Principais espécies de Brachiaria e características

A brachiaria já foi sinônimo de alimentação para o gado. Mas o papel dessa gramínea vai muito além de oferecer só forragem aos rebanhos. 

Além de melhorar a sanidade do solo e traz ganho de produtividade para outras culturas, principalmente grãos.

Mas quando é a melhor época para semear a forrageira? Quais espécies são as mais indicadas para proteção do solo, palhada ou alimento para o gado? Confira esses e outros pontos no artigo a seguir!

O que é uma Brachiaria?

A Brachiaria é um tipo de gramínea tropical usada em pastagens e na agricultura, como uma forma de melhorar a qualidade do solo

As espécies desse gênero, como Brachiaria brizantha, Brachiaria decumbens e Brachiaria ruziziensis, são conhecidas por sua resistência, alta produtividade e capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas e tipos de solo.

Essas gramíneas ainda ajudam na fixação de carbono e no aumento da matéria orgânica no solo, o que contribui para a melhoria da sua fertilidade.

Alguns tipos de Brachiaria também utilizados na recuperação de áreas degradadas e em sistemas de integração lavoura-pecuária, gerando  benefícios no controle da erosão, aumento da cobertura do solo e aumento da produtividade das pastagens.

Qual a importância da Brachiaria para o agronegócio?

Introduzidas nas décadas de 1950 e 60, as espécies do gênero Brachiaria são as principais plantas forrageiras utilizadas no Brasil atualmente. 

Com alta persistência em solos ácidos, a introdução do braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu) em 1965 foi a responsável por intensificar a bovinocultura de corte no país.

As espécies do gênero Brachiaria são nativas do continente africano e, salvo algumas diferenças que veremos a seguir, são todas originárias das savanas. Isso mostra seu enorme potencial e adaptabilidade ao nosso clima tropical e ao nosso cerradão.

A intensificação da pecuária de corte no Brasil foi impulsionada pela Brachiaria, que aumentou a produtividade e a capacidade de suporte das pastagens, elevando a taxa de lotação de 0,3 UA/ha para 1,5 UA/ha. 

Esse aumento de produtividade ajudou o Brasil a se tornar o maior produtor de carne bovina do mundo, com a Brachiaria ocupando 80% das pastagens do país.

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Quais são os tipos de Brachiaria?

Entre as principais espécies de Brachiaria se destacam a B. brizantha, a B. decumbens, B. ruziziensis e a B. humidicola.

Apesar das mais de 80 espécies do gênero, esses 4 tipos têm a maior importância econômica no Brasil e representam 80% das pastagens cultivadas no país.

A B. brizantha é de longe a mais utilizada, correspondendo por 50% das pastagens brasileiras atualmente, com três cultivares bem consolidados:

  • Cv. Marandu, famoso Braquiarão;
  • Cv. Piatã, lançado pela Embrapa em 2007;
  • Cv. Xaraés, lançado pela mesma empresa no ano de 2003.

Já com as espécies de Brachiaria decumbens temos a famosa braquiarinha cultivar Basilisk. Importada da Austrália na década de 60, dominou as pastagens brasileiras até a chegada do cv. Marandu. Alcançam até 70 cm de altura.

A espécie B. humidicola se divide em três cultivares: o cv. Lianero, o cv. Comum e o cv. Tupi. Enquanto a B. ruziziensis apresenta um cultivar de maior importância, o cv. Kennedy e um híbrido entre B. decumbens e B. ruziziensis muito utilizado atualmente, o cv. Mulato 2.

Como identificar uma Brachiaria?

A Brachiaria é usada, principalmente, nas áreas de pastagem e integração lavoura-pecuária, por conta da sua adaptação. 

Identificar essas plantas requer atenção a algumas das suas características, como o hábito de crescimento, o tipo de folha e a inflorescência. Confira:

  • Hábito de Crescimento: A Brachiaria geralmente cresce em touceiras, podendo ser ereta ou semi-ereta, dependendo da cultivar. Algumas espécies, como a Brachiaria decumbens, têm crescimento prostrado.
  • Folhas: As folhas da Brachiaria são estreitas, finas e podem ter bordas serrilhadas ou lisas, dependendo da variedade. A Brachiaria brizantha, por exemplo, possui folhas mais largas e com uma coloração verde-vibrante.
  • Crescimento Vegetativo: Apresenta estolões (ramificações que crescem horizontalmente ao longo do solo) em algumas espécies, como a Brachiaria decumbens, o que ajuda na cobertura do solo.
  • Tamanho: A altura pode variar dependendo da espécie, mas a maioria das Brachiarias tem uma altura entre 50 cm e 1,5 metros.
  • Inflorescência: As flores das Brachiarias são pequenas e formam uma inflorescência do tipo panícula, geralmente com várias ramificações. A cor da flor pode variar, mas em geral são de coloração esbranquiçada a amarelada.
  • Sementes: As sementes de Brachiaria são pequenas, geralmente de cor marrom ou preta, e com características específicas de cada cultivar.

Estabelecimento da forrageira após a sobressemeadura, ainda em consórcio com a soja

(Fonte: Embrapa)

Importância da Brachiaria para o plantio direto

Diante do nosso clima tropical, a brachiaria tem um papel fundamental para a adoção do sistema de plantio direto

Apesar de não ser a única alternativa para a produção de palha, ela se destaca pelas características rústicas e pela alta produção de biomassa, com relação C/N mais adequada para a persistência no solo.

A gramínea pode entrar de duas formas no sistema de produção:

  • Semeada em monocultivo após a primeira safra;
  • Consorciada na segunda safra.

Em ambos os casos, a semeadura da brachiaria deve ser realizada durante o período da segunda safra. Isso porque, pelas características do gênero, ela não apresenta crescimento expressivo em baixas temperaturas.

Entre as duas maneiras de incluir a brachiaria no SPD, o consórcio é o mais técnico, mas divide opiniões. Diante disso, trataremos dessa técnica um pouco mais a fundo.

Consórcio com brachiaria

O consórcio de forrageiras, como a brachiaria, com culturas graníferas, teve início com o Sistema Barreirão da Embrapa. 

O sistema consistia no cultivo de arroz de sequeiro consorciado com a forrageira, buscando amenizar custos de renovação da pastagem.

Nessa técnica, o solo passava por um preparo pesado, sem o uso do plantio direto. A ideia era corrigir o perfil do solo em profundidade, reformando a pastagem degradada, sem a intenção de rotacionar a área com agricultura.

Anos depois, a Embrapa lançou o Sistema Santa Fé, que incluiu os princípios do plantio direto ao consórcio e preconizou a rotação entre pastagem e agricultura na área.

A partir disso, o uso de culturas como milho e sorgo no consórcio com brachiaria cresceu exponencialmente, pois muitos experimentos mostraram a manutenção da produtividade dessas culturas na presença da brachiaria.

Integração Lavoura-Pecuária

O uso da integração entre lavoura e pecuária vem aumentando no Brasil nos últimos anos. 

Assim, os pecuaristas buscam reduzir os custos de renovação da pastagem. Já os agricultores visam a diversificação da propriedade e até a renda de uma terceira safra!

Essa técnica, é possível ter uma  safra de verão com soja, por exemplo, uma safrinha de milho ou sorgo consorciado à brachiaria e, após a colheita da safrinha, o gado entra na jogada até o plantio da próxima safra.

Nesse caso, a utilização de capins mais rústicos e produtivos, como o capim Marandu ou Piatã, são as melhores opções.

No entanto a “safrinha de boi”, como ficou conhecida pelos divulgadores da técnica, não é obrigatória, você pode rotacionar as áreas da fazenda entre agricultura e pasto.

Além disso, a forrageira pode entrar de outra maneira no sistema de produção, com a técnica da sobressemeadura da brachiaria na soja, realizada entre a fase de enchimento de grãos e o início da maturação (R5 a R7).

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Características das brachiarias e manejo dos sistemas

Cada cultivar das brachiarias tem suas características específicas, que determinam seu uso e manejo adequado. 

A escolha depende de fatores como resistência a pragas, capacidade de adaptação ao clima e solo, além da produtividade e tolerância ao pastejo. Confira a seguir: 

1. Brachiaria brizantha

A Brachiaria brizantha é uma planta forrageira perene de crescimento ereto ou semi ereto, originária da África. 

Adaptada a altitudes de 80 a 2.000 m e precipitação de 500 a 2.500 mm anuais, tolera solos com pH entre 4 e 8, demonstrando alta capacidade de adaptação.

Introduzida no Brasil em 1967, a cultivar Marandu (braquiarão) se destacou pela produtividade, resistência à cigarrinha-das-pastagens e boa digestibilidade. 

Novas cultivares surgiram posteriormente, como Xaraés (2003) e Piatã (2007), ampliando as opções para pastagem.

