Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas

Estresse hídrico nas plantas: saiba quais são as consequências, o que pode ser feito para minimizar a falta de água e mais

A quantidade ideal de água em uma cultura existe quando as condições climáticas são favoráveis ou a irrigação é bem distribuída.

Entretanto, isso geralmente não ocorre em campo. A má distribuição de água e a falta das chuvas ocasiona o estresse hídrico nas plantas.

O estresse hídrico causa redução da produção das culturas. Saber quais estratégias você pode adotar para minimizar o problema pode ser sua solução.

Confira neste artigo o que ocorre quando a planta sofre estresse hídrico, os fatores que agravam este problema e o que pode ser feito!

Importância da água nas plantas

A água desempenha diversas funções na planta. Por exemplo, participação no processo de fotossíntese e na regulação da abertura e fechamento estomático.

O conteúdo de água de uma planta herbácea é superior a 90%. Em plantas como a alface, esse conteúdo ultrapassa 95%. Processos como a germinação só são desencadeados com a presença de água.

A água hidrolisa macromoléculas com amido em açúcares solúveis. Esses açúcares fornecem energia para germinação e desenvolvimento inicial da plântula. Além disso, as células são importantes para o crescimento vegetal e para a  sustentação da morfologia da planta. 

Para que desempenhem esses papéis, a água é fundamental por manter as células túrgidas. A principal forma de absorção da planta é através de suas raízes. Elas captam a água e nutrientes presentes no solo.

Após a entrada pelas raízes, a água tem de ser distribuída para a parte área.  Esse papel é feito por um vaso condutor denominado xilema. O xilema é responsável por distribuir a seiva bruta das raízes para os caules e folhas.

ilustração de transporte da água do solo para a planta

Transporte da água do solo para a planta
(Fonte: UFC)

Como ocorre o estresse hídrico?

A disponibilidade hídrica adequada é necessária para a produção das plantas. A irregularidade das chuvas, por exemplo, pode levar a períodos de falta de água.

O solo é o principal fornecedor de água para as plantas. Ele apresenta uma capacidade de armazenamento de água determinada. Pense no solo como uma caixa d’água que abastece uma casa. Se a caixa não for reabastecida, a casa fica sem água.

Se as chuvas forem irregulares ou o manejo de qualquer tipo de irrigação for mal planejado, o volume de água no solo reduz e as raízes das plantas não conseguem absorver. O volume adequado para as plantas absorverem água é a CAD (Capacidade de Água Disponível) completa.

Quando faltam chuvas ou a irrigação é insuficiente, a disponibilidade de água fica abaixo da quantidade ideal e chamamos isso de PMP (Ponto de Murcha Permanente).

Quando o solo está no PMP, a quantidade de água é tão baixa que a planta, mesmo gastando energia, não consegue retirar a água do solo.

Representação da capacidade de água armazenada no solo

Representação da capacidade de água armazenada no solo
(Fonte: adaptado de Unesp)

A falta de chuva, geralmente em épocas mais quentes, aumenta a perda de água pelo processo de transpiração. Isto caracteriza o déficit hídrico, que se prolongado, causa estresse nas plantas.

A deficiência hídrica ocorre quando a demanda por água pela planta é maior que a oferta de água pelo solo.

Fatores que influenciam 

A perda de água de um solo pode ocorrer de diferentes maneiras: pela absorção de água pelas plantas, evaporação, escoamento, entre outros.

O tipo de solo influencia na capacidade de retenção de água. Solos mais rasos (solos jovens), são pedregosos, que retém pouca quantidade de água. 

Em solos mais profundos (solos maduros), a presença de rochas é mais profunda. Assim, há mais espaços porosos para reter água e disponibilizá-la para as plantas.

Além disso, em solos mais rasos a evapotranspiração é maior. O tempo de armazenamento de água acaba sendo menor. 

A infiltração de solos rasos é menor. Com grandes volumes de água eles saturam-se rapidamente, e ocorre o escoamento de água superficial.

Vale lembrar que todos os solos podem saturar, mesmo os mais profundos. Se solos profundos saturam-se rapidamente, é provável que ele esteja compactado.

A compactação do solo também influencia no déficit hídrico das plantas. Com a compactação, a infiltração será reduzida e maior será a perda de água por escoamento.

Efeitos do estresse hídrico nas plantas

Como você viu, as plantas têm em sua composição a maior parte de água. Sem ela, diversas reações químicas, metabólicas e fisiológicas não ocorrem.

A água mantém a turgência das células. Então, com a falta de água, as plantas murcham. Ocorrem mudanças da estrutura, espessura e coloração das folhas com a falta de água.

foto de Planta murcha e planta normal

Planta murcha e planta normal
(Fonte: Embrapa)

A escassez de água causa o fechamento dos estômatos, locais de passagem de gases e vapor de água, geralmente localizados nas folhas.

Esse fechamento, em períodos de seca, é uma linha de defesa da planta por reduzir a transpiração. 

Porém, caso a situação de déficit hídrico se prolongue, ocorrerá redução da fotossíntese. Isso porque o fechamento causa redução do suprimento de CO2.

Com a redução da fotossíntese, a planta reduz a produção de fotoassimilados. Como consequência, seu crescimento e produção são reduzidos.

Efeito em plantas de café da falta de água adequada (sequeiro) e ideal (irrigado)

Efeito em plantas de café da falta de água adequada (sequeiro) e ideal (irrigado)
(Fonte: Embrapa)

Como minimizar a deficiência hídrica nas plantas? 

O primeiro passo para minimizar ou evitar o estresse hídrico é conhecer o histórico de chuvas da sua região.

Saiba as épocas de maior oscilação de chuvas e planeje estratégias que reduzam o efeito da falta de água no campo.

Outro ponto importante é saber a demanda hídrica da cultura que irá produzir. Sabendo qual é a necessidade, você consegue relacionar o histórico de chuvas da região com a produção.

A principal ferramenta é o uso de irrigação, mas não é possível realizá-la em todas as áreas. Nesses casos, adote outros métodos. O uso de variedades resistentes à seca é uma opção para algumas culturas, como no caso do trigo.

Evite a compactação dos solos, pois ela afeta a quantidade de água disponível para as plantas, o desenvolvimento radicular e a absorção de nutrientes. 

O sistema de plantio direto também é uma estratégia para evitar o estresse hídrico nas plantas.

A palhada no solo reduz a perda de água pela evaporação, e assim o solo consegue manter a quantidade de água por mais tempo.

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Conclusão

Você viu qual a importância da água para as plantas e como o estresse hídrico ocorre.

Viu que existem fatores que aceleram ou retardam a deficiência hídrica. Além disso, os efeitos causados pela falta de água podem ser irreversíveis e afetar sua produção.

Existem estratégias que diminuem o efeito do estresse hídrico nas plantas. Lembrar delas é essencial para garantir que o estresse não ocorra.

Tenha atenção nas épocas mais quentes do ano e use medidas para evitar a redução da sua produção!

>> Leia mais:

“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

Como é a distribuição de chuvas na sua região? Já teve perdas de sua lavoura pela deficiência hídrica? Deixe seu comentário abaixo!

Como analisar o DNA do solo pode te ajudar a prevenir problemas e fazer um manejo mais efetivo da lavoura

DNA do solo: saiba como a análise de uma pequena amostra de terra pode te ajudar a prevenir problemas e a realizar um manejo efetivo

Você sabia que é possível conhecer e quantificar os microrganismos existentes no solo da sua fazenda? Essa é uma forma de descobrir quais deles auxiliam na retenção de água, na ciclagem  e na disponibilidade de nutrientes.

A consequência é a melhora da produtividade e qualidade do solo e ela é possível através da análise genética de uma pequena amostra. 

