Manejos essenciais em cada um dos estádios fenológicos do feijão

Estádios fenológicos do feijão: confira o que fazer em cada fase de cultivo para alcançar alta produtividade deste grão.

Erros de manejo são um problema para qualquer lavoura – mas o prejuízo é muito maior quando se trata de uma cultura com ciclo curto, como o feijão.

Além disso, o cultivo é tido como um dos mais arriscados pela grande flutuação de preços no mercado.

Por isso, preparamos este artigo com tudo que você precisa saber a respeito dos estádios fenológicos do feijoeiro para garantir o melhor manejo, produtividade e lucro com sua lavoura. Confira a seguir!

Importância do feijão

O feijão é uma das bases da alimentação do brasileiro, acumulando quase 3 milhões de hectares semeados na safra 2019/20.

Como é uma planta de ciclo curto, o feijoeiro pode ser comumente semeado em três épocas aqui no Brasil: safra de verão, segunda safra (outono) e safra de inverno.

Na safra deste ano, a estimativa é produzir 3,1 milhões de toneladas do grão, sendo que as maiores produtividades ficam para as safras de inverno (1,3 ton/ha) seguida das safras de verão (1,2 ton/ha) e da safra de outono (0,8 ton/ha).

Todos os estádios fenológicos do feijão

O ciclo de vida das plantas pode ser dividido de acordo com as fases de crescimento delas. A divisão mais simples é entre a fase vegetativa e reprodutiva da planta.

Na fase vegetativa podemos dizer que as plantas são “jovens”: elas ainda não atingiram a maturidade reprodutiva, mas estão se preparando para ela, produzindo folhas e raízes

Desta forma, todo a energia produzida vai para garantir uma maior capacidade de gerar energia no futuro. Isso acontece porque a planta logo entrará na fase reprodutiva e então terá de arcar com mais um custo energético, que são os grãos (no caso do feijão). E, para produzi-los, a planta precisa de muita energia! 

Estádios fenológicos do feijão

Escala fenológica do feijoeiro
(Fonte: Embrapa, 2018)

Existem quatro tipos de feijoeiro, divididos de acordo com o hábito de crescimento. Veja:

  • Tipo 1

Tem crescimento ereto e determinado, ou seja, quando entra na fase reprodutiva ele cessa por completo a fase vegetativa.

  • Tipos 2, 3 e 4

Têm crescimento indeterminado e, quando entram na fase reprodutiva, continuarão vegetando e emitindo novas folhas.

Os tipos de crescimento indeterminado variam o quanto irão vegetar após a planta entrar na fase reprodutiva, variando assim a duração do ciclo e a uniformidade da produção.

Variação do ciclo do feijoeiro em diferentes cultivares
(Fonte: CIAT, 1985)

No tipo 4, por exemplo, de crescimento trepador, a planta continua produzindo vagens e folhas por um longo período. Se por um lado a planta pode se recuperar de erros de manejo, por outro, isso torna a produção desuniforme.

A seguir, vou explicar melhor os estádios fenológicos do feijão (fases vegetativa e reprodutiva) e qual a importância no manejo da lavoura.

Estádios vegetativos na escala fenológica do feijoeiro

V0 – Germinação

Começa com a absorção de água pela semente, iniciando o processo de germinação. 

Nesta fase, a lavoura está mais suscetível a pragas como a lagarta-rosca, a larva das sementes, gorgulho-do-solo e larva-alfinete, que atacam diretamente as sementes.

Quanto a doenças, é importante se precaver contra as podridões radiculares com um bom tratamento de sementes, visando fungos e insetos.

Nesse estádio, a lavoura é muito sensível ao estresse hídrico, requerendo 1,3 mm de lâmina d’água diariamente em média. 

V1 – Emergência

Começa com a aparição dos cotilédones até a abertura das folhas primárias (folhas cotiledonares/simples).

O foco de manejo aqui ainda são as pragas que atacam sementes e plântulas e as podridões-radiculares. 

Um bom tratamento de sementes garante que a lavoura passe por esta fase ilesa e saudável. 

V2 – Folhas Primárias

Essa fase se inicia com a abertura das folhas primárias e termina com a abertura da primeira folha trifoliolada

Aqui começam os cuidados com pragas desfolhadoras e sugadoras/raspadoras, que podem atacar a planta até o final do enchimento de grãos (R8).

Nesta fase, o cuidado deve ser redobrado, pois as plantas apresentam pouca área foliar que, se comprometida, pode prejudicar severamente a produtividade.

O foco aqui deve ser as vaquinhas, que podem atacar os meristemas apicais, além da mosca-branca que, apesar de apresentar dano direto baixo, transmite o vírus do mosaico dourado do feijoeiro.

Deste estádio até V4, a cobertura do solo por palha reduz em até 30% a evapotranspiração da lavoura, reduzindo a demanda por água.

V3 – Primeira folha composta aberta

Começa com a abertura da primeira folha trifoliolada (composta) e termina com a abertura da terceira folha.

Da fase V3 a R8, as plantas ficam suscetíveis a ataques de nematoides como o Meloidogyne incognita e javanica, além do famoso P. brachyurus

É importante ficar de olho nas pragas sugadoras, que afetam grande parte do ciclo da cultura, como a cigarrinha-verde, o ácaro-rajado a tripés e o ácaro-branco.

Pragas desfolhadoras como os minadores, as lagartas enroladeira das folhas e a cabeça de fósforo também podem causar grande dano nesse momento.

Em estádios mais avançados, o feijoeiro pode tolerar até 30% de desfolha, mas, como vimos aqui, nos estádios iniciais, essas pragas podem comprometer seriamente a produtividade.

V4 – Terceira folha composta aberta

Inicia-se com a abertura completa da terceira folha trifoliolada.

Esta fase é menor nos feijoeiros de crescimento determinado e maior nos de crescimento indeterminado. 

Aqui começam os ataques de pragas dos caules, como a broca-das-axilas e o bicudo-da-soja.

As principais doenças para iniciar o controle de infestação nessa fase são a antracnose, o mosaico-dourado, o mosqueado-suave e a mela.

Durante esta fase, a planta apresenta uma área foliar maior, o que irá demandar mais água, sendo aqui um dos picos de consumo, com uma média de 56 mm (ao todo) durante a fase.

No início desta fase é recomendado verificar a nodulação das plantas, sendo que, se forem menor que 15 nódulos/planta, é recomendado entrar com adubação nitrogenada de cobertura.

Também é nesta etapa que se inicia o período crítico de prevenção de interferência. De V4 até R6, a lavoura pode sofrer grandes perdas de produção devido à presença de plantas daninhas.

Então, é fundamental realizar o controle de daninhas nesse período para garantir altas produtividades. 

Ainda que esta seja a fase ideal para o controle, o acompanhamento da infestação deve ser feito desde o início do ciclo da cultura, pois caso haja plantas daninhas mais desenvolvidas neste momento, isso iria diminuir o efeito dos herbicidas de controle.

Estádios reprodutivos do feijoeiro

R5 – Pré-floração

Começa com o surgimento dos primeiros botões florais. Desta fase até R7 há outro pico de demanda hídrica do feijoeiro.

Efeito da deficiência hídrica nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade relativa

Efeito da deficiência hídrica nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade relativa
(Fonte: Embrapa, 2018)

Os botões florais e as flores são extremamente sensíveis ao clima. Temperaturas maiores que 35℃ e menores que 12℃ podem provocar abortamento das flores.

A época de semeadura deve ser alocada de maneira que a floração ocorra, preferencialmente, com uma temperatura média do ar de 21℃.

A partir desta fase o feijoeiro fica mais suscetível à murcha do fusarium, à ferrugem, ao oídio e à mancha-angular.

O mofo-branco começa sua ocorrência também no início da fase reprodutiva, sendo essencial o controle de infestação dessas doenças.

R6 – Floração

Ocorre quando a planta apresenta pelo menos 50% das flores abertas. Nesta fase, pragas da vagem são a maior preocupação.

Percevejos em geral, lagarta das vagens e a helicoverpa podem ser um problema nesse estádio fenológico.

Nessa época termina o período crítico de prevenção da interferência das plantas daninhas, sendo que, de V4 até aqui (R6), é importante que haja um controle efetivo com herbicidas.

Efeito do controle de daninhas nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade

Efeito do controle de daninhas nos diversos estádios de desenvolvimento do feijoeiro sobre a produtividade
(Fonte: Kozlowski, 2002)

R7 – Formação das vagens

Neste estádio ocorre a murcha das flores e a formação das primeiras vagens, que irão definir o crescimento em comprimento.

