About Gressa Chinelato

Sou Engenheira Agrônoma e mestra pela Esalq/USP. Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios e fazendo doutorado no Programa de Fitopatologia na Esalq.

As principais doenças de culturas de inverno e como combatê-las

Doenças de culturas de inverno podem colocar sua produção a perder. Saiba como identificar as mais recorrentes e todas as recomendações de controle.

As doenças são um grande problema na lavoura, podendo colocar toda a produção a perder.

Por isso, saber identificá-las e fazer o manejo correto é essencial para garantir uma boa colheita.

Neste artigo vamos mostrar as principais doenças de culturas de inverno, como oídio, ferrugem e mancha foliar, quais suas características e as formas de controle mais recomendadas. Confira a seguir!

Importância e opções das culturas de inverno para sua propriedade

As culturas de inverno são uma ótima opção para aumentar a renda após o cultivo de verão ou mesmo diversificar as culturas agrícolas na propriedade.

Segundo a Conab, há estimativa de crescimento de 11,8% na área a ser plantada com culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale) na safra 2020. 

Para escolher o melhor plantio no inverno, considere a oportunidade da cultura agrícola na sua região, ponderando a parte econômica (venda e renda) e também as condições climáticas. 

Algumas opções de culturas de inverno são:

Nos próximos tópicos vamos mostras as principais doenças de algumas dessas culturas e as medidas de controle mais recomendadas.

Milho, sorgo e feijão também são considerados culturas de inverno, mas sobre as doenças desses cultivos preparamos um texto específico que você pode conferir aqui!

Doenças de culturas de inverno: trigo

Ferrugem comum das folhas do trigo

Causada pelo fungo Puccinia triticina, é considerada a doença mais comum na cultura, ocorrendo em grande parte das regiões produtoras de trigo no Brasil. Relatos já mostraram perdas de até 50% na produtividade em estados da região Sul do país.

A doença pode se manifestar em todas as fases do ciclo da cultura. Seus sintomas são pequenos pontos arredondados de coloração alaranjada (pústulas), principalmente na parte superior das folhas.

Ferrugem da folha (Puccinia recondita f.sp. tritici)

(Fonte: Agrolink)

Controle da ferrugem da folha do trigo:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • eliminação de plantas voluntárias;
  • controle químico (fungicidas).

Helmintosporiose

A helmintosporiose ou mancha marrom causada pelo fungo Bipolaris sorokiniana é comum nas regiões mais quentes de cultivo do trigo.

Nas folhas, os sintomas são lesões elípticas de coloração cinza (regiões mais quentes). Nas regiões mais frias, a doença causa lesões retangulares e escuras nas folhas.

Mas esse fungo pode infectar qualquer órgão das plantas de trigo e como fonte de inóculo do fungo são considerados restos culturais e sementes.

Medidas de manejo para helmintosporiose são:

  • uso de sementes sadias e com tratamento de sementes;
  • rotação de culturas;
  • controle químico (mistura de triazóis e estrobilurinas).

Giberela 

A giberela é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo mais frequente em regiões quentes. Este fungo pode sobreviver em restos culturais e em sementes.  

A doença é considerada o principal problema que afeta as espigas de lavouras de trigo, cevada e triticale no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região centro-sul do Paraná.

Além das perdas em rendimento, pode ocorrer a presença de micotoxinas, substância tóxica produzida pelo fungo.

O fungo infecta a flor, causando sua morte. Caso consigam se desenvolver, os grãos ficam enrugados, chochos e de coloração rosa. 

Como sintomas da doença, você pode notar que as aristas de espiguetas infectadas se desviam do sentido não infectadas. Posteriormente, aristas e espiguetas adquirem coloração esbranquiçada ou cor de palha.

Maria Imaculada Lima - Giberela em trigo

(Fonte: Maria Imaculada Lima em Embrapa)

A doença é de difícil controle, por isso, algumas medidas de manejo para giberela são:

  • aplicação de fungicidas após início da floração;
  • semeaduras antecipadas.

Mancha amarela

Esta doença é mais facilmente encontrada em locais de plantio direto com monocultura. É uma das manchas mais importantes para a cultura e pode causar perdas de 50% no trigo e também na cevada.

A mancha amarela é causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis que, nas plantas de trigo, pode causar sintomas de pequenas manchas cloróticas, que evoluem e se expandem para manchas de cor palha, circundadas com halo amarelo.

doenças de culturas de inverno

(Fonte: Flávio Santana em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para esta doença são:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas; 
  • fungicidas;
  • eliminação de plantas voluntárias.

Septoriose

Também chamada de mancha da gluma, é causada pelo fungo Stagonospora nodorum, que pode sobreviver em restos culturais e sementes.

Como sintomas, nas folhas podem ser observadas lesões elípticas de aspecto aquoso, que após algum tempo se tornam secas e de coloração parda.

São medidas de manejo para septoriose:

  • tratamento de sementes com fungicidas;
  • rotação de culturas;
  • controle químico.

Brusone

A brusone ou branqueamento da espiga é causada pelo fungo Pyricularia grisea, sendo também uma das doenças mais importantes na cultura do arroz

Alguns sintomas da doença são espigas de coloração branca e, no local de penetração do fungo, causa a morte acima desse ponto de penetração.

Como a giberela, a brusone é de difícil controle. Assim, uma medida recomendada é o plantio precoce da cultura de trigo.

Oídio

O oídio tem como agente causal o Blumeria graminis f. sp. tritici, que pode gerar até 60% de perdas na cultura.

Você pode observar nas folhas uma coloração branca com aspecto de pó. Os tecidos atacados apresentam coloração amarela e acabam morrendo. As plantas atacadas apresentam menor vigor, redução do número de espigas e peso dos grãos.

Leila Costamilan - Sintomas de oídio em plantas de trigo

(Fonte: Leila Costamilan em Embrapa)

Algumas medidas de manejo para oídio são:

  • cultivares resistentes;
  • pulverização com fungicidas.

Doenças de culturas de inverno: aveia

Ferrugem da folha

É considerada a doença mais comum na cultura, causada pelo fungo Puccinia coronata f. sp. avenae.

Os sintomas incluem pontos pequenos e ovais de coloração alaranjada (pústulas). Com o progresso da doença, as pústulas podem se tornar mais escuras.

Ferrugem da folha (Puccinia coronata var. avenae)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • uso de fungicida;
  • eliminação de plantas voluntárias com sintomas;
  • resistência genética.

Mancha do halo amarelo

Esta doença ocorre em todos os locais de cultivo da cultura da aveia, sendo causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. coronafaciens. É considerada a segunda doença mais importante da cultura.

Aparece em folhas novas, com manchas cloróticas, com halo verde-claro a amarelado. Essas manchas podem tomar toda folha e matar o tecido. Também ocorrem sintomas no colmo e bainha.

Medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • sementes sadias.

Helmintosporiose

Essa doença, causada pelo fungo Drechslera avenae, traz dano principalmente quando há chuvas frequentes antes da colheita. Isso prejudica os grãos, que ficam escuros e perdem a qualidade.

Como sintomas ocorrem manchas largas de coloração marrom ou roxa, podendo necrosar o limbo foliar. Pode atacar também os grãos ou sementes.

Algumas medidas de manejo são:

  • eliminação de plantas voluntárias;
  • rotação de culturas;
  • sementes sadias;
  • fungicidas nos órgãos aéreos da planta. 

Doenças de culturas de inverno: girassol

Mofo-branco

O mofo-branco ou podridão branca é causado por Sclerotinia sclerotiorum, sendo considerado o fungo mais importante na cultura do girassol.

Se o fungo atacar na fase de plântula, pode ocasionar a morte e provocar falhas no estande. Mas pode haver outros tipos de sintomas conforme a parte atacada: basal, mediana e capítulo.

Na basal (do estádio de plântula até a maturação), o mofo-branco pode ocasionar a murcha da planta e lesão marrom, mole e com aspecto de encharcada. Se houver alta umidade, a lesão pode ficar coberta por um micélio branco. Além disso, podem ser encontrados escleródios nas áreas afetadas.

Já na porção mediana da planta, que ocorre a partir do estádio vegetativo, os sintomas são parecidos com os da infecção basal. Escleródios podem ocorrer dentro e fora da haste.

E no capítulo, que ocorre a partir da floração, inicialmente observam-se lesões pardas e encharcadas no capítulo, tendo a presença do micélio cobrindo algumas de suas partes. 

Com o progresso da doença, pode-se encontrar muitos escleródios no interior do capítulo. O fungo pode destruir essa estrutura floral.

doenças de culturas de inverno

Sintomas do mofo-branco no capítulo do girassol
(Fonte: Aguiar, R; Sampaio, J; Boniatti, P.  em IFMT)

Algumas medidas de manejo para a doença são:

  • rotação de culturas;
  • época de semeadura.

Mancha de alternaria

Doença causada por Alternaria helianthi, sendo considerada a mais comum em regiões subtropicais úmidas.

A doença pode causar necrose nas folhas, podendo ocasionar morte das células e desfolha precoce.

Inicialmente você pode observar pequenos pontos necróticos castanhos nas folhas, com halo clorótico. Com o progresso da doença, pode haver círculos concêntricos, semelhante a um alvo, que pode progredir para necrose e desfolha.

Algumas medidas de manejo são:

  • controle genético;
  • rotação de culturas;
  • escolha da época de semeadura;
  • densidade de semeadura correta para não apresentar microclima favorável.

Doenças de culturas de inverno: cevada

Mancha reticular 

A doença é causada pelo fungo Drechslera teres, considerada a principal doença da cultura de cevada.

Nas folhas com ataque deste fungo ocorrem manchas ou estrias marrons, formando rede de tecido necrosado, com halo amarelo.

Mancha angular (Drechslera teres)

(Fonte: Agrolink)

Algumas medidas de controle são:

Nanismo amarelo da cevada

Esta virose ocorre em aveia, cevada e trigo causada pelo vírus BYDV, tendo como vetor afídeos.

