Pragas do milho: principais manejos para livrar sua lavoura delas

Pragas do milho: Saiba reconhecer os insetos que causam danos econômicos à lavoura e a melhor forma de controle.

Chegar na lavoura e ver muitos insetos sempre vai nos deixar preocupados.

Afinal, algumas pragas como a cigarrinha-do-milho podem causar perdas de até 90% na cultura do milho.

Mas você sabe quais as principais épocas de ataque de cada praga? E todas as opções de controle?

Aqui vamos mostrar as pragas que trazem mais riscos à lavoura de milho e as formas mais eficientes de manejo, sempre utilizando o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Confira a seguir!

Reconheça as principais pragas do milho

As pragas do milho, tanto na primeira como na segunda safra (ou safrinha), podem ser identificadas de acordo com o estágio fenológico da cultura.

Vamos dividi-las em pragas iniciais subterrâneas, pragas iniciais de superfície, pragas da parte aérea e pragas da espiga.

Vou explicar melhor cada uma delas.

Pragas iniciais subterrâneas

Já aconteceu com você de, na sua plantação de milho, haver falhas na germinação nas linhas de plantio?

Acredito que, muito provavelmente, a causa tenha sido o ataque de pragas subterrâneas.

Elas atacam principalmente sementes e raízes, dando um enorme trabalho ao produtor!

Veja as principais delas:

Larva-arame  (Conoderus scalaris)

Esta praga agrícola, também conhecida como vaga-lume, ataca sementes, o sistema radicular e os tubérculos.

Ela causa danos significativos a ponto da planta não conseguir se sustentar, perdendo a capacidade de absorver nutrientes necessários para manter seu vigor.

pragas do milho
Fase jovem (à esquerda) e adulta de Conoderus scalaris
(Fonte: Manual de Pragas do Milho FMC)

Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)

A larva-alfinete, vaquinha ou brasileirinho, ataca as raízes e, assim como a larva-arame, provoca na planta a falta de sustentação.

As raízes não absorvem bem água e nutrientes, provocando o sintoma “pescoço de ganso”.

Os adultos causam danos na parte aérea e se alimentam principalmente dos cabelos e folhas do milho.  

pragas do milho
Larva-alfinete na raiz (à esq.) e adulto de Diabrotica speciosa sobre a folha
(Fonte: Manual de Pragas do Milho – FMC)

Larva-angorá (Astylus variegatus)

Outra espécie de vaquinha, a larva-angorá tem hábitos muito semelhantes aos da larva-alfinete. Elas se assemelham até mesmo na aparência.

A fase jovem desta espécie é que danifica sementes e raízes, causando ataques em reboleiras.

pragas do milho

Adulto de Astylus variegatus
(Foto: Ivan Cruz/Embrapa em Defesa Vegetal)

Corós

Existe um grande número de espécies de corós, mas os pertencentes à família Melolonthidae merecem maior atenção.

As larvas, que podem chegar a até 4 cm de comprimento, se alimentam das raízes e são capazes de levar a planta a morte.

Os corós também atacam a soja. Por isso, preste bastante atenção caso tenha plantado milho logo após a soja!

pragas do milho
Coró
(Fonte: Embrapa)

Como controlar as pragas iniciais subterrâneas

Antes mesmo do plantio, é muito importante fazer o monitoramento do solo com amostragens em vários pontos da lavoura.

O controle cultural, com eliminação de restos culturais e hospedeiros alternativos, pode contribuir muito para redução das populações dessas pragas.

O preparo do solo adequadamente também vai fornecer um bom auxílio no controle das pragas subterrâneas.

O controle químico, com sementes tratadas e aplicações diretamente nos sulcos, serão eficientes caso realmente necessário. Não se esqueça do monitoramento!

Pragas do milho: Pragas iniciais de superfície

As pragas iniciais de superfície atacam o milho desde a germinação até a fase de plântula (cerca de 30 dias após a germinação).

Veja as principais a seguir:

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

As lagartas atacam folhas e caule de plântulas recém-emergidas.

Podem causar enfraquecimento das plântulas e, em piores casos, levá-las à morte.

Em épocas de estiagem, os ataques costumam ser mais frequentes. Fique atento!

pragas do milho
Lagarta (à esq.) e adultos de Elasmopalpus lignosellus
(Fonte: Embrapa)

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

Existem outras espécies de lagarta-rosca, porém, é mais comum encontrar Agrotis ipsilon nas lavouras de milho.

Pode atacar sementes e folhas, mas é mais frequente nas hastes.

Os danos desta praga são irreparáveis, na maioria das vezes, pois cortam as plântulas rentes ao solo.

pragas do milho
Lagarta-rosca
(Fonte: Manual de Pragas do Milho – FMC)

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

É uma espécie sugadora e, embora tenha tamanho diminuto, causa enfraquecimento das plântulas.

Pelo fato de sugar, ela excreta um líquido conhecido como “honeydew”, que provoca a fumagina e reduz a capacidade fotossintética da planta.

Mas dê bastante atenção a um outro fato: ela é vetor de doenças como enfezamento pálido e vermelho.

A incidência das doenças ocorre, principalmente, se a semeadura for realizada tardiamente.

pragas do milho
Cigarrinha-do-milho se alimentando de folhas
(Fonte: Embrapa)

Percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.)

O percevejo-barriga-verde tem sido uma grande preocupação, principalmente no milho safrinha em sucessão à cultura da soja.

Ele se torna um problema porque ataca as plântulas e pode gerar um enorme prejuízo ao final da safra.

As principais espécies são Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus.

pragas do milho

Adulto de percevejo-barriga-verde
(Fonte: Roundup Ready)

Como controlar as pragas iniciais de superfície

Aqui é muito importante que você se previna do ataque dessas pragas fazendo o tratamento das sementes.

E é imprescindível que, alguns dias após o plantio, seja realizado o monitoramento na área para detecção.

O controle cultural também vai surtir grande efeito e contribui para redução destas pragas: retirar restos culturais, palhada e plantas daninhas.

Para evitar que a cigarrinha-do-milho transmita molicutes e outros patógenos, você pode utilizar variedades de milho menos suscetíveis às doenças. E evite realizar semeaduras tardias.

O controle do percevejo-barriga-verde deve ser, primeiramente, por meio da análise do histórico da área. Se plantou soja, há uma grande chance dele permanecer na sua área.

Aqui no blog nós já falamos sobre “As principais orientações para se livrar do percevejo barriga-verde”. Confira!

Pragas do milho: Pragas da parte aérea

As pragas da parte aérea são bem agressivas.

Imagine que, nesta etapa,  as plantas já estão mais lignificadas ou “mais fortes”.

Então, essas pragas têm uma voracidade alta por conseguirem reduzir a produtividade da sua lavoura nesta fase.

A seguir, veja as que você deve ficar mais atento:

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Esta lagarta é considerada praga-chave da cultura. Sua principal característica é o ataque do cartucho do milho.

Mas sabemos que ela não para por aí, certo?

Ela pode atacar o cartucho, folhas e até a espiga. Sendo assim, essa praga tem a capacidade de permanecer na cultura do início ao fim do ciclo.

Sua voracidade pode levar à queda de mais de 50% na produção.

pragas do milho
Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)
(Fonte: EPPO)

Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)

A broca-da-cana ou lagarta-do-colmo, se alimenta do colmo, onde forma galerias tanto transversais como longitudinais.

A formação dessas galerias é a causa de tombamento e acamamento da lavoura em estágios vegetativos mais avançados da cultura.

Além disso, essas galerias são porta de entrada para outras pragas e microrganismos que causam doenças e podridões.

pragas do milho
Broca-da-cana danificando o colmo
(Fonte: Manual de Pragas do Milho – FMC)

Controle das pragas da parte aérea

O monitoramento dessas pragas deve ser realizado com o uso de armadilhas de feromônio para detecção dos adultos.

Neste artigo do Blog do Aegro, você pode tirar suas dúvidas sobre a “Lagarta-do-cartucho do milho: Controle eficiente com as táticas do MIP”.

No caso da broca-da-cana, as lagartas permanecem a maior parte do tempo dentro do colmo. Assim, o controle deverá ser feito por meio da liberação de parasitoides de ovos e de lagartas na lavoura, como Trichogramma galloi e Cotesia flavipes.

Pragas da espiga do milho

Nesta etapa, sua lavoura está produzindo espigas como você queria, mas daí vêm as pragas da espiga!

Por atacarem diretamente o produto final, são um sério problema.

É muito provável que você já as conheça, mas não custa relembrar. Vamos lá:

Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)

O início do ataque dessa praga ocorre nos cabelos novos e, em seguida, as lagartas se alimentam dos grãos formados.

Essas lagartas, quando bem desenvolvidas, chegam a medir até 5 cm de comprimento.

Além do ataque aos grãos, elas facilitam a entrada de microrganismos.

pragas do milho
Lagarta-da-espiga sobre os grãos
(Fonte: Eurekalert)

Mosca-da-espiga (Euxesta spp.)

Esse pequeno inseto da ordem dos dípteras pode causar danos expressivos nas espigas.

E sabe como elas conseguem penetrar a espiga? Pelos danos deixados pela lagarta-da-espiga que eu mencionei acima!

As regiões atacadas ficam apodrecidas e impedem o consumo in natura do milho.

pragas do milho
Adulto e larva da mosca-da-espiga
(Fonte: Ivan Cruz/Embrapa em Panorama)

Percevejo-do-milho (Leptoglossus zonatus)

Viu um percevejo diferente próximo às espigas? Esteja atento!

Tanto ninfas quanto adultos causam danos, como murcha e podridão, com a sucção dos grãos.

Uma característica importante é que eles têm uma dilatação nas pernas em formato de folha. Veja na imagem abaixo.

pragas do milho
Adulto (acima) e ovos do percevejo-do-milho
(Foto: Ivan Cruz/Embrapa em Panorama)

Como controlar as pragas da espiga

Como sempre, o monitoramento é ideal para iniciar qualquer tipo de controle.

Mas convenhamos, dá um certo medo quando há o ataque na espiga, não é mesmo?

Para o controle da lagarta-da-espiga, muitos produtores têm feito liberações do parasitoide Trichogramma pretiosum. Atente-se que não é a mesma espécie para controle da broca-da-cana!

Para as demais pragas, o controle cultural, com eliminação de possíveis plantas hospedeiras e implementação de armadilhas, contribui para reduzir as populações. O uso de defensivos para milho também é bem frequente, além do uso de híbridos resistentes.

Já sobre o controle por meio de inseticidas você pode ver detalhes nesta matéria.

Conclusão

É muito importante que você conheça as principais pragas do milho e saiba quando é preciso controlá-las.

Controlar sem necessidade pode causar gastos desnecessários e um desequilíbrio no seu agroecossistema.

Tenha sempre em mente a importância de se preparar na pré-safra e saber, durante o ciclo da cultura, quais pragas devem ter maior grau de relevância.

É claro que existem pragas secundárias que podem causar danos significativos, mas tudo dependerá do nível populacional e do monitoramento que você realizar.

Como você controla as pragas do milho na sua lavoura? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Sucessão familiar rural: como fazer esse processo sem maiores problemas

Sucessão familiar rural: o que você precisa saber para se planejar e conseguir estruturar a passagem dos negócios para os familiares.

