Veja como lidar com as pragas e doenças do sorgo

Pragas e doenças no sorgo: veja quais são as principais e como você pode manejá-las em sua lavoura para não ter perdas.

No Brasil, o sorgo é mais utilizado para a ração animal, sendo cultivado principalmente na segunda safra, com produção estimada de 2,3 milhões de toneladas (Conab) na safra 2019/20.

Mas podem ocorrer perdas nas lavouras por ataques de pragas e doenças, o que causa muita dor de cabeça para o produtor.

Por isso, preparamos este texto com as principais pragas e doenças do sorgo que podem ocorrer na sua lavoura e como combatê-las. Confira!

Doenças na cultura do sorgo

Antracnose do sorgo

No sorgo, a antracnose é considerada a doença mais importante por sua ampla distribuição nas áreas produtoras e pelos danos causados. 

Essa doença pode ocasionar perdas na produção de grãos superiores a 80%, por conta da utilização de cultivares suscetíveis e de condições favoráveis à doença.

O fungo que causa a antracnose no sorgo é o Colletotrichum graminicola, que também causa antracnose na cultura do milho.

Assim, a doença no sorgo pode ocorrer em: folhas, colmo, panícula e grãos.

Nas folhas podem ocorrer sintomas em qualquer estádio, principalmente a partir do desenvolvimento da panícula. 

Inicialmente, as lesões são circulares a ovais, com centros necróticos de coloração palha, depois se tornam escuras com a margem avermelhada ou castanha, dependendo da variedade.

No colmo, formam-se cancros caracterizados pela presença de áreas mais claras circundadas pela pigmentação característica da planta hospedeira, principalmente em plantas adultas.

E na panícula, pode ser a extensão da fase de podridão do colmo. As lesões nesta fase se formam abaixo da epiderme com aspecto encharcado, adquirindo posteriormente coloração cinza a avermelhada. 

E como consequência da doença, as panículas de plantas infectadas são menores e amadurecem mais cedo.

Algumas medidas de manejo para antracnose no sorgo são:

  • Uso de variedades resistentes;
  • Sementes sadias;
  • Tratamento de sementes;
  • Rotação de culturas;
  • Eliminação de plantas hospedeiras do fungo.

Ferrugem do sorgo

Causada pelo fungo Puccinia purpurea, a ferrugem do sorgo é considerada uma doença comum na cultura e favorecida por regiões frias e úmidas. 

Inicialmente, você pode observar pústulas (urédias) de coloração vermelha a castanha nas folhas mais próximas ao solo. 

Com o desenvolvimento da doença, as pústulas liberam os esporos que são disseminados pelo vento.

Recomenda-se o uso de variedades resistentes para o controle da ferrugem do sorgo.

Míldio do sorgo

O míldio é causado por Peronosclerospora sorghi e apresenta ampla distribuição nas áreas produtoras de sorgo, podendo causar danos de até 80% com a utilização de cultivares suscetíveis.

Na região Sul do país, esta doença é considerada a segunda mais importante, atrás apenas da antracnose.

Assim, podem ocorrer duas formas de infecção: localizada e sistêmica.

A localizada se caracteriza por apresentar lesões necróticas nas folhas e, em condições frias e úmidas, pode ocorrer crescimento pulverulento e acinzentado na parte inferior da folha.

Já a infecção sistêmica, as plantas ficam cloróticas (clorose foliar). Na parte inferior das folhas com clorose, em condição de umidade, pode-se observar um revestimento branco, que são estruturas do agente causal do míldio.

Plantas com infecções sistêmicas podem se tornar raquíticas e morrer precocemente ou ficarem estéreis, não produzindo grãos.

Algumas medidas de manejo que você pode utilizar para o manejo do míldio são:

  • Variedades resistentes;
  • Uso de sementes de boa qualidade;
  • Rotação de culturas.

Mosaico comum do sorgo

Esta doença é virótica, causada por Sugarcane mosaic virus (SCMV), no entanto, mais recentemente, pesquisas relataram que outros vírus podem causar o mosaico em sorgo, tendo como vetor várias espécies de afídeos, como o pulgão do milho.

Como sintomas, podemos observar mosaico principalmente nas folhas mais novas, que podem desaparecer com a idade da planta. 

Além disso, pode apresentar sintomas mais necróticos nas folhas, com áreas amareladas e avermelhadas, o que pode levar à morte da planta ou baixa produção de grãos.

Para o controle dessa doença é recomendado utilizar variedades tolerantes ou resistentes.

Doença açucarada do sorgo

Esta doença também é conhecida por secreção doce ou ergot, causada pelo fungo Sphacelia sorghi, e reduz a quantidade de grãos produzidos afetando seu desenvolvimento.

Como sintoma da doença, você pode observar a presença de um líquido pegajoso de coloração rosada que progride para parda na região da panícula.

Algumas medidas de manejo para a doença açucarada são:

  • Utilização de fungicidas na fase de floração;
  • Tratamento de sementes;
  • Eliminação de plantas com sintomas da doença, principalmente em áreas de produção de sementes.

Pragas na cultura do sorgo

Lagarta-do-cartucho

Essas lagartas são larvas de mariposa (Spodoptera frugiperda) que afetam o cartucho da planta, sendo mais prejudicial quando ataca a planta com até 8 folhas.

A lagarta-do-cartucho é uma importante praga para a cultura do sorgo, podendo causar prejuízos de 17% a 38,7% na produção.

Inicialmente esta praga pode “raspar” as folhas e depois se alimentar das mais novas e centrais da planta (palmito).

O ataque em plantas pequenas pode causar a morte, já em plantas maiores ocorre a redução da produtividade.

Por isso é importante realizar o monitoramento da lavoura, que pode ser feito com armadilhas para a captura de insetos adultos (uma armadilha a cada cinco hectares) ou o monitoramento das plantas de sorgo.

Para definir quando realizar o controle, fique de olho se a praga atinge o nível de controle que é em média 3 mariposas por armadilha de feromônio. 

Ao monitorar as plantas, recomenda-se o manejo da lagarta quando for observado que 10% das folhas do cartucho estão com pequenas lesões circulares e algumas pequenas lesões alongadas, de até 1,3 cm de comprimento.

Tanto o uso de controle químico (inseticidas) quanto de controle biológico são recomendados para a lagarta-do-cartucho.

Lagarta-elasmo

Elasmopalpus lignosellus causa danos principalmente em locais em que ocorreu estiagem após a emergência das plantas.

Inicialmente, as lagartas podem “raspar” as folhas e depois afetam a região do colo da planta. Desta forma, podem danificar o ponto de crescimento e favorecer a morte das folhas centrais, provocando o sintoma de “coração morto”.

Recomenda-se realizar o manejo com o uso de inseticidas nas plantas ou nas sementes, além do plantio direto.

Broca-da-cana-de-açúcar

A broca-da-cana (Diatraea spp.) pode causar dano pelo quebramento e ataque no colmo das plantas.

No início do seu desenvolvimento, a broca também pode raspar as folhas do sorgo.

O controle dessa praga pode ser semelhante ao realizado em cana-de-açúcar com a liberação de parasitóides.  

Outras medidas de controle que também podem ser utilizadas são o tratamento de sementes e destruição de restos culturais.

Pulgão no sorgo

O sorgo pode ser infestado pelo pulgão do milho (Rhopalosiphum maidis) e pelo pulgão verde (Schizaphis graminum).

O pulgão verde pode introduzir toxinas que causam o bronzeamento das folhas e até a morte das áreas afetadas, podendo ainda ser vetor de viroses.

O controle pode ser realizado por inimigos naturais e, também, aplicação de inseticidas quando ocorrer altas populações.

Corós

Corós, bichos-bolo ou pão-de-galinha são larvas de várias espécies que podem atacar as plantas de sorgo.

Para a identificação, você pode observar que as larvas apresentam formato de “C” de cor clara e a cabeça de coloração marrom.

Normalmente, elas afetam o sistema radicular das plantas podendo causar murcha nas plantas, tombamento ou a morte.

Algumas medidas de manejo são:

  • Eliminação de hospedeiros alternativos;
  • Destruição de restos culturais;
  • Utilização de inseticidas.

Larva arame

A larva arame, Conoderus scalaris, causa danos principalmente na destruição das sementes no sulco de plantio, reduzindo o estande inicial e vigor das plantas, o que causa perdas em seu sistema de produção.

As recomendações de manejo são:

  • Rotação de culturas;
  • Tratamento de sementes.

Percevejos no sorgo

Esses insetos se alimentam principalmente dos grãos no momento de enchimento, o que podem torná-los manchados e reduzir o tamanho.

Existem dois grupos de percevejos: grandes (percevejo-gaúcho, percevejo-verde e percevejo-pardo) e pequenos (percevejo-do-sorgo e percevejo-chupador-do-arroz).

Normalmente, o controle desses percevejos é natural. Quando em altas populações, pode-se utilizar controle químico (aéreo).

Controle de pragas e doenças do sorgo

Até aqui, comentei sobre as particularidades de pragas e doenças do sorgo, no entanto, algumas medidas gerais de manejo que você pode utilizar na sua área são:

  • Planejamento agrícola da cultura: é nessa fase que se escolhe a variedade de sorgo e, como vimos, o uso de variedades resistentes é uma medida de manejo muito utilizada;
  • Identificar as pragas e doenças que afetam a cultura do sorgo;
  • Conhecer o histórico da área a ser cultivada (quais os problemas que ocorreram nas culturas ao longo dos anos);
  • Conhecer as culturas em volta da sua plantação: várias doenças e pragas do sorgo podem ocorrer em outras culturas;
  • Monitoramento da área.

