Tributação no agronegócio: Tudo o que você precisa saber para 2025

A tributação no agronegócio brasileiro está em constante evolução, e 2025 promete ser um ano de transformações importantes para produtores rurais e empresas do setor.

Com a Reforma Tributária em andamento e novas regras sendo implementadas, entender os impostos aplicáveis, o melhor regime tributário e as obrigações fiscais se tornou ainda mais importante para garantir conformidade e otimizar os custos operacionais.

Muitos produtores ainda têm dúvidas sobre como a tributação da atividade rural funciona e quais impostos devem ser pagos.

Além disso, a escolha do regime tributário influencia diretamente a rentabilidade do negócio, tornando o planejamento tributário agrícola essencial para evitar imprevistos e garantir uma gestão eficiente.

Como funciona a tributação no Agronegócio?

O agronegócio brasileiro tem características fiscais próprias, que engloba desde pequenos produtores até grandes exportadores. A tributação varia conforme o tamanho da produção, o regime tributário escolhido e o destino da mercadoria.

Atualmente, o setor pode ser tributado pelo Lucro Real, Lucro Presumido ou pelo regime do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), no caso dos produtores rurais pessoa física.

Ainda existem contribuições previdenciárias, como o Funrural, e tributos incidentes sobre a comercialização da produção, como ICMS, PIS e COFINS.

Com a Reforma Tributária em andamento, novas regras começam a ser implementadas, incluindo a criação de dois novos tributos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Esses impostos substituirão tributos atuais e prometem simplificar o sistema fiscal, mas exigem adaptação por parte dos produtores e das empresas do setor.

Qual o melhor regime tributário para o Produtor Rural?

A escolha do regime tributário deve considerar o faturamento anual, as despesas operacionais e os benefícios fiscais disponíveis. Entre as opções mais comuns para o setor estão:

  • Imposto de Renda Pessoa Física: Para produtores rurais pessoa física, a tributação é baseada no resultado da atividade rural. Se houver prejuízo, ele pode ser compensado nos anos seguintes;
  • Lucro Presumido: Indicado para empresas do setor que têm margens de lucro previsíveis e desejam um modelo simplificado de tributação;
  • Lucro Real: Obrigatório para grandes empresas do agronegócio, esse regime exige um controle rigoroso das receitas e despesas, mas permite maior planejamento tributário.

Avaliar qual regime oferece o melhor equilíbrio entre carga tributária e conformidade fiscal, que são necessários para evitar pagamento de impostos desnecessários e garantir a sustentabilidade financeira da propriedade.

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Quais são os impostos que o Produtor Rural paga?

O agronegócio, assim como outros segmentos, enfrenta diversos desafios fiscais que podem afetar diretamente a rentabilidade das empresas.

Entre os desafios, podemos citar a complexidade do sistema tributário brasileiro, que muitas vezes dificulta o cumprimento das obrigações fiscais e gera custos adicionais para as empresas.

Dessa forma, conhecer os impostos pagos pelo agronegócio é a base para o produtor rural planejar e controlar os custos de produção, bem como garantir a conformidade fiscal perante as obrigações tributárias. Confira os tributos que incidem sobre os negócios do agronegócio.

1. ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços )

O ICMS é um imposto de responsabilidade estadual, que incide sobre a circulação de mercadorias e a prestação de serviços de comunicação e transporte interestadual e intermunicipal.

No agronegócio, este importo é aplicado nas operações de venda de produtos agrícolas e pecuários, bem como na aquisição de insumos e maquinários. A parte boa, é que você consegue recuperar parte do valor do ICMS.

2. PIS e COFINS

O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) são tributos federais que incidem sobre a receita bruta das empresas.

Esses impostos são aplicados tanto na venda de produtos como na prestação de serviços no agronegócio, com alíquotas e regimes tributários específicos, dependendo do tipo de atividade e faturamento da empresa.

3. IRPJ e CSLL

O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também são tributos federais que incidem sobre o lucro das empresas.

No agronegócio, são calculados em empresas com enquadramento tributário de lucro real, presumido ou arbitrado.

4. ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural)

O ITR é um imposto federal que incide sobre a propriedade rural e é calculado com base no valor da terra nua (VTN). A alíquota varia conforme o grau de utilização da propriedade e o tamanho da área.

O pagamento deve ser realizado no último dia útil para a entrega da DITR (Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). 

São isentos do pagamento desse imposto: terras com algum tipo de proteção ambiental, pequenas glebas rurais de até 30 hectares, instituições sem fins lucrativos de educação e assistência social.

5. FUNRURAL

O Funrural é semelhante ao INSS, porém essa contribuição previdenciária é voltada apenas para trabalhadores rurais.

O Fundo é obrigatório e apurado com base na folha salarial ou receita bruta da comercialização de produtos rurais.

Contribuição previdenciária obrigatória para produtores, sendo 1,5% sobre a receita bruta para pessoa física e 2,5% para pessoa jurídica.

A alíquota relacionada à folha salarial gira em torno de 23% enquanto na comercialização de produtos há alíquotas diferentes entre pessoas físicas e jurídicas.

Para saber qual a mais adequada para o seu negócio, é necessário realizar os cálculos juntamente com uma projeção de vendas.

Divulgação do kit de gestão financeira da fazenda. na lateral direita, uma foto com cédulas de real, calculadora e caneta

Mudanças na Tributação Rural em 2025

Com as mudanças na estrutura tributária previstas para os próximos anos, os produtores rurais precisam se preparar para entender e se adaptar às novas regras.

Essas alterações podem impactar diretamente a gestão financeira, tornando necessário o acompanhamento de perto de alguns pontos, como:

  • Substituição de Tributos: O PIS e a COFINS serão extintos e darão lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que terá uma alíquota unificada e regras mais simples de apuração.
  • Criação do IBS: O ICMS estadual e o ISS municipal serão substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), arrecadado de forma compartilhada entre os estados e municípios.
  • Benefícios Fiscais Mantidos: A isenção de tributos sobre exportação e a redução de alíquotas para insumos agrícolas continuam garantidas, favorecendo a competitividade do setor.
  • Obrigatoriedade da NF-e para Produtores: A partir de 2025, produtores rurais com faturamento superior a R$ 360 mil anuais deverão emitir Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), substituindo gradativamente os talonários físicos.

Essas mudanças exigem que produtores fiquem atentos às novas regras, já que qualquer erro no cálculo ou no recolhimento dos tributos pode gerar penalidades.

Como controlar os impostos rurais e reduzir custos?

Com a complexidade das obrigações tributárias no agronegócio, desde a escolha do regime adequado até o correto recolhimento de impostos, é importante adotar estratégias que otimizem esse processo.

Para ajudar nisso, separamos algumas práticas que podem ajudar a manter a saúde financeira da propriedade e evitar problemas com o Fisco. Confira:

  • Registrar todas as receitas e despesas: O uso do Livro Caixa do Produtor Rural é obrigatório para quem deseja apurar corretamente o imposto devido e deduzir despesas operacionais;
  • Utilizar softwares de gestão agrícola: Ferramentas especializadas, como softwares de gestão de fazendas, ajudam no planejamento tributário, organizando documentos fiscais e automatizando cálculos de impostos;
  • Fazer o planejamento tributário: Com o auxílio de um contador especializado, o produtor pode avaliar quais tributos podem ser reduzidos ou compensados dentro da lei;
  • Acompanhar as mudanças na legislação: Estar atualizado sobre as alterações na tributação da atividade rural é ótimo para evitar penalidades e aproveitar incentivos fiscais.

Como um software de gestão ajuda na tributação do agronegócio?

 A utilização de um software de gestão pode facilitar o cálculo dos impostos e a geração das obrigações acessórias exigidas pela Receita Federal.

Com a centralização das informações financeiras, é possível acompanhar a previsão de impostos e evitar o pagamento indevido de tributos, garantindo uma gestão fiscal mais estratégica.

A integração com órgãos fiscais, como a Secretaria da Fazenda, permite o registro automático de entradas e saídas financeiras, facilitando a escrituração fiscal e minimizando riscos de inconformidade.

Outro ponto importante é a gestão do Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), que, ao armazenar e organizar receitas, despesas e comprovantes, torna a prestação de contas ao Fisco mais prática e reduz riscos de inconsistências com a Receita Federal.

Manter a conformidade fiscal, principalmente com a ajuda de um software, também é importante para a imagem da empresa perante clientes, fornecedores e parceiros, transmitindo confiança e solidez

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Nutrição do solo: Qual o impacto na lavoura?

O solo é a base da produção agrícola e sua qualidade está diretamente ligada ao sucesso das lavouras. Entre os fatores que influenciam a produtividade das culturas, a nutrição do solo ocupa um papel de destaque, fornecendo os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas. 

Um solo equilibrado não só garante o fornecimento adequado de nutrientes, mas também contribui para a fertilidade do solo, promovendo uma maior eficiência no uso de insumos agrícolas e reduzindo impactos ambientais.

Um solo bem nutrido apresenta características químicas, físicas e biológicas adequadas para o desenvolvimento radicular e a absorção eficiente dos nutrientes. 

Identificar e corrigir deficiências nutricionais exige um conhecimento aprofundado sobre o processo de nutrição do solo e práticas de manejo que garantam um equilíbrio sustentável.

O que é nutrição do solo?

A nutrição do solo se refere à disponibilidade e ao balanço de nutrientes necessários para o crescimento das plantas. 

Um solo bem nutrido fornece os elementos essenciais para que as plantas completem seu ciclo de desenvolvimento, garantindo um bom desempenho agrícola. 

O padrão de nutrição do solo é determinado pelo equilíbrio entre os nutrientes disponíveis e a necessidade das culturas.

O cuidado envolve o manejo equilibrado de insumos agrícolas, práticas conservacionistas e a adoção de estratégias para melhorar a fertilidade do solo

Esse conjunto de técnicas contribui para a saúde do ecossistema agrícola e para o aumento da eficiência da produção.

Além disso, o solo pode armazenar até 25.000 kg de matéria orgânica por hectare em condições ideais. Essa matéria orgânica é importante para a fertilidade e nutrição do solo, por melhorar a retenção de umidade, disponibilizando nutrientes e estimulando a atividade microbiana.

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Quais são os nutrientes para o solo?

Os nutrientes essenciais para o solo são divididos em macronutrientes e micronutrientes, ambos fundamentais para o desenvolvimento saudável das plantas, sendo eles:

Macronutrientes:

  • Primários: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K);
  • Secundários: Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S).

Micronutrientes:

  • Boro (B): Usado para a germinação do pólen e desenvolvimento celular;
  • Cloro (Cl): Ajuda na regulação osmótica e equilíbrio hídrico;
  • Cobre (Cu): Auxilia na fotossíntese e na formação de enzimas;
  • Ferro (Fe): Essencial para a produção de clorofila;
  • Manganês (Mn): Participa da fotossíntese e da ativação enzimática;
  • Molibdênio (Mo): Necessário para a fixação biológica do nitrogênio;
  • Zinco (Zn): Importante para a produção de hormônios de crescimento.

Esses elementos tem funções vitais para a formação e desenvolvimento das plantas, principalmente para a fertilidade e nutrição do solo. A ausência ou excesso de qualquer um deles pode comprometer o desempenho das culturas e reduzir a produtividade.

Quais são os 3 tipos de fertilidade do solo?

A fertilidade não é algo estático, podendo ser classificada de diferentes maneiras, dependendo das condições e do manejo do solo.

Existem três tipos principais de fertilidade, cada uma influencia diretamente o desenvolvimento das culturas e deve ser entendido para aumentar a produtividade das lavouras. Veja mais detalhes a seguir:

  • Fertilidade química: Relacionada à presença de nutrientes no solo e à sua disponibilidade para as plantas. Solos bem equilibrados quimicamente favorecem a absorção eficiente dos nutrientes pelas raízes.
  • Fertilidade física: Diz respeito à estrutura do solo, como a porosidade, aeração e capacidade de retenção de água, que influenciam diretamente o crescimento radicular.
  • Fertilidade biológica: Atividade dos microrganismos benéficos presentes no solo, que auxiliam na decomposição da matéria orgânica, na fixação biológica de nitrogênio e na disponibilização de nutrientes essenciais para as plantas.