Nos dias atuais, apenas 13% da população vive no campo. Isso indica que não houve, na maioria das fazendas, continuidade da gestão das fazendas pelas gerações seguintes.

De acordo com o IBGE, a maioria das empresas no Brasil é familiar. Entretanto, 70% delas não sobrevivem à geração do fundador e apenas 5% chegam à terceira geração.

Se você está pensando em passar a gestão da fazenda para seus sucessores ou se vai receber a gestão dos seus parentes, precisa saber exatamente como a sucessão familiar no agronegócio  funciona. Afinal, esse processo requer muito planejamento rural.

Neste artigo, saiba quais medidas tomar para acertar esse processo, dicas para facilitar a sucessão e como driblar os principais desafios relacionados. Confira a seguir!

O que é sucessão familiar no agronegócio?

Sucessão familiar no agronegócio é o processo de passagem da propriedade de um negócio, assim como seus bens móveis e imóveis de uma geração para outra. 

Ou seja, é a transferência do poder do administrador, que detém o controle da empresa, para os herdeiros. 

Na fazenda, isso acontece ao se passar os negócios e também o conhecimento agrícola de uma geração para outra. Entretanto, é bom lembrar que esse processo requer muita atenção e não pode ser banalizado.

Ter um planejamento estratégico é essencial, pois a sucessão pode envolver e gerar conflito de interesses. Assim, a participação dos sucessores na empresa familiar deve começar o quanto antes.

A presença dos fundadores do negócio durante a entrada de novas gerações pode ser peça-chave para o futuro da empresa. Os fundadores podem orientar seus sucessores sobre qual o melhor caminho para o desenvolvimento dos negócios.

A união e o diálogo entre as partes são fundamentais em todas as etapas. Todos os membros da família devem saber separar as relações familiares das profissionais. Isso irá evitar muitos conflitos na sucessão familiar na agricultura. 

ilustração de sucessão familiar rural, família com pai, mãe e filho vendo um drone voar na fazenda
(Fonte: Dinheiro Rural)

Como funciona a sucessão familiar e herança?

Ter de assumir a empresa rural após a ausência de um familiar não é tarefa fácil.

Mas alguns pontos podem te ajudar nessa situação. O primeiro passo é a contratação de um advogado pelos herdeiros. Ele irá auxiliar os sucessores no processo burocrático.

Na sequência, será necessária e obrigatória a abertura de um inventário, segundo o Código Civil. Fique atento ao prazo para a abertura do inventário. Além disso, será verificada a existência ou não de testamento.

Feitos os processos legais, é realizada a transferência dos bens para os herdeiros. Contudo, quando se trata de uma propriedade rural, são necessários alguns documentos:

Para saber mais sobre esse assunto, você pode conferir a Lei complementar n.º 145 e a Lei n.º 4.504.

Como se preparar para a sucessão familiar na fazenda

A sucessão familiar no campo requer planejamento e preparação da família. O processo deve considerar as particularidades de cada grupo familiar. Todos os envolvidos devem estar dispostos a dialogar para tratar conflitos já existentes e os que podem surgir.

Para obter sucesso no planejamento, é preciso separar os conceitos de família, propriedade e empresa e considerar algumas variáveis que podem afetar a sucessão. Listamos a seguir algumas etapas importantes para preparar o seu negócio para a sucessão familiar.

Reunir e concentrar todos os dados da fazenda

O levantamento de dados é essencial no processo de sucessão familiar na agricultura. É por meio dele que a família terá noção clara da situação atual do negócio. Além disso, é a oportunidade do sucessor entender como funciona o gerenciamento da propriedade. 

Com informações registradas e organizadas, fica fácil para o herdeiro tomar decisões quando estiver no comando da empresa. Dessa forma, reúna todos os dados referentes aos seguintes aspectos para passá-los adiante:

  • rentabilidade;
  • área total cultivada;
  • área reservada à proteção ambiental;
  • maquinário;
  • histórico da lavoura e safras;
  • imóveis;
  • documentos legais;
  • mapeamento de processos;
  • fornecedores; 
  • técnicas e métodos aplicados.

Identificar quem será o sucessor da fazenda

A escolha do sucessor é um elemento muito relevante no processo de sucessão. No caso de vários herdeiros, é importante separar os fatores emocionais.

Em virtude disso, o indicado é pedir ajuda de um profissional fora do contexto familiar. Essa pessoa irá analisar com cuidado quem melhor se encaixa no cargo. A partir da análise, é possível identificar o herdeiro mais apto a assumir o gerenciamento do negócio.

Envolver a família em todo o processo

O planejamento de sucessão requer a participação de todos os integrantes da família.

Sendo assim, ao discutir o futuro do negócio, o dono da fazenda pode descobrir que os herdeiros têm outros planos. Ou seja, não têm a intenção de assumir a administração da propriedade.

Caso isso aconteça, o indicado é contratar um profissional para gerenciar o negócio.

Usar tecnologia para facilitar as etapas

A tecnologia chegou para agilizar e facilitar os processos e operações que envolvem as atividade agrícolas. Assim, ela pode ser uma grande aliada dos sucessores, que poderão usar sistemas para gerenciar a fazenda

As opções são diversas como softwares de gestão, técnicas e instrumentos utilizados na lavoura, como GPS agrícola, sensoriamento remoto e outros. A grande vantagem é que o uso da tecnologia pode atrair o interesse dos herdeiros e facilitar o processo de sucessão.

Como fazer a sucessão familiar?

A sucessão familiar na agricultura era vista como um problema, principalmente pela falta de interesse dos sucessores em se manter no campo. Contudo, com a chegada da tecnologia no campo, muitos jovens voltaram a ter interesse em cuidar da fazenda.

A presença da tecnologia aproximou o campo da cidade. Ou seja, isso estimula os sucessores a buscar novas técnicas para auxiliar na gestão da propriedade. 

Além disso, inúmeras entidades incentivam a inserção dos jovens na fazenda, com cursos de capacitação, mostrando a importância do campo. Deste modo, os jovens aprendem a entender com mais facilidade os processos da fazenda.

Como iniciar esse processo e de quem é a responsabilidade?

A principal dúvida é quando iniciar o processo de sucessão. A resposta é simples: o quanto antes. Assim, os sucessores vão se inteirando do funcionamento da fazenda e das atividades de gestão, tornando o processo sucessório muito mais fácil.

O fundador é o responsável por iniciar o processo, que deve começar com uma simples conversa, buscando trazer o jovem para o dia a dia da empresa familiar rural. Essa conversa deve ocorrer quando os pais ainda têm capacidade intelectual e física completa.

O momento mais delicado para realizar uma sucessão é quando os pais estão doentes ou após a morte. Afinal, além das dificuldades com a empresa rural, o sucessor estará desestabilizado emocionalmente.

Por isso, converse com seus sucessores. Essa etapa é muito importante para a manutenção da empresa rural. Em alguns casos, os desafios envolvendo a empresa podem ser muitos, sendo viável um processo de governança corporativa, auxiliando a sucessão.

6 dicas para facilitar a sucessão familiar na agricultura

Quando se fala em sucessão familiar na agricultura, é comum que ocorram muitas dúvidas. Veja a seguir 6 dicas de como facilitar esse processo de transição.

1. Planejamento com muita antecedência

Inicie o planejamento o quanto antes, mesmo que a sucessão ainda seja uma realidade aparentemente muito distante. Realize reuniões periódicas com os membros da família para mostrar como funciona a empresa rural e qual a situação atual.

2. Faça um bom plano de sucessão

Estruturar um plano de sucessão da empresa familiar é fundamental para garantir a continuidade do negócio. O plano de sucessão ajuda a garantir que a transição seja realizada sem conflitos e que não impacte negativamente nos resultados financeiros.

Isso irá minimizar os riscos na escolha dos sucessores, além de diminuir os possíveis atritos familiares. Ainda, isso possibilita uma transição mais segura e bem-sucedida para o comando da fazenda.

Se o líder da empresa rural quiser deixar a empresa de forma repentina, ou algo inesperado acontecer, a companhia precisa permanecer estável durante os tempos imprevisíveis.

Por isso, é recomendado que este plano seja feito o mais cedo possível. Assim, a próxima geração pode se preparar adequadamente.

3. Invista em documentação

É preciso manter toda a documentação e impostos da empresa rural regularizados. Isso irá evitar problemas para o sucessor. Nesse quesito, empresas rurais que contam com tecnologias como softwares conseguem documentar e repassar informações facilmente.

4. Descreva bem as atividades

Tenha as atividades mais importantes da sua fazenda descritas. Por exemplo: quem são os compradores, fornecedores, melhores preços e quem são seus funcionários de confiança.

O sucessor deve ter isso à mão, pois irá facilitar caso você tenha que se ausentar repentinamente da empresa.

5. Tenha uma boa comunicação

Durante o processo de sucessão, a comunicação entre os sucessores é bastante importante, principalmente para que não ocorra desencontro de informações. Assim, a empresa rural terá mais condições de crescer.

Paciência, diálogo e estabelecimento de regras são fundamentais durante todo o processo sucessório.

esquema de governança na prática, o que proporciona às empresas familiares a nova prática nos negócios - sucessão familiar
(Fonte: Dinheiro Rural)

6. Invista na ajuda de Recursos Humanos e outros profissionais 

O processo de sucessão pode parecer simples por acontecer todo em família. No entanto, contar com setor de Recursos Humanos, contadores, gestores de projetos e outros profissionais pode tornar a jornada mais simples.

Além disso, contar com esses profissionais tem outras vantagens, como evitar conflitos familiares e garantir um ponto de vista mais inovador para o negócio. Ainda, investir em treinamentos para os familiares que irão assumir a fazenda pode ser fundamental. 

7. Conte com a tecnologia para facilitar a sucessão familiar

Realizando a gestão de sua fazenda, os sucessores poderão visualizar todas as características da empresa rural. Desde históricos das safras, custos, rendimentos e benfeitorias.

Para implementar essas dicas em seu negócio rural, esteja por dentro das tecnologias e programas de gestão, como os softwares para fazenda. Eles irão te auxiliar muito nessas etapas!

Exemplo de rentabilidade de uma fazenda com gestão pelo Aegro


Exemplo de rentabilidade de uma fazenda com gestão pelo Aegro

Os principais desafios para a sucessão familiar

A sucessão familiar no agronegócio  pode trazer diversos benefícios. Entretanto, neste processo, existem diversos desafios a considerar. Alguns dos principais exemplos são:

  • A resistência do atual gestor do negócio em passar a responsabilidade para os sucessores;
  • As diferenças culturais e sociais entre gestor e sucessor;
  • Conflitos de interesse e outras discussões familiares;
  • Despreparo dos sucessores frente aos desafios da fazenda.

Além disso, há outros pontos que podem ser complicados. Primeiro, os administradores do negócio devem decidir quais sucessores vão administrar a operação, bem como quando isso ocorrerá. 

Essa pode ser uma jornada que, se for conduzida de maneira errada, pode ter repercussões para o negócio e para a família. Outro desafio é a redução do interesse das gerações mais jovens em trabalhar na empresa familiar. 

Manter os sucessores engajados na causa do negócio é um desafio cada vez maior. Ou seja, o despreparo dos herdeiros precisa ser muito bem driblado. No caso do campo, falamos de um mercado extremamente complexo e volátil.