Cultivares Principais
MaranduXaraésPiatã
Altura de 1 a 1,5 mCrescimento ereto, altura de 1,5 mPorte médio (0,8 a 1 m)
Boa adaptação ao clima tropicalAlta produtividade e prolongamento do pastejo na secaProdução entre 17 e 20 t de matéria seca/ha
Alta produção (até 20 t de matéria seca/ha)20% mais capacidade de suporte que MaranduBoa resistência às cigarrinhas 
Resistente à cigarrinha e livre de fotossensibilidadeSuscetível à mela das sementes e cigarrinhasTolerância moderada a solos mal drenados
Manejo com 20 cm (pastejo contínuo) ou 25 cm/15-18 cm (pastejo rotacionado)Manejo com 25 cm (pastejo contínuo) ou 30 cm/15-20 cm (pastejo rotacionado)Manejo com  35 cm (pastejo rotacionado)

As cultivares de Brachiaria brizantha são adequadas para integração lavoura-pecuária, com recomendação de menor densidade de plantas (6 a 12 plantas/m²) quando consorciadas com milho, a fim de evitar perda de produtividade. 

Para dessecação, as plantas podem apresentar resistência moderada ao glifosato, sendo indicada a aplicação de 3 a 4 L/ha.

2. Brachiaria decumbens

A Brachiaria decumbens cv. Basilisk é uma das gramíneas tropicais mais cultivadas, desde a expansão para o Brasil entre 1968 e 1974.

Sua adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade favorece o estabelecimento e competição com a vegetação nativa. 

Com crescimento prostrado (50-100 cm), alta emissão de estolões e folhas curtas e eretas, é resistente a curtos períodos de seca (mínimo de 800 mm de água/ano), mas não tolera solos encharcados.

Produz entre 8 e 10 toneladas de matéria seca/ha/ano, sendo 80% no período chuvoso e suas sementes têm dormência de até 12 meses, dificultando a erradicação.

Brachiaria e Cobertura do Solo

A Brachiaria decumbens é eficiente na cobertura do solo, seja consorciada com milho/sorgo ou semeada sobre a soja. 

No entanto, sua difícil erradicação e dormência prolongada tornam seu controle desafiador, enquanto outras espécies, como a ruziziensis, podem ser mais indicadas para essa função.

Embora tenha valor nutricional semelhante a outras braquiárias, a decumbens apresenta menor produtividade e resposta à adubação quando comparada à B. brizantha

Além disso, é suscetível às cigarrinhas-das-pastagens, o que pode comprometer sua viabilidade em sistemas de longo prazo.

Para integração lavoura-pecuária, espécies mais produtivas e eficientes no aproveitamento de adubação residual podem ser alternativas mais vantajosas.

3. Brachiaria humidicola

Para terrenos mal drenados, a principal indicação são as cultivares da B. humidicola. Elas apresentam crescimento estolonífero e boa adaptação a solos com baixa fertilidade. 

Mas apenas a cultivar comum apresenta tolerância às cigarrinhas das pastagens. Em geral, todas as cultivares têm um estabelecimento lento devido ao menor enraizamento dos estolões.  

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4. Brachiaria ruziziensis

A B. ruziziensis é a espécie mais utilizada no sistema de plantio direto na palha. Ela tem rápido estabelecimento e fácil dessecação e controle. 

Porém, possui baixa adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade, alta suscetibilidade às cigarrinhas das pastagens e baixa competição com as invasoras. Tudo isso limita sua escolha na hora de implantar o sistema.

Semeadura da brachiaria

A semeadura da forrageira em consórcio com milho ou sorgo pode ser tardia, na adubação de cobertura (V3-V5). Isso diminui a competição com a cultura principal e, consequentemente, a produção de forragem.

A semeadura da forrageira pode ser feita também junto com o plantio do milho, a lanço, na entrelinha da cultura ou na linha, semeada em maior profundidade. 

Esse tipo de estabelecimento aumenta a produção de forragem e pode ser uma escolha mais interessante quando a forrageira for utilizada para recria e engorda do gado de corte.

Para diminuir a competição na semeadura conjunta das duas espécies, você pode lançar mão da utilização de graminicidas em subdosagem aliados à atrazina.

O herbicida atrazine deve ser usado na dose de 1500 g i.a./ha (3 L p.c./ha) para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas. 

Já o nicosulfuron é recomendado na dose de 4 a 8 g i.a./ha (0,1 a 0,2 L p.c./ha), visando o controle das invasoras de folha larga e a diminuição do crescimento da forrageira, sem matá-la.

brachiaria

(Fonte: Adaptado de Tsumanuma, 2004 e Pantano, 2003)


O que é agricultura?

A agricultura é a prática de cultivar a terra para a produção de alimentos, fibras, combustíveis e outras commodities essenciais para a sobrevivência e o desenvolvimento humano.

Desde os primórdios da civilização, a agricultura tem sido a base da subsistência humana, permitindo a formação de sociedades complexas e o avanço econômico, envolvendo um conjunto de técnicas e conhecimentos, como:

  • Cultivo de plantas: Como grãos (soja, milho, trigo), hortaliças, frutas, cana-de-açúcar, café, entre outros;
  • Criação de animais: Como gado, aves, suínos, ovinos, caprinos, entre outros, para a produção de carne, leite, ovos, lã e outros produtos;
  • Agroindústria: O processamento de produtos agrícolas em bens de consumo, como alimentos, bebidas, biocombustíveis e produtos têxteis;
  • Pesquisas e inovações: Tecnologias aplicadas à agricultura, como a agricultura de precisão, que visa aumentar a produtividade e reduzir os impactos ambientais.

A agricultura garante a segurança alimentar, o desenvolvimento das economias rurais e a sustentabilidade global, além de ser uma das principais fontes de emprego e renda em diversos países, especialmente no Brasil.

No Brasil, a prática é o centro da economia, sendo responsável por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações.

Tipos de agricultura

  • Agricultura tradicional: Utiliza métodos rudimentares e geralmente depende mais da mão de obra humana e animal;
  • Agricultura moderna: Emprega máquinas, insumos químicos e tecnologia para aumentar a produtividade;
  • Agricultura sustentável: Busca equilibrar a produção com a preservação ambiental, usando práticas como rotação de culturas e agroecologia;
  • Agricultura de precisão: Usa sensores, drones e softwares para otimizar o uso de insumos e melhorar a eficiência da lavoura;
  • Agricultura comercial: Voltado para a venda em larga escala, destinado a mercados nacionais e internacionais;
  • Agricultura patronal intensiva: Caracterizado pelo uso intensivo de tecnologia, insumos e mão de obra especializada em grandes propriedades ou empresas do agronegócio.

No Brasil, a agricultura ocupa cerca de 30% do território nacional e emprega diretamente mais de 18 milhões de pessoas.

O país é um dos maiores produtores mundiais de soja, milho, café e carne bovina, exportando para mais de 160 países.

Mesmo com números positivos, a agricultura como um todo enfrenta desafios com as mudanças climáticas, escassez de água e degradação do solo, exigindo inovações para garantir a produção sustentável no futuro.

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História da agricultura

A agricultura teve início há aproximadamente 12.000 anos, quando comunidades humanas começaram a domesticar plantas e animais, passando de um estilo de vida nômade de caça e coleta para a sedentarização em aldeias agrícolas.

Essa transição permitiu o desenvolvimento de excedentes alimentares, o que, por sua vez, levou ao crescimento populacional e ao surgimento de civilizações complexas.

As primeiras evidências arqueológicas de práticas agrícolas foram encontradas na região conhecida como Crescente Fértil, no Oriente Médio, abrangendo áreas dos atuais Iraque, Síria, Líbano, Israel e Egito.

Culturas como trigo e cevada começaram a ser cultivadas sistematicamente. Simultaneamente, em outras partes do mundo, como na China e nas Américas, povos indígenas desenvolveram práticas agrícolas independentes, cultivando arroz e milho, respectivamente.

No Brasil, as práticas agrícolas indígenas já estavam estabelecidas muito antes da chegada dos colonizadores europeus. 

Culturas como mandioca, milho e batata-doce eram amplamente cultivadas por diversas etnias indígenas. Com a colonização, novas culturas foram introduzidas, e a agricultura virou uma atividade econômica central, especialmente com o cultivo de cana-de-açúcar e café.

Onde surgiu a agricultura?

A agricultura surgiu há cerca de 10.000 anos durante o período Neolítico, quando os seres humanos passaram de caçadores-coletores para sociedades agrícolas.

Esse processo aconteceu de forma independente em diferentes partes do mundo, mas os primeiros registros estão na região do Crescente Fértil, que inclui partes do Oriente Médio, como o atual Iraque, Síria, Turquia e Irã.

Foi durante este período que alguns países se tornaram os centros de origem da agricultura, com as seguintes culturas:

  • Crescente Fértil (Oriente Médio): Cultivo de trigo, cevada e lentilha;
  • China: Produção de arroz e painço;
  • Mesoamérica (México e América Central): Domesticação do milho, feijão e abóbora;
  • Andes (América do Sul): Cultivo de batata e quinoa;
  • África Ocidental: Primeiros cultivos de sorgo e milhete.