Lembrando que se for utilizar produto químico, verifique o registro no Agrofit para a cultura e para praga/doença. 

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

Como vimos, existem muitas pragas e doenças que podem afetar a sua cultura de sorgo. 

Algumas podem atacar as plantas no início do desenvolvimento ou já na fase de panícula.

Por isso, é importante conhecê-las e manejá-las para não afetar a produção da sua lavoura.

>>Leia mais:

“Zoneamento agrícola para o sorgo forrageiro: o que você precisa saber sobre essa nova medida”

Quando e como usar as forrageiras em seu sistema de produção

Quais pragas e doenças do sorgo afetam a sua lavoura? Quais medidas de manejo você utiliza? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o preparo do solo para plantio de trigo

Preparo do solo para plantio de trigo: escolha da cultivar, melhor época de semeadura, preparo do solo e rotação de culturas.

O trigo é um importante cereal cultivado em todo o mundo, com produção de 735 milhões de toneladas em 2018 (segundo a FAO). 

Já no Brasil, em 2019 a produção alcançou 5,2 milhões de toneladas (dados do IBGE).

Assim, para ter uma alta produção nessa cultura tudo começa com um bom preparo do solo para o plantio.

Por isso, preparamos este texto para te auxiliar com esta prática agrícola e com o seu planejamento na cultura do trigo. Confira!

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Qual cultivar de trigo plantar e a melhor época de plantio?

No Brasil, a produção de trigo está concentrada na região Sul, mas o Cerrado também está produzindo trigo na Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás.

Assim, a produção de trigo nos estados brasileiros na safra de 2019, segundo o IBGE, foi de 4,5 milhões de toneladas no Sul do país, 505 mil toneladas no Sudeste, 30 mil no Nordeste e 138 mil no Centro-Oeste. 

Falando em cultivares de trigo, estão sendo desenvolvidas novas adaptadas ao clima de cada região. E para realizar a melhor escolha se atente em:

  • Indicação de produção;
  • Alto desempenho no campo e produtividade;
  • Resistência à doença
  • Indicação da cultivar de acordo com o sistema de produção; 
  • Fertilidade do solo
  • Época de semeadura;
  • Entre outros fatores.
preparo do solo para plantio de trigo

(Fonte: Agro Advisor)

Além da escolha da cultivar, um ponto importante é saber a melhor época para o plantio de trigo – que deve ser realizado de acordo com o período indicado para cada município. 

Para te auxiliar nessa escolha, você pode seguir as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que apresenta uma lista de cultivares indicadas para cada região e a relação de municípios com os respectivos calendários de plantio.

Para conseguir as informações, acesse, escolha o estado e selecione a cultura do trigo.

Dessa forma, aparecerá os dados para o estado escolhido, a relação das cidades indicadas, além dos períodos de plantio (início e fim) para cada município, por tipo de solo e por grupo de cultivar. 

Esses dados podem te ajudar a reduzir riscos na cultura do trigo como geada no espigamento, doenças na fase inicial de enchimento de grãos, perda da qualidade dos grãos e baixo desenvolvimento da cultura.

Após determinar a melhor época de semeadura e cultivar, se atente no preparo do solo para plantio de trigo.

Fazendo o preparo do solo para plantio de trigo

Em qualquer cultura, é necessário planejamento e histórico da área para o preparo do solo. Por isso, deve-se determinar qual o tipo de sistema de cultivo será ou é utilizado na área, sendo convencional ou plantio Direto, e realizar as práticas de acordo com ele.

Para alguns agricultores do Rio Grande do Sul, o plantio direto garantiu o dobro de produtividade de trigo. Esse sistema também pode ter outros benefícios como diminuição da erosão do solo, redução de operações no preparo do solo, aumento da matéria orgânica, entre outros.

Mas lembre-se que cada propriedade tem suas particularidades, por isso, realize o melhor sistema de plantio para a sua fazenda.

Outros fatores importantes para o estabelecimento da lavoura de trigo são: 

  • Semear no limpo; 
  • Fazer um bom manejo de cobertura do solo até a semeadura;
  • Análise de solo (adubação equilibrada);
  • Semeadura de qualidade; 
  • Cuidados com velocidade de semeadura e profundidade (2 a 5 cm); 
  • Escolha da semente de qualidade;
  • População de planta adequada.

Para o preparo do solo, deve-se também saber qual a quantidade de fertilizantes e corretivos a serem aplicados no solo, sendo um fator importante quando se pensa no custo com a cultura.

Isso porque os fertilizantes têm maior participação nos custos de produção do trigo, representando aproximadamente 25% do investimento na lavoura. Por isso, é importante realizar a análise de solo

Análise do solo

Para determinar se o solo precisa de correção ou de fertilizantes é necessário realizar a análise do solo, mas lembre-se que as amostras devem ser representativas da área. 

Para plantio direto, é recomendado a amostragem de 0-10 cm e ocasionalmente de 0-20 cm de profundidade, já para o convencional normalmente é de 0-20 cm.

A interpretação da análise de solo é realizada de acordo com o nível de cada elemento e, para determinar a necessidade de calagem e adubação para a área amostrada, devem ser utilizados manuais ou indicações técnicas para cada região do país. 

Ou seja, isso depende da região produtora de trigo, como vamos ver em exemplos mais adiante.

Correção com calcário

Para determinar se a área precisa de calagem e qual quantidade utilizar, deve-ser ter a interpretação da análise de solo com as recomendações para cada região de cultivo do trigo.

Preparo do solo para plantio de trigo: Adubação

Geralmente, a adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) e com micronutrientes para a cultura do trigo, é realizada no sulco de semeadura e o suprimento de N é complementado em duas aplicações de cobertura.

Para te auxiliar no manejo de fertilizantes, veja a figura abaixo:

preparo do solo para plantio de trigo

Manejo nutricional e fenologia da cultura do trigo
(Fonte: Modificada de Pires et al. (2011) em IPNI)

O nitrogênio é o elemento mais demandado pela planta de trigo. Sua dose recomendada varia em função do teor de matéria orgânica do solo, cultura precedente, região climática e da expectativa de rendimento de grãos.

Para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a quantidade de fertilizante nitrogenado varia em função do nível de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento de grãos da cultura.

Assim, a dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 kg/ha a 20 kg/ha, sendo que o restante deve ser aplicado em cobertura entre as fases de perfilhamento e alongamento do colmo da cultura.

Indicação de adubação nitrogenada

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale nos estados do RS e SC
(Fonte: Embrapa)

Já para o estado do Paraná, essa adubação nitrogenada é realizada com base na cultura anterior.

Indicação de adubação nitrogenada PR

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale no estado do PR
(Fonte: Embrapa)

Com os exemplos acima, verificamos que para cada estado existe uma indicação de nitrogênio, que é baseada em variáveis do solo, do clima ou da cultura anterior. 

Para os outros estados, você pode consultar nos estudos da Embrapa e verificar ali as recomendações para os demais macros e micronutrientes.

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.

Benefícios da rotação de culturas com o trigo

A rotação de culturas é a alternância de diferentes culturas na mesma área de cultivo e na mesma época ao longo dos anos.

preparo do solo para plantio de trigo

Com inúmeros benefícios, o trigo é a melhor opção de cultura para o inverno
(Fonte: Correio do Povo do Paraná)

O trigo é uma cultura de inverno e pode ser utilizado no sistema de rotação de culturas trazendo diversas vantagens como:

  • Retorno econômico;
  • Redução de plantas daninhas, pragas e doenças;
  • Controle da erosão;
  • Melhora das características físicas, químicas e biológicas do solo;
  • Aumento dos teores de matéria orgânica no solo;
  • Importante para o plantio direto;
  • Entre outros.

Para realizar a rotação de culturas é importante ter um bom planejamento, para determinar quais as culturas serão utilizadas na área e se no inverno será utilizado trigo ou outra cultura.

Para auxiliar na composição dos programas de recomendações de culturas no sistema de plantio direto, veja a figura abaixo.

culturas plantio direto

(Fonte: Fancelli, 2008)

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

A cultura do trigo é um importante cereal que pode ser utilizado na rotação de culturas como cultura de inverno.

Também abordamos neste texto sobre como realizar um bom preparo do solo, com a escolha da cultivar e da melhor época do ano, além de como fazer a adubação e a calagem para a cultura do trigo.

Agora que você tem todas essas informações, realize um bom preparo do solo para a cultura de trigo na sua fazenda e alcance altas produtividades.

>>Leia mais:

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

Como você realiza o preparo do solo para a cultura de trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo!

ILPF: O que você precisa saber para utilizar esse sistema

ILPF: vantagens e desvantagens, como implantar e indicações para um sistema de integração lavoura-pecuária-floresta. 

A pressão pelo aumento da eficiência na produção, visando maiores rendimentos e a diminuição da abertura de novas áreas para a agropecuária, vem aumentando na cadeia produtiva mundial.

No Brasil, uma das soluções é o plantio direto, a integração lavoura-pecuária (ILP) e mais recentemente o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A ILPF tem o objetivo de integrar sistemas produtivos, o que pode ser vantajoso para o meio ambiente e para o produtor.

A seguir, veja mais sobre o sistema ILPF e descubra seus pontos fortes e fracos, além de quais os melhores cenários para implantar esse sistema de produção.

O que é ILPF? 

A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) assim como a integração lavoura-pecuária (ILP) inclui diferentes sistemas produtivos em um só. Mas no caso do sistema ILPF, existe o componente florestal.

A ideia da ILPF é de produzir grãos, pastagem para o gado e madeira de forma integrada na mesma área, mas não tudo ao mesmo tempo.

