Adubação foliar: entenda os princípios e saiba o que funciona

Atualizado em 06 de julho de 2022.

Adubação foliar: o que é, como ocorre a absorção dos nutrientes, quais os cuidados necessários, vantagens e desvantagens.

O adubo foliar serve para complementar a nutrição das plantas. Nesse caso, os fertilizantes são aplicados via foliar, ou seja, pulverizados sobre as folhas

Os adubos foliares fornecem macro e micronutrientes para as plantas. Afinal, assim como as raízes, as folhas têm a capacidade de absorver nutrientes. 

Neste artigo, saiba o que é adubação foliar, quando aplicar fertilizante foliar e detalhes sobre o processo em milho e soja. Boa leitura!

O que é adubação foliar?

A adubação foliar é uma estratégia para que os nutrientes sejam absorvidos pela parte aérea das plantas, principalmente pelas folhas. Já na adubação via solo, os adubos químicos e/ou orgânicos são incorporados ao solo, e a absorção dos nutrientes é feita pelas raízes das plantas. 

A adubação foliar garante uma rápida resposta das plantas, além de contribuir para o aumento da produtividade. Micronutrientes como zinco, ferro, cobre e boro são absorvidos rapidamente através desse tipo de adubação, o que ajuda no desenvolvimento da planta.

Vale lembrar que a recomendação de adubação via foliar sempre deve ser orientada pelo resultado da análise das folhas das plantas.  Somente pela análise foliar é possível verificar a deficiência ou a toxicidade de nutrientes.

De modo geral, os fertilizantes são classificados em orgânicos e inorgânicos. Como o próprio nome diz, os adubos orgânicos são derivados da matéria orgânica como resíduos de plantas e esterco animal. 

Já os inorgânicos são produzidos quimicamente e compreendem a maior parte dos fertilizantes utilizados hoje em dia

estrutura da folha

Estrutura de uma folha: em destaque a cutícula (parte adaxial) e os estômatos (parte abaxial)

(Fonte: Adaptado de Agrolink) 

Absorção dos nutrientes pelas folhas das plantas

O processo de absorção dos nutrientes pelas folhas começa quando a solução fertilizante foliar entra em contato com a superfície foliar. A penetração dos nutrientes nas folhas ocorre pelos estômatos e, principalmente, pelos poros através da cutícula

A cutícula é uma camada que recobre toda a superfície da folha e tem a função de evitar a perda de água. Depois de atravessar a cutícula, os nutrientes se movimentam pelo apoplasto e pelo simplasto.

Por fim, ocorre a distribuição dos nutrientes das folhas para as outras partes da planta.

Esse processo depende do movimento dos nutrientes no floema e no xilema. Alguns nutrientes apresentam maior mobilidade que outros. 

Como usar fertilizante foliar

Na utilização dos adubos foliares é muito importante se atentar a fase fenológica da cultura em que será realizada a aplicação. Os nutrientes precisam ser fornecidos no período em que as plantas são mais exigentes

Somente assim será possível observar ganhos na produtividade.

Além disso, é preciso sempre seguir as recomendações do fabricante do produto e do profissional responsável pela adubação foliar. Cada produto apresenta dosagem, diluição e modo de aplicação específico.

Para garantir maior eficiência na aplicação dos adubos foliares se atente à qualidade da água utilizada. Cuide também do horário em que será realizada a prática de manejo e dos bicos de pulverização. Isso garante que toda a área foliar seja recoberta pelas gotas.

Tipos de fertilizantes foliares e quando aplicá-los

O adubo foliar pode ser aplicado em diferentes situações e em diferentes fases fenológicas da cultura. É importante que ele seja fornecido nas fases de maior exigência nutricional. 

Além disso, existem três principais tipos de adubação foliar. Os fertilizantes foliares podem ser aplicados de forma preventiva, corretiva e complementar.

A adubação preventiva, como o próprio nome diz, é realizada de forma antecipada para evitar o aparecimento de deficiência nutricional nas plantas.

Já na adubação corretiva, os adubos são fornecidos com o objetivo de corrigir alguma deficiência nutricional. É importante que a recomendação seja feita tendo como referência a análise foliar.

A adubação complementar é realizada para complementar a adubação via solo. Vale lembrar que a adubação foliar não substitui a adubação via solo.

O que considerar para fazer aplicações de adubo foliar

A adubação via solo fornece os principais macronutrientes para a planta de forma bastante eficiente. Esse é o exemplo do NPK, composto por nitrogênio, fósforo e potássio.

Entretanto, durante o ciclo da cultura, pode haver deficiência de certos micronutrientes essenciais. Por exemplo, boro, zinco e manganês. 

Os fertilizantes foliares aplicados sobre as folhas são mais rapidamente assimilados pela planta do que via solo. Porém, seu aproveitamento é de curto prazo.

Portanto, é importante que os nutrientes sejam aplicados nas fases fenológicas em que a planta tem maior capacidade de resposta à adubação. Isso garante um aumento da produtividade.

É importante que você saiba que a adubação foliar é utilizada de forma associada à aplicação via solo. Uma prática não substitui a outra: elas são complementares, de modo a atender a demanda das plantas por nutrientes. 

Também é interessante ressaltar que sempre deve ser respeitado o modo de aplicação dos produtos e a dosagem recomendada. Adubos foliares não devem ser aplicados via solo e vice-versa.

Fatores que influenciam a eficiência do adubo foliar

Alguns aspectos externos e internos das plantas devem ser considerados para que você tenha eficiência na aplicação de adubo foliar.

Fatores externos

Os fatores externos são a molhabilidade da superfície da folha, a temperatura e a umidade relativa do ar, luz e pH da solução.

  1. Molhabilidade da superfície foliar: Para que o nutriente seja absorvido pela  planta, é necessário que a solução atinja a superfície foliar. Para isso, deve-se ter bastante investimento na tecnologia de aplicação do fertilizante foliar, com bicos específicos, e uso de umectantes e espalhantes. 
  2. Temperatura e umidade relativa do ar: Os períodos mais favoráveis para realizar a adubação foliar são  pela manhã e fim da tarde. Umidade relativa alta e temperaturas amenas favorecem a absorção foliar. 
  3. Luz: A maioria das plantas abre seu estômato na luz e fecha no escuro. Por isso, é imprescindível que a aplicação seja realizada com boa intensidade luminosa.
  4. pH da solução: Recomenda-se utilizar o pH para cada nutriente específico. Mas, de uma forma geral, utiliza-se a solução nutritiva com pH entre 5 e 6. 

Fatores internos

Os fatores internos são a superfície foliar, a idade da folha e o estado iônico interno.

  1. Superfície foliar: Cutícula mais fina, alto número de estômatos e presença de pilosidade podem aumentar a superfície de contato e favorecer a absorção dos nutrientes. É essencial que a adubação foliar cubra tanto a parte superior quanto a inferior das folhas.
  2. Idade da folha: Absorção dos nutrientes é maior em folhas mais novas, pois nas folhas mais velhas a camada de cutícula é mais grossa o que interfere na absorção. As folhas mais novas também têm maior atividade metabólica e absorvem os nutrientes mais rapidamente. 
  3. Estado iônico interno: Plantas com deficiência de algum nutriente tendem a absorver mais rápido a molécula aplicada. Por isso, analisar se realmente há deficiência vai lhe garantir a aplicação correta.

Vantagens e desvantagens da adubação foliar

Como qualquer prática, a adubação foliar apresenta algumas vantagens e desvantagens. Confira a seguir.

Vantagens 

Uma das vantagens da adubação foliar é a rápida resposta das plantas quando da utilização desses produtos.

A adubação foliar também apresenta maior uniformidade de distribuição dos nutrientes. Isso, é claro, quando comparada à aplicação de fertilizantes granulados via solo.

Além disso, a adubação foliar é indicada para situações em que a adubação via solo apresenta condições adversas, como solo encharcado e períodos de seca. 

Desvantagens 

Uma desvantagem da adubação foliar se refere ao baixo efeito residual dessa prática.

É interessante que ela seja realizada juntamente com a aplicação de outros produtos para evitar o aumento dos custos de produção.

Dependendo da dosagem e das condições ambientais em que a adubação foliar for realizada, pode ocorrer a queimadura das folhas e de plantas jovens.

Por isso, para evitar problemas, sempre siga as recomendações da bula dos produtos e do engenheiro agrônomo responsável.

Adubação foliar no milho e na soja

Adubo foliar para milho

A adubação do milho através das folhas é realizada, principalmente, no período vegetativo. Isso ocorre durante a fase inicial de desenvolvimento das plantas (estádio V4 e V7).

A adubação via foliar é feita com o objetivo de corrigir as deficiências nutricionais. Elas podem ser detectadas pelo diagnóstico visual.

No entanto, é importante ressaltar que os sintomas visuais de deficiência nutricional podem ser facilmente confundidos com outros fatores. Por exemplo, o ataque de doenças e distúrbios fisiológicos das plantas. 

Adubo foliar para soja 

A adubação foliar em soja é bastante eficiente, porque a cultura é muito exigente em nutrientes. No entanto, a quantidade de nutrientes fornecidos na adubação foliar não substitui a adubação via solo.

Os nutrientes mais exigidos pela soja são nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, magnésio e enxofre.

Na cultura da soja, o período de maior exigência nutricional vai do aparecimento da primeira folha trifoliada totalmente desenvolvida até o início do enchimento dos grãos (V2 até R5). 

banner para baixar a planilha de cálculo de fertilizantes para milho e soja

Conclusão

O uso de adubação foliar pode ser um grande aliado na sua cultura. Mas não é uma prática para substituir e sim para complementar a adubação via solo, quando necessário.

Neste artigo, vimos que alguns fatores internos e externos podem comprometer a eficiência do fertilizante foliar. Por isso, fique de olho!

Não se esqueça de considerar todos os fatores vistos aqui para fazer a aplicação de adubo foliar na sua área! E na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

>> Leia mais:

Potássio para milho: Por que é tão importante e como fazer seu manejo

“Por que a adubação com silício pode ser sua aliada na produtividade”

“Tudo o que você precisa saber sobre cobre nas plantas”

Você já fez adubação foliar em sua lavoura? Quais foram os resultados? Deixe seu comentário!

Atualizado em 06 de julho de 2022 por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Mofo-branco: como identificar, controlar e prevenir na sua lavoura

Mofo-branco: características da doença e as principais formas de manejo para evitar prejuízos na sua lavoura.

As doenças estão, frequentemente, causando prejuízos na lavoura. O mofo-branco, por exemplo, tem uma ampla gama de plantas hospedeiras como soja, feijão, girassol, algodão e outras.

No caso da soja, a doença pode causar perdas de até 70% na produtividade.

Outro aspecto importante é que o fungo forma estruturas de resistência que podem permanecer viáveis no solo por vários anos. Então, é preciso evitar a entrada do patógeno na área e manejá-lo adequadamente quando já está presente para evitar perdas.

Confira a seguir as principais características da doença, ciclo de vida e formas de manejo para a sua lavoura!

O que causa o mofo-branco nas culturas agrícolas

O mofo-branco, ou podridão-de-Sclerotinia, é uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, principalmente, e pode causar altas perdas na produtividade de culturas como algodão, soja, feijão e muitas outras de grande importância econômica.

Estima-se que a doença pode afetar diferentes espécies de plantas, com registro de mais de 400 espécies hospedeiras (ampla gama de plantas hospedeiras, exceto as gramíneas). Além disso, está distribuída em muitas regiões do mundo. 

Alta umidade e temperaturas amenas são o ambiente favorável para desenvolvimento da doença. Dessa forma, áreas irrigadas podem favorecer o mofo-branco, por proporcionar ambientes com alta umidade.