Quais são as atividades econômicas da agricultura?

As atividades econômicas relacionadas à agricultura vão além do cultivo de plantas e criação de animais.

Essas atividades auxiliam no desenvolvimento e na modernização do setor, tornando a agricultura não apenas a base de várias cadeias produtivas, mas também um pilar de inovação na economia global.

Neste contexto, as principais atividades econômicas da agricultura incluem:

  • Agroindústria: Processamento de produtos agrícolas em alimentos, bebidas, têxteis e biocombustíveis.
  • Comercialização: Distribuição e venda de produtos agrícolas nos mercados interno e externo.
  • Serviços agropecuários: Prestação de serviços como consultoria agronômica, pesquisa e desenvolvimento, e assistência técnica.

O que são sistemas agrícolas?

Sistemas agrícolas são os modelos de produção usados para cultivar plantas e criar animais, variando de acordo com fatores como clima, solo, tecnologia e objetivos econômicos.

Esses sistemas são responsáveis por determinar a forma como os recursos naturais e insumos são manejados. Alguns exemplos incluem:

  • Sistema agroflorestal: Integra o cultivo de árvores com culturas agrícolas e/ou criação de animais, promovendo benefícios ecológicos e econômicos;
  • Sistema de plantio direto: Técnica que evita o revolvimento do solo, mantendo a cobertura vegetal para preservar a umidade e a estrutura do solo;
  • Sistema hidropônico: Cultivo de plantas sem solo, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada.

Cada sistema agrícola tem suas vantagens e desafios, sendo escolhido de acordo com as condições ambientais, a disponibilidade de recursos e os objetivos do cultivo.

Agricultura moderna e agricultura tradicional: O que muda?

A agricultura tradicional preserva técnicas herdadas ao longo de gerações, com menor mecanização e menor dependência de insumos químicos. Costuma valorizar o equilíbrio ambiental e o uso de práticas sustentáveis, como a rotação de culturas e o manejo manual do solo.

Já a agricultura moderna faz uso intensivo de tecnologia, incluindo maquinário agrícola, irrigação controlada e biotecnologia, permitindo maior eficiência no uso dos recursos.

Enquanto a agricultura tradicional é mais sustentável a longo prazo, a agricultura moderna tem sido essencial para atender à crescente demanda mundial por alimentos.

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O que é agricultura comercial?

A agricultura comercial é dedicada para produção em larga escala, com o objetivo de vender os produtos no mercado, seja nacional ou internacional.

Diferente da agricultura de subsistência, que busca suprir apenas as necessidades de uma família ou comunidade, a agricultura comercial foca no lucro e na eficiência.

Suas principais características são a produção em larga escala, em grandes áreas de terra para o cultivo de monoculturas, como soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar.

Esse modelo também faz uso intensivo de tecnologia, com máquinas agrícolas, irrigação avançada, insumos químicos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, e até drones para otimizar a produtividade.

Além disso, tem um forte foco na exportação, com muitos de seus produtos, como grãos, carne e frutas, sendo comercializados em mercados internacionais.

Normalmente, as propriedades agrícolas são especializadas em um ou poucos tipos de cultura ou criação de animais, o que favorece a eficiência e a escalabilidade.

No Brasil, esse tipo de agricultura é uma das principais forças econômicas, sendo um dos maiores setores responsáveis pelo PIB e pelas exportações.

Qual o papel dos agroquímicos na agricultura?

Os agroquímicos incluem fertilizantes, defensivos agrícolas e reguladores de crescimento, sendo usados para aumentar a produtividade e proteger as culturas de pragas e doenças. 

Mesmo sendo importantes para aumentar a produtividade, os agroquímicos trazem preocupações ambientais e de saúde, como a resistência das pragas, contaminação de solos e águas e riscos para os trabalhadores e consumidores.

O recomendado é que sejam usados de forma responsável, seguindo as orientações de aplicação e buscando alternativas mais sustentáveis, como o uso de biopesticidas ou práticas agrícolas integradas.

Sabendo isso, existem alguns tipos de agroquímicos, cada um com a sua determinada função de uso. Confira:

  • Defensivos agrícolas (pesticidas): Protegem as culturas contra pragas, fungos e ervas daninhas, evitando perdas na produção.
  • Fertilizantes: Fornecem nutrientes essenciais para o crescimento das plantas, melhorando a qualidade e o rendimento das lavouras.
  • Reguladores de crescimento: Estimulam ou inibem processos fisiológicos das plantas, auxiliando no florescimento e no amadurecimento.

Qual a importância da agricultura no Brasil e no mundo?

A agricultura no Brasil é responsável por uma parcela grande do Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos e exportações.

Em 2023, o setor agropecuário brasileiro registrou um crescimento de 15,1%, alcançando R$ 677,6 bilhões. Esse desempenho impulsionou o PIB nacional, que aumentou 2,9% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 10,9 trilhões.

Além disso, houve uma receita de US$ 159 bilhões em 2022, contribuindo para o saldo comercial do país com US$ 62 bilhões. O Brasil é o maior exportador global de commodities agrícolas, como soja, milho, café, carne bovina, aves, açúcar e celulose.

Desafios e perspectiva da agricultura brasileira

A agricultura enfrenta desafios como mudanças climáticas, regulamentações internacionais e infraestrutura deficitária. No entanto, avanços tecnológicos e práticas sustentáveis podem garantir o crescimento do setor. 

O investimento em biotecnologia, gestão hídrica e sistemas agrícolas inteligentes é preciso para manter a competitividade global.

Desafios da agricultura

  • Mudanças climáticas: Eventos extremos, como secas e enchentes, impactam diretamente a produtividade agrícola;
  • Pressões ambientais: A expansão da agricultura em áreas sensíveis exige práticas de conservação e monitoramento;
  • Infraestrutura logística: Melhorias no transporte e armazenamento são necessárias para reduzir perdas e custos.

Perspectivas para o futuro da agricultura

  • Expansão do uso de biotecnologia: O desenvolvimento de cultivares mais resistentes pode aumentar a produtividade.
  • Sistemas agrícolas sustentáveis: Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e manejo eficiente da água são tendências em crescimento.
  • Agroindústria: Desenvolvimento de novos produtos processados, como alimentos orgânicos e derivados da soja, pode aumentar a competitividade e a rentabilidade do setor.
  • Mercado Global de Alimentos: O Brasil é visto como um “celeiro do mundo” e continua sendo um dos maiores fornecedores de alimentos, especialmente para mercados da Ásia, Europa e América do Norte. A demanda global por alimentos, com o crescimento da população e mudanças nos padrões alimentares, oferece uma perspectiva positiva para as exportações brasileiras.
  • Automação e digitalização: A agricultura de precisão permite um melhor uso de recursos e maior eficiência produtiva.

A agricultura brasileira está em uma encruzilhada entre desafios ambientais, sociais e econômicos, mas também tem um grande potencial de crescimento.

A adoção de novas tecnologias, práticas sustentáveis e a diversificação das exportações são importantes para assegurar o futuro do setor, posicionando o Brasil como líder global em produção agrícola sustentável.

Previsão do preço da soja para 2025

O mercado da soja é um dos pilares da economia global e o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores da cultura, tem um papel estratégico no abastecimento mundial.

A soja, presenta na alimentação humana, na produção de ração animal e ba fabricação de biocombustíveis, ter uma forte influência na balança comercial brasileira.

Nos últimos anos, o preço da soja apresentou variações, impulsionado por fatores climáticos, geopolíticos e econômicos.

Produção de Soja no Brasil para 2025

O Brasil segue como um dos principais produtores e exportadores de soja do mundo. Para a safra 2024/25, a produção está estimada em 169 milhões de toneladas, um aumento em relação às safras anteriores. 

Esse crescimento reflete o avanço da tecnologia agrícola, a expansão da área plantada e o uso de práticas de manejo mais eficientes.

As principais regiões produtoras, como Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, devem manter uma participação expressiva na produção nacional. 

No entanto, as condições climáticas, como a influência do El Niño ou La Niña, podem impactar diretamente o desempenho das lavouras e, consequentemente, o preço da soja.

Qual a previsão para a safra de soja 2025?

A previsão da safra de 2025 aponta para um volume recorde de 169 milhões de toneladas no Brasil. Esse resultado depende de fatores climáticos favoráveis e de uma boa gestão agronômica. 

No cenário internacional, é esperado uma produção global de 427,1 milhões de toneladas, com destaque para a recuperação da produção na Argentina, estimada em 50 milhões de toneladas.

A implementação de estratégias de manejo adequado e monitoramento contínuo vão ajudar a garantir que a safra alcance seu potencial máximo e contribua para a manutenção da competitividade do Brasil no mercado global.

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Estoques globais e o impacto no preço da soja

A expectativa é de que os estoques finais globais alcancem 131,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 17,6% em relação ao ciclo anterior. 