Com a tecnologia atual seria praticamente impossível colocar tudo isso no mesmo balaio e ao mesmo tempo. Produzir diferentes produtos na mesma área em sistema ILPF só é possível quando se escala as culturas ao longo do tempo.

Mas como isso acontece? Bem, as árvores ficarão no sistema o tempo todo e a atividade agrícola e pecuária se alternam em sucessão ou em consórcio ao longo do tempo, nas entrelinhas das árvores.

Na figura abaixo, pode-se ter uma ideia do sistema em que a lavoura é semeada na época do plantio das árvores, até que elas tenham tamanho suficiente para a entrada do gado. 

Após algum tempo, há o desbaste das árvores que retira algumas para usos menos nobres e deixa outras para fins de maior valor agregado. 

E com a entrada de luz que o desbaste proporciona, é que acontece a retomada da lavoura entre as faixas.

ILPF

(Fonte: Embrapa (2012))

Produzir gado, grãos e árvores na mesma área era algo impensável há algumas décadas atrás e, só é possível hoje, graças aos avanços no melhoramento genético, manejo e das máquinas agrícolas.

Quais as vantagens do ILPF?

A inserção planejada de árvores no sistema pode gerar alguns benefícios agrícolas, econômicos e também ambientais à propriedade.

Do ponto de vista da agropecuária, o componente florestal pode agir como uma barreira natural para doenças dispersas pelo vento, protegendo as plantações até mesmo de condições climáticas inadequadas.

As árvores alteram o microclima da área e, se bem manejadas, podem auxiliar muito no bem-estar animal, principalmente de bovinos oriundos de raças taurinas, que são menos adaptadas ao nosso clima tropical.

Do lado econômico, a adição de árvores pode gerar mais rentabilidade na propriedade e diminuir gastos com doenças e pragas de bovinos, já que muitas estão associadas ao estresse ambiental do animal.

Os animais tendem a procurar o conforto térmico e sem áreas sombreadas podem diminuir a ingestão de forragem, diminuindo o ganho de peso ou a produção de leite.

conforto térmico

(Fonte: Embrapa (2012))

Os benefícios ambientais dessa prática são inúmeros e alguns deles, posteriormente,  refletem em ganhos econômicos – são os chamados serviços ecossistêmicos.

  • Aumento da infiltração de água; 
  • Diminuição do escoamento superficial e da erosão; 
  • Aumento nos teores de matéria orgânica no solo;
  • Auxílio na ciclagem de nutrientes do sistema;
  • Entre outros. 

São serviços que a própria natureza gera de forma muito mais barata e eficiente do que se nós mesmos fizéssemos. Os serviços ecossistêmicos estão relacionados com a purificação da água, por exemplo, aumento da fertilidade do solo, etc.

Desvantagens do ILPF

Um sistema com árvores pode ser algo um tanto diferente para quem está acostumado com apenas agricultura ou pecuária na mesma área.

O planejamento do sistema ILPF requer bem mais atenção, já que as árvores permanecerão na área por um longo tempo.

Sistema ILPF mal planejado com excesso de sombra

Sistema ILPF mal planejado com excesso de sombra
(Fonte: Embrapa)

O manejo da área também sofre algumas alterações que trataremos mais adiante, mas resumindo: o sistema ILPF necessita de maior capacitação do produtor para que sua máxima eficiência possa ser atingida.

Outro ponto negativo é a falta de mercado madeireiro em muitas regiões do país, o que certamente dificulta a comercialização da madeira.

Pensando em manejo, o eucalipto é a espécie mais indicada devido ao baixo custo de manejo e de mudas e por conta da tecnologia já acumulada. 

Outras espécies de maior valor agregado como mognos ou cedros exóticos têm maior custo na obtenção das mudas e no manejo, já que essas espécies não apresentam desrama natural, sendo necessário um alto custo operacional e de mão de obra.

Operações como o desbaste e a destoca também podem ser uma desvantagem para a adoção do sistema, pois são onerosas e podem infligir danos ao solo se malfeitas.

Em qual cenário o sistema ILPF é indicado?

O sistema ILPF pode ser adotado por qualquer produtor com capacitação ou assessoria necessária para o empreendimento, além de capital para o investimento.

Mas como já falamos, existem cenários onde o sistema pode maximizar seus benefícios e minimizar pontos negativos.

Um desses cenários é a pecuária leiteira, porque a produção das vacas é altamente influenciada pelo estresse ambiental. 

A pecuária de corte que utiliza gado de origem europeia, também pode se beneficiar do bem-estar térmico ocasionado pelo componente florestal.

Outro fator importante na hora de pensar na viabilidade do sistema ILPF é o mercado madeireiro da região.

Uma propriedade que esteja inserida em uma região com forte mercado de madeiras para fins nobres (construção, movelaria, etc.), tem grandes chances de aumentar consideravelmente os lucros ao final do ciclo de corte das árvores.

Projetando um sistema ILPF

Um sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) se baseia em renques.

Renques são faixas de arborizadas plantadas com grande distância entre elas e podem ser formados por linhas únicas, duplas ou triplas de árvores.

ILPF

Linhas Únicas, Duplas e Triplas de árvores em ILPF
(Fonte: Embrapa (2012))

Deste modo, o projeto de um sistema ILPF deve se basear no ciclo de corte da espécie florestal utilizada e, mais ainda, no número de intervenções que o proprietário está disposto a fazer no sistema.

Por exemplo, espécies de rápido crescimento como o eucalipto, se plantadas com espaçamentos pequenos entre renques vão necessitar de mais desbastes para controlar o sombreamento nas faixas de cultivo.  

Sabendo disso, o recomendado para diminuir a “manutenção” do sistema é utilizar grandes espaçamentos entre renques, acima de 30 metros. 

Outro fator que dita o espaçamento entre as faixas de árvores é o tamanho dos implementos utilizados na propriedade.

O importante é ter em mente que o componente florestal ficará por um bom tempo no sistema, até mais de 10 ou 15 anos visando madeiras com fins nobres. 

Com isso, desenhar e pensar o futuro do sistema é vital para seu sucesso! 

Conclusão 

Neste texto, vimos um pouco mais afundo sobre o sistema ILPF tão falado por aí. 

Como tudo na vida, esse sistema apresenta pontos positivos e negativos que devem ser levados em conta na hora da implantação!

A integração lavoura-pecuária-floresta é uma prova de que podemos produzir o ano todo nos trópicos, além de ser mais um exemplo da força do agro brasileiro.

>> Leia mais:

“O que é e por que investir em tecnologias poupa-terra?”

Se interessou pelo ILPF e quer saber mais a respeito? Deixe seu comentário abaixo.

Integração Lavoura Pecuária: como implementar e tirar o melhor proveito

Integração Lavoura Pecuária: conceitos e dicas para fazer na prática e aumentar a produtividade da sua fazenda. 

Nos últimos anos, a técnica de produção que integra a lavoura com a pecuária tem caído no gosto dos produtores, principalmente no cerrado onde existem largas áreas de pecuária subutilizadas. 

A integração lavoura pecuária (ILP) tem sido uma revolução na agricultura tropical, pois permite aumentar a lotação animal e ainda produzir grãos na mesma área.

Nesse texto veremos quais os conhecimentos necessários para a implantação do sistema e como adotar a integração lavoura pecuária para aumentar a produtividade da fazenda.

O que é Integração Lavoura Pecuária?

A Integração Lavoura Pecuária ou ILP é uma técnica que possibilita o cultivo de pastagem e de produção de grãos ao mesmo tempo na mesma área.

Isso é possível graças ao consórcio entre culturas, o qual já abordamos aqui no Blog do Aegro. A pastagem pode ser consorciada com grãos como milho, sorgo, arroz e até mesmo com a soja.

integração lavoura pecuária
(Fonte: Banco de imagens do autor)

Alguns dias ou semanas após a colheita dos grãos, o capim já está pronto para o pastejo – garantindo um pasto de ótima qualidade na entressafra.

Ela pode ser utilizada para a pecuária ao longo do período da seca e depois dessecada para uma nova semeadura de grãos ou pode continuar como pasto por algumas safras, sendo rotacionada com outras áreas.

O sistema de Integração Lavoura Pecuária pode resultar em vários benefícios à fertilidade do solo quando bem implantado.

modelos ILP
Fonte: (Bungenstab et al. (2012))

Os benefícios da ILP se originam da entrada das plantas forrageiras no ambiente de produção. 

Com suas raízes e sua grande produção de biomassa, elas reciclam nutrientes, melhoram a física do solo e aumentam os teores de matéria orgânica em profundidade no solo.

Implantando um Sistema de Integração Lavoura Pecuária

Pré-requisitos

Ao pensar em adotar o sistema de ILP, o produtor deve se atentar às ferramentas que ele tem na propriedade e na região para a devida mão de obra.

Isso porque para um pecuarista ter o maquinário necessário para a implantação, manutenção e colheita de uma lavoura nem sempre é algo comum. 

Por isso é importante que o pecuarista se certifique da existência de vizinhos ou prestadores desses tipos de serviços na sua cidade e região.

Já para o agricultor, a infraestrutura necessária para a pecuária é um grande investimento.

Dessa forma, o primeiro passo é planejar a manufatura das cercas e divisão dos talhões (futuros pastos) bem como de embarcadouros e troncos.  

Se certificar da estrutura pecuária da região também é extremamente importante, assim como os fornecedores de matrizes ou de novilhos(as) e possíveis abatedouros para a comercialização.

Em qual safra consorciar?

Deve-se realizar um planejamento para consorciar a forragem na primeira ou na segunda safra.

