Consultor agrícola: 5 dicas para melhorar seus serviços e expandir sua consultoria

Consultor agrícola: como se organizar e se planejar para ter resultados mais efetivos para você e seus clientes.

A extensão nem sempre chega onde mais deveria: ao produtor. Ele muitas vezes se encontra distante das universidades e centros de pesquisa agrícola.

Nesse contexto, o consultor agrícola é a ponte que liga produtor e pesquisa, levando o conhecimento e inovação até o campo.

Mas mesmo um consultor experiente pode melhorar seu negócio e ser mais eficiente em sua consultoria.

Listei 5 dicas que podem te ajudar a expandir seus serviços de consultor agrícola. Confira comigo!

O papel do consultor agrícola

Todos os envolvidos com o agro conhecem a figura do consultor agrícola.

Essa profissão encurta as distâncias entre o conhecimento e o produtor, trazendo inovação ao campo e possibilitando que a produção agrícola siga sempre avançando.

Muitas vezes fica difícil competir com alguém com maior experiência e já estabelecido como consultor. Mas o mercado está cada vez mais competitivo e com profissionais capacitados.

É imprescindível ter um diferencial em seus serviços a fim de melhorar e expandir sua consultoria.

Não importa se você já é consultor agrícola há muito tempo ou se está apenas começando na atividade, sempre há como melhorar!

5 dicas para melhorar seus serviços e expandir sua consultoria agrícola

Algumas coisas simples podem ser adotadas a fim de melhorar sua consultoria. Confira:

1. Organização é tudo para o consultor agrícola

Você deve encarar a sua consultoria como uma empresa. Para isso, a organização é fundamental!

Muitas vezes, o que define o sucesso financeiro de uma empresa é o controle refinado de todas as suas atividades, despesas e receitas.

Para um consultor agrícola não é diferente. Ou pelo menos não deveria ser…

Afinal, se você não sabe quanto gasta ou quanto ganha, pode ser que esteja “vendendo o almoço pra pagar a janta”. Cuidado.

Mantenha um histórico detalhado de suas atividades como consultor, seus custos e quanto ganha com cada serviço.

Desse modo, você terá maior controle sobre sua consultoria e poderá decidir de maneira consciente como expandir seus serviços.

Com o Aegro, você armazena todas atividades e informações durante a visita a fazenda ou na estrada, sem perder dados ou ficar preso ao computador.

2. Planejamento é o melhor caminho

Agora que já organizou a “sua casa”, é hora de planejar os próximos passos.

Se você tem planos de expandir sua consultoria ou mesmo contratar consultores para te auxiliar, tudo deve ser planejado.

Por exemplo, não é novidade que os consultores “rodam” muito para atender seus clientes. Planejar suas rotas para ser mais rápido ou gastar menos no trajeto pode trazer economia no fim do mês.

Da mesma forma, avalie a real necessidade de expandir o seu negócio. É melhor manter a qualidade do serviço do que expandi-lo e correr o risco de não atender a todos com a mesma eficiência.

Caso decida expandir seu negócio, o Aegro pode ajudar a otimizar suas atividades e ganhar tempo para atender novos clientes. 

Centralize as informações de todos os clientes em um único lugar, de onde estiver, online e offline, garantindo a tomada de decisões assertivas baseadas em seu histórico, detecção de problemas e monitoramento da lavoura.

O Aegro é o investimento certo para você que não tem tempo para registrar informações entre uma visita e outra, que está cansado de ter retrabalho e quer aumentar sua produtividade e de seus clientes, para atender mais e melhor.

3. Cuide bem da clientela (e de seus colaboradores)

Nunca é o bastante lembrar: embora o trabalho do consultor agrícola seja com plantas e/ou animais, ele primeiramente lida com pessoas.

Seja diretamente com o produtor ou com consultores contratados na sua empresa, o jeito como você os trata pode definir o sucesso ou o fracasso do trabalho.

Como qualquer prestador de serviços, a palavra final é do contratante, do cliente. Nesse caso, do produtor rural.

Saber conquistá-lo e fidelizá-lo exige mais do que competência, também é necessário comunicar-se bem e trazer as informações de forma que o produtor entenda.

Como disse, a competição no mercado é feroz, por mais que seja competente e experiente, saber “vender o seu peixe” e tratar bem seus clientes é pré-requisito para se manter no mercado.

Um bom consultor agrícola sabe disso e usa a seu favor.

4. Conheça seus clientes

Da mesma forma que devemos organizar nosso negócio, é fundamental manter os dados de nossos clientes em ordem.

Culturas, talhões, aplicações, níveis de infestação, implementos agrícolas disponíveis, etc.

A ideia é manter um registro e histórico de todas essas informações de modo que seja fácil acessá-las para que sejam utilizadas na tomada de decisão.

Dessa maneira, fica mais fácil relembrar como está a situação de cada propriedade. Além disso, facilita para designar as operações que cada produtor deve fazer.

Com isso, otimizamos o tempo e tomamos melhores decisões.

O problema é quando temos que lidar com um número muito grande de informações. Fica complicado…

5. Invista em tecnologia

Hoje temos o mundo na palma de nossas mãos, tudo está conectado. No agro não é diferente.

Existem apps e softwares de gestão agrícola que facilitam a vida do administrador, do empresário e também do consultor agrícola.

Mexer com planilhas pode ser complicado, confuso e muitas vezes os dados acabam se perdendo. Então por que não investir em um software?

consultor agricola


Aegro permite ao consultor visualizar informações gerais das fazendas e fazer observações a campo

O Aegro é um software de gestão agrícola que torna mais amigável o controle de sua consultoria. Seja no aplicativo de celular ou no computador, tudo fica conectado e sincronizado.

Com ele é possível organizar todos os dados de uma propriedade, talhão a talhão, atividade por atividade.

Além dos dados financeiros, podemos também programar as operações necessárias e designar o que cada colaborador deve fazer.

Isso é interessante principalmente quando temos um grande número de dados para trabalhar.

Conclusão

O consultor agrícola é de extrema importância para o agronegócio brasileiro.

Mas como ocorre em outros setores, na consultoria agrícola a concorrência também é elevada e o mercado é muito competitivo.

Como pudemos conferir no texto, medidas simples como organização e planejamento podem fazer toda a diferença para se ter um diferencial no mercado.

É importante lembrar que o consultor deve saber lidar com pessoas e tratar muito bem seus clientes.

Investir em um software para agricultura pode facilitar a vida e tornar seus serviços ainda mais organizados e eficientes.

Não importa como, o importante é sempre buscar melhorias para atender melhor seus antigos e novos clientes, os produtores rurais.

>> Leia mais:

Como vender a consultoria rural: o que você precisa saber para conseguir alcançar mais clientes

“Entenda por que o consultor deve incentivar a diversificação de culturas na fazenda”

E você, o que achou do texto? Quais suas dúvidas enquanto consultor agrícola? Conte para gente. Grande abraço.

O guia completo para o controle de capim-pé-de-galinha

Capim-pé-de-galinha: Época certa para controle, quais herbicidas utilizar e as principais dicas para minimizar casos de resistência e evitar prejuízos.

A Eleusine indica, conhecida no Brasil como capim-pé-de-galinha, é uma das 5 plantas daninhas mais problemáticas do mundo.

E o que mais preocupa os agricultores brasileiros é o número de casos de resistência que esta espécie apresenta ao redor do mundo.

Já há populações dessa daninha resistentes a 8 mecanismos de ação de herbicidas, que afetam 10 países.

Quer saber como fazer um manejo eficiente de capim-pé-de-galinha? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Capim-pé-de-galinha: principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma espécie de planta daninha de ciclo anual que pode infestar lavouras anuais e perenes, se desenvolvendo bem em qualquer tipo de solo. Pode ser encontrado em quase todas as regiões do país, afetando a maioria dos cultivos de grãos.