Os sintomas da doença são bastante característicos. Normalmente, ocorrem lesões encharcadas nas partes aéreas da planta. E, após o progresso, há o crescimento de um micélio branco, com aspecto cotonoso (parecido com algodão) sobre essas lesões. Após um período, ocorre a formação de escleródios.

Os escleródios são enovelamento/agregado de hifas, que são estruturas de resistência do fungo. Assim, este fungo pode sobreviver no solo através dessas estruturas.

mofo-branco
Placa de Petri com crescimento em meio de cultura de Scletotinia sclerotiorum com micélio branco e escleródios
(Fonte: Arquivo pessoal da autora)

A formação de escleródios ocorre em resposta às mudanças na disponibilidade de nutrientes no meio em que se encontra o fungo. Os escleródios tem formato irregular e tamanho pequeno (milímetros).

Inicialmente, essas estruturas apresentam coloração branca, que depois progride para uma cor escura e com aspecto duro.

Assim, os escleródios no final do processo da sua formação apresentam cor escura pelo depósito de melanina, que possivelmente confere proteção a essas estruturas.

Os escleródios podem sobreviver (ficarem viáveis) no solo por vários anos. Há trabalhos que apontam sobrevivência por até 10 anos, mas isso é variável conforme as condições a que essas estruturas estão expostas.

Isso é importante pois há a sobrevivência de S. sclerotiorum na área de cultivo mesmo no período de entressafra.

Disseminação S. sclerotiorum

Os escleródios podem ser disseminados por sementes, solo, máquinas agrícolas, água, entre outros.

Assim, se sua área de cultivo é livre do patógeno, este pode ser introduzido por sementes contaminadas internamente (micélio dormente) ou por escleródios que podem estar juntos com as sementes. 

Máquinas e implementos agrícolas sujos com solo contaminado também trazem problemas. 

Este conhecimento é muito importante para determinar as medidas de manejo para a doença. Vamos falar sobre isso mais a frente no texto!

E você sabe como a doença se desenvolve através dos escleródios? Vou explicar!

Ciclo de vida de S. sclerotiorum

Para entender como o patógeno se desenvolve para causar o mofo-branco, vamos discutir rapidamente o ciclo de vida de S. sclerotiorum.

Os escleródios presente no solo podem germinar de duas formas:

  • Carpogênica

Ocorre a formação de apotécios (que tem aparência de cogumelo). Esses produzem ascos que formam ascósporos (esporos do fungo), que são dispersos para o meio, disseminados pelo vento, podendo ocasionar infecções em outras plantas na área ou em regiões próximas.

Os ascósporos germinam para iniciar a infecção e causar a doença. Normalmente, a germinação carpogênica ocorre nas culturas de soja e feijão.

  • Micelogênica

Ocorre a formação de hifas e não formam esporos. Essas hifas geralmente iniciam a infecção na matéria orgânica do solo e depois penetram e colonizam a planta hospedeira (principalmente a parte das plantas em contato com o solo). Normalmente essa germinação ocorre na cultura do girassol.

É importante conhecer o ciclo de vida do patógeno para entender a importância das estruturas de sobrevivência do fungo e as medidas de manejo.

Observe no esquema abaixo como as germinações podem ocorrer e as etapas para o desenvolvimento do mofo-branco.

ciclo de vida de Sclerotinia sclerotiorum
Esquema do ciclo de vida de Sclerotinia sclerotiorum
(Fonte: Tese Roseli Muniz Giachini adaptado de Wharton e Kirk, 2007)

Agora que você sabe um pouco mais sobre o desenvolvimento do mofo-branco, vamos mostrar o desenvolvimento da doença em algumas culturas agrícolas.

Mofo-branco na cultura da soja

A doença foi uma das principais responsáveis pela redução da produtividade das lavouras de soja na região sul do país na safra 2017/18.

Nos últimos anos, o mofo-branco na cultura da soja ocasionou perdas de até 70% na produtividade. E estima-se que cerca de 10 milhões de hectares da área brasileira de cultivo de soja estejam infestados pelo patógeno.

O fungo pode atacar qualquer parte da planta, sendo mais frequente nas inflorescências, pecíolos e ramos.

Os sintomas inicialmente são manchas encharcadas, que progridem para uma coloração castanha, com um crescimento de micélio de coloração branca e aspecto cotonoso sobre essas manchas.

E, com o desenvolvimento da doença, ocorre a formação dos escleródios, que podem estar tanto na superfície como no interior de hastes e nas vagens infectadas da planta de soja.

A fase de maior vulnerabilidade é na floração e na formação de vagens.

As sementes infectadas são menores, enrugadas e com coloração não característica da semente.

mofo-branco na soja
Fungo na soja é capaz de infectar qualquer parte da planta
(Fonte: Maurício Meyer em Embrapa)

Controle de mofo-branco em soja

Para o controle químico, falaremos dos defensivos especificamente mais a frente. Mas o importante aqui é saber que  sua eficiência vai depender do momento da aplicação.

O intuito dessa aplicação deve ser atingir as partes inferiores das plantas e a superfície do solo. 

Por isso, a primeira aplicação deve ser na abertura das flores, ou seja, estádio R1 da soja. A segunda aplicação, já deve ocorrer no intervalo de aproximadamente 15 dias em relação a primeira.

Os principais fungicidas são o Fluazinam 500 g/l, Procimidona 500 g/kg, Carbendazin 500 g/l e Tiofanato Metílico 350 g/l + Fluazinam 52,5 g/l. 

Além do controle químico, há outras medidas de manejo que você pode utilizar na sua lavoura para controle do mofo-branco. Vamos falar sobre isso mais a frente no texto!

Mofo-branco na cultura do feijoeiro

O mofo-branco do feijoeiro é uma das doenças mais agressivas na cultura. As perdas podem ultrapassar 60% se o manejo não for realizado corretamente.

Normalmente a doença é mais problemática no florescimento.

Ascósporos (esporos) disseminados pelo vento caem em pétalas de flores senescentes do feijoeiro, germinam e infectam. As pétalas senescentes colonizadas caem sobre o solo ou hastes de vagens e iniciam o ciclo da doença.

Os sintomas são lesões encharcadas de coloração castanha, com micélio branco e cotonoso. Com o progresso da doença, ocorre a formação de escleródios.

mofo-branco no feijão
(Fonte: Revista Cultivar)

Mofo-branco na cultura do algodão

A doença na cultura do algodoeiro tem maior incidência em áreas irrigadas, principalmente após o cultivo de soja e feijoeiro. 

Além disso, também tem afetado a cultura em áreas com clima de temperatura amena e alta umidade, que propiciam o desenvolvimento do fungo.

Os sintomas no algodoeiro podem ocorrer nas folhas, hastes e nas maçãs.

Os sintomas normalmente são no baixeiro das plantas, tendo inicialmente a formação de lesões aquosas, que podem ter o crescimento do micélio cotono. Com o progresso da doença, há formação de escleródios.

Na fase de floração, o patógeno tem uma disseminação mais rápida, pois a flor é a fonte primária de energia para o fungo iniciar novas infecções.

Mofo-branco na cultura do girassol

Na cultura do girassol, a doença também recebe o nome de podridão branca. É considerada, mundialmente, a mais importante para a cultura.

Se o fungo ataca na fase de plântula, pode ocasionar a morte e, consequentemente, falhas no estande.

A podridão branca pode ocorrer na cultura desde o estádio de plântula até a maturação das plantas.

A doença pode apresentar 3 sintomas diferentes nas plantas:

  • Podridão basal (ocorre do estádio de plântula até a maturação): murcha da planta e lesão marrom, mole e com aspecto de encharcada. Se houver alta umidade, a lesão pode ficar coberta por um micélio branco. Além disso, pode encontrar escleródios nas áreas afetadas.
  • Podridão na porção mediana da planta (ocorre a partir do estádio vegetativo): os sintomas são parecidos com os da infecção basal. Escleródios podem ocorrer dentro e fora da haste.
  • Podridão do capítulo (ocorre a partir da floração): inicialmente observam-se lesões pardas e encharcadas no capítulo, tendo a presença do micélio cobrindo algumas de suas partes. Com o progresso da doença, pode-se encontrar muitos escleródios no interior do capítulo, além do fungo poder destruir esta estrutura floral.

Mofo-branco na cultura do amendoim

A doença é causada por S. sclerotiorum ou também pelo fungo Sclerotinia minor e pode causar perdas superiores a 50%.

Os sintomas iniciam com lesões encharcadas que, em períodos de alta umidade, ocorre crescimento de micélio branco sobre as lesões que, com o progresso da doença, pode formar os escleródios.

Mofo-branco na cultura da canola

Também chamado de podridão branca, é uma das doenças de grande importância para a cultura da canola no Brasil.

Os sintomas ocorrem no caule e na haste da planta, com a presença de apodrecimento seco. 

Com o progresso da doença, os tecidos atacados do caule ou das hastes se tornam marrons, que também ocorre o crescimento de micélio branco e cotonoso, e com a presença de escleródios.

As plantas atacadas pelo fungo normalmente apresentam desfolhamento, maturação precoce e podem ter sementes chochas.

Medidas de manejo do mofo-branco

O controle do mofo-branco é difícil. O fungo produz estruturas de resistência (escleródios) e uma ampla gama de plantas hospedeiras. Por isso, na sua área, deve-se evitar a entrada do fungo.

Além disso, não há variedades resistentes até o momento para este fungo. O que pode ocorrer são variedades com resistência parcial.

Listamos algumas medidas de manejo que podem ser utilizadas no controle do mofo-branco. Mas lembre-se que os fungicidas diferem quanto ao seu registro nas culturas.

  • Sementes sadias e certificadas para evitar a presença de escleródios misturados com a semente ou de micélio interno nas sementes;
sementes de soja com escleródio
Sementes de soja com escleródio
(Fonte: A Granja)
  • Rotação de culturas com espécies não hospedeiras do fungo;
  • População de plantas adequada, lembrando que espaçamentos pequenos são mais favoráveis ao mofo-branco;
  • Tratamento de sementes;
  • Cultivo sobre a palhada de gramíneas;
  • Eliminar plantas invasoras que são hospedeiras do fungo;
  • Utilizar variedades que possuem uma arquitetura que apresente boa aeração para não possibilitar um ambiente favorável para o patógeno (umidade);
  • Limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas;
  • Escolha da época de plantio (evitando períodos chuvosos nos estádios que são propensos para a doença);
  • Palhada, como de gramíneas, no solo pode reduzir a formação (desenvolvimento) do fungo. A palhada também pode favorecer o desenvolvimento de microrganismos que controlam a S. sclerotiorum (antagonista).
  • Cultivo em sistema de plantio direto pode reduzir a incidência da doença em relação ao plantio convencional por dificultar o contato da planta com o solo contaminado e também o desenvolvimento do fungo. 
  • Controle biológico;
  • Tratamento químico (fungicidas);

Verifique quais produtos são registrados para o patógeno no Brasil e para a cultura que é afetada pela doença.

Para consultar os produtos registrados, não se esqueça de buscar no site do Agrofit.

E para a prescrição do produto e da dose a ser utilizada, procure um (a) eng. Agrônomo (a).

Eficiência de fungicidas para controle do mofo-branco

A Embrapa realizou uma pesquisa sobre a eficiência de fungicidas para o controle do mofo-branco na cultura da soja na safra 2017/18.

Essas pesquisas podem te auxiliar na escolha do fungicida de acordo com a incidência da doença e seu controle. 

