricidas no controle desta praga. Afinal, ela é uma praga emergente e até então, possui pouca importância.

Um trabalho realizado na Europa avaliou a utilização do inseticida Permetrina, um ingrediente ativo do grupo químico dos piretroides no controle da praga. 

A aplicação de 50 ml de ingrediente ativo por ha resultou em significativa redução na população de ácaros. Além disso, houve aumento no rendimento das pastagens. Porém, a cultura sofreu efeitos colaterais, como redução de potássio e de rendimento.

No portal Agrofit há diversos produtos com esse ingrediente ativo registrados para o trigo e outras gramíneas. No entanto, vale lembrar que não existem produtos registrados especificamente para controlar o ácaro azul.

Outro produto testado em pastagens na Austrália e eficiente no controle do ácaro azul das pastagens é o dimetoato. Ele é um inseticida/acaricida sistêmico do grupo químico dos organofosforados.

O dimetoato está registrado no Mapa para o trigo em dois produtos: Dimetoato 500 EC (Nortox S.A.) e Dimexion (FMC Química).

Todas as aplicações de produtos químicos devem seguir as recomendações da bula e as boas práticas de manejo na agricultura.

Dê preferência a produtos seletivos aos inimigos naturais. Assim, será menor o risco de ocorrer pressão de seleção ao ácaro.

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Conclusão

Culturas de inverno, principalmente cereais e pastagens são os principais alvos do ácaro azul das pastagens. No entanto, existem formas de se livrar dele.

Monitore principalmente áreas com solo arenoso, pois proporcionam as melhores condições para o ácaro azul se desenvolver.

Folhas com coloração cinza a prateada ou amarelada são indicativos da presença da praga. Uma grande população pode matar plantas e reduzir significativamente a produção.

Faça monitoramento periódico no outono e inverno, e utilize a rotação de culturas com não gramíneas nesse período.

Utilize a pulverização com inseticidas/acaricidas quando necessário para o controle do ácaro azul das pastagens. E, é claro, não se esqueça de consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a)!

>> Leia mais:

“Como proteger sua lavoura dos ácaros na soja”

“Como fazer o controle efetivo do ácaro-rajado”

Já verificou danos semelhantes aos causados pelo ácaro azul das pastagens? Como fez para identificar e controlar essa praga? Adoraria ler seu comentário!

Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda

Tratamento de sementes de trigo: saiba quando fazer, quais produtos podem ser utilizados e como garantir a qualidade da operação

A compra de sementes certificadas é fundamental para garantir plântulas sadias, homogeneidade da lavoura e uma safra de sucesso.

Você pode fazer o tratamento de sementes de trigo na própria fazenda ou adquirir sementes pré-tratadas.

As doenças e pragas que atingem o trigo no início do desenvolvimento reduzem o estande de plantas e o rendimento da cultura, mas são controladas com o tratamento de sementes.

Neste artigo, você terá tudo o que precisa saber sobre o tratamento de sementes de trigo. Acompanhe!

Características do trigo

A planta de trigo (Triticum aestivum L.) é uma gramínea que pertence à família Poaceae.

A planta pode atingir até 1,5 m de comprimento, possui colmo oco e folhas planas, levemente ásperas. Em cada planta há entre 6 e 9. A última folha, chamada “folha bandeira”, é a mais importante. Os grãos são ovalados, tenros e farináceos.

O número de afilhos/perfilhos emitidos é variável conforme a cultivar e densidade de plantio.

ilustração com partes da planta de trigo antes do florescimento

Partes da planta de trigo
(Fonte: DocPlayer)

É explorada em larga escala como cultura anual de inverno. No Brasil, é cultivada principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O desenvolvimento de novas variedades permite que a planta seja cultivada em outras regiões, como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.

Pesquisadores têm lançado cultivares com alta estabilidade produtiva e fitossanitária, e com boa resistência às principais doenças como manchas foliares, giberela e brusone.

Apesar dos avanços notórios nas cultivares modernas, uma série de cuidados e práticas são requeridas para o máximo potencial genético ser extraído.