Sem o preparo necessário, os sucessores podem assumir a empresa e tomar decisões equivocadas desde o início. Outra questão própria da sucessão familiar no campo são as diferenças culturais. Para muitos, a agricultura familiar era uma forma de sustento.

Agora, para agronegócios modernos e já estabelecidos, essa não é a realidade, o que pode atrapalhar a transição do negócio. Por isso, a capacitação e um planejamento bem feito com antecedência são essenciais.

Conclusão

A sucessão familiar na agricultura é um processo delicado, principalmente por envolver negócios e família. No entanto, sabendo realizar esse processo da forma correta, você consegue evitar problemas.

Neste artigo, você viu dicas para facilitar esse processo de transição e a importância do planejamento estratégico em todas as etapas da sucessão.

Na dúvida, não deixe de procurar um advogado ou especialista na área. Afinal, o processo de sucessão familiar no agronegócio pode ser burocrático e, nesses momentos, todo o cuidado é pouco.

Você está planejando a sucessão familiar rural? Quer saber mais sobre esse assunto? Não deixe de assinar nossa newsletter para receber outros artigos semelhantes.

Como fazer o manejo de herbicida para milho

Herbicida para milho: Quais produtos mais indicados, época de aplicação e outras orientações para o bom controle sem problemas de injúrias na lavoura.

Sem nenhum manejo de plantas daninhas um terço de toda produção agrícola seria perdida. No caso do milho não é diferente.

Por se tratar de uma cultura que dá muita resposta pelo manejo, é importante que seja realizado o controle eficiente das plantas daninhas.

Assim, evitam-se perdas de investimentos e mantêm-se as altas produtividades.

Quer saber como fazer um manejo de plantas daninhas eficiente, sem prejudicar a cultura do milho? Confira a seguir!

Interferência das plantas daninhas na cultura do milho

Diversas infestações de plantas daninhas podem ocorrer na cultura do milho. As principais são:

Folhas largas

  • Buva (Conyza spp.)
  • Caruru (Amaranthus spp.)
  • Picão-preto (Bidens spp.)
  • Leiteira (Euphorbia heterophylla)
  • Corda-de-viola (Ipomoea spp.)
  • Nabo (Raphanus spp.)
  • Guanxuma (Sida spp.)

Folhas estreitas

  • Capim-amargoso (Digitaria insularis)
  • Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)
  • Papuã (Brachiaria plantaginea)
  • Capim-arroz (Echinochloa spp.)
  • Azevém (Lolium spp.)

A interferência de plantas daninhas na lavoura de milho pode ocasionar perdas de 10% a 85% na produtividade do cultivo.

Por isso, é preciso conhecer as ferramentas de controle químico mais eficazes e como fazer o posicionamento correto delas.

A seguir, vou esclarecer alguns pontos sobre a utilização de herbicida para milho convencional e transgênico, cuidados e doses recomendáveis.

herbicida para milho


(Fonte: Bayer)

Herbicida para milho convencional ou resistente

Dentre as plantas daninhas que eu mencionei, há maior dificuldade de controlar as de folhas estreitas (gramíneas), pois o milho também é uma gramínea.

Atualmente, há no mercado poucas opções de herbicidas que controlem folhas estreitas e sejam seletivos para o milho.

Assim, é recomendável que o manejo de folhas estreitas, principalmente de difícil controle ou resistentes a herbicidas, seja preconizado no período de entressafra ou no cultivo anterior ao milho.

É importante que mesmo no milho resistente (RR) você não use somente glifosato, já que isso seleciona as invasoras resistentes.

herbicida para milho


(Fonte: Syngenta)

A seguir, listo os principais herbicidas e como usá-los na cultura do milho para que você aproveite o melhor de cada produto:

Herbicida para milho: aplicação em pré-emergência

Atrazine

É o herbicida mais utilizado para a cultura do milho atualmente!

Quando aplicar

Pode ser aplicado na pré-emergência da cultura, imediatamente antes da semeadura, simultaneamente ou logo após a semeadura. Em aplicações em pós-emergência da cultura e plantas daninhas, deve-se acrescentar óleo vegetal.

O produto fornece bom controle quando aplicado na pré-emergência ou pós-emergência precoce das plantas daninhas.

Espectro de controle

Controla plantas daninhas de folha larga como picão-preto, guanxuma, caruru, corda-de-viola, nabo, leiteira, poaia, carrapicho-rasteiro e papuã.

Também é muito utilizado para controle de soja tiguera no milho, em aplicação isolada ou associada aos herbicidas mesotrione ou nicosulfuron.

Lembre-se, é muito importante que haja um manejo eficiente da soja tiguera para se respeitar o vazio sanitário.

Dosagem recomendada

De 3 a 5 L ha-1 dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes.

Pode ser misturado com glifosato (se misturado em pós-emergência – milho RR), mesotrione, nicosulfuron, S-metolachlor.

Cuidados

Recomenda-se aplicação em solo úmido. A aplicação em solo seco, período de seca após aplicação de até 6 dias ou presença de palha cobrindo o solo podem diminuir a eficiência do produto.

herbicida para milho


Lavoura de milho com sinal de fitotoxidade
(Fonte: Juparanã)

S-metolachlor

Herbicida com grande potencial de ser inserido no manejo de plantas daninhas na cultura do milho. Pode ser utilizado para ampliar o espectro de controle de herbicidas para folha larga.

Quando aplicar

Aplicar na pré-emergência da cultura e das plantas infestantes.

Espectro de controle

Ótimo controle de gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e papuã). Bom controle de algumas folhas largas de sementes pequenas (Ex: caruru, erva-quente e beldroega)

Dosagem recomendada

De 1,5 a 1,75 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada.

Pode ser misturado com atrazine e glifosato.

Cuidados

Deve ser aplicado em solo úmido.

Isoxaflutole

Herbicida técnico. Exige alguns conhecimentos prévios quanto a características do solo (teor de argila e matéria orgânica). Necessita cuidados com as condições climáticas no momento e após a aplicação.

É muito importante consultar e seguir as recomendações da empresa para evitar toxicidade no cultivo.  

Quando aplicar

A aplicação do herbicida deve ocorrer na pré-emergência das plantas, tanto do milho quanto das daninhas.

Espectro de controle

Exerce bom controle em gramíneas anuais e algumas folhas largas como caruru e guanxuma.

O grande diferencial deste herbicida é que, em condições de seca, pode permanecer no solo por um período razoável (> 80 dias), até que nas primeiras chuvas é ativado, o que irá coincidir com a emergência de várias plantas daninhas.  

Dosagem recomendada

De 100 a 200 mL ha-1 dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes (somente para solos com textura média e pesada).

Pode ser misturado com: atrazine.

Cuidados

Não é recomendado para solo arenoso e com baixo teor de matéria orgânica.

Trifluralina

Herbicida muito utilizado no passado na cultura, podendo voltar a ser inserido no manejo de plantas daninhas do milho. Isso se deve ao lançamento de novas formulações que não necessitam ser incorporadas (menor problema com fotodegradação).  

Quando aplicar

É aplicado no sistema de plante-aplique ou até 2 dias após da semeadura do milho.

Espectro de controle

Bom controle de gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e papuã).

Dosagem recomendada

De 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: atrazine e glifosato.

Cuidados

Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Solo coberto com resíduos vegetais (palha) ou com alta infestação de plantas daninhas diminuem a eficiência do produto.

Herbicida para milho: pós-emergência

Nicosulfuron

É um herbicida que já foi muito utilizado no manejo de plantas daninhas no milho, porém, o produtor deve possuir alguns conhecimentos prévios para não prejudicar o cultivo.

Quando aplicar

Deve ser aplicado na pós-emergência do milho, quando as plantas estiverem com 2 a 6 folhas.

Espectro de controle

Controle eficiente de gramíneas e algumas folhas largas (Ex: amendoim-bravo, caruru, corda-de-viola, picão-preto e trapoeraba).

Dosagem recomendada

De 1,25 a 1,5 L ha-1 + óleo mineral.

Pode ser misturado com atrazine e glifosato (Milho RR).

Cuidados

Os híbridos de milho apresentam diferentes padrões de sensibilidade ao nicosulfuron. Assim, é necessário pesquisar sobre a suscetibilidade do híbrido escolhido antes de aplicá-lo.

Além disso, este herbicida não deve ser misturado com inseticidas organo fosforados ou ao 2,4 D. Caso ocorra aplicação destes produtos na área ou adubação nitrogenada em cobertura, deve-se respeitar um período mínimo de 7 dias para  aplicar o nicosulfuron.

herbicida para milho


(Fonte: Christoffoleti et al., 2015)

Mesotrione

Alternativa para controle de folhas largas no milho.

Quando aplicar

Aplicar de 2 a 3 semanas após semeadura do milho, sobre plantas daninhas em pós-emergência precoce (2 a 4 folhas).

Espectro de controle

Controla plantas daninhas de folha larga como leiteira, apaga-fogo, caruru, corda-de-viola, guanxuma e picão preto.

Dosagem recomendada

De 0,25 a 0,4 L ha-1 + óleo mineral.

Pode ser misturado com atrazine.

Cuidados

Se misturado com nicosulfuron, pode diminuir sua eficiência no controle de gramíneas.

Tembotrione

Herbicida alternativo ao controle de folhas largas e gramíneas no milho. Seguidas as recomendações técnicas, exerce um bom controle.

Quando aplicar

Aplicar na pós-emergência do cultivo.  As plantas daninhas devem estar em estádio inicial de 2 a 4 folhas (folhas largas) e até 2 perfilhos (gramíneas).

Espectro de controle

Controla plantas daninhas de folhas estreitas como papuã, capim-colchão, capim-carrapicho. Controla folhas largas como leiteira, apaga-fogo, corda-de-viola, guanxuma e nabo.

Qual a dosagem recomendada

De 180 a 240 mL ha-1 + adjuvante à base de éster metílico.

Pode ser misturado com atrazine.

Cuidados

O herbicida não deve ser aplicado sobre a cultura ou plantas daninhas com sintoma de estresse hídrico ou ainda com presença de orvalho. É preciso respeitar prazo de 30 dias para cultivo de girassol, algodão e feijão após a aplicação do produto.

Herbicida para milho transgênico

Como já comentamos, além dos herbicidas que podem ser utilizados no milho convencional, existem no Brasil híbridos resistentes aos seguintes herbicidas:

  • Glifosato (milho RR) e glufosinato de amônia (milho LL)

Nos próximos anos será lançada no mercado a tecnologia enlist, que permitirá o uso dos herbicidas:

  • 2,4 D (doses maiores que o milho convencional e com janela de aplicação maior);
  • Glufosinato de amônio (herbicida de contato não seletivo, para controle de plantas daninhas em estádios iniciais (provenientes de sementes) ou utilizado no manejo sequencial);
  • Glifosato (herbicida de ação sistêmica não seletivo, proporciona controle de plantas daninhas mesmo fora de estádio, porém com muitos casos de resistência);
  • Haloxyfop (herbicida para controle de gramíneas, proporciona controle de plantas mesmo em estádios mais avançados. Possui poucos casos de resistência).

Mas como já ressaltamos, utilize outros herbicidas além daqueles que sua cultura é resistente para obter um bom manejo de plantas daninhas a longo prazo.