Seu ciclo de vida pode durar de 120 a 180 dias, dependendo da região. Sua reprodução ocorre via sementes.

capim-pe-de-galinha
Plantas adultas de capim-pé-de-galinha, daninha que é uma planta de ciclo anual
(Fonte: Roundup Ready)

Sua ampla dispersão está associada à capacidade de produzir uma grande quantidade de sementes (mais de 120 mil sementes por planta), que são facilmente disseminadas pelo vento durante todo o ano.

capim-pe-de-galinha
Sementes de capim-pé-de-galinha
(Fonte: Weedimages)

Suas sementes possuem maior capacidade de germinação em temperaturas entre 35°C a 20°C.  Por isso, a alta germinação pode ocorrer o ano todo, dependendo da região do país.

É muito importante realizar o correto controle de capim-pé-de-galinha, pois essa planta daninha pode ser “ponte verde” para  doenças que afetam plantas cultivadas.

O  capim-pé-de-galinha pode ser hospedeiro de agentes patogênicos que atacam cultivares de importância econômica. Pode ser hospedeiro, por exemplo, do vírus do mosaico listrado do milho, de alguns fungos e do nematóide das galhas.  

O problema da resistência do capim-pé-de-galinha no Brasil

O primeiro caso de resistência de capim-pé-de-galinha a herbicida no Brasil foi registrado em 2003. Na ocasião, houve seleção de uma população resistente dessa planta a alguns herbicidas Inibidores da ACCase (graminicidas), no Rio Grande do Sul.

Porém, este caso não foi tão alarmante, pois estas plantas eram resistentes a alguns graminicidas específicos. Mas, continuavam sendo controladas pelos dois graminicidas mais usados no país: clethodim e haloxyfop.

Além disso, poucos anos depois houve grande expansão dos cultivos RR e o capim-pé-de-galinha era facilmente controlado com glifosato.

Treze anos, depois devido ao uso indiscriminado do glifosato, ocorreu a seleção de populações de capim-pé-de-galinha resistentes no centro-oeste do Paraná.

Nesse momento, os produtores brasileiros começaram a ter maior preocupação com essa espécie. Isso porque não existem muitas opções no mercado para controle eficiente de graminicidas perenizadas.

No ano seguinte, ocorreu o que os produtores mais temiam. Houve registro de uma população com resistência múltipla a inibidores da ACCase (graminicidas) e ao glifosato.

Essa população tem resistência aos herbicidas glifosato, fenoxaprop e haloxyfop.

O grande problema é que essa espécie possui grande histórico de infestação e resistência a herbicidas em vários países.

Além do casos registrados no Brasil, foram relatados 30 casos de resistência em outros dez países.

capim-pe-de-galinha
Lavoura de algodão infestada com capim-pé-de-galinha com resistência a herbicidas inibidores da ACCase
(Foto: Edson Andrade Junior em Circular Técnica ImaMT)

Veja casos de resistência simples de capim-pé-de-galinha a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: glifosato)
  • Inibidor do Fotossistema I (ex: paraquat)
  • Inibidor da ACCase (ex: cletodim)
  • Inibidor da ALS (ex: imazapyr)
  • Inibidor da formação de microtúbulos (ex: trifluralina)
  • Inibidor do Fotossistema II (ex: metribuzin)
  • Inibidor da Protox (ex: oxadiazon).

Casos de resistência múltipla de capim-pé-de-galinha a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs + Inibidor da ACCase
  • Inibidor da EPSPs + Inibidor do Fotossistema I
  • Inibidor da GS + Inibidor do Fotossistema I
  • Inibidor da EPSPs + Inibidor da ACCase + Inibidor da GS (ex: glufosinato) + Inibidor do Fotossistema I

Manejo de capim-pé-de-galinha na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra com certeza é o momento ideal para realizar um manejo eficiente do capim-pé-de-galinha, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 1 perfilho, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas aplicados em pós-emergência:

Os casos de resistência a inibidores da ACCase e glifosato ainda não estão extensamente disseminados no Brasil. Desse modo, a recomendação desses herbicidas dependerá do histórico da área.

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,5 a 1,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos com ótimo desempenho que seguem a mesma lógica de manejo.

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois esse herbicida reduz sua eficiência.

Glifosato

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes). Recomendável dose de 2,0 a 3,0 L ha-1.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 1 perfilho) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v.

capim-pe-de-galinha
Capim-pé-de-galinha é relativamente resistente à seca e também às altas umidades
(Fonte: Weeds)

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Diclosulam

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). O solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1.

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendável dose de 70 a 120 g ha-1.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos.

Trifluralina

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendável dose 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas maiores na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros).

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato.

Em áreas com grande infestação, devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes (diclosulam, flumioxazin e s-metolachlor) no sistema de “aplique plante”. Assim, diminui-se o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência.

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações.

O controle de capim-pé-de-galinha no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. Existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlam capim-pé-de-galinha.

Para controle do banco de sementes podemos aplicar herbicidas pré-emergentes em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole).

Para controle de plântulas em estádio inicial (até 1 perfilho) temos as seguintes opções:

Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas.   

>> Leia mais:  “Como fazer o manejo eficiente do capim-colonião”

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-pé-de-galinha possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la.

Vimos ainda algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente do capim-pé-de-galinha!

>> Leia mais: “Guia para controle eficiente da trapoeraba
>> Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha
>> Leia mais: “O guia completo do manejo do Caruru Amaranthus palmeri

Como você controla a infestação de capim-pé-de-linha na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!

PRNT: o que é e como calcular para economizar na compra do calcário

Atualizado em 02 de junho de 2022.

PRNT: veja sua influência na hora da calagem, como calcular o PRNT, as principais fontes de corretivo agrícola e muito mais!

Você já se perguntou para que serve o PRNT na hora de fazer calagem? Ele traz informações importantes que podem te ajudar a economizar na compra de calcário.

Mais do que isso, conhecer o PRNT te auxilia a fazer uma calagem e correção do solo mais eficazes.

Veja como fazer todos esses cálculos de maneira simples e entenda melhor qual tipo de calcário deve ser utilizado na sua propriedade! Confira!

O que é PRNT: significado

O PRNT é a sigla para Poder Relativo de Neutralização Total, um indicativo de qualidade dos corretivos agrícolas, avaliado pelo valor do poder de neutralização e pelo tamanho das partículas.

Quanto maior o PRNT, melhor a qualidade do calcário e mais rápida é a sua reação no solo. Conhecer a função do PRNT pode fazer diferença na escolha do corretivo agrícola mais adequado para sua propriedade.

A importância do PRNT está no fato de que, quanto maior a quantidade de PRNT, menor quantidade de calcário precisa ser aplicada é maior a sua qualidade

Considerando isso antes da compra de calcário, você evita desperdícios e garante aplicar a quantidade correta.

Qual a diferença entre PN, RE e PRNT?

Poder de Neutralização (PN) é a capacidade potencial total de bases neutralizantes contidas em corretivo de acidez, expressa em equivalente de Carbonato de Cálcio puro (%ECaCO3).

A Reatividade das Partículas (RE) é o valor que expressa o percentual do corretivo que reage no solo no prazo de 3 meses.

O Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT), por sua vez, é o conteúdo de neutralizantes contidos em corretivo de acidez, expresso em equivalente de Carbonato de Cálcio puro (%ECaCO3), que reagirá com o solo no prazo de 3 meses.