Quer entender melhor como funciona essa técnica e como recolher uma amostra para análise? Confira a seguir!

O que é o DNA do solo?

A análise do DNA do solo é uma ótima forma de estudar o conjunto de microrganismos que ali habitam, como fungos, bactérias, vírus, protozoários e microalgas. 

Por meio do sequenciamento desse DNA, é possível descrever e identificar tais seres de maneira completa.

Você também pode analisar a funcionalidade deles. É possível averiguar se eles estão associados à sanidade, ciclagem de nutrientes, tolerância a estresse, síntese de hormônios, etc.

Essa descrição pode ser utilizada de forma preventiva ou para o gerenciamento de vários problemas do solo. Também é possível identificar se os microrganismos que habitam o solo da lavoura são benéficos ou prejudiciais às atividades agrícolas.

Com isso, é possível recomendar sistemas de produção que melhorem ou estimulem a atividade microbiológica. A técnica da extração do DNA revela uma maior biodiversidade do microbioma do solo em relação às demais técnicas de análise do solo.

As técnicas tradicionais são baseadas no cultivo laboratorial dos microrganismos.  Na última década, houve uma grande redução de custos do sequenciamento genético. Isso proporcionou a ampliação dessas análises para fins comerciais, e não apenas acadêmicos.

A análise genética é o futuro para as análises microbiológicas do solo.  Provavelmente, técnicas antigas serão, aos poucos, substituídas pela precisão e agilidade da análise de DNA.

Como a análise é feita

A análise do DNA do solo é feita pelo método de detecção por RT – PCR, mesma tecnologia que detecta a Covid-19.

Essa técnica identifica, quantifica e diferencia os microrganismos da amostra de solo. RT – PCR significa teste molecular de Transcrição Reversa – Reação em Cadeia Polimerase.  Além de rápida, essa técnica tem um custo muito mais baixo que as metodologias tradicionais.

Desta forma, a análise informa a presença e quantidade dos microrganismos na amostra. O resultado revela o que o solo precisa através desta avaliação genética completa.

Como coletar as amostras para análise

O solo deve ser coletado em quatro pontos da área, na profundidade 0 – 10 cm, para compor uma amostra composta de aproximadamente 200 gramas.

As amostras de solo devem ser coletadas na camada de 0 - 10 cm

As amostras de solo devem ser coletadas na camada de 0 – 10 cm
(Fonte: Laborsolo)

Mantenha as amostras refrigeradas e as encaminhe diretamente para o laboratório de análise de solo. Com apenas 0,25 gramas de solo é possível aplicar o teste RT – PCR e conhecer o DNA de todos os microrganismos presentes na amostra.

As informações obtidas podem ajudar na escolha de práticas agrícolas que minimizem as perdas da biodiversidade de um solo. Isso é fundamental para a manutenção da produtividade das lavouras.

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Benefícios de analisar o DNA do solo

Realizar apenas a correção do solo, seja química ou física, não traz resultados em produtividade para o agricultor. Neste cenário, se encaixa a análise do DNA do solo. Toda a vida presente no solo é essencial para o seu bom funcionamento e qualidade. 

Conhecer, preservar e potencializar esses microrganismos é uma forma de construir uma agricultura sustentável. Os microrganismos do solo são fundamentais para:

  • desenvolvimento vegetal;
  • estruturação do solo;
  • degradação da matéria orgânica do solo;
  • ciclagem e disponibilidade de nutrientes;
  • fixação biológica de nitrogênio;
  • proteção contra doenças.

Quanto mais se conhece esses microrganismos, mais eficiente é a gestão do uso do solo e o resultado na produtividade das lavouras. São muitos os motivos para avaliar os microrganismos que habitam o solo. Além de explorar todo o potencial do local de plantação, você obtém:

  • ganho de eficiência na aplicação dos compostos químicos e biológicos no solo;
  • melhoria das propriedades do solo por redução do estresse e prevenção de surgimento de novas doenças;
  • identificação de microrganismos maléficos presentes no solo, visando a uma maior proteção das plantas;
  • escolha consciente dos produtos microbianos para aprimorar a produtividade da lavoura;
  • redução de perdas pelo aumento da resistência de plantas e microrganismos;
  • a avaliação da biodiversidade dos microrganismos presentes no solo pode auxiliar o produtor na tomada de decisões e gestão do solo.

Relação da qualidade da argila com o DNA do solo

Outra forma de avaliar o potencial genético do solo é por meio do seu mapeamento mineralógico. O mapeamento detecta a qualidade das argilas por meio do magnetismo do solo. Esse mapa te orienta a tomar as decisões agronômicas corretas.

A qualidade é um indicativo do potencial agrícola, de fatores e processos de formação do solo. O objetivo da técnica é fornecer a você o mapa genético da área de cultivo. O mapeamento do DNA do solo é uma técnica versátil, acessível e de ótimo custo benefício.

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Conclusão

O DNA do solo permite analisar se os microrganismos beneficiam ou prejudicam as atividades agrícolas e te ajuda a melhorar a produtividade da lavoura.

Através da análise, é possível recuperar a qualidade do solo e reestruturar e atender às suas demandas.  Com o conhecimento da biodiversidade ali presente, é possível aproveitá-la de maneira mais eficiente e sustentável.

Agora que você tem essas informações, invista na análise genética do solo em sua fazenda!

>> Leia mais:

“O guia da interpretação da análise de solo”

“Entenda o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES) e como ele pode ser útil para sua lavoura”

“O que é e por que investir na análise microbiológica do solo”

Qual tipo de análise do solo você realiza em sua fazenda? Já extraiu o DNA do solo? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Fungos entomopatogênicos no controle de pragas: o que são e como utilizá-los na lavoura

Fungos entomopatogênicos no controle de pragas: saiba em quais culturas eles vêm sendo utilizados e como podem ser ótimos aliados na proteção do seu cultivo

Os fungos entomopatogênicos são ótimos aliados no controle de pragas

Esses microrganismos, embora passem despercebidos na lavoura, atuam como inimigos naturais de pragas.

Sua eficiência depende de um bom manejo integrado de pragas e doenças, como aplicação de defensivos compatíveis e de forma equilibrada.

Neste artigo, você verá como esses fungos te auxiliam no controle de pragas e quais cuidados devem ser tomados para garantir a eficiência do controle biológico.  Boa leitura!

O que são fungos entomopatogênicos?

Os fungos entomopatogênicos são organismos capazes de colonizar diversas espécies de pragas, causando epizootias (enfermidades que podem causar a morte ou interferir na alimentação e reprodução de insetos e ácaros).

Na cultura da soja,  eles são responsáveis pelo controle biológico de lagartas

Eles também atuam na proteção de diferentes cultivos contra a mosca-branca, cigarrinhas, ácaros, dentre outros insetos.

Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae são os fungos mais estudados e aplicados no controle de pragas, em diversas culturas.

Fungos entomopatogênicos no controle de pragas: atuação e utilização

Geralmente, os fungos entomopatogênicos atacam seus hospedeiros, penetrando e colonizando seus corpos.

A infecção ocorre em 6 etapas:

  • fixação do esporo na parte externa do corpo dos insetos;
  • germinação das estruturas fúngicas sobre o corpo dos insetos;
  • penetração através da cutícula, atingindo o interior do corpo do inseto;
  • desencadeamento de respostas de defesa imunológica pelos insetos ou ácaros hospedeiros, superando-as;
  • proliferação dentro do corpo do hospedeiro, formando suas estruturas fúngicas de disseminação;
  • crescimento no hospedeiro já morto, produzindo novas estruturas de disseminação.

O sucesso da colonização dos entomopatógenos depende do estádio de desenvolvimento do hospedeiro alvo.