Como são classificados os nutrientes do solo?

Os nutrientes do solo são classificados em dois grupos principais, com base na quantidade em que as plantas precisam, e quanto à sua função no crescimento das plantas. Veja abaixo:

  • Essenciais: Fundamentais para o ciclo de vida da planta.
  • Benéficos: Melhoram o crescimento, mas não são essenciais.

A análise de nutrição de solo auxilia na identificação dos teores desses elementos e na aplicação adequada de fertilizantes.

A correta interpretação dos resultados permite ajustes específicos para cada cultura, otimizando o uso dos insumos agrícolas.

Cada nutriente tem um papel específico no desenvolvimento da planta, e a disponibilidade deles no solo é necessária para garantir uma boa produtividade agrícola.

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Como saber se o solo está nutrido?

A melhor forma de avaliar a nutrição do solo é por meio da análise de solo. Esse procedimento indica os níveis de nutrientes e permite correções adequadas com fertilizantes e corretivos. A interpretação correta dos resultados auxilia no ajuste do padrão de nutrição do solo.

Além da análise laboratorial, observações em campo, como a coloração das folhas, o desenvolvimento radicular e o crescimento uniforme da cultura, são indicativos do estado nutricional do solo.

1. Análise de Solo

A maneira mais precisa de saber se seu solo está nutrido é por meio de uma análise de solo, que envolve a coleta de amostras de diferentes partes da lavoura e o envio para um laboratório especializado. A análise indica informações sobre:

  • Níveis de nutrientes (macronutrientes e micronutrientes);
  • pH do solo (acidez ou alcalinidade);
  • Capacidade de troca catiônica (CTC), que indica a capacidade do solo de reter nutrientes;
  • Teor de matéria orgânica.

Com base nos resultados, você pode determinar se o solo está carente de algum nutriente e qual tipo de correção (como a aplicação de fertilizantes ou calagem) é necessária.

2. Observação das Plantas

A saúde das plantas é um reflexo direto da qualidade do solo e caso apresentem sintomas ou aparência incomum, pode ter certeza que alguma coisa está faltando. Fique atento se você notar:

  • Amarelecimento das folhas (indica possível deficiência de nitrogênio, ferro ou enxofre)
  • Folhas murchas ou retorcidas (pode ser falta de potássio ou cálcio)
  • Crescimento fraco ou plantas anãs (pode indicar deficiência de fósforo ou outros nutrientes)

Esses sinais podem indicar que o solo não está nutrido corretamente, ou que a nutrição não está sendo absorvida eficientemente.

3. Testes de pH

O pH do solo influencia a disponibilidade de nutrientes para as plantas e, se estiver muito baixo (ácido) ou muito alto (alcalino), indica que alguns nutrientes estão menos acessíveis.

O nível de pH ideal varia de acordo com a planta cultivada, mas a faixa entre 6 e 6,5 é considerada ideal para a maioria das culturas.

4. Quantidade e Qualidade da Matéria Orgânica

A presença de matéria orgânica no solo é um bom indicador de nutrição, por conta da decomposição que libera ótimos nutrientes para as plantas e melhora a estrutura do solo, facilitando a retenção de água e aeração.

Se seu solo parecer empobrecido ou sem matéria orgânica visível, ele pode precisar de uma adição de composto ou esterco.

5. Índices de Fertilidade

Alguns índices, como a Capacidade de Troca Catiônica (CTC), podem fornecer informações sobre a capacidade do solo de reter nutrientes.

Os solos com alta CTC geralmente têm uma maior capacidade de armazenar nutrientes e são considerados mais férteis.

6. Uso de Fertilizantes

Se você tem aplicado fertilizantes de forma equilibrada, mas ainda percebe que as plantas não estão respondendo como esperado, ou precisa usar grandes quantidades de produto, pode ser um sinal de desequilíbrio de nutrientes no solo.

Esse problema pode estar relacionado a fatores como pH inadequado, antagonismo entre nutrientes ou deficiência de matéria orgânica. Para identificar a causa com precisão e corrigir de forma eficiente, é preciso fazer a análise do solo.

7. Microrganismos do Solo

A presença de microrganismos saudáveis no solo também é um bom sinal de nutrição adequada, por ajudarem na decomposição de matéria orgânica e na liberação de nutrientes.

A atividade microbiológica pode ser verificada de forma indireta, por exemplo, pela presença de minhocas, que são indicadores de um solo bem nutrido e equilibrado.

Com essas práticas, você consegue avaliar a nutrição do seu solo com eficiência e tomar as medidas corretivas necessárias para garantir um bom desenvolvimento das suas culturas.

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Processo de nutrição do solo

O processo de nutrição do solo envolve uma série de práticas que garantem a disponibilidade adequada de nutrientes para as plantas, promovendo um ambiente mais saudável e sustentável. Com isso, são feitos alguns passos, como:

  1. Análise do solo: Determina as condições químicas, físicas e biológicas;
  2. Correção do solo: Uso de calcário, gesso e outros corretivos para ajustar a fertilidade;
  3. Adubação: Aplicar fertilizantes conforme a necessidade da cultura;
  4. Rotação de culturas: Melhora a estrutura e a fertilidade do solo;
  5. Manejo da matéria orgânica: Uso de adubos verdes e cobertura morta para fortalecer o processo de nutrição do solo;
  6. Monitoramento contínuo: Acompanhamento regular dos níveis de nutrientes para ajustes precisos e sustentáveis.

A fertilidade e a nutrição do solo estão diretamente conectadas. Um solo bem nutrido oferece melhores condições para o desenvolvimento das plantas, resultando em maior produtividade e eficiência no uso dos recursos.

Além disso, a fertilidade do solo vai além da simples presença de nutrientes, dependendo da capacidade do solo de reter e disponibilizar esses elementos para as plantas de maneira equilibrada.

Usar estratégias que melhoram a estrutura do solo, aumentam sua capacidade de retenção de água e nutrientes e favorecem a atividade biológica, garantindo um ambiente produtivo e sustentável.

Principais espécies de Brachiaria e características

A brachiaria já foi sinônimo de alimentação para o gado. Mas o papel dessa gramínea vai muito além de oferecer só forragem aos rebanhos. 

Além de melhorar a sanidade do solo e traz ganho de produtividade para outras culturas, principalmente grãos.

Mas quando é a melhor época para semear a forrageira? Quais espécies são as mais indicadas para proteção do solo, palhada ou alimento para o gado? Confira esses e outros pontos no artigo a seguir!

O que é uma Brachiaria?

A Brachiaria é um tipo de gramínea tropical usada em pastagens e na agricultura, como uma forma de melhorar a qualidade do solo

As espécies desse gênero, como Brachiaria brizantha, Brachiaria decumbens e Brachiaria ruziziensis, são conhecidas por sua resistência, alta produtividade e capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas e tipos de solo.

Essas gramíneas ainda ajudam na fixação de carbono e no aumento da matéria orgânica no solo, o que contribui para a melhoria da sua fertilidade.

Alguns tipos de Brachiaria também utilizados na recuperação de áreas degradadas e em sistemas de integração lavoura-pecuária, gerando  benefícios no controle da erosão, aumento da cobertura do solo e aumento da produtividade das pastagens.

Qual a importância da Brachiaria para o agronegócio?

Introduzidas nas décadas de 1950 e 60, as espécies do gênero Brachiaria são as principais plantas forrageiras utilizadas no Brasil atualmente. 

Com alta persistência em solos ácidos, a introdução do braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu) em 1965 foi a responsável por intensificar a bovinocultura de corte no país.

As espécies do gênero Brachiaria são nativas do continente africano e, salvo algumas diferenças que veremos a seguir, são todas originárias das savanas. Isso mostra seu enorme potencial e adaptabilidade ao nosso clima tropical e ao nosso cerradão.

A intensificação da pecuária de corte no Brasil foi impulsionada pela Brachiaria, que aumentou a produtividade e a capacidade de suporte das pastagens, elevando a taxa de lotação de 0,3 UA/ha para 1,5 UA/ha. 

Esse aumento de produtividade ajudou o Brasil a se tornar o maior produtor de carne bovina do mundo, com a Brachiaria ocupando 80% das pastagens do país.

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Quais são os tipos de Brachiaria?

Entre as principais espécies de Brachiaria se destacam a B. brizantha, a B. decumbens, B. ruziziensis e a B. humidicola.

Apesar das mais de 80 espécies do gênero, esses 4 tipos têm a maior importância econômica no Brasil e representam 80% das pastagens cultivadas no país.

A B. brizantha é de longe a mais utilizada, correspondendo por 50% das pastagens brasileiras atualmente, com três cultivares bem consolidados:

  • Cv. Marandu, famoso Braquiarão;
  • Cv. Piatã, lançado pela Embrapa em 2007;
  • Cv. Xaraés, lançado pela mesma empresa no ano de 2003.

Já com as espécies de Brachiaria decumbens temos a famosa braquiarinha cultivar Basilisk. Importada da Austrália na década de 60, dominou as pastagens brasileiras até a chegada do cv. Marandu. Alcançam até 70 cm de altura.

A espécie B. humidicola se divide em três cultivares: o cv. Lianero, o cv. Comum e o cv. Tupi. Enquanto a B. ruziziensis apresenta um cultivar de maior importância, o cv. Kennedy e um híbrido entre B. decumbens e B. ruziziensis muito utilizado atualmente, o cv. Mulato 2.

Como identificar uma Brachiaria?

A Brachiaria é usada, principalmente, nas áreas de pastagem e integração lavoura-pecuária, por conta da sua adaptação. 

Identificar essas plantas requer atenção a algumas das suas características, como o hábito de crescimento, o tipo de folha e a inflorescência. Confira:

  • Hábito de Crescimento: A Brachiaria geralmente cresce em touceiras, podendo ser ereta ou semi-ereta, dependendo da cultivar. Algumas espécies, como a Brachiaria decumbens, têm crescimento prostrado.
  • Folhas: As folhas da Brachiaria são estreitas, finas e podem ter bordas serrilhadas ou lisas, dependendo da variedade. A Brachiaria brizantha, por exemplo, possui folhas mais largas e com uma coloração verde-vibrante.
  • Crescimento Vegetativo: Apresenta estolões (ramificações que crescem horizontalmente ao longo do solo) em algumas espécies, como a Brachiaria decumbens, o que ajuda na cobertura do solo.
  • Tamanho: A altura pode variar dependendo da espécie, mas a maioria das Brachiarias tem uma altura entre 50 cm e 1,5 metros.
  • Inflorescência: As flores das Brachiarias são pequenas e formam uma inflorescência do tipo panícula, geralmente com várias ramificações. A cor da flor pode variar, mas em geral são de coloração esbranquiçada a amarelada.
  • Sementes: As sementes de Brachiaria são pequenas, geralmente de cor marrom ou preta, e com características específicas de cada cultivar.

Estabelecimento da forrageira após a sobressemeadura, ainda em consórcio com a soja

(Fonte: Embrapa)

Importância da Brachiaria para o plantio direto

Diante do nosso clima tropical, a brachiaria tem um papel fundamental para a adoção do sistema de plantio direto

Apesar de não ser a única alternativa para a produção de palha, ela se destaca pelas características rústicas e pela alta produção de biomassa, com relação C/N mais adequada para a persistência no solo.

A gramínea pode entrar de duas formas no sistema de produção:

  • Semeada em monocultivo após a primeira safra;
  • Consorciada na segunda safra.

Em ambos os casos, a semeadura da brachiaria deve ser realizada durante o período da segunda safra. Isso porque, pelas características do gênero, ela não apresenta crescimento expressivo em baixas temperaturas.