Se o produtor rural optar por um consórcio com a cultura de primeira safra teremos um pasto com mais matéria seca e com formação mais rápida, já que ele crescerá com abundância de luz e calor e com baixo ou nenhum estresse hídrico.

Por outro lado, o consórcio do capim com a cultura de segunda safra proporcionará uma menor produção de forragem.

Porém o produtor terá produzido duas safras na área, o que pode aumentar o lucro ou a oferta de alimento final para o gado.

Sistema de Produção de braquiária consorciada com milho
Sistema de Produção de braquiária consorciada com milho em primeira e segunda safra
(Fonte: Oliveira et al. (2019))

Antes de decidir quando semear a forrageira é preciso verificar se a oferta de forragem será suficiente nas áreas que não serão semeados os grãos, garantindo sempre áreas de pastagens em meio à rotação de culturas dos talhões.

Após certificar que o gado não passará fome durante o crescimento da primeira ou da segunda safra, é o momento de escolher o capim e a forma de semeá-lo.

Bem, já escrevi aqui no Blog sobre as diferentes espécies de braquiárias e os prós e contras de cada uma (confira aqui), então falarei diretamente sobre os modos de implantação do consórcio de grãos com forrageiras tropicais.

Integração Lavoura Pecuária: quando semear a forrageira?

As forrageiras podem ser semeadas em dois tempos diferentes, no mesmo momento da semeadura dos grãos ou um período depois.

Para a semeadura conjunta do capim com a cultura granífera é necessário utilizar culturas de rápido crescimento como o milho ou o sorgo forrageiro que sombreiam rapidamente as entrelinhas, limitando o crescimento da forragem.

Nesse caso, também utilize algum herbicida como Nicosulfuron e Mesotrione para o milho (ou Glifosato para milho resistente) em subdose (1/2 ou 1/3) para diminuir a competição do capim com a cultura.

Para consórcio da forrageira com sorgo, ainda não existem graminicidas registrados para a cultura, mas mesmo assim a competição entre as espécies pode ser diminuída aumentando a população de sorgo ou semeando a forrageira na época da adubação de cobertura. 

A forrageira é semeada após a cultura quando se deseja diminuir a competição por risco climático, no caso do milho, ou por conta da cultura apresentar crescimento mais lento, como no caso da soja e do sorgo forrageiro (porte baixo e demora para sombrear a entrelinha).

Quando a semeadura da forrageira é feita de forma defasada (após o plantio da cultura) no milho ou no sorgo, ela é realizada a lanço por causa da adubação de cobertura.

integração lavoura pecuária
Produção de braquiária semeada simultaneamente ao milho e na ocasião da adubação de cobertura
(Fonte: Borghi et al. (2015))

Já no caso da soja, a semeadura do capim é feita a lanço também, mas no final do enchimento dos grãos (R5-R6), para que após isso as folhas da soja caiam e cubram as sementes da forrageira.

Como semear a forrageira?

No sistema de Integração Lavoura Pecuária a forrageira pode ser semeada em consórcio com a cultura de grãos de duas formas: a lanço e em linha.

Quando semeada em linha, o capim pode ser colocado na caixa do adubo de plantio e semeado na mesma linha da cultura. O importante aqui é lembrar de utilizar apenas adubo fosfatado para não prejudicar a semente.

Dessa forma, a germinação da planta forrageira será mais lenta e pode reduzir a competição entre as espécies. 

Além disso, a forrageira também pode ser semeada na entrelinha da cultura, apesar de ser um método menos utilizado.

Isso é possível quando o milho ou o sorgo são semeados com espaçamentos maiores (90, 80 cm) e os carrinhos da semeadora são usados intercalados.

E o método mais utilizado pelos produtores é a semeadura a lanço da forrageira, com um implemento de distribuição na frente do trator. 

Massa Seca de Milho e de Forrageira no momento da colheita do milho
Massa Seca de Milho e de Forrageira no momento da colheita do milho, de acordo com o método de semeadura do consórcio
(Fonte: Pereira et al. (2015))

Esse método é mais eficaz quando se usa uma semeadora de arrasto, que é capaz de incorporar de maneira mais eficiente a semente do capim semeado a lanço. 

Lembre-se: É importante aumentar a porcentagem de sementes utilizada em 20% a 30% quando aplicada a semeadura a lanço!

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Conclusão

A Integração Lavoura Pecuária possibilita uma rotação entre agricultura e pastagem que beneficia o solo, a recuperação de áreas degradadas e auxilia intercalando princípios ativos de fitossanitários na produção.

Como resultado, vimos nesse texto que a técnica pede cuidado maior do produtor e atenção no manejo, mas que a longo prazo esse trabalho pode gerar rendimento maior no bolso.

Agora que sabemos que essa tal de ILP não é um bicho de sete cabeças, você pode se informar mais sobre o método com consultores, cooperativas ou aqui mesmo no Blog do Aegro! 

>> Leia Mais:
ILPF: O que você precisa saber para utilizar esse sistema

“O que é e por que investir em tecnologias poupa-terra?”

Pretende implementar a Integração Lavoura Pecuária? Tem alguma dica para nos passar? Deixe seu comentário abaixo para continuarmos essa conversa!

Brachiaria ruziziensis: como essa espécie pode te ajudar na agricultura

Brachiaria ruziziensis: Saiba como fazer o melhor manejo para plantio direto ou pastagem, além de outras características dessa forrageira

A Brachiaria ruziziensis é uma das espécies mais utilizadas no sistema de plantio direto e em consórcio com outras culturas. 

E não é à toa! Sua fácil dessecação e baixo potencial competitivo com o milho caíram no gosto de produtores e consultores. 

O manejo se mostrou mais fácil dentro do sistema de produção e seu uso pode ser uma ferramenta decisiva no sistema de produção e lucro da sua fazenda. Confira como a seguir!

Brachiaria ruziziensis: Importância para o agro 

Originária da África, mais precisamente do vale de Ruzi no Congo, a Brachiaria ruziziensis começou seu processo de melhoramento nos anos 1960, ainda na África. Seu cultivar atual foi lançado em 1961 na Austrália e trazido para o Brasil mais tarde.

Apesar de sua ampla disseminação quando introduzida, seu uso logo diminuiu devido à suscetibilidade ao ataque de cigarrinha-das-pastagens, o que limita seu uso até hoje.  

A Brachiaria ruziziensis se assemelha à sua ‘parente’ Brachiaria decumbens, porém apresenta porte mais alto e cheiro semelhante ao conhecido capim-gordura.

Sua palatabilidade é alta, sendo recomendada nas fases de recria e engorda dos bovinos.

Agora que sabemos um pouco da história e dos principais usos desse capim vamos conhecer melhor suas características e manejo na pecuária e no sistema de produção de grãos.

Características agronômicas da Brachiaria ruziziensis 

A Brachiaria ruziziensis é uma planta perene. Apresenta em média 1 metro de altura, além de ter um rápido estabelecimento e boa germinação das sementes, mesmo sem incorporação.

A espécie é relativamente exigente em nutrientes, requerendo uma saturação de bases entre 50% e 60% e um pH entre 5 e 6,8, não respondendo bem a solos ácidos. 

Devido à sua origem nos trópicos úmidos, sua exigência por água também é alta: cerca de 900 mm a 1200 mm ao longo do ano. Porém a Ruziziensis pode tolerar até 4 meses de seca, chegando à morte em períodos mais extensos. 

A temperatura ideal para o desenvolvimento da planta é de 28o C durante a noite; e 33o C durante o dia, sendo que a temperatura mínima de crescimento da planta é de 19o C. Apresenta adaptação até 2.000 m acima do nível do mar.

A Brachiaria ruziziensis não tolera climas frios e geadas, sendo desaconselhada em regiões suscetíveis. 

É, portanto, uma forrageira que requer solos de média a alta fertilidade, requerendo áreas de plantio com boa drenagem.

Diferente de sua parente decumbens, a ruziziensis apresenta crescimento cespitoso, isto é, ereto. Isso aumenta muito sua captação de luz por área e sua eficiência em fazer fotossíntese, dando à planta uma boa tolerância a sombra. 

brachiaria ruziziensis

Inflorescência de três espécies de Brachiaria 

(Fonte: Machado et al. (2011))

Como apresenta baixo vigor vegetativo, sua rebrota é lenta. Além disso, tem baixa dispersão vegetativa (pelos estolões), o que torna seu manejo um fator importante para persistência da forragem no pasto.

Desse modo, devido às características de baixa rebrota e baixa habilidade de se espalhar pela área, o potencial dessa forrageira agir como planta daninha é baixo. 

Por isso, pode ser utilizada com maior segurança no sistema de produção.

Manejo da Brachiaria ruziziensis para Plantio Direto

Dentro do sistema de plantio direto existem algumas medidas importantes para o manejo adequado da Brachiaria ruziziensis.

O primeiro deles é a escolha entre consórcio com milho ou sobressemeadura com a soja.

Na sobressemeadura, a época correta de semear a brachiaria é entre a fase de enchimento de grãos e o início da maturação da soja (R5 a R7).

Já no consórcio com milho, existem dois tempos em que o produtor pode optar pelo plantio da forrageira. O primeiro é junto com a semeadura do milho. O segundo, durante a época da adubação de cobertura do cereal (V3 a V4). 

Essa diferença entre a época de semeadura da brachiaria em relação ao milho impacta na produção de forragem do capim e no potencial de interferência dele na cultura do milho

Agora outro ponto a ser definido é a quantidade de sementes a serem utilizadas. Em consórcio, essa quantidade pode diferir muito (2 kg/ha a 10 kg/ha). 