Lembre-se de comparar os resultados com a testemunha, que são plantas que não foram aplicadas com fungicidas.

mofo-branco
Incidência, controle relativo, produtividade da soja, redução de produtividade, massa de escleródios produzidos e redução da produção de escleródios em função dos tratamentos fungicidas utilizados nos ensaios cooperativos de controle de mofo-branco em soja, na safra 2017/18.
(Fonte: Embrapa)

Lembre-se que a melhor medida de manejo é a prevenção da entrada do patógeno na sua área de cultivo.

Banner de chamada para o kit de sucesso da lavoura campeã de produtividade

E, por fim, para um manejo efetivo, você deve utilizar várias medidas de manejo, ou seja, integrando as práticas de manejo!

Conclusão

O mofo-branco é um problema em várias culturas agrícolas, trazendo grandes perdas de produtividade.

Neste artigo, abordamos os principais sintomas, ciclo de vida, condições favoráveis e disseminação da doença. Discutimos ainda várias estratégias de manejo, que devem ser realizadas de forma integrada.

Lembre-se que a prevenção da entrada do patógeno na área é a melhor estratégia!

Agora que você sabe dessas informações, não deixe que o mofo-branco cause perdas na sua produção agrícola. Bom manejo!

>> Leia mais:

“Identifique os sintomas da podridão parda da haste da soja e aprenda a evitar a doença”

Você tem problemas com mofo-branco na sua lavoura? Quais medidas de manejo utiliza para o controle da doença? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Armazenamento de grãos: cuidados e estratégia para comercialização

Armazenamento de grãos: quais os cuidados para armazenar e quais estratégias adotar para a melhor comercialização de grãos

Entra safra e sai safra, mas a dúvida continua: devo armazenar meus grãos?

Afinal de contas, em média  15% da produção acaba sendo perdida devido ao armazenamento inadequado.

Devo correr esse risco ou vender meus grãos após a colheita? Qual a melhor estratégia de comercialização?

Nesse artigo, vamos mostrar a resposta dessas e de outras perguntas sobre o armazenamento. Não deixe de conferir!

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Armazenamento de grãos de forma descomplicada

No Brasil, o armazenamento de grãos, apesar de muito benéfico, acaba se tornando uma dor de cabeça para boa parte dos produtores.

Esse fato ocorre pela falta de estrutura para o armazenamento dos grãos produzidos no país. Isso muitas vezes obriga o produtor a vender sua produção rapidamente por um preço pouco competitivo.

Contudo, esse problema pode ser resolvido com um bom planejamento!

O armazenamento dos grãos deve ser planejado muito cedo, desde o momento da semeadura. Isso te ajudará a não ter problemas na pós-colheita e sucesso em sua comercialização.

Para isso vou mostrar alguns cuidados que você deve ter durante o planejamento de sua safra!

Armazenamento de grãos: 4 dicas para o sucesso

Quando pensamos em armazenamento, inúmeros empecilhos nos vem à mente… Então, veja algumas dicas para descomplicar o armazenamento de seus grãos! Vamos lá:

1º Dica: Parcele sua semeadura

Isso irá facilitar alguns processos como a colheita, secagem e armazenamento dos grãos em sua unidade de armazenamento. Além disso, sua comercialização poderá ser realizada com mais calma.

Parcelando sua semeadura, você não irá colher toda sua lavoura no mesmo momento e poderá pensar com mais calma se irá armazenar ou comercializar seu grão.

2º Dica: Previsão de produtividade

Assim, você poderá planejar com antecedência processos como transporte e armazenamento, pensando principalmente em custos e espaço para armazenar seus grãos.

3º Dica: Previsão de demanda do mercado

Procure adequar sua produção à demanda do mercado. Planeje a venda de seus grão.

4º dica: Parcerias

Caso você não possua uma unidade de armazenamento em sua propriedade, não deixe de fazer parcerias com vizinhos ou cooperativas. Reserve, com antecedência, o espaço para sua produção.

Armazenamento de grãos: Cuidados para evitar perdas

Além do espaço para armazenamento de grãos, muitas vezes há problemas como pragas e fungos que atacam a produção armazenada.

Alguns cuidados básicos podem reduzir suas perdas e garantir a qualidade de seus grãos.

Lembre-se: O cuidado com o armazenamento faz toda a diferença na rentabilidade de sua propriedade.

1 º Cuidado: Limpeza da unidade de armazenamento é essencial

Realize a desinfecção das unidades: baixo custo e alta eficiência

armazenamento de grãos

(Fonte:Coolchip)

2º Cuidado: Verifique a umidade dos grãos

A umidade da massa de grãos deve ser realizada no momento da entrada dos grãos na unidade de armazenamento e, periodicamente, durante o armazenamento.

Verifique se os grãos passaram pelo processo de secagem natural ou secagem artificial e se estão com a umidade ideal para entrar em seu silo, por exemplo.

Fique atento, pois a umidade aliada à temperatura intensifica a perda de qualidade dos grãos!

>> Leia mais: “Saiba como identificar e evitar os danos em grãos de milho”

3º Cuidado: Monitoramento de temperatura e aeração

Esses dois fatores são essenciais para a manutenção da qualidade dos grãos. Tanto a temperatura quando a aeração podem variar de acordo com a região em que seus grãos estão armazenados. Mas não podemos esquecer de uma regra básica:

UMIDADE RELATIVA DO AR (%) + TEMPERATURA (Co) < 55,5                  =ARMAZENAMENTO SEGURO

4º Cuidado: Monitoramento de pragas e roedores

O monitoramento constante da unidade armazenadora é fundamental, pois permite a verificação de infestações por insetos; pragas; roedores; e até mesmo pássaros, no momento inicial, impedindo grandes perdas.

armazenamento de grãos

(Fonte: Uniprag)

5º Cuidado: Tratamento da unidade

Realize o tratamento preventivo com a aplicação de inseticidas e até mesmo eliminação de pragas presentes nos grãos e muitas vezes invisíveis a olho nu! Opte por inseticidas residuais de contato ou pelo expurgo.

armazenamento de grãos

(Fonte: Bequisa)

Armazenar ou vender os grãos?

Essa pergunta é muito comum e a resposta irá depender da sua situação atual.

Bom, se você possui silo próprio e não tem dívidas que necessitam ser quitadas no final da safra, talvez a melhor opção para você seja o armazenamento.

Alguns estudos indicam que o armazenamento dos grãos em silo próprio, realizando a comercialização na entressafra, pode refletir em ganhos de até 55%.

Porém, antes de tudo, é momento de contabilizar todos os gastos!

Você precisa analisar se os gastos com armazenagem compensam uma possível alta dos preços e, principalmente, se você não tem contas a pagar.

Aqui no blog nós já falamos sobre “Secagem e armazenamento de grãos: Diferentes tipos e seus custos”.

Após considerar tudo isso, você deve pensar na situação atual de sua propriedade e do mercado interno e externo.

A nossa dica é que você faça o uso de planilhas ou de software de gestão, Assim, será possível visualizar todos os custos na palma da mão, sem inúmeras folhas e tabelas.

Nesse momento a gestão de sua propriedade irá fazer toda diferença!

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Estratégias no momento da comercialização

Como citamos acima, o momento ideal para comercialização irá depender muito do perfil de sua propriedade.

Vou citar aqui algumas estratégias para você utilizar no momento de vender seu grão!

  • Planeje com antecedência sua venda;
  • Diversifique as modalidades de comercialização;
  • Espalhe o risco, não deixe para vender seu grão de uma só vez;
  • Venda uma porcentagem antecipada, desde que consiga assegurar a margem de lucro almejada;
  • Armazene ao menos um pouco de seus grãos para vender na entressafra;
  • Fique de olho no mercado externo e interno.

Com essas estratégias, um planejamento adequado e o auxílio de um gestor, tenho certeza que será muito mais fácil traçar caminhos para uma boa comercialização!

armazenamento de grãos

(Fonte: Jornal O Celeiro)

Relação entre armazenamento de grãos e a gestão

Você parou para pensar o quanto o armazenamento está ligado a uma boa gestão em sua propriedade?!

Pois quando você realiza a gestão de sua propriedade, consegue ter em mãos informações de todas as etapas da produção de grãos, inclusive de safra anteriores!

Com isso, o gestor consegue realizar o planejamento voltado para a realidade de sua fazenda, observando os pontos fortes e fracos. E isso será fundamental na tomada de decisão.

Com gestão da fazenda, você planejar com antecedência possíveis gastos de armazenagem de grãos, seja para o silo em sua propriedade ou para armazenamento fora dela.

Você pode observar e analisar com calma quais as perspectivas do agronegócio no Brasil e no mundo e como vão as vendas. Tudo isso irá lhe auxiliar na tomada de decisão sobre o momento ideal para a comercialização dos grãos.

O segredo é usar a gestão a seu favor e estudar o mercado!

Enquanto você estuda o mercado, seus grãos devem estar armazenados em condições ideias para se manter dentro dos padrões de comercialização, conforme indica a Instrução Normativa nº 15, do MAPA, de 09 de junho de 2004.

Utilize a tecnologia a seu favor e mantenha-se atualizado sobre o mercado agrícola!

>>Leia mais: “Entenda melhor a classificação da soja e saiba usá-la para aumentar sua lucratividade

Use um software de gestão

Uma ótima opção para você conhecer seus gastos durante a safra é a utilização de um software agrícola!

Por ser um sistema desenvolvido especialmente para o agro, essa ferramenta irá auxiliar tanto na previsão de demandas da fazenda quanto no controle da produção e armazenagem.

Com a utilização de softwares, você consegue ter os dados da sua fazenda na palma da mão! Assim, pode analisar quais são seus maiores custos e como aumentar a rentabilidade.

armazenamento de grãos

Com Aegro é possível fazer o planejamento de safra, controle de estoque e visualizar a rentabilidade por talhão 

Conclusão

Após todo o esforço para garantir uma boa safra, não podemos perder tudo no armazenamento.

Neste artigo, você viu algumas dicas de como realizar o armazenamento com sucesso.

Falamos sobre os principais cuidados durante o armazenamento, qual o momento ideal para a comercialização de seus grãos e as principais estratégias.

Vimos ainda a importância da gestão no armazenamento de grãos!

Espero que com essas informações você consiga realizar o armazenamento de seus grãos e traçar estratégias para uma comercialização mais rentável.

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Como fazer o manejo eficiente do capim-colchão

Capim-colchão: Época certa para controle, quais herbicidas usar e confira as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura. 

A planta daninha capim-colchão tem grande distribuição em nosso país e infesta lavouras de grãos e grandes áreas de cana. 

Para os produtores de cana-açúcar, houve relatos de populações com menor suscetibilidade a alguns herbicidas comumente utilizados na cultura. 

Deste modo, é muito importante que ocorra um bom manejo para que não haja seleção de novas populações com menor suscetibilidade a herbicidas ou resistência.  

Quer saber como fazer um manejo eficiente do capim-colchão? Qual é o período ideal e os herbicidas mais indicados? Confira a seguir.

Capim-colchão: Principais pontos sobre esta daninha

No Brasil existem três espécies de gramíneas que são comumente conhecidas como capim-colchão (Digitaria horizontalis, Digitaria ciliaris e Digitaria sanguinalis), família Poaceae.

A espécie D. horizontalis é a mais frequente no país, infestando principalmente lavouras anuais e perenes. Ocorre, geralmente, em populações mistas com D. ciliaris

Já a espécie D. sanguinalis é bem menos frequente, ocorrendo em maior intensidade no sul do país. 

capim-colchão

Plantas adultas de capim-colchão (Digitaria horizontalis

(Fonte: FCAV Unesp)

capim-colchão

Plantas adultas de capim-colchão (Digitaria ciliaris

(Fonte: Wiktrop)

Plantas adultas de capim-colchão (Digitaria sanguinalis

(Fonte: Wiktrop)

Essas três espécies são muito parecidas e difíceis de serem diferenciadas no campo, necessitando de uma lupa para distinguir as características morfológicas. 