No caso das lagartas, por exemplo, quanto mais cedo os fungos colonizam seus corpos, mais efetivo será o controle pelos entomopatógenos.

Para que o fungo possa colonizar com sucesso o hospedeiro, é indispensável a alta umidade no ambiente. 

Em condições muito secas, a germinação dos fungos e a colonização dos hospedeiros pode não ocorrer. 

As condições ambientais no momento da aplicação dos produtos devem ser observadas.

Antes de produzir estruturas de disseminação e causar a morte do hospedeiro, os entomopatógenos podem afetar o inseto por meio de mudanças no comportamento alimentar, redução de peso, esterilidade e malformações.

Ciclo da relação patógeno-hospedeiro de Metarhizium anisopliae sobre a cigarrinha-da-raiz da cana-de-açúcar (Mehanarva fumbriolata)

Ciclo da relação patógeno-hospedeiro de Metarhizium anisopliae sobre a cigarrinha-da-raiz da cana-de-açúcar (Mehanarva fumbriolata)
(Fonte: adaptado de Alves, 1998 e Mascarin, 2010)

Utilização

A crescente demanda por defensivos agrícolas no controle de pragas têm revisitado a discussão sobre o manejo de resistência desses insetos pelas moléculas disponíveis no mercado.

Anualmente, o número de relatos de pragas (insetos e ácaros) e patógenos (doenças) resistentes às moléculas utilizadas no seu controle vem crescendo, preocupando produtores, técnicos e pesquisadores.

Utilizar microrganismos (como fungos) com potencial para controlar as pragas nas áreas de produção é uma alternativa interessante, de menor impacto ao meio ambiente, menor custo e alta eficiência.

Principais programas de controle biológico por fungos entomopatogênicos no Brasil

Os principais programas de controle biológico com fungos entomopatogênicos incluem o controle de pragas em diversas espécies agrícolas:

Cana-de-açúcar

  • cigarrinha-da-cana-de-açúcar (Mahanarva posticata e M. fimbriolata);
  • cupim da cana-de-açúcar (Cornitermes);
  • gafanhotos (Schistocerca pallens, Stiphra robusta e Rhammatocerus schistocercoides). Esses também causam danos em arroz e pastagens.
Mahanarva posticata (cigarrinha-da-cana-de-açúcar) à esquerda e M. fimbriolata  a direita, que causam danos nas folhas e raízes da cana-de-açúcar

Mahanarva posticata (cigarrinha-da-cana-de-açúcar) à esquerda e M. fimbriolata  a direita, que causam danos nas folhas e raízes da cana-de-açúcar
(Fonte: Agrolink)

duas fotos de Cornitermes cumulans (cupim-da-cana-de-açúcar)

Cornitermes cumulans (cupim-da-cana-de-açúcar)
(Fonte: Silva e colaboradores, 2021)

Schistocerca pallens - fungo entomopatogênico no controle de pragas

Schistocerca pallens
(Fonte: Moreira et al., 1999)

Pastagens 

As cigarrinhas-das-pastagens (Mahanarva, Deois e Zulia) podem afetar significativamente a oferta de alimentos na produção de gado de corte e leite em bovinos de leite.

Adulto de Deois flavopicta e sintomas de danos em milho

Adulto de Deois flavopicta e sintomas de danos em milho
(Fonte: Cruz et al., 2010)

Cafeeiro

A broca-do-cafeeiro (Hypothenemus hampei), é uma praga amplamente distribuída nas regiões produtoras de café, e pode ser controlada utilizando o fungo Beauveria bassiana.

A aplicação do produto deve ser iniciada quando 1 a 2% dos frutos estiverem broqueados, atingindo as partes da planta com maior infestação.

Hypothenemus hampei (broca-do-cafeeiro)

Hypothenemus hampei (broca-do-cafeeiro)
(Fonte:  Koppert)

Soja

A lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens), principais pragas da cultura da soja, podem causar danos em diversas espécies.

Alfafa, amendoim, arroz, ervilha, feijão, feijão-vagem e trigo são atingidos por essas lagartas, podendo sofrer até 100% de desfolha nestas culturas.

O controle de ambas as lagartas pode ser realizado com auxílio do fungo Nomuraea rileyi que, principalmente em anos úmidos, apresenta efeitos satisfatórios no controle de diversas espécies de lepidópteros na cultura da soja.

Mas atenção, Nomuraea rileyi ocorre naturalmente nos campos de produção se as condições ambientais forem favoráveis: umidade superior a 60%, e temperaturas entre 26 °C e 27 °C. 

Além disso, embora possa proporcionar até 90% de controle das lagartas, a aplicação de inseticidas, fungicidas e herbicidas pode diminuir sua efetividade.

Ovos, pupa e larva de quinto ínstar de Anticarsia gemmatalis

Ovos, pupa e larva de quinto ínstar de Anticarsia gemmatalis
(Fonte: Praça, Moraes e Monnerat, 2006.)

Lagarta, fase de pupa e mariposa (Chrysodeixis includens)

Lagarta, fase de pupa e mariposa (Chrysodeixis includens)
(Fonte: Agrolink)

Milho

Controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) a partir do fungo Beauveria bassiana.

Fases de desenvolvimento de Spodoptera frugiperda - lagarta-do-cartucho-do-milho

Fases de desenvolvimento de Spodoptera frugiperda – lagarta-do-cartucho-do-milho
(Fonte: Carneiro e colaboradores, 2004)

Como você pode utilizar os fungos a seu favor?

O controle das cigarrinhas é realizado através do fungo Metarhizium anisopliae, em concentrações de 500 g de esporos do fungo por hectare.  

Os fungos M. anisopliae e Beauveria bassiana apresentam alta efetividade no controle de cupins-de-montículo e da cana-de-açúcar. 

Aplique diretamente nos ninhos, em concentrações de 6 a 12 gramas da formulação em pó seco.

Para o controle de gafanhotos, utilize o fungo Metarhizium flavoride. Ele é produzido em arroz pré-cozido. 

As vantagens incluem menor uso de defensivos químicos, que podem causar desequilíbrios e contaminações ambientais, menos problemas para os aplicadores, e menor risco de resistência das pragas às moléculas químicas.

Diversidade de fungos entomopatogênicos colonizando diferentes insetos-praga. A) Aschersonia sp. em Bemisia tabaci, B) Lecanicillium longisporum em Orthezia praelonga, C) Isaria fimbriolata, E) Lecanicillium em Coccus viridis, F) Beauveria bassiana em Sphenophorus levis, G) B. bassiana em Hypothenemus hampei, H) B. bassiana em Anaestrpha sp

Diversidade de fungos entomopatogênicos colonizando diferentes insetos-praga. A) Aschersonia sp. em Bemisia tabaci, B) Lecanicillium longisporum em Orthezia praelonga, C) Isaria fimbriolata, E) Lecanicillium em Coccus viridis, F) Beauveria bassiana em Sphenophorus levis, G) B. bassiana em Hypothenemus hampei, H) B. bassiana em Anaestrpha sp
(Fonte: Mascarin & Pauli, 2010)

Na tabela de produtos disponíveis, que podem ser consultados no Sistema Agrofit, é possível observar que estes microrganismos podem ser utilizados para o controle de mais de uma praga de interesse agrícola, demonstrando amplo espectro de ação.

Veja na tabela a seguir os formulados biológicos a partir de fungos entomopatogênicos, recomendados para o controle de pragas.

formulados biológicos a partir de fungos entomopatogênicos, recomendados para o controle de pragas

Atenção: produtos de diferentes fabricantes, formulados a partir do mesmo agente biológico, podem conter cepas não efetivas a todas as pragas listadas.  Consulte a bula do produto previamente.