Como sintoma, você pode observar nas folhas mais novas manchas cloróticas, de amarelada até arroxeada.

Como medida de manejo da doença são recomendados: 

  • controle químico ou biológico do vetor; 
  • tratamento de sementes.

Para te auxiliar com a prescrição de medidas de manejo para as doenças de culturas de inverno procure um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão 

Culturas de inverno são uma opção para aumentar a rentabilidade e diversificar as culturas na fazenda após a safra de verão.

Neste artigo, apontamos as doenças mais recorrentes nos cultivos de trigo, aveia, girassol e cevada. 

Falamos sobre os sintomas de cada uma delas e também sobre as medidas mais efetivas de controle.

Agora que você já sabe como fazer o melhor manejo de doenças nas culturas de inverno, espero que você consiga alcançar uma boa produtividade e lucro na sua safra de inverno!

>>Leia mais:

Perspectivas para a safra de inverno!

“Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”

Você tem problemas com doenças de culturas de inverno na sua propriedade? Como realiza o manejo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Pragas quarentenárias: entenda os tipos e o que fazer para impedir a sua presença

Pragas quarentenárias: importância, tipos, estações quarentenárias, como impedir sua entrada e pragas não quarentenárias regulamentadas.

As culturas agrícolas são afetadas por muitas pragas que podem causar sérios prejuízos. Muitas delas entraram no país ao longo dos anos e há constante ameaça da entrada de novos vírus, doenças, daninhas, etc.

Por isso, é extremamente importante o conhecimento de pragas quarentenárias, assim como a fiscalização e o controle de materiais vegetais.

E você sabe o que é necessário para impedir a entrada das pragas quarentenárias? Entende as definições de A1 e A2?

Tire todas as suas dúvidas neste artigo. Confira!

Introdução de pragas quarentenárias no território brasileiro

Quando falamos de pragas, devemos ter o conceito muito bem definido de acordo com a legislação: praga é todo ser vivo nocivo a vegetais! Assim, praga compreende doenças, insetos, ácaros e plantas daninhas.

Nem todas as pragas que afetam as culturas agrícolas cultivadas no Brasil estiveram sempre presentes por aqui. 

Um exemplo disso é o cultivo da soja, que foi introduzido no país em 1961. Mas a ferrugem asiática da soja, que é um grande problema para a cultura, só foi introduzida no território nacional em 2001.

Assim, não são todos os países que têm as mesmas pragas que afetam a cultura. 

Em doenças de plantas (fitopatologia), por exemplo, falamos sempre sobre o Triângulo da Doença. Para uma doença ocorrer deve haver o hospedeiro (cultura), o patógeno e o ambiente favorável.

triângulo da doença

(Fonte: Fitopatologia)

Outro exemplo de praga introduzida no país recentemente, e que foi um grande problema para a agricultura brasileira, é a Helicoverpa armigera.

A lagarta foi identificada em 2013 no Brasil – até então era considerada uma praga quarentenária. A H. armigera causou um grande transtorno e enormes prejuízos, pois não havia preparo para seu manejo. 

Outro agravante dessa praga é que ela é polífaga, ou seja, se alimenta de várias culturas como algodão, soja, milho, tomate, feijão, sorgo, milheto, trigo, crotalária, girassol e outras.

Como vimos, pragas vindas de outros locais podem causar sérios prejuízos na agricultura brasileira. Por isso, é muito importante conhecermos melhor as pragas quarentenárias.

Tipos de pragas quarentenárias

Pragas quarentenárias são aquelas pragas de importância econômica potencial para a área posta em perigo e onde ainda não está presente ou, se está, ainda não se encontra amplamente distribuída e oficialmente controlada. 

Ou seja: são pragas que ameaçam a economia agrícola do país.

Existem dois tipos de pragas quarentenárias:

  • A1: Ausente – são as pragas que não têm ocorrência no Brasil e exóticas.
  • A2: Presente – estão presentes no país, mas não em todas as regiões, e estão sob controle oficial. Então, deve-se ter cuidado de não levar da região de ocorrência para outras que não tem a praga.

Você pode conferir a lista de pragas quarentenárias para o Brasil na Instrução normativa para A1 e A2 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Alguns exemplos de A2 são pinta preta dos citros, sigatoka negra da bananeira, HLB, entre outras.  

Para definir quais as pragas quarentenárias é realizado uma análise de risco. Nessa análise é feito levantamento dos patógenos de cada espécie de planta que ocorrem no mundo e os que já foram identificados no país. 

Dessa forma, há a relação dos que não existem no Brasil e qual a probabilidade deles se tornarem um problema econômico.

20 pragas quarentenárias ausentes para o Brasil

A Embrapa e o Mapa priorizaram as 20 pragas quarentenárias ausentes para o Brasil e lançaram um livro sobre o assunto. Confira a relação em ordem alfabética:

  1. African Cassava Mosaic Virus – vírus (mandioca)
  2. Anastrepha suspensa – inseto (goiaba)
  3. Bactrocera dorsalis– inseto (frutíferas)
  4. Boeremia foveata – fungo (batata)
  5. Brevipalpus chilensis – ácaro (kiwi, videira)
  6. Candidatus Phytoplasma palmae – fitoplasma (coqueiro)
  7. Cirsium arvense – planta daninha (trigo, milho, aveia, soja)
  8. Cydia pomonella – inseto (maçã)
  9. Ditylenchus destructor – nematoide (milho, batata)
  10. Fusarium oxysporum f.sp. cubense Raça 4 Tropical – fungo (banana)
  11. Globodera rostochiensis – nematoide (batata)
  12. Lobesia botrana – inseto (videira)
  13. Moniliophthora roreri – fungo (cacau)
  14. Pantoea stewartii – bactéria (milho)
  15. Plum Pox Virus – vírus (pessegueiro, ameixeira)
  16. Striga spp. – planta daninha (milho, caupi)
  17. Tomato ringspot virus – vírus (frutíferas e tomate)
  18. Toxotrypana curvicauda – inseto (mamão)
  19. Xanthomonas oryzae pv. oryzae – bactéria (arroz)
  20. Xylella fastidiosa subsp. fastidiosa – bactéria (videira)

Normalmente, as pragas estão associadas ao centro de origem da cultura e podem se distribuir para outros locais pelo intercâmbio de material vegetal (sendo uma das maneiras de introduzir as pragas). 

Além desse meio de introdução, há outros como: pessoas, máquinas, vento, trânsito de animais/aves e bioterrorismo.

Lembrando que, quanto mais movimento, mais pragas estão circulando e, com isso, podem entrar nas regiões. Estima-se que 65% dos patógenos introduzidos no Brasil foram devido a atividades humanas.

Por isso, é preciso realizar a inspeção fitossanitária. Isso pode ser realizado por estações quarentenárias, que podem ser públicas ou privadas, tendo de ser cadastradas e credenciadas ao Mapa.

Estações quarentenárias 

As estações são locais que recebem materiais vegetais que podem ter alguma praga quarentenária associada e fazem as devidas análises.

Isso é importante para reduzir a entrada e o estabelecimento de novas pragas, já que muitas vezes é essencial trazer material vegetal de outros países para programas de melhoramento genético, por exemplo. No Brasil existem algumas estações quarentenárias.

Como impedir a entrada das pragas quarentenárias

Uma das medidas para evitar a entrada de pragas quarentenárias é a prevenção, sendo a exclusão o princípio de controle.

Assim, para prevenir a entrada da praga em uma área, algumas medidas de manejo são: 

  • sementes e mudas sadias;
  • inspeção e certificação;
  • quarentena; e
  • eliminação de vetores.

A prevenção deve ser aplicada no âmbito internacional, pensando nas pragas ausentes, e no cenário estadual, principalmente para as pragas A2. 

Um exemplo de prevenção de pragas A2 ocorreu após a constatação do Cancro Cítrico no país, que proibiu o livre trânsito de material cítrico entre as regiões. 

É muito importante também saber quais os locais mais críticos para a entrada de pragas no país. Para isso, a Embrapa levantou os locais mais suscetíveis à entrada de pragas agropecuárias não presentes no Brasil. Veja na figura abaixo:

No Brasil, o órgão responsável pelas atividades de vigilância agropecuária internacional é o sistema de Vigilância Agropecuária Internacional – Vigiagro. 

Ele é composto por serviços e unidades de vigilância agropecuária localizados nos portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais.

Esse sistema controla e fiscaliza animais, vegetais, insumos, inclusive alimentos para animais, produtos de origem animal e vegetal, embalagens e suportes de madeira importados, exportados e em trânsito internacional pelo Brasil.

Além das pragas quarentenárias, você já escutou sobre pragas não quarentenárias regulamentadas?

Pragas não quarentenárias regulamentadas

Pragas não quarentenárias regulamentadas (PNQR) são pragas que já estão no Brasil (não sendo quarentenárias aqui), mas não é permitido comercializar o produto agrícola com ela.

Exemplo é para batata-semente sem os vírus PVY (Potato virus Y), o PLRV (Potato leafroll virus), o PVX (Potato virus X) e PVS (Potato virus S). 

Assim, em batata-semente deve ser produzida, importada e comercializada sem esses vírus no país, além de outras pragas segundo a legislação.

Conclusão 

Pragas têm potencial de causar prejuízos bilionários à agricultura de um país.

Neste artigo falamos sobre os tipos de pragas quarentenárias e o que é feito para impedir a entrada delas no território nacional.

Você conferiu a lista de pragas quarentenárias ausentes no Brasil.  Além disso, discutimos a importância das pragas não quarentenárias regulamentadas.

>> Leia mais:

Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas

Ficou com alguma dúvida sobre pragas quarentenárias? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Veja como lidar com as pragas e doenças do sorgo

Pragas e doenças no sorgo: veja quais são as principais e como você pode manejá-las em sua lavoura para não ter perdas.

No Brasil, o sorgo é mais utilizado para a ração animal, sendo cultivado principalmente na segunda safra, com produção estimada de 2,3 milhões de toneladas (Conab) na safra 2019/20.