Mas como saber a quantidade mais adequada?

brachiaria ruziziensis

No uso da forrageira para cobertura do solo, com alto valor cultural (acima de 90%), com capim semeado em linha, por exemplo, você pode utilizar uma taxa de semeadura de brachiaria mais próxima a 2 kg/ha.

Dessa forma, passaremos para outra medida importante no manejo da Brachiaria ruziziensis em consórcio: o manejo de herbicidas.

Manejo de herbicidas para Brachiaria ruziziensis

Uma dica importante aqui: em consórcio milho com brachiaria, os herbicidas utilizados para controle das plantas daninhas são:

  • Atrazina (folhas largas)
  • Nicosulfuron ou o Mesotrione (folhas estreitas)

Número de plantas de espécies infestantes e massa seca da parte aérea da comunidade infestante, na pré-semeadura da cultura da soja em rotação

(Fonte: Concenço et al. (2013))

Embora alguns produtores dispensem o uso dos herbicidas para folhas estreitas no consórcio, pois a brachiaria tem alto poder de controle das plantas daninhas, isso ainda irá depender do uso dado à forrageira.

No caso de utilizar o capim como pastagem para engorda dos bois, é possível não utilizar herbicidas para folhas estreitas. Isso irá aumentar a produção de matéria seca do capim. Porém, pode piorar sua qualidade geral e impactar negativamente na produtividade de milho.

Se optar por utilizar a forrageira como cobertura vegetal do solo ou quiser uma pastagem de melhor qualidade, o uso do herbicida para controle de folhas estreitas é recomendado.

No caso do nicosulfuron, o indicado é utilizar 1/2 dose do recomendado na bula para controle da brachiaria. No caso do mesotrione, o indicado é 1/3 da dose de bula.

Veja a tabela abaixo:

brachiaria ruziziensis
(1)Óleo mineral Nimbus a 0,5% v v; (2)Diferenças estatísticas.
Nota: DAE = dias após a emergência da cultura e da forrageira

Massa seca de plantas de Brachiaria ruziziensis (RMB) 150 dias após a aplicação dos herbicidas, em sistema de consórcio milho-brachiaria, em diferentes períodos após a emergência das plantas, sob aplicação de herbicidas

(Fonte: Adaptado de Ceccon et al. (2010))

Dessecação

Na dessecação da Brachiaria ruziziensis, a dosagem de glifosato utilizada pode variar de 1.300 kg a 2.000 kg de ingrediente ativo por hectare. 

Essa variação ocorre pelos seguintes fatores: massa de parte área da forragem (altura) e tempo entre dessecação e plantio da cultura em sucessão.

Quanto mais próxima a altura da forragem a 15 cm ou 20 cm e maior o tempo entre a dessecação e o plantio (acima de 20 dias), menores as doses necessárias de glifosato.

Dica importante: plantas com alturas menores que 10 cm aumentarão a dose necessária para dessecação. Por outro lado, plantas com alturas maiores que 30 cm aumentarão o tempo necessário entre a dessecação e o plantio da cultura de sucessão.

Manejo da Brachiaria ruziziensis para sistema de integração lavoura-pecuária

A Brachiaria ruziziensis apresenta bons atributos para alimentação animal: 

  • Digestibilidade entre 55% e 60%;
  • Teores de proteína bruta entre 10% e 14%;
  • Produção de matéria seca que pode chegar a 15 toneladas/ha.

Como já vimos, a altura de manejo dessa forrageira é extremamente importante devido à sua baixa capacidade de rebrota. 

Dessa forma, a recomendação é de que o produtor entre com o gado na área com uma altura de 30 cm e retire os animais quando o pasto atingir ao redor de 15 cm. 

Essas alturas garantirão um pasto de boa qualidade e uma boa rebrota da pastagem. E, na época de dessecação para o plantio direto, o produtor economizará na aplicação de glifosato.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão   

Como pudemos ver, a brachiaria ruziziensis é uma ótima espécie para uso em consórcio e como cultura de cobertura para plantio direto.

Não à toa, essa forrageira é uma das mais recomendadas para esses sistemas de produção atualmente.

Diversos estudos têm mostrado que o consórcio do milho com essa forrageira não diminui a produtividade do milho. Ela traz benefícios para o produtor como combate à erosão; melhora da fertilidade do solo; além da melhora física do solo.

Deste modo, o uso da Brachiaria ruziziensis com o conhecimento das medidas de manejo que abordamos aqui pode ser uma ferramenta decisiva no sistema de produção e lucro!

>> Leia mais:

As melhores formas de controle para cigarrinha-das-pastagens
Brachiaria brizantha: As principais orientações para tirar o melhor proveito dela
ILPF: O que você precisa saber para utilizar esse sistema

Você já teve alguma experiência com o uso da Brachiaria ruziziensis? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!


Calagem em plantio direto: dúvidas frequentes e suas respostas

Calagem em plantio direto: Quando aplicar e reaplicar, fazer ou não a incorporação do calcário, como conseguir equilíbrio entre Ca e Mg e outras respostas para dúvidas frequentes!

Quando  o assunto é calagem em plantio direto, garanto que você já se se questionou:

“Devo ou não incorporar? Como fazer a calagem em superfície? Vale a pena corrigir o solo em profundidade?

Essas e outras perguntas são corriqueiras e mostram como o assunto é controverso e existe desinformação.

Por isso, separamos aqui as dúvidas mais comuns e suas respostas para que você consiga o melhor manejo e, portanto, a melhor produção dentro do sistema de plantio direto! Confira!

Calagem em plantio direto: o calcário

O calcário é um corretivo da acidez do solo. Pode fornecer cálcio (Ca) e magnésio (Mg), além de ajudar na melhoria de atributos físicos do solo.

Com a ascensão do sistema de plantio direto, algumas questões surgiram quanto à execução da calagem no PD.

Aqui no blog, nós já falamos sobre as principais características desse corretivo, o cálculo de calagem e princípios básicos da correção do solo. Confira!

Agora, o intuito é responder a algumas dessas perguntas que surgem quando o assunto é calagem em plantio direto.

1. Como amostrar o solo?

A principal diferença entre o plantio convencional e o plantio direto é o local de amostragem de solo.

Como não há revolvimento de solo no PD, a tendência é que o adubo se concentre nos mesmos locais. 

Além disso, cria-se um gradiente de fertilidade entre a superfície e as camadas mais profundas. E isso é mais problemático para nutrientes pouco móveis no solo, como o fósforo.

Em sistemas de PD já consolidados, a dica na hora de amostrar o solo é retirar 15% das amostras na linha e o restante na entrelinha, misturando tudo para formar uma única amostra.

Para facilitar ainda mais, uma regra prática: retire amostras a cerca de um palmo da linha, assim, ela representará bem o que ocorre tanto na linha quanto na entrelinha.

A dica é avaliar não somente a camada 0-20 cm, mas também a 20-40 cm pelo menos. Assim, temos ideia de como está o ambiente em que nossas raízes irão se desenvolver.

2. Qual dose deve ser aplicada?

Existem várias maneiras de se calcular a dose da calagem.Não importa o método utilizado, o importante é que se obedeça a recomendação de calagem.

Alguns produtos, como o tal “calcário líquido” ou calcários granulados, prometem uma maior eficiência e por isso poderiam ser utilizados em doses mais baixas, o que nem sempre é verdade. Portanto, cuidado com promessas “milagrosas”.

Cuidado com essas promessas! Não existe milagre. Atenda à recomendação de calagem e não terá problemas.

Da mesma forma, como a calagem é superficial e de reação lenta, pode causar a “supercalagem” na camada mais superficial (0-5 cm), reduzindo a disponibilidade de micronutrientes catiônicos e indisponibilizando o P.

calagem plantio direto

(Fonte: Interpretti)

3. Como e quando aplicar? 

Em condições ótimas, o calcário demora pelo menos menos 3 meses para reagir no solo.  Portanto, quanto mais próximo ao fim da safra anterior, melhor.

A aplicação pode ser parcelada em doses de 2,5 ton/ha cada parcelamento.

E quando reaplicar?

O critério que tem sido utilizado para a reaplicação de calcário no Paraná é o seguinte:

A partir do monitoramento da camada 0-5 cm, realizar nova calagem quando o pH em CaCl2 estiver inferior a 5,6 e o V% menor que 65. 

Situações diferentes dessa não respondem bem à calagem.

Solos com mais argila devem demorar mais para ser necessário reaplicação. Os arenosos, por outro lado, necessitam de calagem mais frequentemente.

calagem plantio direto

(Fonte: Vitti e Priori)

4. Todo calcário é igual?

Não. Existem vários tipos de calcários. Cada um deles pode servir para uma função diferente.

Lembre-se: a calagem é baseada em critérios técnicos e econômicos.  Aquele corretivo que te proporcionar maior lucro ao longo dos anos deve ser o escolhido.

Temos que avaliar os calcários pelo seu Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT).

Ele é resultado do produto do Poder de Neutralização (PN) e Reatividade (RE).

calagem

Interpretação de PRNT em calcários 

(Fonte: Alcarde et. al., 1992)

O valor do PRNT representa qual porcentagem do potencial de neutralização será expresso nos primeiros 3 meses. O restante é chamado Efeito Residual (ER) e terá sua ação ao longo do tempo no solo.

Essa informação é importante pois pode direcionar o uso de um ou outro tipo de calcário para determinadas situações.

5. Qual tipo de calcário devo utilizar?

Como regra geral, a recomendação é a seguinte:

Na adoção do PD, prefira calcários com maior efeito residual. Assim, garantimos uma ação mais duradoura.