A principal diferença das espécies está nas espigueta. 

capim-colchão

Inflorescência de capim-colchão (Digitaria sanguinalis

(Fonte: Luirig)

As espécies de capim-colchão são plantas daninhas de ciclo anual. Podem se alastrar pelo enraizamento de nós dos colmos em contato com o solo úmido.

Estas plantas daninhas apreciam solos férteis – são pouco agressivas em solos pobres.  

Sementes e dispersão do capim-colchão

Estas espécies produzem em média 150 mil sementes por planta, o que está associado à sua dispersão em nosso país. As sementes são facilmente disseminadas pelo vento. 

capim-colchão

Sementes de capim-colchão (Digitaria sanguinalis

(Fonte: Oardc)

A necessidade de luz para germinar varia nestas espécies, sendo que D. horizontalis D. sanguinalis necessitam de luz para germinar. Já a D. ciliaris é indiferente à luz, germinando no escuro também.

A temperatura ideal para germinação destas espécies é a alternância de 25℃ a 35℃

Além da capacidade de interferir nas culturas, diminuindo sua produtividade, estas espécies podem ser hospedeiras de pragas e doenças

As espécies D. horizontalis e D. sanguinalis podem ser hospedeiras de nematoides

Além disso, a espécie  D. horizontalis pode ser hospedeira para o patógeno que ocasiona a mancha branca do milho.

Dentre estas espécies, somente a D. ciliaris possui registro de biótipos resistentes à herbicida no Brasil. 

Sendo registrada em 2002 como resistente a herbicidas inibidores da enzima ACCase ou comumente chamados de graminicidas (haloxyfop e fluazifop).

Manejo de capim-colchão na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra, com certeza, é período ideal para realizar um bom manejo do capim-colchão, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas pós-emergentes: 

Cletodim 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,5 a 1,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. No entanto, existem outros produtos com ótimo desempenho e que seguem a mesma lógica de manejo. 

Novas formulações de graminicidas vem sendo lançadas com maior concentração do ingrediente ativo (responsável pela morte da planta) e com adjuvante incluso. (Ex: Verdict max®, Targa max® e Select one pack®)

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência. 

Glifosato

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial. Indicado na dose de 2,0 a 4,0 L ha-1

Paraquat 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 2 perfilhos) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendável na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v. 

Glufosinato de amônio 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 2 perfilhos) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 2,5 a 3,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 2,0% v.v. 

Herbicidas pré-emergentes:

Diclosulam 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). O solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendável na dose de 70 a 120 g ha-1.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Trifluralina 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendável na dose de 1,2 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. 

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Manejo do capim-colchão na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas perenizadas na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros). 

Em caso de soja RR podem ser associados ao glifosato. 

Em áreas com grande infestação devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes no sistema de “aplique plante” para diminuir o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência (diclosulam, flumioxazin e s-metolachlor).

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações. Como diminuem a necessidade de aplicações em pós-emergência e previnem a seleção de plantas resistentes, trazem ótimo custo-benefício ao produtor. 

O controle de capim-colchão no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. Assim, existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlam capim-colchão. 

Dentre elas temos herbicidas pré-emergentes aplicados em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole) ou herbicidas utilizados em pós-emergência precoce (ex: nicosulfuron, tembotrione e mesotrione). Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas.    

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-colchão possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

E vimos quais herbicidas são mais utilizados para o controle na pré e pós-emergência das culturas.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente do capim-colchão!

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Fertilizantes para plantas: tudo que você precisa saber para aumentar a eficiência

Fertilizantes para plantas: como tirar o máximo proveito para melhorar a produtividade da lavoura e economizar dinheiro.

Dentre os principais desafios diários nas lavouras estão o uso correto de fertilizantes.

Os fertilizantes representam uma grande porcentagem dos gastos com a condução da lavoura.

Por isso, usá-los corretamente e na quantidade adequada é essencial para obter alta produtividade, sem utilizar mais produto do que é necessário. 

Neste texto, separamos para você algumas dicas na hora da escolha do fertilizante para ajudá-lo nesta tomada de decisão.

O que é um fertilizante para plantas?

O fertilizante é simplesmente um material adicionado aos solos ou com aplicação direta nos tecidos vegetais que contém nutrientes essenciais para o crescimento e saúde da planta. 

Podemos dividir os nutrientes essenciais para as plantas em:

  • macronutrientes primários: fósforo (P), nitrogênio (N) e potássio (K);
  • macronutrientes secundários: cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S);
  • micronutrientes: boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), zinco (Zn), cloro (Cl), cobalto (Co) e níquel (Ni).

Esses elementos básicos geralmente estão na forma de compostos químicos que podem ser convertidos pela planta para acessar os elementos necessários. 

Por exemplo, as plantas requerem nitrogênio, mas usam esse nutriente na forma de compostos maiores, como amônia (NH4) ou nitrato (NO3-). 

Os solos contêm naturalmente esses compostos químicos necessários, mas muitas vezes há uma relação desequilibrada.

Além de que, com a colheita dos grãos, folhas e o que mais for de interesse econômico, retiramos de forma indireta os nutrientes do solo, já que eles foram utilizados para compor esses materiais.

Os fertilizantes são insumos que usamos para repor as quantidades e equilibrar as proporções destes compostos químicos essenciais.

Como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes para plantas

O rendimento das culturas depende de muitos fatores como: propriedades do solo, irrigação, genética, clima, práticas culturais, controle de pragas e doenças e, claro, a aplicação de fertilizantes.

Pesquisas mostram que os fertilizantes respondem por 30% a 70% do rendimento. Essa contribuição significativa explica por que muitos agricultores acreditam que, se aplicarem mais fertilizantes, obteriam maiores rendimentos.

No entanto, este não é o caso! A relação entre as taxas de aplicação de fertilizantes e o rendimento potencial é esquematicamente descrita na seguinte curva:

Resposta das culturas à aplicação de fertilizantes

Resposta das culturas à aplicação de fertilizantes: a partir de uma determinada taxa de aplicação vemos sintomas do chamado “consumo de luxo”, quando é consumido o nutriente, mas não traduzido na produção (faixa C). Após isso, temos toxidez da planta por excesso do nutriente (faixa D), com redução da produção.
(Fonte: Smart Fertilizer)

Quando nenhum fertilizante é aplicado, o rendimento é mínimo. Inicialmente, o rendimento aumenta à medida em que a taxa de aplicação do fertilizante aumenta, até atingir o rendimento.

Deste ponto em diante, qualquer adição de fertilizante extra não aumenta o rendimento.

Quando as taxas de aplicação de fertilizantes são muito altas, ocorrem danos por salinidade e toxicidades específicas de nutrientes, ocorrendo declínio do rendimento.

Por isso, adubar mais não é sinônimo de maior produtividade.

A mesma cultura exigirá diferentes taxas de aplicação de fertilizantes em diferentes locais e tempos diferentes. O rendimento máximo potencial pode mudar de ano para ano devido às condições climáticas.

Portanto, para obter o melhor resultado, você deve ser capaz de planejar um programa de fertilizantes específico para sua área. 

planilha para adubação de milho

Como definir qual e quanto fertilizante usar na minha lavoura?

O primeiro passo é fazer a análise de solo para ajustar o uso de fertilizante de acordo com as condições específicas da sua fazenda.

O segundo passo é entendermos que a curva de resposta mostra como as taxas de aplicação de fertilizantes afetam o rendimento da safra.

Além disso, devemos lembrar que a taxa de aplicação específica de cada nutriente individualmente também interfere.

De acordo com a Lei do Mínimo de Liebig, o rendimento da colheita é determinado pelo fator mais limitante no campo. Isto implica que, se apenas um nutriente é deficiente, o rendimento será limitado, mesmo se todos os outros nutrientes estiverem disponíveis em quantidades adequadas.

Por isso, as análises de solo são tão importantes no seu programa de adubação.

Para ser lucrativo, é muito importante que você defina uma meta de rendimento que seja realista e viável. 

Outro fator de lucratividade é você usar as ferramentas e práticas corretas para atingir essa meta. Saiba também qual é o seu rendimento econômico ideal.

Você pode determinar o rendimento econômico ótimo calculando a diferença entre os custos dos fertilizantes e os retornos obtidos com o rendimento.

O aumento das taxas de aplicação de fertilizantes para obter mais produção pode até resultar em perda. As taxas de aplicação de fertilizantes para o rendimento econômico ótimo são as taxas que resultam no lucro máximo.

Desafios dos fertilizantes para plantas hoje e para os próximos anos

Albin Hubscher, presidente e CEO do International Fertilizer Development Center, concedeu uma entrevista muito interessante sobre esse tema, a qual vou trazer as principais ideias aqui.

Com a população global crescendo rapidamente, devemos dobrar ou triplicar nossa produção de alimentos nas próximas duas décadas para evitar uma crise mundial de alimentos. 

E devemos fazê-lo em face de eventos climáticos extremos, desmatamento contínuo, desertificação rápida e poluição generalizada. 

Enfrentar este desafio exigirá uma inovação tecnológica determinada e novas pesquisas sobre soluções antigas, “testadas e comprovadas”. 

Embora admitam que estão longe de serem “novos”, os fertilizantes são uma contribuição necessária para fechar a lacuna de rendimento dos agricultores e produzir mais alimentos em todo o mundo.

Mas não é suficiente aplicar os mesmos tipos de fertilizantes no mesmo solo usando as mesmas práticas. 

Devemos continuar a praticar o uso responsável e criterioso de fertilizantes, sendo específico ao local e à cultura, e sempre pensando na metodologia 4R.

E continuando a educação adequada e recomendações informadas sobre as melhores práticas para pequenos agricultores.

Por isso, precisamos melhorar a fertilidade do solo e a tecnologia de nutrição de plantas, desde testes de laboratório até testes de produção de plantas no campo.

Lembre-se que as culturas, como os seres humanos, precisam de uma gama completa de nutrientes para um crescimento saudável. 

Assim, plantar em solo saudável, cheio de nutrientes, é fundamental para produzir quantidades maiores de alimentos saudáveis.

Metodologia 4R: a metodologia global para melhor uso de fertilizantes

A metodologia 4R é usada em todo o mundo para a utilização melhor dos fertilizantes, inclusive como forma de preservação do solo e do ambiente como todo.

Os “Rs” são provenientes dos nomes em inglês: right source, right rate, right time, right place. Traduzindo: fonte certa, tempo certo, taxa certa e lugar certo. Por isso, em algumas literaturas brasileiras pode ser conhecido como os 4Cs.

fertilizantes para plantas

(Fonte: Crop Nutrition)

Embora as práticas científicas que regem os 4R sejam universais, a implementação prática é específica do local.

Portanto, não há um plano de gerenciamento comum ou um conjunto de práticas que funcionem para todos em todos os locais.

Abaixo vamos apresentar os 4R:

1. Fonte certa

Garantir um fornecimento equilibrado de nutrientes essenciais, considerando tanto as fontes disponíveis naturalmente quanto as características de produtos específicos em formas disponíveis para plantas. 

Especificamente, considere o suprimento de nutrientes nas formas disponíveis para as plantas. Assegure-se de que os nutrientes se ajustem às propriedades do solo e reconheça as sinergias entre os elementos.

2. Taxa certa

Avaliar e tomar decisões com base no suprimento de nutrientes do solo e na demanda de plantas. 

Assim, avalie adequadamente o suprimento de nutrientes do solo (inclusive de fontes orgânicas e os níveis de solo existentes); avalie a demanda de plantas e preveja a eficiência do uso de fertilizantes.