Esse crescimento ocorre devido à expansão da produção global, não acompanhada pelo consumo no mesmo ritmo.

No Brasil, o estoque final da safra 2024/25 está projetado em 33,5 milhões de toneladas, acima dos 28 milhões de toneladas da safra anterior, mas ainda abaixo dos níveis observados em anos anteriores.

Estoques elevados tendem a pressionar o preço da soja para baixo, uma vez que indicam maior disponibilidade do grão no mercado. 

As políticas de exportação dos países produtores, variações no câmbio e os custos logísticos também influenciam a formação dos preços.

A demanda chinesa, que representa a maior fatia das importações globais de soja, será um fator determinante para a sustentação das cotações, especialmente diante das incertezas no mercado internacional.

Diante desse cenário, o monitoramento constante das tendências de mercado e o uso de estratégias de comercialização vão fazer diferença para otimizar a rentabilidade da safra.

Fatores que influenciam o preço da soja

Os impactos climáticos são um dos principais fatores de impacto na produção e, consequentemente, nas cotações da soja

A dinâmica de oferta e demanda global, os estoques finais, os custos logísticos e as políticas comerciais dos principais países produtores e importadores influenciam diretamente o mercado, além de:

  • Taxa de câmbio: A valorização ou desvalorização do real frente ao dólar influencia diretamente a competitividade da soja brasileira no mercado internacional.
  • Custo de produção: Os preços dos insumos agrícolas impactam o custo final da produção e, consequentemente, o preço da soja.
  • Política internacional: Questões geopolíticas podem afetar o fluxo comercial e as cotações da soja.
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Qual o valor da soja 2025?

As projeções indicam que o preço da soja deve variar entre US$21,4 e US$22,0 por saca no mercado internacional, considerando o período entre janeiro e julho de 2025.

No Brasil, com um câmbio estimado em torno de R$6,00, o preço da soja deve se manter abaixo de R$140,00 por saca.

As oscilações no câmbio e nos custos logísticos podem impactar diretamente a competitividade da soja brasileira no mercado externo.

Outro ponto de atenção é o comportamento dos prêmios de exportação nos portos brasileiros, que podem alterar os valores pagos ao produtor.

Caso a safra americana tenha alguma quebra de produção ou a demanda global aumente além do esperado, os preços podem apresentar recuperação ao longo do ano.

Qual a probabilidade da soja subir?

A probabilidade da soja subir em 2025 está ligada a fatores como: quebras de safra em países produtores, aumento da demanda internacional e oscilações cambiais significativas.

Se ocorrerem condições climáticas adversas em regiões produtoras importantes, a tendência é de alta nas cotações da soja

Por outro lado, os estoques globais elevados podem limitar o potencial de valorização.

Qual a previsão do preço da soja no futuro?

As previsões para o preço da soja em 2025 tem algumas divergências entre os analistas. De acordo com portais de notícias, é esperado que o preço da soja se mantenha abaixo de R$140,00 por saca, considerando um câmbio de R$6,00 por dólar, por conta da produção e estoques mundiais recordes.

É prevista uma recuperação nos preços, fundamentada no aumento contínuo da demanda global e na expectativa de estoques estáveis, o que poderia impulsionar os preços no mercado internacional

É importante entender que o mercado de soja é influenciado, principalmente, pelo clima e as políticas comerciais, o que pode resultar em volatilidade nos preços ao longo do ano.

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Imposto de Renda Produtor Rural: Esclareça as principais dúvidas sobre a declaração

Imposto de Renda Produtor Rural: Quem precisa declarar, quais as diferenças entre os modelos e outros pontos do processo que você precisa saber!

Todos os anos, nesse período, os contribuintes reúnem a documentação necessária para elaborar a DIRPF (Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física).

Mas o assunto gera muitas dúvidas que, se não forem esclarecidas, podem dificultar o processo e, em alguns casos, resultar em multas desnecessárias.

De acordo com consultores da Safras & Cifras, consultoria especializada em Famílias Produtoras Rurais, o ideal é que o acompanhamento fiscal seja feito durante o ano-calendário e não somente no período de entrega do IR.

Para os produtores rurais, esse processo é ainda mais delicado, pois apresenta algumas particularidades que precisam ser observadas com atenção.

Para te auxiliar, a Safras & Cifras, em parceria com a Aegro, elencou as dúvidas mais frequentes. Confira:

Quem precisa declarar o Imposto de Renda Produtor Rural?

Nem todo produtor rural precisa declarar o imposto de renda, mas há critérios que determinam essa obrigatoriedade. Em 2025, deve declarar quem se encaixar em pelo menos um dos seguintes casos:

  • Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 ao longo de 2024;
  • Obteve receita bruta anual da atividade rural superior a R$ 153.199,50. Se a fazenda faturou mais do que esse valor, a declaração de produtor rural é obrigatória;
  • Possui bens e propriedades acima de R$ 800.000,00, incluindo terras, equipamentos e outros ativos da fazenda;
  • Teve ganhos com a venda de bens rurais (imóveis, maquinários, animais, entre outros), sujeitos ao pagamento do imposto.

Se você se enquadra em um desses casos, é recomendado preparar a documentação corretamente para evitar multas e pendências com a Receita Federal.

Como é tributado o Resultado da Atividade Rural?

O imposto de renda rural é calculado com base no resultado da atividade, ou seja, na diferença entre as receitas da fazenda e os custos da operação. O produtor pode escolher entre duas formas de tributação:

1. Tributação pelo Lucro Real

O imposto incide sobre o lucro líquido da fazenda, considerando todas as receitas e despesas. A tributação pelo lucro real permite que o produtor rural deduza todos os custos operacionais, como compra de insumos, salários e investimentos.

    2. Tributação Presumida

    Nesse caso, 20% da receita bruta da atividade rural é considerada como lucro, e o imposto incide sobre esse valor, independentemente dos custos reais da fazenda. Essa opção pode ser vantajosa para quem tem poucas despesas.

      A escolha entre esses dois modelos deve ser feita com planejamento, considerando a estrutura da sua propriedade e o impacto tributário de cada um.

      Quais os modelos de declaração de imposto de renda produtor rural?

      Ao declarar o Imposto de Renda, é possível optar por dois modelos de declaração: o completo e o simplificado. Confira a diferença entre eles:

      1. Modelo Completo: É possível usar todas as deduções admitidas pela legislação, incluindo despesas com saúde, instrução, previdência oficial e complementar. Tudo deve ser comprovado através de documentação idônea, para reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda.

      2. Modelo Simplificado: Ao optar pelo Desconto Simplificado, o produtor rural substitui todas as deduções permitidas pela legislação pelo desconto de 20% da base de cálculo do Imposto de Renda.

      Entre as duas opções, não é possível afirmar a mais vantajosa para declaração do imposto de renda produtor rural.

      Isso porque para cada declarante caberá um formato, variando de acordo com suas necessidades e condições.

      planilha - faça o planejamento tributário para diferentes fazendas

      Tabela do Imposto de Renda Produtor Rural 2025

      A tabela do imposto de renda 2025 segue a mesma estrutura dos anos anteriores, com alíquotas progressivas aplicadas sobre os rendimentos tributáveis:

      • Até R$ 26.963,20 – Isento
      • De R$ 26.963,21 até R$ 33.919,80 – 7,5%
      • De R$ 33.919,81 até R$ 45.012,60 – 15%
      • De R$ 45.012,61 até R$ 55.976,16 – 22,5%
      • Acima de R$ 55.976,16 – 27,5%

      Os impostos são calculados sobre a base tributável do produtor rural, ou seja, após a dedução de despesas e investimentos comprovados.

      A receita proveniente de arrendamento pode ser tributada como receita da atividade rural?

      Os rendimentos recebidos por arrendamento são tributados conforme a origem do pagamento:

      • De pessoa física: Devem ser declarados e tributados mensalmente através do Carnê-Leão;
      • De pessoa jurídica: Estão sujeitos à retenção na fonte do Imposto de Renda, sendo a responsabilidade do recolhimento do imposto da fonte pagadora, que repassa ao arrendador o valor do arrendamento já descontado do imposto devido.

      Esses rendimentos são equiparados a aluguéis para fins de tributação.

      Como deve ser a tributação do produtor rural que receber o arrendamento em produto?

      O arrendamento não pode ser tratado como receita da atividade rural. Portanto, deverá ser recolhido o imposto de renda sobre o valor recebido por meio do carnê-leão.

      Além disso, é importante lembrar que quando este produto for vendido por um valor superior ao recebido, deverá ser apurado o ganho de capital, que será tributado pelas alíquotas progressivas que variam de 15% a 22,5%.

      Como organizar as Notas Fiscais para o IR 2025?