Em áreas estabelecidas, queremos que a reação do calcário ocorra o mais rápido possível. Portanto, escolha aqueles que tem o PRNT mais elevado, com baixo residual.

6. Vale a pena incorporar o calcário?

Estudos mostram que o custo adicional da incorporação do corretivo não se traduz em lucro ao sistema já estabelecido.

Também devemos nos atentar aos danos causados à estrutura do solo (infiltração, aeração, etc), microbiologia do solo, além da degradação da matéria orgânica.

Portanto, a calagem em plantio direto deveria ser superficial.  

Mas o tema é controverso…

O CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) cuida de pesquisas relacionadas à cultura da soja e promove competições anuais de produtividade.

Em suas publicações disponíveis, eles encontraram correlação entre os teores de matéria orgânica, Ca, Mg, V% e CTC e baixo Al até 1 metro de profundidade. 

Ou seja, os recordes de produtividade ocorriam em sistemas onde o subsolo estava corrigido e fértil.

Como em PD o solo não deve ser revolvido, após a adoção do sistema é difícil atingir o subsolo. Apenas após muitos anos a calagem superficial terá efeito sobre essa camada.

Mas existe uma única época em que é recomendada a incorporação de calcário em PD: na adoção do sistema.

Ao adotar o PD podemos aproveitar a oportunidade e incorporá-lo ao solo. É a única chance de revolver o solo e corrigi-lo diretamente em profundidade. Fica a dica.

7. Como maximizar a eficiência da calagem em plantio direto?

A eficiência da calagem é função da dose, do tipo de calcário, do tempo de reação do calcário no solo, das condições edafoclimáticas (solo + clima) da região e do manejo da área.

Portanto, lembre-se que uma mesma dose de calcário terá comportamento diferente em diferentes locais e sob diferentes manejos.

Mas existe outra maneira de extrair o máximo dessa correção: culturas de cobertura.

O uso de culturas de cobertura com grande produção de biomassa de raízes pode ajudar no caminhamento do calcário para o subsolo, pois melhora a estruturação e cria bioporos com a morte de raízes.

Além disso, a exsudação de ácidos orgânicos nas raízes pode complexar o Al tóxico e auxiliar no caminhamento do  calcário no perfil também. Desse modo, a calagem superficial pode atingir camadas inferiores.

calagem plantio direto

Estudos em Latossolos indicam que o melhor é a manutenção do sistema plantio direto com semeadura direta e calagem superficial sem revolvimento do solo, associado a rotação de culturas, inclusive melhorando a produção de grãos

(Fonte: Fidalski et al., 2015)

8. Não esqueça do Mg!

O Mg tem grande importância na translocação de açúcares na planta e é integrante da molécula de clorofila, mas geralmente esquecemos dele. Coitado!

Na briga com Ca e K no solo, o Mg sai perdendo. Nas quantidades adicionadas via calcário e gesso, também.

Por isso, é importante utilizar o calcário dolomítico quando os teores de Mg estiverem abaixo de 5 mmolc.dm-3. Ele tem maior quantidade de Mg na formulação.

Isso é tão mais importante quanto maiores forem as doses de K e de gesso. O gesso agrícola, além de fornecer Ca, lixivia Mg das camadas superficiais. 

Em casos onde a dose de gesso aplicada foi alta, somente o calcário dolomítico não será capaz de resolver o problema. Nesse caso, recomenda-se utilizar o óxido de magnésio como corretivo e fonte de Mg.

>> Leia mais: “Como fazer calagem e gessagem nas culturas de soja, milho e pastagem

Como comprar calcário?

O critério econômico para compra do calcário é baseado no valor pago por unidade de PRNT. 

Esse cálculo leva em conta o preço pago por tonelada de calcário e o frete para entrega:

Compra de Calcário = [(Custo do calcário + frete)/PRNT ] x 100

Assim, temos a informação do calcário economicamente melhor, já dentro da propriedade. Vamos ver um exemplo para entender melhor:

Exemplo:

Calcário 1: Custo do calcário em minha propriedade = R$ 2200

PRNT do calcário = 80%

2200/80 = 27,5 x 100 = 2750

Calcário 2: Custo do calcário em minha propriedade = R$ 2350

PRNT do calcário = 90%

2350/90 = 26,1 x 100 = 2611,1

Ou seja, mesmo o calcário 2 sendo mais caro, ele compensa seu custo.

Conclusão

Como pudemos observar, a dose e a frequência de aplicação de calcário devem obedecer critérios técnicos e também econômicos para trazer os melhores resultados.

Uma calagem bem feita garante que os nutrientes serão melhor aproveitados e a planta terá um ambiente mais amigável para desenvolver suas raízes.

Assim, temos um maior potencial produtivo para nossa lavoura.

>> Leia mais:

Plantio direto na soja: Como fazer ainda melhor na sua lavoura

E você, o que achou do texto? As dicas te ajudaram a entender melhor sobre calagem em plantio direto? Deixe suas dúvidas e comentários! Grande abraço! 


Plantio direto na soja: como fazer ainda melhor na sua lavoura

Plantio direto na soja: as espécies de cobertura mais indicadas, as máquinas agrícolas recomendadas e outras orientações para fazer esse sistema ainda melhor.

No Rally da Safra 2017/18 foi levantado que 99% produtores adotam o plantio direto em algum grau de medida. Ou seja, são milhões de hectares já com o plantio direto em algum nível.

Isso mostra que percebemos os benefícios do plantio direto na produtividade: o sistema pode aumentar em até 60% a produtividade de grãos.

Mas ao deixar a palha sobre o solo para começar o plantio direto você teve algumas dúvidas?

É normal que algumas questões apareçam ao mudar o sistema de produção agrícola.

Por isto, conheça mais desta prática que pode te ajudar a consolidar este sistema sustentável na sua lavoura.

plantio direto na soja

(Fonte: Revista Granja, outubro de 2018)

O Plantio Direto na soja

O Sistema Plantio Direto (SPD) tem se destacado como uma das estratégias mais eficazes para melhorar a sustentabilidade da agricultura em regiões tropicais e subtropicais.

O grande resultado é por minimizar as perdas de solo e de nutrientes por erosão, além de ajudar a conservar a umidade de solo.

Isto devido aos três princípios básicos do SPD, que são:

  • Cobertura permanente do solo;
  • Sistema de rotação de culturas;
  • Mínimo revolvimento do solo.

São cerca de 40% a mais de carbono sequestrado do que o sistema convencional.

Plantar sem tirar a palhada das culturas anteriores, é a proteção mais assertiva na proteção das chuvas, de erosão, lixiviação de fertilizantes.

A rotação de culturas também é importante para ajudar a resolver o problema de compactação do solo.

Dessa forma você mantém seu investimento a longo prazo no campo, além de que todos esses benefícios do SPD fazem com que seja aumentado a produtividade da cultura da soja.

Além disto, há redução de operacional, e maior sustentabilidade ambiental na tua propriedade e no teu bolso.

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(Fonte: Paulo Odilon Kurtz em Embrapa)

Como fazer plantio direto na soja?

Tudo vai começar com a escolha da cultura de rotação que será a fonte de cobertura e palhada para a cultura da soja.

Normalmente, essas espécies são chamadas de cultura de cobertura, as quais são também  utilizadas na adubação verde.

E esta cultura pode ser a responsável pela quebra de ciclo de doenças e patógenos, e de grande importância no Manejo Integrado de Pragas.

Segundo estudos do IAPAR, algumas cultivares de aveia tiveram resultados muitos positivos no controle de nematoides.

Como a IPR Afrodite, que é resistente ao nematóide das galhas (Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita), enquanto o URS Brava é resistente ao nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus).

O nabo forrageiro também é uma ótima opção. É uma planta que em 60 dias cobre cerca de 70% do solo, e produz 20 a 35 t/ha de massa verde, 3,5 t/ha a 8 t/ha de massa seca.

Claro que este tipo de rotação é favorecido nas regiões mais subtropicais do Brasil, onde o inverno permite a sua produção.

Nesse sentido, manejos consorciados e de rotação foram discutidos na 5º Jornada Tecnológica no campo da IAPAR, neste ano de 2018.

Além disso, nas regiões mais quentes, tropicais do país, devemos incluir gramíneas, e não só leguminosas, para que a palha permaneça no solo e não se degrade tão rapidamente.

Gramíneas para culturas de cobertura no plantio direto

Com certeza a gramínea mais utilizada como palha no plantio direto na soja, são os restos da lavoura de milho, fazendo a sucessão de culturas soja e milho.

No entanto, é muito interessante a utilização de espécies diferentes, como no consórcio de braquiárias com leguminosas.

Por exemplo, consórcio de gramíneas com crotalárias, que possui alto potencial de reciclagem nutricional e controle de nematóides.  

Um exemplo disso é a espécie Eleusine coracana (pé-de-galinha-gigante) consorciada com crotalária.

Bem como consórcios com culturas safrinhas como o milho, com crotalárias, guandú, ou com braquiárias.

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Consórcio de milho safrinha com guandú, safra 2018.
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Outra gramínea para ser usada é a Brachiaria ruziziensis, que possui abundância e matéria seca, podendo agregar 1% de matéria orgânica ao solo.

(Fonte: Vídeo SOESP)

Além desta temos a Mombaça e a quênia (Panicum maximum), a BRS Paiaguás (Brachiaria brizantha), o milheto e muitas outras.

Assim, procure informações sobre as plantas que pode utilizar na rotação, fique à vontade para escolher a da sua preferência.

Lembre-se, se você planejar, dá para casar as operações nas lavouras, colher e já plantar.

Acertar no momento de roçar e dessecar o adubo verde escolhido para formação de palhada, é o segredo.  

Já falamos disso aqui no blog:Adubação verde e Cultura de Cobertura: Como fazer?”.

Além disso, você pode ver mais sobre adubação de soja neste manual rápido.

Falando em operações agrícolas, veremos agora quais as máquinas para o plantio direto na soja:

Quais as principais máquinas agrícolas para o plantio direto?

As principais são a semeadora e a colhedora diferenciais para este tipo de sistema de plantio.

São tão importantes de serem adequadas, que pode se perder cerca de 10% com uma semeadura inadequada em uma lavoura de soja.

Isso pode ocasionar uma perda de cerca de 6 sacas por hectare, significativo né?

No plantio direto você precisa de uma máquina adequada. Aquela que mobilize o mínimo necessário a linha de plantio, que corte e afaste a palha, bem como uma que distribua bem a palhada na colheita.

Muitos detalhes e dicas importantes sobre as principais características de máquinas do SPD, você pode conferir emSemeadoras plantio direto: como encontrar a melhor para sua fazenda”.

Além disto, a colhedora deve ser equipada com picador de palha regulado para distribuir uniformemente a palhada sobre o solo, na faixa equivalente a largura de corte da colhedora.

E o válido mesmo, é estar sempre observando na hora da colheita como está a distribuição da palhada.

Isso porque, quanto mais você regular a distribuição de palhada neste momento, melhor será todo o teu futuro nesta lavoura.

A distribuição irregular da palhada dificulta as próximas operações agrícolas, e também pode deixar alguns espaços de área descoberta.

Isso faz com que não tenhamos os benefícios da palha em toda a área, especialmente na conservação da umidade e controle de plantas daninhas.

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Colheita de soja em SPD, Mato Grosso
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

gerenciando o maquinário agrícola

Vantagens do Sistema Plantio Direto na soja

O SPD é por si só uma vantagem ao seu sistema agrícola.

Com ele fica mais fácil otimizar o seu maquinário, você vai formando solo e contribuindo nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo mesmo com a intensidade de manejo no mesmo nas safras.

Além de, ser significativo sua contribuição na redução dos gases do efeito estufa, bem como nos seus custos se bem planejado.

É claro que temos desafios, as opções de rotações para formação de palhada nas entressafras ou até mesmo nos consórcios das safra, nem sempre são comerciais, e isto ainda é um obstáculos.

Mas se pensar a longo prazo a palhada deixada no teu sistema é um dos melhores investimentos de baixo custo que terá feito na sua propriedade.

Você pode ler mais em “Porque o Plantio Direto contribui na fertilidade do solo?

O que é o Padrão RTRS de Produção de Soja Responsável?

Resultado do envolvimento na cadeia de valor da soja, principalmente produtores e indústrias, foi criado o padrão RTRS, como o nome diz, uma padrão de produção de soja responsável.

Os princípios e critérios para a certificação da soja como uma cultura responsável são:

  • Cumprimento legal e boas práticas empresariais;
  • Condições de trabalho responsáveis;
  • Relações comunitárias responsáveis;
  • Responsabilidade ambiental;
  • Práticas agrícolas adequadas.
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(Fonte: Responsiblesoy)

E se tratando das práticas agrícolas, o Sistema Plantio Direto é um deles.

Além disto, por exemplo, a propriedade deve ter um plano de manejo integrado, que preveja prevenção e outros tipos de controle, como o biológico e defensivos naturais.

Assim como, medidas sistemáticas para planejar e implementar o monitoramento de proliferação de novas pragas e espécies invasoras introduzidas.

Conclusão

De cara, parece fácil escrever aqui como se faz, mas eu sei que na prática é um desafio enorme.

Às vezes a rotação estava perfeita, mas deixamos passar um mal espalhamento de palhada em alguma parte do talhão, e só isso já traz consequências lá na frente.

Mas tenha o objetivo de ir consolidando o Sistema Plantio Direto na soja. A palhada pode ser a sua poupança segura a longo prazo.

Lembre se que a meta é você conseguir ter maior domínio dos fatores que são chave na sua propriedade, e que realmente podem ser controlados por você.

Ou seja, não falo do clima ou dos valores de mercado dos insumos e do seu produto, mas dos fatores internos a tua propriedade.

Com um bom sistema de gestão e planejamento vai ficando mais “fácil” manejar esses fatores, fazendo decisões mais assertivas.

Leia mais:

“Como fazer a dessecação de soja para colheita eficiente”

Calagem plantio direto: Dúvidas frequentes e suas respostas

4 cuidados que você precisa ter no plantio direto de milho

E você, como tem feito o plantio direto na soja? Tem mais algumas dicas para esse sistema? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Semeadoras plantio direto: Como encontrar a melhor para sua fazenda

Plantadeira plantio direto: as melhores do mercado, as principais funções para você se atentar e mais dicas para não ter falhas na semeadura.

Semeaduras inadequadas podem ocasionar perdas na emergência de 15% ou mais na cultura do milho.

Se cada planta de soja produz em média 18 g de grãos, com a falta de emergência de uma planta por metro linear já perdemos 6 sacas de soja por hectare.

Você pode perceber como é importante a escolha correta das semeadoras.

E existe uma infinidade de máquinas presentes no mercado que podem atender às nossas condições, especialmente em plantio direto.

Mas como saber qual é a máquina ideal?

Veja agora quais são os melhores tipos de semeadoras e outras dicas para não perder mais nenhuma saca devido ao plantio:

Quais as principais funções de uma plantadeira?

As funções básicas de uma plantadeira podem ser classificadas como:

  • Armazenamento de sementes;
  • Promover a liberação controlada das sementes;
  • Distribuir corretamente a semente no terreno;
  • Preparar o leito de semeadura;
  • Cobrir as sementes;
  • Adensar o solo ao redor das sementes.

Além disso, as máquinas podem ser divididas quanto a forma de distribuição das sementes.

Essa distribuição pode ser à lanço, aérea e terrestre ou linhas.

No caso da distribuição em linhas, há duas formas de semeadura:

  1. Fluxo contínuo: sem precisão entre sementes/sementes miúdas, conhecida convencionalmente como semeadora;
  2. De precisão: dosadas uma a uma, conhecida convencionalmente como plantadora.

Partes constituintes mais importantes das semeadoras

As partes que possibilitam que as funções das plantadeiras (citadas acima) possam ser realizadas corretamente são:

  • Mecanismos dosadores de sementes;
  • Mecanismos dosadores de adubo (se houver);
  • Sulcadores;
  • Mecanismos para corte de palha – discos de corte (plantadeira plantio direto);
  • Controladores de profundidade;
  • Cobridores de sulco;
  • Mecanismos de compactação;
  • Reservatório de sementes;
  • Mecanismos de transmissão;
  • Tubos condutores de sementes;
  • Marcadores de linha;
  • Rodados.
plantadeira plantio direto

(Fonte: Semeato em Campo e Lavoura)

Além do mais, os mecanismos devem estar calibrados corretamente para execução da boa semeadura.

Para a melhor calibração você deve se atentar ao manual da semeadora, ou mesmo consultar o revendedor ou site do fabricante.

Isso porque, as particularidades entre máquinas são muitas, e você deve adequá-las ao seu ambiente da fazenda.

Qual a diferença para uma plantadeira plantio direto?

Uma plantadeira plantio direto realiza a semeadura em áreas sem o preparo convencional do solo e com a presença de cobertura vegetal. Assim, ela deve mobilizar o mínimo necessário o solo, apenas nas linhas de semeadura.

A principal diferença de uma plantadeira plantio direto é que ela deve, além das demais funções que já comentamos, cortar a palha e abrir o sulco afastando-a.

Infelizmente, às vezes temos problemas para cortar e afastar a palha corretamente.

Por isso, vale a atenção redobrada na manutenção dessas máquinas agrícolas: as trocas de peças e regulagens não podem ser deixadas de lado.

Nesse sentido, saiba mais sobre regulagens em: “Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura”.

A equipe de operadores também deve ser devidamente treinada, conhecendo todo o potencial da plantadeira plantio direto em questão.

Além disso, fique atento para os restos vegetais presentes na sua área antes da semeadura.

Se os restos estiverem mal distribuídos ou forem de grande tamanho, é provável que a plantadeira plantio direto “embuche”.

Por isso, a máquina que manejou a cultura de cobertura ou a cultura anterior deve ser adequada para picar e distribuir bem os restos vegetais.

As plantadeiras, ou semeadoras, podem ainda ser classificadas naquelas que realizam ou não a adubação em conjunto com a semeadura.

Semeadoras adubadoras: principais características

É comum optar por plantadeira plantio direto que possua a função de adubação também.

Para semeadoras adubadoras de sementes graúdas (milho, soja, etc.) em plantio direto, deve-se buscar:

  • Carrinhos de sementes independentes e desencontrados;
  • Sistema pantográfico, principalmente nas sementes;
  • Boa flutuação vertical nos carrinhos;
  • Sulcadores que mobilizem pouco o solo;
  • Diversas opções de regulagens;
  • Fácil troca de sulcadores.
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(Fonte: Grupo Cultivar)

Semeadoras sem adubadoras

São máquinas que realizam a semeadura, mas não possuem depósitos de fertilizantes acoplados à máquina.

Para estes casos é necessário a realização de duas operações na área: uma máquina realizará  a semeadura da cultura e outra a adubação, na maioria das vezes a lanço.

Desse modo, é possível a realização da adubação antecipada no sulco de semeadura utilizando ferramentas de agricultura de precisão disponíveis no mercado.

A vantagem dessas semeadoras sem o depósito de adubos são os ganhos em rendimento operacional. Uma vez que, retirados os depósitos de fertilizantes é possível acoplar um maior número de linhas e ganhar em escala.