Marcha de absorção de macronutrientes para soja

Marcha de absorção de macronutrientes para soja. É importante saber a marcha de absorção de cada nutriente para cada cultura para entender a taxa e o tempo certo de aplicação
(Fonte: Embrapa)

3. Tempo certo

Avaliar e tomar decisões com base na dinâmica de absorção das culturas, fornecimento de solo, riscos de perda de nutrientes e logística de operação de campo. 

Conheça o tempo de absorção das culturas, avalie a dinâmica da oferta de nutrientes do solo, reconheça os fatores climáticos e considere a logística.

4. Lugar certo

Abordar a dinâmica raiz-solo e o movimento de nutrientes, gerenciar a variabilidade espacial dentro do campo para atender às necessidades de culturas específicas do local e limitar as perdas potenciais do campo. 

Dessa maneira, reconheça a dinâmica da raiz/solo, gerenciando problemas de variabilidade espacial e considerando o sistema de plantio direto para limitar o potencial de transporte desses nutrientes para fora da área (erosão, lixiviação, etc.).

Nesse sentido, entenda que o lugar certo é também preparar seu solo para receber os fertilizantes. E não estou aqui falando do preparo convencional de solo, mas sim de práticas como plantio direto e adubação verde.

Essas práticas fazem com que seu solo tenha melhor estrutura e possa fornecer mais nutrientes a sua cultura.

Para entender mais sobre este assunto, trouxemos para você os tipos de fertilizantes para que você possa escolher aquele que melhor atenda às necessidades da sua lavoura.

Tipos de fertilizantes para plantas disponíveis no mercado

De acordo com a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em 3 tipos:

Fertilizantes minerais ou sintéticos 

Fertilizantes minerais ou sintéticos, também conhecidos como inorgânicos, são os mais utilizados na agricultura, pois são concentrados e de rápida assimilação pelas plantas.

Assim, são usados com o objetivo de disponibilizar prontamente os nutrientes para as plantas.

Os fertilizantes minerais podem ser fornecidos para as plantas como um único nutriente ou fornecidos de forma conjunta, como o adubo mineral NPK.

O adubo NPK 4-14-8, por exemplo, fornece 4% de nitrogênio (N), 14% de fósforo (P) e 8% de potássio (K).

Os fertilizantes são ainda classificados de acordo com a sua composição química em: 

  • nitrogenados: ricos em nitrogênio (exemplo: ureia e sulfato de amônio);
  • potássicos: ricos em potássio (ex.: cloreto de potássio e sulfato de potássio);
  • fosfatados: ricos em fósforo (ex.: superfosfato simples e superfosfato triplo);
  • mistos: contêm mais de um nutriente;
  • corretivos: calcários usados para a correção da acidez do solo.

Fertilizantes orgânicos

Os fertilizantes orgânicos são de origem animal ou vegetal (ou ambos), com concentrações menores de nutrientes necessários à planta

O objetivo desse tipo de adubo é promover o aumento da matéria orgânica, influenciando na fertilidade do solo a longo prazo.

Alguns exemplos são: esterco bovino, esterco de aves, esterco de suínos, esterco de equinos, esterco de ovinos, torta de filtro, vinhaça e adubos verdes.

Os fertilizantes orgânicos podem ser classificados em:

  • simples: obtidos a partir de matéria vegetal e/ou animal;
  • mistos: mistura de 2 ou mais fertilizantes orgânicos simples;
  • compostos: são feitos de material orgânico obtidos por meio de processos químicos, físicos ou bioquímicos;
  • organominerais: mistura de fertilizantes orgânicos e minerais.

 Os fertilizantes também são divididos de acordo com a sua constituição em:

  • simples (fornece um ou mais nutrientes);
  • mistura (mistura de dois ou mais fertilizantes simples).

O fertilizante misturado pode ser simples, onde cada nutriente principal está contido em grãos separados, ou pode ser complexo, no qual estão todos os nutrientes de sua fórmula no mesmo grão.

fertilizantes para plantas

(Fonte: Fertilizantes Heringer)

Como aplicar os fertilizantes na lavoura?

Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura via solo, irrigação (fertirrigação) ou pulverização (adubação foliar).

A aplicação via solo é realizada na semeadura e na adubação de cobertura. Durante a semeadura, o fertilizante é aplicado ao solo junto com o plantio. Em muitas culturas e, também de acordo com o solo e a quantidade de adubo necessária, é preciso realizar uma adubação de cobertura, que é geralmente feita a lanço.

Já a fertirrigação é feita com a aplicação de fertilizantes pela irrigação, aplicando os fertilizantes de forma líquida.

E a aplicação por pulverização, chamada também de adubação foliar, é feita a partir da diluição do fertilizante em água e a calda é aplicada com pulverizadores.

A escolha de qual modo de aplicação do fertilizante utilizar depende de fatores como: 

  • tipo de solo;
  • condições climáticas;
  • espécie cultivada;
  • estádio de desenvolvimento da cultura.

A aplicação na semeadura é ideal para fertilizantes químicos e granulados.

Já aplicação a lanço é ideal para fertilizantes químicos e granulados, orgânicos, produtos para a correção do solo, como calcário e gesso agrícola.

A aplicação por irrigação é feita para fertilizantes líquidos e é realizada junto à irrigação da lavoura.

E a aplicação por pulverização é recomendada para os fertilizantes foliares.

Conclusão

O crescimento das plantas depende de nutrientes que, como vimos, são divididos em macronutrientes primários, secundários e micronutrientes.

Os solos contêm os compostos que as plantas precisam, mas é preciso repô-los e equilibrar as proporções. Para isso, os fertilizantes devem ser aplicados.

Neste artigo, vimos como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes na lavoura, considerando que mais produto não é sinônimo de mais produtividade.

Para obter o melhor resultado, é preciso planejar um programa de fertilizantes específico para sua área! Lembre-se: não existe produto milagroso!

Espero que com todas essas informações, você consiga garantir ganhos não só em produção, mas também com economia de dinheiro.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre fertilizantes para plantas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

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Ana Lígia Giraldeli

Atualizado em 20 de julho de 2020 por Ana Lígia Giraldeli
Engenheira agrônoma e mestra em agricultura e ambiente (UFSCar), doutora em fitotecnia (USP/Esalq) e especialista em agronegócios. Atualmente professora da UNIFEOB.

Percevejos: você conhece tudo sobre esses insetos?

Atualizado em 29 de junho de 2022.

Percevejos: entenda os hábitos, os danos e como manejar melhor esses insetos em sua propriedade.

Os percevejos são insetos fitófagos que se alimentam de partes das plantas como raízes, caule, folhas, grãos e frutos. Pertencem à subordem Heteroptera e ordem Hemiptera, com mais de 40 mil espécies. 

Essas pragas agrícolas causam danos diretos, pela sucção nos tecidos da planta e principalmente nos grãos. Danos indiretos também são causados pela disseminação de doenças.

Neste artigo, confira o que são percevejos, suas principais características, tipos de percevejos e sua identificação visual. Boa leitura!

O que são percevejos?

Os percevejos são pequenos insetos sugadores, com aparelho bucal do tipo labial tetraqueta. Isso possibilita que eles insiram o rosto na planta para sugar seus nutrientes.

Existem diversas famílias e espécies desta subordem Heteroptera. Elas variam muito quanto ao hábito alimentar, e podem ser predadores, hematófagos, zoofitófagos ou fitófagos.

Os predadores se alimentam de outros insetos. Os hematófagos se alimentam de sangue. Os zoofitófagos são carnívoros, mas utilizam de produtos de plantas como pólen, néctar e seiva para complementação nutricional.

Os percevejos fitófagos são os que causam danos nas culturas agrícolas, e se alimentam de diferentes partes das plantas. Os percevejos mais importantes incluem:

  • Família Pentatomidae: considerados sugadores de grãos. As principais espécies desta são: Nezara viridula (percevejo-verde), Piezodorus guildinii (percevejo-verde-pequeno), Euschistus heros (percevejo-marrom), Dichelops Spinola (percevejo barriga-verde), Edessa meditabunda (percevejo da soja);
  • Família Cydnidae: são polífagos e sugadores de raízes, principalmente em lavouras sob sistema de plantio direto. As principais espécies são: Scaptocoris castanea e Scaptocoris carvalhoi;
  • Família Alydidae: também sugadores de grãos: Neomegalotomus parvus (percevejo-formigão)

Principais características dos percevejos

A principal família de percevejos que causa danos em diversas culturas e principalmente na soja é a família Pentatomidae. Ela possui mais de 4.123 espécies.

Esta família tem antenas com cinco segmentos, medem cerca de 7 mm e tem a parte superior do corpo grande e em formato triangular. Eles podem ou não ter a presença de espinhos nas laterais superiores.

Foto de dois percevejos, lado a lado
Adultos do percevejo barriga-verde. A cabeça deste inseto possui duas projeções pontiagudas e a parte anterior do tórax apresenta margens dentadas e as laterais possuem expansões espinhosas, conforme indicação na figura.
(Fonte: Panizzi, 2015)

A coloração dos percevejos é variada, e mudam conforme o estádio de vida (ovo, ninfa e adulto).  A depender da espécie, a alimentação das ninfas, principalmente de primeiro ínstar, ocorre em conjunto. 

Isso acontece pelo tamanho reduzido do seu aparelho bucal. Além disso, a soma da saliva dos indivíduos em grupo facilita a dissolução de frutos e dos tecidos das plantas.

Ovos de percevejo sobre folhas
Ninfas de primeiro ínstar (c) e ninfa de quinto ínstar do percevejo-marrom (Euschistus heros) se alimentando nos tecidos vegetais de soja
(Fonte: Panizzi)

A partir do terceiro ínstar, como é o caso de Nezara viridula (percevejo-verde), o inseto se dispersa pela área de cultivo. Afinal, neste estádio, o tamanho do seu aparelho bucal já permite que ele se alimente separadamente.

Nas espécies fitófagas, o rosto é bastante alongado na fase adulta, o que facilita o consumo do conteúdo mais interno da planta. A profundidade alcançada pelos percevejos para sucção do conteúdo interno das plantas varia a depender da espécie.

O ciclo de vida desses insetos passa pelas fases de ovo, ninfa e adulto.

Ciclo do percevejo marrom
Ciclo de desenvolvimento do percevejo-verde (Nezara viridula) em soja. A duração de cada uma das etapas do ciclo (ovo, 1º instar, 2º instar, 3º instar, 4º instar, 5º instar e adulto), tem variação a depender da espécie de percevejo, da espécie de plantas hospedeiras, da temperatura e umidade
(Fonte: Panizzi, 2012)

Por que os percevejos são um problema na agricultura?

Algumas características desses insetos fazem com que eles possam se adaptar e invadir culturas que antes não eram tão comuns. 

Por exemplo, eles atacam um grande número de espécies de plantas. Isso faz com que as populações de uma espécie-praga de percevejo aumente e se propague rapidamente. 

Esses insetos têm alta mobilidade e, antes mesmo do final do ciclo da cultura, se dispersam para outros hospedeiros e para hospedeiros alternativos. Eles podem continuar o ciclo de reprodução ou sobrevivência nesses hospedeiros.

Afinal, podem não se reproduzir em uma determinada espécie de plantas, mas conseguem sobreviver nelas.

Eles também sobrevivem por bastante tempo em condições desfavoráveis. Na falta do hospedeiro, esses insetos conseguem sobreviver em hospedeiros alternativos, sobretudo em leguminosas.  Plantas daninhas e até restos culturais de entressafra são exemplos. 

Além disso, podem hibernar por um tempo, até que as condições sejam ideais ao seu desenvolvimento. 

