Solo argiloso: o que muda no seu manejo

Solo argiloso e suas especificidades: características, diferentes tipos e recomendações para o melhor manejo.

Um bom planejamento agrícola começa com a identificação das necessidades de seu solo. 

É a análise dele que nos ajudará no caminho para uma boa safra e manejo.

Mas não são só as necessidades e qualidades químicas de um solo que decidem sua produção. As características físicas desse solo fazem muita diferença.

Neste artigo, falamos sobre o solo argiloso e as orientações de como manejá-lo da melhor maneira. Confira a seguir! 

Diferentes tipos de solo

Solo é formado basicamente de silício, hidrogênio, oxigênio, alumínio e magnésio. Do Oiapoque ao Chuí, os solos são extraordinariamente variados e heterogêneos.

A espessura, a cor e a diferenciação em horizontes, por vezes, mudam em alguns metros de distância em função da natureza do substrato rochoso; do declive; da vegetação; e de seu uso pelo homem. 

Os solos brasileiros são altamente intemperizados, com mineralogia da fração argila composta de caulinita e óxidos de ferro e de alumínio.

O tipo de solo interfere nos componentes físicos, químicos e biológicos, sendo eles:

Físicos Agregação 

  • Densidade do solo; 
  • Infiltração de água; 
  • Retenção de água; 
  • Umidade do solo; 
  • Temperatura do solo; 
  • Profundidade do sistema radicular;
  • Textura do solo. 

Químicos 

  • C e N orgânicos; 
  • pH; 
  • Condutividade elétrica; 
  • N inorgânico (NH4 e NO3); 
  • P e K; 
  • Mineralogia. 

Biológicos

  • Biológica biomassa microbiana (C e N); 
  • N e C mineralizável; 
  • Respiração do solo, simbiose (rizóbio, micorriza); 
  • Relação de fungo bactéria; 
  • Dinâmica da água. 

O estado da superfície do solo indica o grau de estabilidade da estrutura e conservação do solo. 

É com um diagnóstico da superfície e subsuperfície (0-20 cm e 20-40 cm) que você poderá avaliar se ele suportará o impacto das chuvas, aquecimento e ressecamento pelo sol, pressão das máquinas ou pisoteio dos animais. 

O que é um solo argiloso?

Também conhecido como “solo pesado”, o solo argiloso é composto por mais de 30% de argila. 

Primeiro, é importante entendermos melhor o que é a argila: uma partícula de rocha com tamanho inferior a 2 µm (micrômetros). Ou seja, um cristal de rocha, bem menor que um grão de areia. 

E, dependendo da quantidade desse tipo de material, ele interfere em características do solo. A argila promove estabilização química e proteção física do solo.

Esses solos são bastante utilizados na agricultura por reterem mais nutrientes, devido à menor lixiviação, e maior quantidade de água em relação aos solos arenosos.

Ele também é utilizado para fabricação de objetos feitos de cerâmica, como tijolos e telhas.

Características do solo argiloso

  • Teores de argila acima de 30%;
  • Solos profundos; 
  • Transição difusa entre camadas A e B, com formação de grãos pequenos e compactos; 
  • Quantidades de óxidos de ferro e alumínio;
  • Maior capacidade de retenção de água, mas não necessariamente essa água está mais disponível para as plantas em crescimento;
  • Mais resistente à erosão;
  • Maior possibilidade de compactação

Outra característica importante desses solos é que, quando o teor de argila é muito alto, e após a chuva intensa, o solo pode ficar encharcado rapidamente. 

Tal situação compromete a circulação do ar entre os poros, prejudicando o desenvolvimento da planta.

Diferentes tipos de argila

Existem dois tipos principais de argilas que é importante que você conheça: a argila 1:1 e 2:1. Elas fazem diferença no tipo aptidão do solo e nos manejos que você pode conferir a eles.

Os principais argilominerais 1:1 são: caulinita, gibbsita, goethita e a hematita. Elas são compostas por argilominerais organizados estruturalmente em uma camada de tetraedros de silício, seguida de uma camada de octaedros de alumínio.

Os principais argilominerais 2:1 são: esmectita e vermiculita. Elas são compostas por argilominerais estruturalmente formadas por uma camada de octaedros de alumínio entre duas camadas de tetraedros de silício.

Solos com argila 2:1 possuem maior CTC pelo arranjo estrutural que permite maior entrada de água e nutrientes nas entrecamadas, promovendo uma alta saturação por bases e ótima fertilidade natural.

E ele interfere de forma geral na fertilidade do solo. No blog, nós mostramos como realizar a gessagem de acordo com o teor de argila do solo. Confira: “Gesso agrícola: como utilizar da melhor forma e elevar a produção

Coloides em solo argiloso

Coloides são os principais responsáveis pela atividade química do solo. 

Em geral, os coloides argilosos excedem o número de coloides orgânicos do solo. Todos os coloides apresentam uma carga negativa, ou seja, eles podem reter ou atrair cargas positivas. 

Potássio, sódio, hidrogênio, cálcio e magnésio possuem carga positiva. Desse modo, nesse tipo de solo, menor é a lixiviação de nutrientes em comparação com solo arenoso.

solo argiloso

Atração dos cátions pelos colóides do solo; ânions são repelidos 
(Fonte: Nutrição de safras)

3 dicas para melhorar seu manejo em solo argiloso

Avaliação da umidade

O solo argiloso faz bem o serviço de acumular água. Por isso, é importante avaliar o grau de umidade para as operações mecânicas que serão realizadas neste solo.

Poucas culturas gostam de solos inundados, exceto o próprio arroz irrigado. 

É importante avaliar questões como a necessidade de criação de drenagem ou até mesmo terraceamento dependendo da área. 

Conheça sua CTC

Os teores de argila interferem nos diferentes tipos de solos. 

Em geral, um solo argiloso possui alta capacidade de troca catiônica (CTC), além de baixo potencial de lixiviação.

A CTC das argilas atuam também muito positivamente em:

  • Adsorção de metabólicos tóxicos;
  • Adsorção de antibióticos;
  • Imobilizam cátions orgânicos;
  • Catalisam síntese não biológicos;
  • Protegem os micróbios fisicamente.
CTC

(Fonte: Manual Internacional de Fertilidade do solo)

solo argiloso

(Fonte: Blog do Aegro adaptado de Reinert e Reichert)

Dinâmica dos elementos no solo argiloso

Algo importante de se lembrar é que a quantidade de nutrientes presentes no solo não indica necessariamente que eles estejam ou não disponíveis.

O fósforo, por exemplo, se movimenta menos em solos argilosos, sendo que somente se movimenta nesse cenário por intemperização dos minerais ou por adubação.

A classe de fertilidade é determinada pela porcentagem de argila ou pelo P-remanescente (capacidade de adsorção de P do solo, isto é, o quanto do P aplicado é retido pelas argilas do solo).

A lixiviação de sulfato é menor no solo argiloso. Há menos problema de deficiência de cobre. Em geral, também possuem maior quantidade de zinco.

O solo argiloso, em comparação com solos arenosos, sem adição de matéria orgânica, tende a reter mais os nutrientes; mas, se mal manejado, os nutrientes não ficam disponíveis para as plantas, principalmente se o solo estiver compactado. 

Problemas do solo arenoso para agricultura   

Todos os solos apresentam problemas para a agricultura, caso não sejam manejados adequadamente.

Para os arenosos um dos principais problemas encontrados é a maior possibilidade de compactação.

A compactação em solo argiloso é maior em comparação com solos arenosos, pois apresenta microporosidade maior e, quando um maquinário passa, expulsa o ar dos poros e rearranja as partículas, causando a compactação.

Por esse motivo, o solo argiloso não é a preferência do produtor rural para a produção de tubérculos, raízes e rizomas, devido à danificação que pode ocorrer caso o solo esteja muito seco.

Outra característica importante desse tipo de solo é que, quando o teor de argila é muito alto, o solo pode ficar encharcado rapidamente após chuva intensa.

Essa situação é problemática, pois compromete a circulação do ar entre os poros, prejudicando o desenvolvimento das raízes e da planta.

Como o solo argiloso apresenta alto teor de ferro e alumínio, a toxidez por alumínio ocorre com maior frequência, necessitando de correção.

>> Leia mais: “Resistência do solo à penetração: entenda as causas e como evitar sua ocorrência”

Principais solos argilosos encontrados no Brasil 

Argissolo

O solo mais argiloso encontrado no território brasileiro é o argissolo.

Solo com maior teor de argila nos horizontes superiores, com presença predominante de  argilas de atividade baixa (caulinita) e/ou óxidos. Aproximadamente em 25% da superfície do território brasileiro se encontra esse tipo de solo. 

argissolo

(Fonte: Embrapa)

Chernossolo

É um solo rico em argila e matéria orgânica no horizonte superficial, com predominância de argila 2:1. São férteis e ocupam 0,5% do território nacional. 

chernossolo

(Fonte Embrapa)

Nitossolo 

É um solo com boa presença de argila em todo o perfil em profundidade. Esse tipo de solo, conhecido pelo nome terra roxa. É mais comum nos estados do Sul do país, mas também pode ser encontrado em São Paulo.