Deficiência hídrica nesta fase induz à queda das vagens novas (canivetinhos) e prejudica a formação de grãos nas vagens, podendo representar perdas de até 68% na produtividade. 

estádios fenológicos de feijão

(Fonte: Embrapa)

R8 – Enchimento das vagens

Esta fase se inicia com o enchimento dos grãos e, consequentemente, do aumento das vagens em volume. 

Ao final desta fase, os grãos perdem a cor verde e mostram as cores características da cultivar.

Inicia-se a queda das folhas, sendo que esse é o momento ideal para a dessecação visando uniformizar e padronizar os grãos.

R9 – Maturação 

Nesta fase as vagens já estão secas e adquirem cor e brilho. Aqui é importante se atentar à aparição de carunchos que prejudicam e desvalorizam o produto durante o armazenamento.

Um dos grandes inimigos climáticos nesse estádio é a chuva, que pode depreciar a qualidade dos grãos e atrasar a colheita. Quando isso ocorre, pode se tornar um problema para a semeadura da próxima safra.

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Conclusão

Conhecer bem os estádios fenológicos do feijão é extremamente importante no manejo da lavoura, já que a partir deles programamos os tratos culturais necessários.

Neste artigo falamos sobre diversas pragas e doenças que, junto com fatores climáticos, podem prejudicar a produtividade do feijão.

Esse é um dos motivos da cultura ser vista como arriscada. Mas, com conhecimento do ciclo da planta, você poderá diminuir os riscos da lavoura para alcançar lucros ao final da safra!

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As principais doenças de culturas de inverno e como combatê-las

Doenças de culturas de inverno podem colocar sua produção a perder. Saiba como identificar as mais recorrentes e todas as recomendações de controle.

As doenças são um grande problema na lavoura, podendo colocar toda a produção a perder.

Por isso, saber identificá-las e fazer o manejo correto é essencial para garantir uma boa colheita.

Neste artigo vamos mostrar as principais doenças de culturas de inverno, como oídio, ferrugem e mancha foliar, quais suas características e as formas de controle mais recomendadas. Confira a seguir!

Importância e opções das culturas de inverno para sua propriedade

As culturas de inverno são uma ótima opção para aumentar a renda após o cultivo de verão ou mesmo diversificar as culturas agrícolas na propriedade.

Segundo a Conab, há estimativa de crescimento de 11,8% na área a ser plantada com culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale) na safra 2020. 

Para escolher o melhor plantio no inverno, considere a oportunidade da cultura agrícola na sua região, ponderando a parte econômica (venda e renda) e também as condições climáticas. 

Algumas opções de culturas de inverno são:

Nos próximos tópicos vamos mostras as principais doenças de algumas dessas culturas e as medidas de controle mais recomendadas.

Milho, sorgo e feijão também são considerados culturas de inverno, mas sobre as doenças desses cultivos preparamos um texto específico que você pode conferir aqui!

Doenças de culturas de inverno: trigo

Ferrugem comum das folhas do trigo

Causada pelo fungo Puccinia triticina, é considerada a doença mais comum na cultura, ocorrendo em grande parte das regiões produtoras de trigo no Brasil. Relatos já mostraram perdas de até 50% na produtividade em estados da região Sul do país.

A doença pode se manifestar em todas as fases do ciclo da cultura. Seus sintomas são pequenos pontos arredondados de coloração alaranjada (pústulas), principalmente na parte superior das folhas.

Ferrugem da folha (Puccinia recondita f.sp. tritici)

(Fonte: Agrolink)

Controle da ferrugem da folha do trigo:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • eliminação de plantas voluntárias;
  • controle químico (fungicidas).

Helmintosporiose

A helmintosporiose ou mancha marrom causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana é comum nas regiões mais quentes de cultivo do trigo.

Nas folhas, os sintomas são lesões elípticas de coloração cinza (regiões mais quentes). Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.

Mas esse fungo pode infectar qualquer órgão das plantas de trigo e como fonte de inóculo do fungo são considerados restos culturais e sementes.

Medidas de manejo para helmintosporiose são:

  • uso de sementes sadias e com tratamento de sementes;
  • rotação de culturas;
  • controle químico (mistura de triazóis e estrobilurinas).

Giberela 

A giberela é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo mais frequente em regiões quentes. Este fungo pode sobreviver em restos culturais e em sementes.  

A doença é considerada o principal problema que afeta as espigas de lavouras de trigo, cevada e triticale no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região centro-sul do Paraná.

Além das perdas em rendimento, pode ocorrer a presença de micotoxinas, substância tóxica produzida pelo fungo.

O fungo infecta a flor, causando sua morte. Caso consigam se desenvolver, os grãos ficam enrugados, chochos e de coloração rosa. 

Como sintomas da doença, você pode notar que as aristas de espiguetas infectadas se desviam do sentido não infectadas. Posteriormente, aristas e espiguetas adquirem coloração esbranquiçada ou cor de palha.

Maria Imaculada Lima - Giberela em trigo

(Fonte: Maria Imaculada Lima em Embrapa)

A doença é de difícil controle, por isso, algumas medidas de manejo para giberela são:

  • aplicação de fungicidas após início da floração;
  • semeaduras antecipadas.

Mancha amarela

Esta doença é mais facilmente encontrada em locais de plantio direto com monocultura. É uma das manchas mais importantes para a cultura e pode causar perdas de 50% no trigo e também na cevada.

A mancha amarela é causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis que, nas plantas de trigo, pode causar sintomas de pequenas manchas cloróticas, que evoluem e se expandem para manchas de cor palha, circundadas com halo amarelo.

doenças de culturas de inverno

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para esta doença são:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas; 
  • fungicidas;
  • eliminação de plantas voluntárias.

Septoriose

Também chamada de mancha da gluma, é causada pelo fungo Stagonospora nodorum, que pode sobreviver em restos culturais e sementes.

Como sintomas, nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de aspecto aquoso, que após algum tempo se tornam secas e de coloração parda.

São medidas de manejo para septoriose:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas;
  • controle químico.

Brusone

A brusone ou branqueamento da espiga é causada pelo fungo Pyricularia grisea, sendo também uma das doenças mais importantes na cultura do arroz

Alguns sintomas da doença são espigas de coloração branca e, no local de penetração do fungo, causa a morte acima desse ponto de penetração.

Como a giberela, a brusone é de difícil controle. Assim, uma medida recomendada é o plantio precoce da cultura de trigo.

Oídio

O oídio tem como agente causal o Blumeria graminis f. sp. tritici, que pode gerar até 60% de perdas na cultura.

Você pode observar nas folhas uma coloração branca com aspecto de pó. Os tecidos atacados apresentam coloração amarela e acabam morrendo. As plantas atacadas apresentam menor vigor, redução do número de espigas e peso dos grãos.

Leila Costamilan - Sintomas de oídio em plantas de trigo

(Fonte: Leila Costamilan em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para oídio são:

  • cultivares resistentes;
  • pulverização com fungicidas.

Doenças de culturas de inverno: aveia

Ferrugem da folha

É considerada a doença mais comum na cultura, causada pelo fungo Puccinia coronata f. sp. avenae.

Os sintomas incluem pontos pequenos e ovais de coloração alaranjada (pústulas). Com o progresso da doença, as pústulas podem se tornar mais escuras.

Ferrugem da folha (Puccinia coronata var. avenae)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • uso de fungicida;
  • eliminação de plantas voluntárias com sintomas;
  • resistência genética.

Mancha do halo amarelo

Esta doença ocorre em todos os locais de cultivo da cultura da aveia, sendo causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. coronafaciens. É considerada a segunda doença mais importante da cultura.

Aparece em folhas novas, com manchas cloróticas, com halo verde-claro a amarelado. Essas manchas podem tomar toda folha e matar o tecido. Também ocorrem sintomas no colmo e bainha.

Medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • sementes sadias.

Helmintosporiose

Essa doença, causada pelo fungo Drechslera avenae, traz dano principalmente quando há chuvas frequentes antes da colheita. Isso prejudica os grãos, que ficam escuros e perdem a qualidade.

Como sintomas ocorrem manchas largas de coloração marrom ou roxa, podendo necrosar o limbo foliar. Pode atacar também os grãos ou sementes.

Algumas medidas de manejo são:

  • eliminação de plantas voluntárias;
  • rotação de culturas;
  • sementes sadias;
  • fungicidas nos órgãos aéreos da planta. 