      Manter uma boa organização das notas fiscais é essencial para evitar problemas na declaração de imposto de renda produtor rural. Aqui estão algumas práticas recomendadas:

      1. Guarde todas as notas fiscais de compra e venda da atividade rural. Isso inclui vendas de produção agrícola e pecuária, além de compras de insumos, equipamentos e serviços;
      2. Registre todas as operações no Livro Caixa Produtor Rural. Esse documento é obrigatório para quem deseja deduzir despesas do imposto de renda rural e comprovar as movimentações da fazenda;
      3. Digitalize documentos importantes para evitar perdas e facilitar o acesso na hora da declaração.
      4. Revise as informações regularmente para garantir que todas as receitas e despesas estejam registradas corretamente antes do prazo de envio da declaração.

      A partir de fevereiro de 2025, é obrigatório emitir nota fiscal produtor rural, substituindo o antigo sistema de talões de papel.

      É importante estar atento às despesas dedutíveis no Imposto de Renda Rural, como assistência técnica, armazenamento de produtos agrícolas, compra ou aluguel de máquinas e fertilização. Manter registros detalhados dessas despesas pode auxiliar na redução da carga tributária.

      Missão Safra 2024 | Transformação digital na gestão tributária e financeira com Matheus Machado

      Quem está obrigado à entrega do Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR)?

      A partir do ano-calendário de 2019 (declaração transmitida em 2020), o LCDPR é obrigatório para produtores rurais com receita bruta anual superior a R$ 7,2 milhões. Desde o ano-calendário de 2020, esse limite foi reduzido para R$ 4,8 milhões.

      O Livro Caixa Digital do Produtor Rural é ser assinado digitalmente, por meio de certificado digital. A entrega acontece por um arquivo digital com suas informações, até o final do prazo de entrega da DIRPF, referente ao ano-calendário.

      O arquivo deve incluir todas as movimentações provenientes das atividades rurais que constem como receitas e despesas na Declaração de Ajuste Anual.

      A escrituração do Livro Caixa do Produtor Rural foi instituída pela Instrução Normativa RFB 1.848/2018. Com ele, a realização de um planejamento tributário se torna ainda mais importante.

      O que é o Ganho de Capital e quais são as operações sujeitas à sua apuração?

      Ganho de Capital é a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição.

      Com base na pergunta número 544 do Perguntão IRPF 2019, estão sujeitas à apuração do Ganho de Capital as seguintes operações:

      I – Alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins;

      II – Transferência a herdeiros e legatários na sucessão causa mortis, a donatários na doação, inclusive em adiantamento da legítima, ou atribuição a ex-cônjuge ou ex-convivente, na dissolução da sociedade conjugal ou união estável, de bens e direitos por valor superior àquele pelo qual constavam na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, do doador, do ex-cônjuge ou ex-convivente que os tenha transferido;

      III – Alienação de bens ou direitos e liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira.

      O que acontece se o Produtor Rural não declarar o imposto?

      Deixar de declarar o Imposto de Renda como produtor rural pode acarretar em multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74, de acordo com a Receita Federal.

      Além desse problema, que já é bastante complicado, ainda podem ter outras consequências, como:

      1. Multas e juros: A Receita Federal pode aplicar uma multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74;
      2. Restrição para financiamentos: Muitos bancos exigem o imposto de renda rural como comprovação de renda para liberar créditos e financiamentos agrícolas;
      3. Pendências no CPF: A falta de declaração pode bloquear seu CPF, impedindo a emissão de certidões e a realização de transações comerciais.

      Caso o produtor não se regularize dentro do prazo estipulado pela Receita Federal, pode ser iniciado um procedimento de fiscalização, resultando em multas de ofício que variam de 75% a 225% sobre o saldo de imposto apurado.

      Essas penalidades podem levar à inscrição do débito na Dívida Ativa da União e à cobrança judicial, incluindo imposto, multas e correção monetária.

      Se você perdeu o prazo ou tem dúvidas sobre sua declaração, o ideal é buscar orientação com um contador para regularizar sua situação o quanto antes.

      Qual o tratamento para recebimento de valores referentes a uma venda em que os produtos serão entregues futuramente?

      Os valores recebidos somente serão considerados como receita da atividade rural no mês da efetiva entrega dos produtos vendidos.

      Embora este valor não seja considerado como receita na data de seu recebimento, ele movimenta o fluxo de caixa do negócio rural. Por isso, deverá ser declarado como adiantamento em campo específico da DIRPF.

      A aquisição de bens no exterior deve ser informada na declaração do Imposto de Renda Produtor Rural?

      Sim! Todos os bens adquiridos fora do país deverão ser registrados na Relação de Bens e Direitos da DIRPF.

      É obrigatória a entrega da Declaração de Capital Brasileiro no Exterior (CBE), anualmente ou trimestralmente, ao Banco Central do Brasil.

      Essa entrega deve ser feita pelas pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no Brasil, que detenham no exterior ativos que totalizem:

      • US$ 100.000,00, ou equivalente em outras moedas, em 31 de dezembro de cada ano-base – CBE Anual;
      • US$ 100.000.000,00, ou equivalente em outras moedas, em 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro de cada ano-base – CBE Trimestral.

      O que é o CAEPF?

      O Cadastro de Atividade Econômica da Pessoa Física (CAEPF) é um registro da Receita Federal em que constam informações sobre as atividades econômicas exercidas pelas pessoas físicas dispensadas a inscrição no CNPJ.

      O produtor rural pessoa física está obrigado à inscrição no CAEPF e, desde 15/01/2019, a matrícula CEI foi substituída por este cadastro.

      O cadastro deverá ser informado em campo específico dentro do Livro Caixa Digital do Produtor Rural e acredita-se que será utilizado no e-social do produtor rural.

      Como fazer a declaração de Imposto de Renda Produtor Rural?

      O processo de como fazer a declaração de imposto de renda produtor rural pode parecer complicado à primeira vista, mas com organização ele se torna simples. Confira abaixo:

      1. Baixe o Programa da Receita Federal – O primeiro passo é acessar o site da Receita e instalar o programa do IR 2025;
      2. Preencha seus dados pessoais – CPF, endereço, dependentes e outras informações básicas;
      3. Informe os rendimentos e despesas da atividade rural – Use os registros do Livro Caixa Produtor Rural para declarar corretamente as receitas e custos;
      4. Revise e envie a declaração – Antes de finalizar, confira se todas as informações estão corretas.

      Com um sistema de gestão financeira, o processo se torna ainda mais fácil, pois todas as receitas e despesas podem ser organizadas de forma automatizada.

      Como a HBB Contabilidade aumentou a assertividade na gestão fiscal das fazendas com o Aegro

      *Por: 

      Ana Paiva
      anapaiva@safrasecifras.com.br
      Graduada em Ciências Contábeis e Graduanda em Direito
      Pós-graduada em Direito Tributário e lato sensu em Ciências Contábeis

      Enio Paiva
      eniopaiva@safrasecifras.com.br
      Graduado em Ciências Contábeis
      Pós-graduado em Ciências Contábeis

      Lizandra Blass
      lizandra@safrasecifras.com.br
      Graduada em Ciências Contábeis
      Lato Sensu em Ciências Contábeis

      Matheus Machado
      matheus.machado@safrasecifras.com.br
      Graduado em Ciências Contábeis

      Erosão hídrica: Impactos na lavoura

      As chuvas intensas têm sido uma realidade em diversas regiões do Brasil, causando preocupação entre os produtores rurais.

      O excesso de água pode desencadear diversos problemas, sendo a erosão hídrica um dos mais graves. Além de comprometer a estrutura do solo, a erosão favorece o aparecimento de doenças, reduzindo a produtividade das lavouras e gerando prejuízos financeiros.

      Neste artigo, vamos explicar o que é a erosão hídrica, suas causas, os tipos existentes, como afeta a agricultura e, principalmente, o que pode ser feito para prevenir e cuidar de solos encharcados.

      O que é erosão hídrica?

      A erosão hídrica é o processo de desgaste, transporte e deposição de partículas do solo provocado pela ação da água da chuva ou de cursos d’água.

      Quando o solo não tem uma cobertura adequada ou está compactado ele se torna mais suscetível ao impacto das gotas de chuva que desagregam suas partículas e as transportam para outros locais.

      Esse fenômeno afeta não apenas a qualidade do solo mas também a produtividade das culturas e a sustentabilidade das propriedades rurais.

      Como ocorre a erosão hídrica?

      A erosão hídrica acontece quando a capacidade do solo de absorver a água da chuva é superada pela intensidade da precipitação, resultando no deslocamento de partículas de solo. Diversos fatores podem favorecer esse processo, como:

      • Chuva intensa: Aumenta o volume e a velocidade do escoamento superficial;
      • Solo desprotegido: Devido à falta de cobertura vegetal ou palhada, expondo o solo ao impacto direto das gotas de chuva;
      • Declive acentuado: Regiões inclinadas são mais propensas ao escoamento;
      • Compactação do solo: Reduz a capacidade de infiltração, aumentando o escoamento e o transporte de partículas.

      Esses fatores combinados resultam em perdas de nutrientes, comprometendo a saúde do solo e a produtividade.