Entre as duas maneiras de incluir a brachiaria no SPD, o consórcio é o mais técnico, mas divide opiniões. Diante disso, trataremos dessa técnica um pouco mais a fundo.

Consórcio com brachiaria

O consórcio de forrageiras, como a brachiaria, com culturas graníferas, teve início com o Sistema Barreirão da Embrapa. 

O sistema consistia no cultivo de arroz de sequeiro consorciado com a forrageira, buscando amenizar custos de renovação da pastagem.

Nessa técnica, o solo passava por um preparo pesado, sem o uso do plantio direto. A ideia era corrigir o perfil do solo em profundidade, reformando a pastagem degradada, sem a intenção de rotacionar a área com agricultura.

Anos depois, a Embrapa lançou o Sistema Santa Fé, que incluiu os princípios do plantio direto ao consórcio e preconizou a rotação entre pastagem e agricultura na área.

A partir disso, o uso de culturas como milho e sorgo no consórcio com brachiaria cresceu exponencialmente, pois muitos experimentos mostraram a manutenção da produtividade dessas culturas na presença da brachiaria.

Integração Lavoura-Pecuária

O uso da integração entre lavoura e pecuária vem aumentando no Brasil nos últimos anos. 

Assim, os pecuaristas buscam reduzir os custos de renovação da pastagem. Já os agricultores visam a diversificação da propriedade e até a renda de uma terceira safra!

Essa técnica, é possível ter uma  safra de verão com soja, por exemplo, uma safrinha de milho ou sorgo consorciado à brachiaria e, após a colheita da safrinha, o gado entra na jogada até o plantio da próxima safra.

Nesse caso, a utilização de capins mais rústicos e produtivos, como o capim Marandu ou Piatã, são as melhores opções.

No entanto a “safrinha de boi”, como ficou conhecida pelos divulgadores da técnica, não é obrigatória, você pode rotacionar as áreas da fazenda entre agricultura e pasto.

Além disso, a forrageira pode entrar de outra maneira no sistema de produção, com a técnica da sobressemeadura da brachiaria na soja, realizada entre a fase de enchimento de grãos e o início da maturação (R5 a R7).

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Características das brachiarias e manejo dos sistemas

Cada cultivar das brachiarias tem suas características específicas, que determinam seu uso e manejo adequado. 

A escolha depende de fatores como resistência a pragas, capacidade de adaptação ao clima e solo, além da produtividade e tolerância ao pastejo. Confira a seguir: 

1. Brachiaria brizantha

A Brachiaria brizantha é uma planta forrageira perene de crescimento ereto ou semi ereto, originária da África. 

Adaptada a altitudes de 80 a 2.000 m e precipitação de 500 a 2.500 mm anuais, tolera solos com pH entre 4 e 8, demonstrando alta capacidade de adaptação.

Introduzida no Brasil em 1967, a cultivar Marandu (braquiarão) se destacou pela produtividade, resistência à cigarrinha-das-pastagens e boa digestibilidade. 

Novas cultivares surgiram posteriormente, como Xaraés (2003) e Piatã (2007), ampliando as opções para pastagem.

Cultivares Principais
MaranduXaraésPiatã
Altura de 1 a 1,5 mCrescimento ereto, altura de 1,5 mPorte médio (0,8 a 1 m)
Boa adaptação ao clima tropicalAlta produtividade e prolongamento do pastejo na secaProdução entre 17 e 20 t de matéria seca/ha
Alta produção (até 20 t de matéria seca/ha)20% mais capacidade de suporte que MaranduBoa resistência às cigarrinhas 
Resistente à cigarrinha e livre de fotossensibilidadeSuscetível à mela das sementes e cigarrinhasTolerância moderada a solos mal drenados
Manejo com 20 cm (pastejo contínuo) ou 25 cm/15-18 cm (pastejo rotacionado)Manejo com 25 cm (pastejo contínuo) ou 30 cm/15-20 cm (pastejo rotacionado)Manejo com  35 cm (pastejo rotacionado)

As cultivares de Brachiaria brizantha são adequadas para integração lavoura-pecuária, com recomendação de menor densidade de plantas (6 a 12 plantas/m²) quando consorciadas com milho, a fim de evitar perda de produtividade. 

Para dessecação, as plantas podem apresentar resistência moderada ao glifosato, sendo indicada a aplicação de 3 a 4 L/ha.

2. Brachiaria decumbens

A Brachiaria decumbens cv. Basilisk é uma das gramíneas tropicais mais cultivadas, desde a expansão para o Brasil entre 1968 e 1974.

Sua adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade favorece o estabelecimento e competição com a vegetação nativa. 

Com crescimento prostrado (50-100 cm), alta emissão de estolões e folhas curtas e eretas, é resistente a curtos períodos de seca (mínimo de 800 mm de água/ano), mas não tolera solos encharcados.

Produz entre 8 e 10 toneladas de matéria seca/ha/ano, sendo 80% no período chuvoso e suas sementes têm dormência de até 12 meses, dificultando a erradicação.

Brachiaria e Cobertura do Solo

A Brachiaria decumbens é eficiente na cobertura do solo, seja consorciada com milho/sorgo ou semeada sobre a soja. 

No entanto, sua difícil erradicação e dormência prolongada tornam seu controle desafiador, enquanto outras espécies, como a ruziziensis, podem ser mais indicadas para essa função.

Embora tenha valor nutricional semelhante a outras braquiárias, a decumbens apresenta menor produtividade e resposta à adubação quando comparada à B. brizantha

Além disso, é suscetível às cigarrinhas-das-pastagens, o que pode comprometer sua viabilidade em sistemas de longo prazo.

Para integração lavoura-pecuária, espécies mais produtivas e eficientes no aproveitamento de adubação residual podem ser alternativas mais vantajosas.

3. Brachiaria humidicola

Para terrenos mal drenados, a principal indicação são as cultivares da B. humidicola. Elas apresentam crescimento estolonífero e boa adaptação a solos com baixa fertilidade. 

Mas apenas a cultivar comum apresenta tolerância às cigarrinhas das pastagens. Em geral, todas as cultivares têm um estabelecimento lento devido ao menor enraizamento dos estolões.  

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4. Brachiaria ruziziensis

A B. ruziziensis é a espécie mais utilizada no sistema de plantio direto na palha. Ela tem rápido estabelecimento e fácil dessecação e controle. 

Porém, possui baixa adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade, alta suscetibilidade às cigarrinhas das pastagens e baixa competição com as invasoras. Tudo isso limita sua escolha na hora de implantar o sistema.

Semeadura da brachiaria

A semeadura da forrageira em consórcio com milho ou sorgo pode ser tardia, na adubação de cobertura (V3-V5). Isso diminui a competição com a cultura principal e, consequentemente, a produção de forragem.

A semeadura da forrageira pode ser feita também junto com o plantio do milho, a lanço, na entrelinha da cultura ou na linha, semeada em maior profundidade. 

Esse tipo de estabelecimento aumenta a produção de forragem e pode ser uma escolha mais interessante quando a forrageira for utilizada para recria e engorda do gado de corte.

Para diminuir a competição na semeadura conjunta das duas espécies, você pode lançar mão da utilização de graminicidas em subdosagem aliados à atrazina.

O herbicida atrazine deve ser usado na dose de 1500 g i.a./ha (3 L p.c./ha) para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas. 

Já o nicosulfuron é recomendado na dose de 4 a 8 g i.a./ha (0,1 a 0,2 L p.c./ha), visando o controle das invasoras de folha larga e a diminuição do crescimento da forrageira, sem matá-la.

brachiaria

(Fonte: Adaptado de Tsumanuma, 2004 e Pantano, 2003)


O que é agricultura?

A agricultura é a prática de cultivar a terra para a produção de alimentos, fibras, combustíveis e outras commodities essenciais para a sobrevivência e o desenvolvimento humano.

Desde os primórdios da civilização, a agricultura tem sido a base da subsistência humana, permitindo a formação de sociedades complexas e o avanço econômico, envolvendo um conjunto de técnicas e conhecimentos, como:

  • Cultivo de plantas: Como grãos (soja, milho, trigo), hortaliças, frutas, cana-de-açúcar, café, entre outros;
  • Criação de animais: Como gado, aves, suínos, ovinos, caprinos, entre outros, para a produção de carne, leite, ovos, lã e outros produtos;
  • Agroindústria: O processamento de produtos agrícolas em bens de consumo, como alimentos, bebidas, biocombustíveis e produtos têxteis;
  • Pesquisas e inovações: Tecnologias aplicadas à agricultura, como a agricultura de precisão, que visa aumentar a produtividade e reduzir os impactos ambientais.

A agricultura garante a segurança alimentar, o desenvolvimento das economias rurais e a sustentabilidade global, além de ser uma das principais fontes de emprego e renda em diversos países, especialmente no Brasil.

No Brasil, a prática é o centro da economia, sendo responsável por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações.

Tipos de agricultura

  • Agricultura tradicional: Utiliza métodos rudimentares e geralmente depende mais da mão de obra humana e animal;
  • Agricultura moderna: Emprega máquinas, insumos químicos e tecnologia para aumentar a produtividade;
  • Agricultura sustentável: Busca equilibrar a produção com a preservação ambiental, usando práticas como rotação de culturas e agroecologia;
  • Agricultura de precisão: Usa sensores, drones e softwares para otimizar o uso de insumos e melhorar a eficiência da lavoura;
  • Agricultura comercial: Voltado para a venda em larga escala, destinado a mercados nacionais e internacionais;
  • Agricultura patronal intensiva: Caracterizado pelo uso intensivo de tecnologia, insumos e mão de obra especializada em grandes propriedades ou empresas do agronegócio.

No Brasil, a agricultura ocupa cerca de 30% do território nacional e emprega diretamente mais de 18 milhões de pessoas.

O país é um dos maiores produtores mundiais de soja, milho, café e carne bovina, exportando para mais de 160 países.

Mesmo com números positivos, a agricultura como um todo enfrenta desafios com as mudanças climáticas, escassez de água e degradação do solo, exigindo inovações para garantir a produção sustentável no futuro.

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História da agricultura

A agricultura teve início há aproximadamente 12.000 anos, quando comunidades humanas começaram a domesticar plantas e animais, passando de um estilo de vida nômade de caça e coleta para a sedentarização em aldeias agrícolas.

Essa transição permitiu o desenvolvimento de excedentes alimentares, o que, por sua vez, levou ao crescimento populacional e ao surgimento de civilizações complexas.

As primeiras evidências arqueológicas de práticas agrícolas foram encontradas na região conhecida como Crescente Fértil, no Oriente Médio, abrangendo áreas dos atuais Iraque, Síria, Líbano, Israel e Egito.

Culturas como trigo e cevada começaram a ser cultivadas sistematicamente. Simultaneamente, em outras partes do mundo, como na China e nas Américas, povos indígenas desenvolveram práticas agrícolas independentes, cultivando arroz e milho, respectivamente.

No Brasil, as práticas agrícolas indígenas já estavam estabelecidas muito antes da chegada dos colonizadores europeus. 

Culturas como mandioca, milho e batata-doce eram amplamente cultivadas por diversas etnias indígenas. Com a colonização, novas culturas foram introduzidas, e a agricultura virou uma atividade econômica central, especialmente com o cultivo de cana-de-açúcar e café.

Onde surgiu a agricultura?

A agricultura surgiu há cerca de 10.000 anos durante o período Neolítico, quando os seres humanos passaram de caçadores-coletores para sociedades agrícolas.

Esse processo aconteceu de forma independente em diferentes partes do mundo, mas os primeiros registros estão na região do Crescente Fértil, que inclui partes do Oriente Médio, como o atual Iraque, Síria, Turquia e Irã.