Vantagens do tratamento de sementes de trigo

Tratar as sementes de trigo com fungicidas e inseticidas têm diversas vantagens:

  • reduz o inóculo inicial de doenças e controla pragas iniciais da cultura;
  • aumenta a porcentagem de germinação de sementes;
  • forma plântulas mais vigorosas;
  • garante o estande de plantas homogêneo;
  • maior rendimento de grãos.

Lembrando que o tratamento de sementes de trigo sozinho não garante todas estas vantagens. É necessário que haja qualidade sanitária, poder germinativo e vigor de sementes.

Diversas doenças que ocorrem na lavoura podem ser disseminadas por sementes. Exemplo destas são as manchas foliares (amarela, marrom e septoriose), podridão comum das raízes, carvão e fusariose/giberela.

O controle do oídio e ferrugem é outra vantagem do TS, apesar de não serem transmitidas pela semente e sim por fontes de inóculo na palha. O agroquímico na semente é absorvido e translocado para as plântulas.

Pesquisas demonstram que o controle inicial de pragas beneficia indiretamente as plantas com o controle de viroses, transmitidas por insetos vetores.

infográfico com doenças que acometem o trigo nas diferentes fases

Doenças que acometem o trigo nas diferentes fases
(Fonte: Agropós)

Para entender melhor a importância do tratamento de sementes de trigo, a Revista Agrocampo disponibiliza esse vídeo, bastante esclarecedor:

Tratamento de Sementes na Cultura do Trigo

Tratamento industrial das sementes

Sementes são adquiridas já prontas para semeadura, pois foram tratadas industrialmente nas sementeiras.

Por ser um processo industrial, a eficiência é superior ao tratamento realizado na fazenda, em rapidez e qualidade de cobertura da semente.

Alguns produtos utilizados nem sempre são necessários, pois vêm num pacote sem escolha do agricultor. 

Essa é uma desvantagem: esses produtos não consideram o laudo da análise e o monitoramento da lavoura.

Equipamento de TS industrial

Equipamento de TS industrial
(Fonte: Mecmaq)

Como realizar o tratamento de sementes na fazenda

Faça o tratamento de sementes de trigo antes da semeadura a campo, seguindo todos os cuidados necessários com o manejo de agroquímicos.

Também conhecido como “treatment on farm”, é realizado na propriedade pouco antes da semeadura. É pouco prático para grandes volumes de sementes, pois os equipamentos são caros.

Associações e/ou cooperativas auxiliam realizando o tratamento com equipamentos menores que os industriais, inclusive alguns acoplados à tomada de força do trator.

Esse procedimento pode render até 70 sc por hora.

Utilizando este método, você pode escolher o produto a utilizar, de acordo com o laudo da análise sanitária das sementes. Isso torna a operação mais eficiente.

Equipamento de TS “On Farm”

Equipamento de TS “On Farm”
(Fonte: Mecmaq)

Escolha do produto

Primeiramente, para maior eficiência do tratamento, é necessário fazer análise de sementes.

A análise de sementes é um procedimento laboratorial que identifica, entre outras coisas, a porcentagem de germinação e o vigor de sementes. A análise sanitária identifica a incidência e as espécies de fungos na semente.

Conhecendo quais são as pragas do trigo e as doenças iniciais da lavoura, também é possível planejar no TS “On Farm” qual fungicida usar, de acordo com o espectro de ação.

Você pode usar diversos produtos e misturas com diferentes princípios ativos. Confira alguns exemplos na lista a seguir.

Baytan FS

Fungicida sistêmico (Triadimenol 150g/l) com amplo espectro de ação e exclusivamente indicado para o tratamento de sementes.

Controla manchas, oídio, ferrugem e carvão.

Captive

Fungicida (Captana 800g/kg) não sistêmico de ação preventiva, indicado para TS no trigo no controle de cárie, mancha marrom e fusariose.

Amulet Top

Mistura pronta contendo inseticida (Fipronil 250g/l) e fungicidas (Piraclostrobina 25g/l e Tiofanato Metílico 225g/l).

Protege sementes e plântulas contra doenças e ataque de pragas no início do desenvolvimento.

Attic

Fungicida de contato (Iprodiona 500g/l) indicado para controle de mancha marrom e brusone.

Certeza N

Fungicida sistêmico (Tiofanato-metílico 350 g/l) e de contato (Fluazinam 52,5g/l) com amplo espectro de ação, indicado no tratamento de sementes para o controle de fungos do solo.