Doenças de culturas de inverno: girassol

Mofo-branco

O mofo-branco ou podridão branca é causado por Sclerotinia sclerotiorum, sendo considerado o fungo mais importante na cultura do girassol.

Se o fungo atacar na fase de plântula, pode ocasionar a morte e provocar falhas no estande. Mas pode haver outros tipos de sintomas conforme a parte atacada: basal, mediana e capítulo.

Na basal (do estádio de plântula até a maturação), o mofo-branco pode ocasionar a murcha da planta e lesão marrom, mole e com aspecto de encharcada. Se houver alta umidade, a lesão pode ficar coberta por um micélio branco. Além disso, podem ser encontrados escleródios nas áreas afetadas.

Já na porção mediana da planta, que ocorre a partir do estádio vegetativo, os sintomas são parecidos com os da infecção basal. Escleródios podem ocorrer dentro e fora da haste.

E no capítulo, que ocorre a partir da floração, inicialmente observam-se lesões pardas e encharcadas no capítulo, tendo a presença do micélio cobrindo algumas de suas partes. 

Com o progresso da doença, pode-se encontrar muitos escleródios no interior do capítulo. O fungo pode destruir essa estrutura floral.

doenças de culturas de inverno

Sintomas do mofo-branco no capítulo do girassol
(Fonte: Aguiar, R; Sampaio, J; Boniatti, P.  em IFMT)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • época de semeadura.

Mancha de alternaria

Doença causada por Alternaria helianthi, sendo considerada a mais comum em regiões subtropicais úmidas.

A doença pode causar necrose nas folhas, podendo ocasionar morte das células e desfolha precoce.

Inicialmente você pode observar pequenos pontos necróticos castanhos nas folhas, com halo clorótico. Com o progresso da doença, pode haver círculos concêntricos, semelhante a um alvo, que pode progredir para necrose e desfolha.

Algumas medidas de manejo são:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • escolha da época de semeadura;
  • densidade de semeadura correta para não apresentar microclima favorável.

Doenças de culturas de inverno: cevada

Mancha reticular 

A doença é causada pelo fungo Drechslera teres, considerada a principal doença da cultura de cevada.

Nas folhas com ataque deste fungo ocorrem manchas ou estrias marrons, formando rede de tecido necrosado, com halo amarelo.

Mancha angular (Drechslera teres)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de controle são:

Nanismo amarelo da cevada

Esta virose ocorre em aveia, cevada e trigo causada pelo vírus BYDV, tendo como vetor afídeos.

Como sintoma, você pode observar nas folhas mais novas manchas cloróticas, de amarelada até arroxeada.

Como medida de manejo da doença são recomendados: 

  • controle químico ou biológico do vetor; 
  • tratamento de sementes.

Para te auxiliar com a prescrição de medidas de manejo para as doenças de culturas de inverno procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão 

Culturas de inverno são uma opção para aumentar a rentabilidade e diversificar as culturas na fazenda após a safra de verão.

Neste artigo, apontamos as doenças mais recorrentes nos cultivos de trigo, aveia, girassol e cevada. 

Falamos sobre os sintomas de cada uma delas e também sobre as medidas mais efetivas de controle.

Agora que você já sabe como fazer o melhor manejo de doenças nas culturas de inverno, espero que você consiga alcançar uma boa produtividade e lucro na sua safra de inverno!

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Perspectivas para a safra de inverno!

“Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”

Você tem problemas com doenças de culturas de inverno na sua propriedade? Como realiza o manejo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Tratamento de sementes: on farm ou industrial

Tratamento de sementes: o que é, qual é a importância, como é feito, produtos utilizados e muito mais.

As sementes são um veículo de disseminação de patógenos causadores de doenças de grande relevância econômica. 

Sabendo disso, o tratamento de sementes é uma ferramenta indispensável para a produção agrícola. Essa prática assegura a sanidade das sementes e viabiliza a produção em larga escala de diferentes culturas. 

Confira a seguir um pouco mais sobre essa ferramenta agrícola e como realizá-la. Boa leitura! 

O que é o tratamento de sementes?

O tratamento de sementes é uma prática agrícola utilizada no controle de pragas e doenças na fase inicial de desenvolvimento das plantas. 

Trata-se de uma medida bastante eficiente, de caráter preventivo e de baixo custo. 

Essa prática compreende a aplicação de produtos químicos ou biológicos, inoculantes, micronutrientes, bioestimuladores e polímeros nas sementes. 

O objetivo é proteger as sementes contra o ataque de pragas e microrganismos durante o intervalo entre a semeadura e a germinação. Além disso, esse tratamento tem importante papel no manejo de pragas de armazenamento.

Essa estratégia de manejo vem sendo amplamente utilizada nas principais culturas. No Brasil, quase a totalidade das sementes de soja e de milho plantadas são tratadas, principalmente, com fungicidas e inseticidas.

Importância do tratamento de sementes

O tratamento de sementes é uma prática que garante o estabelecimento da população ideal de plantas e favorece o desenvolvimento inicial da lavoura.

A germinação das sementes atrasa quando as condições de semeadura não são favoráveis. Com o atraso desse processo, as sementes ficam expostas por mais tempo ao ataque de patógenos habitantes do solo, como os fungos Fusarium spp. e Rhizoctonia solani.

Dessa forma, o tratamento de sementes é indispensável no manejo integrado de pragas e doenças. Do ponto de vista ambiental, o tratamento apresenta baixo impacto quando comparado ao controle de pragas e doenças realizado via pulverizações foliares. 

No entanto, além dessa medida, é preciso se atentar a outras práticas de manejo, como o preparo do solo, a época adequada de semeadura, a profundidade de plantio e o vigor das sementes para assegurar o sucesso do plantio.

Essa prática impede a disseminação de fitopatógenos para áreas não infestadas. 

Produtos utilizados no tratamento de sementes

Estes são os produtos utilizados no tratamento de sementes:

● inseticidas;

● fungicidas;

● nematicidas;

inoculantes;

● micronutrientes;

● bioestimuladores;

● polímeros.

No tratamento das sementes, sempre utilize produtos com registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a cultura.

Composição do tratamento de sementes
Composição do tratamento
(Fonte: CIMMYT em AZ Agronômico)

Como tratar as sementes

Esse tratamento pode ser realizado de duas maneiras: na propriedade, também conhecido como “on farm” (na fazenda); ou de forma industrial (TSI -Tratamento de Semente Industrial).

Abaixo vou explicar melhor sobre cada um desses métodos, confira!

Tratamento de sementes on farm

O tratamento de sementes on farm é realizado na fazenda e apresenta baixo custo quando comparado ao método industrial.

Outra vantagem desse tipo de tratamento é o curto período de exposição das sementes aos produtos químicos. 

Apesar disso, tratar sementes on farm pode apresentar riscos.

Por isso, é importante seguir as normas de segurança e utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI). Durante o tratamento das sementes, o local deve estar limpo e arejado. Também é preciso respeitar a dosagem e o modo de aplicação dos produtos. 

Essas medidas evitam a contaminação do meio ambiente, garantem a eficiência do tratamento e reduzem os riscos de contaminação do trabalhador.

Depois de tratadas, não é recomendado que as sementes sejam armazenadas. É importante que elas sejam semeadas o quanto antes. 

No caso da necessidade de realizar a inoculação das sementes, o indicado é que primeiro seja feito o tratamento químico e, então, a inoculação. Essa medida evita que as bactérias inoculadoras tenham o desenvolvimento prejudicado.

Assim, a inoculação só ocorre depois que as sementes estiverem secas.

Em sementes de soja, o tratamento com defensivos químicos, a aplicação de micronutrientes e a inoculação são operações que podem ser feitas de maneira sequenciada.

Sementes de soja tratadas na fazenda
Sementes de soja tratadas na fazenda
(Fonte: Portal do Agronegócio)

Tratamento de sementes industrial (TSI)

O tratamento de sementes industrial envolve alta tecnologia e tem como principal vantagem a eficiência do processo. 

De maneira automatizada, os produtos são distribuídos na dosagem correta e de maneira uniforme, cobrindo toda a superfície das sementes. Isso garante maior precisão do tratamento.

Além disso, o tratamento industrial reduz os danos mecânicos às sementes. 

Trata-se de um método que garante maior segurança e comodidade para o produtor rural. Além de apresentar baixo impacto ambiental.