Danos causados por percevejo marrom
Percevejo sobrevivendo na entressafra em plantas daninhas e restos vegetais na área de cultivo
(Fonte: André Shimohiro, 2018)

A alimentação da maioria das espécies ocorre em diversas espécies de plantas. Isso pode apresentar problemas na sucessão de culturas, principalmente de trigo/soja e milho/soja.

Por exemplo, na sucessão soja-milho safrinha, essa preocupação cresceu. Isso se deu sobretudo pelo aumento da soja transgênica, com tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis). 

O uso dessa tecnologia tem como principais alvos as lagartas desfolhadoras, mas não os percevejos. Consequentemente, eles passaram a ter vez na lavoura de soja Bt como principais pragas.  

Por isso, no milho safrinha, esses insetos também têm sido frequentes. Afinal, estavam atacando a soja anteriormente. 

Mesmo que seja feito o tratamento de sementes, as plântulas das culturas não suportam o ataque de uma grande população de percevejos.

Danos causados por percevejos

Além dos danos diretos pela sucção da seiva, os percevejos também podem disseminar doenças. 

Nas sementes, prejudicam o enchimento e formação, afetando a qualidade. Sementes e grãos tornam-se chocos e enrugados. Isso acelera a deterioração de sementes e grãos durante o armazenamento.

Ainda, a saliva dos percevejos contém enzimas que alteram a fisiologia e bioquímica dos tecidos próximos a inserção do estilete. Isso provoca a morte dos tecidos vegetais e necrose (escurecimento dos tecidos).

Essas substâncias dissolvem as porções sólidas e semi-sólidas das células, obtendo assim os lipídios, carboidratos e demais nutrientes necessários. Isso resulta na degeneração da parede celular dos tecidos atacados.

Na soja, os percevejos podem disseminar o fungo causador da mancha de levedura (Nematospora coryli). Também podem causar distúrbios fisiológicos, retardando a senescência da cultura.

Isso significa que as folhas permanecem verdes e retidas na planta por mais tempo, causando o fenômeno da “soja louca”. A consequência é que a colheita é dificultada.

Já no milho, a presença de percevejos reduz o porte (altura) e o perfilhamento.

Em alguns casos, os danos nos estádios vegetativos podem ser compensados, sem afetar a produtividade da cultura. Afinal, no caso da soja, por exemplo, a cultura consegue compensar emitindo novas vagens ou produzindo grãos mais pesados.

No entanto, quando ocorre no período reprodutivo, afeta diretamente a qualidade e produtividade das culturas. Para que isso não ocorra, os percevejos devem ser monitorados e controlados em fases anteriores ao período reprodutivo, para evitar altas populações.

Principais tipos de percevejos 

Um bom controle começa pela identificação correta do percevejo na lavoura. Além disso, as diferentes espécies de percevejos são controladas por diferentes produtos químicos, o que torna a identificação ainda mais necessária.

Percevejo-marrom (Euschistus heros

O percevejo-marrom é uma das principais espécies que causam danos em soja. 

Eles podem atacar as hastes e os ramos da cultura, mas causam maiores danos atacando as vagens em formação. Eles podem migrar para o milho safrinha em seguida. 

No algodão, se alimentam das cápsulas em maturação e reduzem a qualidade dos fios, bem como a produtividade da cultura. As principais plantas hospedeiras do percevejo-marrom são:

  • Leguminosas;
  • Solalaceae;
  • Brassicaceae;
  • Ervas daninhas, principalmente o leiteiro ou amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla) e carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum).

Eles possuem coloração marrom-escura e espinhos nos prolongamentos laterais do pronoto. No verão, os espinhos tornam-se mais longos e mais escuros.

Seu ciclo de vida pode ser de até 116 dias. Os ovos são de coloração amarelada e são ovipositados principalmente nas folhas e vagens da soja. As ninfas deste percevejo tem coloração cinza a marrom, dependendo do seu ínstar.

A depender da temperatura, a duração média dos ovos é de 28,4 dias. A temperatura ideal é de 25°C.

Ciclo do percevejo marrom visto de perto
Percevejo-marrom (Euschistus heros). Na figura (a) pode-se observar as características dos adultos, (b) massa de ovos, (c) ovos e ninfas recém eclodidas, e (d) ninfa de 5º instar
(Fonte: Panizzi, 2012)

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

Eles causam maiores lesões em profundidade na soja, em comparação às demais espécies de percevejos-praga. Isso acontece devido ao tipo de picada nos tecidos da planta.  As principais plantas hospedeiras são:

  • Feijão;
  • Alfafa;
  • Ervilha;
  • E em determinadas situações algodão;
  • Pastagens próximas às lavouras de soja também podem ser hospedeiras na entressafra (ervilhaca, nabo forrageiro e tremoço, principalmente na região Sul do Brasil);
  • Crotalária.

Os adultos medem em torno de 9 mm e tem coloração verde-clara a amarelada (ao final do ciclo de vida do inseto). Isso é o que o distingue de outras espécies de coloração verde.

Além disso, possui uma lista transversal de coloração marrom-avermelhada perto da cabeça. Os ovos são pretos e têm formato de “barril”. São ovipositados em fileiras duplas e preferencialmente em vagens, mas também em outras partes da planta. 

As ninfas são pequenas, com cerca de 1 mm e se alimentam em grupos. Sua coloração inicial é preta e avermelhada, e posteriormente esverdeada. O tempo médio entre ovo e adulto é em torno de 24,4 dias

percevejo-verde-pequeno-da-soja adulto
Percevejo-verde-pequeno-da-soja adulto, com sua lista transversal de coloração marrom-avermelhada (próxima a cabeça)
(Fonte: Agro Bayer Brasil)

Percevejo-verde (Nezara viridula)

Ataca principalmente as partes reprodutivas da cultura da soja. Provoca o chochamento dos grãos, além de injetar toxinas nas plantas.  As principais plantas hospedeiras são:

  • Feijão;
  • Arroz;
  • Algodão;
  • Macadâmia;
  • Nogueira-pecã;
  • Carrapicho-de-carneiro;
  • Nabo-bravo ou nabiça;
  • Mostarda;
  • Trigo;
  • Mamona.

Esses percevejos possuem tamanho superior aos demais, entre 10 mm e 17 mm. Possuem coloração verde, verde-escuro. 

As antenas são avermelhadas e a parte inferior é de coloração clara. Os ovos são ovipositados nas partes inferiores das folhas, e tem coloração amarelada. A cor dos ovos do percevejo fica rosada, quando prestes a eclodir.

As ninfas mais jovens são alaranjadas. Já no primeiro e segundo ínstares, tem cor preta e manchas brancas no dorso. Os danos deste percevejo se iniciam quando as ninfas encontram-se no terceiro instar.

Adulto (a), ovos (b) e ninfas de primeiro (c) e quinto (d) ínstar do percevejo-verde (Nezara viridula)
(Fonte: Panizzi, 2012)

Percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus)

O percevejo-barriga-verde causa maiores prejuízos devido à sucessão soja-milho. Eles provocam o amarelecimento das plantas e lesões semelhantes a pontos nas folhas. Esses danos também são observados em trigo, mas em intensidade reduzida.

Dentre as plantas hospedeiras, encontram-se:

  • Milho;
  • Trigo;
  • Aveia-preta;
  • Triticale;
  • Trapoeraba;
  • Crotalária;
  • Braquiária;
  • Alfafa;
  • Feijão.

Os adultos medem entre 9 mm e 11 mm. Eles têm coloração que pode variar do castanho amarelado ao acizentado, mas com o abdômen sempre verde. Esta espécie também possui espinhos nas expansões laterais do pronoto.

Percevejo barriga verde visto de perto
Adulto de percevejo-barriga-verde
(Fonte: Agro Bayer)

Em milho safrinha, o grande problema é a migração desses insetos para a cultura. O percevejo-barriga-verde tem causado danos consideráveis e, por isso, deve haver maior atenção. 

Danos causados por percevejos em milho
Danos severos de percevejo-barriga-verde em milho
(Fonte: Pioneer Sementes) 

Percevejo-asa-preta-da-soja (Edessa meditabunda)

Esta espécie tem se tornado um problema cada vez mais frequente na cultura da soja. Ela tem como plantas hospedeiras principalmente:

  • Solanáceas;
  • Leguminosas;
  • Algodão;
  • Tabaco;
  • Girassol;
  • Uva.

Esses percevejos medem aproximadamente 13 mm e tem o corpo em formato oval. Seu corpo é de coloração verde, e suas asas marrom escuras. 

Os ovos são postos em duas fileiras e tem coloração verde-claro. As ninfas têm coloração verde-amarelada.

Um aspecto interessante desta espécie é que durante a alimentação, permanecem com a cabeça baixa, provavelmente por possuírem o estilete mais curto. Isso explica também a alimentação principalmente em hastes e não em vagens.

Embora não se alimentem das vagens, o potencial de dano desta espécie é significativo. Ela pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos (por desviar os nutrientes durante o enchimento de grãos).

Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)

No Brasil, ocorrem três espécies de percevejo castanho. Eles causam danos principalmente em pastagens, mas também já foram associados a outras culturas, incluindo:

  • Algodão;
  • Arroz;
  • Cana-de-açúcar;
  • Eucalipto;
  • Café;
  • Feijão;
  • Milheto;
  • Sorgo;
  • Pastagens;
  • Plantas daninhas.

São considerados polífagos. Além disso, são pragas subterrâneas, o que dificulta o seu controle, pois encontram-se principalmente em profundidade no solo. Estão distribuídos por todo território nacional.

As três principais espécies de percevejo castanho são Scaptocoris carvalhoi, Scaptocoris castanea e Scaptocoris buckupi, pertencentes à ordem Hemiptera: Cydnidae e subfamília Scaptocorinae.

A depender do nível populacional dos percevejos castanhos, em uma área de cultivo, é possível identificar a sua presença pelo odor característico exalados por eles, que assemelha-se ao do percevejo popularmente conhecido como “maria fedida”.

Os danos são observados em reboleiras, e dependem do tamanho da população. Em populações maiores, ocorre o murchamento das plantas, com posterior amarelecimento e morte das plantas. 

Em populações menores, observa-se retardamento do crescimento das plantas.

Os adultos do percevejo castanho medem entre 5 e 10 mm, possuem coloração castanha, e corpo convexo. As ninfas possuem coloração branca. 

Os ovos são ovipositados próximos às raízes, para que assim que eclodam, as ninfas possam se alimentar das raízes das plantas de forma facilitada.

Adultos e ninfas podem ser encontrados em grandes profundidades no solo, independentemente da umidade deste, sendo relatados até 1,8 metros de profundidade. 

No entanto, os danos mais severos são observados em épocas chuvosas (novembro a março), onde migram para a superfície, para se alimentar das raízes.

Ovos, ninfas e adultos do percevejo castanho, em imagens separadas
Ovo, ninfas e adulto do percevejo castanho.
(Fonte: Torres 2020).

Como acabar com percevejo?

Após identificar as principais espécies, você precisa saber como eliminar percevejo da sua área de cultivo.

Estratégias que englobam além do controle químico e biológico são essenciais para a redução dos danos causados pelos percevejos. Monitoramento, uso de armadilhas, rotação de culturas e manejo das épocas de semeadura são os principais exemplos.

Armadilhas

As armadilhas podem funcionar tanto para o monitoramento da população de percevejos quanto para auxiliar no controle, quando cultivos armadilhas são realizados.

Os cultivos armadilhas são caracterizados pela implantação de uma cultura, em blocos, faixas, ou nas bordaduras da cultura principal, que seja mais atrativa aos percevejos. Isso, é claro, em relação à cultura agrícola que está sendo cultivada.

Deste modo, os percevejos são atraídos para ela, e o controle é concentrado em pontos estratégicos. Outras armadilhas podem ser instaladas ao longo do cultivo, a depender da espécie de percevejo.

