Atualizado em 06 de julho de 2022.
Adubação foliar: o que é, como ocorre a absorção dos nutrientes, quais os cuidados necessários, vantagens e desvantagens.
O adubo foliar serve para complementar a nutrição das plantas. Nesse caso, os fertilizantes são aplicados via foliar, ou seja, pulverizados sobre as folhas.
Os adubos foliares fornecem macro e micronutrientes para as plantas. Afinal, assim como as raízes, as folhas têm a capacidade de absorver nutrientes.
Neste artigo, saiba o que é adubação foliar, quando aplicar fertilizante foliar e detalhes sobre o processo em milho e soja. Boa leitura!
O que é adubação foliar?
A adubação foliar é uma estratégia para que os nutrientes sejam absorvidos pela parte aérea das plantas, principalmente pelas folhas. Já na adubação via solo, os adubos químicos e/ou orgânicos são incorporados ao solo, e a absorção dos nutrientes é feita pelas raízes das plantas.
A adubação foliar garante uma rápida resposta das plantas, além de contribuir para o aumento da produtividade. Micronutrientes como zinco, ferro, cobre e boro são absorvidos rapidamente através desse tipo de adubação, o que ajuda no desenvolvimento da planta.
Vale lembrar que a recomendação de adubação via foliar sempre deve ser orientada pelo resultado da análise das folhas das plantas. Somente pela análise foliar é possível verificar a deficiência ou a toxicidade de nutrientes.
De modo geral, os fertilizantes são classificados em orgânicos e inorgânicos. Como o próprio nome diz, os adubos orgânicos são derivados da matéria orgânica como resíduos de plantas e esterco animal.
Já os inorgânicos são produzidos quimicamente e compreendem a maior parte dos fertilizantes utilizados hoje em dia.

Estrutura de uma folha: em destaque a cutícula (parte adaxial) e os estômatos (parte abaxial)
(Fonte: Adaptado de Agrolink)
Absorção dos nutrientes pelas folhas das plantas
O processo de absorção dos nutrientes pelas folhas começa quando a solução fertilizante foliar entra em contato com a superfície foliar. A penetração dos nutrientes nas folhas ocorre pelos estômatos e, principalmente, pelos poros através da cutícula.
A cutícula é uma camada que recobre toda a superfície da folha e tem a função de evitar a perda de água. Depois de atravessar a cutícula, os nutrientes se movimentam pelo apoplasto e pelo simplasto.
Por fim, ocorre a distribuição dos nutrientes das folhas para as outras partes da planta.
Esse processo depende do movimento dos nutrientes no floema e no xilema. Alguns nutrientes apresentam maior mobilidade que outros.
Como usar fertilizante foliar
Na utilização dos adubos foliares é muito importante se atentar a fase fenológica da cultura em que será realizada a aplicação. Os nutrientes precisam ser fornecidos no período em que as plantas são mais exigentes.
Somente assim será possível observar ganhos na produtividade.
Além disso, é preciso sempre seguir as recomendações do fabricante do produto e do profissional responsável pela adubação foliar. Cada produto apresenta dosagem, diluição e modo de aplicação específico.
Para garantir maior eficiência na aplicação dos adubos foliares se atente à qualidade da água utilizada. Cuide também do horário em que será realizada a prática de manejo e dos bicos de pulverização. Isso garante que toda a área foliar seja recoberta pelas gotas.
Tipos de fertilizantes foliares e quando aplicá-los
O adubo foliar pode ser aplicado em diferentes situações e em diferentes fases fenológicas da cultura. É importante que ele seja fornecido nas fases de maior exigência nutricional.
Além disso, existem três principais tipos de adubação foliar. Os fertilizantes foliares podem ser aplicados de forma preventiva, corretiva e complementar.
A adubação preventiva, como o próprio nome diz, é realizada de forma antecipada para evitar o aparecimento de deficiência nutricional nas plantas.
Já na adubação corretiva, os adubos são fornecidos com o objetivo de corrigir alguma deficiência nutricional. É importante que a recomendação seja feita tendo como referência a análise foliar.
A adubação complementar é realizada para complementar a adubação via solo. Vale lembrar que a adubação foliar não substitui a adubação via solo.
O que considerar para fazer aplicações de adubo foliar
A adubação via solo fornece os principais macronutrientes para a planta de forma bastante eficiente. Esse é o exemplo do NPK, composto por nitrogênio, fósforo e potássio.
Entretanto, durante o ciclo da cultura, pode haver deficiência de certos micronutrientes essenciais. Por exemplo, boro, zinco e manganês.
Os fertilizantes foliares aplicados sobre as folhas são mais rapidamente assimilados pela planta do que via solo. Porém, seu aproveitamento é de curto prazo.
Portanto, é importante que os nutrientes sejam aplicados nas fases fenológicas em que a planta tem maior capacidade de resposta à adubação. Isso garante um aumento da produtividade.
É importante que você saiba que a adubação foliar é utilizada de forma associada à aplicação via solo. Uma prática não substitui a outra: elas são complementares, de modo a atender a demanda das plantas por nutrientes.