Capacidade de neutralização relativa ao carbonato de cálcio (CaCO3)

Alguns elementos podem apresentar ação equivalente ao carbonato de cálcio. Por exemplo,100 kg carbonato de magnésio apresentam ação equivalente a 119 kg de carbonato de cálcio. Outras neutralizações possíveis são:

  • 100 kg de carbonato de magnésio = 119 kg de carbonato de cálcio
  • 100 kg de hidróxido de cálcio = 135 kg de carbonato de cálcio
  • 100 kg de hidróxido de magnésio = 172 kg de carbonato de cálcio
  • 100 kg de óxido de cálcio = 179 kg de carbonato de cálcio
  • 100 kg de óxido de magnésio = 248 kg de carbonato de cálcio
  • 100 kg de silicato de cálcio = 86 kg de carbonato de cálcio
  • 100 kg de silicato de magnésio = 100 kg de carbonato de cálcio

A legislação prevê também um valor mínimo para o PN para a soma da porcentagem de CaO + a porcentagem de MgO e PRNT. Veja na tabela estes valores!

Tabela com material corretivo e porcentagem de prnt

(Fonte: adaptação da autora)

Você deve estar se perguntando: calcário não é tudo igual? A resposta é não, porque quanto maior o poder de neutralização do corretivo, maior será a quantidade de ácidos que ele vai neutralizar.

Na tabela acima, você viu que o poder de neutralização mínimo da cal virgem é de 125. Considerando isso, menor será a quantidade de produto que precisará ser comprado.

Principais fontes de corretivos agrícola de solo

O principal objetivo de um corretivo agrícola é corrigir a acidez do solo, expressa pelo pH. Veja abaixo as principais fontes de corretivos e suas características:

Calcário

O calcário é o corretivo mais utilizado na agricultura. Ele é obtido pela moagem de rochas calcárias, constituídas por carbonato de cálcio (CaCO3) e de magnésio (MgCO3).

De acordo com o teor de magnésio, os calcários podem ser classificados como calcítico (1 a 5% de Mg), magnesiano (5 a 12% de Mg) e dolomítico (13 a 21% de Mg).

O PRNT do calcário dolomítico é entre 50% e 70%. Essa é uma porcentagem considerada ideal, afinal, calcários com menos de 45% de PRNT não são recomendados.

Cal virgem

A cal virgem é obtida industrialmente pela queima completa do calcário. Ela é constituída por óxido de cálcio (CaO) e de magnésio (MgO). É um corretivo de ação imediata e pode causar danos em sementes e plântulas.

Portanto, aplique com antecedência ao plantio das culturas.

Calcário calcinado 

O calcário calcinado é obtido pela calcinação parcial do calcário. Ele é constituído por carbonato, óxido e hidróxido de cálcio e magnésio. Apresenta características intermediárias ao calcário e a cal virgem.

Escória silicatada

Escória silicatada é um subproduto da indústria do ferro e do aço. Esse corretivo é constituído por silicato de cálcio (CaSiO3) e de magnésio (MgSiO3). Ele possui o mesmo comportamento do calcário.

Como calcular o poder de neutralização do calcário?

O poder neutralizante está relacionado à capacidade potencial do corretivo em neutralizar a acidez do solo. Ele leva em conta os teores de cálcio e magnésio do corretivo e é calculado pela seguinte equação:

PN (% ECaCO3) = % CaO x 1,79 + % MgO x 2,48

PN (% ECaCO3) = Poder neutralizante expresso em porcentagem equivalente de carbonato de cálcio.

% CaO = Porcentagem de óxido de cálcio.

% MgO = Porcentagem de óxido de magnésio.

Veja um exemplo na prática: considere um calcário com 36% de CaO e 12% MgO.

PN (% ECaCO3) = 36 x 1,79 + 12 x 2,48 = 83% de todo o calcário é capaz de neutralizar a acidez do solo.

Como calcular a reatividade (RE)?

Para o cálculo da reatividade são utilizadas diversas peneiras. Quanto mais finas as partículas do corretivo, maior a sua reatividade. A reatividade de um calcário é dada de acordo com os valores abaixo:

Tabela com relação granulométrica das peneiras de calcário

(Fonte: adaptação da autora)

A reatividade zero significa que estas partículas não têm efeito corretivo no período de 12 a 36 meses. A fórmula utilizada para calcular a taxa de reatividade é:

RE = 0 x (ABNT 10) + 20 x (ABNT 10-20) + 60 x (ABNT 20-50) + 100 x (ABNT 50)

Veja um exemplo para ficar mais claro: imagine que uma análise de calcário apresentou os seguintes resultados na parte granulométrica: 

  • 60% (0,60) passam na peneira com diâmetro de orifícios de 0,30 mm (peneira ABNT 50);
  • 30% (0,30) são retidos na peneira 50, mas passam na peneira 20, que tem diâmetro de orifícios de 0,84 mm (peneira ABNT 20);
  • 9% (0,09) são retidos na peneira 20, mas passam na peneira 10 que tem diâmetro de orifícios de 2 mm;
  • 1% ficam retidos na peneira de 2 mm.

Com a fórmula, fazemos o seguinte cálculo:

RE = 0 x (ABNT 10) + 20 x (ABNT 10-20) + 60 x (ABNT 20-50) + 100 x (ABNT 50)

RE = 0 x (0,01) + 20 x (0,09) + 60 x (0,30) + 100 x (0,60)

RE = 0 + 1,8 + 18 + 60

RE = 79,8%

Ou seja, 79,8% das partículas do calcário vão reagir no solo em 2 a 3 meses.

Máquina agrícola realizando calagem no solo

(Fonte: LaborGene)

Como calcular o PRNT do calcário?

Com os valores do PN e de RE, é possível saber como determinar o PRNT. A fórmula usada para este cálculo é:

PRNT = (PN x RE) / 100

Suponha que o PN do calcário seja de 67%, que é o mínimo exigido pela legislação brasileira para calcário agrícola. Então:

PRNT = (67 x 79,8)  / 100

PRNT = 53%

Ou seja, uma tonelada desse corretivo terá o mesmo efeito na neutralização da acidez do solo que 530 kg de carbonato de cálcio puro e muito moído em 2 a 3 anos.

Vale lembrar que essa é apenas uma das formas de fazer o cálculo. Se quiser se aprofundar em outros métodos, leia este artigo: Cálculo de Calagem: como fazer as contas (+ calcário líquido).

Como o PRNT influencia na quantidade de calcário?

Antes de tudo, é necessário fazer o cálculo de necessidade de calcário, através da fórmula:

NC = [CTC x (V2 – V1) x (100 / PRNT)] / 100

Onde:

NC = Necessidade de calcário, em t ha-1;

CTC = CTC pH7 (capacidade de troca de cátions) em cmolc dm-3;

V2 = Porcentagem de saturação por bases desejada;

V1 = Porcentagem de saturação por bases atual do solo (encontrada na análise do solo);

PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total (encontrado na embalagem do calcário).

Observe que o PRNT entra no cálculo de calagem. O valor já vem informado na embalagem, então você não precisará fazer os cálculos apresentados anteriormente. Eles foram feitos para entendermos de onde vem os valores de PRNT.

Por exemplo, suponha que fizemos a análise de solo de uma área e que o V% (saturação de bases) seja de 50%. Suponha que o valor de referência que precisamos atingir seja de V% = 60%, e que a CTC do solo seja de 25 cmolc dm-3.

Assim, pela fórmula, na necessidade de calagem temos:

NC = [CTC x (V2 – V1) x (100 / PRNT)] / 100

NC = [25 x (60 – 50) x (100/53)] / 100

NC = 4,71 t ha-1

Agora pense que na hora da compra do calcário, você tenha mais duas opções: um dos corretivos com PRNT = 70% e outro com PRNT = 90%. Pelo cálculo teremos:

NC = [CTC x (V2 – V1) x (100 / PRNT)] / 100

NC = [25 x (60 – 50) x (100/70)] / 100

NC = 3,57 t ha-1

NC = [CTC x (V2 – V1) x (100 / PRNT)] / 100

NC = [25 x (60 – 50) x (100/90)] / 100

NC = 2,77 t ha-1

Observe que quanto maior o valor do PRNT do calcário, menor a quantidade que precisará ser comprada. Com esses valores, basta multiplicar pelo preço da tonelada que cada produto está sendo vendido. Assim você saberá qual deles é mais econômico.