Foi durante este período que alguns países se tornaram os centros de origem da agricultura, com as seguintes culturas:

  • Crescente Fértil (Oriente Médio): Cultivo de trigo, cevada e lentilha;
  • China: Produção de arroz e painço;
  • Mesoamérica (México e América Central): Domesticação do milho, feijão e abóbora;
  • Andes (América do Sul): Cultivo de batata e quinoa;
  • África Ocidental: Primeiros cultivos de sorgo e milhete.

Quais são as atividades econômicas da agricultura?

As atividades econômicas relacionadas à agricultura vão além do cultivo de plantas e criação de animais.

Essas atividades auxiliam no desenvolvimento e na modernização do setor, tornando a agricultura não apenas a base de várias cadeias produtivas, mas também um pilar de inovação na economia global.

Neste contexto, as principais atividades econômicas da agricultura incluem:

  • Agroindústria: Processamento de produtos agrícolas em alimentos, bebidas, têxteis e biocombustíveis.
  • Comercialização: Distribuição e venda de produtos agrícolas nos mercados interno e externo.
  • Serviços agropecuários: Prestação de serviços como consultoria agronômica, pesquisa e desenvolvimento, e assistência técnica.

O que são sistemas agrícolas?

Sistemas agrícolas são os modelos de produção usados para cultivar plantas e criar animais, variando de acordo com fatores como clima, solo, tecnologia e objetivos econômicos.

Esses sistemas são responsáveis por determinar a forma como os recursos naturais e insumos são manejados. Alguns exemplos incluem:

  • Sistema agroflorestal: Integra o cultivo de árvores com culturas agrícolas e/ou criação de animais, promovendo benefícios ecológicos e econômicos;
  • Sistema de plantio direto: Técnica que evita o revolvimento do solo, mantendo a cobertura vegetal para preservar a umidade e a estrutura do solo;
  • Sistema hidropônico: Cultivo de plantas sem solo, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada.

Cada sistema agrícola tem suas vantagens e desafios, sendo escolhido de acordo com as condições ambientais, a disponibilidade de recursos e os objetivos do cultivo.

Agricultura moderna e agricultura tradicional: O que muda?

A agricultura tradicional preserva técnicas herdadas ao longo de gerações, com menor mecanização e menor dependência de insumos químicos. Costuma valorizar o equilíbrio ambiental e o uso de práticas sustentáveis, como a rotação de culturas e o manejo manual do solo.

Já a agricultura moderna faz uso intensivo de tecnologia, incluindo maquinário agrícola, irrigação controlada e biotecnologia, permitindo maior eficiência no uso dos recursos.

Enquanto a agricultura tradicional é mais sustentável a longo prazo, a agricultura moderna tem sido essencial para atender à crescente demanda mundial por alimentos.

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O que é agricultura comercial?

A agricultura comercial é dedicada para produção em larga escala, com o objetivo de vender os produtos no mercado, seja nacional ou internacional.

Diferente da agricultura de subsistência, que busca suprir apenas as necessidades de uma família ou comunidade, a agricultura comercial foca no lucro e na eficiência.

Suas principais características são a produção em larga escala, em grandes áreas de terra para o cultivo de monoculturas, como soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar.

Esse modelo também faz uso intensivo de tecnologia, com máquinas agrícolas, irrigação avançada, insumos químicos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, e até drones para otimizar a produtividade.

Além disso, tem um forte foco na exportação, com muitos de seus produtos, como grãos, carne e frutas, sendo comercializados em mercados internacionais.

Normalmente, as propriedades agrícolas são especializadas em um ou poucos tipos de cultura ou criação de animais, o que favorece a eficiência e a escalabilidade.

No Brasil, esse tipo de agricultura é uma das principais forças econômicas, sendo um dos maiores setores responsáveis pelo PIB e pelas exportações.

Qual o papel dos agroquímicos na agricultura?

Os agroquímicos incluem fertilizantes, defensivos agrícolas e reguladores de crescimento, sendo usados para aumentar a produtividade e proteger as culturas de pragas e doenças. 

Mesmo sendo importantes para aumentar a produtividade, os agroquímicos trazem preocupações ambientais e de saúde, como a resistência das pragas, contaminação de solos e águas e riscos para os trabalhadores e consumidores.

O recomendado é que sejam usados de forma responsável, seguindo as orientações de aplicação e buscando alternativas mais sustentáveis, como o uso de biopesticidas ou práticas agrícolas integradas.

Sabendo isso, existem alguns tipos de agroquímicos, cada um com a sua determinada função de uso. Confira:

  • Defensivos agrícolas (pesticidas): Protegem as culturas contra pragas, fungos e ervas daninhas, evitando perdas na produção.
  • Fertilizantes: Fornecem nutrientes essenciais para o crescimento das plantas, melhorando a qualidade e o rendimento das lavouras.
  • Reguladores de crescimento: Estimulam ou inibem processos fisiológicos das plantas, auxiliando no florescimento e no amadurecimento.

Qual a importância da agricultura no Brasil e no mundo?

A agricultura no Brasil é responsável por uma parcela grande do Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos e exportações.

Em 2023, o setor agropecuário brasileiro registrou um crescimento de 15,1%, alcançando R$ 677,6 bilhões. Esse desempenho impulsionou o PIB nacional, que aumentou 2,9% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 10,9 trilhões.

Além disso, houve uma receita de US$ 159 bilhões em 2022, contribuindo para o saldo comercial do país com US$ 62 bilhões. O Brasil é o maior exportador global de commodities agrícolas, como soja, milho, café, carne bovina, aves, açúcar e celulose.

Desafios e perspectiva da agricultura brasileira

A agricultura enfrenta desafios como mudanças climáticas, regulamentações internacionais e infraestrutura deficitária. No entanto, avanços tecnológicos e práticas sustentáveis podem garantir o crescimento do setor. 

O investimento em biotecnologia, gestão hídrica e sistemas agrícolas inteligentes é preciso para manter a competitividade global.

Desafios da agricultura

  • Mudanças climáticas: Eventos extremos, como secas e enchentes, impactam diretamente a produtividade agrícola;
  • Pressões ambientais: A expansão da agricultura em áreas sensíveis exige práticas de conservação e monitoramento;
  • Infraestrutura logística: Melhorias no transporte e armazenamento são necessárias para reduzir perdas e custos.

Perspectivas para o futuro da agricultura

  • Expansão do uso de biotecnologia: O desenvolvimento de cultivares mais resistentes pode aumentar a produtividade.
  • Sistemas agrícolas sustentáveis: Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e manejo eficiente da água são tendências em crescimento.
  • Agroindústria: Desenvolvimento de novos produtos processados, como alimentos orgânicos e derivados da soja, pode aumentar a competitividade e a rentabilidade do setor.
  • Mercado Global de Alimentos: O Brasil é visto como um “celeiro do mundo” e continua sendo um dos maiores fornecedores de alimentos, especialmente para mercados da Ásia, Europa e América do Norte. A demanda global por alimentos, com o crescimento da população e mudanças nos padrões alimentares, oferece uma perspectiva positiva para as exportações brasileiras.
  • Automação e digitalização: A agricultura de precisão permite um melhor uso de recursos e maior eficiência produtiva.

A agricultura brasileira está em uma encruzilhada entre desafios ambientais, sociais e econômicos, mas também tem um grande potencial de crescimento.

A adoção de novas tecnologias, práticas sustentáveis e a diversificação das exportações são importantes para assegurar o futuro do setor, posicionando o Brasil como líder global em produção agrícola sustentável.

Nota Fiscal para exportação de produtos agrícolas: Principais Informações

A exportação de produtos agrícolas é uma grande oportunidade para produtores rurais que desejam expandir seus negócios para o mercado internacional.

No entanto, para que essas operações ocorram de forma regular e sem complicações, é preciso compreender a Nota Fiscal para Exportação de Produtos Agrícolas.

Esse documento é obrigatório e garante que a transação esteja em conformidade com a legislação brasileira e as exigências do país de destino.

Emitir nota fiscal produtor rural corretamente evita problemas com a Receita Federal, simplifica processos logísticos e assegura que a mercadoria possa sair do país sem entraves burocráticos.

O que é a Nota Fiscal para Exportação de Produtos Agrícolas?

A nota fiscal de exportação é um documento eletrônico que formaliza a saída de produtos agrícolas do Brasil para outros países.

A partir disso, é possível registrar todas as informações da transação, garantindo que o governo tenha controle sobre os produtos exportados e o cumprimento das obrigações fiscais.

Esse tipo de nota não tem incidência de impostos como ICMS, PIS e COFINS, pois as exportações são incentivadas pelo governo com isenção fiscal.

No entanto, a emissão da nota exige um processo correto para garantir que a mercadoria possa ser embarcada e desembaraçada no país de destino sem dificuldades.

Quem deve emitir a Nota Fiscal para Exportação?

A emissão da nota fiscal para exportação de produtos agrícolas é obrigatória para todos os produtores rurais que realizam vendas diretas para compradores estrangeiros.

As empresas intermediárias, como tradings e cooperativas, também precisam emitir esse documento quando atuam como responsáveis pela comercialização da produção para o exterior.

Se o produtor rural vende sua mercadoria para uma empresa nacional que, por sua vez, irá exportar o produto, a NF emitida será uma nota fiscal de venda no mercado interno, e a responsabilidade da exportação será da empresa compradora.

Mas, se o próprio produtor estiver enviando os produtos para fora do Brasil, ele precisa emitir a nota fiscal eletrônica de exportação diretamente.

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Quais informações devem constar na Nota Fiscal de Exportação?

Para que a nota seja aceita e válida para os processos de exportação, ela deve conter informações detalhadas sobre a operação. Entre os principais dados obrigatórios, estão:

  • Descrição detalhada dos produtos exportados, incluindo espécie, variedade e unidade de medida.
  • Quantidade e valor total da mercadoria, especificando a moeda utilizada na transação.
  • Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), que identifica a natureza da operação. Para exportação, os códigos mais comuns são:
    • 7501 – Exportação direta.
    • 7502 – Exportação por meio de empresa comercial exportadora.
  • Dados do comprador no exterior, incluindo nome, endereço e país de destino.
  • Número do Registro de Exportação (RE), caso seja exigido pela Receita Federal.
  • Informações sobre frete e seguro, indicando quem é o responsável pelo transporte da mercadoria.

A legislação para emissão de nota fiscal de exportação determina que o documento seja emitido no formato eletrônico (NF-e), devidamente assinado digitalmente e transmitido à Receita Federal para validação.

Qual o CFOP para exportação?

O CFOP usado para operações de exportação é o 7900. O código é específico para identificar operações de venda de mercadorias para o exterior, ou seja, quando há exportação de produtos.

Além do 7900, existem outros códigos relacionados à exportação, como:

1. Exportação Direta (realizada pelo próprio produtor ou empresa)

  • CFOP 7.101 – Venda de produção própria para exportação
  • CFOP 7.102 – Venda de mercadoria adquirida de terceiros para exportação

2. Exportação Indireta (quando a venda é feita para uma trading/exportadora no Brasil)

  • CFOP 5.501 – Venda de produção própria para empresa comercial exportadora (dentro do estado)
  • CFOP 6.501 – Venda de produção própria para empresa comercial exportadora (fora do estado)

3. Exportação Temporária (quando o bem sai do Brasil, mas deve retornar depois)

  • CFOP 7.501 – Remessa de mercadoria para exportação temporária

4. Exportação Ficta (quando a mercadoria é vendida para o exterior sem sair fisicamente do Brasil)

CFOP 7.127 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada a exportação ficta.

Cada operação pode ter particularidades dependendo do estado e da legislação fiscal vigente. É sempre bom confirmar com um contador ou consultar a Sefaz para garantir o uso certo.