Também é interessante ressaltar que sempre deve ser respeitado o modo de aplicação dos produtos e a dosagem recomendada. Adubos foliares não devem ser aplicados via solo e vice-versa.
Fatores que influenciam a eficiência do adubo foliar
Alguns aspectos externos e internos das plantas devem ser considerados para que você tenha eficiência na aplicação de adubo foliar.
Fatores externos
Os fatores externos são a molhabilidade da superfície da folha, a temperatura e a umidade relativa do ar, luz e pH da solução.
- Molhabilidade da superfície foliar: Para que o nutriente seja absorvido pela planta, é necessário que a solução atinja a superfície foliar. Para isso, deve-se ter bastante investimento na tecnologia de aplicação do fertilizante foliar, com bicos específicos, e uso de umectantes e espalhantes.
- Temperatura e umidade relativa do ar: Os períodos mais favoráveis para realizar a adubação foliar são pela manhã e fim da tarde. Umidade relativa alta e temperaturas amenas favorecem a absorção foliar.
- Luz: A maioria das plantas abre seu estômato na luz e fecha no escuro. Por isso, é imprescindível que a aplicação seja realizada com boa intensidade luminosa.
- pH da solução: Recomenda-se utilizar o pH para cada nutriente específico. Mas, de uma forma geral, utiliza-se a solução nutritiva com pH entre 5 e 6.
Fatores internos
Os fatores internos são a superfície foliar, a idade da folha e o estado iônico interno.
- Superfície foliar: Cutícula mais fina, alto número de estômatos e presença de pilosidade podem aumentar a superfície de contato e favorecer a absorção dos nutrientes. É essencial que a adubação foliar cubra tanto a parte superior quanto a inferior das folhas.
- Idade da folha: Absorção dos nutrientes é maior em folhas mais novas, pois nas folhas mais velhas a camada de cutícula é mais grossa o que interfere na absorção. As folhas mais novas também têm maior atividade metabólica e absorvem os nutrientes mais rapidamente.
- Estado iônico interno: Plantas com deficiência de algum nutriente tendem a absorver mais rápido a molécula aplicada. Por isso, analisar se realmente há deficiência vai lhe garantir a aplicação correta.
Vantagens e desvantagens da adubação foliar
Como qualquer prática, a adubação foliar apresenta algumas vantagens e desvantagens. Confira a seguir.
Vantagens
Uma das vantagens da adubação foliar é a rápida resposta das plantas quando da utilização desses produtos.
A adubação foliar também apresenta maior uniformidade de distribuição dos nutrientes. Isso, é claro, quando comparada à aplicação de fertilizantes granulados via solo.
Além disso, a adubação foliar é indicada para situações em que a adubação via solo apresenta condições adversas, como solo encharcado e períodos de seca.
Desvantagens
Uma desvantagem da adubação foliar se refere ao baixo efeito residual dessa prática.
É interessante que ela seja realizada juntamente com a aplicação de outros produtos para evitar o aumento dos custos de produção.
Dependendo da dosagem e das condições ambientais em que a adubação foliar for realizada, pode ocorrer a queimadura das folhas e de plantas jovens.
Por isso, para evitar problemas, sempre siga as recomendações da bula dos produtos e do engenheiro agrônomo responsável.
Adubação foliar no milho e na soja
Adubo foliar para milho
A adubação do milho através das folhas é realizada, principalmente, no período vegetativo. Isso ocorre durante a fase inicial de desenvolvimento das plantas (estádio V4 e V7).
A adubação via foliar é feita com o objetivo de corrigir as deficiências nutricionais. Elas podem ser detectadas pelo diagnóstico visual.
No entanto, é importante ressaltar que os sintomas visuais de deficiência nutricional podem ser facilmente confundidos com outros fatores. Por exemplo, o ataque de doenças e distúrbios fisiológicos das plantas.
Adubo foliar para soja
A adubação foliar em soja é bastante eficiente, porque a cultura é muito exigente em nutrientes. No entanto, a quantidade de nutrientes fornecidos na adubação foliar não substitui a adubação via solo.
Os nutrientes mais exigidos pela soja são nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, magnésio e enxofre.
Na cultura da soja, o período de maior exigência nutricional vai do aparecimento da primeira folha trifoliada totalmente desenvolvida até o início do enchimento dos grãos (V2 até R5).
Conclusão
O uso de adubação foliar pode ser um grande aliado na sua cultura. Mas não é uma prática para substituir e sim para complementar a adubação via solo, quando necessário.
Neste artigo, vimos que alguns fatores internos e externos podem comprometer a eficiência do fertilizante foliar. Por isso, fique de olho!
Não se esqueça de considerar todos os fatores vistos aqui para fazer a aplicação de adubo foliar na sua área! E na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).
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Você já fez adubação foliar em sua lavoura? Quais foram os resultados? Deixe seu comentário!
Atualizado em 06 de julho de 2022 por Tatiza Barcellos.
Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.