Se você quer fazer o cálculo de calagem de forma mais simples e automática, separamos uma planilha para você. Ela é gratuita, e basta clicar na imagem abaixo para baixar:

Dica: atenção à faixa de PRNT

Os calcários são classificados em faixas de A até D, que indicam a concentração de PRNT:

  • Faixa A – calcário com PRNT entre 45% e 60%;
  • Faixa B – calcário com PRNT entre 60,1% e 75%;
  • Faixa C – calcário com PRNT entre 75,1% e 90%;
  • Faixa D – calcário com PRNT superior a 90%.

Fique sempre de olho nessas informações ao comprar o corretivo. Afinal, calcários com PRNT menor que 45% não podem ser comercializados!

Banner da planilha de calagem

Conclusão

Neste artigo, você viu o quanto o PRNT é importante na hora da compra do calcário. Assim, você pode economizar usando essa informação.

Também mostramos como calcular o PRNT, o poder de neutralização e a reatividade das partículas.

Então, aproveite as dicas e faça uma boa calagem!

>>Leia mais: 

O que você precisa saber sobre as diferenças entre calagem e gessagem

3 maneiras de lucrar mais com um software de gestão agrícola

Gostou do texto? Restou alguma dúvida ou tem outras dicas sobre o PRNT? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Atualizado em 02 de junho de 2022 por Denise Prevedel.

Denise é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Também é doutoranda em agronomia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Planejamento rural: veja como se preparar para o cenário rural no próximo ano

Planejamento rural: Como ele pode te ajudar na tomada de decisões e na preparação da sua fazenda para o futuro, além do passo a passo de como iniciá-lo.

Aumentar a produtividade e lucratividade da fazenda faz parte das estratégias de crescimento dxe um negócio rural.

Mas diante de um cenário de instabilidade e incertezas da economia, como o atual, é comum ter dúvidas se a empresa está mesmo no caminho certo.

Com certeza, a melhor alternativa para se preparar para o futuro e tomar as decisões certas é ter um planejamento rural eficiente.

Então, saiba como se programar e estabelecer suas metas com oito passos para um bom planejamento rural!

O que é planejamento rural e qual sua importância

O planejamento rural é uma etapa de organização e determinação de tarefas para atingir metas como aumento da produtividade e lucros da fazenda. É um processo que envolve estratégia e eficiência para alcançar os resultados!

Planejar todas as atividades nem sempre é fácil, mas é um trabalho essencial para sua empresa rural. E dá para ser feito de maneira mais simples e descomplicada.

Para iniciar esse trabalho, temos de ter em mente quais são os objetivos e quais as perspectivas para a fazenda. Na sequência, definimos as estratégias para alcançar essas metas em curto, médio e longo prazos.

Para isso, é fundamental que seja realizada uma boa gestão de sua propriedade.

Separei então algumas dicas para você iniciar seu planejamento rural!

8 etapas para um bom planejamento rural

Para iniciar o planejamento rural da sua empresa, há algumas etapas que você pode seguir. Confira!

1ª Etapa: Defina objetivos

A primeira etapa para o planejamento, como mencionei, é traçar seus objetivos. Tenha suas metas bem definidas!

Por exemplo, “quero diminuir meus custos de produção em curto prazo”. Ou, então, “quero aumentar minha produtividade em longo prazo”.

Assim, todas as estratégias estarão voltadas aos objetivos propostos.

planejamento rural
Objetivos do negócio rural deverão estar bem definidos
(Fonte: Jornal O Sul)

2ª: Saiba a situação atual da empresa rural

Para isso, você pode responder algumas questões como:

  • Como está a situação financeira da fazenda hoje?
  • A empresa possui clientes fixos?
  • Qual a cadeia produtiva na qual a empresa está inserida?
  • Quais fatores influenciam na lucratividade da empresa rural atualmente?

Ao fazer essas perguntas, você consegue identificar as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças da propriedade rural, como mostra a matriz SWOT ou FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças). 

A finalidade da matriz é detectar pontos fortes e fracos da empresa, com o objetivo de torná-la mais eficiente e competitiva.

Matriz SWOT ou FOFA
Matriz SWOT ou FOFA
(Fonte: SEBRAE)

>> Leia mais: “6 passos para o planejamento financeiro da sua fazenda com sucesso

3ª: Faça seu diagnóstico

Nessa etapa, você deve indicar todas as informações possíveis sobre sua fazenda!

  • Quais as necessidades?
  • Qual o tamanho de sua propriedade?
  • Quais atividades são realizadas em sua empresa rural?
  • Qual sua infraestrutura?

Não se esqueça de detalhar tudo. Todas as informações são muito importantes!

atividades-realizadas
Exemplo de atividades realizadas com uso do software agrícola Aegro (dados ilustrativos)

4ª: Defina o orçamento

Defina qual o orçamento atual de sua empresa rural. Quanto você tem e quanto pode gastar?

Não se esqueça de indicar quais são seus custos fixos!

5ª: Defina estratégias

Como você já traçou seus objetivos, o que tem e quanto pode gastar, nessa etapa vamos definir qual o melhor caminho para atingir esses objetivos!

Nessa fase, o gestor é fundamental. Ele irá discutir e definir ações que te levam a seu objetivo e indicar quais possíveis problemas durante o percurso.

6ª: Planeje o calendário agrícola

Programe-se descrevendo todas as atividades a serem realizadas detalhadamente. Isso inclui desde a compra dos insumos até local de compra e valor.

Não se esqueça de planejar a data de semeadura e, principalmente, da colheita.O planejamento de cada etapa do calendário agrícola é fundamental para o sucesso da lavoura!

Programe-se descrevendo todas as atividades a serem realizadas detalhadamente. Isso inclui desde a compra dos insumos até local de compra e valor.

Não se esqueça de planejar a data de semeadura e, principalmente, da colheita.

O planejamento de cada etapa do calendário agrícola é fundamental para o sucesso da lavoura!

planejamento rural
(Fonte: Sebrae)

7ª: Colete dados

Possuir um controle dos dados de sua propriedade pode lhe auxiliar no planejamento para alcançar os objetivos que foram traçados.

Você precisa ter em mãos informações como:

Com esses dados, é possível realizar projeções para o sucesso da empresa rural.

Além disso, evitam-se desperdícios de produtos e prepara o empreendimento para

eventuais períodos de crise.

8ª: Coloque seu plano em prática e monitore!

Após estabelecer seu plano, coloque-o em prática e monitore sempre.

Um bom planejamento em empresas rurais é atualizado constantemente.

Assim, você continua no mercado de maneira competitiva, com alta produtividade e melhorando a lucratividade sempre!  

Apesar de parecer que há muitas etapas para a realização do planejamento rural, não se preocupe.Para auxiliar em todas as etapas desse planejamento e facilitar a gestão rural, existem ferramentas digitais disponíveis. Isso permitirá que você possua todas as informações da lavoura na palma da mão!

planejamento rural
Com o Aegro fica fácil colocar todos os seus planos de negócio em prática e monitorá-los

A realização do planejamento da empresa envolve também obter conhecimento dos planos e programas disponibilizados pelo governo.

Esses planos e programas podem auxiliar no levantamento de recursos para o custeio da produção e também a fazer novos investimentos.

Plano Safra 2024: o que devemos esperar

O Plano Safra é um programa do Governo Federal de apoio ao setor agropecuário, que oferece linhas de crédito, incentivos e políticas agrícolas, desde os agricultores familiares até os mega produtores. 