Mas podem ocorrer perdas nas lavouras por ataques de pragas e doenças, o que causa muita dor de cabeça para o produtor.

Por isso, preparamos este texto com as principais pragas e doenças do sorgo que podem ocorrer na sua lavoura e como combatê-las. Confira!

Doenças na cultura do sorgo

Antracnose do sorgo

No sorgo, a antracnose é considerada a doença mais importante por sua ampla distribuição nas áreas produtoras e pelos danos causados. 

Essa doença pode ocasionar perdas na produção de grãos superiores a 80%, por conta da utilização de cultivares suscetíveis e de condições favoráveis à doença.

O fungo que causa a antracnose no sorgo é o Colletotrichum graminicola, que também causa antracnose na cultura do milho.

Assim, a doença no sorgo pode ocorrer em: folhas, colmo, panícula e grãos.

Nas folhas podem ocorrer sintomas em qualquer estádio, principalmente a partir do desenvolvimento da panícula. 

Inicialmente, as lesões são circulares a ovais, com centros necróticos de coloração palha, depois se tornam escuras com a margem avermelhada ou castanha, dependendo da variedade.

No colmo, formam-se cancros caracterizados pela presença de áreas mais claras circundadas pela pigmentação característica da planta hospedeira, principalmente em plantas adultas.

E na panícula, pode ser a extensão da fase de podridão do colmo. As lesões nesta fase se formam abaixo da epiderme com aspecto encharcado, adquirindo posteriormente coloração cinza a avermelhada. 

E como consequência da doença, as panículas de plantas infectadas são menores e amadurecem mais cedo.

Algumas medidas de manejo para antracnose no sorgo são:

  • Uso de variedades resistentes;
  • Sementes sadias;
  • Tratamento de sementes;
  • Rotação de culturas;
  • Eliminação de plantas hospedeiras do fungo.

Ferrugem do sorgo

Causada pelo fungo Puccinia purpurea, a ferrugem do sorgo é considerada uma doença comum na cultura e favorecida por regiões frias e úmidas. 

Inicialmente, você pode observar pústulas (urédias) de coloração vermelha a castanha nas folhas mais próximas ao solo. 

Com o desenvolvimento da doença, as pústulas liberam os esporos que são disseminados pelo vento.

Recomenda-se o uso de variedades resistentes para o controle da ferrugem do sorgo.

Míldio do sorgo

O míldio é causado por Peronosclerospora sorghi e apresenta ampla distribuição nas áreas produtoras de sorgo, podendo causar danos de até 80% com a utilização de cultivares suscetíveis.

Na região Sul do país, esta doença é considerada a segunda mais importante, atrás apenas da antracnose.

Assim, podem ocorrer duas formas de infecção: localizada e sistêmica.

A localizada se caracteriza por apresentar lesões necróticas nas folhas e, em condições frias e úmidas, pode ocorrer crescimento pulverulento e acinzentado na parte inferior da folha.

Já a infecção sistêmica, as plantas ficam cloróticas (clorose foliar). Na parte inferior das folhas com clorose, em condição de umidade, pode-se observar um revestimento branco, que são estruturas do agente causal do míldio.

Plantas com infecções sistêmicas podem se tornar raquíticas e morrer precocemente ou ficarem estéreis, não produzindo grãos.

Algumas medidas de manejo que você pode utilizar para o manejo do míldio são:

  • Variedades resistentes;
  • Uso de sementes de boa qualidade;
  • Rotação de culturas.

Mosaico comum do sorgo

Esta doença é virótica, causada por Sugarcane mosaic virus (SCMV), no entanto, mais recentemente, pesquisas relataram que outros vírus podem causar o mosaico em sorgo, tendo como vetor várias espécies de afídeos, como o pulgão do milho.

Como sintomas, podemos observar mosaico principalmente nas folhas mais novas, que podem desaparecer com a idade da planta. 

Além disso, pode apresentar sintomas mais necróticos nas folhas, com áreas amareladas e avermelhadas, o que pode levar à morte da planta ou baixa produção de grãos.

Para o controle dessa doença é recomendado utilizar variedades tolerantes ou resistentes.

Doença açucarada do sorgo

Esta doença também é conhecida por secreção doce ou ergot, causada pelo fungo Sphacelia sorghi, e reduz a quantidade de grãos produzidos afetando seu desenvolvimento.

Como sintoma da doença, você pode observar a presença de um líquido pegajoso de coloração rosada que progride para parda na região da panícula.

Algumas medidas de manejo para a doença açucarada são:

  • Utilização de fungicidas na fase de floração;
  • Tratamento de sementes;
  • Eliminação de plantas com sintomas da doença, principalmente em áreas de produção de sementes.

Pragas na cultura do sorgo

Lagarta-do-cartucho

Essas lagartas são larvas de mariposa (Spodoptera frugiperda) que afetam o cartucho da planta, sendo mais prejudicial quando ataca a planta com até 8 folhas.

A lagarta-do-cartucho é uma importante praga para a cultura do sorgo, podendo causar prejuízos de 17% a 38,7% na produção.

Inicialmente esta praga pode “raspar” as folhas e depois se alimentar das mais novas e centrais da planta (palmito).

O ataque em plantas pequenas pode causar a morte, já em plantas maiores ocorre a redução da produtividade.

Por isso é importante realizar o monitoramento da lavoura, que pode ser feito com armadilhas para a captura de insetos adultos (uma armadilha a cada cinco hectares) ou o monitoramento das plantas de sorgo.

Para definir quando realizar o controle, fique de olho se a praga atinge o nível de controle que é em média 3 mariposas por armadilha de feromônio. 

Ao monitorar as plantas, recomenda-se o manejo da lagarta quando for observado que 10% das folhas do cartucho estão com pequenas lesões circulares e algumas pequenas lesões alongadas, de até 1,3 cm de comprimento.

Tanto o uso de controle químico (inseticidas) quanto de controle biológico são recomendados para a lagarta-do-cartucho.

Lagarta-elasmo

Elasmopalpus lignosellus causa danos principalmente em locais em que ocorreu estiagem após a emergência das plantas.

Inicialmente, as lagartas podem “raspar” as folhas e depois afetam a região do colo da planta. Desta forma, podem danificar o ponto de crescimento e favorecer a morte das folhas centrais, provocando o sintoma de “coração morto”.

Recomenda-se realizar o manejo com o uso de inseticidas nas plantas ou nas sementes, além do plantio direto.

Broca-da-cana-de-açúcar

A broca-da-cana (Diatraea spp.) pode causar dano pelo quebramento e ataque no colmo das plantas.

No início do seu desenvolvimento, a broca também pode raspar as folhas do sorgo.

O controle dessa praga pode ser semelhante ao realizado em cana-de-açúcar com a liberação de parasitóides.  

Outras medidas de controle que também podem ser utilizadas são o tratamento de sementes e destruição de restos culturais.

Pulgão no sorgo

O sorgo pode ser infestado pelo pulgão do milho (Rhopalosiphum maidis) e pelo pulgão verde (Schizaphis graminum).

O pulgão verde pode introduzir toxinas que causam o bronzeamento das folhas e até a morte das áreas afetadas, podendo ainda ser vetor de viroses.

O controle pode ser realizado por inimigos naturais e, também, aplicação de inseticidas quando ocorrer altas populações.

Corós

Corós, bichos-bolo ou pão-de-galinha são larvas de várias espécies que podem atacar as plantas de sorgo.

Para a identificação, você pode observar que as larvas apresentam formato de “C” de cor clara e a cabeça de coloração marrom.

Normalmente, elas afetam o sistema radicular das plantas podendo causar murcha nas plantas, tombamento ou a morte.

Algumas medidas de manejo são:

  • Eliminação de hospedeiros alternativos;
  • Destruição de restos culturais;
  • Utilização de inseticidas.

Larva arame

A larva arame, Conoderus scalaris, causa danos principalmente na destruição das sementes no sulco de plantio, reduzindo o estande inicial e vigor das plantas, o que causa perdas em seu sistema de produção.

As recomendações de manejo são:

  • Rotação de culturas;
  • Tratamento de sementes.

Percevejos no sorgo

Esses insetos se alimentam principalmente dos grãos no momento de enchimento, o que podem torná-los manchados e reduzir o tamanho.

Existem dois grupos de percevejos: grandes (percevejo-gaúcho, percevejo-verde e percevejo-pardo) e pequenos (percevejo-do-sorgo e percevejo-chupador-do-arroz).

Normalmente, o controle desses percevejos é natural. Quando em altas populações, pode-se utilizar controle químico (aéreo).

Controle de pragas e doenças do sorgo

Até aqui, comentei sobre as particularidades de pragas e doenças do sorgo, no entanto, algumas medidas gerais de manejo que você pode utilizar na sua área são:

  • Planejamento agrícola da cultura: é nessa fase que se escolhe a variedade de sorgo e, como vimos, o uso de variedades resistentes é uma medida de manejo muito utilizada;
  • Identificar as pragas e doenças que afetam a cultura do sorgo;
  • Conhecer o histórico da área a ser cultivada (quais os problemas que ocorreram nas culturas ao longo dos anos);
  • Conhecer as culturas em volta da sua plantação: várias doenças e pragas do sorgo podem ocorrer em outras culturas;
  • Monitoramento da área.

Lembrando que se for utilizar produto químico, verifique o registro no Agrofit para a cultura e para praga/doença. 

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

Como vimos, existem muitas pragas e doenças que podem afetar a sua cultura de sorgo. 

Algumas podem atacar as plantas no início do desenvolvimento ou já na fase de panícula.

Por isso, é importante conhecê-las e manejá-las para não afetar a produção da sua lavoura.

>>Leia mais:

“Zoneamento agrícola para o sorgo forrageiro: o que você precisa saber sobre essa nova medida”

Quando e como usar as forrageiras em seu sistema de produção

Quais pragas e doenças do sorgo afetam a sua lavoura? Quais medidas de manejo você utiliza? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Vazio sanitário para soja, feijão e algodão: tudo o que você precisa saber

Vazio sanitário da soja: saiba como fazer, quem fiscaliza o cumprimento, o que fazer na lavoura durante esse período e mais!