O que considerar no controle com uso de fungos entomopatogênicos 

Quando a aplicação de entomopatógenos é realizada no campo, diversos fatores podem interferir na sua capacidade de sobrevivência, propagação e infecção nos hospedeiros (pragas).

Compatibilidade com moléculas químicas

A compatibilidade dos agentes de controle biológico com agrotóxicos utilizados no manejo de pragas e doenças das culturas, como inseticidas, fungicidas e até mesmo herbicidas deve ser planejada e avaliada previamente.

Em estudos na cultura da cana-de-açúcar, por exemplo, inseticidas à base de tiametoxam foram considerados compatíveis.

Esses inseticidas não afetaram o crescimento micelial (uma das partes do fungo), a produção e viabilidade dos esporos de Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae.

Em contrapartida, fipronil é considerado parcialmente tóxico para ambos os fungos entomopatogênicos. Aldicarbe, um inseticida e nematicida, foi considerado tóxico para ambos os fungos.

Herbicidas como imazapir, glifosato e metribuzin foram considerados compatíveis a ambos os fungos, podendo ser utilizados no manejo das culturas aos quais são indicados.

Desta forma, em programas de MIP (Manejo Integrado de Pragas), é indispensável o conhecimento sobre a compatibilidade dos agentes de controle biológico, como os fungos entomopatogênicos e os produtos utilizados durante o ciclo da cultura.

Para realizar o MIP na sua lavoura, preparamos uma planilha que pode te ajudar. Baixe gratuitamente clicando na imagem a seguir:

Radiação solar, ultravioleta e temperatura 

A exposição à radiação solar, ultravioleta e temperaturas acima ou abaixo do ideal aos fungos, também podem influenciar no seu desempenho a campo, e devem ser observadas antes da sua aplicação.

A radiação UV pode afetar a sua eficiência, inativando os esporos do fungo, causando mutações e danos letais ao DNA. 

Além disso, causa a dessecação das estruturas dos fungos, impedindo sua germinação e posterior colonização dos insetos pragas.

Estudos simulando a radiação solar e ultravioleta aos fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana identificaram sensibilidade à radiação, com redução da germinação dos esporos dos isolados em até 65%, comprometendo sua eficácia a campo.

Temperaturas entre 23,8 °C e 31 °C favoreceram a germinação dos conídios dos fungos, enquanto temperaturas próximas a 20 °C dificultaram a sua germinação.

Desta forma, antes da aplicação destes produtos a campo, observe as condições ambientais no dia da aplicação e nos subsequentes.

Assim você garante que os microrganismos possam se desenvolver em condições ambientais favoráveis.

Armazenamento, monitoramento da lavoura e aplicações de fungos entomopatogênicos

Os bioinseticidas (formulados a partir de fungos entomopatogênicos) devem ser armazenados em locais frescos, secos e sem luz, para melhor conservação e qualidade.

As pulverizações a campo devem ser realizadas assim que as pragas apresentarem os primeiros sinais de ataque, ou assim que sua presença for detectada.

O monitoramento da área deve ser constante. Os agentes de controle biológico serão mais efetivos se aplicados em estágios iniciais de desenvolvimento das pragas.

A bula, bem como as informações referentes às pragas as quais os produtos são efetivos, devem ser consultados. 

As pulverizações a campo devem ser realizadas preferencialmente após as 16 horas, pela menor incidência de raios ultravioletas que reduzem a efetividade dos microrganismos.

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Conclusão

Os fungos entomopatogênicos possuem um grande potencial no controle de diversas pragas de interesse agrícola.

O monitoramento e as aplicações desses ótimos aliados no tempo correto, assim que as pragas são identificadas na lavoura, é muito importante.

Lembre-se dos fatores relacionados ao sucesso deste tipo de controle: monitoramento da praga, das condições ambientais, além do cuidado no armazenamento e aplicação dos produtos.

>> Leia mais:

“Por que o controle biológico com Trichoderma pode ser uma boa opção para sua lavoura”

Você já utiliza algum fungo entomopatogênico no controle de pragas na sua fazenda? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Compartilhe sua experiência com a gente! 

Como o uso de drones na pulverização do cafeeiro pode trazer economia e eficiência nas aplicações

Drones na pulverização do cafeeiro: confira as possíveis vantagens dessa ferramenta que vem ganhando espaço nas lavouras

A utilização de drones na pulverização do cafeeiro chama a atenção de qualquer pessoa que os aviste sobrevoando os cafezais. 

Eles realizam de maneira autônoma um trabalho que só era possível realizar manualmente.

Utilizada também em outras culturas, a pulverização com drones demonstra eficácia no controle de doenças do café, como a ferrugem e a cercosporiose.

Ainda é necessária validação e autorização oficial para aplicação de insumos agrícolas via drones, mas as perspectivas de benefícios são inúmeras. Confira!

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Uso de drones na pulverização do cafeeiro

Apesar de muito recente, o uso de drones na pulverização agrícola no Brasil é uma realidade que tem ganhado cada vez mais espaço no campo, inclusive na produção de café

No agronegócio mundial, o mercado de drones agrícolas deve chegar a US$ 4,8 bilhões em 2024.

No Brasil, são quase 70 mil proprietários de drones cadastrados na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), boa parte deles voltados para serviços no agro.

Vale lembrar que o uso dos drones na agricultura devem seguir regras rígidas, então vale ficar sempre de olho nelas.

Para que servem

Chamados de RPA (aeronaves remotamente pilotadas), os drones agrícolas são usados na aplicação de agrotóxicos, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.

Os drones utilizados para esses serviços pertencem à classe 2 (peso máximo de decolagem maior que 25 kg e até 150 kg) e à classe 3 (peso de decolagem até 25 kg). 

Atualmente, está em discussão no Ministério da Agricultura uma legislação específica para serviços com esses drones, com padrões técnicos operacionais e de segurança.

Enquanto a legislação não fica pronta, o que vale são as regras da Anac para operação com drones.

Drone de pulverização agrícola da linha Agra T20

Drone de pulverização agrícola da linha Agra T20
(Foto: DJI)

Vantagens do uso de drones

Há drones utilizados no agronegócio e em outras atividades profissionais, como:

A eficácia de muitos deles é comprovada em diversos serviços, mas os drones de pulverização agrícola ainda passam por testes de validação e formas de operação.

Uma das áreas do agronegócio que tem recebido experimentos é a da produção de café.

No Brasil, há diversas regiões produtoras, como o sul de Minas Gerais. Regiões como essa possuem topografia irregular, e por isso são um campo aberto para atuação dos drones.

Experimentos com o uso de drones na pulverização do cafeeiro apontam redução de até 80% nos gastos com insumos

Veja algumas vantagens da pulverização com drones:

  • voo entre 3 e 5 metros de altura;
  • economia de água e produtos químicos;
  • aplicação mais eficiente, com bicos abaixo das hélices;
  • redução da deriva de defensivos, com possibilidade de aplicação com ventos de até 30 km/h;
  • baixo custo (R$ 40 a R$ 150/ha) e eficiência operacional;
  • de 20 até 100 vezes mais rápido que o trabalho manual;
  • opera em áreas de difícil acesso.
Operação com drone pulverizador do tipo pelicano

Operação com drone pulverizador do tipo pelicano
(Foto: Daniel Bandeira Estima/Skydrones)

Um experimento recente da Embrapa e da empresa AP Agrícola, numa área de café em Minas, mostrou que os drones são eficientes em locais de difícil acesso.

O equipamento foi testado em florestas, ribanceiras e morros. A qualidade da gota na aplicação do produto e o resultado foram considerados excepcionais. O manejo nutricional (adubação foliar) também está sendo testado.

A Embrapa avaliou, em São Roque de Minas, ser possível aplicar uma calda concentrada que reduz cinco vezes a parcela de produto que não atinge o alvo.