No Plano Safra 2023/2024, foram disponibilizados R$ 364,22 bilhões em crédito rural, um crescimento de 26,8% em relação ao ano anterior. Este plano teve início em julho de 2023 e tem vigência até junho de 2024.

As taxas de juros para custeio e comercialização são de 8% ao ano para os produtores enquadrados no Pronamp e de 12% a.a. para os demais produtores.

Para os investimentos, as taxas de juros variam de 7% a.a a 12,5% a.a., de acordo com cada programa

Esta edição do plano incentiva o fortalecimento dos sistemas de produção ambientalmente sustentáveis. Os produtores rurais que adotam práticas agrícolas consideradas mais sustentáveis serão reconhecidos por meio de uma premiação.

Produtores inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) que atendam a certas condições, terão direito a uma redução de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros de custeio.

  • Programa de Regularização Ambiental (PRA);
  • Sem Passivo Ambiental;
  • Passível de emissão de cota reserva ambiental.

Os produtores que tenham práticas de produção agropecuária mais sustentável, também terão direito à redução de 0,5 ponto percentual nas taxas de custeio. Como:

  • Produção orgânica;
  • Agroecológica;
  • Bioinsumos;
  • Tratamento de dejetos na suinocultura;
  • Pós de rocha;
  • Calcário;
  • Energia renovável na avicultura;
  • Rebanho bovino rastreado;
  • Certificação de sustentabilidade.

Caso o produtor preencha os dois requisitos, ele poderá ter uma redução de até 1 ponto percentual na sua taxa de juros de custeio.

De acordo com a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o volume de recursos do Plano Safra vai continuar crescendo em 2024 e que, no pior cenário, o montante deste ano será o piso para a temporada 2024/25.

Garantia-Safra 2024

O Garantia-Safra é uma ação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), que tem como objetivo garantir condições mínimas de sobrevivência aos agricultores familiares de municípios sistematicamente sujeitos a perda severa de safra por razão de estiagem ou excesso hídrico.

Podem participar os agricultores com renda mensal de até um salário mínimo e meio, quando tiverem prejuízos superiores a 50% na produção de algodão, mandioca, milho, feijão e arroz.

O agricultor apto ao programa recebe um benefício no valor de R$ 1.200,00, dividido em cinco parcelas.

O calendário de cadastramento dos agricultores é diferente para cada estado, que define cronograma para o cadastro dos agricultores nos municípios. 

Como o planejamento rural pode ser utilizado no meu dia a dia?

O planejamento é peça-chave na tomada de decisão do gestor, acelerando diversos processos na empresa rural, tanto burocráticos como operacionais.

Na prática, o planejamento rural permite ter uma visão de quando você deve ou não semear, evitando problemas na colheita.

Quais produtos podem ser utilizados no manejo de doenças e plantas daninhas com o que se possui em estoque.

Planejando o calendário agrícola, fica mais fácil evitar desperdícios. E consequentemente ocorrem menores gastos e maior lucratividade.

Além disso, conhecendo quanto tempo demora cada atividade, você consegue otimizar seu dia e organizar melhor os colaboradores.

Vamos conferir agora, algumas ferramentas que podem auxiliar no planejamento rural de sua propriedade!

Ferramentas para seu planejamento rural

Como eu mencionei, existem inúmeras ferramentas que você pode aproveitar. Use a tecnologia a seu favor!

Consultoria e planejamento rural são alternativas se você não entende muito de planejamento e pode investir um pouco mais! Algumas empresas fornecem esse serviço.

Aqui no blog nós já mostramos alguns aplicativos para planejamento agrícola que você pode utilizar em sua propriedade!

Os softwares na agricultura também são ferramentas super importantes porque podem reunir, em um só ambiente, todas as informações da sua empresa rural.

Na prática, a utilização de sistemas que possibilitem a gestão da propriedade, reflete em menores custos para inúmeras operações!

Muitas vezes aumentam a produtividade por permitir ao produtor entender onde estão os erros do processo.

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Com Aegro, você consegue visualizar rentabilidade por talhão da fazenda
de forma segura e rápida

Você pode começar esse controle na sua fazenda agora mesmo. O Aegro tem opções gratuitas e versão completa com teste grátis!

Kit de gestão do maquinário da fazenda

Conclusão

Neste artigo vimos a importância do planejamento rural e como ele é fundamental para diminuir custos, aumentar sua produtividade e lucratividade.

Mostramos quais as possíveis etapas de um planejamento rural e como pode ser utilizado no dia a dia da empresa rural.

Você conferiu ainda algumas opções de ferramentas disponíveis para um bom planejamento rural!

Espero que com essas dicas você alcance ainda mais sucesso em sua fazenda!

>> Leia mais:

“Big Data no agronegócio: a revolução dos dados”

“Elaboração de projetos de crédito rural: entenda pra que serve e como fazer”

“Como uma boa gestão de máquinas agrícolas pode diminuir seus custos de safra”

Você realiza o planejamento rural em sua propriedade? Quer saber mais sobre o assunto? Assine a nossa newsletter e receba todas as novidades diretamente no seu e-mail!

Foto da autora Mariana, sorrindo com uma parede vermelha no fundo

Atualizado em 21 de novembro por Mariana Rezende.

Sou formada em economia e mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente sou doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Economia e graduanda de Ciências Contábeis na mesma instituição.

Culturas de inverno: como aumentar o rendimento na propriedade

Culturas de inverno: alternativas de plantio, quais espécies utilizar e como se preparar para ter mais rentabilidade na segunda safra.

As culturas de inverno são opções rentáveis para pequenos, médios e grandes produtores.

Elas diversificam a renda, além de promover melhoras significativas no sistema de produção como um todo.

Mas nem sempre a dobradinha ‘soja-milho’ é a mais vantajosa na sua propriedade.

Veja a seguir as melhores alternativas, vantagens, limitações e como se preparar para um plantio de inverno mais rentável!

Culturas de inverno: Alternativas de plantio

Culturas de inverno são gramíneas, oleaginosas ou leguminosas que sucederão a área ocupada com milho ou soja de verão durante período de janeiro/fevereiro até agosto/setembro, visando a produção de grãos, fibra ou biomassa.

São várias as opções viáveis como:

Sua escolha deve ser marcada pela oportunidade econômica da região, optando pela cultura com melhor rentabilidade.

Além disso, preze pelo terceiro pilar do Sistema de Plantio Direto: a rotação de culturas.

Em muitos locais, a sucessão soja-milho é o padrão na escolha. Mas, o uso desse sistema ao longo dos anos, de modo consecutivo, pode gerar problemas. Isso porque há especialização de daninhas, pragas e doenças na área e, consequentemente, o uso dos mesmos fitossanitários, que começam a apresentar menor eficiência de controle.

Mais adiante veremos quais opções podem ser utilizadas pelos produtores como culturas de inverno e como se preparar para o plantio.

culturas de inverno
Trigo é uma das culturas de inverno que podem gerar boa rentabilidade
(Fonte: Embrapa)

Características das culturas de inverno

As plantas cultivadas na entressafra apresentam diversas características fisiológicas. Assim, podem se mostrar viáveis em diferentes tipos de solo e condições climáticas.

Na região sul, o período de entressafra apresenta menores temperaturas. Por isso, plantas como trigo, aveia ou centeio são indicadas para serem cultivados em sucessão à soja de verão.  

Já em locais com problemas de déficit hídrico, uma opção é a aveia, que apresenta maior tolerância à seca quando comparada ao trigo, por exemplo.

Na região centro-oeste ou sudeste, são indicados sorgo, feijão, girassol, crambe e até mesmo variedades de trigo adaptadas a temperaturas mais altas.

A escolha da espécie da segunda safra deve ser associada também à cultura semeada no verão.

Quando a soja é a cultura da safra, você pode ter mais vantagens no sistema se optar por uma gramínea para sucessão.

Optando por uma cultura de inverno com características diferentes da cultura de verão, o sistema de produção sofrerá menos com a especialização de doenças, pragas e ervas daninhas.

E, utilizando fitossanitários com diferentes modos de ação, o sistema de produção se manterá com maior eficiência por mais tempo!

Na figura a seguir podemos ver um exemplo de como optar pela cultura de inverno de acordo com a cultura de verão:

culturas de inverno
Recomendações para a composição de programas de rotação de culturas para soja, milho, trigo e feijão, em SPD
(Fonte:  Fancelli, 2008)

Segundo Fancelli, em glebas que apresentem nematoides de galha, deve-se utilizar preferencialmente espécies de crotalárias como cultura antecessora.

É preciso tomar cuidado com o cultivo indiscriminado de nabo forrageiro e girassol, pois podem contribuir significativamente para aumento de Sclerotinia sp.

A presença de nematoide migrador (Pratylenchus brachyurus) exige o emprego de Crotalaria spectabilis, sobretudo quando antecede a lavoura de soja.

Benefícios das culturas de inverno para o sistema de produção

Como eu mencionei, as culturas de inverno podem melhorar a eficiência do sistema de produção como um todo.

Cada espécie apresenta uma demanda diferente por nutrientes e potencial de competição maior com algumas espécies de plantas invasoras. Também têm diferentes resistências e tolerâncias a patógenos e pragas.

Desse modo, com a utilização de diferentes culturas de inverno ao longo dos anos, o sistema terá um equilíbrio entre esses fatores.

Uma planta daninha problema, como a buva na soja, pode ser amenizada com a entrada de uma planta que consiga competir melhor com essa espécie.

É o caso do trigo e da aveia, que apresentam espaçamentos menores, além de efeitos alelopáticos que podem diminuir a germinação das daninhas.

Com essa variação, é possível usar outros fitossanitários, como pré ou pós-emergentes no caso das daninhas, diferentes inseticidas e fungicidas, aumentando a eficiência do uso desses produtos nas culturas.

Outras melhoras significativas para o sistema ocorrem no solo.

Veja na figura abaixo que essas culturas apresentam diferentes arquiteturas radiculares e diferentes relações entre carbono e nitrogênio.

Isso pode minimizar a erosão, maximizar a conservação de água no sistema, reduzir o gradiente de temperatura e manter o potencial biológico do solo.

culturas de inverno
Exemplo das diferentes demandas e arquiteturas radiculares das opções de entressafra
(Fonte: Adaptado de Séguy L. & Bouzinac S. (2008))

Como se preparar para o plantio de inverno

Você pode escolher entre diversas opções de culturas de inverno através do zoneamento climático de cada talhão.

Pode ainda optar por rotacionar áreas da sucessão soja-milho semeando outras espécies no lugar do milho em algumas áreas, fazendo rotação de talhões ao longo dos anos.

Para a semeadura de algumas espécies de culturas de inverno (trigo, aveia, cevada), é necessário usar semeadoras de fluxo contínuo.

Elas apresentam sistema de distribuição de sementes de forma contínua, com espaçamento entre linhas reduzido, em torno de 17 cm.

Nesse momento, há duas opções de maquinário para a implantação da cultura:

  • Semeadora específica de grãos miúdos;
  • Semeadoras múltiplas (realizam semeadura de grãos miúdos e grãos graúdos).

As semeadoras múltiplas apresentam maior versatilidade para o produtor, possibilitando a introdução de culturas diferentes no sistema de produção.

Para o uso de sementes miúdas, as semeadoras múltiplas devem sofrer algumas modificações antes. Deve haver a retirada dos sulcadores de adubo e do sistema distribuidor de sementes de grãos graúdos, além da redução do espaçamento entre linhas.

Essas transformações variam e são específicas para cada modelo.

Rentabilidade das culturas de inverno

É desejável que a produção obtida no plantio de inverno apresente liquidez no mercado.

Dessa maneira, a seleção da cultura de sucessão vai se adequando regionalmente, conforme a produção que apresente melhor rentabilidade.

Em anos de baixa nos preços do milho, o produtor pode optar por cultivar parte da área com outra cultura na entressafra. Assim, colherá os benefícios dessa rotação nos anos futuros.

Outra situação recorrente é o atraso no plantio da safra e consequente atraso no plantio da entressafra, o que pode penalizar o plantio de milho.

Nesse caso a escolha de outra cultura de inverno pode trazer mais benefícios a curto e longo prazos.

culturas de inverno
Com Aegro, você consegue visualizar seu custo de produção e rentabilidade de cada talhão da fazenda

Você pode começar esse controle na sua fazenda agora mesmo. O Aegro tem opções gratuitas e versão completa com teste grátis!

Veja também: “Perspectivas para a safra de inverno!

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

As culturas de inverno são opções rentáveis para o produtor. Elas apresentam vantagens monetárias e de melhora no sistema de produção em comparação ao pousio.

Mas, como vimos, nem sempre a sucessão soja-milho é a mais viável a longo prazo. É possível inserir outras espécies na entressafra, aumentando assim a rentabilidade do sistema ao longo dos anos.

Desse modo, o uso de diferentes culturas de inverno ajuda na efetividade do plantio direto.

E, com base na rotação de culturas, na segunda safra você poderá colher os frutos da adoção do sistema durante o tempo.

Além disso, terá mais opções frente às variações de preço do mercado.

>> Leia mais:

“Por que realizar a cobertura de solo no inverno”

Em quais culturas de inverno você investe? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Falsa-medideira: Como controlar essa lagarta de uma vez por todas

Falsa-medideira: Conheça as principais características para identificar essa praga e controlá-la de maneira efetiva.

Lagartas são pragas que provocam danos muito significativos na lavoura.

A falsa-medideira, em especial, é uma das principais desfolhadoras da soja e pode causar estragos expressivos na plantação.

Por ser um inseto polífago, tem capacidade de se desenvolver em mais de 70 hospedeiros diferentes, desde plantas ornamentais até grandes culturas.

Mas é preciso identificá-la para fazer o manejo adequado. E isso muitas vezes não acontece!

Neste artigo vou te explicar sobre esta praga na cultura da soja, suas principais características, danos e controle. Saiba mais a seguir!

Como identificar a falsa-medideira?

As lagartas-falsas-medideiras são assim denominadas por possuírem dois pares de pernas abdominais e um par na região caudal, fazendo com que elas se desloquem de modo semelhante às lagartas-medideiras “medindo palmo”.

As falsas-medideiras são um complexo de espécies da subfamília Plusiinae muito associadas à soja.

Mas a espécie que vem ganhando maior atenção é Chrysodeixis includens, antes Pseudoplusia includens.

Além das pernas abdominais nas lagartas, é muito importante que você observe outras características morfológicas desta espécie.

Os adultos possuem duas manchas prateadas no primeiro par de asas – e as asas posteriores são de coloração marrom.

Os ovos são colocados, em geral, na face abaxial das folhas, com formato globular e coloração amarelo-clara.

As lagartas que eclodem têm coloração verde-clara, listras longitudinais brancas e pontuações pretas ao longo do corpo.

Outra forma de você identificar esta praga, é por meio do comportamento tanto alimentar como da parte em que as lagartas se estabelecem na lavoura.

falsa-medideira
Chrysodeixis includens nas fases de ovo (a), lagarta (b), pupa (c) e adulto (d)
(Fonte: Embrapa)

O que levou a falsa-medideira a se tornar um problema?

Essa espécie foi considerada praga secundária até o início dos anos 2000.