4 tipos de Exportação e a Emissão da Nota Fiscal

Cada tipo de exportação requer a emissão de uma nota fiscal específica, que podem ocorrer de quatro formas diferentes, cada uma com suas particularidades na emissão da NF-e. Veja a seguir:

  1. Exportação Direta: Quando o próprio produtor rural vende e envia seus produtos diretamente para um comprador estrangeiro. Neste caso, a NF-e de exportação deve ser emitida pelo produtor.
  2. Exportação Indireta: O produtor vende a mercadoria para uma empresa intermediária, como uma trading ou cooperativa, que fará a exportação. Aqui, o produtor emite uma nota de venda comum, enquanto a empresa intermediária emite a NF-e de exportação.
  3. Exportação Temporária: Quando produtos agrícolas são enviados para o exterior temporariamente, por exemplo, para testes ou feiras internacionais. A nota fiscal deve conter essa informação específica para evitar incidência de tributos.
  4. Exportação Consignada: Quando os produtos são enviados para o exterior sem venda imediata, ficando em estoque no país de destino até que um comprador adquira a mercadoria. A NF-e deve informar que se trata de uma remessa para consignação.

Cada modalidade tem exigências próprias, e o produtor deve estar atento à correta emissão da nota fiscal para evitar problemas alfandegários.

Como emitir a Nota Fiscal de Exportação?

O processo de gerar nota fiscal para exportação de produtos agrícolas exige alguns documento, como a nota fiscal eletrônica comum. A maior diferença, é que você vai precisar garantir a conformidade aduaneira da operação. Veja mais informações:

  1. Tenha um Certificado Digital: Esse documento eletrônico garante a autenticidade da nota e é necessário para sua validação na Receita Federal;
  2. Utilize um Sistema Emissor de NF-e: A nota fiscal eletrônica deve ser emitida por meio de um software autorizado, que pode ser privado ou fornecido pelo governo estadual;
  3. Preencha corretamente todos os dados da NF-e, incluindo descrição dos produtos, valores, CFOP adequado, informações do comprador estrangeiro e demais exigências legais;
  4. Envie a NF-e para a Receita Federal, por meio do sistema emissor, para que seja validada;
  5. Gere o Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (DANFE), que acompanha a mercadoria no transporte e é utilizado para conferência pelos órgãos alfandegários;
  6. Declaração Única de Exportação (DU-E): Após a emissão da NF-e, faça a DU-E no Portal Único Siscomex, que controla todas as operações de comércio exterior.
  7. Despacho Aduaneiro: Com a DU-E validada, a mercadoria está pronta para o despacho aduaneiro. Este processo envolve a apresentação da NF-e e a DU-E.

É importante destacar que a NF-e de exportação deve ser gerada antes do início do transporte das mercadorias até o local de embarque.

O prazo é de até 24 horas após a saída dos produtos do estabelecimento do exportador. Caso a nota não seja emitida, ou contenha erros ou omissões, o exportador pode ser penalizado com multas e juros, além do risco de cancelamento da operação pela Receita Federal.

Praga da Ásia: O perigo do percevejo-de-pintas-amarelas no Brasil

Recentemente, uma notícia alarmante revelou que uma praga da Ásia, o percevejo-de-pintas-amarelas, chegou ao Brasil pelo Porto de Santos.

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo desafio que pode comprometer a produtividade de diversas culturas: a chegada do percevejo-de-pintas-amarelas, uma praga exótica originária da Ásia. 

Detectado recentemente no Porto de Santos, em São Paulo, o inseto já acendeu um alerta entre especialistas e produtores rurais devido ao seu alto potencial de disseminação e aos prejuízos que pode causar.

Com o histórico de outras pragas invasoras que afetaram a agricultura nacional, o aparecimento do percevejo-de-pintas-amarelas reforça a importância de uma vigilância fitossanitária rigorosa e da adoção de estratégias de manejo eficientes para mitigar seus impactos. 

O que é a praga asiática?

O percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) é uma praga originária da Ásia, conhecida por sua capacidade de se adaptar rapidamente a novos ambientes

O inseto pertence à família Pentatomidae, a mesma de outras pragas já conhecidas na agricultura brasileira. 

O percevejo tem um corpo marrom-acinzentado, com características pintas amarelas nas laterais do abdome, que facilitam sua identificação.

No Brasil, embora ainda não tenha causado danos significativos, passou a ser considerado uma praga quarentenária devido ao seu potencial de proliferação rápida e aos danos significativos que causa nas culturas agrícolas. 

Além disso, sua alta mobilidade e capacidade de sobreviver em diversas condições climáticas o tornam uma ameaça constante.

percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) — Foto: Yan Lima
Figura 1. Percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo) — Foto: Yan Lima e G1 Globo (2025).

Características do Percevejo-de-Pintas-Amarelas

O Erthesina fullo é um inseto polífago, ou seja, se alimenta de diversos tipos de plantas. No continente asiático, é responsável por danos em algumas culturas.

Mesmo com a presença confirmada, no Brasil, ainda não há dados suficientes para afirmar se a espécie representa uma ameaça para as plantas cultivadas.

O inseto atinge de 1,2 a 1,5 cm de comprimento, com um corpo que pode variar entre verde e amarelo, marcado por pintas amarelas que facilitam sua identificação visual.

Quanto à reprodução, a fêmea deposita entre 50 a 200 ovos por vez, o que contribui para a rápida expansão da espécie em áreas infestadas. 

O ciclo de vida completo do percevejo-de-pintas-amarelas dura de 4 a 6 semanas, desde a fase de ovo até a fase adulta, que pode se estender entre 2 a 4 meses, dependendo das condições ambientais e da disponibilidade de alimento.

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Quais os perigos do percevejo-de-pintas-amarelas?

O principal perigo do percevejo-de-pintas-amarelas está na sua capacidade de causar prejuízos diretos à produção agrícola. Esse inseto se alimenta da seiva de plantas, perfurando folhas, frutos e caules, o que compromete o desenvolvimento das culturas. 

Entre os impactos estão a redução da qualidade dos frutos, com o surgimento de manchas e deformidades, tornando os produtos menos atrativos para o mercado. 

Além disso, há o comprometimento da produtividade, pois a alimentação excessiva do percevejo pode levar à queda prematura de frutos, prejudicando o rendimento final das safras. 

Outro fator de risco é a possibilidade de o inseto atuar como vetor de doenças fúngicas e bacterianas, o que agrava ainda mais os danos, especialmente em culturas comerciais de grande valor econômico.

Quais culturas a praga asiática ataca?

O percevejo-de-pintas-amarelas é altamente polífago, ou seja, se alimenta de uma grande variedade de plantas. As culturas mais vulneráveis incluem:

  • Soja e milho: Comprometimento dos grãos e da produtividade;
  • Frutíferas: Como maçã, pêssego e uva, afetando diretamente a qualidade dos frutos;
  • Hortaliças: Prejuízos em culturas de tomate, pimentão e berinjela;
  • Plantas ornamentais e nativas: o que amplia o potencial de dispersão da praga.

Essa diversidade de hospedeiros torna o controle da praga ainda mais desafiador. Na China, programas de controle atuais para o percevejo, dependem principalmente de inseticidas químicos convencionais de amplo espectro, que nem sempre são compatíveis com programas de MIP

Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Manejo correto do percevejo-de-pintas-amarelas

O manejo eficiente do percevejo-de-pintas-amarelas requer uma abordagem integrada, que combina diferentes estratégias para minimizar o impacto da praga.

Algumas técnicas recomendadas incluem o monitoramento constante, para a identificação precoce da praga. 

O uso de armadilhas de feromônio é eficaz para monitorar a presença do percevejo e avaliar a densidade populacional.

Além disso, o controle cultural com práticas agronômicas, como a rotação de culturas e o manejo adequado da vegetação espontânea, ajuda a reduzir os locais de abrigo e reprodução da praga. 

O controle biológico, com a utilização de inimigos naturais, como vespas parasitoides, tem se mostrado uma alternativa promissora para o controle do percevejo em outros países. 

Em casos de infestações severas, pode ser necessário o uso de inseticidas, mas o uso excessivo de produtos químicos deve ser evitado para prevenir o desenvolvimento de resistência.

O que a praga da Ásia pode causar na lavoura?

O dano direto ocorre pela sucção da seiva das plantas, resultando em murchamento das folhas e frutos, manchas escuras e necrose nos tecidos vegetais, deformidades em frutos e grãos, redução da capacidade fotossintética da planta e queda prematura de frutos e sementes. 

Esses prejuízos podem levar a perdas econômicas significativas, afetando tanto pequenos produtores quanto grandes propriedades.

A praga asiática pode prejudicar a safra 2025/26?

Sim, o percevejo-de-pintas-amarelas representa uma ameaça real para a safra 2025/26, especialmente se a praga conseguir se estabelecer e se espalhar rapidamente pelo território nacional.

O impacto pode ser devastador, com prejuízos econômicos devido à perda de produtividade nas principais culturas agrícolas.

Além disso, haverá um aumento nos custos de produção, pois os produtores precisarão intensificar as práticas de manejo para controlar a praga, incluindo o uso de defensivos agrícolas e medidas preventivas.

Outro ponto de preocupação é o impacto ambiental, já que o uso descontrolado de produtos químicos pode afetar a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas agrícolas.

Medidas de prevenção e controle para produtores

Para minimizar os riscos associados ao percevejo-de-pintas-amarelas, os produtores devem adotar uma série de práticas integradas.

Realizar inspeções frequentes nas lavouras é essencial, especialmente em regiões próximas a portos e áreas urbanas, onde a praga pode ter maior facilidade de entrada e dispersão.

Além disso, implementar o manejo integrado de pragas (MIP) permite combinar diferentes estratégias, como controle biológico, práticas culturais e o uso criterioso de defensivos agrícolas.

É importante manter contato constante com técnicos e órgãos de defesa agropecuária, que podem fornecer orientações atualizadas sobre o monitoramento e as melhores práticas de manejo.

Outra medida é evitar o transporte de materiais vegetais de áreas infestadas sem a devida inspeção fitossanitária, reduzindo o risco de disseminação da praga para novas regiões.

A Aegro está atenta às novidades do setor e pronta para apoiar os produtores na adoção
de boas práticas de manejo.

Fique atento e compartilhe essas informações com outros profissionais do campo para juntos enfrentarmos esse novo desafio.

Milho: Guia para Produtividade, Variedade e Lucratividade na sua Lavoura

O milho é um dos principais cultivos no Brasil e no mundo. Além de ser essencial na alimentação humana e animal, é uma fonte de renda para os produtores e matéria-prima para diversas indústrias.

A cultura é uma das maiores geradores de empregos no setor agropecuário, tanto no campo quanto nas indústrias de processamento.

As perspectivas de crescimento da produção e a demanda interna e externa, principalmente da China e de outros países que importam grãos, fortalecem o papel do Brasil no mercado global de milho.

Se você busca maximizar a produtividade, explorar os tipos ou entender os segredos do mercado do milho, este guia completo é o seu ponto de partida.

Preparamos um conteúdo completo, desde o plantio e manejo até as estratégias para maximizar a lucratividade da sua lavoura de milho!

Cultura do milho no Brasil

O milho é uma planta cereal que pertence ao gênero Zea e à família das gramíneas, com uma grande variedade de usos, tanto para consumo humano quanto animal.

No Brasil, a leguminosa tem um papel significativo, tornando o país um dos maiores produtores e exportadores da cultura do mundo, com uma produção em torno de 100 milhões de toneladas por ano.

A produção é concentrada principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, sendo dividida em duas principais safras: a primeira safra, conhecida como milho verão, e a segunda safra, ou milho safrinha, que tem ganhado cada vez mais destaque.

Embora a maior parte da produção seja destinada ao consumo interno, uma boa parte é exportada, com destaque para países como China, Japão, União Europeia e nações da América Latina.

Esse cenário fortalece a balança comercial do Brasil, contribuindo para o superávit comercial e gerando substanciais receitas para a economia nacional.

Saiba estimar a produtividade de milho em 3 minutos!

Milho na nutrição animal e humana: Como é usado?

O milho é um alimento presente na alimentação dos animais e em diversos produtos para humanos, como o etanol, por exemplo.