Atualmente, quem produz soja, feijão e algodão deve respeitar o vazio sanitário. A medida evita a proliferação de pragas e doenças nas lavouras.

Nesse períodos, as pragas não conseguem se alimentar e se multiplicar. Isso resulta na eliminação ou diminuição da sua incidência.

Quer saber mais sobre os períodos de vazio sanitário da sua região?

Neste artigo, você entenderá a importância desse momento e o que fazer na sua lavoura enquanto ele dura. Confira a seguir!

O que é o vazio sanitário?

O vazio sanitário é a proibição total do cultivo de uma cultura durante um período específico.

Antes de semear soja, feijão ou algodão, você deve se atentar ao período de vazio sanitário para a sua região.

O vazio sanitário é obrigatório. Além disso, é uma medida fitossanitária que gera benefícios para quem produz.

O principal objetivo é proteger as lavouras de pragas e doenças. Isso acontece por meio da eliminação total de hospedeiros por um tempo. Ajudando na diminuição populacional de pragas como a mosca branca, lagartas e cigarrinhas, além de problemas relacionados a fungos e vírus.

O objetivo do calendário de semeadura da soja, por exemplo, é reduzir o número de aplicações de fungicidas e resistência dos fungos aos agrotóxicos

Semeaduras tardias podem receber os fungos nos estádios vegetativos, necessitando a antecipação e o aumento da aplicação de fungicidas.

Quanto tempo dura o vazio sanitário?

O período dura de 60 a 90 dias. Porém, o período não é definitivo e muda de acordo com a região.

Durante os anos, pode haver variação das datas em que se inicia e termina o vazio sanitário nas regiões, pois essa definição se baseia na incidência da praga ou doença na safra anterior.

Ou seja, caso a incidência da praga ou doença tenha aumentado em uma região, o período destinado ao vazio será maior na safra seguinte.

Durante esse tempo, o setor agrícola se beneficia com:

  • diminuição da incidência de pragas e doenças;
  • queda do uso de defensivos agrícolas e custos operacionais;
  • contribuição no manejo de resistência de pragas e doenças.

A seguir, entenda mais sobre a importância do vazio sanitário da soja, feijão e algodão.

Vazio sanitário do feijão

O período de vazio sanitário para o feijão-comum (Phaseolus vulgaris) é de 30 dias. Esse tempo vale para os Estados de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Durante esse período, quem produz deve eliminar as plantas vivas de feijão. Sejam elas cultivadas, espontâneas ou remanescentes da safra anterior.

A medida foi estabelecida como forma de controle da mosca-branca, praga que ataca o feijão.

A mosca-branca é o inseto transmissor do vírus que causa o mosaico-dourado. Essa é uma das principais doenças do feijoeiro comum.

Confira abaixo os períodos de vazio sanitário do feijão:

Tabela com informações sobre vazio sanitário em Minas (20 de setembro a 20 de outubro de 2022), Goiás (5 de setembro a 5 de outubro de 2022) e DF (20 de setembro a 20 de outubro de 2022)

(Fonte: Mapa, 2014)

Se você produz feijão e não cumprir essas regras, poderá receber multas.

Vazio sanitário do algodão

O vazio sanitário do algodão previve e controla o bicudo-do-algodoeiro. O objetivo é proteger a lavoura dos prejuízos causados pela praga.

Quem produz ou arrenda lavouras com algodão deve, obrigatoriamente, eliminar os restos culturais ou soqueira de algodão. Isso deve acontecer por 60 dias.

O período do vazio sanitário é definido pelo Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Cada estado produtor possui um período específico, baseado na dinâmica do inseto-alvo.

O bicudo-do-algodoeiro possui grande capacidade de infestação. 

Seu ataque provoca queda dos botões florais. Isso impede a abertura das maçãs e, consequentemente, há queda na produtividade.

A manutenção de plantas vivas de algodão durante o vazio sanitário é uma ameaça para a cotonicultura brasileira.

Fique de olho e confira a seguir as datas para a sua região.

Tabela com datas de vazio sanitário para todas as demais regiões do Brasil

(Fonte: Governo dos Estados, 2021)

Quem descumprir as regras do vazio sanitário do algodão também estará sujeito à multa.

Vazio sanitário da soja

Por da ferrugem asiática nas lavouras de soja no Brasil,  surgiu o PNCFS (Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja). 

O programa foi criado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Nesse programa,  ficou estabelecida a criação de Comitês Estaduais de Controle da Ferrugem da soja.

Foi determinado que cada estado deve estabelecer o período do vazio sanitário. Essa é uma medida legislativa para o controle da doença.

Atualmente, a adoção do vazio sanitário ocorre em 20 estados brasileiros:

  • Acre;
  • Alagoas;
  • Amapá;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Distrito Federal;
  • Goiás;
  • Maranhão;
  • Minas Gerais;
  • Mato Grosso;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Pará;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul;
  • Rondônia;
  • Roraima;
  • Santa Catarina;
  • São Paulo;
  • Tocantins.

Um período mínimo de 60 dias foi estabelecido. Durante esses dias, não é possível cultivar ou manter plantas de soja no campo.

É considerado que o período máximo de sobrevivência dos esporos da ferrugem asiática no ar é de 55 dias.

Lembre-se: fique de olho no período de vazio da sua região. Ele muda conforme a legislação local. 

Tabela - Vazio Sanitário
(Fonte: MAPA)

Na Portaria SDA nº 781, de 6 de abril de 2023, informa os períodos de vazio sanitário para a cultura da soja. Em alguns estados brasileiros há a distribuição por região, as quais as cidades são descritas no documento.

Por exemplo, região I1 do estado do Maranhão se encontram as seguintes cidades: Barão de Grajaú, Buriti Bravo, Colinas, Fernando Falcão, entre outros, enquanto na região II2: Buritirana, Campestre do Maranhão, Cidelância, Davinópolis, entre outros. Assim segue para os outros estados.

O vazio sanitário é de responsabilidade de quem produz. Quem descumpre o período está sujeito à punições e multas pelo Estado.

Ferrugem asiática

O fungo causador da ferrugem asiática pode gerar grande desfolha nas plantas e impactar na produtividade.

Esta é considerada a doença mais importante para cultura da soja. A doença pode causar danos de até 90% na lavoura. 

Os custos para combater a doença podem chegar a US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil. Por isso, é importante a identificação e combate da ferrugem quanto antes.

Como identificar a ferrugem asiática na soja

Observe as folhas das plantas do terço inferior ou médio. Verifique se existe a presença de sintomas e/ou estrutura do fungo.

Na parte superior da folha, veja se há pontos escuros. Se encontrar, use uma lupa e analise se na parte inferior há saliências. Nessas essas estruturas são formados os esporos do fungo.

imagem de três folhas de soja em estádios diferentes da ferrugem asiátia. Na primeira folha há apenas alguns pontos amarronzados na superfície, na segunda há mais pontos alaranjados, e a terceira folha tem aspecto de enferrujada por completo.

(Fonte: Agro Bayer)

Também é importante realizar algumas medidas de manejo antes da doença aparecer. O vazio sanitário, a calendarização da semeadura e uso de variedades precoces são bons exemplos.

Realize o vazio sanitário para impedir a sobrevivência do fungo na entressafra da cultura. Assim, você quebrará o ciclo da doença.

Quem fiscaliza o cumprimento do vazio sanitário?

Os órgãos estaduais de sanidade vegetal fiscalizam o cumprimento do vazio sanitário.

Essas instituições têm competência legal para aplicar penalidades a quem não cumprir as regras do vazio estabelecidas, como multa, interdição da propriedade rural e destruição do plantio.

Como realizar o vazio sanitário?

Após a colheita da cultura (soja, feijão ou algodão), você deve:

  • limpar a área de cultivo;
  • destruir as plantas por meio do controle químico ou mecânico;
  • aguardar o período de vazio sanitário estipulado para sua região.

O que pode ser feito na lavoura durante o período de vazio sanitário?

Durante esse período, o solo não deve ficar descoberto. Isso facilita a ocorrência de plantas daninhas e de processos erosivos do solo.

Uma alternativa é investir em práticas que melhorem a qualidade química, física e biológica do solo. Assim, você pode potencializar a produção da próxima safra.

Algumas práticas são:

  • utilização de plantas de cobertura;
  • adubação verde;
  • adoção de sistemas de rotação de culturas com espécies que não sejam hospedeiras das pragas e doenças do vazio sanitário.

Quais as exceções do vazio sanitário?

Durante o vazio sanitário algumas atividades podem ser realizadas em caráter excepcional como pesquisa científica e produção de sementes genéticas.

Porém, é necessário solicitar ao órgão estadual da defesa sanitária vegetal do estado em questão.

planilha de produtividade da soja

Conclusão

O objetivo do vazio sanitário é prevenir a incidência de pragas e doenças. Isso garante lavouras sadias e de alta rentabilidade

A eliminação das plantas de soja, feijão e algodão deve ser feita por controle químico ou mecânico.

Cada estado possui um período específico de vazio sanitário que pode mudar a cada safra. Fique sempre de olho. Compartilhe com sua equipe de trabalho para se informar sobre os períodos do vazio sanitário para a soja em 2023.

Verifique o período correto e já prepare a sua área. Isso vai te ajudar a evitar perdas com pragas e doenças na sua lavoura.

>> Leia Mais: 

“7 passos para fazer o descarte de embalagens de agrotóxicos corretamente”

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Redator Alasse Oliveira

Atualizado em 08 de agosto de 2023 por Alasse Oliveira.