Outros métodos de controle para plantas daninhas

Neste artigo, abordamos principalmente ferramentas de controle químico, pois é o manejo mais utilizado.

Mas é importante que você utilize também algumas técnicas para controle eficiente de plantas daninhas como:

  • Rotação de mecanismos de ação de herbicidas, com maior utilização de pré-emergentes
  • Rotação de culturas
  • Consórcio com forrageiras
  • Adubação verde


Plantio de milho consorciado com feijão guandu anão; adubação verde é uma das técnicas para proteger lavoura das daninhas
(Fonte: Fapesp)

Atenção! As sugestões de herbicida para milho passadas aqui são para híbridos voltados à produção de grãos.

Outras cultivares como milho pipoca, milho doce ou milho em consórcio com forrageiras possuem outras indicações de manejo.

É importante que a recomendação e orientação técnica de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo. Mas você deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação.

Banner de chamada para o download da planilha de controle de custos de safra

Conclusão

Neste artigo, vimos as plantas daninhas mais recorrentes na cultura do milho e as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas.

Falamos sobre o posicionamento correto do herbicida para milho, de modo que não haja danos ao cultivo.

Além disso, citamos técnicas importantes que devem ser utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas na sua lavoura de milho!

>> Leia mais:

Calcule seu custo de produção de milho por hectare”

Principais e melhores manejos na dessecação para pré-plantio de milho

“Como calcular o custo de milho para silagem”

Qual herbicida para milho você tem utilizado hoje? Já teve problemas de fitotoxidade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Semeadora de milho: quais são as melhores e outras dicas de uso

Plantadeira de milho: principais modelos, velocidade de plantio, manutenção e 7 passos para acertar na compra deste maquinário.

A produção de milho na safrinha 2018/19 deve crescer cerca de 20% frente à safra passada.

Com aumento em área plantada e incremento na produtividade, o Brasil deverá produzir 65,3 milhões de toneladas nesta segunda safra.

Neste cenário, a escolha da plantadeira de milho é essencial para a correta semeadura agrícola da cultura.

Possuir a máquina correta disponível na janela de plantio pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso da atividade.

Veja neste artigo quais são as melhores plantadeiras de milho do mercado, além de dicas de manutenção e as formas corretas de utilização!

Plantadeira de milho ou semeadora?

É importante conhecermos o termo mais correto conceitualmente. Em 2011, houve um fórum para padronização destes termos.

Esse fórum ficou conhecido pelo seu tema de “Terminologia de Máquinas Agrícolas” e foi inserido na programação do CONBEA (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola).

A semeadora é a máquina que realiza a semeadura das culturas, ou seja, introduz sementes de plantas no solo.

A plantadeira de milho é a máquina que realiza o plantio das culturas e coloca no solo as partes vegetativas de plantas, como bulbos, colmos e tubérculos.

Assim, no caso do milho, o mais correto seria “semeadora”. No entanto é normal a gente ter alguns termos coloquiais em uma conversa.

Por isso, neste nosso bate-papo vamos continuar com o termo “plantadeira”, mas lembre-se que o mais correto conceitualmente é “semeadora”.

Os principais e melhores tipos de plantadeira de milho

John Deere DB74

A John Deere DB74 é uma plantadeira que gosto bastante para áreas extensas. Ela possui rendimentos operacionais fantásticos.

Possui boa qualidade de distribuição e plantio em velocidades altas de 10 km/h ou 12 km/h, dependendo das condições do terreno e solo.

plantadeira de milho
(Fonte: John Deere)

O plantio sem adubação na linha com disco duplo desencontrado na semente permite velocidades mais altas de deslocamento da máquina.

Tudo isso, associado ao sistema de distribuição pneumático a vácuo, denominado “VacuMeter”, possibilita plantio de até 18 ha/h.

O sistema não possui caixa de adubo, por isso faz-se necessária a adubação antecipada e em cobertura com o auxílio de ferramentas de agricultura de precisão.

Apesar do seu grande tamanho, a plantadeira JD DB74 possui chassi articulado em 3 seções de até 15° de flexibilidade. Tem ainda carrinhos do tipo pantográficos, que auxiliam no plantio nas profundidades desejadas.

Possui 4 configurações, dependendo do espaçamento desejado:

  • 45 linhas de 50 cm
  • 48 linhas de 45 cm
  • 30 linhas de 76 cm
  • 24 linhas de 90 cm

 Plantadeira Baldan SP GIGA Air

As plantadeiras da Baldan, versão SP GIGA Air, possuem 22, 30, 34 e 42 linhas de semeadura disponíveis.

Essa versão especificamente possui sistema de turbina de fluxo contínuo, com regulagem independente do sistema a vácuo. Assim, ocorre deposição de sementes com precisão no campo.

Além disso, possui dosador pneumático para utilização em diversas culturas, especialmente soja e milho.

Possui caixa de engrenagens com 62 combinações de velocidades para distribuição de sementes. Outro destaque é seu sistema eletrônico para controle individual ou sincronizado dos módulos de plantio.

Com disco de corte de 20’’ desencontrados e regulagem da profundidade de semeadura independente, essa linha de plantadeiras é uma ótima opção para realização correta da operação no campo.

plantadeira de milho
Fonte: (Baldan)

Há 4 opções de modelo:

  • 22 linhas, largura total de 10.600 mm, depósito de sementes de 3.340 litros e trator de 180* CV
  • 30 linhas, largura total de 14.100 mm, depósito de sementes de 4.500 litros e trator de 240* CV
  • 34 linhas, largura total de 16.000 mm, depósito de sementes de 5.180 litros e trator de 280* CV
  • 42 linhas, largura total de 19.600 mm, depósito de sementes de 6.340 litros e trator de 340* CV

*Calculada para Sistema de Plantio Direto

Jumil JM 8090 e JM 8080 PD - TERRA

A linha de plantadeiras de sementes graúdas da Jumil JM 8090 e 8080 PD, destacam-se no cenário de plantio de milho.

Elas não necessitam de desmonte, carregamento ou transporte em carretas nos diferentes lotes da fazenda. Além disso, auxiliam os operadores na execução das tarefas em campo, pois todas as operações são feitas de dentro da cabine do trator agrícola.

As plantadeiras da linha JM 8090 são da linha pneumática com tecnologia “Exacta Air” e as plantadeiras da linha JM 8080 são mecânicas da linha “Magnum”.

plantadeira de milho
(Fonte: Jumil)

Por ser transportável, essas plantadeiras possibilitam maior eficiência na semeadura, além de facilitar o transporte até os talhões, melhorando a sua eficiência operacional, eliminando algumas horas improdutivas.

Com o chassi articulado em 3 seções e carrinhos do tipo “pantográfico”, as ondulações do terreno são facilmente superadas e a profundidade de semeadura torna-se constante.

Existem 3 opções de chassi:

  • Até 29 linhas de 45 cm, largura de trabalho de 13.800 mm, depósito de sementes de 3.000 litros/2.400 kg, capacidade efetiva de campo de 99 ha/h* e trator de 240 CV
  • Até 33 linhas de 45 cm, largura de trabalho de 15.100 mm, depósito de sementes de 3.300 litros/2.600 kg, capacidade efetiva de campo de 113 ha/h* e trator de 270 CV
  • Até 39 linhas de 45 cm, largura de trabalho de 17.800 mm, depósito de sementes de 3.700 litros/2.950 kg, capacidade efetiva de campo de 133 ha/h* e trator de 315 CV

*Calculada com velocidade média de 8 km/h, podendo variar de acordo com as condições de campo.

PST4 e PST4 Suprema Tatu

A PST4 é uma plantadeira de milho muito boa para plantio direto.

Possui plataforma larga, articulável, antiderrapante e com extensor que facilita o abastecimento pela lateral da máquina.

Possui também escada articulável e duas catracas com acionamento manual para arremates por meio de alavanca posicionada na lateral da caixa de adubo.

Para distribuição do adubo, a PST4 possui mecanismo de rosca sem-fim com revestimento antiaderente, possibilitando melhor uniformidade na distribuição.

plantadeira de milho
(Fonte: MR)

O número de linhas de plantio pode variar de 7 a 12, dependendo do espaçamento entre linhas desejado. A largura útil é de 2.900 mm a 4.950 mm, respectivamente.

As plantadeiras possuem ainda 43 relações possíveis de ajuste na caixa de adubo e 43 na caixa de sementes. Isso auxilia o ajuste desejado no plantio, seja para a dose de semente ou fertilizantes.

Plantadeira de milho 3 linhas Tatu T²SI

Por último, apresento uma plantadeira adubadeira de menor porte.

A T²SI da Tatu Marchesan é uma boa escolha para produtores com áreas não tão grandes e sistema de plantio convencional.

plantadeira de milho
(Fonte: Agripeças)

A T²SI efetua o plantio convencional de milho, soja, arroz, feijão, sorgo, amendoim e outras culturas com bom acompanhamento do perfil do solo.

A distribuição do adubo é feita via rosca sem-fim, com revestimento interno de PVC, para maior durabilidade do sistema.

Possui depósito de adubo de 50 kg em cada caixa e 34 litros para cada caixa de sementes. Necessita de um trator com cerca de 60 CV para correto funcionamento.

7 dicas para escolher sua plantadeira de milho

Como escolher a plantadeira de milho ideal é uma dúvida recorrente de muitos agricultores com quem converso.

Devo optar por uma máquina maior, com mais linhas, ou uma máquina menor?

A resposta não é tão simples quanto parece! Mas deixo algumas dicas para te ajudar na hora de escolher o maquinário ideal para sua propriedade.

1 - Sempre calcule os dias agronomicamente úteis na sua janela de plantio e da sua área a ser semeada.

2 - Opte por uma plantadeira adequada ao seu bolso! Lembre-se que, às vezes, as máquinas podem quebrar durante a operação, então esteja atento às manutenções preventivas.

3 - Nova ou usada? Com bons programas de financiamento no mercado, uma boa opção é comprar uma máquina nova. Mas isso não é uma regra absoluta! Se atente aos índices de sua máquina para tomar essa decisão.

plantadeira de milho
Com o Aegro, você obtém os índices de rendimento das máquinas agrícolas de modo automatizado e pode tomar decisões de compra mais assertivas

4 - Observe os termos e condições de pagamento, estado de conservação e capacidade do revendedor fornecer suporte.

5 - Mantenha um estoque de peças vitais da plantadeira de milho na fazenda, afinal, a maioria das revendedoras só atende em horário comercial, de 2ª a 6ª.

6 - Opte por máquinas fáceis de serem utilizadas e reguladas. Uma plantadeira menor e bem regulada pode render mais operacionalmente que outra de maior tamanho mal regulada.

7 - Verifique a disponibilidade da máquina que irá colher a cultura, neste caso o milho. Se eu não possuo uma colhedora de 50 cm de espaçamento entre linhas e ninguém na região pode terceirizar esse espaçamento de colheita, então a aquisição de uma plantadeira de milho nesse espaçamento é inviável.

Crescimento do setor e linhas de financiamento

A venda de máquinas agrícolas deve crescer cerca de 15% entre 2018 e 2019, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Com os produtores capitalizados e diversos programas de financiamento para renovação ou ampliação das frotas agrícolas, este é um bom momento para aquisição dos equipamentos agrícolas.