São considerados ótimos solos para a atividade agrícola. Mesmo argilosos, são profundos, bem drenados, estruturados e moderadamente ácidos.

nitossolo

(Fonte: Embrapa)

Vertissolo

São os solos formados de, aproximadamente, um terço de argila. Possuem uma boa fertilidade química, relacionados aos calcários e sedimentos argilosos ricos em cálcio, magnésio e rochas básicas, mas apresentam problemas de natureza física, como baixa permeabilidade. 

vertissolo

Solos que recebem mais calagem produzem mais resíduos das culturas
(Fonte: Embrapa)

Conclusão 

O solo argiloso possui grandes vantagens pelo armazenamento de água e nutrientes que proporcionam.  

Neste artigo, abordamos os tipos de solo existentes no Brasil, suas características e as principais orientações para manejá-los.

Sabendo considerar fatores como a umidade e fertilidade, o solo argiloso se torna facilmente organizável e manejável.

>> Leia mais:

Solo humífero: vantagens e desvantagens de utilizar para plantio

Fatores que tornam seu solo mais fértil
Rochagem: Como essa prática pode beneficiar sua lavoura
Estratégias para plantar em solo arenoso

“Por que a mucuna-preta pode ser uma opção vantajosa para adubação verde”

Você tem experiências com solo argiloso e seu manejo? Compartilhe conosco nos comentários!

Carina Oliveira Redatora


Atualizado em 28 de agosto de 2023 por Carina Oliveira

Sou engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Produção de algodão: como está a produção global e como aumentá-la na sua propriedade

Produção de algodão no mundo: os principais desafios e o que você pode fazer para aumentar a produtividade na sua lavoura!

O algodão é uma das principais culturas do mundo, com crescimento médio anual de 2% e uma média de 35 milhões de hectares em área plantada.

Mas apesar do cenário promissor, há uma série de desafios em relação à produção da cultura.

Plantas daninhas, além de pragas como o bicudo-do-algodoeiro, e agora os preços baixos do algodão ameaçam sua rentabilidade.

Neste artigo, vamos falar sobre o cenário da produção de algodão no Brasil e no mundo e como enfrentar os principais desafios para aumentar a produtividade da sua lavoura! Confira!

Como está  mercado do algodão no Brasil

Na safra 2018/19, houve crescimento de 34,2% na produção. Isso equivale ao volume de 6,7 milhões de toneladas de algodão em caroço ou 2,7 milhões de toneladas de algodão em pluma, segundo a Conab.

O aumento da produção também é favorecido pelo aumento da demanda, principalmente na Ásia, além de uma busca maior por fibras naturais, substituindo as sintéticas. 
Entretanto, as previsões mostram que poderá haver queda no consumo de algodão em pluma, como mostra a figura abaixo.

produção de algodão

Produção, consumo e exportação de algodão em plumas (em mil toneladas)

(Fonte: Projeções do Agronegócio)

Além disso, os altos estoques de mundiais de algodão e a previsão de alto volume de colheita de algodão fizeram com que as comercializações fossem lentas nas últimas semanas, com quedas de preços.

Nos últimos dias os preços vêm oscilando, visto que ora compradores estão mais flexíveis em pagar preços maiores, ora vendedores cedem nos preços.

Hoje, no Brasil, o principal produtor de algodão em pluma é o Mato Grosso. É a quarta cultura de maior importância para o país, atrás da soja, cana-de-açúcar e milho.

Mato Grosso e Bahia concentram 89% da produção brasileira de algodão em pluma.

produção de algodão

(Fonte: Projeções do Agronegócio)

Produção de algodão: Cenário atual 

O algodão está entre as principais culturas do mundo, movimentando cerca de US$ 12 bilhões/ano, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Seu processo produtivo envolve em torno de 350 milhões de pessoas, sendo produzido por mais de 60 países, nos cinco continentes.

As cultivares de algodão podem ser divididas em três grupos de maturação, quando considerado o tempo para que 90% dos frutos estejam abertos:

  • Precoce: 120 a 130 dias;
  • Média: 140 a 160 dias;
  • Tardia: mais de 170 dias.

O Brasil é quinto maior produtor mundial de algodão e este ano conquistou o segundo lugar no ranking de maiores exportadores, com milhões de toneladas de pluma exportadas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mas, para chegarmos até aqui, os sistemas de produção passaram por evolução e mudanças.

Umas dessas mudanças foi a colheita mecânica do algodão. Essa inovação aconteceu junto com a migração da cultura para o cerrado, o que também permitiu melhorar a qualidade da fibra.

produção de algodão

Produtividade média das lavouras brasileiras vem melhorando nos últimos anos

(Fonte: Abrapa)

Produção de algodão: Principais desafios na cadeia produtiva

Controle de pragas

Entre os grandes desafios na produção de algodão hoje estão o manejo do bicudo do algodoeiro, a ramulária e os nematoides.

produção de algodão

Bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis)

(Fonte: Inquima)

O monitoramento de pragas no algodão deve ser feito muito de perto pelo produtor, com controle quase diário. E a tecnologia pode ajudar muito nesta tarefa de campo.

Um exemplo é a ferramenta para monitoramento de pragas disponível no Aegro

O dispositivo permite controlar os insetos-pragas que estão atacando a plantação e indica quando há possibilidade de danos econômicos na sua lavoura. 

Você pode utilizar planos de monitoramento diversos (ponto a ponto, pano de batida, etc.) e níveis de controle diferenciados por praga.

Com base nas suas informações, o sistema indica quando fazer a aplicação de defensivos ao atingir o nível de controle, por exemplo.

producao de algodao

Com monitoramento é possível saber a média de infestação de pragas, nível de controle e severidade do ataque em pontos específicos da lavoura

Teste o Aegro e o monitoramento de pragas, gratuitamente, por 7 dias:

Plantas daninhas

Outro importante desafio dentro da produção de algodão são as plantas daninhas.

A cultura do algodoeiro é muito sensível à interferência de plantas daninhas. Isso acontece por que:

  • O algodão possui metabolismo C3, ou seja, de baixa eficiência transpiratória, reduzida taxa fotossintética líquida em alta luminosidade, baixa capacidade de translocação de assimilados;
  • Há crescimento inicial lento, com raízes superficiais;
  • Espaçamento de plantio largo, o que favorece a incidência de luz e consequentemente das plantas daninhas;
  • Ciclo longo.

As principais espécies de plantas daninhas que interferem no ciclo do algodão são:

  • Tiririca (Cyperus rotundus);
  • Cordas-de-viola (espécies dos gêneros Ipomoea e Merremia);
  • Capim-colonião (Panicum maximum);
  • Picão-preto (Bidens), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus) e carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum);
  • Capim-colchão (Digitaria horizontalis), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica);
  • Caruru (Amaranthus);
  • Trapoeraba (Commelina benghalensis);
  • Amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla).

Agora que vimos como está a produção de algodão no Brasil e alguns dos desafios, vamos ver manejos que podem ser adotados para elevar a produtividade.

Manejos recomendados para elevar sua produção de algodão

Um dos manejos adotados pelos produtores é a rotação de culturas. Antes eram apenas soja e algodão, mas agora muitas espécies são utilizadas (como milheto; mamona; feijão; grão-de-bico; sorgo; gergelim; crotalária; estilosantes; e gramíneas forrageiras).

A rotação de cultura, além de trazer melhorias para o solo, permite reduzir a incidência de plantas daninhas, auxiliando na redução do banco de sementes. 

Este manejo também permite utilizar herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

Alguns fatores são essenciais em todas as culturas como:

  • Planejamento das atividades;
  • Gerenciamento do estoque;
  • Manejo correto do solo;
  • Escolha de variedades adaptadas à região;
  • Compra de sementes certificadas (assim você estará garantindo vigor, germinação, sanidade e pureza varietal);
  • Monitoramento de pragas, doenças, plantas daninhas e nematoides. Assim, você saberá, por exemplo, se uma aplicação deve ou não ser feita, economizando tempo e dinheiro.

Irrigação na cultura do algodão: É necessária?

A irrigação é um outro fator que pode contribuir para o aumento da produtividade da sua lavoura de algodão.

De acordo com Edegar Matter, do Senar-MT, o aumento de produtividade pode ser de até 40% quando utilizada irrigação. 

O algodão, durante o todo o ciclo, precisa de 600 mm a 700 mm de água, sendo de 2 mm a 4 mm por dia na fase inicial; e de 4 mm a 8 mm por dia na fase reprodutiva. 

Entretanto, segundo especialistas, a irrigação contribui para evitar riscos de déficit hídrico ou, ainda, para garantir com precisão a quantidade de água.

produção de algodão

Brasil tem cerca de 1,5 milhões de hectares de algodão plantados, sendo 40 mil hectares em área com irrigação sendo a Agência Nacional de Águas

(Fonte: Jornal advogado) 

Um importante ferramenta que podemos utilizar é o plantio de algodão após o cultivo de plantas de cobertura.

Plantas de cobertura

A cobertura contribui para manutenção dos teores de água do solo, o que ajuda a prevenir o déficit de água caso ocorra algum veranico no início do desenvolvimento da cultura.

Outro ponto importante da cobertura morta é a vantagem no controle de plantas daninhas, auxiliando na redução da infestação.

Este manejo também reduz a alternância de temperatura do solo; proporciona menor incidência de luz; e é considerado uma barreira física e química para as plantas daninhas, pois a cobertura de algumas plantas podem ter efeitos alelopáticos, liberando substâncias que inibem a germinação das sementes.