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Atualizado anteriormente, em 28 de fevereiro de 2022, por Denise Prevedel

Pulgão: o que é e como acabar com essa praga na lavoura

Pulgão: entenda a importância deste afídeo na agricultura, tipos de pulgões, quais viroses eles podem ser vetores, como identificar e realizar o manejo ideal para a sua lavoura

Os pulgões são insetos muito pequenos (de 1,5 mm a 3 mm) que se alimentam da seiva das plantas e se multiplicam com muita rapidez. Eles causam danos severos como redução de desenvolvimento, encarquilhamento e amarelecimento das plantas. 

Por serem polífagos, podem afetar diversas culturas agrícolas, incluindo trigo, milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.

Neste artigo, conheça as características dos principais tipos, além de recomendações de como acabar com os pulgões na sua lavoura. Confira!

O que é pulgão?

Os pulgões, também conhecidos como afídeos ou piolho das plantas são insetos diminutos, de corpo mole e com antenas longas. Eles fazem parte da superfamília Aphidoidea, mas a família mais comum é a Aphididae, da ordem dos Hemiptera

Esses insetos são amplamente distribuídos nas mais diversas condições de temperatura. Além disso, são perigosas pragas agrícolas por sugarem a seiva das plantas. Isso causa o desvio dos nutrientes que seriam utilizados no seu desenvolvimento.

Durante a alimentação, podem secretar toxinas que prejudicam as plantas. Além disso, secretam substâncias açucaradas chamadas honeydew. Essas substâncias favorecem o desenvolvimento de um fungo de coloração escura, conhecido por fumagina.

Como identificar pulgão: características morfológicas

O pulgão pode ser de diferentes cores, a depender da espécie: pulgão amarelo palha e pulgão verde translúcido (ligeiramente transparente) são os mais comuns. Mas também existe pulgão preto e vermelho.

Os pulgões não possuem separação entre cabeça e tórax. Além disso, seu formato na fase adulta é ovóide. Independentemente da cor, possuem pernas, antenas e sifúnculos escuros. 

Nas fases iniciais, os pulgões têm tamanho reduzido e podem ter coloração mais clara do que na fase adulta.

Outra característica dos pulgões é que eles podem ou não apresentar asas, chamados de alados ou ápteros. Este aspecto pode ser importante para a colonização dos afídeos e na sua disseminação.

Além dessas características, os pulgões apresentam duas formas de reprodução. A sexuada, quando as fêmeas são fecundadas antes de se reproduzirem, e a assexuada, quando as fêmeas se reproduzem sem fecundação.

A reprodução sexuada apresenta a maior variabilidade genética (pois inclui não somente o material genético da fêmea, mas também do macho). A forma de reprodução influencia diretamente o ciclo biológico do pulgão.

Ciclo biológico dos pulgões

O ciclo total de vida dos pulgões tem duração entre 15 e 25 dias. Esse ciclo é mais rápido em temperaturas ideais, entre 25 °C e 27 °C.

Quando apresenta geração sexuada, a espécie é considerada holocíclica. Seu ciclo é completo, pois passa por todas as fases de desenvolvimento. 

Quando não apresentam reprodução sexuada, as espécies são consideradas anolocíclicas e possuem ciclo incompleto.

Ao eclodirem dos ovos (depositados em torno de 70 por fêmea durante toda a vida), as ninfas têm corpo característico e semelhante ao adulto. Porém, o tamanho é consideravelmente reduzido.

Na fase imatura, possui quatro estádios de ninfa, que tem duração aproximada de cinco dias.

Já na fase adulta, a duração média do ciclo de vida é de 15 a 25 dias. A quantidade exata depende da espécie de pulgão, da temperatura ambiente, da cultura hospedeira e até mesmo da cultivar. Em algumas cultivares, pode ter ciclo mais rápido ou mais lento.

Pulgões na lavoura e na colheita

Os pulgões surgem nas lavouras através de materiais vegetais contaminados. Isso também acontece em função da sua capacidade de reprodução e de dispersão nas áreas próximas.

Plantas sob estresse hídrico ou nutricional são mais suscetíveis ao ataque, pois liberam substâncias químicas atrativas. Além disso, algumas espécies de plantas são mais atrativas, em função da sua composição química.

Os pulgões são normalmente encontrados no verso inferior das folhas, em ramos, e em folhas jovens, que são mais nutritivas para o inseto. A alimentação em folhas mais velhas pode reduzir a fecundação dos pulgões.

O ataque inicial dos pulgões pode ser observado em reboleiras. Depois, atinge grandes áreas pela rápida reprodução.

Danos causados nas culturas agrícolas

Os pulgões podem provocar redução significativa da produção quando encontram-se nas áreas de produção ainda no início do desenvolvimento reprodutivo. Em soja, essa redução pode chegar a 40%

Em plantas em período reprodutivo, a fumagina pode reduzir a fecundação, reduzir a liberação do pólen e provocar falhas na granação. 

No caso do milho, pode causar espigas estéreis ou incompletas. Isso acontece devido a sua rápida capacidade de reprodução e, consequentemente, de atingir grandes populações.

Além disso, os pulgões injetam toxinas nos tecidos vegetais, que provocam a queda precoce das folhas. Essas toxinas também favorecem a entrada de fungos que causam fumagina na lavoura.

Este fungo cobre a superfície dos tecidos das plantas, reduzindo o processo de fotossíntese, respiração e transpiração. A cor preta do fungo faz com que absorva maior radiação solar. Isso pode queimar as folhas, provocando sua queda. 

Em algodão, a fumagina reduz a qualidade das maçãs e do produto final colhido.

Foto de folha de soja com fumagina
Aspecto visual da fumagina, causada pelo fungo Capnodium spp. sobre soja
(Fonte: Adeney de Freitas Bueno)

A fumagina também pode se desenvolver em substâncias de secreção de outros insetos, como a cochonilha e a mosca-branca.

Os danos causados pelos pulgões nas culturas agrícolas, de forma geral, incluem:

  • Sintomas de amarelecimento (pelo desvio dos nutrientes, retirados pelos pulgões na sucção da seiva);
  • Encarquilhamento (tecidos retorcidos e de tamanho reduzido, mal formados);
  • Distorção das folhas;
  • Nanismo dos brotos;
  • Formação da fumagina;
  • Injeção de toxinas (fator mais prejudicial ao crescimento das plantas);
  • Transmissão de vírus;
  • Algumas espécies de pulgões (poucas), podem formar ainda galhas.

Tipos de pulgão

Você pode perceber que algumas espécies de pulgão colonizam vários tipos de plantas e outras somente algumas espécies da mesma família botânica. Para isso, existe uma classificação de acordo com seu hábito alimentar.

Se os pulgões se alimentam de plantas de uma mesma família de plantas, eles são considerados monófagos. Por outro lado, se eles se alimentam de várias culturas, são considerados polífagos.

Pulgão do algodoeiro

O pulgão Aphis gossypii é polífago, com cerca de 700 plantas hospedeiras. Porém, sua maior importância é no algodoeiro e no meloeiro.

Ele é considerado uma das principais pragas do algodão, e pode atacar durante todo o ciclo da planta. Nas fases iniciais, os danos podem ser maiores.

No final do ciclo de cultivo do algodão, pode reduzir o valor comercial da fibra. Isso acontece indiretamente, pela formação da fumagina.

Pulgões na face interior de folha de soja
Características morfológicas do pulgão do algodoeiro e meloeiro Aphis gossypii
 (Fonte: Dalva Gabriel em Infobibos)

Como sintomas, podem ser observadas folhas enrugadas, enroladas ou encarquilhadas e os brotos deformados.  Além desses sintomas, este pulgão pode ser vetor de algumas viroses para algodoeiro como o vermelhão e mosaico das nervuras.

É necessário realizar uma amostragem para saber quando realizar o controle. Observe folhas do ponteiro e brotos novos na fase inicial da cultura. Mais de 12 indivíduos por folha amostrada caracterizam uma colônia.

O nível de controle não deve ultrapassar 10% de plantas com colônias de pulgão. Ou seja, se em 10 plantas forem encontradas cerca de 12 pulgões, o controle deve ser realizado imediatamente. Áreas próximas com infestação requerem atenção redobrada. 

Algumas medidas de manejo para Aphis gossypii são:

  • Eliminação de restos culturais;
  • Eliminação de plantas daninhas hospedeiras do pulgão;
  • Uso de cultivares tolerantes ou resistentes à espécie de pulgão;
  • Controle químico (com produtos dos grupos químicos das sulfoxaminas, neonicotinóide, piretroides e organofosforados. Estes dois últimos requerem atenção no uso, pois podem reduzir a população de inimigos naturais);
  • Uso de cobertura do solo com material repelente ao pulgão.

Pulgão da espiga

O Sitobion avenae é uma espécie polífaga. Ele pode prejudicar as culturas do trigo, aveia, centeio, cevada e triticale.

No trigo, este pulgão é considerado um dos principais problemas. Ele pode diminuir o número de espigas e de grãos por espiga, além de poder causar fumagina. O pulgão da espiga pode ser vetor de viroses para a cultura.

Pulgão em espiga de trigo
Pulgões afetando as espiguetas de trigo. Os grãos produzidos são afetados, com redução do tamanho e da qualidade final para a indústria
(Fonte: Agrolink)

Antes de controlar esse pulgão na lavoura, faça uma amostragem semanal e aleatória na lavoura de trigo. Se 10% das plantas amostradas estiverem infestadas com 10 pulgões por espiga, deve ser realizado o controle.

O tratamento de sementes de trigo é indispensável para evitar os danos causados pela praga. O controle com inseticidas é recomendado, especialmente em épocas quentes e secas.

Faça o controle químico recomendado de acordo com a cultura. Para o trigo, segundo o Agrofit, o controle biológico pode ser realizado. E para controle químico, os seguintes grupos são indicados: 

  • neonicotinóides;
  • feniltiouréia; 
  • inorgânicos percursores de fosfina;
  • ésteres de ácidos graxos;
  • organofosforados e piretróides.

Pulgão do milho

O pulgão do milho, Rhopalosiphum maidis, também é polífago e pode afetar sorgo, cevada, aveia, milheto, triticale, trigo e até mesmo a cultura da soja. Ele é considerado um grande  problema em cultivos de sucessão soja-milho ou milho/trigo-soja.