Do ponto de vista da segurança operacional, o tratamento industrial apresenta vantagem quanto ao método on farm. Isso porque o tratamento de sementes industrial reduz os riscos de intoxicação dos trabalhadores. Porém, apresenta custo mais elevado.

Outra desvantagem diz respeito ao maior tempo de exposição das sementes aos produtos químicos. Nesse caso, as sementes são tratadas e, depois, armazenadas. Assim, se o tempo de armazenamento for prolongado, a viabilidade das sementes pode ser comprometida. 

Por fim, em nenhuma hipótese utilize sementes tratadas para o consumo animal ou humano.

Entenda a biotecnologia na agricultura e confira as novidades que vêm por aí

planilha de planejamento para milho e soja

Conclusão

As sementes estão sujeitas ao ataque de fungos, bactérias, nematóides, vírus e diferentes pragas. Além disso, elas são veículo de disseminação desses patógenos. 

Dessa forma, tratar sementes é uma ferramenta preventiva e que tem o objetivo de proteger as sementes do ataque de pragas e microrganismos. Essa medida também evita que novas áreas sejam infestadas.

O tratamento de sementes pode ser feito on farm, ou seja, na propriedade, ou de forma industrial. Alguns produtos utilizados são fungicidas, inseticidas, nematicidas, polímeros e inoculantes.

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Atualizado em 06 de julho de 2023 por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Como funciona o novo herbicida Luximo para controle de daninhas resistentes

Herbicida Luximo: conheça o novo mecanismo de ação do mercado e seu desempenho no controle de invasoras.

Um dos maiores problemas da agricultura brasileira vem sendo o manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Todos os anos surgem novos casos de invasoras resistentes a diferentes modos de ação, o que dificulta o controle e agrava a situação.

Um novo produto, que atua em sítio de ação diferente, acaba de ser lançado no mercado internacional: o herbicida Luximo. Neste artigo, vou explicar a importância desse lançamento e como pode ser seu posicionamento no mercado brasileiro. Confira!

Desenvolvimento de novos herbicidas

O desenvolvimento de novas moléculas herbicidas sempre gerou grande custo no orçamento das empresas de agroquímicos. Além disso, alguns acontecimentos históricos reduziram drasticamente o lançamento de herbicidas no mundo. 

O principal fator para redução desse investimento por parte das companhias foi a chegada de cultivares transgênicos com resistência a glifosato

Como o glifosato é um herbicida não seletivo, com alta eficiência de controle mesmo em plantas mais desenvolvidas, as empresas voltaram seu recursos para desenvolvimento de culturas transgênicas e para outros setores do mercado. 

Outro ponto foram as exigências ambientais e sanitárias maiores nas últimas décadas, o que também impacta nos custos de produção das empresas, pois órgãos regulatórios só liberam produtos com baixa toxicidade ao ambiente e ao ser humano. 

Além disso, nos últimos anos houve compras e fusões de grandes empresas do setor. Consequentemente, isso diminuiu a oportunidade de metodologias de pesquisas inovadoras. 

Porém, com aumento da resistência de diversas ervas daninhas ao glifosato, muitas empresas retomaram os investimentos em novas moléculas.

As companhias também têm reavaliado moléculas descobertas no passado. São substâncias que não foram lançadas na época por não serem competitivas, mas que hoje se tornaram excelentes ferramentas para manejar a resistência de daninhas. 

Um exemplo prático é o cinmethylin, justamente o princípio-ativo do herbicida Luximo. Descoberto em 1981, só agora ganhou mercado devido ao aumento de casos de gramíneas resistentes como o azevém.

Número de novos casos de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas por mecanismo de ação no mundo

Número de novos casos de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas por mecanismo de ação no mundo
(Fonte: Heap)

Mecanismo de ação do herbicida Luximo

O herbicida Luximo, como adiantei acima, tem a cinmethylin como ingrediente ativo. Essa molécula atua inibindo a síntese ácidos graxos Tioesterase (FAT), danificando a membrana celular e a formação de novos tecidos vegetais. 

É, portanto, um herbicida recomendado para aplicação em pré-emergência das plantas daninhas.

Ao entrar em contato com sementes de daninhas no início da germinação, ele impede a formação de membranas celulares e, consequentemente, a emergência. Assim, controla várias plantas daninhas de folha estreita e algumas de folha larga!

Mesmo possuindo ação semelhante a alguns herbicidas como trifluralina e pyroxasulfone, o Luximo tem mecanismo de ação novo. E não existem casos de resistência registrados no mundo. 

O produto foi submetido a diversos estudos na Austrália, país que tem grande problema com resistência de azevém (Lolium rigidum). Sua eficiência foi testada em 130 populações suspeitas de resistência a outros herbicidas e foi eficaz em todas as populações. 

Além disso, populações com resistência simples e múltipla aos herbicidas trifluralina, pyroxasulfone e prosulfocarb já registradas na Austrália também foram tratadas com Luximo, apresentando ótimo controle. 

Desta forma, os pesquisadores australianos consideraram o novo herbicida uma importante ferramenta no combate a plantas daninhas resistentes. 

Recomendação de manejo do herbicida Luximo na Austrália

Na Austrália, esse herbicida é recomendado principalmente para controle de folhas estreitas na cultura do trigo, fornecendo controle residual de até 12 semanas

O trigo possui seletividade bioquímica ao herbicida, ou seja, tem capacidade de metabolizar parte do herbicida por meio de um complexo enzimático chamado fitocromo p450.  

Contudo, mesmo tendo essa capacidade de metabolização, os cultivos de trigo não podem ter contato com grandes quantidades do herbicida, pois poderão ter seu desenvolvimento inicial prejudicado.

Por isso, recomenda-se que a cultura seja plantada mais fundo (no mínimo 3 cm) que o convencional. 

Para melhorar a ação do produto e diminuir sua degradação, recomenda-se que seja aplicado 3 dias antes da semeadura, incorporado no processo. 

Porém, alguns ajustes devem ser realizados para que o solo tratado não seja acumulado próximo à semente. 

Provavelmente este produto será recomendado da mesma forma no Brasil ou no sistema de plante-aplique. 

Também é importante ressaltar que, assim como para outros herbicidas aplicados em pré-emergência, alguns cuidados devem tomados: 

  • Aplicação em solo úmido e livre de torrões;
  • Aplicação em solo com com menos de 50% de cobertura por palhada ou cobertura vegetal (incluindo plantas daninhas);
  • Previsão de chuvas leves nos próximos 10 dias após aplicação.

Este produto deve ser lançado no Brasil nos próximos anos e será uma importante ferramenta para o controle de plantas daninhas resistentes!

Conclusão

Vimos neste texto o atual cenário do desenvolvimento de novos herbicidas no mundo e os fatores que diminuíram o lançamento de moléculas no últimos anos. 

Também citamos a importância da inserção de diferentes mecanismos de ação no manejo de resistência de plantas daninhas, como o Luximo. 

Você conferiu o histórico de uso do produto na Austrália, primeiro país a liberá-lo comercialmente. Assim, pode entender seu papel no controle de plantas daninhas resistentes e seu possível posicionamento de mercado no Brasil. 

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Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

Você tem dúvidas sobre outros herbicidas para plantas daninhas? Já conhecia o herbicida Luximo? Adoraria ver seu comentário abaixo! 

Perspectivas para o mercado de controle biológico

Mercado de controle biológico cresce cerca de 15% ao ano e pode ser uma alternativa eficaz para sua lavoura.

Quando o assunto é controle de pragas, a primeira solução que vem à cabeça do produtor é o uso de defensivos químicos.

Mas, ao longo dos anos, muita coisa tem mudado. Desde 2011, o mercado de controle biológico vem crescendo cerca de 15% ao ano na agricultura brasileira, de acordo com a Embrapa.

Além de ser um método que tem se mostrado eficaz em muitas realidades brasileiras, é uma forma de utilizar ferramentas mais sustentáveis, principalmente pela alta demanda de alimentos mais seguros aos consumidores.

Você sabe quais as perspectivas e quais são os produtos biológicos que estão no mercado para controle de pragas agrícolas? Confira a seguir!

Mercado de controle biológico

O objetivo do controle biológico é controlar pragas através do uso de inimigos naturais – que podem ser predadores, parasitoides, microrganismos ou outros organismos benéficos. 

Nos últimos anos, o mercado de controle biológico cresceu mais de 70% no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). 

Em 2019, especulou-se uma expectativa de movimentação desse mercado de cerca de US$ 5 bilhões para 2020 em todo o mundo. 

Mesmo com esse crescimento, o consumo de produtos biológicos no Brasil corresponde a 2% do faturamento total do mercado para a proteção de plantas. 