Para o percevejo marrom da soja, por exemplo, armadilhas eficientes são elaboradas a partir da urina de bovina.

Outra possibilidade é o uso de armadilhas com feromônio sexual, localizadas a 30 e 40 cm do solo, para captura e monitoramento do percevejo marrom e também de outras espécies de percevejos.

Rotação de culturas

A rotação de culturas em uma área com alta infestação de percevejos, deve ser planejada em função da espécie de ocorrência, utilizando plantas que sejam ou resistentes, ou não hospedeiras.

Para isto, é indispensável a correta identificação da espécie de percevejo que está ocorrendo na área de cultivo, bem como o conhecimento dos seus aspectos biológicos.

Além disso, o sistema de cultivo, convencional, ou plantio direto, bem como época do ano, interferem na ocorrência e consequentemente, no potencial de danos provocados pelos percevejos.

Manejo das épocas de semeadura

Da mesma forma, para o manejo das épocas de semeadura, é indispensável a identificação da espécie de percevejo. No entanto, sabe-se que em semeaduras precoces, ou tardias, a ocorrência e danos de percevejos são maiores. 

Isto ocorre porque nas semeaduras precoces, os percevejos que estão na área de cultivo, se alimentando de hospedeiros alternativos, rapidamente migram para as culturas hospedeiras principais. Eles as utilizam para se reproduzir.

Já em semeaduras tardias, as populações de percevejos encontram-se altas.

Para percevejos de hábito subterrâneo, o controle mais eficiente é realizado nas épocas chuvosas. Nesse período, eles migram de grandes profundidades do solo para a superfície.

Monitoramento

Para que o controle seja realmente efetivo, você deve considerar o monitoramento de pragas de uma forma geral.

Em soja, é imprescindível que você faça o pano-de-batida semanalmente. Além disso, é importante considerar o nível de ataque na planta. Fique bastante atento à fase fenológica da planta.

Entre com controle quando houver 2 percevejos por metro linear (para grãos) e 1 por metro linear (para semente).

Eliminar restos culturais e hospedeiros alternativos da área 

Como os percevejos podem se manter nos restos culturais, é ideal que você faça a limpeza da área antes de iniciar o cultivo da cultura seguinte.

Também é importante eliminar os hospedeiros alternativos, como as plantas daninhas capim-carrapicho, capim-amargoso e trapoeraba

Tratamento de sementes

Uma forma de evitar ataques logo no início da lavoura é a utilização de inseticidas sistêmicos para tratar as sementes.  Dentre os inseticidas, os neonicotinoides são os mais indicados. 

Controle biológico

O controle biológico é uma tática importante para a redução da população dos percevejos nas culturas. Alguns agentes de controle são comercializados por biofábricas

Os parasitoides Trissolcus basalis e Telenomus podisi podem contribuir muito na redução dos percevejos-praga

Controle químico

O controle químico é a tática mais utilizada para controle, mas você deve considerar os métodos de controle anteriores. Associar mais de um tipo de controle é fundamental.

Além disso, escolha inseticidas seletivos aos inimigos naturais para que eles possam se manter na cultura. Assim, eles não serão eliminados junto das populações dos percevejos.

Faça rotação de ingredientes ativos para não causar pressão de seleção e inviabilizar a tecnologia do produto químico.  Algumas sugestões de inseticidas com diferentes ingredientes ativos são:

  • Acetamiprido + Fenpropatrina (Bold – Ihara)
  • Imidacloprido + Beta-ciflutrina (Connect – Bayer)
  • Tiametoxam + Ciproconazol (Verdadero – Syngenta) 

Porém, vale destacar: antes de utilizar o controle químico, consulte um especialista.

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Conclusão

Os percevejos são um grupo amplo de insetos com hábitos alimentares diversos. Os fitófagos têm causado danos em culturas de importância econômica.

Em soja-milho safrinha, há uma preocupação grande devido às infestações constantes dos últimos anos.

Monitore as populações das pragas frequentemente na sua lavoura. Essa é a melhor tática para não haver surtos.

Você já teve problemas com percevejos em sua lavoura? Como fez o controle? Deixe seus comentários!

Atualizado em 29 de junho de 2022 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

Por que defensivos biológicos? Conheça mais sobre esses produtos e tire suas dúvidas

Defensivos biológicos: Quando usá-los e o que fazer para adaptar à realidade da sua lavoura.

Os defensivos biológicos vêm ganhando mais espaço na agricultura brasileira. Prova disso é o crescimento do mercado, que avançou mais de 70% em 2018, segundo dados da Abcbio.

Mas sua utilização ainda é pequena: alcança apenas 5% da produção em algumas regiões do país, de acordo com a associação.

Neste artigo, vou te mostrar por que e quando usar os defensivos biológicos e as alternativas para adaptá-los à sua realidade. Confira a seguir!

O que são defensivos biológicos?

Os defensivos biológicos são aqueles que têm como base produtos naturais utilizados no controle de insetos e doenças agrícolas.

Sua classificação pode se dar de acordo o princípio ativo utilizado:

  • Produtos de controle biológico têm como princípio ativo os microbiológicos (como bactérias, fungos e vírus) e macrobiológicos (como parasitoides e predadores).
  • Produtos de substâncias sintetizadas em organismos – têm como princípio ativo os bioquímicos e semioquímicos.

Para controle de insetos, a entomologia foca na utilização de insetos predadores vivos, nematoides entomopatogênicos ou patógenos microbianos para suprimir populações de diferentes insetos-praga. 

No controle de doenças, a função fica com os antagonistas microbianos para suprimir doenças, bem como o uso de patógenos específicos do hospedeiro para controlar populações de ervas daninhas.

O que é o controle biológico e Manejo Integrado de Pragas?

A premissa do controle biológico é o uso de inimigos naturais, no qual pragas e doenças podem ser suprimidas pelas atividades de um ou mais micróbios associados às plantas ou outros insetos. 
O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é o método racional e preventivo para a sua lavoura. Você se baseia na identificação correta das espécies, monitoramento constante e avaliação dos níveis de necessidade de controle e condições ambientais.

infográfico com bases e pilares do MIP

Mercado de defensivos biológicos

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é responsável por 1/5 do consumo mundial dos produtos químicos para a agricultura. Utilizamos 19% da quantidade produzida no mundo. 

E a questão mais alarmante é que cerca de 30% dos agroquímicos foram classificados como muito perigosos. 

Mas o que mais tem impactado e sido sentido no campo é o desenvolvimento de resistência das pragas, doenças e plantas daninhas. Essa resistência se deve ao uso contínuo e não racional dos agroquímicos.

Neste sentido, os defensivos biológicos têm tido maior desenvolvimento, de forma recente, como estratégia de insumo para a produção em escala. 

Em 2012, através do Ministério da Agricultura, foi lançada a  Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que apoia os pesticidas naturais. 

Isso impulsionou empresas do setor vinculadas à Associação Brasileiras das Empresas do Controle Biológico (ABCBio). Além disso, empresas tradicionais do ramo dos defensivos químicos também vêm incluindo produtos biológicos no portfólio. 

Os dados são muito positivos. Só em 2018, com novos registros de defensivos biológicos, o crescimento do mercado foi de 77% – o que representa em torno de R$ 464,5 milhões.

defensivos biológicos

(Fonte: SBA)

É uma tecnologia que dá resultado. E, com as empresas mais estruturadas e os resultados de protocolos agronômicos mais acertados, o desafio é levar informação para mais produtores, segundo Arnelo Nedel, presidente da ABCBio.

A fatia do bolo do mercado de defensivos agrícolas que são comercializados em nosso país ainda é pequena. 

Porém, os movimentos de produção de microrganismos On farm tem crescido em muito e não são contabilizados. 

E essa tem sido a realidade para pequenos produtores com produção de biofertilizantes até mesmo para grande grupos como o Amaggi.

defensivos biológicos - Biofábrica on farm em fazenda de Goiás

Biofábrica on farm em fazenda de Goiás

defensivos biológicos - Produção de biofertilizante em agricultura orgânica no RS

Produção de biofertilizante em agricultura orgânica no RS
(Fotos: Arquivo pessoal da autora)

Exemplos de defensivos biológicos 

Antes de citar uma lista de produtos que você pode usar em sua lavoura para controlar pragas e doenças, acho importante falar da base de conhecimento que leva o controle biológico e os biodefensivos. 

Os micro e macro organismos usados no controle biológico têm como base as relações de antagonismos interespécies:

  • Antagonismo direto: mecanismo hiperparasitismo/predação, exemplo Trichodermma spp.
  • Antagonismo de caminho misto: mecanismo de produção de antibióticos, enzimas líticas, resíduos não regulamentados e interferências física e química. Exemplo: Pseudomonas spp. na produção de antibióticos.
  • Antagonismo indireto: mecanismos como concorrência e a partir de exsudação, consumo de lixiviados, sideróforos e indução de resistência das plantas. 

E outro termo que é mais amplo é o estabelecimento de uma boa microbiota nos solos. Isso promove a chamada supressividade dos solos, nos quais temos, como resultados: 

  • Patógeno não se estabelece;
  • Patógeno se estabelece, mas falha ao causar a doença; ou
  • Patógeno se estabelece, mas a severidade é reduzida.
defensivos biológicos - Vespa da espécie Trichogramma galloi parasita ovos da broca-da-cana

Vespa da espécie Trichogramma galloi parasita ovos da broca-da-cana
(Fonte: Terra)

Empresas de produtos biológicos para agricultura

Agora, deixo uma lista de empresas que produzem algum tipo de defensivo natural, seja controlador biológico, produto bioquímico ou semioquímico:

  • Simbiose;
  • Promip;
  • Koppert;
  • Laboratório Farroupilha;
  • Gênica;
  • BioControle;
  • STK Bio Ag Technologies;
  • RSA Biotecnologia Agrícola;
  • Ballagro;
  • FMC – Nemix;
  • Korin – Embiotic;
  • Bayer – Sonata.

E também empresas que promovem soluções On Farm (serviços envolvendo defensivos naturais):

Defensivos agrícolas x defensivos biológicos

  • Solubio;
  • Agrobiológica – Soluções Naturais.

Não é uma disputa: é uma forma um pouco diferente de controlar pragas e doenças nas lavouras. 

Os desafios da agricultura atual são muitos:

  • Doenças iatrogênicas
  • Desequilíbrio biológico, com alterações no ciclo de nutrientes e matéria orgânica;
  • Eliminação de organismos benéficos; 
  • Resistência desenvolvida por pragas e doenças aos produtos químicos convencionais;
  • Falta de desenvolvimento de novas moléculas química.

E o MIP é parte fundamental nessa mudança. Além de que, a pesquisa tem possibilitado caracterizar estruturas e funções de agentes de biocontrole, patógenos e plantas hospedeiras nos níveis molecular, celular, orgânico e ecológico.

planilha Manejo Integrado de Pragas - MIP

Conclusão

Vimos que o desenvolvimento do setor de defensivos biológicos é cada vez maior. E a perspectiva é de melhora significativa também nos protocolos de aplicação de campo e qualidade de produtos empregados.

Isso se deve principalmente aos avanços em tecnologias computacionais, biologia molecular básica, química analítica e estatística. 

A expansão dos defensivos biológicos é motivada pelo foco em uma agricultura mais sustentável do ponto de vista econômico e do meio ambiente. 

E isso repercute em melhoria na qualidade de vida do produtor rural e também do produto que você entrega.