Esse pulgão ataca o milho no cartucho nas fases jovens da planta, mas pode infestar também pendão e gemas florais.

Ele pode formar fumagina e também ser vetor de viroses, como o mosaico comum do milho. 

O controle dessa espécie de pulgão só é necessária com populações altas do inseto na lavoura. Se você encontrar mais de 100 afídeos por planta, é o momento correto para fazer as pulverizações.

O controle do pulgão do milho pode ser realizado por tratamento de semente com controle químico e eliminação de plantas hospedeiras do pulgão.

Controle biológico com inimigos naturais também é uma prática recomendada, desde que a população de afídeos na lavoura seja elevada.

Pulgão verde

O Myzus persicae é um pulgão polífago que afeta grandes culturas como a soja e o algodão. Como resultado, o pulgão verde pode causar deformação e encarquilhamento das folhas, além de ser vetor de viroses.

Pulgões sem asas ao lado de pulgões com asas
Pulgões Myzus persicae ápteros (sem asas) e alados (com asas)
(Fonte: Syngenta)

O controle do pulgão em plantas pode ocorrer através de inimigos naturais. Você também pode utilizar inseticidas quando ocorrem altas populações.

As recomendações de produtos variam em função da espécie a qual causam dano. Só devem ser utilizados produtos registrados para o controle específico da cultura a que se deseja o controle.

Pulgão verde dos cereais

Esse afídeo, Schizaphis graminum, é uma espécie monófaga. O Pulgão verde dos cereais tem preferência por plantas hospedeiras como as gramíneas.

Seu dano está relacionado com a parte aérea da planta. Esses pulgões podem causar amarelecimento das plantas.

Pulgões amarelos sobre folha
(Fonte: Agrolink)

Você pode manejar este pulgão por controle biológico com inimigos naturais e por controle químico com uso de inseticidas registrados.

Além desses pulgões, existem muitos outros que podem afetar a sua cultura. É necessário conhecer essas espécies e saber como acabar com o pulgão antes de sofrer danos muito grandes.

Como acabar com os pulgões

Para combater o pulgão na lavoura, não se esqueça de realizar o MIP (Manejo Integrado de Pragas). O MIP consiste em utilizar várias técnicas para manter a população dos afídeos abaixo do nível de dano econômico.

O controle químico deve ser utilizado respeitando o manejo de resistência. Isso vai evitar que os inseticidas percam ou tenham sua eficiência reduzida no controle dos pulgões. Por isso, algumas medidas de manejo que você pode utilizar para o controle dos pulgões são:

  • Monitoramento de pragas na lavoura para levantamento da população de pulgões; 
  • Eliminação de plantas hospedeiras;
  • Controle biológico por inimigos naturais;
  • Controle químico com inseticidas ou tratamento de sementes, com produtos registrados no Agrofit para a praga e para a cultura;
  • Uso de cobertura do solo com material repelente ao pulgão;
  • Controle alternativo, entre outras.

O controle alternativo para o pulgão pode ser utilizado para a agricultura orgânica e ainda pode preservar os inimigos naturais. Existem várias receitas, como o uso do sabão neutro.

Manejo do pulgão como vetor de viroses

Primeiro, precisa-se identificar qual é o vetor e o vírus. Um vírus pode ser transmitido por mais de uma espécie de afídeo. Com essa informação, também é possível classificar o modo de transmissão:

  • Não-persistente: a aquisição e a transmissão do vírus é muito rápida (de segundos a poucos minutos), assim como a retenção do vírus no pulgão também é curta.
    O vírus fica no estilete do pulgão e é transmitido para a planta por meio de picadas rápidas. O pulgão não precisa colonizar a planta hospedeira para o processo de transmissão.
  • Semi-persistente: essa transmissão ocorre de minutos a horas, mas o vírus não circula por todo o afídeo.
  • Persistente: a aquisição e transmissão do vírus são caracterizados por longos períodos de alimentação e de latência (é o tempo em que o pulgão adquire o vírus em uma planta até estar apto a transmitir). 

Esse modo de transmissão pode ser dividido em não propagativo/circulativo (o vírus apenas circula no corpo do inseto) e propagativo (o vírus se replica no interior do afídeo). Isso é importante para a escolha do melhor método de manejo.

Se o modo de transmissão for não-persistente, não adianta utilizar controle químico para o pulgão. Ele só deve ser utilizado se a população de pulgões atingir nível de dano.

Afinal, o pulgão fica na planta durante a aquisição e transmissão da doença, em curto período de tempo.  

Se a transmissão for do tipo persistente, o controle químico com inseticidas pode ser eficiente no controle da virose. Assim menos plantas serão infectadas, pois a população de pulgões diminuirá.

Para te auxiliar com a identificação e controle mais adequado em função da espécie de pulgão, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Conclusão

Pulgões são pragas que podem afetar diversas culturas agrícolas. Eles causam danos diretos, como a presença de fumagina, e também indiretos, como viroses.

Realize monitoramento constante e utilize o Manejo Integrado de Pragas para acabar com o pulgão na sua lavoura. 

Fique de olho também no nível de dano econômico e nos produtos registrados no Agrofit. Todas essas medidas juntas vão te ajudar a resolver esse problema.

>> Leia mais:

“O que você precisa saber sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos”

“Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde”

Você tem problemas com o pulgão na sua fazenda? Quais as medidas de manejo utiliza? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Atualizado em 17 de junho de 2022 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

Como fazer a gestão de pessoas no agronegócio?

Gestão de pessoas no agronegócio: o que é, quais são os desafios, dicas para profissionalizar colaboradores e como ser um bom gestor.

Não adianta ter bons maquinários, insumos, tecnologia e uma boa área agrícola se as pessoas não estão preparadas e gerenciadas para as atividades.

Por isso, é importante ter uma boa gestão de pessoas na sua empresa. 

Você pode achar que é difícil empregar gestão de pessoas no agro, mas vamos mostrar que isso é essencial para o sucesso do seu negócio.

Essa pode ser uma gestão esquecida no meio rural, mas isso não pode acontecer. 

Assim, preparamos este texto de como você pode fazer a gestão das pessoas no agronegócio. Confira!

O que é gestão de pessoas?

Gestão de pessoas é um conjunto de estratégias que visa o desenvolvimento do capital humano nas organizações.

Esta deve ser realizada para qualquer funcionário da fazenda e em qualquer nível hierárquico.

Assim, a gestão de pessoas envolve atrair e manter bons profissionais com atividades como: seleção de funcionários, programas de treinamentos, desenvolvimento do capital humano, entre outras.

gestão de pessoas no agronegócio

(Fonte: Blog Luz)

Uma boa gestão de pessoas no agronegócio deve ter estratégias para estimular o desenvolvimento profissional. 

Dessa forma, um profissional motivado, satisfeito e com habilidades é muito importante para a empresa rural, podendo aumentar a produção da fazenda.

É o que relata uma importante fazenda produtora de leite no Brasil, a Fazenda Colorado, que 70% do sucesso de qualquer negócio está intimamente ligado à maneira como as pessoas encaram o desafio que desempenham dentro do negócio. 

Assim, se o profissional tem interesse da fazenda prosperar é para que junto ele também possa crescer profissionalmente.

Por isso, é importante que os profissionais sejam motivados diariamente.

Além disso, deve-se valorizar e reconhecer esses profissionais, ter respeito no ambiente de trabalho, além de manter um local adequado e com segurança.

Lembre-se que profissionais satisfeitos trabalham com mais entusiasmo e isso é importante para o sucesso e lucratividade das atividades rurais

Mas não podemos esquecer que para uma boa gestão de pessoas se faz necessário um bom gestor. 

Esse profissional precisa estar atento às estratégias de gestão, sempre buscando se profissionalizar e modernizar a gestão da empresa.

No entanto, a gestão de pessoas pode não ser tarefa fácil, como relata o Prof. Dr. Gilberto Shinyashiki da área de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional da USP: “Gestão de pessoas é a parte mais difícil do trabalho gerencial”.

Por isso, vamos falar dos desafios da gestão de pessoas no agronegócio no próximo tópico.

Desafios da gestão de pessoas no agronegócio

Ter uma boa gestão de pessoas pode não ser fácil por conta de alguns desafios. Dessa forma, é importante conhecê-los para tentar minimizá-los.

Alguns desafios da gestão de pessoas no agronegócio são:

Comunicação entre colabores e gestores

gestão de pessoas no agronegócio
A gestão de pessoas no agronegócio é fundamental para o sucesso da fazenda

Se a comunicação não ocorrer ou for mal feita entre os envolvidos nas atividades agrícolas pode gerar muitos problemas na empresa como a não execução de trabalho ou realização de forma incorreta, o que traz prejuízos.

Um estudo feito pelo Project Management Institute Brasil (PMI) constatou que, para 76% das empresas, o principal motivo para seus projetos fracassarem são falhas na comunicação.

Isso não deve ser diferente para as empresas rurais, por isso, é um fator muito importante na gestão de pessoas.

Assim, para te auxiliar e melhorar a comunicação interna da sua empresa rural você pode utilizar da tecnologia, com programas e softwares.

Atrair e manter bons profissionais

Uma das funções da gestão de pessoas é a contratação de bons profissionais, a fim de mantê-los na atividade.

Para minimizar esse desafio é necessário realizar uma boa seleção, com recrutamento que explique todas as atividades a desenvolver na empresa, remuneração e se há plano de carreira.

Outro ponto importante a ser observado é que, muitas vezes, é difícil encontrar trabalhadores no campo.

Por isso, quando for selecionar um profissional para as atividades da fazenda é recomendável a capacitação constante para mantê-lo motivado e conservá-lo na empresa.

Mas além de atrair bons profissionais, é necessário mantê-los na sua empresa. Para isso, é importante dar feedbacks e ter metas claras.

Capacitação e treinamento dos profissionais

Como falamos, a capacitação dos profissionais é importante para a retenção deles na empresa rural.