Além de ser culturalmente aceito o uso de defensivos químicos – como a calendarização – a falta de informação contribui muito para que o controle biológico de pragas não seja implementado por muitos produtores. 

No Manejo Integrado de Pragas (MIP), preconiza-se o uso consciente de vários métodos de controle e, dentre eles, o biológico, sem eliminar o uso do controle com produtos químicos, por exemplo. 

Por isso, dentre os vários benefícios do MIP, está o uso de táticas visando a sustentabilidade do meio ambiente. Também é mais uma maneira de enfrentar os desafios da agricultura tropical

Mas, para que isso aconteça, é importante que você conheça esse mercado de controle biológico que muito tem contribuído na agricultura brasileira e pode contribuir ainda mais.

Produtos biológicos

Existem diversos defensivos biológicos produzidos por biofábricas em larga escala e comercializados para utilização no campo. 

O intuito é o mesmo com relação aos defensivos químicos: conseguir controlar as pragas agrícolas em uma velocidade ideal para não atingir níveis de dano econômico. 

São classificados como macrorganismos, microrganismos, bioquímicos e semioquímicos. 

Veja abaixo a definição de cada um deles e alguns exemplos de produtos que já são registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Macrorganismos

Os macrorganismos são os parasitoides e predadores – como insetos, ácaros e nematoides – que atuam em liberações massais no campo. 

Cotesia flavipes parasitando lagarta de Diatraea saccharalis

Cotesia flavipes parasitando lagarta de Diatraea saccharalis
(Fonte: Heraldo Oliveira)

  • Trichogramma spp. – parasitoide de ovos de lagartas lepidopteras de várias culturas, como de soja e milho
Trichogramma pretiosum parasitando ovo de lepidoptera

Trichogramma pretiosum parasitando ovo de lepidoptera
(Fonte: Koppert)

  • Neoseiulus californicus – ácaro predador para controle de ácaro-rajado em todas as culturas com presença da praga, principalmente milho e soja. 
Ácaro predador Neoseiulus californicus

Ácaro predador Neoseiulus californicus
(Fonte: Koppert)

Microrganismos 

Os microrganismos são fungos, bactérias e vírus que colonizam e/ou infectam os hospedeiros e os matam. A maioria deles atua em diferentes estágios dos hospedeiros. Veja alguns exemplos: 

Beauveria bassiana colonizando adultos e ninfas de mosca-branca

Beauveria bassiana colonizando adultos e ninfas de mosca-branca
(Fonte: MF Rural)

  • Bacillus thuringiensis – é uma bactéria que possui uma toxina que rompe o intestino de lagartas da ordem Lepidoptera, como Spodoptera frugiperda em milho e Anticarsia gemmatalis em soja. 
mercado de controle biológico

Produto biológico à base de Bacillus thuringiensis 
(Fonte: Simbiose)

  • Trichoderma harzianum – é um fungo que age como fungicida microbiológico para controle de fungos e nematoides presentes no solo. 
Trichoderma harzianum

Trichoderma harzianum 
(Fonte: Koppert)

Bioquímicos 

Os produtos bioquímicos são sintetizados à base de extratos vegetais, algas, enzimas e hormônios. Estes atuam como estimulantes de defesa das plantas e como pesticidas naturais. 

  • Óleo de Neem – produto à base de extrato da planta de nim (Azadirachta indica Juss). 
mercado de controle biológico

Produto à base de óleo de Neem para controle de pragas
(Fonte: Grow Plant)

Semioquímicos

Os semioquímicos são substâncias químicas produzidas por organismos que têm funções de alterar o comportamento de outros organismos. Existem dois tipos deles: 

  • Feromônios – utilizados para comunicação de uma mesma espécie (são produtos específicos para cada espécie em que se requer controle ou monitoramento). 
  • Aleloquímicos – utilizados na comunicação entre insetos de espécies diferentes. 
Feromônio sintético para Spodoptera frugiperda

Feromônio sintético para Spodoptera frugiperda
(Fonte: BioControle)

Novos produtos no mercado de controle biológico

No ano de 2019, o Mapa aprovou o registro de 474 defensivos e, dentre eles, 40 foram produtos biológicos e orgânicos. 

Recentemente, foram aprovados dois defensivos biológicos inéditos. 

Um dos produtos é à base de alho, sendo, portanto, um produto bioquímico. Este poderá ser utilizado para controle de nematoides que atacam raízes das plantas. 

O outro produto é um macrobiológico, o ácaro Amblyseius tamatavensis que controla a mosca-branca (Bemisia tabaci Biótipo B), predando ovos e ninfas da praga.  

Um ponto importante a ser comentado é que, para registro de novos fitossanitários biológicos, o processo é o mesmo que para defensivos químicos. 

Pela Lei 7.802 e Decreto 4.074, é necessário que os produtos passem pela avaliação de três órgãos federais: 

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – órgão responsável por avaliar a eficiência agronômica dos produtos;
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – avalia o impacto para a saúde humana;
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – avalia os impactos no meio ambiente.

Com o aumento da procura pelo biológicos, tudo indica que, nos próximos anos, outros produtos serão registrados e estarão ao alcance do produtor para uso. 

Biofábricas

Se tudo que foi falado aqui é novidade para você e não sabe onde encontrar as biofábricas, o Governo Federal disponibilizou uma plataforma com a localização de todas as biofábricas no território nacional. 

Hoje são mais de 80 empresas em todo o Brasil, incluindo multinacionais. 

Mapa para localização de biofábricas no Brasil

Mapa para localização de biofábricas no Brasil 
(Fonte: Governo Federal)

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Conclusão

Neste artigo você viu que o mercado de controle biológico no Brasil está em crescimento, apesar do maior consumo para proteção de plantas ainda ser de defensivos químicos. 

Os defensivos biológicos podem ser classificados em macrobiológicos, microbiológicos, bioquímicos e semioquímicos. 

Todos os produtos devem ser registrados pelo Mapa e já existem mais de 80 biofábricas por todo o território nacional. 

>> Leia mais:

“O que são bioinsumos e como eles podem ajudar a reduzir custos”

Restou alguma dúvida sobre o mercado de controle biológico? Você já utiliza alguns deles na sua lavoura? Deixe seu comentário!

Como fazer o correto monitoramento da produtividade de culturas

Monitoramento da produtividade de culturas: entenda para que servem, os sensores envolvidos e como confeccioná-los corretamente.

O entendimento das lavouras é essencial para tomada de decisões na hora do manejo dos talhões.

Os mapas de produtividade são um dos melhores indicadores do conhecimento do ciclo das culturas. Com monitoramento é possível entender as manchas da lavoura e otimizar a produção.

Conheça neste artigo como gerar mapas para fazer o correto monitoramento da produtividade de culturas e melhorar os resultados da sua lavoura. 

O que são mapas de produtividade

Os mapas de produtividade são indicadores da quantidade colhida em determinado local (com auxílio de um GPS ou receptor GNSS) em uma determinada distância percorrida.

Eles são considerados o pontapé inicial para aqueles que desejam aplicar técnicas de agricultura de precisão em suas fazendas.

Para simplificar o entendimento, o monitoramento da produtividade de culturas contém as seguintes informações básicas:

  • quantidade de produto colhido;
  • tamanho da área onde foram colhidos os produtos;
  • coordenadas dos pontos onde foram colhidos os produtos;
  • sensores auxiliares.
Monitoramento da produtividade de culturas

Fonte: (Milho Amarelo)

De acordo com estas informações é possível criar mapas de produtividade. Porém, seu processamento em softwares dedicados e análises posteriores exigem certo conhecimento para geração de mapas confiáveis.

Junto com as informações básicas, diversos sensores atuam para que o mapa de produtividade agrícola seja fidedigno ao que encontramos em campo.

A aquisição dos dados de produtividade pode ser realizada de forma direta ou indireta.

De forma direta, sensores mensuram as medições de massa e volume. A aquisição indireta envolve sensores que estimam a quantidade colhida por meio de sinais elétricos ou hidráulicos, como por exemplo, a pressão do picador da colhedora de cana.

Sensores necessários para criar os mapas 

Alguns sensores acessórios são utilizados para confeccionar os mapas de produtividade necessários para o monitoramento de produtividade de culturas.

Eles podem ser ópticos, gravimétricos, volumétricos ou, ainda, uma combinação de alguns deles.