Os programas Moderfrota, Pronaf e FCO são as três principais linhas de crédito para aquisição das máquinas agrícolas.

Os produtores conseguem prazos de financiamento de até 10 anos, dependendo das condições do produto a ser adquirido. Há linhas voltadas à aquisição de máquinas e implementos agrícolas novos e usados.

Vida útil da plantadeira de milho

A vida útil do maquinário agrícola é outro importante assunto que os produtores devem se atentar.

E os cuidados com os equipamentos farão toda a diferença neste sentido.

As manutenções preventivas, instruções de uso e lubrificações são diferentes e devem ser realizadas segundo o manual de cada fabricante.

Com janelas de plantio cada vez menores, a disponibilidade da plantadeira para realização da atividade é vital para semeadura no tempo ideal e ganhos em produtividade.

Durante a entressafra, uma manutenção geral deve ser realizada nas plantadeiras, checando principalmente:

  • Transmissão
  • Engrenagens
  • Carrinhos de semente
  • Tanques de adubo (se houver)
  • Discos de corte
  • Rodas limitadoras de profundidade
  • Compactadores de sulco
  • Tubos condutores de sementes
  • Tubos condutores de adubos

Além disso, atente-se também aos mecanismos de roscas sem fim, peças internas, sistemas de distribuição de semente e adubo, discos dosadores e, quando houver, aos componentes gerais de todo o sistema.

Velocidade de plantio

A velocidade de plantio pode variar de acordo com o sistema de distribuição da plantadeira.

Para plantadeiras de disco, maioria no mercado brasileiro, a velocidade de trabalho pode variar entre 4 km/h e 6 Km/h.

Para plantadeiras a vácuo, é possível realizar boas operações com velocidades maiores, chegando a 10 km/h ou 12 km/h. Isso vai depender das condições de topografia do terreno, umidade e textura do solo.

Algumas pesquisas mostram perdas em eficiência da semeadura de acordo com as velocidades utilizadas nos equipamentos. Veja:

plantadeira de milho
(Fonte: Embrapa - adaptado de Pioneer Sementes)

Grafite nas sementes: uso ou não?

O grafite vem sendo utilizado para melhorar a plantabilidade das sementes.

Segundo a Embrapa, “O tratamento das sementes de milho com inseticidas para combater as pragas de solo altera a rugosidade da superfície das sementes, o que acaba prejudicando os mecanismos distribuidores, sejam de discos ou ‘dedos prensores’”.

Nos sistemas de distribuição por meio de discos, o grafite tem auxiliado bastante no momento do plantio dessas sementes no campo e manutenção do estande planejado.

No sistema de “dedos prensores”, o excesso de grafite tem acarretado maior desgaste das peças.

A quantidade de grafite a ser colocada varia conforme o tamanho e formato das sementes.

Para sementes chatas podem ser utilizadas de 2g a 4g de grafite por quilo de semente.

Já para sementes redondas, na média, podem ser utilizadas de 5g a 6g de grafite por quilo de semente.

O ideal é que se espere a secagem do tratamento de sementes com os inseticidas para a colocação do grafite e em seguida se inicie o plantio.

Conclusão

Neste artigo, apresentei alguns dos principais modelos de plantadeira de milho, que podem ser usadas no plantio direto e/ou convencional.

Também discutimos velocidade de plantio, uso ou não do grafite e as opções de crédito para máquinas e implementos agrícolas.

Você conferiu ainda algumas dicas sobre como escolher a melhor plantadeira para sua propriedade.

Com áreas cada dia mais extensas e janelas de plantio mais curtas, a escolha do maquinário é essencial aos produtores que querem ser competitivos no mercado.

>> Leia mais: 

"Depreciação de máquinas: Todos os cálculos de forma prática"
"Como regular plantadeira de trigo e ser mais eficiente"

Você já trabalhou com alguma plantadeira de milho entre as que apresentei? Acha que outras plantadeiras merecem destaque na lista? Deixe seu comentário!

Drones na agricultura: Como eles te ajudam a lucrar mais

Drones na agricultura: Veja os modelos existentes, as diferenças entre eles e faça a melhor escolha para sua propriedade!

Do planejamento à colheita, diversos tipos de drones podem auxiliar nas tarefas agrícolas.

Alguns são capazes até de estimar a produtividade da lavoura! Eles também estão muito mais populares e acessíveis ao produtor.

Neste artigo, vamos apresentar as contribuições dos drones na agricultura e os principais modelos disponíveis no mercado hoje. Confira!

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Drones na agricultura: benefícios para sua propriedade

Os drones evoluíram muito em poucos anos e passaram a contribuir em áreas que antes nem se cogitava sua presença, como na agricultura.

Hoje eles estão mais acessíveis e podem contribuir muito nas lavouras, auxiliando a gestão e permitindo até mesmo aumento da produtividade das culturas.

Entretanto, muitos ainda desconhecem esses benefícios, como você pode ver na imagem abaixo:

Drones na agricultura
Aceitação e uso de drone ou veículo aéreo não tripulado (VANTs) pelos consumidores
(Fonte: Revista IPecege. Felipe Artioli e Tatiane Beloni, 2016)

Os três principais usos dos drones na agricultura são: pulverização, topografia e imagens.

Vamos falar melhor sobre a utilização dos drones a seguir:

1. Acompanhamento das plantações

Através de fotografias tiradas pelos drones, é possível identificar:

  • Falhas no plantio
  • Locais com alta infestação de plantas daninhas
  • Ataque de pragas
  • Doenças
  • Excesso ou falha de irrigação

O monitoramento acontece por meio de sensores infravermelhos, capazes de monitorar cada planta.

Conseguindo visualizar o mapeamento de pragas e doenças, assim como sua disseminação, você pode tomar decisões mais rápidas. Isso evita perdas maiores de produtividade.

Drones na agricultura
(Fonte: Sensix)

Isso ajuda na realização da agricultura de precisão, que considera as diferenças de cada parte da fazenda para realizar as operações agrícolas.

2. Demarcação de áreas

Com a visão aérea proporcionada pelo drone, você tem mais propriedade para fazer a demarcação de áreas. Assim, pode selecionar as melhores áreas para plantio, evitando que sejam ultrapassados limites.

O mesmo serve para áreas de preservação e fontes de água.

Drones na agricultura
Identificação de linhas de falha de plantio
(Fonte: Aero)

3. Monitoramento da fazenda

O drone também pode ser muito útil no monitoramento da fazenda, o que pode economizar tempo e recursos.

Drones na agricultura
(Fonte: Horus)

O monitoramento das plantações com recursos de alta qualidade, como são os drones, auxilia no planejamento da lavoura.

Outra vantagem é identificar problemas que não foram vistos, contribuindo para uma maior produtividade.

A Horus Aeronaves é uma das empresas que oferecem drones para o serviço de mapeamento aéreo.

4. Drone para pulverização precisa

As tecnologias embarcadas permitem que os drones estejam cada vez mais precisos.

Por isso, alguns modelos possibilitam fazer pulverização em locais exatos. Isso reduz o gasto com produtos fitossanitários, realizando a aplicação apenas onde é necessário.

Segundo a Horus, com drones na agricultura, é possível obter economia de até 50% na aplicação de insumos.

Esse resultado está relacionado à geração de mapas com diversos índices de vegetação.

Com essas informações, são feitos mapas de aplicação em taxa variável, que indicam ao maquinário onde aplicar e fazendo com que a agricultura de precisão seja efetiva na propriedade.

Os primeiros testes de pulverizações de fitossanitários foram feitos em 2017, em Porto Alegre (RS), com o drone Pelicano, da Skydrones.

A primeira aplicação real ocorreu em Pelotas (RS), com uso de um herbicida dessecante aplicado para plantio direto de soja e arroz.

Um dos grandes benefícios do uso de drone para pulverização de defensivos é a substituição de trabalhadores. Isso elimina risco de exposição, uma vez que também não há piloto embarcado.

Outras vantagens incluem: aplicações complementares, rapidez, precisão, qualidade e aplicações localizadas.

Além disso, a Agência Nacional de Aviação Civil permite a utilização de drone para pulverização com peso de até 25 kg (equipamento + carga).

Por isso, segundo a Sindag, é possível usar um drone tipo avião para mapear extensas áreas, gerando mapas de infestações de plantas daninhas, e pulverizar com drone multirotor. Isso pode levar de dois a três dias, com economia de 95% em herbicidas.

5. Monitoramento da Pecuária

Os drones também ajudam a facilitar a contagem do gado na fazenda.

Além disso, é possível verificar se há animais feridos, ausentes ou em nascimento, graças às câmeras de imagem térmica com que são equipados.

Os drones ajudam ainda a observar as condições dos pastos para saber se precisam ser reformados ou se estão adequadosDrones na agricultura
(Fonte: Drone Images)

Com ajuda de drones também fica mais fácil:

  • Verificar ocorrência de áreas desmatadas
  • Identificar nascentes de rios e olhos d’água
  • Buscar focos de incêndio
  • Explorar áreas de difícil acesso
  • Verificar áreas para abertura de estradas
  • Contar e/ou buscar animais perdidos
  • Fazer a vigilância e monitoramento
  • Monitorar plantações
  • Detectar secas ou excessos hídricos
  • Identificar locais com pragas, doenças e plantas daninhas
  • Estimar a produtividade
  • Fazer o mapeamento agrícola e hídrico
  • Realizar a agricultura de precisão

Drones na agricultura: Diferentes tipos

Há diversas opções para uso de drones na agricultura. Para escolher qual atende melhor sua necessidade, é preciso conhecer as diferenças entre eles.

E também é preciso ressaltar que o uso dos drones exigem regras, então fique sempre de olho nelas.

Os drones podem ser classificados conforme o número de hélices, tamanho ou alcance. Vou especificar cada um deles!

Drone de rotor único

É o mais popular do mercado.

Possui apenas um rotor no interior e uma hélice para estabilização. São utilizados para voo pairado, com capacidade de carga e longa duração de voo.

Drones na agricultura
(Fonte: Prodrone)

Tricóptero

Possui três tipos diferentes de motores no interior: três controladores, quatro giroscópios e um suporte de pilotagem.

Os motores ficam na extremidade, nos três braços, e cada um deles tem um sensor de localização integrado.

Esses drones conseguem se manter estabilizados durante o trajeto, não sendo preciso aplicar correções manuais.

Drones na agricultura
(Fonte: Xataka)

Quadcóptero

Possui quatro lâminas de rotor.

Dois motores movem-se no sentido horário e os outros no sentido anti-horário, o que ajuda na aterragem mais segura.

É o mais vendido, pois é de fácil fabricação, mais veloz e de preço mais acessível. Além disso, tem força para carregar os acessórios.

Precisa de menos manutenção e consegue transportar grandes cargas sem necessidade de ajustes de engenharia adicionais.

Hexacóptero

Possui seis motores, com três trabalhando no sentido horário e três no anti-horário. Atinge uma maior altitude, tem mais potência e maior capacidade de carga.

É mais veloz e suporta condições desfavoráveis como ventanias.

A desvantagem é o preço mais elevado, além da necessidade de manutenção mais frequente.