São máquinas maiores e utilizadas em terrenos extensos e relativamente planos, como temos nos cerrados brasileiros.

Assim, as máquinas que vêm se destacando  neste cenário são as famosas DBs da John Deere.

Tratam-se de  plantadoras de grandes dimensões para agricultores de média e grande escala. As máquinas variam de 23 a 48 linhas.

Algumas máquinas possuem capacidade operacional de até 18 hectares por hora, o que auxilia nas curtas janelas de semeadura, encontrados em diversas regiões brasileiras.

Opções de máquinas semeadoras sem adubadoras

A DB74 (48 linhas) e a DB50 (32 linhas) da John Deere são máquinas que se destacam nesse cenário.

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Plantadeira plantio direto DB74 48 linhas
(Fonte: John Deere)

O plantio sem adubação na linha, com disco duplo na semente e o sistema VacuMeter permitem velocidades maiores no deslocamento, podendo chegar até 12 km/h.

Além disso, os carrinhos do tipo pantográfico auxiliam na melhor distribuição de sementes na profundidade correta, e com isso, tem-se uma melhor emergência de estande.

Semeadora múltipla: é possível sementes miúdas e graúdas

Esta plantadeira é conhecida como multissemeadora, semeadora 2 em 1, ou ainda semeadora múltipla.

A mesma máquina possui mecanismos que são capazes de executar semeaduras tanto de fluxo contínuo quanto de precisão.

Tais máquinas possibilitam que sejam realizadas algumas alterações nos mecanismos dosadores e distribuidores.

Com essas alterações é possível semear desde culturas de inverno, como também de verão.

Essas multissemeadoras são mais comuns nas pequenas propriedades, uma vez que com apenas uma máquina, ambas as operações podem ser executadas.

No entanto, a complexidade da regulagem das peças para as operações fazem com que elas não sejam muito utilizadas.  

Além disso, as multissemeadoras exigem certa capacitação e pessoal qualificado para realização das manutenções, substituições e troca de componentes para cada operação.

>> Leia mais: “Plantio direto na soja: Como fazer ainda melhor na sua lavoura”.

Opção de semeadora múltipla

Uma das semeadoras múltiplas presentes no mercado é a linha SHM 11/13 e 15/17 da Semeato.

Embora sejam múltiplas, são semeadoras versáteis e de fácil manuseio e regulagem. Ideais para pequenas e médias propriedades.

Assim, a distribuição de sementes miúdas é realizada por meio de rotor acanalado helicoidal, com abertura de acordo com o tamanho das sementes.

Já a distribuição de sementes graúdas é realizadas por meio de discos alveolados, que devem ser trocados dependendo do tamanho de cada semente a ser plantada.

Agora que vimos sobre essas semeadoras, vamos para outro tipo de máquina:

Semeadoras de precisão (ou de sementes graúdas)

São as plantadeiras que fazem a semeadura e adubação de sementes graúdas, como o milho ou soja.

Assim, as sementes são depositadas no solo uma a uma, com distância (em geral) uniforme.

Essa distribuição uniforme é o resultado do mecanismo dosador-distribuidor e do deslocamento da máquina.

Opções de semeadora adubadoras de precisão

Uma semeadora muito boa presente no mercado para semeadura em plantio direto é a PST3 da Tatu Marchesan de 8 a 12 linhas para o espaçamento 0,45m e 0,50m entre as linhas.

A plantadora possui chassi reforçado e resistente, corte eficiente da palhada, uniformidade da adubação, plantio do estande correto e na profundidade certa com linhas de plantio do tipo pantográfica.

Suas regulagens são fáceis de serem realizadas e possui boa capacidade tanto para sementes quanto para adubos.

São 45 litros para cada linha de sementes e 400 Kg por caixa de adubo, o que diminui o tempo para reabastecimento e aumenta os rendimentos operacionais.

Veja também: “Guia para iniciantes sobre Agricultura de Precisão (AP)

Tecnologias envolvendo semeadoras

Hoje em dia, existem uma infinidade de acessórios que auxiliam os produtores no momento da semeadura perfeita. Veja algumas delas:

Monitores de sementes

Estão presentes no mercado, sensores com fotocélula que realizam a contagem de sementes que foram introduzidas na área em cada tubo condutor de sementes.

Dessa forma, erros operacionais de entupimento de linhas de semeadura podem ser evitados em tempo real.

Um sinal sonoro é emitido sempre que existirem problemas com a semeadura, auxiliando os operadores na execução correta da atividade.

Controladores de seção no plantio

Outra tecnologia bacana para quem busca otimização e intensificação da semeadura são os controladores de desligamento de seção.

Com esta ferramenta é possível reduzir gastos extras com sementes.

Ela mantém os espaçamentos corretos de semeadura, mesmo nas bordaduras ou fechamento das quadras, aumentando a eficiência de campo operacional.

Estimativas falam sobre a margem de sobreposição de 2,6% da área total semeada, sem a utilização desse sistema.

Normalmente essas tecnologias de semeadoras existem em máquinas novas, mas será que sempre compensa uma plantadeira plantio direto nova ou melhor investir na usada?

Plantadora nova X plantadora usada

É uma dúvida de muitos produtores: compro uma plantadora nova ou usada?

Atualmente existem diversas linhas de crédito que auxiliam a compra de máquinas novas.

Um programa de financiamento é o “Moderfrota”, disponível com taxa de juros pré fixada de até 7,5% ao ano aos produtores que possuem faturamento anual de até R$ 90 milhões e 9,5%  daqueles que faturam acima de R$ 90 milhões.

A aquisição de máquinas usadas pode ser uma solução também, porém, o estado da máquina a ser adquirida deve ser muito bem avaliada.

Se os custos com manutenções e peças de reposição forem altos e o rendimento operacional for prejudicado, vale sempre buscar alternativas para aquisição de máquinas novas.

No entanto, fica difícil essa avaliação se você não tem os custos reais de toda a sua produção, especialmente as máquinas e seus abastecimentos.

Com o Aegro é possível visualizar seus custos de abastecimento de modo muito mais fácil e rápido

Veja aqui como o agricultor Elivelton descobriu, por meio de dados reais, que compensava comprar uma nova máquina devido aos custos de manutenção da antiga.

Cálculo de rendimento operacional: Quanto a máquina consegue trabalhar por dia?

Vamos aprender a calcular o rendimento operacional da plantadeira plantio direto

Exemplo de uma DB74, da John Deere, plantando soja:

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(Fonte: John Deere)

Dessa forma, conseguimos calcular o quanto em hectares conseguimos plantar em um dia de trabalho de 10h.

Se eu tenho que plantar 2000 ha e meu rendimento operacional é de 182,25 ha/dia:

2000 ha/182,25 ha/dia = 10,97 dias

Precisaremos de uma janela de plantio de aproximadamente 11 dias para realizar a operação com essa máquina.

Se a minha janela de plantio for menor que esses 11 dias, uma solução é terceirizar parte do plantio. Outra solução seria aumentar a jornada de trabalho diário.

A compra de outra máquina que fique ociosa pode acarretar em custos desnecessários, por isso o bom planejamento agrícola é essencial para o sucesso das operações.

Plantadeira plantio direto ou Plantadora? Semeadeira ou semeadora?

Você pode perceber que ao longo do texto utilizei várias denominações. Isso porque estamos em um conversa informal.

No entanto, no conceito teórico, ocorreu em 2011, um fórum para padronização destes termos no meio acadêmico.

Esse fórum ficou conhecido pelo seu tema de “Terminologia de Máquinas Agrícolas” e foi inserido na programação do Conbea (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola).

As diferenças, basicamente, dependem da operação que cada máquina realiza.

A semeadora é a máquina que acoplada a um trator agrícola realiza a operação da semeadura das culturas, ou seja, introduz sementes de plantas no solo.

A plantadora é a máquina que realizará o plantio das culturas e inserção no solo de partes vegetativas de plantas como bulbos, colmos e tubérculos.

Além disso, a transplantadora é a máquina que realizará o transplantio das culturas nas nossas lavouras, inserindo plântulas ou mudas no solo em seu estágio inicial.

Como exemplos das três operações podemos citar:

  • Semeadura: soja, milho, feijão, aveia
  • Plantio: cana, mandioca, batata
  • Transplantio: eucalipto, café, tomate

Portanto, como em plantio direto normalmente temos grãos, ocorre a semeadura dos mesmos.

Qual é o correto: semeadeira ou semeadora?

Geralmente o sufixo “ora” remete a máquina agrícola que realiza a operação.

E o sufixo “eira” remete a pessoa que planta ou semeia, por exemplo plantadeira e semeadeira.

Assim, o mais correto seria “semeadora”.

Conclusão

Existe uma infinidade de máquinas presentes no mercado. Aqui neste artigo, cito algumas que estão mais presentes nas fazendas que visito. Cada máquina e cada produtor deve avaliar o que é melhor para sua fazenda.

Máquinas grandes que ficam ociosas devem ser evitadas, enquanto que máquinas pequenas que possuam baixos rendimentos operacionais também. Cada operação deve ser bem planejada, iniciando como planejamento da safra e safrinha.

Os bons gestores conseguem aumentar seus rendimentos operacionais com as máquinas certas. Os ótimos gestores conseguem fazer exatamente a mesma coisa, e ainda reduzir os custos operacionais!

>> Leia mais:

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E você? Já utiliza algumas dessas máquinas citadas? Utiliza alguma plantadeira plantio direto específica? Sabia que existiam semeadoras múltiplas? Assine nossa newsletter para receber outros artigos direto em seu e-mail.