Além disso, muitas plantas de cobertura são extremamente eficientes no manejo de nematoides como: Meloidogyne incognita (nematoide das galhas), Pratylenchus brachyurus (nematoides das lesões radiculares) e Rotylenchulus reniformis (nematoide reniforme),contribuindo para redução no uso de produtos químicos.


produção de algodão

(Fonte: Embrapa)

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O algodão está entre as principais culturas do Brasil e do mundo, com expectativa de aumento na produção mundial pelos próximos anos.

Neste artigo, vimos o cenário da cotonicultura no Brasil e no mundo e os principais desafios desse sistema produtivo.

Discutimos os desafios e alguns manejos que podem ser adotados para melhorar a produtividade da sua lavoura.

Com essas informações, espero que você melhore o manejo da sua produção, aplicando esses conhecimentos no campo!

>> Leia mais:

“Quais fatores impactam o preço do algodão para 2021?

Como evitar e combater a mela do algodoeiro na sua lavoura

“Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?”

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre a produção do algodão? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Como fazer o manejo efetivo da necrose da haste da soja

Necrose da haste da soja: Sintomas, diagnose e as principais formas de manejo da doença para evitar prejuízos na sua lavoura.

A cultura da soja é muito importante para o Brasil, tendo como estimativa de safra para 2018/19, segundo a Conab, 115 milhões de toneladas.

No entanto, vários fatores podem afetar sua produção, como as doenças. E uma das que merecem nossa atenção é a necrose da haste da soja.

Com alto potencial de prejuízo na lavoura, a doença ganha notoriedade. Para que isso não ocorra, precisamos entender como é realizada a correta identificação e quais as principais medidas de manejo. 

Por isso, fizemos esta matéria exclusiva com a Agronômica Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário e Consultoria, através da Dra. Tatiana Mituti,  esclarecendo todas essas questões. Confira!

Necrose da haste da soja e sua importância

A necrose da haste da soja é uma doença causada pelo vírus Cowpea mild mottle virus (CpMMV), que pertencente ao gênero Carlavirus.

Essa virose foi identificada no Brasil, primeiramente, em feijoeiro da cultivar Jalo, em 1979.

Na cultura da soja, o CpMMV foi detectado mais tarde, na safra 2000/01.

E, desde então, a doença pode causar prejuízos na cultura da soja se não forem realizadas as medidas de manejo, como vamos discutir mais adiante.

As plantas hospedeiras deste vírus pertencem à família das leguminosas, sendo a soja e o feijão os principais hospedeiros.

Em feijoeiro, o CpMMV pode causar a doença chamada mosaico angular do feijoeiro.

CpMMV é transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci), sendo que a transmissão do vírus é diretamente proporcional à população de mosca-branca na área.

Esse inseto vetor é responsável pela disseminação de muitas viroses no Brasil, para várias culturas.

necrose da haste da soja

Mosca branca, Bemisa tabaci MEAM1 (biótipo B)

(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

A mosca branca infectada com o CpMMV pode disseminar a necrose da haste da soja para outras áreas de cultivo.

Mas além dessa disseminação, algumas pesquisas relatam que sementes infectadas com CpMMV apresentam potencial para disseminar o vírus nos plantios de soja.

Entender essas formas de disseminação é importante para determinar as medidas de manejo para a necrose da haste da soja.

Mas antes de falarmos sobre as medidas de manejo, veja alguns sintomas da doença:

Sintomas da necrose da haste da soja

Nas plantas de soja, o vírus pode causar alguns sintomas como:

  • Escurecimento do pecíolo e das nervuras foliares;
  • Clorose e mosaico da folha, podendo apresentar aspecto de bolhas no limbo foliar;
  • Necrose da haste;
  • Queima do broto;
  • Nanismo;
  • Vagens deformadas e grãos pequenos.

Esses sintomas ficam mais evidentes na floração e no início da formação das vagens.

Assim, no início da doença, os sintomas podem passar despercebidos pelos produtores. Os sintomas começam a se manifestar, ficando mais evidentes após a floração.

Quando a planta está infectada com o vírus, após a floração, normalmente se observam os sintomas de necrose na haste e queima do broto. E isso pode progredir para a morte da planta, que irá impactar na produção da sua lavoura. 

necrose da haste da soja

Sintomas da infecção do Cowpea mild mottle virus (CpMMV) em soja. A) Necrose sistêmica das nervuras; B) curvatura do broto apical; c) Necrose da haste da soja.

(Fonte: Gabriel M. Favara)

Se você realizar o corte da haste de soja infectada com este vírus, provavelmente irá observar um escurecimento da parte interna.

Mesmo observando a necrose da haste e outros sintomas da doença, algumas vezes estes podem passar despercebidos pelos agricultores ou serem confundidos com outras doenças.

Por isso, é importante realizar o diagnóstico correto das plantas de soja.

Diagnóstico da necrose da haste da soja

Para a correta diagnose da doença na planta ou na semente de soja, recomenda-se realizar a análise das amostras através do método molecular.

Para isso, é necessário o envio das amostras para um laboratório capacitado. Um exemplo de laboratório é o Agronômica

As etapas para análise são: extração do ácido nucléico (RNA total) a partir de folhas ou sementes; posteriormente, é realizada a RT-PCR (Transcrição Reversa – reação em cadeia de polimerase), que serve para amplificar (multiplicar) o número de cópias de uma sequência específica de RNA; e análise dos resultados, quanto à ausência ou presença da praga alvo.

necrose da haste da soja

Etapas para extração de ácido nucléico; e equipamento utilizado para a RT-PCR, que permite a correta diagnose de doenças em plantas.

(Fonte: Laboratório Agronômica)

A correta diagnose é muito importante nas plantas na sua lavoura de soja, mas principalmente nas sementes que são utilizadas para implantação da cultura na área.

Agora que você sabe como diagnosticar a necrose da haste, vamos falar sobre as principais medidas de manejo da doença.

Medidas de manejo para a necrose da haste da soja

As principais medidas de manejo para esta doença são preventivas, ou seja, devem ser realizadas para que a doença não ocorra na sua lavoura de soja.

Algumas medidas de manejo são:

  • Uso de cultivares de soja resistentes ou tolerantes ao CpMMV;
  • Uso de sementes sadias e certificadas;
  • Controle químico do vetor (mosca branca): como a transmissão do vírus para as plantas de soja é muito rápida, nem sempre o controle químico é uma boa opção.

Lembrando que, para um manejo efetivo, você deve utilizar várias medidas de manejo, ou seja, integrar diferentes práticas.

Em caso de dúvidas para a escolha da cultivar de soja a ser utilizada na sua lavoura, procure um(a) eng. Agrônomo(a).

>> Leia mais: “Mofo-branco: Como identificar, controlar e prevenir na sua lavoura

Conclusão

A necrose da haste da soja pode causar perdas na produtividade da cultura, por isso é importante conhecê-la.

Neste texto, comentamos sobre a importância da doença e sua disseminação.

Abordamos ainda os sintomas e como é realizado o diagnóstico da doença por um laboratório.

E, por fim, discutimos as principais medidas de manejo da necrose da haste da soja na sua área. 

Agora que você conhece essas informações, realize o controle preventivo para a necrose da haste da soja para evitar problemas com a doença em sua propriedade!

>> Leia mais:

Antracnose nas culturas de grãos: Como controlar de modo eficaz
Tudo sobre o oídio e como manejá-lo em sua área
Fungos de solo: veja as principais causas e como evitá-los

Você tem problemas com necrose da haste da soja na sua lavoura? Quais medidas de manejo utiliza para controle? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Todas as orientações para tratamento de sementes de soja

Tratamento de sementes de soja: Opções de produtos para diferentes pragas, como fazer o tratamento na fazenda e outras dicas para assegurar altas produtividades!

O tratamento de sementes é uma prática que vem sendo utilizada por um número cada vez maior de sojicultores.

Essa técnica é forte aliada para o estabelecimento do estande adequado da lavoura, refletindo, é claro, em maior produtividade.

Mas você sabe quais os principais cuidados para realizar essa técnica com sucesso em sua área?

Confira neste artigo dicas para que o tratamento de sementes de soja seja realizado de forma correta e traga melhor resultado para você!

Tratamento de sementes de soja: O que é e qual sua importância?

A produção de soja no país vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. Deste modo, a utilização de boas práticas de manejo é fundamental para garantir altas produtividades.

O manejo correto do solo, utilização de sementes de alta qualidade, a época de semeadura e a utilização correta de herbicidas são essenciais para o sucesso de sua lavoura de soja.

Contudo, muitas vezes a semeadura da soja não é realizada em condições ótimas, comprometendo o estabelecimento da lavoura do estande inicial. Assim, é necessário muitas vezes realizar a ressemeadura.

Nessas situações, o tratamento de sementes de soja entra como um forte aliado, sendo considerado um manejo preventivo!

Mas, afinal de contas, o que é tratamento de sementes?

O tratamento de sementes é a aplicação de produtos/substâncias sobre as sementes, sejam eles defensivos químicos e/ou biológicos, que preservem o desempenho das sementes, permitindo que elas expressem seu potencial.

Essa técnica é como uma garantia adicional ao produtor, auxiliando no estabelecimento do estande inicial das plântulas, principalmente em condições adversas.

Na prática, o tratamento com produtos vai proteger a semente do contato inicial com o solo até a fase inicial de formação das plantas.