Nas colhedoras de grãos, os sensores mais comuns são os gravimétricos, do tipo “placa de impacto”. São semelhantes às balanças que mensuram a quantidade de grãos colhidos naquela coordenada e área.

Os volumétricos também são bem comuns nas colhedoras de grãos. Eles são sensores ópticos que mensuram o volume de produto em cada talisca do elevador. 

volumétrico Planters Precision

(Fonte: Planters Precision)

Associados a estes sensores, geralmente as colhedoras possuem sensores de umidade dos grãos para calibração para uma umidade padrão, para conversão futura, usando os grãos na mesma umidade. 

Os teores de umidade para colheita de soja e milho podem variar de 12% a 15%, de acordo com as variedades e cultivares utilizadas. Mas, dentro das lavouras, a umidade nos grãos varia e o sensor serve para calibrar todos os valores para um padrão pré-estabelecido.

Em culturas como a da cana-de-açúcar existem ainda opções que mensuram volume do que passa no elevador da colhedora, utilizando câmeras fotográficas. 

Em batata e beterraba, por exemplo, sensores utilizam uma célula de carga (que nada mais é do que uma balança também) que mensura a massa em kg/s.

Como confeccionar os mapas para monitoramento da produtividade de culturas

O monitoramento da produtividade de culturas possui inúmeros sensores que devem estar calibrados no momento anterior à colheita.

Porém, durante a operação, podemos ter os grãos de soja, óleo e sujeira agregados aos sensores, acarretando possíveis erros na coleta dos dados.

O receptor GNSS pode apresentar erros de deslocamento durante a colheita em momento de possíveis perdas de sinal.

Diversas configurações selecionadas no momento da colheita podem ser escolhidas erroneamente como, por exemplo, o tamanho da plataforma, manobras no meio do talhão ou nas bordaduras.

Em resumo, os mapas de produtividade possuem erros no conjunto de dados, por isso, é necessário limpar esses erros durante o processamento para obtermos melhores resultados após a colheita.

Na imagem a seguir vemos a diferença do mapa de produtividade interpolado sem filtrar os dados e o mapa interpolado com os dados filtrados. Este último é mais representativo ao que temos no campo. Veja:

Dados de produtividade de soja originais e após a filtragem utilizando o software MapFilter 2.0

Dados de produtividade de soja originais e após a filtragem utilizando o software MapFilter 2.0

Para o pós-processamento devemos nos atentar a alguns fatores como:

  1. Filtragem dos dados 
  2. Interpolação
  3. Criação dos mapas de recomendação

Para o processo de limpeza dos dados, pode-se utilizar softwares como o Excel, softwares estatísticos ou também o MapFilter 2.0 disponibilizado pelo LAP neste link.

MapFilter 2.0

(Fonte: LAP)

O MapFilter 2.0 é um software para filtragem de dados de alta densidade. Ele analisa globalmente e localmente a qualidade dos dados coletados e utiliza parâmetros estatísticos para classificar um dado ponto no conjunto de dados, analisando seus vizinhos em um raio pré-determinado. 

Mapas de biomassa da vegetação

Uma forma indireta de realizar o monitoramento da produtividade das culturas é por meio das análises dos mapas de biomassa da vegetação.

As análises dos mapas de NDVI da lavoura podem auxiliar a entender regiões mais produtivas dentro dos talhões.

É possível contratar mapas de NDVI dentro do Aegro.

Ative o Aegro Imagens pelo seu software de gestão agrícola e aguarde até que as primeiras imagens de satélite fiquem prontas.

Depois disso, suas imagens poderão ser visualizadas dentro das safras pelo ícone do Aegro Imagens, que fica no canto superior esquerdo do mapa.

Ao clicar em um talhão específico, você verá o histórico de imagens geradas para aquela área. A graduação de cores indicará se o índice de vegetação é alto ou baixo.

Você também poderá analisar os mapas de NDVI juntamente com o histórico de operações realizadas em cada área da plantação, checando se as suas atividades de manejo estão tendo o resultado esperado.

Dentro do Aegro, os mapas NDVI são extremamente úteis para o planejamento de operações nas suas safras e servirão de base para tomadas de decisões assertivas.

Mensurações a campo

Mensurações a campo também podem ser utilizadas para o monitoramento da produtividade de culturas.

Para calcular a expectativa de produtividade de soja, siga os seguintes passos:

1 – Conte o número de vagens em 10 plantas consecutivas e divida o resultado por 10

Ex: 10 plantas ao todo deram 200 vagens, média de 20 vagens por planta (200/10).

2 – Conte o número de grãos nas vagens e divida pelo número de vagens

Ex: 60 vagens ao todo deram 150 grãos, média de 2,5 grãos por vagem (150/60).

3 – Olhe o peso de 1.000 grãos para o híbrido que você utilizou

Ex: 200g é o peso de 1.000 grãos desse híbrido.

Plantas por hectare: 343.750 mil plantas

Vagens por planta: 20 vagens

Grãos por vagem: 2,5 grãos

Peso de mil grãos: 200 gramas

Use a seguinte fórmula:

Monitoramento da produtividade de culturas

Para o nosso exemplo, a produtividade esperada é de 57,29 sc/ha.

As mensurações em campo não conseguem amostrar toda a área da lavoura, sendo, neste caso, estimativas baseadas em modelos estatísticos para tentar estimar a produtividade de cada talhão.

Os mapas de produtividade proveniente das colhedoras são os mais indicados para o correto entendimento das manchas nas lavouras.

Como usar os mapas nas recomendações

O monitoramento da produtividade de culturas pode ser usados para repor os nutrientes exportados anualmente pelas culturas e otimizar as aplicações de insumos nas áreas.

mapa de aplicação de calcário

(Fonte: Unesp)

Os mapas de exportação são criados multiplicando o valor dos pixels no mapa de produtividade pelos valores de exportação daquele nutriente pela cultura, kg de nutriente por kg de produto colhido.

Com os mapas de exportação, é possível criar os mapas de recomendação de acordo com o produto a ser aplicado em cada talhão.

As manchas encontradas nas lavouras podem se repetir ao longo dos anos, ou seja, locais de alta produtividade. Ano após ano, podem apresentar produtividades sempre mais elevadas.

As manchas de baixa e média produtividades podem apresentar as mesmas características. Como devemos proceder nestes casos?

Os talhões que apresentarem manchas que se repetem ao longo do ano podem ser manejados utilizando ferramentas de agricultura de precisão.

Nestes casos, a gestão localizada deve ser utilizada criando recomendações baseadas nas manchas, buscando explorar economicamente as regiões de alta e baixa produtividades das lavouras.

Aplicação dos insumos em doses variadas, neste caso, será muito mais eficiente quando comparado com aplicações pela média.

Áreas de alto potencial devem ser exploradas para atingir maiores produtividades com maiores doses de adubações. Já áreas de baixo potencial devem receber apenas os insumos necessários para a manutenção da produtividade.

Dessa forma, áreas de baixo potencial, com redução de custos com aplicação de insumos desnecessários também gerarão maior retorno econômico.

Conclusão

O monitoramento da produtividade de culturas auxilia a entender melhor a lavoura.

A análise histórica dos mapas de produtividade pode otimizar a aplicação dos insumos em doses variadas, gerando maior retorno financeiro inclusive.

Os mapas de produtividade, desde que bem confeccionados, são os primeiros passos para quem deseja implantar conceitos de agricultura de precisão em suas áreas.

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Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Você já possui os mapas de produtividade das suas lavouras? Restou alguma dúvida sobre o monitoramento de produtividade de culturas? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Nuvem de gafanhotos no Brasil: devemos nos preocupar e o que podemos aprender?

Nuvem de gafanhotos no Brasil: Entenda o contexto histórico, as principais características desses insetos e quais medidas o país tem tomado.  

Você deve ter acompanhado inúmeras reportagens na últimas semanas falando sobre a nuvem de gafanhotos que se aproximava do Brasil. 

Muitas exploraram até um lado sensacionalista, falando sobre devastação das plantações. 

Mas será que essa nuvem realmente é um perigo iminente? 

Acompanhe neste artigo o histórico das nuvens de gafanhotos no Brasil, comportamento desse inseto, situação atual da nuvem e as medidas que estão sendo tomadas pelo governo brasileiro!

Histórico de nuvens de gafanhotos no Brasil

Ao contrário do que se imagina, essa nuvem de gafanhotos não é o primeiro acontecimento do tipo que ocorre no Brasil ou em países próximos.