      A adoção de práticas como o uso de coberturas vegetais, a rotação de culturas e o controle do uso de máquinas, pode ajudar a prevenir e mitigar a erosão hídrica.

      Compactação do solo: como evitar e corrigir em sua propriedade

      Tipos de erosão do solo

      Existem diferentes tipos de erosão que afetam as propriedades rurais, cada uma com características e impactos específicos.

      O processo acontece quando agentes como água e vento removem as camadas superficiais do solo, levando os nutrientes para o desenvolvimento das plantas. Dependendo das condições, diferentes formas de erosão podem se manifestar. Confira:

      1. Erosão laminar

      É o estágio inicial do processo erosivo, no qual uma fina camada superficial do solo é removida de forma uniforme pela água. 

      Costuma ser difícil de detectar, pois o solo parece intacto a olho nu, mas perde nutrientes e matéria orgânica essenciais, comprometendo sua fertilidade.

      2. Erosão em sulcos

      Ocorre quando a água escoa em linhas específicas, formando pequenos canais ou ranhuras no solo.  Esses sulcos indicam um agravamento do processo erosivo e podem se expandir com o tempo, dificultando o manejo do solo da área afetada.

      Se não forem controlados, podem evoluir para ravinas, comprometendo a fertilidade do solo e aumentando as perdas de nutrientes e matéria orgânica.

      3. Erosão em ravinas

      As ravinas comprometem significativamente o uso da terra para a agricultura, pois dificultam o tráfego de máquinas e reduzem a área cultivável.

      Além disso, expõe camadas mais profundas do solo, empobrecendo e acelerando a degradação do solo na área afetada.

      A recuperação das áreas afetas exige intervenções como barragens de contenção, reflorestamento e práticas conservacionistas, como o terraceamento e o manejo adequado do escoamento da água.

      4. Erosão em voçorocas

      É o estágio mais severo do processo, resultando na formação de crateras profundas que podem se estender por grandes áreas. 

      As voçorocas geralmente são causadas por uma combinação de manejo inadequado do solo, chuvas intensas e falta de vegetação protetora.

      É comum que comprometam o ecossistema local, prejudiquem infraestruturas rurais e exijam intervenções custosas para sua recuperação.

      5. Solapamento do solo

      Geralmente ocorre em margens de rios, lagoas ou cursos d’água, onde a água em movimento remove o solo lateralmente, provocando desmoronamentos. 

      Este tipo de erosão é comum em áreas de propriedades que possuem corpos d’água próximos e pode causar danos tanto à lavoura quanto às infraestruturas, como estradas e cercas.

      Como a erosão afeta a agricultura?

      Os impactos da erosão hídrica na agricultura são profundos e afetam diversos aspectos do solo, da produtividade e da sustentabilidade das lavouras, como:

      1. Perda de fertilidade: A remoção da camada superficial rica em nutrientes compromete a produtividade das culturas.
      2. Compactação do solo: Reduz a infiltração de água, dificultando o armazenamento de umidade.
      3. Assoreamento: O sedimento transportado pela água acumula-se em rios, lagos e represas, reduzindo sua capacidade de armazenamento.
      4. Proliferação de doenças: Solos encharcados favorecem fungos e bactérias que atacam as plantas.
      5. Prejuízos financeiros: A queda na produtividade e os altos custos de recuperação impactam diretamente a rentabilidade do produtor.

      Os prejuízos não se limitam ao meio ambiente, mas também geram desafios econômicos, gerando queda na produtividade, aumento dos custos com insumos e necessidade de investimentos em práticas de recuperação do solo.

      Como evitar erosão hídrica na lavoura?

      A prevenção da erosão hídrica envolve práticas que protegem o solo e garantem a sustentabilidade da produção.

      Manter a cobertura do solo com vegetação, culturas de cobertura ou palhada é essencial para reduzir o impacto da chuva e minimizar a remoção de partículas.

      Já o plantio direto preserva a estrutura do solo reduzindo seu revolvimento, enquanto o uso de curvas de nível e terraços direciona o escoamento da água, evitando enxurradas descontroladas.

      A roçadura com vegetação rasteira protege a superfície do solo, e a rotação de culturas melhora a biodiversidade e a saúde do solo, tornando o processo mais resistente à erosão.

      Além disso, o manejo adequado das águas pluviais, com sistemas de drenagem eficientes, ajuda a controlar o volume de água acumulado e reduz o risco de encharcamento.

      Como cuidar da lavoura com solo encharcado?

      Quando o solo está encharcado devido às chuvas excessivas, algumas medidas podem mitigar os danos e recuperar sua produtividade.

      A drenagem pode ser melhorada com a instalação de canais ou drenos para remover o excesso de água. A aeração do solo, feita com equipamentos que rompem camadas compactadas, facilita a entrada de ar e a infiltração da água.

      Para compensar perdas nutricionais causadas pelo escoamento, a reposição de nutrientes com fertilizantes adequados é fundamental.

      Além disso, o controle de pragas e doenças exige inspeções regulares e medidas preventivas para evitar a proliferação de fungos e bactérias.

      Por fim, é importante evitar o pisoteio em áreas encharcadas, pois isso pode agravar a compactação do solo, dificultando ainda mais sua recuperação.

      Banner de chamada para o kit de sucesso da lavoura campeã de produtividade

      Agricultura atual: Informações e Contribuições para o Brasil

      Você já se perguntou como a agricultura atual consegue produzir alimentos para milhões de pessoas e ainda sustentar a economia de regiões inteiras?

      No Brasil, o campo é mais do que um espaço de cultivo, é um ambiente de inovação, tecnologia e transformação.

      Nos últimos anos, tecnologias avançadas e práticas mais conscientes têm moldado o campo. O resultado é uma atividade que combina inovação com tradições agrícolas, criando um modelo que atende tanto ao mercado interno quanto ao internacional.

      Combinando sustentabilidade, diversidade produtiva e técnicas de alta precisão, o setor é um dos pilares do desenvolvimento econômico do país.

      Como é a agricultura atual no Brasil?

      O Brasil é líder mundial na produção de diversos alimentos, mas o que torna essa agricultura tão competitiva? 

      A resposta está na modernização do setor. Tecnologias como monitoramento via satélite, agricultura de precisão e biotecnologia estão transformando o campo. 

      Essas ferramentas permitem que produtores acompanhem de perto todas as etapas do ciclo produtivo, identificando oportunidades de melhoria e reduzindo perdas.

      Outro aspecto essencial da agricultura brasileira é sua diversidade regional. Enquanto o Sul se destaca na produção de leite e grãos, o Nordeste lidera no cultivo de frutas tropicais. Essa variedade permite que o país seja competitivo em múltiplos mercados.

      Quais são os modelos de agriculturas modernas?

      Os avanços tecnológicos abriram portas para novos modelos produtivos no campo. Entre os mais destacados estão:

      • Hidroponia: Uma técnica de cultivo sem solo, que utiliza soluções nutritivas para alimentar as plantas.
      • Agricultura vertical: Ideal para espaços urbanos, ela permite o cultivo em camadas verticais, maximizando o uso do espaço.
      • Digitalização do campo: Plataformas online conectam produtores a mercados e auxiliam na gestão agrícola.

      Esses modelos não só aumentam a eficiência das operações como também ajudam a resolver desafios como falta de espaço e escassez de água.

      Tecnologias da agricultura atual

      A tecnologia é indispensável na agricultura atual no Brasil. Alguns exemplos incluem:

      • Drones agrícolas: Realizam mapeamento, monitoramento e aplicação de insumos de forma precisa.
      • Sensores climáticos e de solo: Fornecem dados em tempo real, ajudando na tomada de decisões.
      • Softwares de gestão: Centralizam informações sobre produção, custos e logística, otimizando o gerenciamento da fazenda.
      • IoT (Internet das Coisas): Conecta máquinas e dispositivos, permitindo controle remoto e maior eficiência.
      • Biotecnologia: Desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas e bioinsumos para aumentar a resistência e a produtividade.
      • Irrigação inteligente: Sistemas que monitoram a umidade do solo e distribuem água de forma eficiente, evitando desperdícios.

      Com essas ferramentas, a agricultura brasileira avança para um patamar de maior integração e assertividade.

      Missão Safra 2023 | Tecnologia para redução de custo na fazenda com Thiago Dangoni

      Quanto a agricultura atual contribui para a economia?

      A agricultura atual é um dos principais motores da economia, especialmente no Brasil, onde o agronegócio representa cerca de 25% do PIB nacional, sendo responsável por:

      • Exportações: O Brasil lidera a exportação de produtos como soja, milho, carne bovina, café e açúcar, gerando bilhões de dólares em receitas anuais. Em 2024, o agronegócio representou cerca de 40% do total das exportações brasileiras.
      • Geração de empregos: O setor emprega milhões de pessoas, desde a produção no campo até a cadeia logística e industrial relacionada à agricultura.
      • Abastecimento interno: A agricultura familiar, em especial, garante a segurança alimentar ao produzir a maior parte dos alimentos consumidos no país, como arroz, feijão e hortaliças.