Belure Top

Mistura pronta. Contém inseticida (Fipronil 250g/l) e fungicidas (Piraclostrobina 25g/l e Tiofanato Metílico 225g/l).

Dividend Supreme

Mistura pronta de amplo espectro contendo inseticida (Tiametoxan 92g/l) e fungicidas (Difenoconazol 37g/l e Metalaxil 3g/l). Específico para TS no controle de pulgões, pé-de-galinha, manchas, brusone e oídio.

Qualidade do tratamento

Fungicidas de formulação líquida possuem eficácia maior que em pó seco.

A quantidade de calda indicada para boa cobertura das sementes é variável. A má cobertura das sementes pode causar três tipos de plântula: originada de semente bem tratada, parcialmente e não tratada.

Assim, você pode esperar que um tratamento desuniforme resulte numa lavoura desuniforme, condição que você deve evitar!

Cuide com avarias nas sementes durante o tratamento. Sempre siga as instruções da bula e normas de segurança para o manejo.

Em lavouras de plantio direto, é comum ocorrer ataque de lagartas na cultura recém-instalada. Nestes casos, recomenda-se aplicar inseticida na dessecação para o controle dessas lagartas.

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Conclusão

O tratamento de sementes de trigo é importante para garantir o controle de pragas e doenças no início do desenvolvimento.

Sementes bem tratadas são a primeira garantia de um estande uniforme de plantas, que é componente de rendimento do trigo!

Compre sementes certificadas e faça a análise delas. Isso irá permitir escolher quais produtos utilizar no tratamento e reduzir os custos.

Não se esqueça de consultar um(a) agrônomo(a) para garantir a qualidade do manejo e a eficácia da operação.

>> Leia mais:

Veja as soluções para os principais problemas na colheita do trigo

Perspectivas para a safra de inverno

“Como o tratamento de plasma em sementes pode impulsionar a germinação”

“Mancha-amarela no trigo: veja como manejar a doença”

Qual prática você adota hoje: tratamento de sementes de trigo na fazenda ou industrial? Restou alguma dúvida? Vamos continuar essa conversa nos comentários!

Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura

Inseticida na dessecação: quando eles podem ser vantajosos e quais produtos usar para o controle de pragas na preparação para a safra!

Muitos insetos-praga sobrevivem de uma safra para outra e precisam ser controlados ainda na dessecação.

Mas você sabe como planejar essa operação para ter um resultado mais estratégico? 

E quanto à escolha dos produtos: o que você precisa considerar?

Confira neste artigo como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura e ganhe mais eficiência no controle de pragas no início da safra!

Planejamento da dessecação

A dessecação é uma prática adotada para eliminar a vegetação de uma área e iniciar a semeadura da cultura comercial “no limpo”.

Esse manejo elimina plantas daninhas e restos da cultura antecessora no pré-plantio. Isso evita que, durante a fase inicial de desenvolvimento da cultura, ocorra competição por recursos com as plantas invasoras. 

Além disso, ajuda a formar palha para plantio direto quando plantas de cobertura são utilizadas na entressafra.

As plantas que não são eliminadas na dessecação podem hospedar pragas que atacam a lavoura no início do ciclo da cultura.

A pulverização para dessecação exige um planejamento apropriado, que inclui a aplicação de herbicidas com mecanismo de ação adequado para cada tipo de planta daninha identificada. 

Outros aspectos essenciais para o planejamento são:

  • o momento correto da dessecação;
  • conhecimento do solo para obter um bom residual;
  • boas práticas para pulverização;
  • informações adequadas de condições climáticas.

Uma prática importante a ser considerada no planejamento é o uso de inseticidas na dessecação da área. Você verá mais sobre isso a seguir.

Uso de plantas de cobertura na entressafra

Considere a cultura anterior para a obtenção de boas produtividades. Muitos produtores rurais têm optado pelas plantas de cobertura verde na entressafra.

No sul do país, culturas como aveia, azevém e ervilhaca são comuns. Na região Centro-Oeste, o uso do milheto, braquiária e crotalária pode ser destacado.