O Brasil possui espécies de gafanhotos nativas que tem esse mesmo hábito migratório, por exemplo, a espécie Rhamamtocerus pictus no estado de Rondônia

A diferença é que as espécies nativas no Brasil têm menor capacidade reprodutiva e não percorrem distâncias tão grandes.

Espécie de gafanhoto migratório presente no Brasil

Espécie de gafanhoto migratório presente no Brasil (Rhammatocerus pictus)
(Fonte: Agrolink)

Gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata, presentes na nuvem atual, já tiveram ocorrência no Brasil nos anos de 1947/48

E, por mais que apresentem grande agressividade, ainda não são tão nocivos quanto os encontrados no continente africano, por exemplo. 

Nuvem de gafanhotos no continente africano

Nuvem de gafanhotos no continente africano
(Fonte: Hypeness)

Principais informações sobre os gafanhotos sudamericanos (Schistocerca cancellata)

Os gafanhotos que compõem esta nuvem, que está se movimentando próximo à região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), são da espécie Schistocerca cancellata provenientes da região do chaco, no Paraguai

São popularmente chamados de gafanhotos sudamericanos.  

Essa espécie, devido a padrões evolutivos, desenvolveu uma característica migratória para assegurar a sobrevivência. 

Em geral, esses gafanhotos não possuem hábitos migratórios durante seu ciclo de vida. Mas, pela interação com um conjunto de fatores, alguns indivíduos se diferenciam dos demais, adquirindo características migratórias. 

Quando isso ocorre, normalmente a espécie acaba migrando próximo à fronteira do Paraguai, Argentina e Bolívia.

 Porém, esse ano teve uma rota diferente – o que não acontecia há 70 anos

Ciclo de vida do gafanhoto sudamericano (Schistocerca cancellata)

Ciclo de vida do gafanhoto sudamericano (Schistocerca cancellata)
(Fonte: El Diario)

Os fatores que impulsionam essa mudança de habitat são:

  • falta de alimento;
  • condições climáticas desfavoráveis (temperaturas acima de  30℃).

A principal diferença entre os gafanhotos que permaneceram no local de origem e os que iniciaram a migração está na cor. Confira suas fases de desenvolvimento na figura que eu separei: 

Nuvem de gafanhotos no Brasil

Estádios de desenvolvimentos do gafanhoto sudamericano (Schistocerca cancellata) com características migratórias e não migratórias
(Fonte: Entomology Today)

Nuvem de gafanhotos no Brasil: informações importantes e trajetória

O que realmente impressiona nesta nuvem é a quantidade de indivíduos migrantes: são cerca de 400 milhões de gafanhotos, o que equivale a uma área de aproximadamente 10 km2

Considerando que um gafanhoto pode consumir aproximadamente duas gramas de matéria verde por dia, essa nuvem poderia consumir uma quantidade de matéria verde por dia semelhante a um rebanho com 20 mil bovinos.

Ataque do gafanhoto sudamericano a uma lavoura de milho

Ataque do gafanhoto sudamericano a uma lavoura de milho
(Fonte: Guía Rural del Paraguay)

Esses insetos aproveitam o dia para se deslocar e, ao entardecer, pousam em uma região para se alimentar e ovipositar. Na manhã seguinte, continuam o trajeto. 

Além do estrago ocasionado pela alimentação no local de pouso, cada fêmea pode ovipositar de 80 a 100 ovos no solo deste local.

Levando em consideração que cada fêmea poderá realizar até 6 posturas durante sua vida, muitos locais podem ser infestados. 

O inseto insere parte do seu corpo no solo e deposita os ovos. Além disso, excreta uma substância que impermeabiliza os ovos, protegendo-os da umidade. 

Postura de ovos do gafanhoto sudmericano no solo

Postura de ovos do gafanhoto sudmericano no solo
(Fonte: Senasa)

Entre 15 e 61 dias após a deposição no solo, os ovos podem eclodir, contudo, é necessário que ocorra no mínimo 25 mm de chuva.

Assim, surgem as primeiras ninfas que, inicialmente, se desenvolveram para saltões, indivíduos menores que não possuem asas, mas que continuam saltando seguindo a trajetória da nuvem.

Por isso, é de suma importância que, além de controlar a nuvem, seja feito o controle das novas gerações de insetos provenientes dos ovos. Vou explicar melhor a seguir. 

Trajetória 

No momento que esses gafanhotos iniciam a migração, a trajetória percorrida já está previamente determinada. Em alguns momentos, são feitos desvios para utilizar as correntes de ar favoráveis e evitar condições climáticas desfavoráveis. 

Alguns pesquisadores acreditam que essa trajetória seja determinada por algum tipo de atração magnética. Até o momento, porém, isso não foi provado. 

Baseados nessas informações, pesquisadores da Epagri, em parceria com outras instituições de pesquisa, calcularam as possíveis rotas que a nuvem poderia adotar, conforme a trajetória já percorrida e previsões climáticas. 

Previsão de movimentação da nuvem de gafanhotos sudamericanos em junho 
(Fonte: Epagri)

Por isso, entendeu-se que a possibilidade desta nuvem ocasionar problemas em território brasileiro é muito baixa. 

Entretanto, como medida preventiva, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disponibilizou uma portaria com aspectos legais e medidas de controle destes gafanhotos. 

Medidas de controle recomendadas pelo Brasil

O primeiro passo importante no controle destes gafanhotos é o monitoramento. Os órgão responsáveis devem acompanhar o deslocamento da nuvem e, principalmente, demarcar os locais de pouso. 

As medidas de controle recomendadas pelo Mapa são divididas em duas frentes: controle da nuvem e controle das novas gerações. 

Controle da nuvem

Recomenda-se que a nuvem seja acompanhada pelos órgãos responsáveis e que, ao pousar, imediatamente seja demarcado o local, determinando a área a ser tratada e como será a forma de aplicação. 

Após isso, deve-se fazer um levantamento dos produtos químicos disponíveis na região, para que aplicação seja realizada na primeira hora do próximo dia. 

Dependendo do local onde estes gafanhotos pousarem, algumas situações podem dificultar o manejo. Em uma área florestal, por exemplo, o método de aplicação e cobertura do alvo são mais complicados. 

Assim, para auxiliar a tomada de decisão, o Mapa disponibilizou produtos que podem ser utilizados e suas dosagem para diferentes culturas. Também há recomendações para culturas que não tem esses produtos registrados. 

Para ter acesso a essa recomendação, acesse o Manual de controle do gafanhoto sudamericano do Mapa.

Controle de novas gerações

No caso das novas gerações, após demarcação do local de oviposição, deve-se acompanhar até o momento da saída dos indivíduos da terra e determinar o trajeto que irão percorrer e as dimensões da área tratada. 

Uma primeira opção seria o cultivo mecânico da área, expondo os ovos ao sol para que se desidratam. Porém, o Mapa recomenda que essa seja última opção, sendo adotada apenas em regiões onde o manejo químico não será possível.  

Devido à menor mobilidade, pode-se realizar uma área menor de tratamentos, onde aplicam-se faixas de 30m a 50 metros, dependendo do sentido do vento, com intervalos de 150m a 500 metros, dependendo do estádio dos insetos, seguindo o sentido de deslocamento.  

Assim, uma quantidade menor de produto é necessária e os insetos serão controlados ao se deslocarem sobre o solo tratado. 

Atual situação da nuvem de gafanhotos

A nuvem de gafanhotos permanece na Argentina neste começo de julho, ainda na região de Corrientes (cerca de 130 km do Brasil), segundo monitoramento do Senasa (Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina).

Uma informação recente que tranquiliza os produtores brasileiros são as notícias da eficiência de controle da nuvem pelo governo do país vizinho. 

Os poucos indivíduos não controlados, devido às condições climáticas, tiveram um deslocamento curto (4 km) e o governo argentino já está monitorando para finalizar seu controle.  

Mesmo assim, estados do Sul do Brasil ainda mantêm alerta de risco da entrada da praga no país. 

Mas o país demonstra estar preparado para controle destes invasores, caso ocorra uma nova migração. 

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Conclusão

Vimos neste texto que nuvens de gafanhotos não são um assunto totalmente novo no Brasil, que já registrou casos inclusive da mesma espécie no passado. 

Entendemos algumas características que tornaram esses gafanhotos importantes, como sua alta taxa reprodutiva e alimentar. Além disso, entendemos por que esses gafanhotos têm esse hábito migratório. 

Vimos que a perspectiva é que esta nuvem não chegue ao Brasil, porém, se acontecer, o governo brasileiro já estabeleceu medidas de contenção da praga. 