Na nutrição animal, é usado como fonte de energia para aves e suínos, compondo até 80% das rações. Porém, apesar de nutritivo, o milho apresenta limitações em aminoácidos essenciais, exigindo a combinação com outros ingredientes para dietas equilibradas.

Variações na composição nutricional, como teor de óleo e amido, impactam diretamente o custo e a eficiência da alimentação animal.

Já para os humanos, se apresenta em diversas formas: pipoca nutritiva, minimilho e em produtos industrializados como amido, óleo e glúten.

Cada tipo de milho, do doce ao comum, encontra aplicações específicas na indústria e culinária, enriquecendo nossa dieta com variedade e benefícios nutricionais.

Quais são os tipos de milho para plantio?

Os tipos de milho para plantio podem ser classificados de acordo com seu uso, genética e características agronômicas.

A escolha da variedade ideal depende do objetivo da produção, das condições climáticas e do manejo agrícola. Os principais tipos são:

1. Milho Híbrido

É o mais utilizado no plantio comercial devido à sua alta produtividade e resistência a pragas e doenças. O milho híbrido é o resultado do cruzamento de linhagens puras para gerar plantas mais vigorosas, que podem ser:

  • Híbridos Simples: Cruzamento entre duas linhagens puras, oferecendo alto rendimento e uniformidade, mas com custo elevado;
  • Híbridos Duplos: Resultado entre dois híbridos simples, com menor custo e maior estabilidade produtiva em diferentes condições;
  • Híbridos Triplos: Formado pelo cruzamento entre um híbrido simples e uma linhagem pura, equilibrando produtividade e adaptação.

2. Milho Varietal (Polinização Aberta)

São variedades desenvolvidas a partir de seleções naturais ou melhoramento genético, permitindo que você colha e replante suas próprias sementes.

Embora tenham menor produtividade em comparação com os híbridos, são mais rústicos e adaptáveis a diferentes condições.

3. Milho Transgênico

O milho transgênico, como o milho Bt, revolucionou o controle de pragas pela resistência a lagartas, reduzindo a necessidade de aplicação de inseticidas químicos.

Essa tecnologia não apenas contribui para a sustentabilidade agrícola, diminuindo impactos ambientais, mas também melhora a segurança do trabalho no campo.

Para garantir a eficácia e a longevidade do milho Bt, é preciso adotar boas práticas, como o plantio de áreas de refúgio, o monitoramento constante de pragas e o manejo integrado para evitar o desenvolvimento de resistência dos insetos.

4. Milho Convencional

O milho convencional não tem modificações genéticas e é utilizado por produtores que desejam evitar transgênicos, seja por escolha própria ou para atender nichos de mercado, como a produção de milho orgânico.

5. Milho Orgânico

É conhecido pelo cultivo sem o uso de sementes transgênicas, fertilizantes químicos ou defensivos sintéticos.

Por conta disso, a produtividade pode ser menor do que a do milho convencional ou transgênico, mas atende a um público específico que busca alimentos livres de agroquímicos.

Cada tipo de milho tem suas exigências, vantagens e desafios. A escolha da variedade ideal deve levar em conta o mercado-alvo, as condições de solo e clima, além da disponibilidade de insumos e tecnologias na propriedade.

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Milhos especiais: Pipoca, Doce, Milho-Verde e Minimilho

Os milhos especiais — como pipoca, doce, milho-verde e minimilho — são variedades com características distintas e são cultivados com objetivos específicos.

Cada tipo de grão de milho requer cuidados particulares e pode ter um impacto econômico diferente, tanto para os produtores quanto para as indústrias que os utilizam. Confira:

1. Milho de Pipoca

O milho de pipoca é uma variedade especial que tem grãos menores e uma casca mais espessa, ideal para estourar quando aquecido.

Agronomicamente, esse tipo de milho exige atenção especial no manejo, precisando de clima com temperaturas médias e umidade controlada, além de um solo bem drenado, com boa capacidade de retenção de nutrientes.

A colheita também deve ser realizada no momento certo, com os grãos secos a uma umidade ideal para evitar a perda de qualidade.

A produtividade do milho de pipoca é geralmente menor do que a do milho comum devido ao tamanho menor dos grãos e à necessidade de maior espaço entre as plantas.

Dentro disso, o uso de fertilizantes equilibrados e controle de pragas como lagartas e percevejos é fundamental.

2. Milho Doce

O milho doce é cultivado principalmente para consumo humano direto, sendo utilizado em conserva, congelado ou in natura. Seu maior diferencial é o sabor adocicado, uma característica marcante de suas variedades, como o milho para espiga.

Uma das condições desse tipo de milho é a demanda maior por fertilidade do solo, especialmente em termos de nutrientes como nitrogênio e potássio.

O solo deve ser bem preparado e irrigado para garantir o sabor e a qualidade dos grãos, já que a variedade é sensível a estresses hídricos.

Como a demanda por milho doce é voltada para consumo direto, a qualidade dos grãos e a precocidade da colheita são essenciais.

Por isso o controle de doenças, como a ferrugem e a podridão da espiga, é necessário para evitar perdas econômicas significativas.

3. Milho-Verde

O milho-verde é um tipo de milho consumido na fase jovem, antes de completar a maturação, sendo popular para consumo direto, como em pamonhas e curaus.

O cultivo exige irrigação mais constante e solos ricos em matéria orgânica para garantir o crescimento rápido das plantas e a formação de espigas suculentas.

A fertilização balanceada, com foco em nitrogênio, também é importante para o crescimento vigoroso da planta.

A principal preocupação no cultivo de milho-verde é o tempo de colheita, por precisar ser colhido em um estágio de maturação intermediária, demandando atenção ao ciclo de crescimento e ao clima da região.

A colheita precoce demais pode resultar em espigas de baixa qualidade, enquanto uma colheita tardia pode comprometer a doçura e a maciez.

4. Minimilho

O minimilho é uma variedade de milho com espigas menores, comumente utilizada em snacks e alimentos industrializados, como pipocas gourmet.

Apesar de ser uma variedade mais recente, tem ganhado cada vez mais popularidade no mercado alimentício.

A variedade exige o mesmo manejo básico do milho comum, mas com uma densidade de plantio maior para garantir uma boa produção de espigas pequenas.

As plantas são adaptadas a ciclos mais curtos e, muitas vezes, requerem menos espaço entre si. Isso torna o cultivo compacto, mas a qualidade do solo ainda é essencial para o desenvolvimento das plantas.

O controle de pragas e doenças é um dos grande desafios para a produção de minimilho, pois qualquer dano às pequenas espigas pode comprometer toda a lavoura.

Qual a janela de plantio do milho?

A janela de plantio do milho pode variar dependendo da região e das condições climáticas locais, mas em geral, segue os seguintes padrões no Brasil:

1. Milho de Verão (Safra principal)

  • Plantio: O milho de verão é plantado geralmente entre fevereiro e março, quando as condições climáticas são mais favoráveis à germinação e ao crescimento, com boas chuvas.
  • Colheita: A colheita ocorre entre junho e agosto. Esse milho é geralmente o mais importante para a produção, especialmente na região Centro-Sul do Brasil.

2. Milho Safrinha (Segunda safra)

  • Plantio: O milho safrinha é cultivado após a colheita da soja, entre fevereiro e março, mas seu plantio é mais comum em abril. Essa safra é plantada em áreas onde a soja foi colhida mais cedo, aproveitando o clima de outono para um ciclo rápido.
  • Colheita: Ocorre entre junho e julho, dependendo das condições climáticas e da região. O milho safrinha tem uma janela de colheita mais curta, o que pode ser arriscado dependendo das chuvas.
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3. Regiões e Adaptabilidade

  • Região Sul e Centro-Sul: Nessas áreas, o milho de verão é mais predominante e seu ciclo é mais longo devido às boas condições de clima.
  • Região Centro-Oeste e Norte: A região é muito voltada para a produção de milho safrinha, aproveitando o ciclo após a soja.
  • Região Nordeste: O milho é plantado em períodos mais curtos e com maior uso de irrigação devido à falta de chuvas constantes.

Calendário de plantio do milho no Brasil

RegiãoPeríodo de PlantioPeríodo de Colheita
Sul Setembro a DezembroMarço a Maio
SudesteSetembro a DezembroFevereiro a Abril
NordesteOutubro a JaneiroMarço a Junho
Norte Março a MaioJunho a Agosto
Centro-oesteOutubro a DezembroMarço a Maio

Quais são as etapas do ciclo do milho?

O ciclo do milho é composto por diferentes fases que determinam o desenvolvimento da cultura, desde a germinação até a maturação dos grãos. Neste sentido, a cultura pode ser dividida em fases vegetativas (V) e fases reprodutivas (R). Confira:

Fases vegetativas (V)

  1. Germinação e emergência (VE): Ocorre logo após a semeadura, quando a semente absorve água, inicia a germinação e a plântula emerge do solo;
  2. Estabelecimento da plântula (V1-V5): As primeiras folhas se desenvolvem, e a planta começa a formar o sistema radicular. Essa fase é crítica para o crescimento inicial;
  3. Crescimento acelerado e emissão de folhas (V6-VT): O milho desenvolve um número maior de folhas e inicia o crescimento do colmo. A absorção de nutrientes e água aumenta significativamente.

Fases reprodutivas (R)

  1. Emissão do pendão (VT): O pendão, estrutura reprodutiva masculina, se desenvolve e libera pólen para a polinização;
  2. Floração e formação das espigas (R1): A polinização ocorre, e os grãos começam a se formar. Esse é um dos momentos mais sensíveis da cultura, pois estresses hídricos ou nutricionais podem comprometer a produtividade;
  3. Granação (R2-R5): O amido começa a se acumular nos grãos, que passam por diferentes estágios: bolha (R2), leitoso (R3), farináceo (R4) e pastoso (R5);
  4. Maturação fisiológica (R6) – Os grãos atingem a umidade ideal para colheita, e a planta começa a perder água naturalmente. Esse é o ponto de colheita para garantir qualidade e produtividade.

Cada fase do ciclo do milho exige manejos específicos, como controle de pragas, irrigação e adubação, para garantir uma lavoura produtiva e com alto rendimento.

Como preparar o solo para o cultivo do milho?

O preparo do solo é o alicerce para o desenvolvimento saudável do milho. O sistema convencional, com arado e grade, ainda é comum, mas exige atenção para evitar a compactação do solo, o temido “pé-de-grade”.

Alternar implementos, controlar a umidade ideal do solo e considerar métodos conservacionistas, como o plantio direto, são estratégias para preservar a estrutura do solo e otimizar a produção.

Além disso, para cada sistema de preparo, são necessários preparos diferentes. Confira mais informações abaixo:

1. Sistema convencional

O solo é mobilizado com arado e grade para descompactação e incorporação de matéria orgânica. O método pode causar a formação do chamado “pé-de-grade”, uma camada compactada abaixo da superfície que dificulta o desenvolvimento radicular.

Para evitar esse problema, é necessário alternar implementos, manejar a umidade do solo e evitar operações excessivas que possam comprometer sua estrutura.

2. Plantio direto

No plantio direto, a semeadura ocorre sobre a palhada da cultura anterior, sem revolver o solo. Esse sistema conserva a umidade, reduz a erosão e melhora a atividade biológica, além de aumentar a infiltração de água e minimizar a compactação superficial.

Com o tempo, também contribui para a retenção de carbono, melhora a estrutura do solo e reduz a dependência de maquinário pesado, tornando a lavoura mais sustentável e econômica.

3. Plantio mecanizado

O plantio mecanizado garante eficiência na implantação da lavoura, seja no sistema direto ou convencional.

A regulagem das semeadoras é importante para distribuir as sementes de forma uniforme, ajustar a profundidade correta e garantir a compactação ideal do solo.

Esses fatores influenciam diretamente a germinação, o vigor das plantas e a produtividade da lavoura. Além disso, uma calibração precisa reduz desperdícios e melhora o aproveitamento dos insumos.