Drones na agricultura
(Fonte: Cuadricoptero)

Octocóptero

Contém oito motores que transmitem a potência para as oito hélices.

Tem capacidade de voo superior em comparação aos anteriores. É muito mais estável e possui alta performance, com excelente estabilidade.

É mais pesado que os anteriores. A autonomia de voo varia com a carga e velocidade.

Drones na agricultura
(Fonte: Computrade)

Drone com asa fixa

Apresenta uma única asa comprida.

Tem capacidade de sobrevoar áreas lineares por maior período de tempo, pois possui um sistema de bateria integrado.

Precisa de maior área para pouso e decolagem.

Tem maior chance de sobreviver a uma queda, pois pode deslizar. A desvantagem é que seu preço é mais elevado.

Drones na agricultura
(Fonte: Horus)

Drones na agricultura: diferentes tamanhos

Drones Muito Pequenos

Podem ser mini drones ou nano/micro drones. Os mini drones possuem tamanho superior a 50 cm até 2 m.

Geralmente são drones com asa fixa e tem baixa capacidade de potência.

Drones na agricultura
(Fonte: Techtudo)

Drones Médios

Nessa categoria, as unidades são um pouco mais pesadas, mas ainda leves e compactas.

Podem transportar cargas de até 200 kg. Têm duração de voo de 5 a 10 minutos.

Drones na agricultura
(Fonte: Jornalismo especializado Unesp)

Drones Grandes

Muito usado para locais inacessíveis aos aviões.

Os drones grandes são classificados de acordo com sua capacidade de alcance e voo.

Drones na agricultura
(Fonte: Computrade)

Uma informação importante que vale destacar é a necessidade de cadastro na Anac de acordo com o peso:

  • Veículos com mais de 25 kg: precisam de registro na Anac
  • Veículos com até 25 kg: cadastro no site da Anac
  • Drones com peso inferior a 250 gramas: não precisam ter qualquer cadastro

De acordo com o Alcance

Alcance muito curto

Distância de voo de 5 km. Tempo de voo de 20 a 45 minutos, com baterias de maior capacidade.

Curto alcance

Distância de voo de 50 Km. Baterias com duração de de 1 a 6 horas

Curto-médio alcance

Distância máxima de 150 Km. Tempo de voo estimado de 8 a 12 horas.

Médio alcance

Alta velocidade e distância de até 650 Km. Na agricultura, pode ser usado para recolher dados meteorológicos.

Longevidade

Tempo de voo de até 36 horas. Chega à altura de até 914 metros.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Neste artigo vimos quais os tipos de drones existentes. Listamos algumas vantagens de utilizar os drones na agricultura.

O uso de drone pode trazer economia na lavoura, essa tecnologia já ajuda a reduzir custos de aplicações, monitoramento e vigilância nas fazendas. Tudo isso reflete em maior eficácia e aumento de produtividade das lavouras.

>> Leia Mais:

Veja o desenvolvimento da sua lavoura com imagens de satélite na agricultura

O que é SIG na agricultura e como essa tecnologia pode ser útil na sua fazenda

Você já utiliza drones na agricultura? Compartilhe suas experiências! Adoraria ver seu comentário abaixo!

Inseticida natural: como ele pode ajudar no manejo da sua lavoura

Inseticida natural: conheça as opções que têm trazido melhores resultados e como fazer as aplicações na sua propriedade.

Cerca de 40% da produção agrícola no mundo é perdida devido ao ataque de pragas, segundo a FAO.

E as notícias sobre as falhas de controle com alguns inseticidas tradicionais já são conhecidas. Isso tem relação com pouco monitoramento, o que intensifica a pressão de seleção dos insetos.

Assim vemos que para otimizar o controle é válido incluir novas estratégias de manejo de insetos.

Neste artigo, compartilho informações sobre o uso de inseticidas naturais que, se bem posicionados, podem dar ótimos resultados. Confira a seguir!

Inseticida natural: como defender minhas plantas

Os mecanismos naturais de defesas das plantas são eficientes: é como nosso sistema imunológico.

A fitopatologia confirma que a resistência é uma regra. A suscetibilidade é exceção.

Esses mecanismos de defesa contra qualquer patógeno e inseto são:

  • Defesa induzida direta: a defesa da planta acontece a partir de algum ataque de inseto.

Ocorre pela produção de compostos repelentes de herbívoros e substâncias químicas que inibem degradação das proteínas ingeridas pelos insetos (inibidores de proteases).

  • Defesa induzida indireta: a planta produz compostos voláteis que atraem inimigos naturais dos insetos.

E esses compostos voláteis são base de algumas formas de controles naturais contra insetos.

No entanto, a entomologia considera que as populações de insetos se multiplicam acima do normal e se transformam em pragas em condições excepcionais.

Além disso, segundo a lei da trofobiose, há forte relação de plantas mais suscetíveis ao ataque de pragas com quantidades maiores de aminoácidos.

Estes seriam os alimentos preferenciais dos insetos, e é o que ocorre nas lavouras atuais devido às práticas que temos hoje.

Mas, então, por onde começamos quando os ataques à lavoura ocorrem? Vou explicar melhor.

inseticida natural
(Fonte: Mais Soja)

Manejo Integrado de Pragas

Não existe um inseticida milagroso para controlar os ataques de pragas. É a integração de diferentes táticas de controle que fará a diferença.

Portanto, adotar o MIP (Manejo Integrado de Pragas) pode reduzir 50% dos seus custos com defensivos agrícolas.

A base do MIP é o monitoramento constante para identificação da espécie que está atacando a lavoura.

Isso se realiza a partir de amostragem, registro e acompanhamento das populações de insetos-pragas e inimigos naturais presentes na cultura.

As orientações corretas de amostragem, além dos níveis de ação necessários, devem ser considerados na tomada de decisão para o MIP.

Lembre-se que um bom monitoramento deve apresentar a realidade de campo!

E faz diferença ter o histórico dessas informações no bolso. Além de facilitar o registro, isso permite ter informações acessíveis para agir na hora certa.

O Aegro permite que o monitoramento e o armadilhamento de pragas sejam feitos de forma fácil e com todos os dados seguros e fáceis de serem interpretados.

inseticida natural
Aegro permite que você coloque o nível de controle por pragas, indicando o momento em que há risco de perdas econômicas na lavoura

A tecnologia é uma ferramenta importantíssima, mas precisa ser integrada a outras práticas.

Aqui no Blog do Aegro nós explicamos os 8 fundamentos sobre Manejo Integrado de Pragas que você ainda não aprendeu”.

Agora que você já sabe mais sobre o MIP, vamos falar sobre inseticida natural para proteger suas plantas.

Inseticida natural: o que você precisa saber

Hoje existem diversas opções de produtos alternativos aos inseticidas químicos no mercado.

Há diferentes tipos: desde produtos à base de micro e macrorganismos até os que têm base de extratos vegetais, como os bioquímicos e semioquímicos (feromônios e aleloquímicos).

Quanto aos feromônios é importante ressaltar que mesmo sendo considerados por muitos um inseticida natural, já que de alguma maneira pode controlar a população de insetos por armadilhas, conceitualmente ele não se trata de um inseticida já que não mata as pragas.

Além disso, o mais comum é utilizar os feromônios sintéticos.

Já falamos sobre todos esses produtos aqui no blog em: “Como utilizar defensivos naturais e diminuir custos”.

Inseticida natural não é somente para a agricultura orgânica. O importante é superar preconceitos e conhecer mais opções, sejam químicas ou naturais. Afinal de contas, o objetivo final é o mesmo!

Os principais inseticidas naturais que eu recomendaria para que você teste em sua lavoura são:

Beauveria bassiana

É um fungo que parasita mais de 200 espécies de artrópodes como mosca branca, ácaros, incluindo carrapatos.

Através, do contato direto com o alvo, o fungo germina na superfície do inseto, penetrando no tegumento e colonizando-o internamente, liberando toxinas. Isso leva os insetos à morte.

inseticida natural

Insetos atacados pelo fungo ficam com aspecto chamado de “mumificação”, acima o exemplo de uma lagarta que sofreu o ataque
(Fonte: Kansas Bugs)

Metarhizium anisopliae

Também é um fungo. Neste caso, os esporos entram em contato com o inseto, penetram sua cutícula, colonizando os órgãos internos do hospedeiro, que para de se alimentar e morre.

Este processo ocorre entre 2 e 7 dias após a aplicação, dependendo das condições climáticas.

Pode ser usado no controle de cigarrinha das pastagens, mas também em larva alfinete ou coró na cultura do milho e outras.

inseticida natural
Cigarrinha das pastagens pode ser controlada com Metarhizium anisopliae
(Foto: Robson Paiva em Emater-RO)

Bacillus thuringiensis

Bactéria que auxilia principalmente no controle de lagartas ao ser ingerida pelo inseto.

É muito conhecida pelas culturas Bt, onde os genes que produzem as proteínas tóxicas às lagartas são incorporados às plantas de soja, algodão ou milho.

Também existe o bioinseticida à base de Bacillus thuringiensis. Mas não devemos utilizar culturas Bt e inseticidas também Bt, já que são dois métodos de controle com a mesma tecnologia.

Isso porque a pressão de seleção de indivíduos resistentes à tecnologia Bt aumentaria muito.

É um produto comercial registrado e de alta qualidade no mercado. A Embrapa inclusive tem promovido formações de capacitações para a produção “on farm” de qualidade.

Chromobacterium subtsugae

É uma bactéria que tem sido relatada para combater pragas como percevejo, mosca branca, pulgões e ácaros.

Através da produção de substâncias como a violaceína, polihidroxialcanoatos, cianeto de hidrogênio, antibióticos e quitinase.

Sua ação ocorre através da ingestão da mesma presente sobre as plantas.

Em pesquisa, houve até 78% de insetos emergidos no controle de caruncho do feijão (callosobruchus maculatus).

Feromônios

O uso de feromônios tem mostrado bons resultados para fazer o controle de pragas nas lavouras.

A Embrapa, por exemplo, conduziu pesquisa com produção de feromônio de percevejo macho em laboratório, usando-o em armadilhas para atração das fêmeas nas plantações de soja e arroz.

Os resultados foram tão bons que as armadilhas à base de feromônios estão patenteadas e à disposição no mercado pela empresa Isca.

Existem muitos outros tipos de feromônios, como para controle de traça na folha de tomate.

E outros como: Isaria fumosorosea (para mosca branca); Baculovirus spp. (para lagartas); e calda bordalesa (que pode ser pulverizada sobre as plantas, funcionando como repelente contra cigarrinha verde, cochonilhas, trips e pulgões).

inseticida natural
Armadilhas para teste de feromônio do percevejo da soja
(Fonte: Embrapa)

Conclusão

Quando o ataque de pragas se inicia, todo mundo quer conhecer todas as alternativas existentes para controle.

E os biopesticidas são uma opção. É uma tecnologia que atua mais a favor do meio ambiente e do bem-estar dos inimigos naturais.

Eles não servem só para sua horta orgânica, pelo contrário!

Vimos aqui que o inseticida natural tem tido cada vez mais resultados comprovados nas lavouras.

Por isso, inclua em seu planejamento agrícola novas estratégias de controle de pragas!