Combate às doenças do cafeeiro

Em Muzambinho, sul de Minas Gerais, o cafeicultor Marcelo Salomão faz a pulverização do cafeeiro com drones há 2 anos.

A tecnologia é utilizada para controlar doenças do cafeeiro, como a ferrugem e a cercosporiose. São aplicados 15 L ha-1 de defensivos, com custo de R$ 150 por hectare

“As aplicações são feitas em duas áreas, uma de 5 hectares e outra de 11 hectares”, disse Salomão, para quem a vantagem principal é a economia de tempo.

“Com drone, fazemos a aplicação de 11 hectares em 2 horas e meia. Se fosse manual, seria um dia para cada hectare. Além disso, economiza muito mais água”, afirmou.

O cafeicultor cita ainda como vantagens o fato de não ter contato direto com agrotóxicos e de economizar água e combustível com o transporte de água para fazer as caldas.

Esquema de operação do drone - drones na pulverização do cafeeiro

Esquema de operação do drone
(Foto: Agras)

Pesquisas aprimoraram eficiência na aplicação

Quem faz a pulverização nas áreas do cafeicultor Marcelo Salomão é o operador de drones Davi Elias, da Drones Solutions Brasil.

Além de atuar com prestação de serviço, Elias realiza pulverizações para pesquisas da Fundação Procafé. Ele usa drones da Agras.

“Uma das constatações sobre a eficiência é a quantidade de aplicação por hectare, para diversos produtos, de forma geral, que tem de ser de 24 L ha-1”, disse Elias.

Outra constatação é que a aplicação deve ser feita com o voo de 3 a 4 metros da copa do cafeeiro, e com ventos de no máximo 30 km/hora.

Marcelo Jordão, pesquisador da Fundação Procafé, informou que resultados mais concretos sobre a pulverização com drones serão conhecidos em setembro deste ano.

Dificuldades com drones na pulverização do cafeeiro

Agrônomo e pesquisador da cafeicultura, José Braz Matiello explica que o cafeeiro tem particularidades que precisam ser melhor observadas na pulverização com drones.

Uma delas é a área foliar. “Se formos observar, há muitos cafezais que possuem 5 mil plantas por hectare, e cada planta pode chegar a 20 m² de área foliar”, disse Matiello.

Para o pesquisador, um dos desafios da pulverização com drones é no combate à broca-do-café, pois o inseto fica “escondido” na planta, o que dificulta a pulverização.

“No controle do bicho-mineiro, por exemplo, creio que o drone terá eficiência, pois ele entra pela copa da árvore, então a pulverização já vai em cima”, comentou.

Drone em operação no cafeeiro

Drone em operação no cafeeiro
(Foto: Drosol)

planilha de cálculo de pulverização, baixe agora

Conclusão

A pulverização com drones na produção de café vale a pena no combate à ferrugem e à cercosporiose do cafeeiro.

Conforme você viu neste artigo, a aplicação de insumos com drones gera economia de custos, de tempo e possibilita uma pulverização mais eficiente.

É importante você lembrar que essa é uma tecnologia cuja eficácia ainda está sendo validada para diversos serviços de pulverização do cafezal.

Assim, não é qualquer praga ou doença que a pulverização com drone conseguirá combater, e o manejo nutricional também está sendo testado. 

Por isso, é interessante observar a experiência de produtores rurais que utilizam essa ferramenta, e avaliar se os drones são uma boa opção para o seu cafezal.

Você já cogitou usar drones na pulverização do cafeeiro? Já utilizou em seu cafezal? Então deixe um comentário contando sua experiência ou sua opinião.

O que mudou com a nova regulamentação para controle da ferrugem asiática da soja?

Nova regulamentação para controle da ferrugem asiática da soja: saiba como identificar o patógeno e quais as principais mudanças de procedimentos de controle

A ferrugem asiática é uma das doenças mais severas que atingem a cultura da soja, em qualquer etapa do ciclo produtivo. 

Nas regiões onde a ferrugem é relatada como epidêmica, os níveis de dano podem variar de 10% a 90% da produção

Você está por dentro da revisão e atualização dos principais procedimentos de controle da ferrugem asiática da soja? Conhecer a nova regulamentação é fundamental para não cometer erros no manejo!

Quer saber mais sobre essa doença e quais foram as principais mudanças na regulamentação para seu controle? Confira!

A ferrugem asiática da soja

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é extremamente danosa por poder atingir qualquer estádio de desenvolvimento da soja.

Apesar de só sobreviver e se reproduzir em plantas vivas, o fungo causador da ferrugem possui uma ampla gama de hospedeiras, plantas que podem ser infectadas por ele. Cerca de 150 espécies de leguminosas são hospedeiras do fungo.

No último mês, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) publicou a Portaria n.º 306, que revisou e atualizou os principais procedimentos do PNCFS (Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja).

O PNCFS é instituído a nível nacional através da Instrução Normativa n.º 2, desde 2007. A nova regulamentação para controle da ferrugem asiática entrou em vigor no dia 1º de junho de 2021.

Como identificar a ferrugem asiática na lavoura?

Os primeiros sintomas da ferrugem asiática da soja são pequenas lesões nas folhas, de coloração castanha a marrom-escura.

Tais lesões possuem pequenas protuberâncias na parte inferior correspondente. Essas protuberâncias são estruturas do patógeno, chamadas urédias.

Conforme a doença se desenvolve, as urédias adquirem coloração castanho-claro e abrem-se como um poro.
Esporos do patógenos são expelidos desse poro. Ao serem carregados pelo vento, podem infectar novas plantas ou folhas, disseminando a doença.

Fases de desenvolvimento da ferrugem asiática da soja

Fases de desenvolvimento da ferrugem asiática da soja: sintomas iniciais, urédias na face inferior e detalhes das urédias abertas

(Fonte: Embrapa – Rafael M. Soares)

Como era antes da nova regulamentação para controle da ferrugem asiática?

A nível nacional, a doença vem sendo manejada graças a combinação de diferentes estratégias, também conhecida como MID (manejo integrado de doenças).

Confira algumas das principais estratégias do MID:

Com as cultivares mais precoces semeadas logo no início da safra, você consegue reduzir a ocorrência da doença no campo, além do número de aplicações de fungicidas.

Já bem definidas em alguns estados brasileiros, as janelas de semeadura orientam os produtores a semear em épocas menos propícias para o desenvolvimento da doença, mas favoráveis à soja.

Diferentes períodos de semeadura da soja de acordo com estado

(Fonte: Embrapa)

O fungo causador da ferrugem precisa de hospedeiros para sobreviver. Dessa forma, o vazio sanitário os elimina do campo, reduzindo a sobrevivência do patógeno.

Períodos de vazio sanitário da cultura da soja

(Fonte: Canal Rural)

O controle químico, com fungicidas, é o mais tradicional para prevenção e controle do avanço da doença na cultura da soja. Mas é preciso ter cuidado.

O uso indiscriminado de fungicidas na cultura da soja, de mesmo grupo químico, pode causar redução na porcentagem de controle ou ainda o desenvolvimento de resistência no patógeno.

Redução gradual no controle da ferrugem asiática da soja em diferentes anos e com princípios ativos diferentes

(Fonte: Embrapa)

O que muda com a nova regulamentação para controle da ferrugem asiática?

Com a nova regulamentação para controle da ferrugem da soja, haverá a instituição de um novo modelo de governança do programa de controle de pragas.

Quem fará a definição e instituição das medidas fitossanitárias de períodos de vazio sanitário e calendário de semeadura será a Secretaria de Defesa Agropecuária de cada estado.