Correção e adubação do solo para o plantio de milho

A correção e adubação do solo são passos que também entrar no preparo da lavoura de milho, garantindo que a cultura tenha os nutrientes necessários para um desenvolvimento saudável e produtivo.

A calagem é uma das primeiras práticas a serem consideradas, já que corrige a acidez do solo, melhora a disponibilidade de nutrientes e favorece a atividade microbiana.

O ideal é realizar a análise do solo com antecedência para definir a dose correta de calcário e aplicar o produto alguns meses antes do plantio.

Já a adubação deve ser feita com base nas necessidades nutricionais da cultura e nos resultados da análise do solo.

O milho responde bem à adubação fosfatada no sulco de plantio, que estimula o crescimento inicial das raízes. Enquanto o nitrogênio deve ser aplicado em cobertura, de forma parcelada, para melhor aproveitamento e menor risco de perdas por lixiviação.

O uso de adubação orgânica ou de fertilizantes de liberação controlada pode ser uma estratégia para melhorar a eficiência nutricional e reduzir impactos ambientais.

Além disso, a rotação de culturas com leguminosas ajuda a manter a fertilidade do solo, reduzindo a necessidade de adubação nitrogenada.

calcule a adubação da cultura do milho

Irrigação e Fisiologia do Milho

A irrigação do milho, embora não seja regra geral para grãos, é fundamental para sementes, milho-verde e milhos especiais.

A irrigação garante produtividade superior, permite o cultivo em épocas não convencionais e reduz riscos de perdas por estiagem.

A escolha do método de irrigação, como aspersão ou pivô central, e o manejo da irrigação, baseado em sensores de umidade e dados climáticos, são essenciais para o uso eficiente da água.

Outro ponto importante é compreender a fisiologia do milho, como o ciclo de vida, dividido em fases vegetativa e reprodutiva.

A produtividade da cultura está diretamente relacionada a fatores como estresse hídrico e térmico, polinização e formação dos grãos, processos interligados que impactam o desenvolvimento da planta.

Para otimizar o potencial produtivo, você deve monitorar os estágios de crescimento, planejar adequadamente a irrigação e realizar a adubação de cobertura no momento certo.

Essas práticas, aliadas a um manejo eficiente, garantem que o milho alcance seu máximo rendimento.

Adubação do milho: Quais são os processos necessários?

A adubação de milho é uma ciência que busca fornecer os nutrientes certos, na dose e no momento ideais. Esse deve ser o ponto de partida em qualquer lavoura.

A calagem, essencial para corrigir a acidez do solo, e a escolha de adubos orgânicos e biológicos, como estercos e inoculantes, complementam a nutrição, promovendo um sistema agrícola mais equilibrado e sustentável.

O processo visa repor os nutrientes essenciais para a planta, otimizando seu crescimento e a formação dos grãos, que pode ser feito por etapas, como:

1. Análise do Solo

Antes de iniciar a adubação, é recomendado para uma análise do solo para entender as carências de nutrientes e a acidez do solo, fatores que impactam diretamente a eficácia da adubação.

O pH do solo também deve ser corrigido, caso seja necessário, para garantir que os nutrientes aplicados sejam absorvidos de maneira eficiente pelas plantas.

2. Principais Nutrientes para o Milho

O milho é uma cultura exigente em nutrientes, sendo essencial garantir que a planta tenha acesso aos três macronutrientes principais: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), além de outros micronutrientes como cálcio, magnésio e enxofre.

  • Potássio (K): O potássio ajuda no equilíbrio hídrico da planta, formação de grãos, contribuindo para a resistência a doenças e estresses climáticos.
  • Nitrogênio (N): Usado no crescimento vegetativo, formação de folhas e caules, sendo essencial para a fotossíntese e o desenvolvimento da planta. A aplicação de nitrogênio deve ser feita na fase inicial e vegetativa do milho, quando as plantas estão se desenvolvendo rapidamente.
  • Fósforo (P): Necessária para o desenvolvimento radicular e a formação de raízes fortes, além de ajudar na energia da planta, facilitando a fotossíntese. O fósforo é muito importante no momento do plantio e nas primeiras fases de crescimento.

3. Tipos de Adubação no Milho

Existem dois tipos principais de adubação: a adubação de base e a adubação de cobertura, feitas em momentos diferentes. Entenda:

  • Adubação de Base: Realizada antes ou no momento do plantio, é a aplicação de fertilizantes que fornecem os nutrientes essenciais para o início do desenvolvimento das plantas. Normalmente, é aplicada a maior parte do fósforo e potássio, que são nutrientes essenciais logo nas fases iniciais. Essa adubação pode ser feita por meio de fertilizantes misturados ao solo.
  • Adubação de Cobertura: É realizada durante o ciclo da cultura, após o estabelecimento inicial da planta. Normalmente, o nitrogênio é fornecido nessa etapa, pois o milho demanda uma maior quantidade desse nutriente durante seu crescimento vegetativo. A adubação de cobertura pode ser feita por meio de aplicação foliar ou no solo, dependendo da necessidade da cultura e da disponibilidade de tecnologia, como a utilização de semeadoras de plantio direto.

4. Estratégias de Adubação de Milho

O manejo adequado da adubação no milho pode ser otimizado por algumas estratégias, como adubação nitrogenada, inoculação com microrganismos e fertilização foliar.

  • Adubação Nitrogenada: O uso de fertilizantes nitrogenados deve ser feito com cuidado para evitar perdas, principalmente por volatilização. A aplicação do nitrogênio precisa ser em doses fracionadas, de modo que a planta receba a quantidade exata no momento que mais precisa.
  • Inoculação com Microrganismos: Utilizar biofertilizantes ou inoculantes, como a inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio, pode ajudar na eficiência do uso dos fertilizantes nitrogenados.
  • Fertilização Foliar: A aplicação de fertilizantes diretamente nas folhas pode ser uma estratégia eficiente para fornecer nutrientes, especialmente durante o período de maior demanda, como na fase de enchimento de grãos.

5. Épocas de Aplicação

Antes do Plantio: A aplicação de fósforo, potássio e, às vezes, uma parte do nitrogênio, deve ser feita antes ou durante o plantio.

Durante o Crescimento Vegetativo: A adubação nitrogenada deve ocorrer, em geral, de 30 a 40 dias após o plantio, quando a planta está na fase de maior crescimento.

Durante a Formação dos Grãos: A adubação de cobertura pode ser reavaliada durante a fase reprodutiva, se necessário, especialmente em solos de baixa fertilidade.

6. Cuidado com a Superdosagem

É importante não aplicar fertilizantes em excesso para não prejudicar o crescimento do milho e causar danos ao meio ambiente, como a contaminação das águas subterrâneas.

As recomendações de adubação devem sempre seguir as orientações da análise do solo e os dados técnicos, evitando a aplicação em excesso.

Defesa da Lavoura: Manejo de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas do Milho

O manejo de plantas daninhas, doenças e pragas no cultivo do milho exige estratégias eficientes e bem planejadas. A fitotoxicidade por herbicidas, por exemplo, exige atenção na escolha e aplicação de produtos, para evitar danos às plantas.

O controle preventivo, como o uso de sementes de qualidade e a limpeza de equipamentos, aliado a práticas culturais, como rotação de culturas e espaçamento adequado, são fundamentais para manter a lavoura saudável.

O manejo integrado de pragas (MIP) surge como uma estratégia sustentável, combinando diversas táticas, como o controle biológico com predadores, parasitoides e patógenos, o uso de variedades resistentes e o monitoramento constante da lavoura.

O controle biológico, com organismos como joaninhas, vespinhas Trichogramma e bioinseticidas, como o Bacillus thuringiensis (milho Bt), são alternativas naturais e eficazes para proteger o milharal.

Além disso, o manejo integrado de pragas também é imposte após a colheita, garantindo a qualidade dos grãos armazenados e prevenindo perdas.

Essas práticas integradas garantem a saúde da lavoura e a qualidade da produção, promovendo uma agricultura mais eficiente e sustentável.

1. Manejo de Pragas

As pragas são um dos maiores desafios para a cultura do milho, podendo prejudicar o desenvolvimento das plantas, reduzir a produtividade e até comprometer a qualidade dos grãos. Algumas das pragas mais comuns são:

  • Lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda): Ataca principalmente as folhas do milho e pode causar danos severos, afetando o crescimento da planta;
  • Broca do milho (Sitophilus zeamais): Danifica os grãos, causando perda de qualidade e, muitas vezes, infestação no armazenamento;
  • Cigarrinha (Dalbulus maidis): Transmite a doença conhecida como “mal do milho”, que pode reduzir a produtividade.
  • Nematoides: Atacam as raízes, comprometendo a absorção de água e nutrientes, resultando em plantas atrofiadas, amareladas e com menor produtividade As principais espécies incluem o Meloidogyne spp., Pratylenchus spp., Helicotylenchus spp. e o Heterodera zeae,.

O manejo de pragas ainda pode ser feito a partir da combinação de técnicas, adaptando para às condições específicas de sua lavoura. Entre as práticas mais eficientes estão:

  • Rotações de culturas para evitar o acúmulo de patógenos no solo;
  • Uso de variedades resistentes às principais doenças;
  • Aplicações de fungicidas, sempre de acordo com a recomendação técnica.

2. Manejo de Doenças

As doenças podem afetar a planta em diversas fases do ciclo, desde o crescimento vegetativo até a fase reprodutiva. Para evitar a proliferação é indicado, em primeiro lugar, saber quais são as principais doenças do milho:

  • Ferrugem (Puccinia sorghi): Provoca manchas nas folhas e pode reduzir a fotossíntese da planta, afetando a produtividade;
  • Rizomania: Causada por fungos e bactérias, afeta as raízes e prejudica o crescimento da planta;
  • Fusariose (Fusarium spp.): Atinge o sistema vascular e pode levar à morte precoce das plantas.

A escolha do método de controle de doenças no milho depende de vários fatores, como o tipo de patógeno, o estágio da cultura, as condições climáticas e o nível de infestação. Apesar disso, algumas técnicas são recomendadas:

  • Rotações de culturas para evitar o acúmulo de patógenos no solo.
  • Uso de variedades resistentes às principais doenças.
  • Aplicações de fungicidas, sempre de acordo com a recomendação técnica.

3. Manejo de Plantas Daninhas

As plantas daninhas competem com o milho por nutrientes, luz e água, prejudicando o desenvolvimento das plantas e afetando a produtividade. Entre as plantas mais comuns estão:

  • Capim amargoso (Digitaria insularis): Pode se tornar resistente a herbicidas, como o glifosato, exigindo estratégias combinadas, como o manejo químico e cultural;
  • Cipó-chumbo (Raphanus raphanistrum): Pelo crescimento rápido e capacidade de reprodução, dificulta o manejo, exigindo controle preventivo e químico adequado. A rotação de culturas e o uso de herbicidas seletivos são estratégias eficazes para reduzir sua incidência na lavoura.

Para um manejo eficiente de plantas daninha, também recomendamos combinar diferentes estratégias, como:

  • Rotação de culturas: Ajuda a quebrar o ciclo das plantas daninhas e reduz sua incidência no solo;
  • Uso de herbicidas seletivos: Produtos específicos que controlam as invasoras sem prejudicar o milho, aplicados de forma estratégica conforme o estágio da cultura;
  • Capinas manuais ou mecanizadas: Métodos eficazes em áreas menores ou com alta infestação de plantas daninhas, auxiliando no controle inicial.

Para o processo ser ainda mais efetivo, leve em consideração o tipo de planta invasora, o estágio da cultura e as condições ambientais.

Guia para manejo de plantas daninhas

Armazenamento e Economia do Milho: Da Colheita ao Mercado

O armazenamento de milho é um pontos mais importantes para preservar a qualidade da colheita. A secagem de grãos adequada, a aeração eficiente e o controle de pragas são práticas para evitar perdas durante o armazenamento a granel em silos ou em paióis rústicos para a agricultura familiar.