>> Leia mais:

7 pragas de armazenamento de grãos para você combater

“Inseticida piretroide: Como fazer o melhor uso dele”

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Lagarta-do-cartucho do milho: Controle eficiente com as táticas do MIP

Lagarta-do-cartucho do milho: quando e com o que fazer as aplicações e outras medidas simples que dão resultado no combate a essa praga

O que você prefere: tomar remédio sem estar doente ou apenas quando houver necessidade, caso você esteja realmente precisando? É bem provável que você tenha respondido a segunda opção, não é mesmo?

E o ideal seria prevenir que você fique doente. O mesmo pensamento deve ser levado em consideração quando se tratar de uma lavoura.

A “doença” a que me refiro está relacionada a tudo aquilo que acomete perdas significativas na produção. Dentre elas, a incidência de insetos-praga, como a lagarta-do-cartucho do milho, tem grande importância na perda de produção.

Por isso, confira a seguir táticas simples e efetivas que você pode fazer para combater a lagarta-do-cartucho.

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Por que o ataque da lagarta-do-cartucho do milho causa tantas perdas?

Perdas de produtividade ocorrem principalmente pelo ataque de insetos polífagos, ou seja, aqueles que podem atacar várias espécies de plantas.

A lagarta-do-cartucho do milho ou lagarta militar (Spodoptera frugiperda) é um grande exemplo entre os insetos polífagos.

Ela pode atacar cerca de 100 espécies diferentes de plantas em diversos sistemas de produção.

Além disso, pode causar danos em vários estágios de desenvolvimento da cultura, seja no cartucho ou nas plântulas.

Por isso, ela pode ser vista atacando o cartucho, ou nas plântulas, com hábito semelhante ao da lagarta rosca.

lagarta-do-cartucho do milho
Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)
(Fonte: EPPO)

Os danos também ocorrem nas espigas e a base da planta pode ser perfurada, provocando o sintoma de “coração morto”.

E como devo agir diante de uma praga tão agressiva como essa?

Com base no que foi falado acima, o ideal é a utilização de várias táticas em conjunto para que a planta não necessite do “remédio” constantemente.

Aqui no nosso caso, o “remédio” seria o uso desenfreado de aplicação de inseticidas sem levar em consideração outras formas de manejo.

As táticas devem fazer parte do Manejo Integrado de Pragas, o MIP, o qual vamos entender melhor como realizar a seguir:

lagarta-do-cartucho do milho
Spodoptera frugiperda causa danos na planta e também nas espigas do milho
(Fonte: Cabi)

Manejo Integrado de Pragas para a lagarta-do-cartucho do milho

A lagarta-do-cartucho do milho é uma praga que, se não controlada, atinge rapidamente o nível de dano econômico.

É a principal praga do milho, mas ataca diversas culturas devido a sua polifagia. Além disso, tem alto potencial reprodutivo e ciclo curto (período de lagarta é de 12 a 30 dias), o que possibilita muitas gerações ao longo de um ano.

O Brasil por ter clima tropical, possibilita cultivos sucessivos (cultura do milho, soja, feijão, sorgo) durante todas as estações climáticas nas diversas regiões produtoras. Isso acaba contribuindo para a estabilidade da praga na lavoura e por ter alimento disponível o ano todo.

Nas lavouras de milho, causa danos em todos os estágios fenológicos da planta e, caso o único método de controle seja o químico, pode haver um efeito colateral.

Vamos imaginar um exemplo para entendermos melhor.

Por que aplico inseticida e as lagartas persistem na lavoura?

Por exemplo, imagine que você plantou alguns hectares de milho convencional e, logo no início (no estágio fenológico V3), percebeu a presença de algumas lagartas em sua lavoura.

Então, sem realizar nenhum tipo de monitoramento, você aplica um inseticida de amplo espectro e persistente.

Entretanto, algum tempo depois, notou que ainda havia lagartas e aplicou mais uma vez aquele mesmo inseticida.

Com a contínua presença da lagarta na fase reprodutiva, você pode não entender o que estava acontecendo, e, assim, aplica mais uma dose.

No entanto, ao final da produção, a lavoura estava completamente infestada e quase todas as espigas tinham a presença da lagarta-do-cartucho.

Nesse caso, você teria cometido 2 grandes erros no manejo de pragas:

Erro 1 – Não realizou o monitoramento da praga

Primeiramente, ao detectar a presença da praga, é preciso realizar o monitoramento na lavoura para só depois fazer a tomada de decisão.

Este monitoramento pode ser por meio de armadilhas do tipo delta contendo uma pastilha de feromônio de acasalamento, atraindo assim os machos.

O ideal é instalar uma armadilha por hectare e quando 3 ou mais adultos forem capturados, pode-se iniciar o controle.

lagarta-do-cartucho do milho
(Foto: Thaís Matioli)

Outra maneira de realizar o monitoramento é através de amostragem no campo com caminhamento do tipo zigue-zague ou de perímetro.

Os níveis de dano devem ser mensurados conforme a escala de Davis. Quando for detectado 20% de plantas atacadas com nota igual ou maior do que 3 na escala, deve-se entrar com controle.

lagarta-do-cartucho do milho
(Fonte: Davis em Pionner)

Erro 2 – Uso inadequado do inseticida

O uso inadequado e excessivo de inseticidas causa, dentre muitas consequências, a pressão de seleção.

Isso induz a resistência da praga àquele inseticida aplicado, morte de inimigos naturais na área, contaminação do ambiente e do produto final, dentre outros fatores.  

As aplicações sucessivas causam pressão de seleção das lagartas. O que seria isso?

O inseticida matou pragas suscetíveis ao ingrediente ativo do inseticida e permitiu que as lagartas com genética resistente continuassem na área.

Isso fez com que apenas a população resistente permanecesse e, por isso, você não conseguiu mais controlar as lagartas.

Neste caso, foi utilizado um inseticida de amplo espectro e alta persistência, ou seja, mata não só a praga, mas também insetos não-alvo e fica por muito tempo na lavoura.

Isso fez com que a população dos inimigos naturais da área fosse completamente reduzida ou extinta, o que contribuiu ainda mais para que a população da praga aumentasse.

Se o inseticida não atingisse os inimigos naturais, haveria uma grande chance de reduzir os danos causados.

Mas então quais as melhores maneiras de controle para evitar o uso errôneo de apenas um tipo de tática?

No MIP existem 4 bases e 6 pilares que sustentam sua estrutura para qualquer cultura em que se deseja implementá-lo.

As bases são a identificação correta das espécies, monitoramento, níveis de controle e condições ambientais.

Já os pilares são as táticas utilizadas para que sejam complementares ao controle de uma praga. São eles:

  • Controle cultural
  • Uso de agentes de controle biológico
  • Controle comportamental
  • Controle genético
  • Controle varietal
  • Controle químico
  • Manejo de resistência. (Conheça mais sobre a estrutura do MIP).
lagarta-do-cartucho do milho

Para saber mais sobre MIP leia este artigo aqui: Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas

Nas principais culturas de importância econômica (soja e milho) em que a lagarta-do-cartucho causa severos danos, deve-se começar com a base da estrutura do MIP.

Antes de qualquer coisa, é importante conhecer o histórico da área: qual o cultivo anterior e se já houve infestações.

Se já houve a presença da praga, pode-se começar com controle cultural fazendo o tratamento das sementes e retirada de restos culturais.

Em seguida,  identificar a praga, fazer o monitoramento para só depois realizar a tomada de decisão.

Uso de variedades resistentes, tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis), agentes de controle biológico e o controle comportamental podem e devem ser utilizados para reduzir o nível populacional desta praga.

Note que a aplicação de inseticidas não deve ser prioridade! E sobre sua utilização temos mais dicas:

Como fazer o controle químico eficiente da lagarta-do-cartucho do milho

Ao utilizar o controle químico é imprescindível o uso de inseticidas seletivos. O que seria isso? São inseticidas que, de alguma forma, não atingem os insetos não-alvo.

Muitos são os insetos benéficos (parasitoides e predadores) que ocorrem ou podem ser liberados no agroecossistema e estes contribuem, e muito, para a redução da lagarta-do-cartucho.

A exemplo desses insetos pode-se citar a tesourinha (Dorus luteipes),  joaninhas (Harmonia axyridis e Coleomegilla maculata) e parasitoide de ovos (Trichogramma pretiosum).

Inseticidas de amplo espectro, normalmente, causam impactos no agroecossistema. Estes agem principalmente no sistema nervoso (SN) dos insetos, por isso, devem ser evitados.

Os principais grupos químicos para SN são piretroides e neonicotides. Então, quando for utilizar esta tática, tenha preferência por outros grupos químicos.

Na imagem, um exemplo de como olhar na bula o grupo químico do inseticida.

lagarta-do-cartucho do milho

Conclusão

A lagarta-do-cartucho do milho é uma das principais pragas do milho e soja, podendo causar inúmeras perdas sem o devido manejo.

O manejo adequado não é baseado somente em inseticidas, mas sim em um conjunto de táticas que aqui apresentamos.

Além disso, vimos que o monitoramento é fundamental para que nosso controle seja eficiente. Aproveite as dicas e boa safra!

>>Leia mais:

“4 motivos pelos quais você não deve ignorar a cigarrinha-do-milho”
“5 tecnologias para controlar a Helicoverpa armigera eficientemente”
“Pragas do milho: Principais manejos para se livrar delas”

Gostou do texto? Utiliza outra tática de controle para lagarta-do-cartucho do milho que não comentei aqui? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Agronegócio no Brasil: Como está nosso setor e o que você pode esperar

Agronegócio no Brasil: Qual a importância do setor hoje, como ele está e quais são as principais projeções que você precisa saber.

O agronegócio no Brasil é forte: tem grande participação no PIB e a tendência é continuar crescendo.

Conhecer bem este mercado permite ter mais base para tomar decisões e identificar onde vale mais a pena investir seus esforços e recursos financeiros.

Qual cultura tem mais perspectivas de crescimento? Será que exportar pode ser um bom caminho? Todas essas perguntas são respondidas através do cenário do agro no país.

Neste artigo, vamos falar sobre a situação atual do setor agro e o que você pode esperar daqui para a frente. Confira a seguir!

O que é agronegócio no Brasil: conceito e definição

O agronegócio, ou agribusiness, é definido como o conjunto de atividades relacionadas à agricultura e pecuária e suas cadeias produtivas.

De acordo com o artigo 681 do Projeto de Lei 487/2013, o agronegócio é a rede de negócios que integra as atividades econômicas organizadas de fabricação e fornecimento de insumos. Ele também inclui:

Tipos de produtos gerados pelo setor

O agronegócio brasileiro não é baseado apenas em alguns produtos. Há uma diversidade inimaginável de produtos diretos e indiretos desse ramo.

Basicamente, existem 3 principais vertentes do agronegócio e cada uma entrega produtos diferentes para a população:

  • Agricultura: a agricultura fornece produtos baseados em culturas agrícolas que podem ser para consumo direto, indireto ou para outras atividades da agroindústria, como: frutas, verduras, legumes, grãos, fibras, madeira, culturas bioenergéticas, fumo, dentre outras;
  • Pecuária: a pecuária fornece basicamente carnes para consumo direto e para a agroindústria, como: bovinos, suínos, peixes, frango, ovinos, leite, ovos, dentre outros.
  • Agroindústria: a agroindústria é a parte responsável pelo beneficiamento de matéria prima proveniente da agricultura e pecuária em produtos industrializados, como: produtos de madeira, móveis, papel e celulose, biocombustível, têxtil, vestuário, produtos do fumo, açúcares, óleos vegetais, conservas de produtos frescos, bebidas, produtos amiláceos, cosméticos, dentre outros.   

Situação atual do agronegócio brasileiro

O agronegócio não envolve apenas os grandes produtores e as propriedades modernas e com alto potencial de investimento. Toda a cadeia de produção e beneficiamento de produtos está envolvida nesse setor.

Esse retrato normalmente é baseado no Censo Agropecuário do IBGE, sendo que o último foi feito em 2017. O agronegócio emprega, direta ou indiretamente, cerca de 1 em cada 3 trabalhadores no Brasil.

Do total de mais de 30 milhões de pessoas empregadas pelo agronegócio (37% de todos os empregos do país), a divisão é feita da seguinte forma:

  • 42% de pessoas empregadas na pecuária;
  • 21% de pessoas empregadas na agricultura;
  • 21% de pessoas empregadas no comércio agropecuário;
  • 15% de pessoas empregadas na agroindústria.

Há um total de 5 milhões de propriedades agrícolas no Brasil, que ocupam aproximadamente 40% do território nacional. Dessas propriedades, 3,8 milhões se encaixam na classificação de pequenos produtores.

Isso representa 77% das propriedades, ocupando 23% do total das áreas utilizadas.

Entre 2006 e 2017, o panorama de distribuição das terras agrícolas teve uma alteração. Houve aumento da porcentagem de matas naturais e plantadas e diminuição de áreas de lavouras permanentes.

Infográfico que mostra o cenário do agronegócio no brasil entre 2006 e 2017
(Fonte: IBGE)

Isso se deveu sobretudo ao Novo Código Florestal, instaurado através da Lei 12.651/2012. Essa lei instituiu e aumentou a porcentagem das Áreas de Preservação Permanentes e de Reservas Legais nas propriedades agrícolas.

Importância do agronegócio para o Brasil

O principal gerador de renda para o agronegócio brasileiro é a soja, seguida pela carne bovina e milho com grande destaque. Além disso, outros produtos como leite de vaca, frango, cana, suínos, café, algodão e ovos tem grande importância.

Na soma de toda a produção do agronegócio brasileiro, o Valor Bruto de Produção de 2022 é estimado em R$ 1,38 trilhão.

Estimativa de produção de soja, milho, leite, cana, algodão e café
(Fonte: CNA)

Para 2022, a tendência é de que o país atinja sua máxima histórica na safra de grãos, com um total de 261,4 milhões de toneladas. Esse alto rendimento do agronegócio impacta a economia brasileira, e é o principal definidor do sucesso econômico do país.

Desde 2010, o agronegócio tem tido papel de destaque em reverter a balança comercial brasileira do negativo para o positivo. Enquanto os outros setores apresentaram balanço negativo, o agronegócio sempre obteve alto balanço positivo.

Isso se deve ao balanço positivo entre exportações e importações no setor. 

Em 2021, o agronegócio foi responsável por mais da metade de todas as exportações brasileiras. Isso levantou os ganhos econômicos em meio a uma das maiores crises mundiais da história.

Essa influência do agronegócio para o país também é refletida no PIB (Produto Interno Bruto). O PIB é calculado trimestralmente e também apresenta um valor médio anual. A importância do PIB do agronegócio tem sido cada vez maior no PIB total do país.

Em 2020, o PIB do agronegócio, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), assumiu 26,6% do PIB brasileiro. Desde então, essa porcentagem só aumentou. 

Em 2021, essa participação chegou a 27,4%. A tendência é que haja aumento para 2022.

Segurança alimentar: um desafio para o setor agrícola

Existem 3 fatores principais que criam um grande desafio à produção agropecuária. São eles:

  • Aumento da população mundial, que deve passar de 9 bilhões de pessoas em 2050;
  • As condições climáticas cada vez mais inconstantes e extremas;
  • A necessidade do uso racional e sustentável de recursos como água, energia, insumos, dentre outros.

Todos estes fatores estão aumentando a pressão pela produção de alimentos, fibras, culturas energéticas e muitos outros recursos do agronegócio.

A população brasileira, assim como em outros países, vem crescendo. A estimativa é de que entre 2020 e 2021 houve um aumento de 0.72%

Ainda, o país deve ter uma população entre 230 e 235 milhões de pessoas em 2050, um aumento entre 8% a 10% da população atual.

Há uma estimativa de que a agropecuária brasileira tem potencial para colocar no mercado uma produção capaz de alimentar 800 milhões de pessoas. Isso significa cerca de 10% da população mundial.

Alguns pontos são cruciais para o bom desenvolvimento do agronegócio brasileiro, dentre eles: extensão territorial, clima tropical e subtropical, alta insolação, disponibilidade hídrica e facilidade de mão de obra.

É claro que esse alcance depende da distribuição e do poder de aquisição da população, a nível local e mundial. 

Por exemplo, no Brasil, ainda há uma parte da população em situação de insegurança alimentar, mesmo com a produção nacional de alimentos sendo bem maior que o consumo local.

Porém, é claro o impacto do agronegócio brasileiro no cenário de produção de alimentos, fibras e combustíveis no mundo. Isso é notado não apenas pela alta produção, mas pela capacidade de alta exportação para suprir demandas de outros mercados.

Gráfico com demonstração de produtos com maiores e menores produções no brasil
(Fonte: CNA)

Quais os principais problemas e limitações?

Apesar de todos os avanços do agronegócio e da sua grande importância no cenário econômico brasileiro, ainda existem problemas e limitações a serem solucionados. Os principais são:

  • Infraestrutura de transportes: a limitação de vias para escoamento da produção e recepção de bens de consumo é um fator ainda limitante para o agronegócio brasileiro. Isso principalmente considerando o isolamento geográfico de áreas importantes na produção agropecuária, como a região centro-oeste;
  • Infraestrutura de armazenamento: em muitas áreas produtoras a falta de infraestrutura de armazenamento dificulta a negociação dos produtos agrícolas. Afinal, você tem que vendê-los no momento posterior à colheita, sem poder esperar por melhores preços;
  • Carga tributária e dolarização: a combinação de alta carga tributária brasileira, falta de subsídio para a ricultura e necessidade de importação de insumos cotados em dólar, fazem com que a margem de lucro de muitos produtores seja baixa. Isso acaba aumentando os riscos do agronegócio no país. 

Projeções futuras do agribusiness 

Saber as projeções para o agronegócio brasileiro é importante para identificar a direção que o mercado está tomando. Isso possibilita saber quais as tendências de demanda e preços, e as melhores oportunidades de investimento e posicionamento de produto.

De acordo com estudos publicados pelo Mapa, os itens que serão mais dinâmicos futuramente serão soja, algodão e milho, carnes suína, bovina, frango e frutas.

Isso será motivado, principalmente, pelo mercado de exportações e pela demanda estrangeira. Além de dinâmicos, todos esses itens também serão produtos com maior potencial de crescimento nos próximos 10 anos.

Como exemplo disso, podemos observar que a safra de grãos deve chegar a  331 milhões de toneladas na safra 2030/31, com um aumento total de 27% nos próximos 10 anos. Para isso será necessário um aumento de 12% da área cultivada.

Enquanto algumas culturas apresentarão expansão de área, outras terão redução. Observe a variação nas tabelas a seguir:  

Esse acréscimo de área virá da incorporação de áreas novas, de pastagens naturais e da substituição de áreas de outras lavouras.

Principais desafios e bases futuras do agro no Brasil

São muitos os pontos importantes e que irão reger o crescimento e sucesso do agronegócio brasileiro no futuro próximo. Dentre eles, se destacam:

  • Sustentabilidade: a necessidade do uso sustentável de recursos como terra, água, energia e insumos será crucial tanto no quesito ambiental como econômico do agronegócio;
  • Tecnologia: o uso de novas tecnologias de agricultura de precisão, sensoriamento remoto e automação agrícola já são uma realidade e aumentarão sua presença;
  • Mão de obra: a capacitação de mão de obra será necessária para o bom uso das tecnologias disponíveis atuais e futuras presentes no campo;
  • Infraestrutura: a necessidade de melhorar as vias de transporte e armazenamento de produtos e insumos para diminuir o desperdício da produção e aumentar os seus ganhos;
  • Pesquisa: será necessário um esforço grande em pesquisa para novas soluções, técnicas e tecnologias capazes de servir de base para os ganhos sustentáveis de produtividade necessários;
  • Gestão agrícola: uma gestão inteligente de propriedades agrícolas já é um diferencial e passará a ser decisiva no sucesso da atividade agrícola;
  • Marketing: o bom posicionamento de produtos e a necessidade de levar aos consumidores e tomadores de decisão informações precisas e corretas sobre o agronegócio serão cruciais para quebrar mitos sobre a produção agrícola brasileira, tanto no Brasil quanto no exterior. 

Impactos e benefícios

Não é difícil encontrar, em redes sociais ou outras fontes, narrativas contrárias ao setor, que consideram o agronegócio ruim. A maioria dessas narrativas são baseadas em alguns aspectos, como os seguintes:

  • Ambiental: uso exagerado de defensivos agrícolas que contaminam o meio-ambiente, extenuação dos recursos do solo e perda de biodiversidade pelo uso de monoculturas;
  • Econômico: concentração de renda mão de grandes produtores e de empresas internacionais, gerando pouco desenvolvimento ao Brasil;
  • Social: diminuição da oferta de empregos no campo causando êxodo rural e má distribuição de terras.

É fácil notar que muitos desses pontos já foram apresentados anteriormente e que os benefícios econômicos ao país são indiscutíveis.

A porcentagem de pequenos produtores no total das propriedades brasileiras mostra a importância da agricultura familiar. Isso principalmente em culturas de importância como feijão, fumo e mandioca.

Além disso, os avanços em maquinários e a diminuição da necessidade de mão de obra não são exclusivas do agronegócio e sim uma tendência global

Porém, se há diminuição de oportunidades diretas no campo, há aumento na cadeia produtiva do agronegócio. Ela engloba 37% de todos os trabalhadores do país.

Ambientalmente, nenhuma outra atividade no país requer preservação de grandes porcentagens de áreas de proteção ambiental como o agronegócio.

Além disso, as tecnologias de doses e aplicações de defensivos agrícolas têm apresentado grande avanço no sentido de menor impacto ambiental e substituição por produtos biológicos.

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Conclusão

Conhecer como está o agronegócio no Brasil permite saber como anda o mercado e além disso, possibilita fazer projeções e tendências realistas.

Considerando a importância do agronegócio para o Brasil e sua participação mundial, nota-se que a atividade será ainda mais crucial no futuro.

É uma necessidade para você, que produz, fazer do agronegócio uma atividade sustentável, baseada em seus 3 pilares: socialmente justa, economicamente viável e ambientalmente correta. 

>>Leia mais:

“3 maneiras de lucrar mais com um software de gestão agrícola”

“Tendência do agronegócio para 2023: veja o que espera”

Você costuma acompanhar as movimentações do mercado agro? Gostaria muito de compartilhar ideias sobre o agronegócio no Brasil! Deixe seu comentário abaixo.