      Em 2024, as exportações agrícolas superaram a marca de US$ 120 bilhões, consolidando o Brasil como um dos maiores players globais. 

      O impacto econômico também se estende ao desenvolvimento de infraestrutura, pesquisa tecnológica e integração social. 

      Cada hectare cultivado movimenta não apenas o campo, mas toda a cadeia logística e comercial ligada ao setor.

      Comparativo da agricultura tradicional e moderna

      AspectosAgricultura Tradicional Agricultura Moderna
      TecnologiaUso limitado de equipamentosUso avançado de máquinas e sensores
      ProduçãoFocada no mercado localEscala nacional e internacional
      SustentabilidadePoucas práticas ambientaisFoco em manejo sustentável
      Mão de obraPredominantemente manualAutomatização crescente
      GestãoBaseada na experiência pessoalUso de softwares e análise de dados

      Tipos de agricultura no Brasil

      A agricultura no Brasil é praticada com diversos fins, empregando diferentes mão de obra e variando no uso de tecnologias e insumos.

      Por conta da diversidade de culturas, o país acaba abraçando diversos tipos de sistemas agrícolas, adaptados às diferentes regiões e necessidades. Confira os principais:

      1. Agricultura de subsistência: Realizada por pequenos produtores, voltada para o consumo próprio e com baixa utilização de tecnologia.
      2. Agricultura familiar: Desenvolvida por famílias, é responsável pela maior parte dos alimentos básicos consumidos no país, como feijão e hortaliças.
      3. Agricultura comercial ou empresarial: De grande escala, voltada para o mercado interno e exportação, com alta tecnologia e mecanização.
      4. Agricultura sustentável: Focada na preservação ambiental, utiliza práticas como o manejo integrado, agroflorestas e sistemas de plantio direto.
      5. Agricultura irrigada: Utiliza sistemas de irrigação para aumentar a produtividade, especialmente em regiões mais secas, como o Nordeste.
      6. Agricultura itinerante: Usada por comunidades tradicionais, envolve o uso temporário de áreas e rotação de cultivos.

      A agricultura atual no Brasil combina práticas inovadoras e tradição, garantindo competitividade e qualidade nos mercados interno e externo.

      Seja na produção de grãos, frutas ou carne, o país continua se destacando como um dos maiores celeiros do mundo, provando que inovação e dedicação podem andar lado a lado no campo.

      Agricultura de subsistência: O que é e qual a importância?

      A agricultura de subsistência comum em várias partes do mundo, sendo particularmente relevante no Brasil, pela ampla diversidade de biomas, culturas e realidades socioeconômicas. 

      Essa forma de agricultura se caracteriza pela produção voltada, principalmente, para o consumo próprio do agricultor e de sua família.

      Para alguma comunidades, representa uma conexão com tradições culturais, além de desempenhar um papel importante na segurança alimentar do país.

      No entanto, a prática tem uma grande potencial para promover a sustentabilidade, preservar culturas locais e fortalecer a economia de comunidades isoladas.

      No Brasil, milhões de famílias, especialmente em áreas rurais remotas com acesso limitado a mercados e recursos tecnológicos, dependem dessa atividade para garantir sua sobrevivência.

      O que é agricultura de subsistência?

      A agricultura de subsistência é um modelo de produção agrícola que visa atender exclusivamente às necessidades básicas de alimentação do produtor e de sua família.

       Ao contrário de sistemas agrícolas comerciais, cujo objetivo principal é a geração de lucro, a subsistência se concentra em fornecer alimentos diretamente para o consumo

      Qualquer excedente eventual é, em geral, trocado ou vendido em mercados locais para a compra de itens essenciais que não são produzidos pela família.

      Características da agricultura de subsistência

      A agricultura de subsistência tem foco na autossuficiência alimentar das famílias, que se caracteriza, principalmente, pelo cultivo de pequenas áreas de terra, geralmente com o objetivo de produzir alimentos básicos como arroz, feijão, milho, legumes e raízes, sem a intenção de comercialização em larga escala.

      O modelo é altamente vulnerável a fatores externos, como mudanças climáticas, pragas e doenças, pois as famílias têm pouco acesso a recursos ou tecnologias que poderiam ajudar a enfrentar esses desafios. No entanto, também é caracterizado por:

      • Produção em pequena escala: A área cultivada é geralmente reduzida, com foco na diversidade de cultivos que assegurem a alimentação da família;
      • Baixa mecanização: O uso de tecnologias e maquinário moderno é raro. As técnicas empregadas são, em sua maioria, tradicionais e manuais;
      • Diversificação de culturas: O plantio de diferentes espécies agrícolas, como mandioca, milho, feijão, arroz e hortaliças, é comum para garantir variedade alimentar;
      • Mão de obra familiar: Toda a força de trabalho é composta pelos próprios membros da família;
      • Baixa dependência de insumos externos: Fertilizantes, pesticidas e sementes comerciais são usados de forma limitada ou inexistente.

      Confira também:

      Exemplos de agricultura de subsistência no Brasil

      A prática da agricultura de subsistência varia significativamente entre as regiões brasileiras, refletindo a diversidade cultural, climática e ambiental do país. Confira como ela se manifesta nas cinco regiões:

      1. Norte

      Nas comunidades ribeirinhas da Amazônia, o cultivo de mandioca, banana e milho é predominante. Além disso, há uma forte dependência de atividades complementares, como a pesca artesanal e a coleta de frutas nativas, como o açaí.

      2. Nordeste

      Nessa região, marcada por condições climáticas desafiadoras, o cultivo de milho, feijão e mandioca é essencial para a subsistência. A criação de pequenos animais, como cabras e galinhas, também desempenha um papel importante no sustento familiar.

      3. Centro-Oeste

      Embora mais conhecido pelo agronegócio, o Centro-Oeste abriga comunidades que praticam agricultura de subsistência. Nessas áreas, a produção de arroz, milho e feijão é comum, muitas vezes associada à pecuária de pequeno porte.

      4. Sudeste

      Pequenos agricultores da região se dedicam ao cultivo de hortaliças, frutas e cereais, como o milho. Em regiões de montanha, há também o cultivo de café e a criação de animais, como galinhas e porcos.

      5. Sul

      O cultivo de batata, milho e hortaliças é característico da agricultura de subsistência nessa região. Além disso, pequenos agricultores mantêm pomares e criam animais de forma tradicional.

      Qual a diferença entre agricultura familiar e agricultura de subsistência?

      Embora frequentemente confundidos, agricultura familiar e agricultura de subsistência tem diferenças importantes. 

      A agricultura familiar inclui tanto a produção para o consumo próprio quanto para a comercialização, podendo incorporar tecnologias modernas e buscar inserção no mercado.

      Já a agricultura de subsistência é quase totalmente voltada para atender às necessidades alimentares do produtor e de sua família, com pouca ou nenhuma intenção de vender excedentes. Também é mais conectada a métodos tradicionais e a uma escala muito menor de produção.

      A segurança alimentar é uma das principais contribuições da subsistência, especialmente para comunidades em áreas remotas ou isoladas, onde o acesso a alimentos é limitado. 

      Além de ajudar a preservar culturas locais, mantendo vivas práticas agrícolas tradicionais e conhecimentos ancestrais.

      Desafios da agricultura de subsistência

      A agricultura de subsistência no Brasil enfrenta uma série de desafios que colocam em risco sua continuidade e eficácia. 

      Um dos principais problemas está relacionado às condições climáticas adversas, como secas prolongadas, chuvas intensas e a imprevisibilidade das estações.

      Essas condições afetam diretamente a produção, já que os pequenos agricultores, muitas vezes, não possuem acesso a sistemas de irrigação eficientes ou tecnologias que permitam mitigar os impactos do clima. 

      Além disso, a degradação dos solos em algumas regiões, causada pelo uso inadequado ou pela falta de conhecimento técnico, limita ainda mais a produtividade.

      Outro grande obstáculo é o acesso a recursos financeiros e técnicos. Muitos agricultores de subsistência enfrentam dificuldades para obter crédito rural, o que os impede de investir em melhorias na produção, como aquisição de sementes de melhor qualidade, fertilizantes e ferramentas. 

      Fora isso, o êxodo rural, com a migração de jovens em busca de melhores oportunidades, agrava o envelhecimento da população e a redução da força de trabalho agrícola.

      A expansão do agronegócio pressiona as áreas da agricultura de subsistência, excluindo pequenos agricultores e reduzindo a biodiversidade.

      A falta de infraestrutura básica, como estradas e acesso a mercados, limita as opções de escoamento e comercialização da produção, aprofundando o ciclo de vulnerabilidade econômica e social nas comunidades rurais.

      Produtos de subsistência são alimentos e recursos naturais cultivados ou produzidos para o consumo próprio de uma família ou comunidade, ao invés de serem comercializados.