As Secretarias deverão estabelecer as medidas com base nas sugestões e trabalho conjunto com os Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal e as Superintendências Federais de Agricultura.

Além disso, os resultados das pesquisas de monitoramento da doença, de eficiência de fungicidas e o zoneamento agrícola deverão ser considerados para o estabelecimento das medidas.

Esse novo modelo de governança do PNCFS é resultado de longas discussões motivadas por sugestões e integração de ideias de diversas partes, desde os produtores rurais até órgãos oficiais de Sanidade Vegetal.

As mudanças serão maiores apenas para aqueles estados onde o vazio sanitário não é realizado e nem há calendários de semeadura da cultura da soja.

Para o ano de 2021, mantêm-se as datas já definidas anteriormente, não havendo mudança e garantindo tempo para que você se programe.

planilha de produtividade da soja

Conclusão

A ferrugem asiática da soja causa danos que podem trazer queda de até 90% da produção. Por isso, é essencial saber identificar esse patógeno para combatê-lo da forma mais eficiente possível.

As técnicas de vazio sanitário e uso de calendários de semeadura para as diferentes regiões produtoras já vem sendo amplamente utilizadas como medidas de controle da doença.

Com a nova regulamentação, o uso dessas duas técnicas passa a ser oficial para os diferentes estados brasileiros. 

Mantenha-se sempre por dentro das regulamentações, para garantir uma escolha de manejo realmente eficaz.

E você, já sabia das mudanças da nova regulamentação para controle da ferrugem asiática? O que pensa sobre elas? Adoraria ler seu comentário!

Como garantir uma melhor nutrição da soja?

Nutrição da soja: conheça os sintomas da deficiência de NPK, como é feita a avaliação nutricional da lavoura e a marcha de absorção de nutrientes

O manejo correto da adubação da soja é um dos fatores que contribuem para maximizar a produtividade. Além disso, uma nutrição balanceada contribui para proteger a planta do ataque de pragas e doenças.

É importante fornecer esses nutrientes para as plantas nos períodos de maior demanda nutricional. Por isso, ter conhecimento da marcha de absorção de nutrientes da soja permite melhorar a eficiência da adubação.

Neste artigo, você lerá sobre como identificar a falta de alguns elementos na soja, sobre análise foliar e muito mais. Confira!

Como identificar a deficiência nutricional na soja

Considerando as áreas destinadas à produção de grãos, os solos brasileiros apresentam baixa fertilidade natural e elevada acidez. 

É mais comum que apareçam sintomas decorrentes da deficiência nutricional do que do excesso

A deficiência de NPK diz respeito à carência de nitrogênio, fósforo e potássio nas plantas. 

Cada um desses elementos desempenha um papel na cultura, e sua deficiência pode comprometer a produtividade e a qualidade do produto.

Nitrogênio

O nitrogênio é o nutriente demandado em maior quantidade pela cultura da soja. A maior parte desse elemento é obtida pelo processo de fixação biológica. 

controvérsias quanto ao uso de nitrogênio mineral na soja. A recomendação para o manejo do nitrogênio é a inoculação das sementes com bactérias do gênero Bradyrhizobium

É importante frisar a importância da presença de cobalto e molibdênio para a eficiente fixação biológica do nitrogênio.

A deficiência de nitrogênio afeta primeiro as folhas mais velhas da soja. Elas apresentam clorose seguida de necrose. A clorose pode ser distribuída de forma uniforme ou em áreas internervais da folha. 

A carência desse elemento também pode levar à redução do porte da soja, aumentar a  susceptibilidade das plantas ao ataque de pragas e doenças, além de diminuir os teores de proteínas nos grãos.

Clorose decorrente da deficiência de nitrogênio na soja

(Fonte: Yara Brasil) 

Fósforo 

Na adubação da soja, o fósforo é o elemento que tem o maior custo para o produtor.

Algumas fontes de fósforo utilizadas na agricultura são o superfosfato simples (20% de P2O5) e o  fosfato monoamônio (48% de P2O5).

Os sintomas de deficiência desse elemento são visíveis primeiro nas folhas mais velhas, em razão da alta mobilidade do fósforo na planta

As plantas com sintomas de deficiência de fósforo apresentam folhas de tamanho reduzido, além de terem seu crescimento prejudicado. 

Nesse caso, também há presença de clorose e necrose internerval. As folhas podem exibir coloração que varia do verde-escuro ao azulado.

Clorose seguida de necrose em função da deficiência de fósforo na soja

(Fonte: Yara Brasil)

Potássio 

Depois do nitrogênio, o potássio é o elemento mais exigido pela soja. A principal fonte de potássio utilizada na agricultura é o cloreto de potássio.

Os sintomas da deficiência desse elemento incluem clorose internerval seguida de necrose das folhas mais velhas. Esse sintoma tem início na margem foliar e, com o avanço da deficiência, a clorose-necrose avança para o centro dos folíolos. 

Além disso, a deficiência de potássio afeta diretamente a qualidade dos grãos. Plantas carentes desse elemento produzem grãos de menor tamanho e peso, enrugados e deformados.

Clorose seguida de necrose, iniciando nas margens das folhas, pela deficiência de potássio na soja

(Fonte: Yara Brasil) 

Avaliação do estado de nutrição da soja

A análise foliar é uma importante ferramenta auxiliar no manejo nutricional da cultura da soja. 

Ela permite inferir sobre a fertilidade do solo, uma vez que há relação entre os nutrientes acumulados nos tecidos foliares e os nutrientes disponíveis no solo para as plantas.

A avaliação do estado nutricional da planta é feita pela análise química de uma amostra de folhas, coletadas entre o início do florescimento e a plena floração da cultura (R1 – R2). 

De acordo com o ciclo fenológico da soja, a amostragem deve ser realizada no estádio R1 (início do florescimento). 

É nesse período que ocorre o máximo acúmulo de nutrientes pela cultura. As folhas  apresentam maiores concentrações de nutrientes que serão expressos na análise foliar. 

A quantidade de folhas amostradas irá depender de fatores como a homogeneidade da lavoura, cultivar e tipo de solo. A Embrapa recomenda uma amostragem de 35 folhas trifolioladas por talhão. 

As folhas coletadas precisam ser recém-maduras e sem pecíolos. Devem corresponder à quarta ou à terceira folha a partir do ápice da haste principal.

Terceira ou quarta folhas de soja que podem ser colhidas para análise do tecido no início do florescimento

(Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica)

Interpretação dos resultados 

Abaixo, você pode conferir as concentrações de alguns macro e micronutrientes que são utilizadas para a interpretação dos resultados das análises foliares da soja.

Classes e teores de nutrientes utilizados na interpretação dos resultados das análises de folhas (sem pecíolo) de soja de tipos de crescimento determinado e indeterminado

(Fonte: Embrapa Soja)

A análise das folhas possibilita diagnosticar a “fome ou toxidez oculta”, que é quando a planta ainda não apresentou visualmente os sintomas ocasionados pela carência ou excesso de determinado nutriente.

Caso seja diagnosticada a deficiência de algum nutriente, e este for disponibilizado no período de maior exigência nutricional, a lavoura pode se recuperar e não ter sua produtividade afetada. 

No entanto, é importante salientar que antes do aparecimento dos sintomas nas plantas, sejam eles por deficiência ou excesso de nutrientes, o desenvolvimento e a produtividade da cultura já podem ter sido afetados. 

Além de disponibilizar o fertilizante no momento certo, é preciso estar atento às dosagens, fontes, métodos de aplicação, mobilidade do elemento no solo e condições ambientais.