Mas, a capacitação pode ser um desafio para o gestor no quesito de escolher quais os cursos e treinamentos ideais e identificar o momento certo de realizá-los.

Entretanto, este é um fator extremamente necessário por conta das novas tecnologias cada vez mais inseridas na agricultura. 

Pois, não adianta nada ter tantas tecnologias disponíveis se o profissional não consegue utilizá-las adequadamente para melhorar as atividades agrícolas. Então, tenha sempre em mente que profissionais do futuro no agro precisam se capacitar.

Liderança

Outro desafio que a gestão de pessoas no agronegócio pode enfrentar é a falta de liderança. 

O gestor precisa ser um líder que orienta, incentiva, ajuda, motiva e elogia, ou seja, ele deve dar exemplo com as suas ações na empresa rural (praticando o que fala).  

Para te auxiliar ainda mais nisto, veja algumas dicas de como profissionalizar a gestão de pessoas.

5 dicas para profissionalizar a gestão de pessoas no agronegócio

1. Planejamento e levantamento de dados

Como sempre gosto de enfatizar, o planejamento é importante em toda atividade e isso não é diferente para a gestão de pessoas.

Primeiro, realize um planejamento de sua empresa, observando como está a situação atual, qual seu recurso financeiro, suas atividades e profissionais envolvidos nessas rotinas.

Com isso, você já pode realizar o levantamento de dados dos funcionários da fazenda: quais atividades desempenham, em qual setor, suas qualificações, entre outras informações importantes. 

Também tente levantar informações sobre o perfil de cada funcionário, com isso, o gestor pode realocar colaboradores de acordo com suas qualificações e perfis.

2. Boa comunicação com a equipe de trabalho 

A comunicação é fundamental na gestão de pessoas, como já vimos neste texto. 

Por isso, esteja sempre conversando com seus colaboradores para entender suas dificuldades e desafios durante o dia a dia. 

Uma alternativa é realizar reuniões específicas em grupo e de forma individual, ao menos uma vez por mês.

3. Avaliação dos profissionais

Para o desenvolvimento de pessoas, deve-se realizar a avaliação de desempenho de cada profissional (feedback), mostrando os pontos positivos e os que precisam ser melhorados.

Isto vai melhorar o processo produtivo, garantir maior eficiência e bons resultados. 

Para ajudar neste processo, conte com um aplicativo de gestão que tenha toda a equipe, com possibilidade de relatório de suas atividades. 

No Aegro, por exemplo, é possível adicionar todas as pessoas que trabalham na fazenda e estabelecer o perfil de usuário dentro do software. 

O aplicativo disponibiliza seis perfis diferentes, cada um com responsabilidades e acessos diferentes.

Gif mostra a gestão de pessoas no agronegócio por meio do Aegro

Menu do perfil dos usuários no aplicativo Aegro

4. Capacitação das pessoas da propriedade rural

Como comentamos no tópico acima, este é um desafio para a gestão de pessoas no agronegócio, mas também é uma dica de como melhorar essa gestão.

Para te auxiliar com a escolha de capacitação e treinamentos dos colaboradores, você pode realizar um pequeno questionário com os profissionais perguntando qual(is) curso(s) eles gostariam de realizar para melhorar sua atuação.

E com essas respostas, você determina qual treinamento será realizado e qual o cronograma para isso.

Lembrando que a capacitação deve ser realizada independente do tamanho da propriedade.

5. Metas e plano de carreira

Tenha metas com sua equipe de trabalho. É importante destacar sempre quais são os objetivos da empresa e quais as metas que se pretende alcançar. 

Se as metas forem atingidas, pense em bonificação ou até mesmo um aumento no salário, além de reconhecer e valorizar esses profissionais.

Assim, é importante também determinar se a empresa apresenta um plano de carreira e quais as condições para alcançar níveis mais altos, ou seja, o que a empresa espera do profissional para determinado cargo.

Depois dessas dicas de como melhorar a gestão de pessoas no agronegócio, veja como melhorar e ser um bom gestor.

Como fazer uma boa gestão de pessoas no agronegócio?

Muitas pessoas que estão à frente de um negócio não se posicionam como líder, mas sim como apenas um chefe que demanda os trabalhos. Mas, lembre sempre que um gestor deve ser um bom líder.

diferença entre líder e chefe
gestão de pessoas no agronegócio

(Fonte: aec)

Além da liderança, a comunicação é essencial para um gestor, escutando os colaboradores para entender o que esperam do local de trabalho e como podem melhorar as atividades na fazenda. 

O gestor também tem como responsabilidade definir o que cada profissional realizará de acordo com o seu cargo, quais suas funções e atividades dentro da empresa rural.

E mais, deve proporcionar trabalho em equipe e motivar seus colaboradores. Então pense e reflita: Qual a motivação dos colaboradores da sua empresa rural?

Portanto, o gestor deve estar presente, sempre que possível, nas atividades e observando como essas tarefas diárias são executadas, o que pode ser melhorado, como os profissionais estão atuando nos locais de trabalho, entre outras funções que considere importante.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

Vimos neste texto o que é e qual a importância da gestão de pessoas na empresa rural e, ainda, algumas dicas para profissionalizar essa gestão.

Também discutimos alguns desafios que podem acontecer na gestão de pessoas no agronegócio e como ser um bom gestor.

Agora que você sabe mais sobre gestão de pessoas, realize um bom gerenciamento dos seus colaboradores e, com isso, obtenha sucesso e melhores resultados na sua empresa rural.

Você realiza gestão de pessoas na sua empresa rural? Quais os desafios que você enfrenta com essa atividade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Tudo que você precisa saber sobre armazenagem do arroz

Armazenagem do arroz: a importância dessa atividade, umidade e temperatura ideais, silos para armazenamento e controle de pragas.

Podendo ser cultivado em todo o país com destaque para os estados do Sul (81% da produção safra 2020), Norte (9%) e Centro-Oeste (6%), o arroz é uma cultura importante que precisa ser armazenado para que possa ser comercializado e consumido o ano inteiro. 

Assim, o produtor também pode aumentar a sua renda com um preço melhor de comercialização.

Essa atividade precisa ser bem planejada e executada e ter os seus custos mapeados em caso de armazenagem própria. Assim, a qualidade do grão e a lucratividade da safra são preservadas.

Preparamos este texto com tudo que é preciso entender sobre armazenagem do arroz. Confira!

A importância de uma boa armazenagem do arroz

Todas as atividades do plantio à colheita da cultura do arroz são importantes para ter uma boa produção do grão e a colheita é um momento muito esperado na rotina na fazenda. 

Mas, todo esse trabalho precisa ser preservado por uma boa armazenagem.

armazenagem do arroz

Do plantio à colheita do arroz
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

Lembrando que a qualidade dos grãos não pode ser melhorada, apenas preservada durante um bom armazenamento.

Pode haver uma variação de 1,5% a 4% de perdas na armazenagem em silos nos estados de maior produção nacional do arroz como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

Mas se ocorrer um armazenamento incorreto, esses valores podem ser ainda mais elevados.

Para não ter complicação, é importante ter todas as atividades planejadas antes do plantio: transporte, secagem e armazenamento.

Transporte e secagem dos grãos de arroz

Após a colheita do arroz, este precisa ser transportado para o armazenamento ou para a venda do grão, caso o agricultor opte por vender a produção ou parte dela logo após a colheita.

Essa decisão de armazenar ou vender o produto após a colheita depende da situação atual de cada propriedade, da parte econômica da empresa rural e de qual decisão irá compensar.

armazenagem do arroz

(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

O arroz deve ser transportado até a unidade de armazenamento e neste processo deve-se evitar as perdas.  

Ao chegar à unidade de armazenamento, há o processo de recepção do grão, em que ocorrem a pesagem, a identificação da carga e a coleta de amostras para a avaliação de sua qualidade inicial.

Após o arroz ser descarregado na moega, são removidas as impurezas e materiais estranhos em relação ao grão de arroz no processo de pré-limpeza.

Depois da limpeza acontece a secagem dos grãos, que pode ser realizada de diversas formas desde a natural até a secagem forçada. 

Vamos falar um pouco mais sobre esta etapa no próximo tópico sobre a umidade do grão.

Armazenagem do arroz: Temperatura e Umidade ideais

Fatores que são importantes na armazenagem do arroz para manter sua qualidade são temperatura e umidade.

Para a colheita, recomenda-se que o teor de umidade do grão esteja entre 18% a 22%. Mas para armazenar o grão, deve-se reduzir essa umidade.

Para isso, existem secadores para realizar essa operação de conservação do grão.

Alguns desses secadores podem ser

  • Estacionário (com ar em fluxo radial ou axial); 
  • Convencional (contínuo ou intermitente); 
  • Misto (seca-aeração).

O grão é considerado seco com teor de umidade entre 12% e 13%. Assim, para armazenar deve ter essa faixa de umidade com mínimas impurezas, reduzida população de pragas e baixa temperatura.

Temperatura baixa é uma medida de manejo para o armazenamento que evita o desenvolvimento de pragas, o recomendado é 18°C. 

Ter esses parâmetros de umidade e temperatura nos silos é importante para que o ambiente seja desfavorável ao surgimento de pragas, que podem gerar perdas muito significativas de grãos.

Após a secagem, antes de colocar o grão no silo para armazenamento, é importante ter uma etapa de resfriamento dos grãos para evitar perdas, como as trincas.

E antes do grão chegar ao armazém, também é necessário limpar a unidade armazenadora para eliminar qualquer possível praga presente no ambiente.

Silos para armazenagem do arroz

Os grãos de arroz podem ser armazenados em silos na própria propriedade ou em silos de vizinhos, cooperativas e armazéns conjuntos com outros produtores ou de empresas. 

Por isso, é importante realizar o planejamento para determinar se é viável armazenar o arroz e onde armazenar, caso você não tenha silos na propriedade.

Mais de 90% do arroz armazenado nas principais microrregiões produtoras nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso são armazenados em silos a granel.

Capacidade dos tipos de armazéns das principais microrregiões produtoras de arroz nos estados: RS, SC, TO, MA e MG
(Fonte: Conab)

Um tipo de silo que é bastante indicado para a armazenagem do arroz para pequeno produtor é a unidade armazenadora com silo secador. No entanto, existem outros que você pode utilizar para a sua propriedade.

Determinar onde armazenar o grão e qual tipo de unidade de armazenamento depende da sua propriedade, região, custo e dos benefícios de cada opção.

Controle de pragas em grãos armazenados

Como vimos até aqui, é fundamental o controle das pragas de armazenamento, veja algumas mais comuns:

  • Oryzaephilus surinamensis
  • Cryptolestes ferrugineus
  • Ephestia kuehniella
  • Sitophilus oryzae
pragas da armazenagem do arroz

Sitophilus oryzae
(Fonte: Pacific Pests and Pathogens)

Para o controle das pragas no armazenamento do arroz, você pode utilizar algumas dessas medidas de manejo:

  • Controle químico indicado para armazenamento (exemplo: inseticidas à base de fosfeto de alumínio);
  • Manipulação da umidade relativa e da temperatura nos locais de armazenamento;
  • Utilização de pó inerte à base de terra de diatomáceas (atua por contato nos insetos e remove as camadas de cera da cutícula, o que causa a morte do inseto);
  • Controle físico: radiação e outros;
  • Armadilhas para monitorar as pragas nos silos de armazenamento.
banner ebook produção eficiente de arroz

Conclusão

Após a colheita do arroz, você pode optar por vender o grão imediatamente ou armazenar.

Se optar por armazenar o arroz, esta é uma etapa muito importante para ter o grão durante todo o ano e possibilitar que o produto seja comercializado com um melhor preço.

Por isso, para ter um bom armazenamento do arroz e manter a qualidade do produto, realize um planejamento desta operação. 

Além disso, conheça os processos realizados desde a saída do grão da fazenda até o seu armazenamento. E não se esqueça de controlar as pragas durante esse período.

E você, realiza armazenagem do arroz em sua propriedade? Quais cuidados você tem com esse processo? Deixe o seu comentário abaixo!

Como fazer o preparo do solo para plantio de trigo

Preparo do solo para plantio de trigo: escolha da cultivar, melhor época de semeadura, preparo do solo e rotação de culturas.

O trigo é um importante cereal cultivado em todo o mundo, com produção de 735 milhões de toneladas em 2018 (segundo a FAO). 

Já no Brasil, em 2019 a produção alcançou 5,2 milhões de toneladas (dados do IBGE).

Assim, para ter uma alta produção nessa cultura tudo começa com um bom preparo do solo para o plantio.

Por isso, preparamos este texto para te auxiliar com esta prática agrícola e com o seu planejamento na cultura do trigo. Confira!

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Qual cultivar de trigo plantar e a melhor época de plantio?

No Brasil, a produção de trigo está concentrada na região Sul, mas o Cerrado também está produzindo trigo na Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás.

Assim, a produção de trigo nos estados brasileiros na safra de 2019, segundo o IBGE, foi de 4,5 milhões de toneladas no Sul do país, 505 mil toneladas no Sudeste, 30 mil no Nordeste e 138 mil no Centro-Oeste. 

Falando em cultivares de trigo, estão sendo desenvolvidas novas adaptadas ao clima de cada região. E para realizar a melhor escolha se atente em:

  • Indicação de produção;
  • Alto desempenho no campo e produtividade;
  • Resistência à doença
  • Indicação da cultivar de acordo com o sistema de produção; 
  • Fertilidade do solo
  • Época de semeadura;
  • Entre outros fatores.
preparo do solo para plantio de trigo

(Fonte: Agro Advisor)

Além da escolha da cultivar, um ponto importante é saber a melhor época para o plantio de trigo – que deve ser realizado de acordo com o período indicado para cada município. 

Para te auxiliar nessa escolha, você pode seguir as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que apresenta uma lista de cultivares indicadas para cada região e a relação de municípios com os respectivos calendários de plantio.

Para conseguir as informações, acesse, escolha o estado e selecione a cultura do trigo.

Dessa forma, aparecerá os dados para o estado escolhido, a relação das cidades indicadas, além dos períodos de plantio (início e fim) para cada município, por tipo de solo e por grupo de cultivar. 

Esses dados podem te ajudar a reduzir riscos na cultura do trigo como geada no espigamento, doenças na fase inicial de enchimento de grãos, perda da qualidade dos grãos e baixo desenvolvimento da cultura.

Após determinar a melhor época de semeadura e cultivar, se atente no preparo do solo para plantio de trigo.

Fazendo o preparo do solo para plantio de trigo

Em qualquer cultura, é necessário planejamento e histórico da área para o preparo do solo. Por isso, deve-se determinar qual o tipo de sistema de cultivo será ou é utilizado na área, sendo convencional ou plantio Direto, e realizar as práticas de acordo com ele.

Para alguns agricultores do Rio Grande do Sul, o plantio direto garantiu o dobro de produtividade de trigo. Esse sistema também pode ter outros benefícios como diminuição da erosão do solo, redução de operações no preparo do solo, aumento da matéria orgânica, entre outros.

Mas lembre-se que cada propriedade tem suas particularidades, por isso, realize o melhor sistema de plantio para a sua fazenda.

Outros fatores importantes para o estabelecimento da lavoura de trigo são: 

  • Semear no limpo; 
  • Fazer um bom manejo de cobertura do solo até a semeadura;
  • Análise de solo (adubação equilibrada);
  • Semeadura de qualidade; 
  • Cuidados com velocidade de semeadura e profundidade (2 a 5 cm); 
  • Escolha da semente de qualidade;
  • População de planta adequada.

Para o preparo do solo, deve-se também saber qual a quantidade de fertilizantes e corretivos a serem aplicados no solo, sendo um fator importante quando se pensa no custo com a cultura.

Isso porque os fertilizantes têm maior participação nos custos de produção do trigo, representando aproximadamente 25% do investimento na lavoura. Por isso, é importante realizar a análise de solo

Análise do solo

Para determinar se o solo precisa de correção ou de fertilizantes é necessário realizar a análise do solo, mas lembre-se que as amostras devem ser representativas da área. 

Para plantio direto, é recomendado a amostragem de 0-10 cm e ocasionalmente de 0-20 cm de profundidade, já para o convencional normalmente é de 0-20 cm.

A interpretação da análise de solo é realizada de acordo com o nível de cada elemento e, para determinar a necessidade de calagem e adubação para a área amostrada, devem ser utilizados manuais ou indicações técnicas para cada região do país. 

Ou seja, isso depende da região produtora de trigo, como vamos ver em exemplos mais adiante.

Correção com calcário

Para determinar se a área precisa de calagem e qual quantidade utilizar, deve-ser ter a interpretação da análise de solo com as recomendações para cada região de cultivo do trigo.

Preparo do solo para plantio de trigo: Adubação

Geralmente, a adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) e com micronutrientes para a cultura do trigo, é realizada no sulco de semeadura e o suprimento de N é complementado em duas aplicações de cobertura.

Para te auxiliar no manejo de fertilizantes, veja a figura abaixo:

preparo do solo para plantio de trigo

Manejo nutricional e fenologia da cultura do trigo
(Fonte: Modificada de Pires et al. (2011) em IPNI)

O nitrogênio é o elemento mais demandado pela planta de trigo. Sua dose recomendada varia em função do teor de matéria orgânica do solo, cultura precedente, região climática e da expectativa de rendimento de grãos.

Para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a quantidade de fertilizante nitrogenado varia em função do nível de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento de grãos da cultura.

Assim, a dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 kg/ha a 20 kg/ha, sendo que o restante deve ser aplicado em cobertura entre as fases de perfilhamento e alongamento do colmo da cultura.

Indicação de adubação nitrogenada

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale nos estados do RS e SC
(Fonte: Embrapa)

Já para o estado do Paraná, essa adubação nitrogenada é realizada com base na cultura anterior.

Indicação de adubação nitrogenada PR

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale no estado do PR
(Fonte: Embrapa)

Com os exemplos acima, verificamos que para cada estado existe uma indicação de nitrogênio, que é baseada em variáveis do solo, do clima ou da cultura anterior. 

Para os outros estados, você pode consultar nos estudos da Embrapa e verificar ali as recomendações para os demais macros e micronutrientes.

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.

Benefícios da rotação de culturas com o trigo

A rotação de culturas é a alternância de diferentes culturas na mesma área de cultivo e na mesma época ao longo dos anos.

preparo do solo para plantio de trigo

Com inúmeros benefícios, o trigo é a melhor opção de cultura para o inverno
(Fonte: Correio do Povo do Paraná)

O trigo é uma cultura de inverno e pode ser utilizado no sistema de rotação de culturas trazendo diversas vantagens como:

  • Retorno econômico;
  • Redução de plantas daninhas, pragas e doenças;
  • Controle da erosão;
  • Melhora das características físicas, químicas e biológicas do solo;
  • Aumento dos teores de matéria orgânica no solo;
  • Importante para o plantio direto;
  • Entre outros.

Para realizar a rotação de culturas é importante ter um bom planejamento, para determinar quais as culturas serão utilizadas na área e se no inverno será utilizado trigo ou outra cultura.

Para auxiliar na composição dos programas de recomendações de culturas no sistema de plantio direto, veja a figura abaixo.

culturas plantio direto

(Fonte: Fancelli, 2008)

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

A cultura do trigo é um importante cereal que pode ser utilizado na rotação de culturas como cultura de inverno.

Também abordamos neste texto sobre como realizar um bom preparo do solo, com a escolha da cultivar e da melhor época do ano, além de como fazer a adubação e a calagem para a cultura do trigo.

Agora que você tem todas essas informações, realize um bom preparo do solo para a cultura de trigo na sua fazenda e alcance altas produtividades.

>>Leia mais:

O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

Como você realiza o preparo do solo para a cultura de trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo!