Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle

Broca-do-café: como identificar em sua lavoura, métodos de controle e de realização do manejo integrado de pragas

Por ter a característica de sobreviver de uma safra para a outra, a broca-do-café é um inseto importante a ser combatido na cultura.

Isso porque o impacto de seus danos podem chegar a perda de 20% do peso dos grãos na colheita. 

Por isso, nesse artigo vamos entender melhor o ciclo dessa praga e as principais formas de controles sustentáveis/biológicos. Veja a seguir!

Importância da broca-do-café – Hypothenemus hampei

A broca é um dos principais insetos causadores de perdas significativas de grãos, sendo o responsável direto pela diminuição de qualidade do café.

Existem diferenças entre os tipos de espécies de cafés e sua suscetibilidade à broca. 

O café arábica, por exemplo, é um dos mais prejudicados enquanto o café conilon é mais afetado por outros insetos como a cochonilha e a lagarta dos cafezais (Eacles imperialis magnifica).

Entretanto, os prejuízos são grandes quando ocorre o ataque pela broca-do-café, pois a perda de qualidade dos grãos causa diversos danos, até mesmo para a exportação em que a tolerância é de 10% de grãos brocados. 

Ou seja, quanto mais café brocado, menos rentável a produtividade será.

Danos da broca-do-café

A broca causa danos diretos e indiretos na cultura do café.

De maneira direta ocorrem pelo ataque da praga ao grão e a redução do peso de grãos de café pode chegar a 20%, além de causar queda prematura dos frutos e depreciação dos grãos nas classificações. 

Com isso, apresenta grande quantidade de brocados/quebrados e pode promover a diminuição da qualidade do produto e, consequentemente, do valor comercial.

Já os danos causados de forma indireta ocorrem pela abertura de orifícios que torna a planta mais suscetível ao ataque de microrganismos.

Identificação da broca-do-café 

A broca-do-café (Hypothenemus Hampei) é um pequeno besouro e são as fêmeas adultas que atacam a coroa do fruto, os perfuram e ali depositam seus ovos. 

Elas possuem cerca de 1,7 mm de comprimento e 0,7 mm de largura e seu ciclo de vida tem duração de 22 a 35 dias, seguindo a metamorfose de: ovo>larva>pupa>adulto.

Assim que nascem, as larvas começam a se alimentar dos grãos de café, danificam ou destroem completamente os grãos. E a melhor forma de evitar que o ciclo da praga se complete é durante a colheita.

Com aspectos bioecológicos e comportamentais particulares, o primeiro ataque da broca-do-café ocorre na época entre os 80 a 90 dias após a floração, no qual realiza somente um furo de marcação no fruto. Após 50 dias, o inseto retorna para a oviposição.

Como a broca passa quase todo o seu ciclo de vida no interior do fruto, ela é classificada como de natureza críptica

Isso porque a cópula ocorre também dentro do fruto e a razão sexual na faixa de fêmeas para machos se encontra em 10:1. Sendo que somente fêmeas acasaladas e adultas saem do fruto para realizar a colonização de novos frutos.

(Fonte: Embrapa)

Condições ambientais

As condições ambientais têm papel fundamental no desenvolvimento do inseto na cultura.

Altas precipitações, acima de 100 mm, promovem o controle da broca-do-café e o clima mais seco também auxilia no ressecamento do fruto, o que inibe a oviposição. 

Já os cultivos adensados, a pouca ventilação na lavoura e a baixa incidência de luz promovem um ambiente adequado para a proliferação do inseto.  

Como o produtor rural não tem como prever a maior parte das condições ambientais como o clima, por exemplo, o ideal é sempre realizar a monitoramento da cultura.

Monitoramento ideal 

O controle bem sucedido da broca-do-café só será possível com o monitoramento correto da lavoura e uma verificação bem realizada. 

A orientação dada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) é que essa verificação se inicie na época de trânsito, ou seja, nos 80 a 90 dias após a florada

Sendo assim, a forma correta de trabalho é a divisão da área, talhão ou hectare, em pontos amostrais, quantidade representativa de aproximadamente 20 a 30 plantas, em forma de “ziguezague” – para ser mais homogêneo possível da área.

O ideal é realizar a primeira avaliação somente em uma amostra representativa da área e, nas plantas amostradas, realizar a divisão no terço inferior, terço médio e terço superior. 

Após isso, escolha um ramo em cada terço para análise – a sugestão é que sejam seis ramos por planta. 

O objetivo é visualizar em cada ramo cerca de 10 frutos nas diferentes rosetas e fazer a contagem dos que estão perfurados, anotando em uma planilha ou aplicativo de monitoramento.

Para calcular a intensidade de infestação (IF), some os subtotais e divida por 18 (fator fixo), se o resultado for maior ou igual a 3%, o controle já deve ser iniciado. 

Caso tenha realizado o controle, é muito importante dar continuidade no monitoramento após a primeira pulverização, repetindo de 25 a 30 dias. 

Na segunda avaliação, colete os frutos para análise por contagem e identificação da presença da broca-do-café. 

A porcentagem deve ser pela quantidade de adultos vivos x 100/frutos perfurados abertos.

(Fonte: Agro Bayer Brasil)

Se o IF estiver em nível igual ou maior do que 3%, é imprescindível entrar com controle.

Broca-do-café: formas de controle

Controle cultural 

Os frutos remanescentes nas plantas ou no solo são os principais meios de sobrevivência e de multiplicação da broca-do-café de uma safra para outra.

Por isso, durante a colheita é importante ser feito a retirada de todos os frutos da planta e recolher os frutos que caem no chão.

Em áreas nas quais a colheita é mecanizada, a prática do repasse manual continua sendo muito importante, porque somente assim se reduz a possibilidade de sobrevivência da broca até a próxima safra.

Controle biológico

Um bom controle biológico da broca-da-café pode ser feito por meio da vespa de uganda e do parasitóide Prorops nasuta.

Mas o grande destaque é da Beauveria bassiana, fungo que parasita mais de 200 espécies de artrópodes. 

Através do contato direto com o alvo, esse fungo germina na superfície do inseto penetrando no tegumento e colonizando-o internamente, liberando toxinas e levando o inseto à morte. 

Além do controle da broca-do-café, a aplicação da Beauveria b. controla também as cochonilhas e o ácaro vermelho na cultura. 

Essa aplicação é recomendada em momentos mais frescos, como no fim do dia e com umidade acima de 65%, sendo condições que favorecem o estabelecimento da Beauveria b. na lavoura. 

A- Broca-do-café com orifício de entrada, B – Danos ao fruto, C- Beauveria bassiana infectando a broca-do-café
(Fonte: Esalq/USP – Visão Agrícola)

É importante lembrar que a aplicação de qualquer microrganismo na lavoura deve estar fora do período de carência de qualquer aplicação química na mesma.

Controle com armadilhas

Uma das armadilhas que já apresentou redução de 80% do nível de infestação é uma isca de atração à broca-do-café que utiliza garrafa pet com coloração avermelhada.

É isso mesmo e o material é muito simples! Para construir essa armadilha, os materiais que você precisa são:

  • Garrafa pet de dois litros;
  • Tinta vermelha;
  • Álcool etílico;
  • Álcool metílico;
  • Pó de café;
  • Detergente e água;
  • Pequeno frasco de vidro de 20 a 30 ml.

Siga o passo a passo:

Corte uma abertura lateral na garrafa pet – ela será utilizada de cabeça para baixo com a tampa de plástico fechada.

Faça uma mistura da substância atrativa na proporção para cada litro da mistura de: 250 ml de etanol, 750 ml de metanol e 10 gramas de pó de café. 

Na parte inferior da garrafa, coloque uma mistura de água com detergente sendo 1 ml de detergente para cada 200 ml de  água.

Assim, distribua as armadilhas em uma proporção de 25 armadilhas por hectares e fixadas a cerca de 1,5 m de altura na planta.

Confira neste vídeo, do canal Agro Mais Unaí, a orientação mais detalhada de como realizar a construção da armadilha. 

Controle químico 

O Endossulfan era o principal produto utilizado nas lavouras para o combate à broca-do-café, mas por ser um produto extremamente tóxico foi banido em 2013.

Atualmente, segundo o manual de prevenção e combate à broca do café existem outros princípios ativos que são utilizados como:

  • Azadiractina (tetranortriterpenóide);
  • Cyantraniliprole (antranilamida);
  • Abamectina (avermectina) + Clorantraniliprole (antranilamida);
  • Clorpirifós (organofosforado);
  • Espinosade (espinosinas);
  • Etofenproxi (éter difenílico).

Lembrando que na escolha de um manejo você deve solicitar uma recomendação técnica para a rotação de princípios ativos e aplicação racional do defensivo agrícola. 

Além disso, respeite a dose recomendada e o período de carência que são pontos importantes para o sucesso de sua produção.

Manejo Integrado de Pragas 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é o método racional e preventivo em que você se baseia na identificação correta das espécies, monitoramento constante e avaliação dos níveis de necessidade de controle.

Na broca-do-café, o monitoramento deve continuar até próximo da colheita em avaliações de 30 em 30 dias, caso necessário um novo controle deve ser realizado.

Portanto, o MIP permite a prevenção e diagnóstico, orientado na tomada de decisão do controle efetivo em sua lavoura.

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Conclusão

Vimos que a broca-do-café é sinônimo de prejuízo direto por causar os frutos broqueados e diminuir a qualidade do café e perda de peso dos grãos.

Agora você já conhece mais sobre como é a biologia desse inseto e como você pode controlá-lo: fazendo o monitoramento e realizando os controles necessários.

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Fique de olho na cantoria da cigarra-do-cafeeiro e faça o manejo certeiro

“Como o uso de drones na pulverização do cafeeiro pode trazer economia e eficiência nas aplicações”

Como você realiza o manejo da broca-do-café em seu cafezal? Restou dúvidas? Conta pra gente nos comentários abaixo. 

Agricultura irrigada: o que é, principais métodos e vantagens

A irrigação é o ato de fornecer água às plantas, para que elas possam se desenvolver e produzir.  Sua aplicação no campo demanda precisão e técnica para ser financeira e agronomicamente eficiente. 

A agricultura irrigada é uma atividade complexa que requer elevados níveis de tecnificação, planejamento e investimento. Conhecer todos os detalhes é fundamental.

Nesse texto, você verá os principais métodos de irrigação e suas recomendações, os principais benefícios e possíveis problemas. Confira a seguir!

O que é agricultura irrigada?

Agricultura irrigada é a prática de aplicar água diretamente na raiz das plantas, ou seja, empregar a irrigação, com o objetivo de melhorar a aplicação de água e fertilizantes, mantendo baixo consumo energético.

A irrigação é capaz de suprir a deficiência total ou parcial de água para as plantas. Para isso, são usados equipamentos e técnicas específicas para fornecer água de forma artificial, garantindo a produção da lavoura mesmo quando não há uma oferta natural de água. 

Porém, apenas o fornecimento de água às plantas não é garantia de uma lavoura de sucesso! Uma boa agricultura irrigada é feita com planejamento, monitoramento e gestão da irrigação. 

Esse planejamento está relacionado a uma série de fatores como cultura, solo e clima. As necessidades de quem produz e as particularidades dos diferentes métodos de irrigação também precisam ser considerados.

Por que irrigar a lavoura?

A irrigação consiste na técnica de se fornecer água às lavouras quando há limitação desse recurso de forma natural.

O ciclo de pluviosidade depende da região do país e de outros efeitos naturais como o El Niño e La Niña, por exemplo.

Além disso, as práticas de manejo e conservação do solo são importantes na manutenção da água no solo e sua disponibilidade para a planta.

Por vezes, a quantidade acumulada de chuva é insuficiente para as plantas, ou sua distribuição é irregular durante a safra

Para isso, é preciso lançar mão de técnicas como a irrigação para evitar que a limitação hídrica cause perdas de produtividade.

banner kit colheita de sucesso

Vantagens da irrigação para a agricultura

A agricultura irrigada se adapta a vários tipos de solo, além de ser muito eficiente. Por ser um processo que pode ser automatizado, garante facilidade ao seu trabalho. 

Entre as principais vantagens, está a redução dos impactos da seca, garantindo maior crescimento e desenvolvimento das culturas. 

Além disso, a irrigação aumenta a produtividade, reduz riscos climáticos e melhora o vigor e a uniformidade das plantas, proporcionando uma floração homogênea.

Outro grande benefício é a flexibilidade no plantio e na colheita, permitindo o cultivo em períodos estratégicos e a expansão para áreas que antes não eram aptas à agricultura de sequeiro. 

Com maior estabilidade hídrica, você pode diversificar culturas, aproveitar o solo por mais tempo e aumentar sua renda, tornando a atividade mais rentável e sustentável. 

A adoção da técnica ainda pode ser utilizada para proteção contra geadas, aumentando a segurança da produção. 

Desafios na agricultura irrigada

Atualmente, o Brasil está entre os 10 países do mundo com as maiores áreas equipadas para irrigação, com quase sete milhões de hectares.

Destes, cerca de 50% está destinado ao cultivo de arroz irrigado e cana-de-açúcar.

Por isso, as projeções futuras para a agricultura irrigada no Brasil são as melhores. É esperado um crescimento de 47% até 2030, passando para 10 milhões de hectares.

Porém, a agricultura irrigada apresenta também alguns aspectos negativos preocupantes. Com o aumento da agricultura irrigada, a demanda por água também aumentará.

Portanto, é importante a busca constante por métodos eficientes no uso racional da água para evitar desperdícios.

Além disso, a associação da aplicação de fertilizantes com a irrigação ou fertirrigação pode, com o passar do tempo, levar à salinização e deterioração dos solos.

Esquema do território do Brasil e áreas de agricultura irrigada

Detalhe das áreas irrigadas por municípios (em hectares) no Brasil

(Fonte: Agência Nacional das Águas, 2015)

Como escolher métodos de irrigação? 

A escolha dos métodos de irrigação deve levar em conta alguns fatores importantes em termos de condições climáticas, de solo, da propriedade e da capacidade técnica, e de investimento do produtor.

  • Cultura agrícola: As culturas a serem utilizadas são determinantes para o tipo de irrigação, principalmente no que diz respeito a seu porte e profundidade de raiz, espaçamento, demanda hídrica e ciclo anual ou perene;
  • Tipo de solo e declividade: O tipo de solo, sua estrutura e capacidade de retenção de água, a altura do lençol freático e a declividade podem ser limitantes para alguns tipos de sistemas de irrigação;
  • Disponibilidade hídrica na região: Conhecer o ciclo de chuvas na região, bem como a capacidade de armazenamento de água é importante para se definir o potencial de irrigação;
  • Capacidade técnica e financeira: Alguns sistemas de irrigação necessitam de maior investimento e de maior nível técnico de funcionários da propriedade, podendo influenciar no método a ser usado.

Métodos como gotejamento e microaspersão, por exemplo, oferecem maior economia de água e precisão na distribuição, mas exigem maior investimento inicial. 

Já a irrigação por aspersão ou sulcos pode ser mais acessível, porém com eficiência menor em determinadas condições.

Por isso, antes de definir o sistema ideal, é recomendável realizar um planejamento detalhado, levando em conta o custo-benefício e a viabilidade técnica para sua lavoura. 

Qual a diferença entre método e sistema de irrigação?

Método é o modo de agir ou fazer a irrigação na lavoura. Os sistemas se relacionam com a disposição e funcionamento das partes dos métodos.  São um conjunto de equipamentos que funcionam juntos para fazer a irrigação acontecer.

Um método de irrigação pode estar relacionado a um ou mais sistemas de irrigação. 

É importante lembrar que não existe um método ou um tipo de sistema perfeito. Cada um apresenta vantagens e desvantagens.

Sem dúvidas, o melhor será sempre aquele que sem desperdícios e exageros apresenta os melhores resultados a um custo acessível.

plantação de soja sendo irrigada. Imagem mostra em primeiro plano um sistema de irrigação.

Principais tipos de irrigação

Existem vários tipos e sistemas de irrigação diferentes: por superfície, por aspersão, localizada, por subsuperfície, por gotejamento, microaspersão, pivôs e autopropelidos. Veja um pouco mais sobre cada um deles.

1. Irrigação por superfície

Na irrigação por superfície, a água é aplicada diretamente sobre a superfície do solo da área que precisa ser irrigada. Nesse método, a água é distribuída através da gravidade pela superfície. 

Seus principais sistemas de execução são por sulcos ou inundação. As principais vantagens são a simplicidade de aplicação, a necessidade de  poucos equipamentos e o baixo custo de instalação quando comparado aos demais.

Entretanto, a irrigação por superfície utiliza muita água e depende muito da declividade e textura do solo. Por isso, é um método que não pode ser implementado em qualquer região. 

2. Irrigação da lavoura subterrânea

Consiste na aplicação de água para as raízes de maneira subterrânea. Isso se dá por meio da instalação de tubulações abaixo do nível do solo que permitem o controle do nível do lençol freático.

Esse tipo de irritação tem instalação de maior custo, maiores problemas com entupimentos e necessidade de manutenção e troca de filtros mais frequente.

Porém, a distribuição de água é bastante homogênea e o sistema pode se adequar a diversas culturas e tipos de solos. 

3. Irrigação por aspersão

A irrigação por aspersão simula a chuva através de um aspersor que joga água para o ar, e consequentemente, para as plantas e para o solo. É um método que se adapta bem a diferentes relevos

Porém, seu custo aumenta conforme o nível de mecanização e de tecnologia aplicada. Dois dos principais sistemas de irrigação por aspersão são os pivôs centrais e os canhões autopropelidos

4. Irrigação da lavoura localizada

As formas de irrigação localizada são bastante utilizadas, sendo os mais comuns os métodos de gotejamento ou microaspersão, baseados na entrega de água à planta em baixos volumes e alta frequência.

Ambos são de maior custo e necessitam de mão de obra mais qualificada e tem alta manutenção para evitar problemas de entupimento de tubos de distribuição.

Porém, tem bastante precisão e que podem entregar água diretamente nas raízes ou na superfície do solo sem molhamento da parte aérea, diminuindo o risco de doenças.

5. Fertirrigação

A fertirrigação é um método bastante utilizado na cultura da cana e hortaliças, que consiste na adição de fertilizantes à água de irrigação.  

Pode ser adequada para diversos métodos, principalmente na irrigação por gotejamento, sendo vantajoso em culturas como a cana-de-açúcar e hortaliças, que demandam altos níveis de nutrientes em períodos específicos. 

A fertirrigação não só melhora o aproveitamento de fertilizantes, mas também pode contribuir para uma redução no custo de insumos e um melhor gerenciamento da água

Foto de sistema de irrigação por gotejamento e microaspersão

Exemplo de sistema de irrigação por gotejamento (esquerda) e microaspersão (direita)

(Fonte: Embrapa)

6. Irrigação por subsuperfície

A irrigação por subsuperfície acontece através da aplicação da água abaixo ou direto no sistema radicular das plantas. 

É uma técnica um pouco menos comum e pode ser aplicada para produção de algumas hortaliças em ambiente protegido.

Quando em condições adequadas, seu custo é reduzido, porém, em regiões mais planas são necessárias para a irrigação acontecer.

Ao contrário do gotejamento convencional, a manutenção é difícil pelo fato da irrigação estar abaixo do solo.

7. Irrigação por gotejamento

A irrigação por gotejamento é um dos métodos mais eficientes de irrigação, usado, principalmente, em diversas culturas que exigem um fornecimento preciso e controlado de água, como hortaliças e frutas.

No gotejamento, a água é fornecida diretamente nas raízes das plantas por meio de emissores ou gotejadores, localizados ao longo de tubos ou mangueiras, com vazão muito baixa.

Com isso, é possível que a água seja liberada em pequenas quantidades, de forma contínua e controlada, sendo uma solução cada vez mais popular em práticas agrícolas sustentáveis e de precisão.

8. Irrigação pivô

A irrigação pivô central é um dos sistemas mais comuns e eficazes para irrigação de grandes áreas agrícolas.

A técnica consiste em uma estrutura circular, geralmente composta por tubos metálicos que formam um braço articulado e são suportados por rodas, permitindo que se mova ao redor de um ponto central, que é a fonte de água.

O pivô gira ao redor desse ponto, cobrindo uma área de formato circular e aplicando água de forma uniforme sobre a cultura.

planilha custos de pivô Aegro

Tendências na agricultura irrigada

Dentro do contexto de Agricultura 4.0, os sistemas automatizados estão cada vez mais presentes na propriedade agrícola. Isso não é diferente com os métodos e sistemas de manejo de água, através da irrigação de precisão.

A irrigação de precisão usa tecnologias modernas para mapear as diferenças de umidade do solo e do estado hídrico das plantas. O objetivo é aumentar a eficiência da irrigação. Para isso, o uso de sistemas de irrigação mais localizados e que possam ser controlados com certa individualidade é essencial.

Isso permite a irrigação diferencial em áreas dentro de uma mesma gleba que estejam com diferentes requerimentos de água. 

Fatores como declividade, incidência de sol, face de exposição, temperatura e correntes de vento causam essas diferenças. A irrigação de precisão também utiliza tecnologias como: 

  • Sensores sem fio ou de funcionamento remoto;
  • Sistema de localização;
  • Informações atuais de estações meteorológicas, etc. 

A irrigação de precisão facilita a tomada de decisões mais informadas, contribuindo para um manejo mais eficiente dos recursos hídricos, especialmente em regiões com limitações de água.

Ao integrar esses dados e tecnologias, a agricultura irrigada se tornam mais inteligentes, oferecendo uma resposta rápida às mudanças nas condições do campo e garantindo que cada planta receba a quantidade exata de água necessária para seu desenvolvimento ideal.

Importância do patrimônio rural nas fazendas agrícolas

Patrimônio rural: a correta gestão pode reduzir custos operacionais e aumentar a lucratividade nas propriedades agrícolas.

Além do sucesso anual das lavouras, o patrimônio rural pode assegurar a continuidade das atividades nas fazendas.

Por isso, a preservação e boa gestão das máquinas e implementos agrícolas é vital para redução de custos na propriedade, representando um papel essencial no patrimônio das fazendas.

Neste artigo, saiba como gerenciar o seu patrimônio rural da melhor maneira. Acompanhe!

Como cuidar bem do patrimônio rural

Nas fazendas temos galpões, sede, carros, computadores… e todos esses bens fazem parte do patrimônio rural das propriedades.

Dessa forma, devem ser geridos e utilizados com os devidos cuidados para a garantia da continuidade das operações no campo.

Atualmente, máquinas utilizadas nas lavouras são essenciais no processo produtivo.

Por isso, lembre-se: a manutenção preventiva e boas práticas de utilização dos equipamentos garantem o sucesso ou fracasso das lavouras.

Entre esses patrimônios estão tratores, colhedoras, adubadores e pulverizadores que são amplamente demandados todos os dias no campo e, caso um desses equipamentos esteja indisponível no momento da operação, os custos totais aumentarão.

(Fonte: G1 – Divulgação/Fendt)

Portanto, os cuidados com o patrimônio rural da propriedade devem iniciar com os maquinários da fazenda.

Para uma boa manutenção dos equipamentos é importante que sejam respeitados os prazos e substituições de peças recomendadas pelo fabricante de cada máquina ou implemento.

Da mesma forma, para que a manutenção esteja em dia é necessário anotar os dados de uso de cada patrimônio da propriedade, bem como formas de utilização e cuidados necessários com peças de reposição.

A correta gestão do maquinário agrícola pode aumentar o tempo de vida útil do seu patrimônio e ainda garantir preços de venda mais altos no mercado.

Além disso, é recomendado que a depreciação do maquinário seja computada nas planilhas de patrimônio rural da fazenda, porém é uma prática que muitos produtores ainda não realizam.

A depreciação de máquinas agrícolas é essencial para planejamentos e investimentos futuros em novas máquinas. 

Temos uma planilha gratuita para te auxiliar no cálculo desse custo fixo para depreciação fiscal ou gerencial, baixe aqui

planilha aegro - depreciação de máquinas

Levantamento de Dados

Só conseguimos avançar e evoluir se tivermos os dados computados das operações.

O acesso às informações do patrimônio rural devem estar todos registrados e acessíveis aos gerentes e proprietários da empresa agrícola.

Isso porque ter tudo na palma da mão facilita a tomada de decisão, especialmente quando analisamos inúmeras máquinas, de várias fazendas ou que operam em grandes extensões da propriedade.

A gestão de um ou dois equipamentos ainda é factível de ser realizada apenas na cabeça do produtor rural, mas quando este número atinge maiores volumes fica complicado realizar o cronograma correto de revisões e manutenções preventivas dos equipamentos.

Por isso, softwares de gestão facilitam a vida do produtor rural e asseguram que todas as operações de cada máquina sejam especificamente registradas.

patrimônio rural

As plataformas digitais permitem que os dados sejam coletados em tempo real e armazenados na nuvem, podendo estar na palma da mão sempre que necessário.

Como resultado, uma gestão do patrimônio rural bem feita possibilita redução de custos nas operações de campo e maior valor final de revenda dos equipamentos.

Uma vez que as anotações estão computadas, uma análise dos dados acarretará em melhor gerenciamento do seu patrimônio rural, assegurando uma tomada de decisão mais assertiva nas áreas.

Patrimônio rural: Quais dados coletar?

É necessário que a coleta de dados seja a mais completa possível e feita em todas as operações realizadas pelos equipamentos.

Assim, os dados sobre consumo de combustível, uso incorreto dos equipamentos, horas trabalhadas, necessidade de manutenção, calibrações necessárias, entre outros, devem ser computados no software eletrônico.

Por isso, é fundamental que os gestores tenham em mãos os dados para realização de análises posteriores e otimização nos processos de campo.

Além disso, os custos operacionais podem ser contabilizados talhão por talhão, sendo possível a visualização da eficiência e seleção das máquinas que produzem mais com menores custos.

Outro fator que pode ser levado em conta são os gastos de combustível

Sendo que quando o produtor fica informado sobre quais máquinas agrícolas podem estar consumindo mais, é possível a substituição por outras melhor dimensionadas.

Só se consegue reduzir os custos se você tiver todos esses dados contabilizados e levantados em softwares de gestão.

Interpretar os dados e transformar em ações

Não seria incrível ver as máquinas trabalhando mais e gastando menos dinheiro?

Aqueles que acham que tal cenário é impossível, já existem softwares agrícolas executando essas tarefas com excelência em muitas fazendas do Brasil.

Análises de custo operacional por hectare, capacidade efetiva de trabalho por hora, consumo de combustível e custo com reparos e manutenções. Todos estes fatores devem ser avaliados para tomadas de decisões futuras.

A partir disso e com os resultados em mãos, deve-se selecionar as máquinas com menores consumos de combustível, menores custos com reparos e manutenção e menores custos operacionais por hectare.

Se a máquina não for a melhor em todos os quesitos, a escolha para uma nova aquisição deve estar alinhada com os objetivos da fazenda.

Por exemplo: 

  • “Se seu objetivo é economizar 15% com consumo de combustível, a ideia é selecionar máquinas que talvez custem mais caro, porém estejam melhores dimensionadas para sua operação, economizando mais combustível no dia a dia”.
  • “Se seu objetivo é aumentar o rendimento operacional das máquinas devido à curta janela de plantio e grande distância da fazenda à revenda mais próxima, a ideia é selecionar máquinas que ficaram menos tempo paradas por falta de peças e quebraram menos”.

Com dados e relatórios disponíveis a qualquer momento fica mais simples escolher e comprar o maquinário correto, de acordo com os objetivos futuros para a propriedade.

Gestão de patrimônio rural no Aegro 

O Aegro é um aplicativo completo para a gestão da fazenda, desde o financeiro até o operacional, agregando também as informações dos patrimônios como máquinas e implementos agrícolas

Por meio do celular ou computador, você pode ter o registro de todas suas atividades, abastecimentos e manutenções de máquinas em apenas alguns cliques.

Dessa forma, os dados ficam seguros e armazenados em nuvem. 

Ao adicionar no sistema uma nova despesa de combustível, por exemplo, você pode vincular esse custo às safras de sua escolha.

Você também pode escolher entre apropriar o custo do abastecimento a uma ou mais safras, ou mesmo a determinadas áreas de sua propriedade.

Ou seja, o Aegro faz todos os cálculos de rateamento de despesas de maneira automática por meio da inserção dos dados de abastecimento. 

aegro

Conclusão

Aplicativos de gestão podem auxiliar na manutenção do patrimônio e assegurar que boas práticas de utilização estejam sendo respeitadas na propriedade rural.

Portanto, patrimônio rural bem cuidado reflete em redução do tempo das operações de campo e ainda garante o sucesso na continuidade das atividades.

Como você cuida do seu patrimônio rural? Utiliza algum software de gestão para coleta e armazenamento dos dados? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Veja como evitar residual de herbicidas na sua lavoura

Residual de herbicidas no solo pode trazer prejuízos à cultura em sucessão devido ao carryover. Planeje-se com a rotação de culturas!

No campo temos diversos desafios que exigem tomada de decisões que nem sempre são tão fáceis, não é mesmo?

Você já deve ter se perguntado ou passado por alguma situação na qual teve problemas com carryover, ou seja, com residual de herbicidas no solo.

Pensando nisso, trouxe para você algumas informações sobre este tema que podem te auxiliar em sua lavoura. Confira!

Persistência de herbicidas no solo

Os herbicidas possuem diversas características e uma delas é a persistência no solo, ou seja, o período durante o qual a substância do produto permanece no meio ambiente.

Este tempo é medido por meio da meia-vida do herbicida, necessário para que um produto atinja a metade da concentração original após a aplicação.

Assim, a meia-vida pode ser curta (até 90 dias no solo), média (91 a 180 dias no solo) ou longa (acima de 180 dias no solo).

Sintomas de injúrias em soja e milho

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) – foto da esquerda – e milho (cv. DKB 390 YG) – foto da direita – devido ao residual de metribuzin no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Como exemplo, podemos citar os herbicidas que pertencem ao grupo químico das imidazolinonas (pertencente ao inibidores da ALS), ou seja, o imazaquin, imazamox, imazapyr, imazethapyr e imazapic. 

Estes produtos apresentam persistência de moderada a longa no solo. 

Desta forma, herbicidas com maior persistência no solo podem resultar no fenômeno conhecido como carryover.

Carryover pode ser definido como: resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis em rotação, após àquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em milho (cv. DKB 390 YG) devido ao residual de chlorimuron – foto da esquerda – e diclosulam – foto da direita – no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Sintomas de injúrias em milho

Sintomas de injúrias em milho (cv. DKB 390 YG) devido o residual de imazethapyr – foto da esquerda – e imazaquin – foto da direita – no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

No geral, quanto maior a sorção destes produtos ao solo, maior será a persistência.

A sorção dos produtos no solo também é influenciada pelas condições ambientais, aumentando quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, quando os teores de matéria orgânica no solo como óxidos de ferro e de alumínio aumentam. 

Isso acontece porque em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos coloides do solo e menos produto fica disponível para biodegradação ou absorção pelas plantas e, consequentemente, pode haver uma maior persistência e carryover.

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) devido o residual de amicarbazone no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Como evitar o carryover – residual de herbicidas no solo

Algumas medidas que podem ser tomadas para evitar o efeito residual de herbicidas na próxima cultura são:

  • Redução das doses (pode não resolver o problema em alguns tipos de solos);
  • Aplicação em faixas ou dirigida ao invés da área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).

Entretanto, o melhor mesmo, é conhecer o período residual do produto, saber quanto tempo ele pode permanecer no solo e sempre pensar na sua área como um sistema, planejando a cultura que você semeará posteriormente ali.

Sabendo qual será a cultura utilizada em rotação, você pode definir quais produtos podem ou não serem utilizados na cultura atual e que não afetarão a próxima em sucessão.

residual de herbicidas

Residual de herbicida aplicado na soja causando intoxicação na cultura do milho em sucessão
(Fonte: Juparanã Cultivar)

Qual o efeito do residual de herbicidas no solo?

O residual de herbicidas no solo tem um papel fundamental no campo, sendo que o principal é fazer com que a cultura fique livre das plantas daninhas até terminar o período no qual elas interferem na produtividade da cultura.

Porém, residuais muito longos têm dois problemas: o primeiro é que ele aumenta a pressão de seleção de biotipos de plantas daninhas resistentes e, o segundo, é que se este residual for muito longo pode ocorrer problemas com carryover na próxima cultura.

sintomas de injúrias em soja e milho

À esquerda, sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) e à direita, milho (cv. DKB 390 YG) devido ao residual de metsulfuron no solo 
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Residual de herbicidas e rotação de culturas

O trifloxysulfuron, por exemplo, é utilizado em mistura com o ametryn na cana-de-açúcar ou sozinho no algodão em pós-emergência inicial. 

Mas este defensivo agrícola pode apresentar problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em sucessão, tendo que esperar em torno de 8 meses após a aplicação para a semeadura da próxima cultura. 

Outro exemplo que posso citar é o tebuthiuron

Recomendado em pré-emergência da cana-de-açúcar, também apresenta longo período residual causando intoxicação em amendoim, feijão e soja, quando cultivadas em até 2 anos após a aplicação. 

Já herbicidas, como picloram e imazapyr, apresentam efeito residual no solo e podem chegar em até 3 anos o intervalo para plantio de culturas sensíveis como algodão, tomate, batata e soja.

residual de herbicidas

Algodão com sintomas de intoxicação devido ao residual de sulfentrazone

O herbicida imazaquin, em anos secos, pode afetar a cultura do milho na safra seguinte (mais de 300 dias após a aplicação).

Em áreas onde foram utilizadas o herbicida imazamox (Raptor 70 DG), somente as seguintes culturas de inverno ou de verão podem ser semeadas em sucessão ou rotação com trigo: 

  • Culturas de inverno (sucessão): trigo, ervilha, azevém, cevada, aveia, milho, feijão, amendoim e arroz;
  • Culturas de verão (rotação): milho, algodão, soja, feijão, amendoim, arroz e sorgo.

Logo em áreas onde foram utilizadas o herbicida imazamox (Sweeper), somente essas culturas de inverno ou verão podem ser semeadas em sucessão ou rotação com soja

  • Culturas de inverno (sucessão): trigo, ervilha, azevém, cevada, aveia, milho safrinha, feijão e amendoim;
  • Culturas de verão (rotação): milho, algodão, soja, feijão, amendoim, arroz e sorgo.

Outro herbicida deste grupo que pode ocasionar carryover é o imazapic. Recomendado na cultura da cana-de-açúcar e amendoim, entretanto, para as demais culturas é necessário respeitar intervalo de 300 dias de plantio.

A atividade residual de imazaquin pode causar intoxicação em culturas de sucessão como o melão, pepino, girassol e mostarda, se não respeitado o intervalo entre aplicação e plantio de até 112 dias. 

A tabela abaixo mostra os intervalos entre a aplicação de herbicidas e a semeadura das culturas de soja, milho, trigo e feijão.

intervalos entre aplicação de herbicidas e semeadura

Intervalos entre aplicação de herbicidas e semeadura de culturas

calculo-de-pulverizacao

Conclusão

Neste texto vimos sobre os conceitos de carryover, ou seja, o efeito residual de herbicidas no solo.

Observamos que o potencial de carryover depende do herbicida utilizado, da cultura em sucessão e das condições ambientais após a aplicação. 

Vimos também que muitos produtos persistem no solo por dias, meses ou anos, o que torna essencial o planejamento da sucessão de culturas para evitar problemas com intoxicação.

>> Leia Mais: 

Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas
Tudo o que você precisa saber para fazer sua lista de defensivos agrícolas na pré-safra
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Como você lida com o residual de herbicidas em sua lavoura? Deixe seu comentário abaixo. 

Aproveite também nossa planilha gratuita para Cálculo de Pulverização aqui.

Fungos de solo: veja as principais causas e como evitá-los

Fungos de solo: entenda o que são, veja as características dos principais tipos, as causas e como evitá-los.

A presença de fungos de solo patogênicos, frequentemente, causam muita dor de cabeça ao produtor rural.

Isso porque trazem prejuízo à lavoura, reduzindo consideravelmente a produtividade.

Por isso, é fundamental evitar a entrada de patógenos em sua propriedade e realizar um manejo adequado quando já estão presentes.

Nesse artigo, separamos algumas informações que podem te auxiliar muito na prevenção de fungos de solo. Confira!

O que são fungos de solo?

Os fungos são habitantes naturais do solo, onde podem atuar de forma benéfica ou não ao cultivo, dependendo de sua espécie.

Alguns fungos são responsáveis pela decomposição de matéria orgânica, pelo maior desenvolvimento das culturas e pelo aumento da produtividade. Estes podem estar naturalmente presentes na área ou serem incorporados via inoculação (superfície do solo).

Contudo, outras espécies podem ocasionar diversos tipos de injúrias nas culturas agrícolas, podendo reduzir a produtividade ou até mesmo matar as plantas, como é o caso do Fusarium sp. e da Scleriotinia sclerotiorum – agentes causais da podridão da raiz e do mofo branco.

Estes fungos considerados patógenos para as plantas, normalmente sobrevivem em resíduos de culturas ou em plantas hospedeiras. Mas se na área não existirem locais para abrigo, os fungos podem ser encontrados livres no solo devido à sua alta capacidade de sobrevivência

Por esse motivo os fungos de solo fitopatogênicos, uma vez introduzidos em uma lavoura, acabam gerando diversos problemas ao produtor rural.

Abaixo vou mostrar os principais fungos de solo que podem ser encontrados em sua lavoura. Acompanhe!

Conheça os principais fungos de solo

Separei para você apenas alguns dos principais fungos de solo que afetam as culturas de interesse agronômico como soja, milho, feijão e trigo

Observe as características e identifique o fungo em sua lavoura para realizar o manejo e controle adequado da doença.

Macrophomina phaseolina (podridão da raiz)

Este patógeno é capaz de infectar as culturas nos diferentes estádios de crescimento das plantas e apresenta difícil controle por produzir microescleródios (estrutura de sobrevivência do fungo) no solo.

Na prática, é capaz de ocasionar menor rentabilidade, pois além de induzir a maturação precoce, pode reduzir o estande da cultura no campo e em casos mais extremos levar à morte das plantas.

Para identificar essa doença, você pode ter um pouco de dificuldade nos estádios iniciais de infecção do patógeno, pois não apresenta sintomas visíveis.

Conforme o desenvolvimento da cultura é possível identificar alguns sintomas, que são baseados na coloração preta e empoeirada do fungo, podendo ser observada em tecidos vasculares e radiculares.

fungos de solo

Sintomas da podridão do colmo ocasionada pela Macrophomina phaseolina em milho
(Fonte: Embrapa, foto de Nicésio F. F. A. Pinto)

Fusarium sp. (podridão radicular e murcha)

Este patógeno é capaz de infectar plantas em diferentes estádios de desenvolvimento e apresenta manejo por produzir clamidósporos (estruturas de resistência), que permanecem presentes no solo por várias estações.

Na prática, é capaz de ocasionar perdas consideráveis na produção, podendo gerar baixa estatura levar à morte de plantas.

Para você identificar essa doença, fique atento à descoloração vascular e foliar, ao amarelecimento das folhas mais velhas e, principalmente, à murcha da cultura.

fungos de solo

Fusarium solani f. sp. phaseoli (podridão radicular seca) em feijoeiro
(Fonte: Embrapa)

Scleriotinia sclerotiorum (mofo branco)

Este fungo é capaz de infectar plantas de mais de 400 espécies, principalmente caule, folhas e flores por conta de sua estrutura de sobrevivência (na forma de escleródios).

Mas fique atento: as sementes são as principais fontes de inóculo!

Já a fase de maior vulnerabilidade é na floração e na formação de vagens.

Esse patógeno, como os já mostrados aqui, também influenciam diretamente a produtividade da cultura podendo levá-la à morte.

Como sintoma, você pode observar a presença de murcha e seca da planta. Também leve em consideração a presença de lesões encharcadas nas folhas (ou em outro tecido na parte aérea da planta) e, principalmente, de micélios (sua forma física lembra um algodão).

Scleriotinia sclerotiorum

Sintomas Scleriotinia sclerotiorum
(Fonte: Revista Cultivar)

Para evitar que esses e outros fungos de solo entrem em sua lavoura, separei para você quais as causas desses fungos e como evitá-los. Confira!

Fungos de solo: principais causas e como evitá-los

Os fungos que são considerados patógenos para as plantas, muitas vezes aparecem na lavoura por um pequeno descuido.

Dentre as principais causas para a entrada dos fungos de solo podemos citar a entrada na lavoura de máquinas e implementos agrícolas sujos com solos contaminados, uso de sementes não certificadas e, até mesmo, irrigação realizada com água de má qualidade.

Para evitar a entrada e a proliferação dos fungos de solo são fundamentais alguns cuidados durante o planejamento do manejo.

Por isso, realize o planejamento de sua lavoura com o devido cuidado!

E não esqueça: o sucesso no controle de qualquer doença ocasionada por fungos de solo está diretamente relacionado ao momento em que o manejo é iniciado.

Veja alguns cuidados que devem ser levados em consideração:

  • Realize a limpeza de seus maquinários e implementos frequentemente;
  • Utilize sementes certificadas;
  • Realize o tratamento de sementes;
  • Quando possível, opte por cultivares resistentes a doenças fúngicas;
  • Realize a rotação de culturas;
  • Mantenha o solo com adubação equilibrada;
  • Escolha da época de plantio;
  • Realize o manejo integrado de doenças;
  • Elimine plantas hospedeiras;
  • Realize frequentemente análises de solo em sua lavoura.

Além disso, o monitoramento de sua propriedade é fundamental, pois o manejo imediato pode fazer toda a diferença para evitar que o fungo se espalhe por todos os talhões.

E sempre que surgir qualquer dúvida sobre qual fungicida utilizar naquele momento, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a)!

Conclusão

Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder tudo pela presença de um fungo de solo.

Neste artigo, vimos o que são fungos de solo, quais os principais e como reconhecê-los.

Falamos também sobre as principais causas de contaminações por fungos patogênicos e como podemos evitá-los com um bom planejamento.

Espero que essas informações possam auxiliar em seu dia a dia no campo. 

>> Leia Mais: 

“Tudo sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo”

“Como identificar e manejar a podridão radicular em soja”

Você tem problemas com fungos de solo na sua lavoura? Quais medidas de prevenção utiliza para evitar essas doenças? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Preparação para a safra de verão: dicas e boas práticas

Planejamento de safra: pontos necessários e fatores-chave no momento de se fazer o planejamento ideal. 

Mesmo com o acesso às informações cada vez mais facilitado pelas tecnologias, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para se organizar e planejar ações futuras. 

Preparar-se para a safra de verão é um passo crucial para garantir uma colheita produtiva e rentável.  


Esse período, caracterizado por temperaturas elevadas e maior incidência de luz solar, pode ser altamente favorável para o desenvolvimento de diversas culturas, desde que o planejamento seja realizado de maneira adequada. 

A preparação envolve uma série de etapas essenciais, como a escolha das sementes, o preparo do solo, a gestão hídrica e o monitoramento de pragas e doenças. 

Implementar boas práticas agrícolas, como a rotação de culturas, o uso de tecnologias modernas e a adubação correta, pode maximizar os rendimentos e a sustentabilidade da lavoura. 

Este guia oferece dicas e estratégias para ajudar os agricultores a planejar e executar uma safra de verão bem-sucedida, abordando desde o planejamento inicial até a colheita final.

Boa leitura!

O que é Planejamento de Safra?

O planejamento de safra é uma ferramenta essencial para a gestão eficiente da lavoura, sendo fundamental para definir metas e objetivos que aumentem a rentabilidade da fazenda.

Este processo deve ser iniciado durante a organização dos detalhes para uma nova safra, considerando possíveis erros e acertos que visem à sustentabilidade do plantio e ao aumento da renda.

Figura 1. Planejamento de safra agrícola. Créditos: IA | Edga

Melhores práticas para um bom planejamento de safra

Para garantir uma safra bem-sucedida, é crucial adotar um conjunto de práticas e estratégias que considerem desde a escolha das culturas até a utilização de tecnologias avançadas. 

A seguir, detalhamos os principais pontos para um planejamento eficiente:

1. Planejamento de plantio: escolha das culturas e rotação de culturas

Escolha das culturas: A seleção das culturas deve ser baseada em fatores como a demanda do mercado, condições climáticas locais e características do solo. 

É importante analisar o ciclo de crescimento de cada planta e a compatibilidade com o período de cultivo. 

Culturas que se adaptam bem ao clima e ao solo local tendem a ser mais produtivas e resistentes a doenças. 

Além disso, considere a viabilidade econômica, escolhendo culturas que tenham boa aceitação no mercado e preços favoráveis.

Figura 2. Demonstração de soja, milho e algodão para um futuro planejamento de safra. Créditos: IA | Edga

Rotação de culturas: Implementar a rotação de culturas é essencial para manter a saúde do solo e prevenir o esgotamento de nutrientes. A rotação ajuda a reduzir a incidência de pragas e doenças, além de melhorar a estrutura do solo e a biodiversidade. 

Alternar entre diferentes tipos de culturas, como leguminosas e gramíneas, pode melhorar a fertilidade do solo e reduzir a dependência de fertilizantes químicos. 

A rotação também ajuda a interromper os ciclos de vida de pragas e doenças específicas a uma cultura, diminuindo a necessidade de defensivos agrícolas.

2. Preparação do solo: análise de solo, adubação e correção

Análise de solo: realize uma análise completa do solo para identificar suas características químicas, físicas e biológicas. Essa análise é crucial para determinar a necessidade de correções e adubação.

A análise deve ser feita em diferentes pontos da lavoura para obter uma visão geral da variabilidade do solo. Parâmetros como pH, matéria orgânica, textura, capacidade de retenção de água e níveis de nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, entre outros) devem ser avaliados.

Adubação e correção: com base na análise de solo, aplique os corretivos necessários para ajustar o pH e os níveis de nutrientes. Utilize adubos orgânicos e inorgânicos de forma equilibrada para suprir as necessidades das culturas. 

A calagem é uma prática comum para corrigir a acidez do solo, enquanto a aplicação de compostos orgânicos ajuda a aumentar a matéria orgânica e a atividade biológica do solo. 

A adubação deve ser feita de acordo com as recomendações técnicas, considerando as fases de desenvolvimento das plantas para otimizar a absorção de nutrientes.

3. Seleção e uso eficiente de insumos

Insumos agrícolas: escolha sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas de alta qualidade e adequados para as condições específicas da sua lavoura. Prefira insumos certificados e de fornecedores confiáveis. 

A qualidade das sementes é um fator determinante para a produtividade. Sementes certificadas garantem maior vigor, uniformidade e resistência a doenças. Os fertilizantes devem ser escolhidos com base nas necessidades nutricionais das culturas, enquanto os defensivos agrícolas devem ser selecionados para controlar pragas e doenças específicas de maneira eficaz e segura.

Uso eficiente: planeje a aplicação dos insumos de forma racional, evitando desperdícios e reduzindo os custos. Utilize técnicas como a adubação de precisão e o manejo integrado de pragas (MIP) para otimizar o uso dos recursos. 

A adubação de precisão envolve a aplicação de fertilizantes na quantidade certa, no local certo e no momento adequado, utilizando tecnologias como GPS e sensores de solo. O MIP combina métodos químicos, biológicos e culturais para controlar pragas de forma sustentável, reduzindo a dependência de defensivos químicos.

4. Monitoramento climático: como usar previsões meteorológicas para otimizar o plantio

Previsões meteorológicas: utilize dados meteorológicos para planejar o plantio e as operações agrícolas. Ferramentas como aplicativos de clima e estações meteorológicas locais podem fornecer previsões precisas e em tempo real. Essas previsões ajudam a tomar decisões informadas sobre o melhor momento para semear, irrigar e aplicar defensivos agrícolas. É importante acompanhar não apenas a previsão do tempo, mas também tendências climáticas de médio e longo prazo, que podem afetar o desenvolvimento das culturas.

Tomada de decisões: ajuste as datas de plantio e as práticas de manejo com base nas previsões de chuva, temperatura e umidade. Um bom monitoramento climático ajuda a minimizar os riscos e maximizar a produtividade. 

Por exemplo, antecipar ou atrasar o plantio em resposta a uma previsão de seca ou chuvas intensas pode proteger as sementes e melhorar a germinação. Além disso, o monitoramento climático contínuo permite ajustar a irrigação e a aplicação de insumos ao longo da safra, otimizando o uso dos recursos e evitando desperdícios.

5. Ferramentas e tecnologias para a gestão eficiente da safra

Tecnologias digitais: adote tecnologias como software de gestão agrícola, sensores de solo e drones para monitoramento e análise da lavoura. Essas ferramentas auxiliam na coleta de dados precisos e na tomada de decisões informadas. 

Softwares de gestão agrícola permitem o registro e análise de dados de campo, facilitando o planejamento e o controle das operações agrícolas. 

Sensores de solo fornecem informações em tempo real sobre a umidade e a temperatura do solo, enquanto drones capturam imagens aéreas detalhadas para monitorar o crescimento das plantas e detectar problemas precocemente.

Automação e IoT: utilize sistemas de irrigação automatizados e dispositivos IoT (Internet das Coisas) para otimizar o uso de água e insumos, garantindo eficiência e sustentabilidade. 

Sistemas de irrigação automatizados, como a irrigação por gotejamento controlada por sensores de umidade, permitem aplicar a quantidade exata de água necessária, evitando o desperdício e melhorando a eficiência hídrica. 

Dispositivos IoT, como sensores de clima e estações meteorológicas conectadas, fornecem dados em tempo real que podem ser usados para ajustar as práticas de manejo e melhorar a precisão das operações agrícolas.

6. Planejamento de safra por estação

Estacionalidade: planeje as atividades agrícolas considerando as características de cada estação do ano. Cada estação oferece condições específicas que podem ser aproveitadas para diferentes culturas e práticas de manejo. 

O planejamento estacional envolve a adaptação das operações agrícolas às variações climáticas sazonais, como a temperatura, a precipitação e a duração do dia.

Por exemplo, culturas de estação fria, como trigo e cevada, são mais adequadas para o outono e inverno, enquanto culturas de estação quente, como milho e soja, prosperam na primavera e verão.

Calendário agrícola: desenvolva um calendário agrícola detalhado, mapeando todas as atividades desde o preparo do solo até a colheita. Este calendário deve ser ajustado conforme as condições climáticas e as necessidades da lavoura. 

Um calendário agrícola bem planejado permite coordenar todas as operações agrícolas, garantindo que cada atividade seja realizada no momento ideal. Isso inclui o preparo do solo, a semeadura, a irrigação, a adubação, o controle de pragas e doenças, e a colheita.

Ajustes podem ser feitos ao longo da safra com base no monitoramento contínuo das condições climáticas e do desenvolvimento das culturas.

Integração com planejamento financeiro e de estoque

O planejamento de safra deve estar alinhado ao planejamento financeiro e de estoque, sempre partindo dos custos de produção. 

A análise financeira contínua e o controle de estoque são fundamentais para evitar gastos desnecessários e otimizar os recursos disponíveis. 

Um bom planejamento financeiro envolve a elaboração de orçamentos detalhados, que consideram todos os custos operacionais, desde a compra de insumos até a colheita e a comercialização. 

O controle de estoque, por sua vez, garante que todos os insumos necessários estejam disponíveis no momento certo, evitando atrasos e interrupções nas operações agrícolas.

Ferramentas de Gestão: Aegro

Para otimizar o planejamento de safra, considere o uso de ferramentas digitais como o Aegro. Este aplicativo centraliza todas as informações da safra, unindo áreas operacionais e financeiras da fazenda. Entre as principais funcionalidades estão:

  • Planejamento, controle e registro de atividades no campo;
  • Mapeamento e medição de áreas dos talhões;
  • Registro de observações com geolocalização e fotos;
  • Controle de abastecimentos e manutenções de máquinas;
  • Monitoramento de pragas e doenças;
  • Administração do fluxo de caixa;
  • Gestão do estoque da fazenda.

O Aegro facilita a gestão integrada da fazenda, permitindo que o produtor acompanhe cada etapa da safra, desde a semeadura até a comercialização. 

Pelo computador ou celular, o produtor e sua equipe podem trabalhar de forma mais integrada, melhorando a eficiência operacional e a tomada de decisões. 

No final do ciclo produtivo, o Aegro oferece uma análise detalhada sobre os custos de produção e a rentabilidade de cada talhão, permitindo entender o que deu certo ou errado no plantio e otimizar os processos da lavoura.

Agende sua demonstração aqui

Conclusão

O planejamento de safra é essencial para o sucesso e sustentabilidade da produção agrícola. Envolve desde a escolha das culturas e preparação do solo até o uso eficiente de insumos e tecnologias avançadas. Estratégias como a rotação de culturas e o manejo integrado de pragas são fundamentais. 

A utilização de ferramentas digitais, como o Aegro, centraliza informações e otimiza o controle operacional e financeiro.

Alinhar o planejamento de safra ao planejamento financeiro e ao controle de estoque garante eficiência e controle de custos. A integração de práticas sustentáveis também é crucial para a longevidade e produtividade da lavoura. 

Com um planejamento bem elaborado e o uso de tecnologias adequadas, produtores podem enfrentar os desafios do campo com mais confiança e obter melhores resultados. 

Se tiver dúvidas ou quiser compartilhar suas experiências, deixe um comentário abaixo!

Restou alguma dúvida sobre planejamento de safra? Deixe seu comentário abaixo! 

Vazio sanitário para soja, feijão e algodão: tudo o que você precisa saber

Vazio sanitário da soja: saiba como fazer, quem fiscaliza o cumprimento, o que fazer na lavoura durante esse período e mais!

Atualmente, quem produz soja, feijão e algodão deve respeitar o vazio sanitário. A medida evita a proliferação de pragas e doenças nas lavouras.

Nesse períodos, as pragas não conseguem se alimentar e se multiplicar. Isso resulta na eliminação ou diminuição da sua incidência.

Quer saber mais sobre os períodos de vazio sanitário da sua região?

Neste artigo, você entenderá a importância desse momento e o que fazer na sua lavoura enquanto ele dura. Confira a seguir!

O que é o vazio sanitário?

O vazio sanitário é a proibição total do cultivo de uma cultura durante um período específico.

Antes de semear soja, feijão ou algodão, você deve se atentar ao período de vazio sanitário para a sua região.

O vazio sanitário é obrigatório. Além disso, é uma medida fitossanitária que gera benefícios para quem produz.

O principal objetivo é proteger as lavouras de pragas e doenças. Isso acontece por meio da eliminação total de hospedeiros por um tempo. Ajudando na diminuição populacional de pragas como a mosca branca, lagartas e cigarrinhas, além de problemas relacionados a fungos e vírus.

O objetivo do calendário de semeadura da soja, por exemplo, é reduzir o número de aplicações de fungicidas e resistência dos fungos aos agrotóxicos

Semeaduras tardias podem receber os fungos nos estádios vegetativos, necessitando a antecipação e o aumento da aplicação de fungicidas.

Quanto tempo dura o vazio sanitário?

O período dura de 60 a 90 dias. Porém, o período não é definitivo e muda de acordo com a região.

Durante os anos, pode haver variação das datas em que se inicia e termina o vazio sanitário nas regiões, pois essa definição se baseia na incidência da praga ou doença na safra anterior.

Ou seja, caso a incidência da praga ou doença tenha aumentado em uma região, o período destinado ao vazio será maior na safra seguinte.

Durante esse tempo, o setor agrícola se beneficia com:

  • diminuição da incidência de pragas e doenças;
  • queda do uso de defensivos agrícolas e custos operacionais;
  • contribuição no manejo de resistência de pragas e doenças.

A seguir, entenda mais sobre a importância do vazio sanitário da soja, feijão e algodão.

Vazio sanitário do feijão

O período de vazio sanitário para o feijão-comum (Phaseolus vulgaris) é de 30 dias. Esse tempo vale para os Estados de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Durante esse período, quem produz deve eliminar as plantas vivas de feijão. Sejam elas cultivadas, espontâneas ou remanescentes da safra anterior.

A medida foi estabelecida como forma de controle da mosca-branca, praga que ataca o feijão.

A mosca-branca é o inseto transmissor do vírus que causa o mosaico-dourado. Essa é uma das principais doenças do feijoeiro comum.

Confira abaixo os períodos de vazio sanitário do feijão:

Tabela com informações sobre vazio sanitário em Minas (20 de setembro a 20 de outubro de 2022), Goiás (5 de setembro a 5 de outubro de 2022) e DF (20 de setembro a 20 de outubro de 2022)

(Fonte: Mapa, 2014)

Se você produz feijão e não cumprir essas regras, poderá receber multas.

Vazio sanitário do algodão

O vazio sanitário do algodão previve e controla o bicudo-do-algodoeiro. O objetivo é proteger a lavoura dos prejuízos causados pela praga.

Quem produz ou arrenda lavouras com algodão deve, obrigatoriamente, eliminar os restos culturais ou soqueira de algodão. Isso deve acontecer por 60 dias.

O período do vazio sanitário é definido pelo Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

Cada estado produtor possui um período específico, baseado na dinâmica do inseto-alvo.

O bicudo-do-algodoeiro possui grande capacidade de infestação. 

Seu ataque provoca queda dos botões florais. Isso impede a abertura das maçãs e, consequentemente, há queda na produtividade.

A manutenção de plantas vivas de algodão durante o vazio sanitário é uma ameaça para a cotonicultura brasileira.

Fique de olho e confira a seguir as datas para a sua região.

Tabela com datas de vazio sanitário para todas as demais regiões do Brasil

(Fonte: Governo dos Estados, 2021)

Quem descumprir as regras do vazio sanitário do algodão também estará sujeito à multa.

Vazio sanitário da soja

Por da ferrugem asiática nas lavouras de soja no Brasil,  surgiu o PNCFS (Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja). 

O programa foi criado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Nesse programa,  ficou estabelecida a criação de Comitês Estaduais de Controle da Ferrugem da soja.

Foi determinado que cada estado deve estabelecer o período do vazio sanitário. Essa é uma medida legislativa para o controle da doença.

Atualmente, a adoção do vazio sanitário ocorre em 20 estados brasileiros:

  • Acre;
  • Alagoas;
  • Amapá;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Distrito Federal;
  • Goiás;
  • Maranhão;
  • Minas Gerais;
  • Mato Grosso;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Pará;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul;
  • Rondônia;
  • Roraima;
  • Santa Catarina;
  • São Paulo;
  • Tocantins.

Um período mínimo de 60 dias foi estabelecido. Durante esses dias, não é possível cultivar ou manter plantas de soja no campo.

É considerado que o período máximo de sobrevivência dos esporos da ferrugem asiática no ar é de 55 dias.

Lembre-se: fique de olho no período de vazio da sua região. Ele muda conforme a legislação local. 

Tabela - Vazio Sanitário
(Fonte: MAPA)

Na Portaria SDA nº 781, de 6 de abril de 2023, informa os períodos de vazio sanitário para a cultura da soja. Em alguns estados brasileiros há a distribuição por região, as quais as cidades são descritas no documento.

Por exemplo, região I1 do estado do Maranhão se encontram as seguintes cidades: Barão de Grajaú, Buriti Bravo, Colinas, Fernando Falcão, entre outros, enquanto na região II2: Buritirana, Campestre do Maranhão, Cidelância, Davinópolis, entre outros. Assim segue para os outros estados.

O vazio sanitário é de responsabilidade de quem produz. Quem descumpre o período está sujeito à punições e multas pelo Estado.

Ferrugem asiática

O fungo causador da ferrugem asiática pode gerar grande desfolha nas plantas e impactar na produtividade.

Esta é considerada a doença mais importante para cultura da soja. A doença pode causar danos de até 90% na lavoura. 

Os custos para combater a doença podem chegar a US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil. Por isso, é importante a identificação e combate da ferrugem quanto antes.

Como identificar a ferrugem asiática na soja

Observe as folhas das plantas do terço inferior ou médio. Verifique se existe a presença de sintomas e/ou estrutura do fungo.

Na parte superior da folha, veja se há pontos escuros. Se encontrar, use uma lupa e analise se na parte inferior há saliências. Nessas essas estruturas são formados os esporos do fungo.

imagem de três folhas de soja em estádios diferentes da ferrugem asiátia. Na primeira folha há apenas alguns pontos amarronzados na superfície, na segunda há mais pontos alaranjados, e a terceira folha tem aspecto de enferrujada por completo.

(Fonte: Agro Bayer)

Também é importante realizar algumas medidas de manejo antes da doença aparecer. O vazio sanitário, a calendarização da semeadura e uso de variedades precoces são bons exemplos.

Realize o vazio sanitário para impedir a sobrevivência do fungo na entressafra da cultura. Assim, você quebrará o ciclo da doença.

Quem fiscaliza o cumprimento do vazio sanitário?

Os órgãos estaduais de sanidade vegetal fiscalizam o cumprimento do vazio sanitário.

Essas instituições têm competência legal para aplicar penalidades a quem não cumprir as regras do vazio estabelecidas, como multa, interdição da propriedade rural e destruição do plantio.

Como realizar o vazio sanitário?

Após a colheita da cultura (soja, feijão ou algodão), você deve:

  • limpar a área de cultivo;
  • destruir as plantas por meio do controle químico ou mecânico;
  • aguardar o período de vazio sanitário estipulado para sua região.

O que pode ser feito na lavoura durante o período de vazio sanitário?

Durante esse período, o solo não deve ficar descoberto. Isso facilita a ocorrência de plantas daninhas e de processos erosivos do solo.

Uma alternativa é investir em práticas que melhorem a qualidade química, física e biológica do solo. Assim, você pode potencializar a produção da próxima safra.

Algumas práticas são:

  • utilização de plantas de cobertura;
  • adubação verde;
  • adoção de sistemas de rotação de culturas com espécies que não sejam hospedeiras das pragas e doenças do vazio sanitário.

Quais as exceções do vazio sanitário?

Durante o vazio sanitário algumas atividades podem ser realizadas em caráter excepcional como pesquisa científica e produção de sementes genéticas.