      Esses produtos usados na sobrevivência diária e incluem alimentos como arroz, feijão, milho, hortaliças, frutas, raízes, tubérculos, além de pequenos animais criados para alimentação, como galinhas e porcos.

      A produção é geralmente voltada para atender às básicas de nutrição e sustento da família, com foco em autosuficiência.

      A economia de subsistência é base na produção de alimentos e recursos para o consumo direto sem a intenção de gerar lucro ou envolver transações comerciais.

      Nesse sistema, é produzido o necessário para suprir as necessidades básicas, como alimentação, vestuário e, em alguns casos, abrigo. O foco está na autosuficiência, e não no acúmulo de riqueza ou na maximização de lucros.

      Os produtores de subsistência utilizam métodos tradicionais e recursos locais, com o mínimo de uso de tecnologia e insumos externos. O excedente de produção, quando ocorre, pode ser trocado por outros bens ou serviços dentro da comunidade, através do escambo.

      Já o comércio de produtos é limitado e depende de trocas diretas, sem o envolvimento de mercados formais ou de grande escala.

      Esse modelo econômico tem uma relação muito forte com fatores como clima, solo, recursos naturais disponíveis e o trabalho manual, e a produção é muitas vezes vulnerável a riscos externos, como mudanças climáticas, pragas e escassez de recursos.

      A agricultura de subsistência usa a produção de alimentos para o consumo da própria família ou comunidade,  praticada em pequena escala, utilizando métodos tradicionais e recursos locais.

      O plantation se refere a grandes propriedades agrícolas voltadas para o cultivo de uma única cultura, com foco na produção em grande escala para comercialização.

      Neste caso, os produtos são destinados a mercados externos, e o uso de tecnologia avançada e técnicas industriais é comum, podendo ter impactos ambientais significativos, como o desmatamento.

      Excel na Agricultura: Até quando é boa opção?

      A gestão rural é algo que exige organização e controle precisos. As planilhas de Excel na agricultura são ferramentas populares entre produtores rurais, mas até que ponto elas atendem às necessidades de uma fazenda moderna? 

      Embora ofereçam simplicidade inicial, apresentam limitações significativas que podem dificultar o crescimento e o planejamento de longo prazo.

      Neste artigo, vamos explorar as limitações do uso do Excel na agricultura e por que softwares de gestão rural se destacam como uma opção mais confiável e adaptada às demandas do dia a dia das fazendas.

      Quando o excel costuma ser usado na agricultura?

      O Excel na agricultura é uma ferramenta amplamente usado devido à sua flexibilidade e capacidade de organizar e analisar dados. Alguns dos principais usos no setor incluem:

      1. Gestão financeira

      • Controle de receitas e despesas da propriedade rural;
      • Planejamento orçamentário e projeções financeiras;
      • Registro e acompanhamento de financiamentos e custos de produção.

      2. Planejamento de safra

      • Elaboração de cronogramas de plantio, manejo e colheita;
      • Comparação de custos e estimativas de lucro para diferentes culturas;
      • Gestão de insumos (sementes, fertilizantes, defensivos).

      3. Gestão de estoque

      4. Análise de produtividade

      • Monitoramento de rendimento por área ou talhão;
      • Comparação entre safras para identificar tendências ou problemas.

      5. Gestão de custos

      • Rateio de custos entre diferentes culturas ou atividades;
      • Cálculo do custo por hectare e por unidade de produção.

      6. Gestão de máquinas e equipamentos

      • Registro de manutenções preventivas e corretivas;
      • Planejamento da utilização de máquinas para reduzir ociosidade e custos.

      7. Análise climática

      • Registro de dados meteorológicos, como precipitação e temperaturas;
      • Monitoramento de tendências climáticas para ajustar o planejamento agrícola.

      8. Gestão de mão de obra

      • Controle de horas trabalhadas e pagamento de funcionários;
      • Planejamento de alocação de pessoal em atividades específicas.

      9. Gestão tributária e fiscal

      • Organização de documentos fiscais, como notas fiscais de venda e compra;
      • Acompanhamento de impostos e prazos de pagamento.

      10. Relatórios e tomadas de decisão

      • Geração de gráficos e tabelas para apresentações e análises;
      • Apoio na tomada de decisão com base em dados históricos.

      Embora o Excel seja bastante útil, ele pode ser trabalhoso para propriedades maiores ou que lidam com grande volume de dados.

      Nesse caso, muitos produtores migram para softwares especializados em gestão agrícola, que automatizam e integram esses processos.

      Por que o excel na agricultura não é tão eficiente?

      Apesar de suas vantagens iniciais, o Excel carece de funcionalidades específicas para a agricultura. Um exemplo claro é o histórico de atividades: é difícil rastrear informações antigas e cruzar com os resultados atuais de forma eficaz. Além disso, o Excel não oferece:

      • Relatórios automáticos;
      • Integração com dispositivos móveis e sistemas de monitoramento;
      • Alertas ou recomendações baseados em dados.

      Essas limitações podem impactar negativamente a equipe da fazenda, tanto em tempo quanto em recursos.

      Software de Gestão de Fazendas X Excel

      CaracterísticaSofwareExcel
      Integração de dadosSimNão
      Acesso remotoSim (aplicativo e navegador)Limitado
      Relatórios automáticosSimNão
      Atualização em tempo realSimNão
      EscalabilidadeAltaBaixa

      Qual o momento de deixar de usar planilhas em uma fazenda?

      O Excel na agricultura é amplamente utilizado em pequenas e médias fazendas para organização financeira, registro de atividades e organização de custos. 

      Contudo, à medida que a fazenda cresce ou as demandas aumentam, surgem sinais de que é hora de buscar uma solução mais avançada. Entre esses sinais estão:

      • Complexidade crescente: O volume de informações pode gerar erros e confusão em planilhas manuais;
      • Falta de integração: As planilhas não conversam entre si, dificultando a visão geral da fazenda;
      • Dificuldade de acesso: Compartilhar ou acessar informações fora do ambiente de trabalho é limitado;
      • Risco de perdas: Falhas humanas ou técnicas podem levar à perda de dados importantes;

      Se essas dificuldades fazem parte da rotina da sua fazenda, é um bom momento para considerar um software de gestão rural.

      Vantagens do Excel na Agricultura

      • Custo inicial baixo e não exige investimento inicial;
      • Familiaridade, por muitas pessoas já terem algum conhecimento na ferramenta;
      • Personalização e adaptação de necessidades específicas da fazenda.

      Desvantagens do Excel na Agricultura

      • Erros humanos de digitação que podem comprometer toda a análise;
      • Falta de automação, demandando tempo e cuidado;
      • Ausência de integração com financeiros, produtivos e operacionais;
      • Pouca escalabilidade devido a lentidão com o aumento de dados.
      Software para produtor rural: 10 formas de ganhar mais ao utilizar!

      Quando é o momento de usar um software?

      A transição para um software deve acontecer quando o Excel na agricultura começa a limitar a gestão, e você percebe que está perdendo tempo ou dinheiro com erros e processos manuais.

      Por mais que o Excel seja uma ferramenta e versátil, pode ser difícil ter um controle organizado, preciso e até mesmo realizar projeções financeiras, especialmente quando o negócio cresce.

      Entenda se você está vivendo esse momento com alguns sinais de que é hora de migrar para um software de gestão agrícola.

      1. Complexidade nas operações

      Se a propriedade rural abrange várias culturas, talhões ou está diversificando atividades, as planilhas começam a ficar confusas e propensas a erros. Um software de gestão rural permite integrar todas as informações em um único lugar de forma organizada.

      2. Tempo perdido na consolidação de dados

      Agricultores que utilizam o Excel geralmente precisam consolidar manualmente dados de diferentes planilhas, o que consome muito tempo e, muitas vezes, em erros que podem gerar problemas sérios no futuro.

      3. Dificuldade em analisar dados

      Embora o Excel tenha boas funcionalidades, softwares de gestão oferecem relatórios automáticos e personalizados, que ajudam a tomar decisões estratégicas com maior facilidade.

      4. Falta de mobilidade

      Com o avanço da tecnologia, muitos softwares oferecem acesso remoto via celular ou tablet, permitindo acesso e registro de informações diretamente do campo, algo que o Excel não oferece de maneira prática.

      5. Erro humano frequente

      Planilhas mal configuradas ou erros de digitação podem gerar problemas financeiros e operacionais. Os softwares minimizam esses riscos, já que muitos processos são automáticos e baseados em dados integrados.

      Se você está passando por algo parecido na sua fazenda, é hora de procurar uma nova ferramenta. Muitos softwares de gestão rural tem períodos de teste gratuito, permitindo avaliar a ferramenta antes de decidir pela mudança.

      A tecnologia é uma aliada e pode ser usada por propriedade rurais de todos os tamanhos. Avalie suas necessidades e considere dar o próximo passo para um produtividade ainda melhor.