Marcha de absorção de nutrientes

O conhecimento das curvas da marcha de absorção de nutrientes é muito importante no manejo da cultura, pois permite identificar os períodos de maior exigência nutricional

Na fase inicial, a soja apresenta baixa absorção de nutrientes. A exigência nutricional aumenta ao longo do desenvolvimento da cultura e atinge seu pico máximo na fase de enchimento de grãos

O início do florescimento da soja compreende a fase de maior velocidade de absorção de nutrientes pelas plantas. 

A partir desses conhecimentos, você consegue melhorar a eficiência da adubação pelo fornecimento dos nutrientes nas fases de maior demanda, de acordo com a quantidade extraída pela cultura e pela mobilidade de cada elemento no solo.

A seguir você pode conferir a marcha de absorção dos macronutrientes nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) pela soja.

Marcha de absorção de macronutrientes pela soja

(Fonte: Adaptado de Embrapa Soja)

Abaixo, está apresentada a marcha de absorção dos micronutrientes boro (B), cobre (Cu), manganês (Mn) e zinco (Zn) pela soja.

Marcha de absorção de micronutrientes pela soja

(Fonte: Adaptado de Embrapa Soja)

Conclusão

Toda recomendação de adubação deve ser orientada pelos teores de nutrientes determinados na análise de solo

Na soja, o nitrogênio é o elemento absorvido em maiores quantidades, seguido do potássio. Os sintomas de deficiência de NPK são visíveis, primeiramente, nas folhas mais velhas.

A análise foliar é uma ferramenta auxiliar importante no manejo nutricional da soja. Recomenda-se que a análise das folhas seja feita no início do florescimento (R1) da cultura.

Conhecer a marcha de absorção de nutrientes da cultura da soja te permite melhorar a eficiência da adubação, pelo fornecimento dos nutrientes no momento de maior exigência.

Espero que esse artigo tenha te ajudado a saber qual o momento exato de realizar a adubação na soja!

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Por que o mix de plantas de cobertura é uma boa opção para sua lavoura?

Mix de plantas de cobertura: como cultivar, melhores épocas para cada espécie e as vantagens para o solo e para as culturas sucessoras

Que tal aproveitar a entressafra para melhorar o solo com o mix de plantas de cobertura?

Essa é uma estratégia de manejo do solo que pode trazer diversos benefícios para a sua fazenda, como uma maior diversidade de biomassa vegetal e melhorias em diversos atributos do solo.

Você lerá alguns motivos neste artigo para investir nesta opção de cobertura, além de saber quais são as desvantagens para conseguir realizar um bom planejamento. Confira!

Benefícios da implantação do mix de plantas de cobertura

O mix de plantas de cobertura é a mistura de espécies gramíneas, crucíferas e leguminosas, e pode tornar o cultivo de culturas sucessoras muito mais vantajoso.

A utilização do mix e a adubação verde apresentam vantagens em relação ao cultivo de uma única espécie.

Isso porque as espécies utilizadas no mix apresentam diferentes hábitos de crescimento, exploração radicular, composição nutricional e florística.

As opções de espécies são classificadas em três famílias botânicas:

Os benefícios da espécie de uma família são complementados pelos benefícios das espécies de famílias diversas.

Como exemplo, veja um mix de plantas muito usado no sistema de plantio direto, com espécies de outono-inverno:

Essa combinação inteligente proporciona múltiplos benefícios ao solo, renovando os nutrientes de forma natural, melhorando aspectos físicos, químicos e biológicos.

A prática de manter a mesma espécie de planta de cobertura, ano após ano, pode ser um equívoco.

A mistura de espécies de diferentes famílias botânicas traz diversas vantagens, como:

  • ampla adaptabilidade nos diversos ambientes produtivos;
  • liberação escalonada dos nutrientes para a cultura comercial;
  • cobertura do solo por longos períodos, o que aumenta a qualidade física do solo;
  • material rico e diversificado para o aumento dos teores de matéria orgânica do solo;
  • cobertura permanente com raízes diversificadas;
  • melhor exploração das camadas do solo, favorecendo a maior ciclagem dos nutrientes;
  • alta produção de matéria seca em curto espaço de tempo;
  • supressão de plantas daninhas.

Essa prática pode resultar no aumento expressivo do potencial produtivo das culturas em sucessão.

Desvantagens do mix

Apesar de todas as vantagens, é inevitável que você possa enfrentar algumas dificuldades ao realizar a mistura de plantas de cobertura. Veja alguns exemplos:

  • dificuldades na identificação e junção de espécies que irão se complementar;
  • necessidade de um melhor planejamento, devido à maior complexidade de implantação;
  • o mix de plantas de cobertura não proporciona retorno econômico imediato;
  • dificuldade em adquirir sementes de algumas espécies devido à baixa disponibilidade no mercado;
  • as espécies apresentam diferentes taxas de crescimento inicial, e algumas podem se sobressair em relação às outras;
  • devido a grande produção de massa seca gerada no mix, é necessário que haja equipamentos adequados para manejá-las;
  • caso não seja realizado o manejo correto do mix, com a dessecação e roçada da palhada, o agricultor pode enfrentar dificuldades na semeadura da cultura sucessora.

Vale a pena ressaltar que as vantagens de cultivar um mix de plantas de cobertura são maiores que as desvantagens. Realizar um planejamento de qualidade e um manejo correto te ajudam a evitar muitos pontos negativos.

Quando e como cultivar o mix de plantas de cobertura

As plantas de cobertura devem ser adaptadas para atender às necessidades e/ou benefícios esperados na área de cultivo. Desta forma, a seleção correta das espécies é o primeiro passo.

Ao realizar o planejamento, tenha em mente espécies de três famílias botânicas:

  • gramíneas: aveia, cevada, centeio, azevém, sorgo, milheto, entre outras;
  • crucíferas: nabo forrageiro, rabanetes e outras espécies relacionadas;
  • leguminosas: ervilha, ervilhaca, mucuna, crotalária, feijão de porco, são alguns exemplos comuns.

A seleção das espécies que irão compor a mistura dependerá do clima da região e da época de implantação.

No período do inverno, as coberturas do solo mais recomendadas para o mix de plantas são: 

Já no verão, são indicados o cultivo de:

As espécies de inverno são semeadas entre março e junho; as de verão entre setembro e dezembro.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas com espaçamento de 20 cm. A profundidade ideal de semeadura deve ser de 2 cm a 3 cm. Caso seja a lanço, aumente a taxa de semeadura em 25%.

Para qualquer espécie, época de semeadura e região, é indispensável que a umidade do solo esteja adequada para que ocorra a germinação das sementes e desenvolvimento das plantas.

Quais espécies de plantas de cobertura utilizar?

Veja alguns esquemas de cobertura para utilizar em sua fazenda:

 Opções de mix de plantas de cobertura mais recomendados para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, com melhores resultados para os cultivos de milho, soja e feijão em sucessão

Fonte: (Adaptado de Ademir Calegari, 2016)

Abaixo, você pode verificar o aumento da produtividade de grãos de milho após o cultivo do nabo forrageiro + aveia preta.

 A cobertura do solo com nabo forrageiro + aveia preta contribui para o aumento da produtividade de grãos do milho em sucessão

Fonte: (Adaptado de Santi et al. 2013)

Essas combinações de diferentes espécies têm como objetivo produzir palhada, melhorar o solo em profundidade e aumentar a matéria orgânica do solo.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

Devido aos diversos benefícios, a mistura de espécies gramíneas, crucíferas e leguminosas é uma excelente alternativa para formação de uma boa cobertura do solo.

A mistura dessas espécies fornece material rico e diversificado para o aumento dos teores de matéria orgânica do solo.

Desta forma, o mix de plantas de cobertura auxilia na renovação do solo, permitindo o aumento da produtividade das culturas em sucessão.

Agora que você tem essas informações, você pode considerar essa opção em sua propriedade.

Veja mais>>>

“Adubação de cobertura: como e quando fazer”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você já utilizou algum mix de plantas de cobertura? Deixe sua experiência aqui nos comentários!

Como evitar perdas na adubação nitrogenada no cafeeiro

Adubação nitrogenada no cafeeiro: como favorecer a liberação controlada do nutriente no solo e realizar a análise foliar em menor tempo

O nitrogênio é o nutriente mais exigido pelo cafeeiro e influencia diretamente a produtividade. No entanto, são diversos os desafios de manejo na adubação nitrogenada

O controle de perdas do nutriente por volatização e a avaliação dos níveis de absorção da planta, realizada pela análise foliar, são impasses que você pode enfrentar em sua lavoura.

No entanto, há maneiras de tornar o manejo da adubação nitrogenada no cafeeiro mais eficiente, conforme pesquisas recentes. Conheça algumas delas neste artigo!

Importância da adubação nitrogenada no cafeeiro

Estima-se que haja 85% de nitrogênio na matéria orgânica do solo, mas seu teor depende do processo de mineralização.  Normalmente, apenas entre 2 e 3% do nitrogênio no solo está disponível para as plantas. 

Esse nutriente tem relação direta com a produtividade do café: ele influencia no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta. Uma boa fonte de nitrogênio é a palha do café.

Além disso, ele também favorece o crescimento das folhas novas e dos ramos plagiotrópicos (ramos laterais produtivos), o aumento da área foliar e a produção de carboidratos essenciais para os frutos. A ausência desse elemento pode causar deficiência nutricional no cafeeiro.

Absorção de nitrogênio pelos grãos

O nitrogênio é o segundo nutriente mais translocado e o mais exportado pelos grãos de café.

A recomendação varia conforme a produtividade no ano/safra e o teor foliar do nutriente. Geralmente, num estande com 4.000 plantas, você deve usar 450 kg ha-1.

Para essa quantidade utilizada, a produção esperada é de 8,8 litros de grãos por planta. Porém, há casos em que a quantidade de fertilizante nitrogenado utilizada chega a 800 kg ha-1.

Normalmente, a adubação de nitrogênio no solo é feita de forma parcelada (a cada 15 dias) entre setembro e março, durante o período chuvoso, para maior absorção pela planta.

Nessa época, ocorrem as fases de floração, frutificação (quando aumenta a absorção do nutriente pela planta) e desenvolvimento vegetativo.

Até chegar a fase de produção, há diferentes níveis de exigência nutricional, resultando em um parcelamento da adubação do cafeeiro.

Mobilidade do nitrogênio no solo

Um fator importante na adubação nitrogenada é a mobilidade do nitrogênio no solo, que pode ser perdido por lixiviação, volatização, nitrificação, desnitrificação, imobilização e mineralização

Segundo pesquisadores, em solos de regiões de clima tropical úmido ocorre grande mobilidade do nutriente e intensa mineralização da matéria orgânica.

Dentre os fatores que interferem no aproveitamento do nitrogênio pelas plantas, estão a disponibilidade de água no solo, o pH, o tipo e a fertilidade do solo, além da presença de alumínio.

Uma das formas mais usuais de fornecer o nutriente para o cafeeiro é por meio da adubação com fertilizantes nitrogenados, como ureia e o sulfato de amônio.A adubação é feita em três ou quatro parcelas a partir do quarto mês de florescimento, concomitante à época de granação e maturação dos frutos.

Ureia agrícola com 44% de N

(Fonte: MFRural

Perdas e absorção de nitrogênio pelas plantas

Pesquisas mostram que as perdas do nitrogênio no solo ocorrem, quase sempre, por volatização na forma de gás amônia, quando aplicado na superfície do solo em ambiente úmido. Essas perdas podem chegar a até 35%.

Nessa situação, a ureia reage com a água, o que resulta na formação do gás amônia (ou forma amônia).

Na aplicação da ureia em solo seco, quando o insumo é molhado pela chuva ou por irrigação (ou fertirrigação), há formação do amônio.

A formação do amônio  possibilita a absorção, mas ele pode ser convertido também em nitrito ou nitrato, absorvido com mais facilidade em solos com pH superior a 5,5.

De acordo com pesquisadores, o nitrogênio em qualquer forma em solos com pH próximo de neutro é transformado em nitrato pela ação de bactérias nitrificadoras.

Métodos para controle de perdas do nitrogênio 

1. Ureia revestida com polímeros

Uma das formas de controle de perdas do nitrogênio no solo é a aplicação parcelada, mas ela também implica em mais gastos com mão de obra, além da compactação do solo.

Estudo recente sugere o uso de inibidores de urease (NBPT) e de nitrificação, com adição de acidificantes e ureia revestida com polímeros ou gel para evitar perdas de N.

Por esse método, ocorre a liberação lenta ou controlada do nutriente no solo, o que pode favorecer o aumento da produtividade e economia de serviços.

Teste de comparação

A título de comparação, a pesquisa fez a adubação nitrogenada com ureia de forma convencional (45% de N) e revestida com polímeros (39% de N) num cafezal em Minas Gerais.

Foram aplicados 450 kg ha-1 (em três parcelas) na aplicação convencional, com intervalo de 60 dias e em dose única para a ureia revestida com polímeros.

Os resultados apontaram perdas de 18,5% do total de nitrogênio aplicado de forma convencional, ou seja: dos 450 kg ha-1 aplicados, 83,5 kg foram perdidos por volatização.

Com a ureia revestida com polímeros, houve perda de 10,46% de N, mesmo aplicado em dose única.

O estudo concluiu que houve perda de 8% a menos do nutriente na adubação com ureia revestida, em comparação com o modelo convencional de adubação.

2. Análise foliar por meio de sensoriamento remoto

Uma ferramenta importante para maior eficiência do manejo nutricional do nitrogênio no cafeeiro é a análise foliar.

É por meio da análise foliar que é possível saber o quanto de fato a planta está absorvendo de nutriente, e se necessário fazer alguma intervenção nutricional. 

Contudo, geralmente, os resultados são conhecidos 30 dias após coletar as amostras e as analisar em laboratório, com custo de R$ 950, numa área de 5 ha, por exemplo. 

Um estudo realizado na Bahia, com o uso do sensoriamento remoto (sensores manuais e drones), mostra que é possível reduzir esse tempo a apenas um dia.

Teores de nitrogênio foliar medido com sensores

(Foto: Crislaine Ladeia/Divulgação)

Tecnologia para sensoriamento remoto

Uma possibilidade para realizar o sensoriamento remoto é através do sensor óptico ativo manual terrestre GreenSeeker®, da Trimble.

O equipamento emite radiação eletromagnética na banda do vermelho a 660 ± 12 nanômetros e do infravermelho, próximo de 770 ± 12 nm.

A medição é realizada a 0,5 metro da cultura no terço médio da planta.

Também pode ser utilizado um drone equipado com sensor que capta a radiação do comprimento de ondas do visível (400 – 700 nm).

planilha adubação de café

Conclusão 

A adubação nitrogenada do cafeeiro pode ser realizada de forma mais eficiente, como você viu ao longo do artigo.

A adubação nitrogenada em dose única, com ureia revestida com polímeros, é uma boa alternativa para maior eficiência, redução de custos e redução da compactação do solo.

Igualmente benéfica, a análise foliar por meio do sensoriamento remoto permite uma atuação ainda no mesmo ano/safra, caso sejam necessárias correções nutricionais.

Tais ações, se bem executadas, resultarão em boa produtividade de café para a sua lavoura.

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber sobre a cercosporiose no café”

Quais métodos você costuma utilizar para fazer a adubação nitrogenada no cafeeiro? Relate sua experiência aqui nos comentários, e assine nossa newsletter para receber mais artigos parecidos!