Porém, é necessário solicitar ao órgão estadual da defesa sanitária vegetal do estado em questão.

planilha de produtividade da soja

Conclusão

O objetivo do vazio sanitário é prevenir a incidência de pragas e doenças. Isso garante lavouras sadias e de alta rentabilidade

A eliminação das plantas de soja, feijão e algodão deve ser feita por controle químico ou mecânico.

Cada estado possui um período específico de vazio sanitário que pode mudar a cada safra. Fique sempre de olho. Compartilhe com sua equipe de trabalho para se informar sobre os períodos do vazio sanitário para a soja em 2023.

Verifique o período correto e já prepare a sua área. Isso vai te ajudar a evitar perdas com pragas e doenças na sua lavoura.

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“7 passos para fazer o descarte de embalagens de agrotóxicos corretamente”

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Redator Alasse Oliveira

Atualizado em 08 de agosto de 2023 por Alasse Oliveira.

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Atualizado anteriormente, em 28 de fevereiro de 2022, por Denise Prevedel

Descubra qual o melhor adubo para plantas

Melhor adubo para plantas: confira sobre as classificações, diferenças entre adubo mineral e orgânico, vantagens dos fertilizantes líquidos e mais. 

O Brasil utiliza cerca de 30 milhões de toneladas de fertilizantes na agricultura todos os anos e, aproximadamente, 75% dessa quantia é importada.

Assim, a variação mundial nos preços dos fertilizantes afeta imensamente produtores nacionais.

São adubos orgânicos, minerais, de liberação controlada, foliares, formulados e por aí vai. Mas como escolher o melhor para a lavoura? E qual o modo de aplicação mais eficiente para cada tipo de fertilizante? 

Os novos fertilizantes, lançados a cada ano, trazem ainda mais dúvidas na hora de gerir a propriedade, pois afinal, o que todas essas novidades têm de diferente e o que podem trazer de vantagens e rentabilidade? 

Bem, para saber o melhor momento de investir em um novo adubo e não jogar dinheiro fora, precisa-se conhecer melhor a dinâmica dos nutrientes no ambiente de produção.

Então, me acompanhe neste texto para ajudar na escolha do seu melhor adubo para plantas e saiba mais sobre o mundo dos fertilizantes.

Classificação dos adubos 

Segundo a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em três tipos.

O primeiro são os mais utilizados na agricultura de larga escala: os fertilizantes minerais ou sintéticos. Esses adubos são concentrados e de rápida assimilação pelas plantas.

Temos também os adubos orgânicos, de origem animal ou vegetal (ou ambos), com concentrações menores de nutrientes, sendo que muitas vezes não estarão rapidamente disponíveis para as plantas. Esses adubos têm como principal função “alimentar o solo” para promover o aumento da matéria orgânica.

E o terceiro tipo são os adubos organominerais que são compostos por uma mistura de fertilizantes orgânicos e minerais, sendo que na maioria dos casos apresentam maiores quantidades de adubos orgânicos e baixas quantidades de adubos minerais ou sintéticos. 

melhor adubo

(Fonte: Emanuel Malai)

Além disso, os adubos também se diferenciam pela sua constituição, podendo ser simples (composto que fornecerá um ou mais nutrientes) ou mistura (mistura de dois ou mais fertilizantes simples).

O fertilizante misturado pode ser classificado em simples – fertilizante misto em que cada nutriente principal está contido em grãos separados – ou complexo – que contém todos os nutrientes de sua fórmula no mesmo grão.

Mas os adubos também podem ser classificados pelo estado físico: 

  • Pó: fertilizantes simples ou misto, sendo moídos na forma de pó;
  • Farelado: com grânulos desuniformes;
  • Granulado: é o fertilizante na forma de grânulos;
  • Líquido: tipo de fertilizante na forma líquida.

Certo, vimos que existem diversas classificações de fertilizantes, mas qual a diferença no uso de cada um deles? O que muda na prática? Veremos a seguir!

Melhor adubo para plantas: mineral ou orgânico?

Bom, já falei um pouco sobre isso, mas vamos entender um melhor sobre a grande diferença entre os adubos minerais e orgânicos. 

Os fertilizantes minerais e sintéticos (por exemplo, o nitrogênio) possuem composição química e são utilizados para disponibilizar prontamente os nutrientes para as plantas, mas pouco ou nada influenciam o sistema a longo prazo.

Outro ponto é a concentração alta desses adubos que facilitam a logística e a aplicação, principalmente em áreas extensas de cultivo como feijão, arroz, soja, milho, algodão, trigo, etc.  

Já os adubos orgânicos apresentam menores concentrações de nutrientes e, consequentemente, necessitam de grandes volumes de aplicação, o que dificulta a logística em áreas de grandes culturas. 

Por outro lado, os adubos orgânicos influenciam na fertilidade do solo a longo prazo, aumentando a matéria orgânica e, assim, o potencial do solo em reter os nutrientes minerais e sintéticos (CTC do solo).

Mas em contrapartida, outro ponto negativo é que as maiores perdas de nitrogênio ocorrem por conta desses adubos, tanto por volatilização quanto por lixiviação. 

Para combater esse problema é aconselhado a mistura de pequenas doses de fósforo que ajudam a fixar o nitrogênio no fertilizante natural, diminuindo a perda e incrementando o adubo.

Tamanho da partícula 

O modo como a mistura de adubos para plantas é feito também é outro fator que influencia muito na aplicação. 

Fertilizantes em misturas simples segregam com facilidade, devido aos diferentes tamanhos e peso dos grânulos, e essa segregação tende a tornar a aplicação desuniforme.

Esse problema pode ser resolvido com misturas complexas de fertilizantes. Como cada grânulo contém todos os compostos químicos, dessa forma eles se distribuem de maneira mais uniforme na lavoura durante a aplicação. 

Já a forma física dos adubos influencia no tempo de reação deles, assim como no calcário, por exemplo. Quanto menor a partícula, menor o tempo para esse fertilizante reagir no solo e liberar nutrientes.

Mas isso não quer dizer que partículas menores sempre são melhores. 

Fertilizantes mais propensos a sofrerem lixiviação no perfil do solo ou por escorrimento superficial da água podem ter sua eficiência diminuída quando aplicados em partículas menores e passarem por chuvas torrenciais. 

Outro exemplo é o do fósforo (P), que apresenta adubos com diferentes solubilidades em água. Os mais solúveis podem ser adsorvidos ao solo e/ou lixiviados mais facilmente quando aplicados em formas de partículas menores.

Desse modo, as fontes de P mais solúveis são recomendadas para aplicações no sulco de plantio na forma de grânulos, aumentando a eficiência do fertilizante.

Por outro lado, as fontes menos solúveis de fósforo apresentam reação mais lenta no solo, dessa forma a aplicação de partículas menores agiliza esse processo e é mais aconselhável nas adubações em área total (fosfatagem).

Melhor adubo: líquidos

Nos últimos anos, houve um aumento no surgimento e comercialização dos fertilizantes líquidos, principalmente dos adubos foliares.

Esse estado líquido dos adubos tem como ponto positivo a logística mais fácil e o uso que pode ser, basicamente, de duas formas: foliar e fertirrigação.

Porém, existem certas limitações nos adubos foliares que nem sempre são claras. 

Apesar da alta concentração dos fertilizantes líquidos, que facilita o manejo, eles devem ser aplicados em baixíssimas concentrações (1% a 2%) para evitar danos às folhas.

Dessa forma, a aplicação em grandes quantidades fica limitada, o que inviabiliza os nutrientes exigidos em grandes quantidades pelas plantas como nitrogênio, fósforo, potássio e outros macros, ainda que essa adubação foliar seja apenas para tratamentos de emergência.

Nesses casos de deficiência, mesmo com várias aplicações foliares, é difícil suprir as necessidades das culturas, por isso, torna-se mais viável o uso de fertilizantes sólidos. 

Contudo, uma possibilidade viável é o uso de adubos foliares para aplicações de micronutrientes e, mesmo quando o solo apresenta deficiência acentuada, a aplicação via solo é a mais indicada.

melhor adubo

(Fonte: Semeadura Líquida)

As aplicações foliares de zinco, manganês, boro e ferro têm se mostrado eficazes, sendo comum a associação de fertilizantes líquidos aos defensivos para aplicação, desde que não prejudiquem a eficiência do defensivo em questão.  

E na fertirrigação, o mais aconselhável é a utilização dos adubos após o início da irrigação, finalizando antes do término dela. Desse modo evitamos as perdas por lixiviação ou danos por salinidade nas raízes e folhas das plantas.

Conclusão

Vimos que escolher o melhor adubo para plantas não é uma decisão simples, pois existem diferentes classificações que interferem diretamente na melhor opção. 

Precisa-se compreender a função de cada fertilizante e qual o cenário mais adequado para cada um.

Não existem soluções mágicas, nem uma “bala de prata” que resolverá todos os problemas na agricultura. Lembre-se que os nutrientes correspondem a 5% da planta, todo o resto (95%) vem da fotossíntese. 

Por isso, é necessário pensar no manejo como um todo!

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