Tratamento de sementes de soja com inseticida

O primeiro passo antes de definir qual inseticida será utilizado em seu tratamento, é identificar quais as principais pragas que afetam a cultura.

Além disso, você deve se atentar a alguns fatores como:

  • Histórico da área
  • Tipo de manejo utilizado (cultivo mínimo, plantio direto)
  • Cultura anterior utilizada
  • Pragas comuns na região e na fazenda.

Com essas informações em mãos, você poderá escolher qual o melhor inseticida a ser utilizado contra o ataque dessas pragas em sua lavoura.

Isso irá proporcionar melhor manejo e minimizar o custo com produtos.

Quando for escolher seu inseticida, leve em consideração o modo de ação, espectro de controle e se o mesmo pode causar fitotoxidade à semente.

Confira as principais pragas em soja e qual inseticida você pode utilizar:

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Inseticidas sistêmicos (por exemplo: fipronil, imidacloprido + tiodicarbe e clorantraniliprole).

Mosca-branca (Bemisia sp.): 

Inseticidas neonicotinóides. Eles podem ajudar a reduzir ou retardar o estabelecimento da praga.

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis):

Inseticidas sistêmicos (ex: clorantraniliprole).

Antes de escolher seu inseticida, não deixe de consultar seu engenheiro agrônomo!

Tratamentos de sementes de soja com fungicidas

As doenças são um grande problema na produção de soja, podendo diminuir consideravelmente o potencial produtivo da cultura.

Deste modo, identificar qual o melhor tratamento de sementes de soja é fundamental para garantir o estabelecimento do estande inicial e maior rentabilidade.

O primeiro passo antes de escolher qual fungicida irá utilizar é realizar a análise sanitária de sua semente.

Assim, você poderá identificar quais patógenos estão presentes em seu lote de sementes e pode escolher com precisão qual o melhor fungicida.

Quando for escolher seu fungicida, leve em consideração: modo de ação, espectro de controle e se o mesmo causa fitotoxidade à semente.

De acordo com a Embrapa Soja, combinar fungicidas sistêmicos com de contato tem sido uma excelente alternativa de controle, já que o espectro de ação da mistura é ampliado pela ação de mais produtos.

tratamento de sementes de soja

Tratamento de sementes com fungicidas: esquema do modo de ação do fungicida de contato (A) e sistêmico (B), quando aplicados isolados
(Fonte: Augusto César Pereira Goulart)

Patógenos em soja e qual fungicida você pode utilizar:

Fusarium semitectum: 

Fungicidas sistêmicos (ex: carbendazim).

Sclerotinia sclerotiorum:  

Combinação de fungicidas sistêmicos e de contato  (ex: carbendazin + thiram ou carboxin + thiram).

De acordo com Pesquisadores da Embrapa, os principais patógenos presentes em sementes de soja podem ser controlados por fungicidas do grupo dos benzimidazóis.

Dentre os fungicidas sistêmicos, carbendazin, tiofanato metílico e thiabendazole são os mais indicados para o tratamento de sementes de soja.

Entre os fungicidas de contato, captan, thiram e tolylfluanid possuem bom desempenho na emergência das sementes.

tratamento de sementes de soja

Fungicidas e doses para o tratamento de sementes de soja
(Fonte: Embrapa)

Tratamento de sementes de soja: Opções de como tratar

O tratamento de sementes pode ser realizado de duas maneiras: na fazenda, conhecido como tratamento “on farm”; ou na indústria, chamado de tratamento industrial de sementes “TIS”.

Vamos mostrar aqui um pouquinho de cada uma dessas técnicas.

6 Dicas para o tratamento na fazenda

Para você que prefere realizar o tratamento de sementes de soja em sua fazenda, vamos mostrar 6 dicas para o sucesso da operação:

1º dica:

Opte apenas por produtos registrados para a cultura da soja!

2º dica:

Dê preferência aos produtos que combinem: fungicidas e inseticidas. Contudo, observe se o princípio ativo dos produtos escolhidos controlam as principais pragas e doenças de sua região.

3º dica: 

Escolha um local adequado para tratar suas sementes longe de animais e pessoas. Utilize o equipamento de proteção individual.

4º dica: 

Use luvas sempre que manusear sementes tratadas. Os produtos utilizados apresentam alto nível de toxidade.

5º dica: 

Fique atento ao volume de calda! O indicado é que o volume de calda final não ultrapasse 600 mL/100 Kg de sementes. Isso inclui: produtos + água.

6º Dica: 

Caso utilize inoculantes, confira algumas orientações sobre essa técnica que já demos aqui no blog: “Inoculação: Todos os tipos e +7 dicas para tirar o máximo proveito dela

tratamento de sementes de soja

(Fonte: Portal do Agronegócio)

Tratamento industrial

As sementes que recebem o tratamento industrial chegam na fazenda já tratadas. A empresa utiliza-se de máquinas especiais para realizar esse tratamento.

Nesta técnica, o produtor não tem contato direto com o produto e o volume de defensivo aplicado é mais preciso!

Visualmente, já é possível observar a melhor cobertura do produto sobre a semente!

Contudo, no momento da compra, observe se os produtos aplicados na semente são realmente aqueles que você precisa!

E, principalmente, quando foi realizado o tratamento de sementes e quanto tempo essa semente ficou armazenada!

Não deixe de conversar com seu agrônomo!

Antes de iniciar a semeadura, realize um teste de emergência em um canteiro em sua propriedade.

tratamento de sementes de soja

(Fonte:Agro-sol)

Principais produtos nos tratamentos de sementes de soja

Atualmente inúmeros produtos são indicados para o tratamento de sementes de soja. Vamos mostrar aqui alguns deles!

Fortenza Duo®

 A utilização desse produto é indicado para pragas como helicoverpa, mosca-branca (Bemisia tabaci), Coró-da-soja (Liogenys fuscus), vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa), dentre outras.

É composto por dois inseticidas: ciantraniliprole e tiametoxam. Proporciona maior espectro de controle de pragas e tem efeito residual prolongado. 

Avicta Completo®  (Avicta 500FS, Maxim Advanced e Cruiser 350FS):

A utilização desse produto é indicado para nematoide das galhas (Meloidogyne incognita); nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus); mancha púrpura da semente (Cercospora kikuchii); podridão de esclerotinia (Sclerotinia sclerotiorum); fusariose (Fusarium pallidoroseum); coró-da-soja (Liogenys fuscus); vaquinha-verde-amarela (Diabrotica speciosa), dentre outras.

Esse produto oferece ao produtor tripla proteção. É composto por nematicida, fungicida e inseticida abamectina + fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol + tiametoxam, o que garante amplo espectro de controle.

Standak Top®

A utilização desse produto é indicada para antracnose (Colletotrichum dematium var. truncata); broca do colo (Elasmopalpus lignosellus); coró-da-soja (Phyllophaga cuyabana); vaquinha-verde-amarela; mancha púrpura da semente; podridão seca (Phomopsis sojae), dentre outras.

Oferece ao produtor inseticida e fungicida: fipronil + piraclostrobina + tiofanato-metílico, com a mistura de produtos de contato e sistêmico, proporcionando alto espectro de controle.

Cropstar®

A utilização deste produto é indicada para vaquinha-verde-amarela; broca do colo (Elasmopalpus lignosellus); nematoide das galhas; nematoide das lesões, entre outras.

Oferece ao produtor inseticida e nematicida: tiodicarbe + imidacloprido. Essa mistura de produtos proporciona alto espectro de controle.

Essas são algumas das muitas opções de tratamento químico com fungicidas, inseticidas e nematicidas disponíveis no mercado.

Além desses produtos comumente utilizados você pode optar em inserir em seu tratamento de sementes: 

  • Reguladores de crescimento;
  • Micronutrientes;
  • Inoculantes;
  • Revestimento de sementes e outras opções disponíveis no mercado!

Tratamento de sementes: Quanto custa?

O custo com o tratamento de sementes pode variar de acordo com a região!

De modo geral, os custos para o tratamento de sementes de soja representa de 1,5% a 3% dos custos totais.

Contudo, pelos benefícios e garantia de um bom estabelecimento da cultura, esse custo não é alto.

Antes de optar pela utilização dessa técnica, realize os cálculos de custo e verifique qual é a melhor opção para sua propriedade!

planilha de produtividade da soja

Conclusão

Neste artigo vimos a importância do tratamento de sementes de soja e como ele pode aumentar a produtividade de sua lavoura.

Você conferiu quais os tipos e tratamentos mais utilizados e os custos relacionados a essa prática. Também apresentamos orientações de como escolher o tratamento correto!

Espero que com essas dicas você alcance ainda mais sucesso em sua empresa rural!

>> Leia mais:

Soja RR: Tire suas dúvidas e consiga melhores resultados

Como escolher as melhores cultivares de soja para sua lavoura

Soja precoce: Entenda mais sobre e escolha sua cultivar

Você realiza o tratamento de sementes de soja em sua fazenda? Quer saber mais sobre o assunto? Adoraria ver seu comentário!

Tudo o que você precisa saber sobre dessecação para plantio de soja

Dessecação para plantio de soja: Seletividade para culturas, carry over, além de todos os manejos e opções de produtos para utilizar no controle de plantas daninhas.

O manejo de plantas daninhas na entressafra é considerado o mais importante no sistema de produção de grãos. 