Após o aparecimento da ferrugem-asiática, os fungicidas começaram a ser utilizados com alta frequência.

Muito provável que isso levou a um decréscimo de fungos entomopatogênicos que ocorriam naturalmente e controlavam a falsa-medideira e outros insetos por epizootias.  

Consequentemente, houve um aumento expressivo da praga, que passou de secundária para primária.

Atualmente, um outro fator que contribui muito para os crescentes problemas é o uso de inseticidas não seletivos, como os piretroides.

Eles atingem, além das pragas, os inimigos naturais presentes na lavoura.

E existem diversos predadores e parasitoides que podem, naturalmente, controlar essa praga, como Nabis sp., Trichogramma spp., Microcharops sp, e diversos outros.

Como você pode ver, a alteração do equilíbrio do agroecossistema pode causar prejuízos a curto e a longo prazo.

E quais seriam os danos e qual parte da planta é atacada?

As lagartas mais novas consomem apenas o parênquima foliar, ou seja, elas raspam as folhas.

Já as lagartas maiores consomem o limbo foliar e, com isso, as nervuras permanecem intactas, causando aspecto de “folhas rendilhadas”.

Esta é uma característica bastante importante para que você diferencie do ataque da lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis, à qual consome as folhas por inteiro.

Há também diferenças no local em que a planta é atacada. A falsa-medideira tem o hábito de atacar a baixeira e o terço mediano; a lagarta-da-soja ataca a parte superior.

Essas diferenças, provavelmente, causam problemas a você em relação ao controle da falsa-medideira.

falsa-medideira
Ciclo de desenvolvimento de Chrysodeixis includens e parte em que a soja é atacada; período pupal dura em média 7 dias até emergência dos adultos
(Fonte: Embrapa)

Quando controlar a falsa-medideira?

Para que seu manejo seja eficiente, você deve realizar o monitoramento para determinar se deve ou não entrar com o controle.

O método mais indicado de amostragem das lagartas é o pano de batida. Lembre-se que a falsa-medideira fica mais abaixo do terço superior.

falsa-medideira

É recomendável que você inicie o controle quando encontrar, em média, 20 lagartas grandes por pano-de-batida.

Juntamente com a amostragem das lagartas, faça um exame visual dos terços mediano e inferior das folhas.

Entre com o controle se houver desfolha de 30% no período vegetativo e de 15% no período de florescimento da planta. Veja na imagem:

falsa-medideira
Amostra de folíolos de soja com diferentes porcentagens de desfolha causada pela alimentação de insetos
(Fonte: Adaptada de Panizzi et al. (1977))

Controle da lagarta-falsa-medideira

Dentre os métodos do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para evitar o ataque, o ideal é que você faça a rotação de culturas.

Dessa forma, você consegue quebrar o ciclo da praga e reduzir a incidência da população na área.

Outra forma de evitar danos, é utilizar cultivares de soja transgênica com a tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis), que confere proteção à cultura.

Quando os níveis de controle são atingidos, você pode utilizar, de forma associada, os controles biológico e químico.

Controle biológico

Se a sua cultivar for convencional, poderá fazer aplicação de produto microbiológico à base de Bt.

O inseticida biológico Dipel é registrado para controle desta praga, com dose de 0,3 a 0,5 L/ha (volume de calda de 100 a 200 L) e, no máximo, 3 aplicações.

Importante mencionar que, se você estiver utilizando cultivar com tecnologia Bt, o uso deste produto não é recomendado.

Liberações massais de Trichogramma pretiosum têm contribuído para a redução das populações de lepidópteros-praga na soja.

O produto TRICHOMIP-P é registrado com recomendação de liberação de até 750 mil adultos em 50 pontos por hectare.

Controle químico

Como mencionei anteriormente, é importante que você utilize inseticidas seletivos aos inimigos naturais das pragas para mantê-los na área.

Pensando nisso, selecionei alguns dos inseticidas mais seletivos registrados para esta praga que você poderá utilizar em associação com o controle biológico natural e inundativo.

Vale considerar a rotação das aplicações com diferentes princípios ativos para evitar a seleção de pragas resistentes.

falsa-medideira
(Foto: Ernesto de Souza/Editora Globo)

Diamidas

  • Belt (flubendiamida) – 50 a 70 mL/ha em
  • Prêmio (clorantraniliprole) – 40 a 50 mL/ha

Clorfenapir

  • Pirate (clorfenapir)  – 0,6 a 1,2 L/ha

Oxadiazina

  • Avatar (indoxacarbe) – 400 mL/ha

Benzoilureia

  • Nomolt (teflubenzurom) – 125 a 150 mL/ha

Diacilhidrazina

  • Intrepid (metoxifenozida) – 135 a 150 mL/ha

Para que você tenha sucesso no controle da falsa-medideira por meio da aplicação de inseticida, invista na tecnologia de aplicação para que seu produto chegue adequadamente na baixeira e no terço médio da planta.

O volume da calda inseticida também vai ser determinante nesse momento, pois baixos volumes podem ficar retidos no terço superior, comprometendo assim o controle desta praga.

>>Leia mais: “5 tecnologias para controlar a Helicoverpa armigera eficientemente
>>Leia mais: “7 verdades sobre Helicoverpa zea: Sua origem e como combatê-la

banner planilha manejo integrado de pragas

Conclusão

O desequilíbrio no ecossistema da lavoura trouxe consequências como a mudança de praga secundária para primária da lagarta-falsa-medideira.

E é importante saber identificar a praga, seu comportamento e local de ataque.

Manter os inimigos naturais na área ajuda a reduzir o nível populacional desta lagarta.

Prefira inseticidas seletivos para evitar surtos desta e de outras pragas, além de rotacionar os grupos químicos.

Espero que, com essas informações, você consiga manejar a falsa-medideira com sucesso na sua lavoura!

>>Leia mais:

“Novidade no mercado de defensivos: inseticida Plethora”

Não cometa erros no manejo: 5 métodos de controle da lagarta-do-cartucho
As tecnologias que você precisa saber para controlar Spodoptera frugiperda

Referências

HERZOG, Donald C.; TODD, James W. Sampling velvetbean caterpillar on soybean. In: Sampling methods in soybean entomology. Springer, New York, NY, 1980. p. 107-140.)

BUENO, R.C.O.F.; PARRA, J.R.P.; BUENO, A.F.; MOSCARDI, F.; OLIVEIRA, J.R.G.; CAMILLO, M.F. Sem barreira. Revista Cultivar, v. 93, p. 12-15, 2007

Você tem problemas com a falsa-medideira em sua lavoura? Restou alguma dúvida sobre como fazer o controle adequado? Deixe seu comentário!

O manual rápido do manejo de boro nas plantas

Boro nas plantas: Quando vale a pena e como utilizar esse micronutriente para melhorar a produtividade da sua lavoura.

A busca pelo aumento de produtividade da lavoura é constante, não é mesmo?

E a adubação com micronutrientes pode ser um importante propulsor dessa melhor produtividade.

O boro é um desses micronutrientes essenciais. Ele ajuda na formação dos grãos e na constituição das membranas dos vegetais.

Mas como se planejar quanto à época de aplicação? Quando vale a pena e qual a forma de disponibilizar esse nutriente para as plantas?

Neste artigo, vamos dar as dicas de como manejar o boro nas plantas para mais produtividade sem perder o lucro de vista!  

Aplicação de boro nas plantas

Micronutrientes são os nutrientes que as plantas exigem em pequenas quantidades quando comparado aos macronutrientes, a exemplo do nitrogênio.

Porém, mesmo em poucas quantidades, são nutrientes essenciais para o pleno desenvolvimento vegetal.

Alguns exemplos de micronutrientes são manganês (Mn), zinco (Zn), molibdênio (Mo), cloro(Cl), cobre (Cu), ferro (Fe) e o boro (B).

Em nossos solos, os valores de B pode variar de 20 a 200ppm. Porém, apenas 0,4 a 5 ppm está disponível às plantas.

O boro nas plantas é importante para formação de novos tecidos, por fazer parte da constituição da parede celular e na integridade da membrana plasmática.

Além disso, participa na divisão celular, no metabolismo e transporte de açúcares, na germinação do grão de pólen e no crescimento do tubo polínico.

O pegamento de flores e a granação das culturas é influenciada pela presença do boro nas plantas.

Desta forma, a exigência nutricional se intensifica no início da fase reprodutiva, onde ocorre a formação de estruturas dessa fase.

E onde são notadas as maiores carências de boro?

Só dos nossos solos serem tropicais (muito intemperizados), já apresentam carência. Porém, em solos mais arenosos e com com baixos teores de matéria orgânica, a carência pode ser mais evidente.

Isso porque o boro, na maioria das vezes, é disponibilizado através da matéria orgânica e, quando em solos arenosos, ocorre maior lixiviação.

Forma de aplicação do boro nas plantas

A aplicação de boro pode ser feita tanto via solo quanto via foliar.

Geralmente, as plantas são bem responsivas à adubação quando as doses de boro presentes no solo estão baixas (<0,20mg/dm³) ou até médias (0,20-0,60 mg/dm³).

Boaretto, em pesquisa, pôde observar que a absorção de B via solo pode ser 3,5 vezes superior à absorção pelas folhas. Isto se deve ao fato do boro não ser móvel no floema.

Isso significa que, uma vez incorporado em um determinado tecido (como as folhas), o boro não pode ser novamente movimentado para suprir as necessidades dos outras folhas e partes da planta.

Ao contrário, o B é móvel e transportado nos vasos do xilema (fluxo de transpiração, o qual funciona absorvendo a solução do solo e distribuindo o conteúdo para a parte aérea da planta).

Mas, em algumas culturas como o café, por exemplo, é mais fácil realizar aplicações via foliar, já que a cultura é perene. No entanto, são necessárias aplicações frequentes devido à sua imobilidade na planta.

boro nas plantas


Responsividade das culturas ao boro
(Fonte: IPNI)

Pesquisas recentes também descobriram que o boro pode ser móvel no floema de algumas poucas plantas, como macieira e amêndoas.

Principais recomendações: Quando e quanto vale a pena aplicar o boro?

As culturas apresentam diferentes graus de resposta quanto à adubação de boro, por isso coloque tudo na ponta do lápis para ter certeza que os custos compensa ao ganho de produção.

Em geral, leguminosas (como a soja) e hortaliças têm ganhos significativos com a aplicação desse micronutriente, o que não costuma ocorrer tanto com gramíneas, como o milho onde a responsividade é média.

boro nas plantas


Produtividade de algumas culturas em resposta à aplicação de fertilizantes com boro e a recomendações das mesmas
(Fonte: IPNI)

Em geral, as taxas de aplicação ao solo para culturas responsivas, como soja, podem ser de 3Kg/ha de boro. Já para aquelas menos responsivas, como milho, pode ser de 0,5 a 1 Kg/ha.

Importância do boro no milho

Em monocotiledôneas, os tecidos vegetais normalmente apresentam valores de boro que variam de 6 a 18 ppm.

Devido a isso, em cereais, a manifestação de carência é menos comum do que em dicotiledôneas.

O boro nas plantas de milho é essencial para uma boa formação de espigas e para o preenchimento dessas com grãos.

Abaixo mostro uma figura com o sintomas de deficiência que pode ocorrer no milho.

boro nas plantas


(Fonte: Nutrição de plantas)

Para te ajudar na adubação de correção e manutenção, você pode baixar a planilha grátis que criamos de adubação do milho.

Importância do boro na soja

Em tecidos vegetais de dicotiledôneas, encontra-se comumente de 20 a 60 ppm de boro.

Desta maneira, são plantas que demandam bastante esse nutriente.

Na soja, o boro absorvido pelas plantas é relativamente lento no início da cultura, aumentando gradativamente no meio e caindo mais no fim ciclo.

boro nas plantas


Marcha de absorção (cumulativa) de boro em soja, cultivada em solução nutritiva (Bataglia & Mascarenhas, 1977)
(Fonte: Nutrição de Plantas)

Isso pode ser justificado pela demanda do boro no processo produtivo e nos aparatos reprodutivos como, por exemplo, no tubo polínico.

A aplicação de boro na cultura normalmente é realizada no estágio de abotoamento e canivete, onde ocorre as melhores respostas.

A deficiência de B na planta pode ser notada em folhas novas. Quando já avançado, o sintoma pode ser superbrotamento devido à morte da gema apical e encarquilhamento das folhas.

boro nas plantas

(Fonte: 3rlab)

Fontes de boro para adubação

No mercado, o boro pode ter diversas fontes, variando somente a sua solubilidade e a porcentagem de B fornecido.

Abaixo, irei elencar a solubilidade de algumas fontes e a porcentagem de boro fornecido.

Maior solubilidade: Ácido Bórico, Bórax, Solubor, tretaborato de sódio pentahidratado, decaborato de potássio, hexaborato de sódio tetrahidratado (Boratos fertilizantes).

Menor solubilidade: Colemanita,Ulexita.

boro nas plantas

(Fonte: Vitti et. al)

Opções de produtos comerciais para aplicação de boro nas plantas

O mercado sempre nos disponibiliza novos e inúmeros produtos comerciais que são fonte de boro.

Na tabela abaixo você pode ver algumas dessas opções e a qual empresas pertencem:

boro nas plantas

A quantidade é fornecida pelas empresas, porém, a escolha é nossa!

A escolha do produto deverá ser tomada levando-se em conta a solubilidade e a quantidade fornecida de boro.

As formas solúveis são preferidas em termos gerais, exceto quando o solo for arenoso, o que acarretaria em lixiviação do boro em solução.

Muitos desses produtos também associam outros nutrientes. Desta forma, deve-se atentar à formulação.

A margem de carência e toxidez de boro é estreita, sendo fácil partir de um quadro de deficiência para toxicidade de boro. Portanto, ter atenção na escolha do produto é uma ótima prática de manejo produtivo.

Deficiência de boro nas plantas

O boro no solo é absorvido principalmente pelas raízes da solução do solo na forma de ácido bórico (H3BO3), isso porque essa é a forma mais solúvel.

O principal sintoma de deficiência de boro é a paralisia dos meristemas apicais, tanto das raízes quanto da parte aérea.

boro nas plantas


(Fonte: Nutrição de plantas)

Ocorre redução do tamanho e deformação das folhas novas e posteriormente morte da gema apical.

Para diferenciar sintomas de carência e toxidez lembre-se que, neste último, ocorre a formação de clorose malhada e, em seguida, necrose das bordas das folhas mais velhas.  

>> Leia mais: “Como ter mais eficiência na adubação com ureia agrícola

planilha de produtividade da soja

Conclusão

A produtividade de uma lavoura está relacionada a diversos fatores, inclusive ao fornecimento de todos os nutrientes necessários às plantas.

E, como vimos aqui, o boro é um micronutriente essencial, pois exerce inúmeras funcionalidades no sistema vegetal.

Falamos sobre a importância da adubação e demos as dicas de como, quando e por que aplicar esse micronutriente.

Também mostramos como identificar a deficiência desse nutriente nas culturas da soja e milho.

Assim, você pode fazer um melhor manejo do boro nas plantas em sua propriedade. Atente-se às dicas e cuidados e garanta uma boa produtividade!

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Você costuma fazer aplicação de boro nas plantas? Existe algo que realiza que não citei aqui? Gostaria muito de ler seu comentário!