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Restou alguma dúvida sobre a nuvem de gafanhotos no Brasil? Já tinha ouvido falar sobre problemas do tipo? Deixe seu comentário!

Como e por que usar Azospirillum no milho

Azospirillum no milho: Conheça os benefícios dessa bactéria para a cultura e as dicas de como utilizá-la em sua lavoura.

Com certeza você já escutou falar sobre a fixação biológica de nitrogênio. E, provavelmente, a primeira associação que veio à sua cabeça foi a da soja com a bactéria do gênero Rhizobium

Mas não é só na cultura da soja que isso pode acontecer! Você sabia que o milho também se beneficia da associação com bactérias?

Neste artigo vamos falar sobre a associação de bactérias do gênero Azospirillum no milho, quais os benefícios e como utilizá-la. Confira a seguir!

Qual o papel da Azospirillum brasilense na cultura do milho?

A bactéria do gênero Azospirillum faz parte das bactérias promotoras de crescimento de plantas (BPCP).

As BPCP são microrganismos benéficos às plantas, pois colonizam a superfície das raízes, rizosfera, filosfera e tecidos internos das plantas.

Assim, as BPCPs são capazes de estimular o crescimento das plantas devido a alguns fatores como:

  • fixação biológica de nitrogênio;
  • aumento na atividade da redutase do nitrato;
  • produção de hormônios;
  • solubilização de fosfato e;
  • por atuarem como agente de controle biológico de patógenos.
Efeito da inoculação de milho com as estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense no crescimento radicular

Efeito da inoculação de milho com as estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense no crescimento radicular, coloração verde e altura das plantas em ensaios conduzidos a campo 
(Fonte: Hungria et al. (2011))

Essas bactérias, que são capazes de fixar nitrogênio, associam-se com várias plantas e possuem a capacidade de quebrar a ligação tripla entre os dois átomos de nitrogênio por meio de uma enzima chamada de dinitrogenase.

Deste modo, conseguem reduzir o nitrato para amônia e, assim, as plantas conseguem utilizá-lo. 

Entretanto, bactérias do gênero Azospirillum são consideradas associativas e excretam apenas uma parte do nitrogênio fixado diretamente para a planta associada. Portanto, suprirá parcialmente as necessidades das plantas em nitrogênio.

Aspecto da parcela com milho inoculado

Aspecto da parcela com milho inoculado com Azospirillum e recebendo apenas 24 kg N/ha na semeadura, em ensaio conduzido na safra 2009/10 na Embrapa Soja, Londrina, PR. 
(Fonte: Hungria et al. (2011))

O uso de inoculantes com Azospirillum no milho, portanto, visa reduzir a necessidade de adubação nitrogenada e melhorar a produtividade de grãos. 

Mas isso também vai depender do híbrido utilizado, de condições edafoclimáticas e do manejo adequado, como vou explicar melhor a seguir.

Quais os benefícios da bactéria no milho?

A associação das bactérias com as raízes de gramíneas incluem vários benefícios e vantagens.

Estes benefícios ocorrem devido ao maior desenvolvimento das raízes, que acabam aumentando a absorção da água e minerais.

Através da produção de hormônios vegetais ocorre um estímulo ao desenvolvimento do sistema radicular. 

Assim, com maior volume, comprimento, massa e superfície de raízes, as plantas conseguem explorar melhor o solo, absorvendo mais nutrientes.

Dentre os principais benefícios podemos citar:

  • aumento relativo de massa seca;
  • acúmulo de nutrientes;
  • aumento de produtividade;
  • estímulo do crescimento da planta;
  • síntese de hormônios (ácido indol-acético (AIA), giberelinas e citocininas);
  • melhoria do fornecimento de nitrogênio para a cultura do milho;
  • maior tolerância a estresses (salinidade e seca);
  • maior tolerância a agentes patogênicos de plantas.

Além dos benefícios citados acima, há relatos na literatura de melhora nos parâmetros fotossintéticos das folhas como:

  • maior teor de clorofila;
  • maior condutância estomática;
  • teor maior de prolina na parte aérea e raízes;
  • melhoria no potencial hídrico;
  • incremento no teor de água do apoplasto;
  • maior elasticidade da parede celular;
  • produção maior de biomassa;
  • maior altura de plantas;
  • incremento em pigmentos fotossintéticos (clorofila a, b, e pigmentos fotoprotetores auxiliares, como violaxantina, zeaxantina, ateroxantina, luteína, neoxantina e beta-caroteno);

Além, é claro, da maior produção de raízes, maior altura de plantas e coloração mais verde pelo maior teor de clorofila.

Fatores que afetam a atividade de Azospirillum brasilense no solo

Alguns fatores podem afetar a atividade das bactérias no solo, entre eles podemos citar:

  • pH;
  • umidade;
  • temperatura;
  • disponibilidade de fontes de carbono.

Como vemos, para que as bactérias consigam ter um bom desempenho é preciso que façamos um correto manejo da fertilidade do solo.

Assim, é fundamental fazer a correção de acidez com calcário para elevar o pH e neutralizar alumínio, realizar a rotação de culturas e adotar o sistema de plantio direto.

A palha do sistema de plantio direto, por exemplo, aumenta a retenção de umidade no solo, reduz a amplitude térmica e aumenta o carbono orgânico.

Azospirillum no milho: como fica a produtividade

Vamos ver agora alguns trabalhos que mostram as vantagens no uso de Azospirillum brasilense para produtividade de milho.

Na tabela abaixo você pode ver o efeito da inoculação com estirpes de Azospirillum brasilense e Azospirillum lipoferum no rendimento (kg de grãos ha-1) de milho.

tabela com efeito da inoculação com estirpes de Azospirillum brasilense e Azospirillum lipoferum

(Fonte: Hungria et al. (2011))

A figura abaixo mostra os teores de nitrogênio nas folhas e nos grãos de milho.

teores de nitrogênio nas folhas e nos grãos de milho

(Fonte: Hungria et al. (2011))

No trabalho acima, os autores mostraram que a inoculação com a aplicação de 24 kg/ha de nitrogênio na semeadura do milho resultou em rendimentos de 3.400 kg/ha. 

Já com o adicional de 30 kg/ha no florescimento do milho, foi possível atingir rendimentos de 7.000 kg/ha com a inoculação.

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Cuidados com a compra do inoculante contendo Azospirillum

Quando compramos um inoculante deste tipo precisamos ter alguns cuidados diferenciados. Aqui você pode ver alguns deles:

  • Verifique se o produto apresenta o número de registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);
  • Verifique o prazo de validade do inoculante;
  • Certifique-se que o produto esteve conservado em condições adequadas de umidade e temperatura (máximo 30℃);
  • Conserve o inoculante em local protegido do sol e arejado até a utilização;
  • De acordo com a legislação, inoculantes à base de Azospirillum devem ter concentração mínima de 108 células/g ou mL de inoculante.

Como deve ser feita a inoculação das sementes com Azospirillum

A inoculação das sementes requer alguns cuidados. Separei abaixo alguns itens que você deve se atentar:

  • A distribuição do inoculante líquido nas sementes deve ser uniforme;
  • Sempre verifique a temperatura na hora da semeadura, checando também a temperatura no depósito de sementes da máquina;
  • Evite deixar as sementes expostas ao sol;
  • A inoculação diretamente na caixa semeadora dificulta a cobertura uniforme das sementes;
  • Caso o depósito de sementes na máquina esteja com temperatura superior a 35℃, você precisará parar para resfriar a caixa;
  • Após a inoculação, você deverá semear imediatamente ou, no máximo, dentro de 24 horas;
  • No caso de sementes tratadas com fungicida, inseticidas e/ou micronutrientes, o inoculante deve ser colocado por último.

Você pode usar o Azospirillum brasilense de diversas formas, entre elas estão:

  • inoculação de sementes;
  • sulco de semeadura;
  • pulverizações.

É muito importante aproximar a semente do milho à bactéria, por isso o uso no sulco de semeadura é uma boa opção.

Conclusão

Neste artigo vimos a importância das bactérias do gênero Azospirillum no milho.

Mostramos quais os benefícios e dicas de como utilizar na sua lavoura para auxiliar na fixação biológica de nitrogênio. 

Além disso, citamos técnicas importantes que precisam ser seguidas se você deseja utilizar essa tecnologia.

>>Leia mais:

Plantio de milho: como garantir a alta produção

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Você usa Azospirillum no milho? Quais foram seus resultados? Adoraria ler seu comentário abaixo!