>> Leia mais:

Agrotóxicos naturais: Manejo certeiro mesmo em grandes culturas

6 inseticidas naturais para você começar a usar na sua lavoura

“O que são bioinsumos e como eles podem ajudar a reduzir custos”

Qual é a sua experiência com os defensivos biológicos na lavoura? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR): o que você deve saber

Livro Caixa Digital do Produtor Rural: saiba os prazos, normas, possíveis multas e penalidades, o que deve constar no documento e mais!

O LCDPR (Livro Caixa Digital do Produtor Rural) é uma obrigatoriedade fiscal. Ele é um instrumento de escrituração contábil para pessoas físicas que possuem operações rurais.

O objetivo do Livro Caixa é apurar os resultados obtidos no campo. Isso inclui receitas, investimentos, despesas de custeio e outros lançamentos.

O prazo de entrega do LCDPR (referente ao ano calendário 2022) será 31 de maio de 2023.  Isso significa que quem produz deve ter até o último dia útil de maio (ano receita bruta total) para o envio do documento. 

Neste artigo, veja como declarar o LCDPR, quais informações devem estar contidas neste documento e muito mais. Boa leitura!

O que é Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR)

O Livro Caixa é o instrumento de escrituração digital criado pelo governo. Ele fornece ao fisco informações sobre a movimentação financeira da atividade rural dos contribuintes. A declaração deve ser feita apenas somente por meio digital. 

Por causa disso, o livro caixa impresso foi dispensado. O resultado da exploração da atividade deverá ser apurado mediante escrituração do LCDPR. Ela abrange:

  • as receitas;
  • despesas de custeio;
  • investimentos;
  • demais valores que integram a atividade desenvolvida. 

Informações sobre prejuízos acumulados não devem ser informadas no livro. No LCDPR, devem ser lançadas informações do produtor e do imóvel que está sendo explorado para a atividade rural. Além disso, devem ser lançadas as receitas vindas da atividade, contendo:

  • tipo de lançamento;
  • número do documento correspondente;
  • data;
  • valor;
  • observações;
  • número do contrato.

Devem ser lançadas as despesas de custeio agrícola e investimento da atividade rural. Produtos entregues no ano referente a adiantamentos de recursos financeiros recebidos no ano anterior também devem entrar no livro.

Qualquer tipo de informação vinculada à atividade rural deve ser lançada no LCDPR. Cada informação deve ser seguida de um documento idôneo que a comprove.

Leis e normas do LCDPR

A obrigatoriedade do Livro Caixa Digital do Produtor Rural auxilia a fiscalização da Receita Federal. A fiscalização recai sobre o imposto de renda de Pessoas Físicas, inclusive quem produz.

Quem está obrigado ao Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR)?

A entrega anual do LCDPR é obrigatória a todos os produtores que obtiveram receita bruta da atividade rural igual ou superior a R$ 4,8 milhões.

Produtores que tiveram resultados inferiores a esse podem apresentar o LCDPR de forma voluntária. Entretanto, a partir dessa apresentação voluntária, a atividade será obrigatória para os próximos anos.

Quando há mais de uma pessoa na área de exploração rural, o valor total das receitas anuais deve ser dividido entre as partes. Ou seja, quem tiver o rendimento acima do teto entra na lista dos declarantes.

Quais são os próximos prazos de entrega do LCDPR?

Em relação às atividades agrícolas de 2022, o prazo de entrega do LCDPR será 31 de maio de 2023. Isso significa que quem produz deve ter até o último dia útil de maio (ano receita bruta total) para o envio do documento. Normalmente, o prazo termina em 30 de abril, mas em 2023, foi prorrogado pelo Governo.

Quem for entregar o LCDPR de 2022 já precisa começar a coletar essas informações para apresentar o documento referente a 2023 em 2024. O Livro Caixa deve ser preenchido mês a mês. 

Cada mês deve ser lançado no arquivo modelo do governo, desde o primeiro dia do ano.

No site da Receita Federal, você tem acesso às instruções de preenchimento do LCDPR.
No site da Receita Federal, você tem acesso às instruções de preenchimento do LCDPR.
(Fonte: Receita Federal)

Após pronto, o LCDPR deverá ser assinado digitalmente.  Isso é feito através de um certificado digital válido, emitido por entidade credenciada na ICP — Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira). 

Isso garante a autenticidade do documento digital. Se houver erro no LCDPR enviado, o produtor tem prazo máximo de 5 anos para retificar o arquivo digital do LCDPR. A retificação pode ser apresentada por meio do Portal e-CAC.

O que deve ter no Livro Caixa Digital do Produtor Rural

Informações sobre os responsáveis pela propriedade e dos cadastros do imóvel devem estar presentes. Além delas, outros dados da atividade agrícola devem ser fornecidos. No LCDPR, você precisa preencher o registro Q100 e o registro Q200. 

Veja mais detalhes sobre isso a seguir.

Obrigatoriedade de registros no Livro Caixa Digital do Produtor Rural
Obrigatoriedade de registros no Livro Caixa Digital do Produtor Rural
Fonte: (Receita Federal)

Registro Q100

No Registro Q100 (Demonstrativo do Livro Caixa do Produtor Rural), as seguintes informações são exigidas:

  • Tipo de Lançamento
    • Receita da Atividade Rural
    • Despesas de custeio e investimentos
    • Receita de produtos entregues no ano referente a adiantamento de recursos financeiro
  • Histórico
  • CPF ou CNPJ rural do participante
  • Tipo de Documento
  • Nota Fiscal
  • Fatura
  • Recibo
  • Contrato
  • Folha de Pagamento
  • Outros
    • Valor de entrada dos recursos
    • Valor de saída dos recursos
    • Saldo Final
    • Natureza do Saldo Final (Negativo ou Positivo)
Registro Q100 do livro caixa do produtor rural LCDPR
Registro Q100 do livro caixa do produtor rural LCDPR
Fonte: (Receita Federal)

Registro Q200

Já no Registro Q200, são requeridas as seguintes informações mês a mês:

  • Mês/ano da entrada ou da saída dos recursos
  • Valor total de entrada dos recursos no mês
  • Valor total de saída dos recursos no mês
  • Saldo Final do mês
  • Natureza do Saldo Final (Negativo ou Positivo)
Registro Q200 do livro caixa do produtor rural LCDPR
Registro Q200 do livro caixa do produtor rural LCDPR
Fonte: (Receita Federal)

Repare que nem todos os itens são obrigatórios ainda. Isso pode facilitar o preenchimento neste primeiro momento.

Quais são as multas do LCDPR?

Se você deixar de apresentar o Livro Caixa Digital do Produtor Rural no prazo ou apresentar inadequadamente, poderá receber multas. Penalidades também podem acontecer. As penalidades são a suspensão ou cassação da inscrição de produtor.

As multas, em geral, são:

  • R$ 100 por mês-calendário ou fração, por apresentação fora do prazo;
  • R$ 500 por mês-calendário, por não cumprimento à intimação da Receita Federal para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados;
  • 1,5%, não inferior a R$ 50, do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros. Isso em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inadequada ou incompleta.

O Livro Caixa Digital do Produtor Rural pode ser postergado?

Em 2020, houve uma postergação do prazo em função da pandemia do Coronavírus. Em 2021 não houve nenhuma postergação e, para 2022 (com declaração em 2023), não há nenhuma sinalização de que o prazo inicial seja alterado.

Fique sempre de olho nas atividades do Governo Federal, que começou a se movimentar com os demais Ministérios envolvidos.

Como organizar seus dados para o Livro Caixa Digital

Inicialmente é importante lembrar que não há programa gratuito disponibilizado pelo Governo para gerar o Livro Caixa Digital do Produto Rural. Portanto, o produtor rural deve contratar um software para isso.

São muitas informações e dados da contabilidade agrícola para inserir no livro caixa. Enquanto alguns pensam na quantidade de trabalho a fazer, outros já sabem exatamente o que colocar.

A diferença está na sua gestão agrícola. Para quem costuma registrar a gestão de custos e receitas em um software como o Aegro, o preenchimento do LCDPR será muito mais fácil.

Manter o fluxo financeiro da sua fazenda digitalizado é apenas o primeiro passo para garantir a entrega da obrigação fiscal. A Receita Federal só aceitará registros que atenderem às normas e aos padrões citados nos tópicos anteriores. 

Isso quer dizer que, além de correr atrás dos dados, será preciso ordená-los conforme o layout divulgado pelo governo.

Solução Aegro para o Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR)

5 dicas para declarar o Livro Caixa

Declarar o livro caixa não é uma tarefa fácil, e você precisa ter o máximo de atenção possível. Para te ajudar, separamos 5 dicas que podem facilitar seu trabalho. Acompanhe:

1. Separe os gastos pessoais dos gastos da propriedade agrícola

Isso facilita o preenchimento do LCDPR. Nele, devem constar apenas os lançamentos referentes às atividades rurais.

2. Guarde todos os comprovantes e notas fiscais

Com os documentos em mãos e organizados, fazer os lançamentos é muito mais fácil.

De preferência, organize esses comprovantes por mês. Isso facilitará o momento de declarar o LCDPR, além de você poder adiantar seus lançamentos.

3. Não deixe para fazer os lançamentos perto do prazo

O ideal é fazer todos os lançamentos mensalmente. Afinal, além de o volume de lançamentos ser grande, você consegue acompanhar as movimentações da sua fazenda em tempo real, o que pode te ajudar nas tomadas de decisões.

4. Automatize a sua gestão fiscal

Para evitar inadequações no seu Livro Caixa e consequentes penalidades, invista em ferramentas para automatizar a formatação do documento. O Livro Caixa Digital do Produtor Rural é um recurso existente no Aegro, que facilita todo o seu processo de declaração.

Através do Aegro, você consegue fazer a gestão agrícola, financeira e ainda gerar o arquivo do Livro Caixa para enviar para a Receita Federal.

captura de tela do Anotador no sistema de gestão rural Aegro, documentação do Livro Caixa Digital do Produtor Rural LCDPR
Organização do Livro Caixa no Aegro, com as receitas e despesas de cada mês 

Outra vantagem do sistema é a possibilidade de compartilhar acesso com o seu contador ou com seu consultor financeiro. Assim, ele pode conferir cada lançamento de acordo com a nova normativa. 

Após organizar as informações e fazer os ajustes necessários, basta um clique para gerar o arquivo no formato .txt que deve ser enviado à Receita Federal. Ter o histórico da fazenda e saber para onde seu dinheiro está indo também é fundamental para sua empresa rural.

Essas informações servem para você tomar decisões mais seguras e lucrativas ao longo de toda a safra.

5. Comece com uma planilha gratuita

Se você não possui um controle preciso das suas finanças, disponibilizamos aqui uma planilha gratuita de fluxo de caixa que pode ser útil no dia a dia.

planilha de fluxo de caixa

Mas, para uma gestão agrícola e contabilidade rural ainda mais detalhadas e seguras, você deve usar um software agrícola com maior automatização desses registros.

Fluxo de caixa no software Aegro
Fluxo de caixa fácil, completo e seguro no software Aegro

Ainda não conhece o software agrícola Aegro? Você pode começar a usar o software pelo aplicativo grátis disponível em:

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Conclusão

A entrega do Livro Caixa Digital do Produtor Rural é obrigatória aos produtores que atingirem o limite de faturamento de R$ 4.8 milhões. A entrega deve ser feita até 31 de maio de 2023.

As informações preenchidas no LCDPR serão úteis para a sua declaração do imposto de renda. Portanto, aproveite este momento para colocar em ordem as finanças da fazenda. 

Assim, além de ficar mais fácil preencher o LCDPR nos próximos anos, você terá uma gestão melhor e com decisões muito mais seguras e assertivas.

Como está o seu LCDPR  — Livro Caixa Digital do Produtor Rural? Não deixe de conferir nossa página de materiais gratuitos para acessar planilhas que facilitam a apuração do Livro Caixa!