Neste cenário, pragas como lagartas polífagas têm sido beneficiadas. Elas têm capacidade de se reproduzir nesses campos e se abrigar na palha junto ao solo até a cultura comercial emergir, quando cortam as plântulas.

Lagartas do gênero Spodoptera apresentam esse comportamento de sobrevivência no ano todo. Isso porque completam seu ciclo se alimentando de diversas espécies vegetais até o início do ciclo da cultura, quando comem as plântulas.

Lavoura dessecada para semeadura

Lavoura dessecada para semeadura
(Fonte: Dekalb)

Regiões produtoras das principais culturas (soja, milho e algodão), onde se utilizam plantio escalonado (sucessão de culturas e/ou uso de cobertura verde) disponibilizam alimento constante para insetos, principalmente estas lagartas.

Tendo em vista o cenário de redução de estande e a consequente redução de produtividade, você viu a importância do controle inicial das pragas.

Quando é válido usar inseticidas na dessecação?

O uso dos inseticidas na dessecação visa a eliminar pragas antes do plantio da cultura comercial.

Como todo manejo, exige a avaliação de quesitos que determinam a viabilidade ou não desta prática, pois pode não haver necessidade. 

E como saber se há real necessidade?

Existem maneiras de você saber se deve ou não aplicar o manejo, respondendo a alguns questionamentos.

  • o estande de plantas é reduzido significativamente pelas lagartas?
  • a infestação de lagartas é reduzida no ciclo inicial da cultura?
  • a produtividade é afetada pelas lagartas que sobreviveram na palha?
  • os benefícios econômicos da aplicação de inseticidas na dessecação são reais?

Antes de definir qualquer estratégia, você deve conhecer as espécies presentes e escolher fazer ou não o controle. Essa informação é obtida através do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Quais inseticidas usar na dessecação?

Os produtos com ação inseticida utilizados na dessecação são normalmente piretróides, carbamatos e organofosforados. Eles possuem como vantagem o menor custo, porém não são seletivos aos inimigos naturais.

Tendo em vista esse entrave, novas moléculas estão surgindo para contornar esse problema, agindo como ferramentas estratégicas do MIP.

Empresas têm apostado no metomil, se tratando de eficiência de controle e preservação contra inimigos naturais. Este inseticida pode ser utilizado com o glifosato, facilitando muito o manejo.

No entanto, estudo realizado no MT demonstrou que essa associação pode prejudicar a ação do inseticida citado acima, não recomendando essa mistura. O mesmo estudo demonstrou boa interação de tanque e bom controle do glifosato com IA espinosade.

Espinosade é um inseticida de origem natural do grupo químico espinosinas (extraído da bactéria Saccharopolyspora spinosa). Ele é seletivo aos principais inimigos naturais de pragas de lavoura.

A seletividade dos produtos preserva o controle biológico natural, prática básica do MIP. Este fator melhora o controle das pragas, embora algumas possam ser tolerantes ou resistentes a alguns IAs.

Outros IAs também podem ser utilizados em conjunto com glifosato com bons resultados, como mostra a imagem a seguir.

tabela com produtividade da soja após pulverização de diferentes inseticidas na dessecação

Produtividade da soja após pulverização de diferentes inseticidas na dessecação
(Fonte: Revista Planta Daninha)

Ambos os inseticidas citados são recomendados para as principais culturas de plantas de lavoura e possuem bons resultados no controle de lagartas. Mais informações sobre estes e outros inseticidas você pode encontrar no Agrofit.

A utilização do controle cultural é outra estratégia importante do MIP. Soja, milho e algodão com tecnologia BT auxiliam no controle das pragas que sobrevivem à pulverização na dessecação e ajudam na manutenção do estande de plantas.

Para te ajudar no processo de pulverização, separei uma planilha para você. Clique na figura a seguir para baixá-la gratuitamente.

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Conclusão

O uso de inseticida na dessecação é uma prática importante para o controle de pragas que podem atacar a lavoura no início do ciclo da cultura.

A eliminação ou redução da população de pragas (principalmente a Spodoptera) sem afetar os inimigos naturais é o objetivo dessa prática.

Avalie bem a situação de sua lavoura antes de decidir sobre usar ou não inseticidas na dessecação. Planeje bem sua safra e melhore seu plantio!

Escolha os produtos corretos para não gerar incompatibilidade e preservar os inimigos naturais e siga todas as recomendações de boas práticas agrícolas.

Isso aumenta a sua eficiência e rentabilidade. E não se esqueça: o planejamento é a chave para o sucesso de sua safra!

Ficou alguma dúvida sobre o uso de inseticida na dessecação? Conte a sua experiência sobre o assunto aqui nos comentários. 

Como reduzir os custos da gestão de herbicidas e tornar o manejo mais eficiente

Gestão de herbicidas: quais cuidados você deve tomar para um manejo eficiente e econômico de herbicidas

A qualidade e produtividade das plantas e a colheita mecanizada são negativamente afetadas pela presença de plantas daninhas.

Sem os herbicidas, o controle de plantas daninhas seria realizado manualmente.

O custo do controle pode triplicar quando há plantas resistentes a um ou mais modos de ação de herbicidas na lavoura. Por isso, plantas resistentes a herbicidas na lavoura merecem atenção redobrada!

Neste artigo, você verá como praticar a gestão de herbicidas e ter maior produtividade e qualidade do produto com o controle das plantas daninhas.   

Importância do uso e da gestão de herbicidas

A utilização de herbicidas é importante na produção agrícola brasileira porque permite minimizar a competição das culturas de interesse com plantas daninhas, e assim, maximizar os rendimentos da lavoura.

Culturas como soja, milho, trigo, feijão, algodão e cana-de-açúcar são produzidas em larga escala em grandes áreas e são dependentes dos herbicidas para reduzir a matocompetição.

A matocompetição é a “disputa” por espaço, luz, água e nutrientes de plantas daninhas com as cultivadas. Além de reduzir a produtividade das culturas, as espécies invasoras comprometem a qualidade dos grãos/sementes/pluma e a colheita mecânica.

Capim-amargoso (Digitaria insularis) na soja

Capim-amargoso (Digitaria insularis) na soja
(Fonte: Agronegócio em foco)

Não é só a falta de controle das plantas daninhas que gera prejuízos. Estratégias mal elaboradas ou falta de planejamento também resultam em danos. 

O gerenciamento adequado do uso de herbicidas envolve a diversificação dos produtos. Ela deve ser realizada pela rotação de moléculas com diferentes mecanismos de ação. 

Também é essencial que sejam respeitadas as orientações quanto à dosagem. Essas estratégias contribuem para prevenir a seleção de genótipos resistentes.

Ainda é importante conhecer o momento correto para a aplicação dos herbicidas. Ele é determinado pelo estádio de desenvolvimento da planta daninha e da cultura.

Má gestão dos herbicidas, aplicações não planejadas no estádio inadequado de desenvolvimento da cultura ou da daninha, além das sub ou super doses são comuns no campo. 

Tudo isso pode gerar problemas sérios, como a seleção de plantas resistentes.

Resistência de plantas daninhas aos herbicidas

Os índices de resistência de plantas daninhas a herbicidas vem crescendo de forma alarmante, resultado do uso equivocado de herbicidas.

No Brasil, algumas plantas invasoras já apresentaram resistência ao glifosato. A buva (Conyza spp.)  e o capim-amargoso (Digitaria insularis) são os principais exemplos.

Em um estudo realizado em 2017 pela Embrapa, foi determinado que no sistema de produção da soja, os prejuízos causados pela resistência de plantas a herbicidas se aproximam de R$ 5 bilhões anualmente.

Hoje, o custo com o manejo de plantas daninhas pode triplicar em lavouras com plantas resistentes quando comparado a um cenário sem elas.

Em lavouras com a presença de espécies resistentes aos herbicidas, os custos com o manjo podem triplicar. Isso quando comparados ao controle feito em áreas sem genótipos resistentes.

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Custo do controle de daninhas

Operações de pulverização com herbicidas são um custo relevante na safra. As diversas aplicações e o valor dos produtos tornam essencial o gerenciamento desta prática.

O conhecimento do histórico da área, das espécies predominantes ou existência de plantas resistentes auxilia o produtor na escolha de diferentes tratamentos.

O custo varia de acordo com o tamanho da área, com o grau de infestação da lavoura e da estratégia de manejo utilizada.

Não procure a forma mais barata de manejar plantas daninhas, mas sim a mais eficiente. Doses fora do recomendado e produtos inadequados selecionam plantas resistentes.

Veja na tabela abaixo como os custos aumentam à medida que há uma ou mais plantas com resistência na área, e entenda como a falta de gerenciamento pode encarecer o manejo.

tabela com custo (em 2017) do controle de diferentes plantas resistentes ao glifosato

Custo (em 2017) do controle de diferentes plantas resistentes ao glifosato
(Fonte: Embrapa Soja)

Em áreas em que não há presença de plantas resistentes, o manejo se resume a uma aplicação (de glifosato) na dessecação e uma ou duas em pós-emergência.

Segundo a Embrapa, o custo médio para o controle de plantas espontâneas é de R$ 120 por ha por safra.

No entanto, numa área onde há plantas com resistência ao glifosato, é necessário a combinação de mais de um produto para garantir a eficiência do manejo. 

Em caso de resistência múltipla, as opções de herbicidas são ainda mais restritas. Nesse caso, os custos podem chegar a R$ 380 por ha por safra.

Como controlar as plantas daninhas de forma eficiente

Para que a aplicação dos herbicidas seja eficiente, você precisa ter planejamento e saber como e quando irá fazer. Para isso:

  • Respeite as orientações da bula do produto quanto à dosagem e modo de aplicação;
  • Siga as orientações relativas às normas de segurança e ao uso de equipamento de proteção individual;
  • Realize a aplicação do herbicida somente sob condições climáticas favoráveis;
  • Em caso de mistura de produtos, avalie a compatibilidade dos herbicidas;
  • Utilize equipamentos limpos, regulados e calibrados;
  • Conheça as plantas invasoras predominantes na área e a melhor época para realizar o controle.

Como a agricultura de precisão pode ajudar na gestão de herbicidas

Uma boa forma de controlar a aplicação de herbicidas é gerenciar através de planilhas o histórico de cada área ou talhão, registrando, por exemplo:

  • espécies daninhas presentes, com ou sem resistência;
  • produtos utilizados (modo de ação, ingrediente ativo);
  • estádio da planta daninha e comercial no momento das pulverizações;
  • custo de aplicação (considerar todas as variáveis);
  • produtividade e valor de venda do produto.

Todas as informações possíveis de registrar são importantes, permitindo ao final da safra avaliar qual

Quanto mais informações forem coletadas melhor. Isso permite avaliar quais áreas merecem mais atenção, qual manejo foi mais eficiente e economicamente viável. 

Essas informações são muito importantes para o gerenciamento das próximas safras.

A informatização dos dados com a agricultura de precisão reúne técnicas que vêm se tornando comuns nas propriedades agrícolas, e auxiliam no gerenciamento da informação e do manejo.

Mapa digital de identificação de plantas daninhas - gestão de herbicidas

Mapa digital de identificação de plantas daninhas
(Fonte: Avantagro)

Hoje há equipamentos que fazem o mapeamento de plantas daninhas na lavoura através de sensores, e junto da tecnologia de aplicação em taxa variável, reduzem o número de aplicações de 40% a 60%.

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Conclusão

Para o controle eficiente das plantas daninhas, realize a aplicação dos herbicidas seguindo as recomendações abordadas neste artigo. 

Use os produtos e doses indicadas, no momento certo, analisando a espécie invasora e a cultura que será ou está plantada, para não errar o manejo. Isso irá te auxiliar no controle dos gastos com herbicidas.

Tenha a gestão de herbicidas como uma rotina na propriedade, para que não surjam casos de plantas daninhas resistentes. Assim, você irá aumentar sua produtividade sem elevar custos.

Tome muito cuidado com as daninhas resistentes. Elas podem se tornar um gasto muito grande. Utilize a rotação de princípio ativo e modo de ação para evitar esta dor de cabeça.

E por fim, utilize as ferramentas disponíveis no mercado, inove na sua propriedade, busque novos conhecimentos com pessoas capacitadas e invista em novas tecnologias.  

Todos esses passos te ajudarão a gerenciar e aumentar seus lucros!

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Tudo o que você precisa saber sobre plantas daninhas na pré-safra

Como fazer o controle não químico das plantas daninhas

“Tudo a respeito do novo herbicida terbutilazina”

Este artigo te ajudou a entender melhor como a gestão de herbicidas pode aumentar sua lucratividade sem elevar os seus custos? Conte-nos sua experiência aqui nos comentários!

Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde

Cigarrinha-verde: entenda seu comportamento e confira quais práticas de manejo cultural, biológico e químico podem ser mais eficazes no controle

A cigarrinha-verde é uma praga de grande importância nas principais culturas do Brasil. Sua presença descontrolada na lavoura pode causar perdas de até 90% na produção de grãos.

Mas sua identificação nem sempre é fácil: os danos causados por ela podem ser facilmente confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes nas plantas.

Neste artigo, você irá conhecer melhor a cigarrinha-verde e aprender como controlá-la de maneira eficiente na lavoura. Confira a seguir!

Características da cigarrinha-verde

A cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri ROSS & MOORE, 1957) pertence à ordem Hemiptera, a mesma dos percevejos e pulgões

A família Cicadellideae, onde está inclusa, é a maior da ordem, com mais de 21 mil espécies descritas.

O inseto adulto possui coloração verde-clara e corpo de aproximadamente 3 mm. É extremamente ágil e pode se dispersar rapidamente na lavoura.

Os ovos são postos nas nervuras no lado inferior das folhas e eclodem entre uma e duas semanas. As cigarrinhas ninfas (inseto jovem) são verdes-translúcidas e tornam-se adultas com aproximadamente 15 dias.

duas fotos de Ninfa de cigarrinha-verde

Ninfa de cigarrinha-verde
(Fonte: Biodiversidadvirtual)

Ação da cigarrinha

Grãos como feijão e soja podem ter a produtividade amplamente afetada com a alta população de cigarrinha-verde.

Elas possuem aparelho bucal picador-sugador: se alimentam introduzindo o estilete no floema e sugam a seiva da planta pela parte inferior da folha (mais acessível).

Somente o fato de inserir o estilete causa injúria na planta, pois é uma porta de entrada para outros patógenos como fungos e bactérias.

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão

Adulto de cigarrinha-verde em folha de feijão
(Fonte: Embrapa)

Enquanto suga a seiva, a cigarrinha injeta compostos tóxicos que podem bloquear o floema, impedindo que água e nutrientes cheguem a algumas partes da folha.

Por se tratar de uma praga polífaga, ela pode permanecer na lavoura entre cultivos. Isso acontece principalmente se houver plantas remanescentes (tiguera) ou plantas daninhas hospedeiras.

Sintomas e danos

Os danos causados pela cigarrinha-verde podem ser confundidos com estresse hídrico ou deficiência de nutrientes, justamente pelo fato do bloqueio dos vasos do floema. Só são visíveis dias após o ataque.

As lesões começam no ponto de alimentação e se desenvolvem com áreas de clorose (amarelecimento da folha). 

Além disso, as bordas das folhas apresentam leve encarquilhamento, com aspecto coriáceo e secamento.

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde

Feijão com sintoma da injeção de toxinas pela cigarrinha-verde
(Fonte: Embrapa)

Com o tempo, a área de clorose se expande e vai tomando conta da folha, que se curva e finalmente cai. 

Quanto maior a população de cigarrinhas, mais rápido esse processo ocorre e maior a área foliar perdida. O rendimento da lavoura é reduzido.

Além de tudo, pode acontecer abortamento de flores. Por isso o cuidado com o inseto deve ser redobrado na época de floração.

A cultura do feijão é a mais afetada por essa praga. O feijoeiro sofre sérios danos, especialmente no cultivo de seca, época em que a gama de outros hospedeiros é escassa. 

Há relatos de que o não controle da cigarrinha-verde gera expectativa de perdas de até 90% na produção de grãos.

Como fazer o controle da cigarrinha-verde

Várias estratégias de manejo podem e devem ser adotadas para controlar a população de cigarrinhas. 

A seguir, você verá o que fazer para se livrar dos problemas causados por essa praga.

Manejo integrado de pragas (MIP)

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é um sistema de manejo que associa o ambiente e a dinâmica populacional da praga. 

O sistema considera todos os métodos de proteção das plantas apropriados. Ele busca manter a população da praga abaixo de um nível de dano econômico (NDE) e dentro de um nível de equilíbrio (NE) ecologicamente viável.

Dentro do MIP, delimita-se um nível de controle (NC): uma população mínima da praga, onde táticas de manejo devem ser realizadas para não alcançar o NDE. 

Algumas medidas preventivas que devem ser adotadas no MIP são:

  • amostrar e monitorar a lavoura;
  • usar armadilhas;
  • promover ambiente adequado para inimigos naturais;
  • utilizar plantas isca;
  • controlar plantas daninhas e plantas “tiguera” (manejo cultural);
  • usar controle químico quando necessário.

Monitoramento semanal:

  • da emergência até 3-4 trifólios: avaliar a parte superior e inferior das folhas em 2m;
  • a partir de 3-4 trifólios até a floração: usar pano de batida;
  • o nível de controle para ambas as amostragens é de 40 ninfas.

A avaliação de adultos é difícil pela agilidade de deslocamento do inseto.

Você pode fazer o acompanhamento do monitoramento e outras práticas do MIP através de planilhas ou de um software agrícola como o Aegro

Com o Aegro, você pode registrar o monitoramento e o armadilhamento da lavoura pelo celular, acompanhando os resultados a qualquer momento.

Também gera relatórios sobre a incidência de pragas-alvo e verifica o momento certo para pulverizar, reduzindo até mesmo os custos com defensivos.

O MIP pode ser testado gratuitamente por 7 dias. Solicite aqui uma demonstração e experiência gratuita!

Controle Biológico

Agentes como parasitoides (Anagrus spp.) e fungos entomopatogênicos que atacam ovos, além de insetos benéficos (joaninhas e crisopídeos) que atacam ovos e ninfas, são indicados.

Parasitoide Anagrus flaveolus

Parasitoide Anagrus flaveolus
(Fonte: Wikimedia)

Este tipo de controle alternativo ainda é pouco utilizado, mas ultimamente vem ganhando muitos adeptos devido a sua eficiência e baixo custo.

Controle Químico

O controle químico com inseticidas é o manejo mais utilizado. Considere fazer a rotação de ingredientes ativos e mecanismos de ação diferentes para não selecionar insetos resistentes.

Os inseticidas de contato devem ser aplicados de maneira que atinja a superfície inferior das folhas. Os inseticidas sistêmicos podem ser pulverizados na superfície superior das folhas.

Listei alguns inseticidas registrados no Agrofit, de grupos e ingredientes ativos recomendados para controle de sugadores no algodão, feijão e soja.

Neonicotinoides

  • Acetamiprido – Aceta 200SP; Acetamiprid 200SP; AutenticoBR 200SP;
  • Imidacloprido – Gaucho FS; Imidagold 700WG;
  • Tiacloprido – Calypso 480SC;
  • Tiametoxam – Actara 250WG.

Organofosforados

  • Cloropirifós – Ciclone 480EC; Catcher 480EC;
  • Terbufós – Counter 150GR.

Piretroides

  • Fenpropatina – Meothrin 300EC; Damimen 300EC;
  • Bifentrina – Brigade 25EC; Seizer 100EC;
  • Etofenpoxi – Safety 300EC.

Usar uma combinação de ingredientes ativos é uma ótima alternativa por unir ação sistêmica e de contato.

Sempre utilize produtos registrados para a cultura e na dose recomendada, de acordo com o receituário agronômico.

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Conclusão

A cigarrinha-verde tem causado infestações cada vez maiores e danos principalmente à cultura do feijão.

A praga suga a seiva na parte inferior das folhas, que apresentam sintomas de encarquilhamento, secamento e amarelamento das bordas e necrose nos pontos de injúria.

Observe atentamente e faça amostragens periódicas da emergência ao florescimento, entrando com manejo ao atingir o nível de controle (NC).

O controle biológico é bastante eficiente se feito corretamente. Já o controle químico é o mais utilizado por sua eficácia e praticidade. 

Lembre-se desses detalhes ao escolher a melhor forma de manejo!

Já enfrentou problemas com cigarrinha-verde em sua lavoura? Como fez o controle? Divida sua experiência nos comentários!