Algumas boas práticas devem ser feitas para preservar sua integridade e reduzir os riscos de contaminação.

O primeiro passo é colher o milho no ponto ideal de umidade (entre 13% e 15%), pois grãos muito úmidos favorecem o desenvolvimento de fungos e micotoxinas. Após a colheita, faça a limpeza e a secagem para evitar fermentação e deterioração.

O milho pode ser armazenado em silos, armazéns graneleiros ou em bags, dependendo da estrutura disponível.

A ventilação adequada e o monitoramento constante da temperatura e umidade dentro dos armazéns são fundamentais para evitar o acúmulo de calor e a proliferação de pragas.

O uso de técnicas como a aeração controlada, o tratamento com inseticidas aprovados e a adoção de um controle rígido contra roedores e outras pragas agrícolas ajudam a manter a qualidade do milho durante o período de armazenagem.

Além disso, a rotação periódica dos estoques e a comercialização dentro do prazo adequado evitam perdas e garantem melhor valorização no mercado.

Armazenamento de grãos: como escolher um silo e estratégias de comercialização

Armazenamento de milho: Mercado

No Brasil, o milho é um dos principais produtos de exportação, com mercados internos e externos que exigem um alto padrão de qualidade.

Por isso, o armazenado deve atender aos requisitos de classificação, como o teor de umidade, a ausência de impurezas e a integridade dos grãos. Grãos mal armazenados podem perder valor ou até inviabilizar a venda, comprometendo a rentabilidade do produtor.

Com a evolução das tecnologias de monitoramento e controle, como sensores de temperatura e umidade, é possível otimizar o armazenamento, garantindo que o milho esteja em perfeitas condições para a comercialização.

Além disso, o armazenamento em grande escala permite negociar volumes maiores, garantindo melhores preços e acordos com compradores, cooperativas ou empresas de processamento.

É importante considerar que o custo do armazenamento deve ser levado em conta na formação do preço de venda, pois estrutura inadequada ou manutenção deficiente pode resultar em prejuízos financeiros.

Clima e Zoneamento Agrícola para a cultura do Milho

O cultivo do milho é altamente dependente de condições climáticas favoráveis e de um zoneamento agrícola bem estruturado.

A escolha do local e o momento de plantio impactam diretamente a produtividade e a qualidade dos grãos, sendo fatores cruciais para o sucesso da lavoura. Neste sentido, tome cuidado com:

1. Condições Climáticas Ideais para o Milho

O milho requer clima tropical ou subtropical, com temperaturas médias entre 20°C e 30°C durante o ciclo de desenvolvimento. Temperaturas muito baixas ou muito altas podem prejudicar a germinação e o crescimento das plantas.

A cultura também necessita de uma quantidade significativa de radiação solar, que influencia diretamente na fotossíntese e, consequentemente, no crescimento da planta.

O excesso de umidade também pode favorecer o surgimento de doenças, enquanto a escassez de água prejudica o crescimento das plantas e o desenvolvimento dos grãos, afetando diretamente a produtividade

Portanto, o manejo eficiente da irrigação, em regiões onde a precipitação é insuficiente, é essencial para garantir bons resultados.

2. Zoneamento Agrícola

O zoneamento agrícola é a prática de dividir o território em áreas que têm características semelhantes em relação ao clima, solo e outros fatores, permitindo otimizar a produção agrícola de acordo com as condições locais. Para o milho, o zoneamento leva em consideração fatores como:

  • Temperatura e Estações do Ano: Identificar as regiões que apresentam as temperaturas ideais durante o período de crescimento do milho;
  • Pluviometria: Mapear as áreas com níveis adequados de precipitação para evitar períodos de seca no ciclo da cultura;
  • Tipo de Solo: A composição do solo, como pH, fertilidade e capacidade de retenção de água, deve ser analisada para determinar a adaptabilidade do milho àquela região.

Ao aplicar o zoneamento agrícola, é possível identificar as melhores regiões para o cultivo do milho e ajustar o calendário de plantio para evitar os riscos de perdas por clima desfavorável, como secas prolongadas ou geadas fora de época.

3. Impacto do Clima na Produtividade do Milho

O milho é sensível a mudanças climáticas, especialmente durante o florescimento e a formação de grãos. Estresses climáticos, como altas temperaturas durante a polinização, podem reduzir a fertilização e, consequentemente, a produtividade da lavoura.

Já a escassez de chuva nos períodos críticos de enchimento de grãos pode comprometer a qualidade e a quantidade da colheita.

Portanto, a integração do zoneamento agrícola com práticas de manejo adaptativas, como a escolha das variedades mais adequadas ao clima local, são estratégias essenciais para minimizar os impactos do clima e garantir boas colheitas.

Em resumo, o sucesso no cultivo do milho depende de um adequado entendimento do clima e das condições locais, aliados a um bom zoneamento agrícola.

Com essas ferramentas, você consegue planejar melhor o ciclo da cultura, otimizar o uso dos recursos e maximizar a produtividade.

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Erosão hídrica: Impactos na lavoura

As chuvas intensas têm sido uma realidade em diversas regiões do Brasil, causando preocupação entre os produtores rurais.

O excesso de água pode desencadear diversos problemas, sendo a erosão hídrica um dos mais graves. Além de comprometer a estrutura do solo, a erosão favorece o aparecimento de doenças, reduzindo a produtividade das lavouras e gerando prejuízos financeiros.

Neste artigo, vamos explicar o que é a erosão hídrica, suas causas, os tipos existentes, como afeta a agricultura e, principalmente, o que pode ser feito para prevenir e cuidar de solos encharcados.

O que é erosão hídrica?

A erosão hídrica é o processo de desgaste, transporte e deposição de partículas do solo provocado pela ação da água da chuva ou de cursos d’água.

Quando o solo não tem uma cobertura adequada ou está compactado ele se torna mais suscetível ao impacto das gotas de chuva que desagregam suas partículas e as transportam para outros locais.

Esse fenômeno afeta não apenas a qualidade do solo mas também a produtividade das culturas e a sustentabilidade das propriedades rurais.

Como ocorre a erosão hídrica?

A erosão hídrica acontece quando a capacidade do solo de absorver a água da chuva é superada pela intensidade da precipitação, resultando no deslocamento de partículas de solo. Diversos fatores podem favorecer esse processo, como:

  • Chuva intensa: Aumenta o volume e a velocidade do escoamento superficial;
  • Solo desprotegido: Devido à falta de cobertura vegetal ou palhada, expondo o solo ao impacto direto das gotas de chuva;
  • Declive acentuado: Regiões inclinadas são mais propensas ao escoamento;
  • Compactação do solo: Reduz a capacidade de infiltração, aumentando o escoamento e o transporte de partículas.

Esses fatores combinados resultam em perdas de nutrientes, comprometendo a saúde do solo e a produtividade.

A adoção de práticas como o uso de coberturas vegetais, a rotação de culturas e o controle do uso de máquinas, pode ajudar a prevenir e mitigar a erosão hídrica.

Compactação do solo: como evitar e corrigir em sua propriedade

Tipos de erosão do solo

Existem diferentes tipos de erosão que afetam as propriedades rurais, cada uma com características e impactos específicos.

O processo acontece quando agentes como água e vento removem as camadas superficiais do solo, levando os nutrientes para o desenvolvimento das plantas. Dependendo das condições, diferentes formas de erosão podem se manifestar. Confira:

1. Erosão laminar

É o estágio inicial do processo erosivo, no qual uma fina camada superficial do solo é removida de forma uniforme pela água. 

Costuma ser difícil de detectar, pois o solo parece intacto a olho nu, mas perde nutrientes e matéria orgânica essenciais, comprometendo sua fertilidade.

2. Erosão em sulcos

Ocorre quando a água escoa em linhas específicas, formando pequenos canais ou ranhuras no solo.  Esses sulcos indicam um agravamento do processo erosivo e podem se expandir com o tempo, dificultando o manejo do solo da área afetada.

Se não forem controlados, podem evoluir para ravinas, comprometendo a fertilidade do solo e aumentando as perdas de nutrientes e matéria orgânica.

3. Erosão em ravinas

As ravinas comprometem significativamente o uso da terra para a agricultura, pois dificultam o tráfego de máquinas e reduzem a área cultivável.

Além disso, expõe camadas mais profundas do solo, empobrecendo e acelerando a degradação do solo na área afetada.

A recuperação das áreas afetas exige intervenções como barragens de contenção, reflorestamento e práticas conservacionistas, como o terraceamento e o manejo adequado do escoamento da água.

4. Erosão em voçorocas

É o estágio mais severo do processo, resultando na formação de crateras profundas que podem se estender por grandes áreas. 

As voçorocas geralmente são causadas por uma combinação de manejo inadequado do solo, chuvas intensas e falta de vegetação protetora.

É comum que comprometam o ecossistema local, prejudiquem infraestruturas rurais e exijam intervenções custosas para sua recuperação.

5. Solapamento do solo

Geralmente ocorre em margens de rios, lagoas ou cursos d’água, onde a água em movimento remove o solo lateralmente, provocando desmoronamentos. 

Este tipo de erosão é comum em áreas de propriedades que possuem corpos d’água próximos e pode causar danos tanto à lavoura quanto às infraestruturas, como estradas e cercas.

Como a erosão afeta a agricultura?

Os impactos da erosão hídrica na agricultura são profundos e afetam diversos aspectos do solo, da produtividade e da sustentabilidade das lavouras, como:

  1. Perda de fertilidade: A remoção da camada superficial rica em nutrientes compromete a produtividade das culturas.
  2. Compactação do solo: Reduz a infiltração de água, dificultando o armazenamento de umidade.
  3. Assoreamento: O sedimento transportado pela água acumula-se em rios, lagos e represas, reduzindo sua capacidade de armazenamento.
  4. Proliferação de doenças: Solos encharcados favorecem fungos e bactérias que atacam as plantas.
  5. Prejuízos financeiros: A queda na produtividade e os altos custos de recuperação impactam diretamente a rentabilidade do produtor.

Os prejuízos não se limitam ao meio ambiente, mas também geram desafios econômicos, gerando queda na produtividade, aumento dos custos com insumos e necessidade de investimentos em práticas de recuperação do solo.

Como evitar erosão hídrica na lavoura?

A prevenção da erosão hídrica envolve práticas que protegem o solo e garantem a sustentabilidade da produção.

Manter a cobertura do solo com vegetação, culturas de cobertura ou palhada é essencial para reduzir o impacto da chuva e minimizar a remoção de partículas.

Já o plantio direto preserva a estrutura do solo reduzindo seu revolvimento, enquanto o uso de curvas de nível e terraços direciona o escoamento da água, evitando enxurradas descontroladas.

A roçadura com vegetação rasteira protege a superfície do solo, e a rotação de culturas melhora a biodiversidade e a saúde do solo, tornando o processo mais resistente à erosão.

Além disso, o manejo adequado das águas pluviais, com sistemas de drenagem eficientes, ajuda a controlar o volume de água acumulado e reduz o risco de encharcamento.

Como cuidar da lavoura com solo encharcado?

Quando o solo está encharcado devido às chuvas excessivas, algumas medidas podem mitigar os danos e recuperar sua produtividade.

A drenagem pode ser melhorada com a instalação de canais ou drenos para remover o excesso de água. A aeração do solo, feita com equipamentos que rompem camadas compactadas, facilita a entrada de ar e a infiltração da água.

Para compensar perdas nutricionais causadas pelo escoamento, a reposição de nutrientes com fertilizantes adequados é fundamental.

Além disso, o controle de pragas e doenças exige inspeções regulares e medidas preventivas para evitar a proliferação de fungos e bactérias.

Por fim, é importante evitar o pisoteio em áreas encharcadas, pois isso pode agravar a compactação do solo, dificultando ainda mais sua recuperação.

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