Isso porque neste período existe um número maior de ferramentas que podem ser utilizadas, como herbicidas de diversos mecanismos de ação, além de técnicas de controle mecânico e cultural. 

Quando se trata da soja, é de extrema importância que o cultivo comece no limpo, pois a cultura tolera convívio com daninhas por um curto período de tempo.

E como realizar um manejo eficiente de plantas daninhas para plantar soja no limpo? Confira a seguir!

Pontos importantes sobre a dessecação de plantas daninhas para o plantio de soja 

Como citado anteriormente, a cultura da soja tolera o convívio com plantas daninhas por um período muito curto: em torno de 18 dias após a emergência. Em condições adversas, essa tolerância pode ser de 7 dias após a emergência ou até menos. 

Vamos então abordar pontos importantes sobre a dessecação para plantio de soja no limpo:

Identificação de plantas daninhas 

A identificação correta de quais plantas daninhas existem em sua área e sua distribuição são essenciais para que as estratégias de manejo funcionem sem um gasto excessivo de dinheiro.  

Você precisa identificar as plantas daninhas ainda quando pequenas, pois são mais fáceis de controlar.

Além disso, saiba quais daninhas podem estar presentes no banco de sementes da área (através do histórico da sua área). Assim você está mais preparado quando elas emergirem.

Quando houver plantas daninhas de folhas larga (buva, por exemplo) e folhas estreitas (Ex: capim-amargoso) de difícil controle na área, deve-se priorizar o manejo de plantas de folhas largas na entressafra, devido à seletividade da soja. 

Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e saiba como controlá-las melhor em sua lavoura!

Resistência a herbicidas 

Após identificar as plantas daninhas presentes na área, é muito importante saber quais destas possuem histórico de resistência na área ou no país, pois importantes ferramentas de manejo podem não funcionar. 

Além disso, é importante que o manejo seja planejado para evitar a seleção de resistência, utilizando práticas como: 

  • Rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
  • Rotação de culturas;
  • Adubação verde;
  • Consórcio entre culturas (por exemplo: milho/brachiaria). 

Consórcio milho com brachiaria

(Fonte: FundaçãoMS)

Estádio das plantas daninhas na área

O estádio em que a planta daninha está é determinante para a eficiência dos herbicidas. De modo geral, quanto menor a planta daninha, mais facilmente será controlada. 

Para daninhas de folhas largas, recomenda-se que o controle seja feito com 2 a 4 folhas. Para folhas estreitas, com 2 a 3 perfilhos. 

Cuidado! Para algumas plantas daninhas, como capim-pé-de-galinha e o caruru-palmeri, este período é muito curto. 

dessecação para plantio de soja

Dessecação para plantio de soja: capim-pé-de-galinhas dentro do estádio ideal de controle – 2 perfilhos

Caruru-palmeri dentro do estádio ideal de controle: 4 folhas

(Fonte: On Vegetables)

Quando as plantas crescem e se desenvolvem, a quantidade de ceras e estruturas na superfície das folhas pode aumentar, dificultando a entrada e transporte dos herbicidas (caso da trapoeraba).

Além disso, podem desenvolver estruturas de reserva que facilitam o rebrote após o manejo (como o capim-amargoso). 

Manejo outonal (manejo antecipado ou sequencial)

O manejo de plantas daninhas deve ser feito logo após sua emergência para facilitar o manejo das plantas daninhas devido ao menor estádio de desenvolvimento. 

Além disso, se houver plantas perenizadas na área, provenientes de escapes do cultivo anterior, o manejo deve começar o mais rápido possível, caso sejam necessárias aplicações sequenciais de herbicidas. 

>> Leia Mais: “Como fazer o manejo de plantas daninhas em plantio direto

Uso de herbicidas pré-emergentes 

Atualmente os pré-emergentes são grandes aliados do combate à resistência, pois:

  • Controlam as plantas daninhas logo em sua emergência;
  • Para as principais plantas daninhas, existem poucos ou nenhum caso de resistência registrados no país;
  • Diminuem a necessidade de aplicações em pós-emergência.

O problema do uso dos pré-emergentes é que existem mais pontos a serem considerados para sua correta recomendação. Devemos considerar o teor de argila, pH do solo, quantidade de palha no solo, clima, infestação e período residual. 

Veja neste vídeo que eu separei:

É importante saber qual o objetivo do pré-emergente, pois precisa ser aplicado antes da emergência das sementes. 

A buva, por exemplo, possui maior emergência durante período de junho a setembro (Variando um pouco conforma a região), com clima ameno e maior umidade (tendo menor emergência durante o ciclo do cultivo). 

Já o capim-amargoso emerge o ano interior (conforme a disponibilidade hídrica). 

dessecação para plantio de soja

Emergência de plântulas de buva

(Fonte: Arquivo do autor)

 Além disso, o alvo é o solo. Desta forma, se houver muita palha, o pré-emergente deve ser capaz de ultrapassar essa barreira. 

Se houver uma massa verde grande na área (plantas daninhas com grande cobertura do solo), não se recomenda a aplicação destes produtos, pois ficam retidos nessa massa. 

Seletividade da cultura e Carry over

Quando são utilizados herbicidas com período residual seja ele longo (Ex: metsulfuron 60 dias) ou curto (Ex: 2,4 D ⋍ 14 dias), é importante que as culturas que sejam plantadas dentro deste período sejam seletivas ao produto.

Caso a cultura não seja seletiva, a carência mínima deve ser respeitada, para que não ocorra o Carry over (Fitointoxicação da cultura por resíduo de herbicidas). 

dessecação para plantio de soja

Carryover de metsulfuron em soja

(Fonte: AgroProfesional)

Tecnologia de aplicação e condições climáticas adversas

Para a eficiência da aplicação de herbicidas, as boas práticas de tecnologia de aplicação devem ser respeitadas.  

Após um período de seca prolongado na entressafra (o que aconteceu este ano em diversas regiões do país), deve-se esperar que as plantas se restabeleçam e consigam absorver o produto.

Após alguns dias de uma chuva representativa, deve-se aplicar os herbicidas dentro das condições climáticas recomendadas, com uso de bons adjuvantes. Deve-se evitar uso de baixa vazão (nestas condições, o mínimo recomendo são 100 L ha-1 de volume de calda).

Caso ocorram plantas daninhas perenizadas de difícil controle na área, recomenda-se que seja feita a roçagem destas plantas (um pouco antes da chuva). Quando iniciarem o rebrote, provavelmente com o início das chuvas, aplicar nas folhas novas. 

dessecação para plantio de soja

Dessecação de plantas daninhas (capim-amargoso) fora do estádio recomendado

(Fonte: Copacol)

Principais herbicidas utilizados no manejo de entressafra da soja

Herbicidas pós-emergentes: 

Paraquat

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm ou 3 perfilhos) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores.

Espectro de controle: não seletivo. 

Dosagem recomendada:  1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: apresenta muitos problemas com incompatibilidade de calda. 

Cuidados: Necessidade de bom molhamento das folhas. Está sendo retirado do mercado por problemas de toxicidade. 

Chlorimuron 

Quando aplicar: utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial e fornece efeito residual.

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas largas (ex: buva).

Dosagem recomendada: 60 a 80 g ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: Muitas áreas com buva resistente. 

2,4 D 

Quando aplicar: utilizado nas primeiras aplicações de manejo sequencial. 

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas largas (ex: buva).

Dosagem recomendada: 1,2 a 2 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e/ou pré-emergentes.

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Cuidados: quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Glifosato

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 4 folhas ou 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: não seletivo.

Dosagem recomendada: 2,0 a 4,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (Ex: 2,4 D, graminicidas), pré-emergentes (ex: sulfentrazone) ou de contato (ex: saflufenacil). 

Produtos à base de dois sais ou em formulação granulada possuem maiores problemas de incompatibilidade de calda! 

Cuidados: muitos casos de resistência. Perdas de eficiência quando associado a produtos que aumentam o pH da calda. 

Glufosinato de amônio

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm ou 3 perfilhos) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. 

Espectro de controle: não seletivo, porém mais efetivo em folhas largas. 

Qual a dosagem recomendada: 2,5 a 3,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). 

Saflufenacil 

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. 

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas larga (ex: buva).

Dosagem recomendada: 35 a 100 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). 

Cletodim 

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: controle de gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5 a 1,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D, aumentar 20% da dose de clethodim. 

Haloxyfop

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: controle de gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,55 a 1,2 L ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D aumentar 20% da dose de haloxyfop.

O uso de adjuvantes deve seguir a recomendação de bula!


dessecação para plantio de soja

Infestação de buva na soja devido à falha de manejo na entressafra

(Fonte: Arquivo do autor)

Herbicidas pré-emergentes:

Diclosulam 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 29,8 a 41,7 g ha-1.

Pode ser misturado com: associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D).

Cuidados: solo deve estar úmido. 

Flumioxazin 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: Buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 40 a  120 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e imazetapir).

S-metolachlor 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada:1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: não deve ser aplicado em solos arenosos. O solo deve estar úmido, com perspectivas de chuva. 

Trifluralina 

Quando aplicar: herbicida com ação residual, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (Ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada: 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas).

Cuidados: deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Formulações antigas tem problemas com fotodegradação (necessidade de incorporação). Eficiência muito reduzida em solo com grande quantidade de palha ou durante período seco.  

Sulfentrazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de plantas daninhas de folhas largas e bom controle de alguns gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D, chlorimuron e clomazone).

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo. Mas o produtor deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação. 

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância do manejo eficiente de dessecação para plantio de soja. 

Mostramos as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas no período de entressafra e como realizar seu posicionamento correto para não ocasionar danos à cultura da soja.  

Além disso, citamos técnicas importantes que devem ser utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas na sua dessecagem pré-plantio de soja!

Quais herbicidas você utiliza na entressafra? Restou alguma dúvida sobre a dessecação para plantio de soja? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: Como otimizar seus insumos

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: Tudo o que você precisa saber para obter esses mapas e assim otimizar os insumos da propriedade.

Os mapas de produtividade são os passos iniciais para o trabalho com Agricultura de Precisão (AP) nas fazendas. Por meio deles é possível investigar as regiões mais produtivas dentro das lavouras.

Atualmente, quase 100% das colhedoras saem de fábrica com os sensores necessários para mapeamento da produtividade.

Entenda como obter os mapas de produtividade na agricultura de precisão e melhore a tomada de decisão dentro de sua empresa agrícola! Confira!

O que são mapas de produtividade na agricultura de precisão?

Os mapas de produtividade ou “mapas de colheita” são adquiridos durante a colheita por sensores acoplados nas máquinas. Estes equipamentos visam informar a quantidade de produto colhido em cada porção da lavoura.

As informações de produtividade de cada área são espacializadas, auxiliando os gestores nas investigações das variabilidades apresentadas, e melhoram o entendimento das relações causa e efeito de zonas de alta ou baixa produtividade.

Os mapas de produtividade são vitais para o entendimento da variabilidade dos nossos talhões, pois possuem uma grande quantidade de dados.

Por meio dos mapas de produtividade podemos dar os passos iniciais na utilização de técnicas de agricultura de precisão nas nossas fazendas e otimizar a aplicação de insumos.

(Fonte: National Geographic)

Como se pode obter um mapa de colheita?

Os mapas de colheita podem ser obtidos por dois métodos específicos: os métodos diretos e os indiretos.

Dados de produtividade são estimativas realizadas por sensores que coletam ou mensuram a quantidade de produto que é colhida no campo.

Os métodos diretos de mensuração envolvem medições de massa e volume dos produtos colhidos.

Dentre eles, pode-se citar que a mais usual é a “célula de carga” para realização da medição da massa colhida, geralmente mensurada em quilos.

As células de carga são balanças inseridas nas colhedoras que geralmente medem o fluxo de colheita dos produtos num determinado tempo e em uma determinada área.

Essas células de carga estão presentes em máquinas para colheita de café, cana-de-açúcar, batata, entre outras.


Já os métodos indiretos envolvem sensores gravimétricos na maioria dos casos. O sistema mais comum no mercado, principalmente nas colhedoras de grãos, é o da placa de impacto.

sensores

(Fonte: John Deere)

Dentro desse método indireto de mensuração também estão presentes no mercado sensores ópticos que estimam o volume de produto colhido de acordo com a geração de imagens 3D.

A John Deere apresentou esse sistema para a colheita de cana na Agrishow.

As mensurações, sejam elas diretas ou indiretas, devem estar atreladas a um receptor GNSS (Sistema de Navegação Global por Satélite). Também devem estar associadas ao deslocamento da máquina e largura de corte, utilizada nas plataformas dos equipamentos.

Sensores acessórios também estão presentes nos sistemas para realização das calibrações, como sensores de umidade, sensores de rotação e inclinômetros que auxiliam nas calibrações internas dos mecanismos de geração dos mapas. 

mapas de produtividade na agricultura de precisão

(Fonte: John Deere)

mapas de produtividade na agricultura de precisão

É necessário que sensores estejam sempre ajustados e calibrados para a máquina e produto que está sendo colhido

(Fonte: LAP Esalq)

Como os mapas de produtividade na agricultura de precisão auxiliam no entendimento das lavouras

É fato que os mapas de produtividade são importantes no conceito de agricultura de precisão, uma vez que evidenciam as variabilidades presentes nos talhões.

Quando contratamos um terceiro para realização da colheita, se desejamos receber os mapas de produtividade, os valores pagos pelo serviço são maiores.

Porém, o que fazer com tais mapas de produtividade? Como analisar e transformar em informações úteis para o benefício da próxima safra?

Vamos começar explicando acerca dos mapas de produtividade e como utilizá-los de forma benéfica, visando aumentar a produtividade da lavoura.

Ninguém melhor do que as plantas que estão semeadas para nos mostrar como está o solo onde estão inseridas.

As plantas irão responder, positivamente ou não, de acordo com as características do solo onde foram semeadas.

O que isso quer dizer? A resposta é simples! Se a planta estiver bem desenvolvida e produzindo bem, os mapas de produtividade irão demonstrar que aquelas regiões estão produzindo mais.

Isso se deve ao fato do solo estar com bons níveis físico-químicos, seja boa fertilidade; boa porosidade; boa textura; entre diversos outros fatores.

E se os mapas apresentarem baixa produção agrícola em determinados locais? 

Simples! Se as regiões apresentarem baixas produtividades, os solos daquelas regiões estão com algum problema que merece redobrada investigação.

Nas regiões de baixa produtividade, a fertilidade do solo pode estar baixa; a porosidade do solo pode estar afetada por problemas como compactação; as regiões podem apresentar nematóides no solo; entre uma infinidade de outros fatores que podem estar influenciando aquelas regiões produtivas.

Porém, uma vez que se sabe onde estão localizadas as variabilidades da lavoura, fica muito mais fácil o entendimento e tratamento localizado da propriedade.

Mapas de fertilidade e agricultura de precisão

Como trabalhar com aplicação localizada de insumos, uma vez que possuo os mapas de produtividade?

Após coletar as amostras de solo georreferenciadas e gerar os mapas de fertilidade, com o auxílio dos mapas de produtividade, é possível a obtenção dos mapas de exportação de nutrientes e criação do mapa de recomendação.

O mapa de recomendação deve estar associado ao mapa de colheita. Uma vez que eu sei onde são extraídas maiores quantidades de nutrientes, é possível repor esses nutrientes de maneira localizada.

A aplicação baseada na exportação de nutrientes de maneira localizada se fundamenta na otimização do uso dos insumos, com uma premissa de racionalização, pois se aplica de acordo com as devidas necessidades.

mapas de produtividade na agricultura de precisão

Interpretação de mapas de produtividade de culturas agrícolas é um dos papéis da AP

(Fonte: LAP Esalq)

Essa aplicação localizada chega a ser mais racional, visto que a aplicação atende a doses exigidas pelas culturas em cada porção da área. Isso reduz custos e minimiza os impactos ambientais de lixiviação e perda de nutrientes.  

Para geração desses mapas de recomendação baseados na exportação dos nutrientes por meio da colheita, basta multiplicar cada pixel do mapa de produtividade pela quantidade de nutrientes extraídos pela cultura.

Os valores de extração podem ser encontrados na literatura. Mas podem variar de acordo com a região, clima, solo e cultura e devem ser utilizados com devido cuidado.

(Fonte: Unifertil)

Atualmente, existem empresas que prestam serviços deste tipo de mapeamento.

A plataforma da InCeres consegue processar mapas de produtividade, fertilidade e gerar mapas de recomendação, conforme equações já existentes no banco de dados.

Mapeamento da produção e lucratividade da lavoura

Lavouras que apresentarem as mesmas variações de produtividade ao longo do ano podem ser subdivididas em zonas de manejo distintas.

Áreas mais produtivas geralmente aceitam maiores doses de insumos e continuam respondendo em aumentos de produtividade até certo limite.

Áreas de baixo potencial, que geralmente não respondem ao aumento das doses de insumos aplicados, devem ser manejadas com doses menores de adubação.

Com os custos de produção tabulados é possível a criação dos mapas de lucratividade. Isso auxilia no gerenciamento das partes mais lucrativas da lavoura. 

mapas de produtividade na agricultura de precisão

Uma das mais importantes ferramentas da Agricultura de Precisão é o mapa de colheita

(Fonte: LAP Esalq)

Dessa forma, áreas menos produtivas, porém com menores custos de produção, também podem se tornar rentáveis ao longo da safra.

Conclusão

Os produtores que ainda não possuem dados coletados e mapeamento da produtividade acabam perdendo avaliações importantes da suas áreas produtivas.

Aqueles que ainda não mapeiam suas fazendas, não o fazem por desconhecimento da utilização dos sensores ou falta de profissionais capacitados para realizar as calibrações e processamento dos dados.

Existem ainda aqueles que nem sabem que sua máquina já possui tais equipamentos; que pagaram caro no momento da compra, porém nunca chegaram a utilizá-los, simplesmente por não quererem mais trabalho no momento da operação.

O mapa de produtividade é uma ferramenta importante para o entendimento das lavouras.

Sua adoção nas fazendas brasileiras ainda é baixa, pois os agricultores não conhecem a sua utilização e ainda possuem grandes dificuldades no processamento dos arquivos gerados pelas colhedoras.

>> Leia mais:

NDRE versus NDVI: Qual é melhor para sua fazenda

O que são mapas NDVI e como consegui-los de graça para sua fazenda

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

Você já utiliza os mapas de produtividade na agricultura de precisão? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.


Fluxo de caixa rural: faça em 4 passos simples (+ planilha grátis)

Fluxo de caixa rural: como ele te ajuda no dia a dia e como fazer para melhorar a gestão da sua empresa rural em 4 passos simples.

Quantas noites você já perdeu fazendo o fluxo de caixa da sua propriedade rural?

Reunir todos os papéis e todas aquelas informações dentro das planilhas no computador é um desafio e tanto, especialmente quando estamos focados em produzir.

Aí fica fácil adiar o fluxo de caixa até que a colheita termine, acabando no desconhecimento financeiro da sua fazenda em boa parte do ano.

Mas não espere! Conhecer a posição e os indicadores financeiros de sua fazenda lhe dará base para melhorar a gestão da empresa rural, além de conseguir manter sempre um bom capital de giro.

Aqui lhe daremos 4 passos simples e uma planilha gratuita para manter o fluxo de caixa rural em ordem. Veja a seguir:

O fluxo de caixa na gestão da empresa rural

O fluxo de caixa é um recurso fundamental na sua gestão agrícola, pois possibilita saber onde sua fazenda está em termos financeiros, permitindo que as operações sejam executadas de forma assertiva. Assim seu processo administrativo fica mais eficaz.

Em linhas gerais, refere-se basicamente ao fluxo do dinheiro no caixa da sua empresa rural. Ou seja, são as entradas e saídas monetárias da fazenda durante um período de tempo específico.

Por exemplo: “Devo comprar aquela área ou esperar? Talvez seja melhor alugar mais do que comprá-las?”

São essas informações financeiras atuais que vão colaborar no entendimento das despesas que devem ser feitas ou adiadas.

Em outras palavras, o fluxo de caixa é a força vital do seu negócio.

Se ter pouco dinheiro dificulta a capacidade de pagar seus insumos e funcionários, o contrário significa que você pode investir na fazenda.

Todo empresário rural deve ter um planejamento estratégico definido e o fluxo de caixa pode ser o início.

Mantendo isso em ordem você consegue acompanhar a quantidade de dinheiro disponível em um determinado período de tempo.

Portanto, note que, ao realizar corretamente um fluxo de caixa, você terá poder para tomar decisões melhores.

Então, vamos para alguns passos simples que te ajudarão a ter e manter adequadamente o fluxo de caixa da sua produção agropecuária.

Fluxo de caixa rural em 4 passos

1. Detalhe e registre todas as fontes de receita e despesas

Tome um tempo para considerar e registrar todas as suas despesas envolvidas na sua fazenda, sempre utilizando o conceito de empresa rural.

E quando eu digo todas são realmente todas: despesas com escritório, administração, manutenções, depreciações, frete e etc.

Aliás, detalhe também todas as suas fontes de receita, tudo o que foi produzido e vendido.

Para começar seu fluxo de caixa, o ideal é ter os dados de quanto dinheiro você tem disponível hoje.

infográfico de como criar um fluxo de caixa

(Fonte: Saia do Lugar)

Além disso, prepare e faça o planejamento do seu fluxo de caixa por meio do planejamento agrícola.

Você verá como vai ficar mais fácil registrar todas as movimentações financeiras e planejar todos os gastos se o planejamento financeiro estiver feito adequadamente.

A partir daí, com a preparação – e depois com todas as entradas e saídas que você for registrando -, terá o capital disponível por período de forma mais fácil de ser compreendida.

2. Separe suas despesas familiares e as despesas da fazenda

Provavelmente sua empresa rural é também familiar, mas é muito importante que você separe as despesas pessoais daquelas da fazenda.

Considerar os custos da fazenda e da casa em um só lugar dificulta os cálculos e pode mascarar a saúde financeira da sua propriedade rural.

Quando você separar essas duas coisas, verá que as informações ficam mais simples e claras.

3. Prepare seu fluxo de caixa em uma base mensal

Reserve um tempo para pensar e já deixar registrados todos os pagamentos e recebimentos em cada mês.

Muito provavelmente você tem parcelas a pagar de alguma compra ou financiamento, além de parcelas a receber da sua produção agrícola.

Por exemplo, se você tem de pagar um financiamento em 10 vezes, já pode colocar a despesa nesses meses seguintes.

Isso faz com que não seja preciso colocar as mesmas despesas todo mês, economizando tempo e evitando o esquecimento dessas parcelas.

4. Continue revendo, monitorando e alterando seu fluxo de caixa

Infelizmente, uma vez que o fluxo de caixa é preparado, muitas vezes é arquivado e esquecido.

No entanto, o acompanhamento do fluxo de caixa é tão importante quanto a sua realização.

Desse modo, você consegue monitorar o dinheiro que entra e as saídas reais em relação às originalmente orçadas, além de notar as mudanças e sazonalidades. Assim, você tem um fluxo de caixa projetado.

As sazonalidades das entradas e saídas no meio rural são bem definidas quando tratamos de grandes culturas.

Nos meses que antecedem o plantio, e até durante a safra, os gastos são muitos e nenhuma receita é gerada.

Com o fluxo de caixa e seu planejamento agrícola em mãos, é possível verificar o dinheiro exato necessário para cobrir esses gastos. 

O periodicidade desse acompanhamento depende muito da sua fazenda, da sua atividade agrícola e de cada produtor rural.

Depois de acompanhar mensalmente por um tempo, você pode descobrir que o monitoramento trimestral atende à sua necessidade porque os saldos não mudam muito mês a mês.

Por outro lado, se você cultivar hortaliças, por exemplo, pode ser necessário um acompanhamento semanal.

Para economizar seu tempo preparamos um modelo de fluxo de caixa em Excel que você pode usar gratuitamente! Clique na imagem abaixo para baixar!

Em que um fluxo de caixa vai ajudar no dia a dia?

Toda fazenda está sujeita à volatilidade de preços, às condições de financiamentos, à saúde da lavoura, de toda cadeia produtiva e outros tantos desafios.

Além disso, como tomadores de preços, os produtores, sem dúvida, têm muito a gerenciar.

No entanto, o fluxo de caixa pode se perder no meio das atividades do dia a dia. Mas é exatamente ele o responsável pelo gerenciamento de todo o dinheiro dentro da rotina da fazenda.

Observando-o atentamente você também saberá exatamente tudo que foi investido e qual seu capital de giro.

Dessa maneira, terá uma noção do quanto deve receber pela venda da produção agrícola.

Além disso, a diferença de caixa entre entradas e saídas reflete o saldo da conta no final de cada período. A partir disso, você terá mais controle financeiro e saberá o que fazer para melhorar suas finanças.

Por exemplo, você pode perceber que o gasto planejado poderia ser consolidado no outro mês, onde existe um excedente maior.

Como já comentado aqui, isso também te ajuda a identificar como os fluxos de entrada e saída de caixa esperados são diferentes ou similares ao que realmente ocorreu.

Com isso, você pode tomar decisões de gestão mais conscientes, com mais informação e segurança, como quando comprar novos equipamentos.

Se o fluxo de caixa é importante no cotidiano, em épocas difíceis essa importância é ainda maior, como veremos a seguir:

Necessário em épocas normais, essencial em tempos difíceis

Muitas vezes nos vemos em situações complicadas, especialmente com margens pequenas de lucro, como facilmente ocorre na agricultura.

Nesses momentos, o fluxo de caixa mostrará onde foram os maiores gastos, indicando o que e por que aquela parte das finanças deu errado.

Desse modo, você poderá analisar e evitar que esses erros ocorram no futuro, bem como encontrar algumas saídas para uma situação complicada.

Ainda nesses casos, um empréstimo pode ser uma saída.

O fluxo de caixa será muito útil quando você fizer um pedido de empréstimo bancário ou crédito.

Isso porque, quando você precisar de crédito, o fluxo de caixa é um dos documentos importantes para tornar a solicitação mais simples e ágil.

Em suma, ele pode garantir que você obtenha o suporte necessário para sobreviver e crescer.

Faça seu fluxo de caixa rural de forma descomplicada e rápida

Mesmo após todas essas dicas você pode achar trabalhoso e complicado manter um fluxo de caixa em ordem.

A tecnologia nos ajuda a simplificar isso. Com um software de gestão agrícola, podemos manter o fluxo de caixa de forma mais prática.

No Aegro, você controla suas diferentes contas bancárias em um só lugar para ficar em dia com as parcelas a pagar e a receber em cada uma delas.

Além de que, tudo isso ocorre de um modo muito mais automatizado e, consequentemente, menos trabalhoso.

O fluxo de caixa pode ser visualizado facilmente pelo período de tempo que você preferir (mensal, trimestral, etc), já que cada época e cultivo tem uma necessidade diferente.

Em vez de fazer diversas planilhas, no Aegro você muda essa visualização em apenas alguns cliques.

gif da guia de contas com o fluxo de caixa do sistema Aegro

Neste fluxo de caixa, as entradas e saídas de dinheiro são contabilizadas através dos registros que se fez ao longo da safra.

Desse modo, é possível obter análises de custo por categorias, como: insumos agrícolas, financiamentos, manutenções de máquinas, etc.

Como você pode ver abaixo, o saldo inicial é aquele dinheiro que você tem em caixa no início do período escolhido, considerando as entradas e saídas anteriores.

O total de entradas é formado por todas suas receitas desse período, geradas ao registrar a venda de seu produto agrícola.

O total de saídas é composto por todas as despesas que ocorreram também no período em análise, as quais foram geradas pelas despesas registradas.

O saldo final é referente ao balanço do período, subtraindo todas as despesas do saldo inicial e das receitas.

captura de tela do fluxo de caixa do sistema de gestão rural Aegro

Lembrando que no Aegro você consegue importar suas notas fiscais automaticamente por arquivo XML, o que facilita o registro dos gastos.

Além disso, você pode fazer a conciliação de extrato bancário por OFX em alguns minutos, procedimento importante para conferir e evitar inconsistências na gestão de custos da fazenda.

Simplifique a gestão do seu negócio com a importação financeira de contas a pagar e receber

A importação de histórico financeiro é o jeito mais simples e prático de começar a utilizar o Aegro. 

Importe os dados de contas a pagar e receber de suas planilhas ou de outras ferramentas e ganhe agilidade no uso do sistema. Assim, você mantém o controle do seu histórico e garante a eficiência do seu time, reduzindo o tempo gasto com a digitação dos dados para outras atividades.

Seus dados são importados de uma vez, permitindo que o Aegro utilize as informações para gerar as análises necessárias para o controle do negócio.

Tela que mostra importação de histórico financeiro com Aegro

Quer saber como o Aegro pode agilizar ainda mais as atividades do seu negócio? Clique aqui e assista a uma demonstração gratuita!

Conclusão

O ajuste de seu rendimento líquido, com entradas e saídas detalhadas do seu caixa, é muito importante para a melhor percepção de suas finanças.

Mais do que isso, o fluxo de caixa adequado permite a melhor gestão financeira, verificando melhores estratégias para sua fazenda.

Embora a realização e acompanhamento sejam um tanto trabalhosos, ambos são fundamentais para a correta análise de sua propriedade.

Todos produtores rurais bem sucedidos sabem do capital disponível para investir e tomar decisões de compra e venda.

Além disso, hoje temos ferramentas como o Aegro, que facilitam e simplificam esse processo. Isso agiliza todo o trabalho e permite análises mais exatas!

>> Leia mais:

Saiba como gerenciar o ciclo de produção agrícola com o Aegro

O futuro da fazenda: sucessão familiar em uma empresa rural

Gostou deste texto sobre fluxo de caixa rural? Assine nossa newsletter e receba nossos artigos direto em seu e-mail!

Milheto: como cultivar e suas vantagens para a agropecuária

Milheto: melhores épocas para plantio e semeadura para seu uso como cobertura ou pastejo, além de outras dicas para melhorar a produtividade do cereal!

Seja como planta de cobertura no plantio direto, adubação verde ou pastejo, o milheto vem sendo cada vez mais requerido no Brasil.

Entre suas características estão a baixa necessidade de fertilidade e resistência à seca. Tem boa produção de matéria seca e alto potencial como planta descompactadora de solo.

Mas você sabe quais são as melhores condições para cultivo desse cereal?

Neste artigo vamos falar sobre as características de plantio, diferentes cultivares e outras dicas para melhor produtividade. Confira a seguir!

Milheto: para que serve?

O milheto Pennisetum glaucum tem origem do deserto do Saara, na África, e foi levado para a Índia em torno de 2.000 a.C. 

Ainda é nessa região da África ocidental em que ocorre o cultivo de 50% do total mundial de milheto, sendo muito utilizado para alimentação humana. 

O milheto é uma planta da família das gramíneas, que pode ser utilizado com finalidade de:

  • produção de grãos para alimentação humana;
  • produção de forrageamento para os animais;
  • produção de palhada em sistemas integrados e plantio direto.

Comparado ao milho e sorgo, o milheto requer mais calor para germinar, se estabelecendo de maneira uniforme e proveitosa.

No sistema de plantio direto, contribui devido a seu desenvolvimento em condições de baixo nível de fertilidade, tendo ainda alta resistência à seca. 

Além disto, os nutrientes extraídos pela planta permanecem na palhada, favorecendo a cultura subsequente.

E ela tem, em especial, a característica de ter uma raiz profunda, o que promove uma elevada capacidade de extração de nutrientes.

Seu cultivo demanda pouca aplicação de insumos, o que reduz o custo de produção. 

milheto

(Fonte: Tecnoshow Comigo)

Épocas de plantio do milheto com diferentes finalidades 

O milheto como cobertura de solo para o sistema plantio direto, se recomenda a semeadura na safrinha, após a colheita do milho ou da soja, no período que vai do final de janeiro até meados de abril. 

Quanto mais precoce o plantio na safrinha , maior  é a produção de massa verde e grãos. 

Não se esqueça também que as sementes exigem boas condições de umidade e temperatura de solo, variando entre 18℃ e 24℃, necessárias para uma boa germinação.

Em setembro é a época de dissecá-lo do sistema, antes da semeadura do milho ou da soja em novembro.

Se a finalidade for para a produção animal, o ideal é que o plantio ocorra na primavera, até outubro. Isso porque é neste momento em que ocorrem as primeiras chuvas e o ambiente está ideal, com temperatura de 20℃, além de haver umidade suficiente para a emergência. O pastejo pode ser iniciado de 80 a 150 dias depois. 

Caso o plantio seja realizado em outra época, como início do verão, o período do pastejo varia de 50-100 dias. Caso ocorra no início de outubro, isso varia de 40 a 60 dias.

A semeadura pode ocorrer em linha ou a lanço. 

Na semeadura a lanço da planta, usada neste caso como forrageira para pastejo, são recomendados de 18 kg a 20 kg de semente/ha, com espaçamento de 20 cm a 30 cm entre linhas. 

Na semeadura a lanço para a produção de grãos de milheto, sementes ou silagem, o recomendado é de 12 kg a 15 kg/ha, com espaçamento entre linhas de 40 cm a 60 cm.

Caso a semeadura seja a lanço, recomenda-se 20% a mais de sementes/ha

Cultivar de milheto 

A cultivar BRS 1503, da Embrapa, é boa opção para produção de grãos, forragem e  palhada de alta qualidade. 

Ela tem crescimento rápido e alta capacidade de rebrota, além de tolerância ao acamamento 

Milheto como silagem para a alimentação animal

Na América, especialmente no Brasil, o milheto começou a ser usado como forrageamento, tanto para pecuária de corte como de leite.

É uma cultura altamente produtiva, com potencial de produção de até 50 toneladas por hectare de massa verde e aproximadamente 15 toneladas de hectare de matéria seca, quando cultivado nos meses de setembro e outubro. 

O milheto tem sido cada vez mais requerido para formulação de rações de aves e suínos. Nestes casos, além de ampliar as fontes de componentes para a ração, tem como característica não apresentar efeitos antinutricionais como taninos e cianogênicos. 

Seu teor de energia metabolizável é similar ao dos demais grãos energéticos utilizados na alimentação animal. Sua fonte de proteína bruta é maior que a do milho e semelhante a do sorgo. Veja na tabela abaixo:

milheto

(Fonte: Embrapa)

Estudos indicam que, em condições de pastejo em animais de recria, proporciona ganhos de até 600 gramas de peso vivo/dia. Isso equivale a 20 arrobas por hectare em cinco meses. 

Assim, para a produção de silagem, o milheto pode substituir o milho ou o sorgo, com vantagens em produtividade e qualidade, quando cultivado em safrinha ou tardiamente.

milheto para pastejo

Milheto forrageiro tem alto teor de proteína e nutrientes

(Fonte: Milkpoint)

Outras características do milheto

O milheto possui um sistema radicular vigoroso, que pode chegar a até 3 metros de profundidade. 

Isso contribui muito na ciclagem de nutrientes e acúmulo na camada superior do solo de substâncias como cálcio, potássio e nitrogênio. 

Por isso, estudos estão sendo feitos sobre o seu uso no controle de nematoides

Além disto, a rebrota após o corte ou pastejo é bem vigorosa. 

milheto

(Fonte: Instituto Federal Goiano)

O milheto é excelente para produção de palhada, chegando a produzir, dentro de 30-40 dias, 50 toneladas de massa verde.

Uma de suas vantagens é a baixa exigência hídrica: 300 gramas de água para cada grama de matéria seca. Para se ter ideia, o milho necessita de 370 gramas e o sorgo de 321 gramas de água.  

A produção de matéria verde do milheto sem adubação pode variar de 20t a 70t/ha. 

Já em relação à produção de milheto para alimentação humana, uma curiosidade: a farinha feita a partir dos grãos do milheto é base alimentar na Índia e África – é usada de forma bem semelhante à farinha de trigo no ocidente. Devido a seu alto valor nutritivo, é considerado um alimento funcional.

Também tem sido utilizado na produção de biomassa para biocombustíveis, através de bioenzimas especiais.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão 

O milheto é uma cultura de multifuncionalidades, desde a produção de grãos ao sistema de plantio direto.

Neste artigo, discutimos as melhores épocas para plantio conforme sua finalidade e também como fazer a semeadura.

Abordamos ainda as características dessa cultura em comparação ao milho e ao sorgo.

A utilização do milheto pode ser uma grande vantagem, principalmente no avanço do plantio direto. Mas, lembre-se que o fator determinante será o planejamento

>> Leia Mais:

Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedades
Adubação verde: Saiba como cultivar e as características de cada espécie
Feijão Guandu: Como ele pode melhorar seu sistema de produção
Benefícios do trigo mourisco para o solo da lavoura

Você já teve alguma experiência com plantio de milheto? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário!